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12 Piano and a cold look


Notas iniciais
Olá queridos :) Como estão? Espero que gostem desse capítulo e deixem muitos comentários! Beijos e até o próximo!

Tobias

Depois do almoço, eu e Tris decidimos ir para a sala de estar, assim como alguns dos meus primos. A sala de jantar, cozinha e sala de TV estavam muito barulhentas. Esse é o lado ruim de ter uma família muito grande. Muita gente, muito barulho.

Alguns dos meus tios assistiam a um jogo qualquer na sala de TV e tornaram o lugar impossível de se ficar. A família de Tris estava na sala de visitas, assim como a maioria das minhas tias, com as minhas avós e algumas primas. As crianças estavam na cozinha, tentando fazer bolo.

— Você toca? — Tris perguntou, me pegando de surpresa. Acompanhei o olhar dela. Ela olhava para o piano de calda no canto da sala.

— Definitivamente não — Eu respondi, sorrindo — Quando eu era mais novo, com sonhos de ter uma banda e uma carreira, insisti pra minha mãe pra comprar um piano e pagar aulas pra mim. Um mês depois eu desisti. Desde então, minha mãe manteve o instrumento como enfeite de sala.

Ela se encaminhou pra lá, e eu a acompanhei. Ela se sentou no banco e levantou a tampa que protegia os teclados. Em questão de segundos ela começou a tocar. Eu parei ao lado do instrumento e a fiquei observando.

Eu abri um sorriso. Ela era inacreditável. Em alguns momentos, a sala de estar se encheu de gente. Tris parecia não ter notado, ela estava totalmente concentrada na música.

Quando ela parou, nós trocamos um olhar.

— Quando é que você vai parar de me surpreender? — Eu perguntei, dando um abraço nela.

— Eu te disse que eu tive que me sustentar — Ela deu de ombros — Acabei aprendendo algumas coisas. O pub de ontem — Ela disse, se encostando em mim — Eu inaugurei aquele lugar — Ela sorriu, me fazendo sorrir também — E durante a semana, ele funciona como restaurante. Eu costumava tocar e cantar lá, pra ganhar uma grana.

— Você é o ser mais surpreendente que eu conheço — Eu disse a ela, que riu. Mas era verdade. Tris conseguia me surpreender com quase tudo. Era incrível o fato de ela ser uma pessoa extremamente talentosa, incrível, educada e continuar humilde — Quantos anos você levou para aprender?

— Hum, dois meses e meio — Ela respondeu, e depois riu da minha cara de espanto — Aprendi no meu primeiro ano de faculdade. Uma menina sabia tocar, e ela queria a minha ajuda com algumas coisas. Fizemos uma troca — Ela sorriu.

— Que tipo de coisas? — Eu perguntei, curioso.

— Ela dizia que eu tinha classe. Bom gosto. Boa postura — Ela me deu um sorriso — E queria a minha ajuda para ter isso também. Eu praticamente dei aulas de etiqueta pra ela. E ajudei a reformar o guarda roupas.

— Eu nem sei o que dizer — Eu disse, sinceramente. Ela sorriu.

Tris começou a tocar de novo. Dessa vez eu reconheci a música. Era “Total Eclipse Of The Heart”. Tris começou a cantarolar a letra, não muito baixo mas também não muito alto, e eu a acompanhei, mas sem cantar alto para poder continuar a ouvir a voz dela.

Se ela quisesse, ela poderia ter sucesso no mundo da música.

Evelyn

Fiquei extremamente surpresa quando ouvi o som do piano de cauda. Tobias nunca tinha aprendido a tocar nada e ninguém da família sabia tocar. Chamei as pessoas que estavam na sala comigo para irmos ver quem estava tocando.

Eu abri um sorriso quando vi que Tris, a namorada do meu filho, estava sentada no banco, tocando uma música bonita.

Eu estava simplesmente muito feliz com esse relacionamento de Tobias. Eles pareciam se gostar muito e ela parecia ser uma boa menina, embora eu não soubesse muito sobre ela. Eu estava radiante por ela estar aqui hoje. Eu nunca tinha conhecido nenhuma das rápidas namoradas de Tobias. Se ele a havia apresentado perante a família toda, ela devia significar muito pra ele.

Vi quando Natalie rompeu em lágrimas ao meu lado, me assustando. Ela saiu da sala de estar rapidamente. Eu a segui, assim como o resto das minhas irmãs e cunhadas.

— Está tudo bem, querida? — Eu perguntei.

— Eu… Eu só fiquei chocada — Natalie respondeu, deixando todas nós um pouco perdidas — Eu não sabia que Beatrice… que ela tocava piano.

— Tris? — Eu perguntei. Como ela sabia que a garota se chamava Beatrice? — Você a conhece?

— Ela é minha filha — Natalie disse, entre lágrimas, deixando todas nós extremamente chocadas. Um momento de silêncio se seguiu, antes que ela retomasse a palavra — Quando era mais nova, ela rompeu contato com a família. Eu a vi poucas vezes desde então. Hoje foi uma surpresa encontrá-la aqui. Eu não imaginava que ela namorava seu filho.

— Natalie, eu nem sei o que dizer — Eu disse, sendo sincera e a abraçando. Eu mal podia imaginar como era viver sem ter contato com meu filho. Tobias e Marcus viviam em pé de guerra, o que geralmente me levava a loucura, mas Tobias sempre continuava conversando comigo, embora ignorasse o pai — O que aconteceu?

— Beatrice nunca foi uma pessoa de seguir padrões — Ela disse, limpando as lágrimas do rosto — Quando foi escolher uma faculdade, ela contrariou a mim e a Andrew. Quis fazer Relações Públicas. Andrew disse que se ela saísse de casa, era pra nunca mais voltar. Ela arrumou as malas e saiu. E nunca mais voltou.

Natalie então começou a chorar copiosamente.

— Ela nunca nos perdoou. Cortou relações. Eu não a vi se formar na faculdade, não sei o que ela faz da vida, onde mora, com quem ela anda, o que ela gosta o que não gosta. Passei muito tempo sem notícias. Eu não conheço mais a minha filha. Não conheço mais a minha menininha. Ela se virou sozinha esse tempo todo.

— Vocês já tentaram conversar com ela? — Minha irmã mais velha perguntou — Dizer que se arrependem e tudo mais?

— Todas cinco vezes que nos encontramos, não conseguimos manter uma conversa civilizada — Natalie respondeu — Beatrice sempre foi muito firme nas decisões dela, e parece que ela decidiu não que não quer contato nenhum conosco. Ela seguiu em frente.

Mais uma vez eu fiquei sem palavras. Agora tudo se encaixava. Quando eu havia apresentado os Prior, Tobias havia ficado totalmente surpreso e me pareceu um pouco chocado e preocupado. Tris, que me parecia ser uma pessoa receptiva e simpática, havia se limitado a ficar apática encarando duramente os recém chegados. Eu havia assimilado a reação deles com cansaço, porque claramente nenhum deles havia dormido direito após uma aparente noite de farra.

Eu custava a acreditar que Natalie e Andrew, que eram as pessoas mais doces que eu conhecia, haviam feito isso com a própria filha. Isso explicava a reação exagerada de Tobias quando, semanas atrás, na festa da empresa, Marcus havia insinuado que a garota estava com ele por dinheiro. Tris havia desistido da fortuna dos pais pra fazer o que quiser da vida. Dinheiro não era algo que importava muito pra ela.

Fiquei tentando acalmar Natalie, que tentava se controlar para não continuar chorando. Eu realmente tentava esconder meu choque.

Minutos depois, a música parou, e Tobias e Tris apareceram na sala. Eles se despediram brevemente das pessoas, mas tudo que eu consegui perceber foi o olhar gélido e indiferente que Tris deu para a mãe. Dava para perceber toda a hostilidade por trás daquele olhar, e pra falar a verdade, eu não a culpava. Eu me levantei para acompanhá-los

— Senhora Eaton, muito obrigada pelo almoço — Tris disse, ao se despedir de mim — E desculpa o incômodo. Eu não…

— Minha querida, foi um prazer conhecê-la — Eu disse, a abraçando — Apareça mais vezes, por favor.

Ela deu um sorriso um pouco tímido e Tobias me disse tchau. Os dois caminharam até o carro e depois se foram. Eu voltei para dentro da casa.

— … o que eu acho, minha querida — Minha irmã dizia para Natalie — É que você tem que tentar se reaproximar dela aos poucos. Conquistar o perdão e o respeito dela novamente — Ela fez uma pausa — Talvez não seja do dia para noite, mas Tris é sua filha, ela vai acabar te perdoando.

Continuei prestando atenção no assunto, já imaginando o como seria difícil para Natalie. Pelo pouco que eu sabia de Tris, ela era uma pessoa de temperamento muito forte. Ia ser difícil quebrar o gelo que ela podia se transformar.

Notas finais
Deixem comentários Beijos