Bargain

17 Drowning


Notas iniciais
Oi amores! Aqui o capítulo que eu prometi! Obrigada põe todos os comentários, e comentem nesse também! Parabéns pra galera que acertou qual seria a notícia bombástica! Hahahahaha Beijos e até o próximo!

Tris

Eu andei pelo hall de entrada da Eaton’s Corporation tremendo da cabeça aos pés. Era como se uma âncora atrasasse meus passos e tentasse me afundar. O problema é que eu estava com os pés em uma superfície firme e plana. A minha mente é que afundava, ameaçando levar a consciência com ela.

A noite não dormida também não estava me ajudando a me concentrar e focar no que era importante. Na verdade, eu já nem sabia o que era importante e o que não era.

Dei os passos finais até a recepção da corporação e tratei de colocar as minhas mãos dentro do bolso do moletom, para evitar que as pessoas percebessem o quanto eu tremia.

— Oi — Eu murmurei para a secretária. Cara, ou alguma coisa assim. Eu não tinha a mínima condição de me lembrar, por isso não arrisquei — Tobias está?

— Bom dia — Ela respondeu, com um sorriso nervoso. Ela provavelmente notou que eu suava bastante, apesar do frio que fazia lá fora — O senhor Eaton está em uma reunião, que deve acabar antes do almoço — Ela me informou. Eu bati os pés no chão, nervosamente.

— Será que você pode me providenciar um copo d’água? — Eu pergunto, me escorando no balcão e rezando para não desmoronar no meio do hall do trabalho de Tobias. Eu sentia tanta coisa ao mesmo tempo que nem mesmo conseguia distinguir.

— Claro, sem problemas — Ela respondeu, prestativa, se levantando em seguida para encher um copo plástico com água — A senhorita está bem? — Ela pergunta, ao me entregar o copo.

— Eu… Eu não estou me sentindo muito bem — Eu respondo, com a consciência de que eu provavelmente estava horrível. A ânsia de vômito fazia a minha cabeça rodar, mas eu não tinha o que por pra fora, já que não tinha comido nada.

— Acho que o senhor Eaton não se importaria se eu permitisse que a senhorita o esperasse lá em cima, na sala dele — Ela diz, ainda me fitando. Ela provavelmente tinha visto o desespero em meus olhos.

— Eu agradeceria imensamente se você pudesse fazer isso por mim — Eu digo, me sentindo realmente agradecida pela ideia. Ela me da a instrução de pegar o elevador até o décimo quinto andar e entrar na quarta porta do corredor, que era a sala de Tobias. Eu agradeço novamente e faço o que ela instruiu.

Logo me vejo em uma sala grande, com um sofá preto e sofisticado em um dos cantos e uma mesa, que fica a frente de uma estante cheia de livros. A mesa de Tobias. A cadeira dele fica entre a estante e a mesa, e do outro lado desta, duas cadeiras um pouco mais simples do que a outra, mas igualmente bonitas. A decoração era toda em preto. As cortinas estavam fechadas. Eu não as abri.

Me jogo no sofá macio e desabo. Tudo que eu estava segurando na última hora sai em forma de lágrimas, me fazendo soluçar. Deixo todo o meu medo e o meu desespero transparecerem. Fico assim por um tempo. Não sei dizer exatamente quanto tempo.

Vejo a porta da sala se abrir, mas não olho pra lá. Alguém acende a luz e eu levanto os olhos. Tobias.

— Cara me disse que você estava aqui e… — Ele para de falar quando olha pra mim — Tris, o que aconteceu? Alguém te machucou? Tris? Fala comigo, pelo amor de Deus — O desespero que tomou conta dele era genuíno. Ele me abraçou e me desmontei em seus braços.

Segundos depois, eu o olhei nos olhos e despejei o que estava me agoniando. Seria melhor se eu não protelasse. Seria melhor dizer tudo de uma vez, e essa era a maldita hora.

— Tobias, eu estou grávida — É a primeira vez que eu digo isso. É a primeira vez que eu penso deliberadamente nessas palavras desde que escutei o médico dizer alegremente “parabéns mamãe”. Vejo a lividez passar por seus olhos, seguida de descrença, aceitação e por fim algo que eu não consegui identificar.

— O que você... — Ele começa, mas para de falar — Tris, isso é… — Ele se corta no meio da frase mais uma vez — Caramba, você está dizendo que eu vou sei pai? Tipo, eu realmente vou ser pai?

— Sim, você vai ser pai — Eu confirmo, com a voz sufocada.

— Desde quando você sabe? — Ele pergunta, com um sorriso no rosto.

— Eu… — Eu engulo em seco — Descobri faz quase uma hora, mas essa não é uma notícia que a gente simplesmente dá por telefone — Eu digo, respirando um pouco mais calmamente — Você lembra que quarta feira eu estava passando mal? — Eu pergunto, me concentrando — E ontem, quando você foi embora de manhã, eu passei mal novamente. Foi feio. Coloquei pra fora todo meu café da manhã — Eu faço uma pausa para pegar folego — Na hora do almoço, só o cheiro da comida me embrulhou o estômago e eu tô indo ao banheiro como uma louca.

— E hoje de manhã você passou mal novamente — Ele diz, adivinhando o que eu ia falar em seguida. Eu confirmo com a cabeça.

— Aí fui ao médico. Ele fez algumas perguntas disse que tinha quase certeza do que estava acontecendo comigo, mas pediu um exame de sangue pra confirmar. Quando viu o resultado ele… ele disse “parabéns, mamãe”. Aí eu saí correndo de lá. Eu não conseguia ouvir mais nada. E aí eu comecei a passar mal e ter um ataque de pânico ao mesmo tempo e… — Eu deixei a frase morrer.

— Tris, isso é…

— Pavoroso? Medonho? Assustador? — Eu digo, arrancando uma risada dele. Eu me sentia um pouco melhor agora. Desde que eu havia saído do médico, eu havia voltado a passar mal por causa da gravidez, mas com isso havia se somado o pânico de ser mãe e o pânico de pensar sobre a reação de Tobias.

— Eu ia dizer incrível — Ele diz, ainda sorrindo, me abraçando em seguida — Mas confesso que eu estou um pouco assustado. Caralho, nós vamos ter um bebê.

— Tobias, eu mal consigo tomar conta de mim mesma, como que eu vou tomar conta de uma criança? — Eu pergunto, segurando as lágrimas — Nem a porra de um emprego eu tenho mais.

— Primeiro, nós vamos tomar conta da criança, juntos. É nossa criança. Sei lá. A gente aprende — Ele limpa as lágrimas que escorriam no meu rosto — E segundo, você faz o curso de designer de interiores durante a gravidez, aí ganha o bebê e depois começa a trabalhar.

— A nossa vida nunca mais vai ser a mesma — Eu digo, balançando a cabeça — E você tá aí, fazendo parecer que vai ser fácil, tipo brincadeira de criança — Eu faço uma pausa, pensando no que eu havia acabado de falar — Tá, esse não foi um trocadilho engraçado.

— Não vai ser fácil — Ele diz, mexendo no meu cabelo — Mas se a gente quiser, os dois, vai dar certo. Nós somos novos, um pouco irresponsáveis, bêbados e fodidos, mas nós podemos crescer com a chegada dessa criança. Nós podemos dar amor e uma vida boa pro nosso bebê. Você está nessa, Tris? — Eu entendo a pergunta. Essa é a hora. Ou eu entro nisso de cabeça, ou eu caio fora. Respiro profundamente.

— Eu tô dentro, T. — Eu respondo, com um meio sorriso. Eu sentia a parte inconsequente da minha alma tomando conta do meu corpo. A saída fácil seria abandonar essa ideia, tirar esse bebê, mas não. Nós teríamos e criaríamos essa criança, mesmo sendo um par de bêbados inconsequentes, que nem numa relação estável estavam — Mas eu tô com medo, porra. Eu tô com muito medo. Olha a merda que é a minha vida familiar. Olha a merda que é a sua relação com seu pai. Como a gente vai ser um bom exemplo pra alguém? Como a gente vai criar uma criança e explicar pra ela porque ela não é próxima da maioria dos avós? — Evelyn talvez fosse a única que salvava nessa nossa relação complicada com a família.

— A gente vai dar conta, você vai ver — Ele diz, me abraçando — É só não cometer os mesmos erros que cometeram com a gente. É só a gente procurar ser muito melhor do que seus pais e meu pai foram.

— Você é quem vai trocar as fraldas — Eu digo, misturando riso com um soluço. Dois dias atrás nós estávamos conversando sobre mudanças e futuro. Hoje era como se esse futuro estivesse batendo na nossa porta como uma visita inesperada e ao mesmo tempo bem vinda. Eu estava começando a perceber que estava sim com medo, mas eu também estava sentindo outra coisa. Uma coisa boa, que eu não sabia o que era ainda, mas queria logo descobrir.

— Justo, já que você que vai ter que levantar para amamentar — Ele responde, me dando um beijo. Ele enxuga meu rosto molhado com a manga de sua camisa — Quer ir almoçar?

— Não ouse — Eu respondo prontamente — Eu não consigo nem sentir cheiro de comida sem ter ânsia de vômito.

— Você precisa comer alguma coisa — Ele diz, me olhando de cima a baixo — Vocês precisam comer alguma coisa para ficarem fortes e saudáveis — Ele me dá um sorriso tranquilo. Eu acho fofo o jeito que ele falou, no plural. Tobias tinha aceitado tudo isso muito melhor do que eu, que ainda estava pirando. Ou talvez ele também estivesse pirando, só não estava demonstrando para não me fazer pirar mais ainda.

— Eu não consigo. Tudo me faz querer vomitar.

— De quanto tempo nós estamos grávidos? — Ele pergunta, rindo.

— Não sei — Eu suspiro — Fugi do consultório médico antes que ele pudesse falar mais alguma coisa. Algumas semanas, talvez — Eu arrisco e ele ri mais ainda.

— Bom, vamos ter que marcar uma ida ao médico imediatamente — Ele diz, me fazendo perceber quem seria o responsável nessa nossa aventura. Eu suspiro. Eu odeio hospitais, clínicas ou qualquer coisa assim.

— A ideia de ir ao médico é menos nauseante do que a ideia de ir a um restaurante cheio de comidas com cheiros horríveis — Eu digo, mesmo contrariada.

Ele se levanta e me puxa junto. Logo em seguida me da um abraço e sussurra no meu ouvido que vai dar tudo certo. Nós saímos da sala dele rumo ao elevador.

— T. — Eu chamo — Vamos manter isso em segredo por enquanto, pode ser? — Ele concorda com a cabeça — Eu preciso me acostumar com essa ideia primeiro.

— Você vai ser a mãe mais linda desse mundo — Ele diz gentilmente, fazendo meus olhos encherem de lágrimas — E mais chorona também — Ele acrescenta, me fazendo dar um tapa nele, de leve.

Nós saímos do elevador no momento seguinte. A Tris que saía agora era totalmente diferente da Tris que tinha entrado.

— Cara — Ele diz, ao se aproximar da secretária — Você pode, por favor, desmarcar meus compromissos dessa tarde? Eu não volto para a empresa hoje. Qualquer coisa, se for muito importante, manda me ligar.

— Senhor Eaton — Ela diz, rapidamente — Seu pai ligou, falando que viria conversar com o senhor hoje.

— Liga pra ele e manda ele ir a merda — Tobias responde, me fazendo rir e deixando Cara chocada. Nós saímos do hall rumo ao carro de Tobias.

— A porra dessa calça tá me apertando — Eu resmungo e Tobias ri — Deve ser psicológico isso, não é possível.

— Quer passar em casa para trocar de roupa, antes de ir ao médico? — Ele pergunta e eu confirmo com a cabeça. Eu encosto a cabeça no banco e tento descansar um pouco.

Notas finais
Quem aí gostou da notícia???