Bargain
22 Baby Talkin'
Notas iniciais
Tobias
Abri a porta do meu apartamento e entrei com cuidado. Tris estava deitada no sofá e dormia profundamente. Ela tinha me mandado uma mensagem avisando que estava aqui. Nós agora passávamos todas as noites juntos, independente se fosse no meu apartamento ou no dela. Eu era meio babão e morria de medo de acontecer alguma coisa e eu não estar por perto para ajudar.
Eu ansiava pelo dia em que a nossa casa ficaria pronta, mas sabia que demoraria um pouquinho, até tudo ficar do jeito que Tris queria. Ela me mostrava os esboços e os materiais que ela escolhia e eu achava que estava tudo ficando muito perfeito. Eu mal via a hora de ter nossos bebês e encher aquela casa com cachorros.
Me sentei cuidadosamente na beirada do sofá, lado de onde Tris dormia e passei a mão em seus cabelos. Ela se mexeu e segundos depois seus olhos azuis me encaravam. Eu odiava acordá-la mas era um antigo hábito nosso, que tinha ficado ainda mais forte porque eu morria de medo de ela estar sentindo alguma coisa e eu não conseguir saber.
— Boa noite, meu amor — Eu digo, dando um beijo em sua testa e depois em seus lábios. Ela se senta rapidamente eu aproveito para me arrumar no sofá. Ela volta a se deitar, apoiando a cabeça nas minhas pernas. Eu continuo a fazer carinho nela.
— Boa noite, love — Ela responde, me dando um sorriso. O tipo de sorriso que eu amava ver e que, na minha opinião, a deixava mais bonita do que o normal.
— Como você está? — Eu pergunto. Eu havia ficado imensamente feliz que os enjoos dela haviam passado e ela finalmente estava se alimentando direito. Tris era a rainha de comer bobeiras e estava numa vontade louca por chocolate nesses últimos dias, mas eu preferia ela dessa forma do que virando a cara toda vez que via um prato de comida na frente.
— Sonolenta — Ela responder, rindo — Eu nunca senti tanto sono e tanto cansaço na minha vida. Tirei inúmeros cochilos hoje — Ela se mexe e se senta em meu colo, jogando seus braços ao redor do meu pescoço — Mas e você? Como passou?
— Estou me sentindo com a alma lavada — Eu digo, sorrindo pra ela — A polícia intimou Marcus a comparecer na delegacia amanhã para prestar depoimento sobre os desvios e as empresas de faixada — Eu digo a abraçando e a apertando mais contra mim — Ele foi lá na corporação hoje e estava possesso.
— Ele teve coragem de ir lá? — Ela pergunta, me parecendo genuinamente surpresa — Marcus é mais cara de pau do que eu pensei que fosse capaz — Ela acrescenta.
— E ainda queria exigir explicações minhas sobre a denúncia contra ele — Eu conto, rindo — A minha mão até coçou pra acertar a cara dele, mas me limitei a dizer que ele devia ter pensado nas consequências antes de fazer merda.
— Marcus é patético — Ela acrescenta — Você devia proibir a entrada dele na corporação.
— Foi a minha primeira ação assim que ele deixou o prédio — Eu digo, a beijando no rosto — E parece que a minha mãe pediu o divórcio — Eu conto, fazendo uma pausa — Ele resmungou alguma coisa que me pareceu “não consegui fazer Evelyn mudar de ideia e você ainda me vem com um precesso”. Parece que ela avisou que ia querer o divórcio faz umas duas semanas.
— Sua mãe está corretíssima — Tris diz — Não sei como que ela suportou ficar com ele por tanto tempo.
— Tentei falar com ela hoje, mas ela não atendeu. Amanhã eu passo na casa dela pra saber detalhes — Eu digo. Faço uma pequena pausa antes de mudar de assunto — O que você faz de bom hoje? — Eu pergunto, arrancando um suspiro dela, que faz carinho no meu rosto em seguida.
— Compras — Ela responde, rindo — Bem, pelo menos até eu ficar extremamente lenta e cansada — Ela faz uma pausa e encosta a cabeça no meu ombro. Eu a aperto contra mim — Encomendei todos os móveis para sala de TV, de estar e de visitas. E já comprei alguns enfeites — Ela me olha carinhosamente — Esse fim de semana você bem que podia sair comigo, pra gente procurar mais algumas coisas.
— Estou ao seu dispor — Eu respondo, dando um beijo nela. Nós nos levantamos do sofá e quando ela está de pé eu consigo notar que a barriga de grávida de três meses já está aparecendo um pouco. Tris usava uma blusa mais justinha agora, o que ela não fazia a um bom tempo — E, antes que eu me esqueça de contar, eu trouxe chocolate — Eu digo e ela me dá um sorriso.
— Você é simplesmente o melhor — Ela diz, me dando um beijo.
— Chocolate só depois da janta — Eu digo e ela faz uma careta — Você precisa comer alguma coisa de sal e um pouco mais saudável — Ela suspira, mas não reclama. Ela sabia que precisava comer coisas mais saudáveis e que sustentavam por mais tempo. Eu tinha que dar créditos a ela, por mais que ela não gostasse de comer coisas certas e em horários certos, ela estava tentando e não estava sendo muito teimosa como de costume — Aliás, o que você quer comer? — Eu pergunto e ela se senta em uma das cadeiras da cozinha.
— Sei lá — Ela dá de ombros — Eu to com fome, sou bem capaz de comer qualquer coisa — Ela olha pra mim — O que você quer comer?
— Tô achando que vou fazer panquecas — Eu digo — O que você acha?
— Perfeito — Ela responde, me assoprando um beijo. Eu dou um sorriso pra ela e abro os armários e a geladeira, em busca dos ingredientes. Quando acho, me dirijo para o fogão. Tris se põe a arrumar a mesa e preparar um suco pra gente — Amor? — Ela chama e eu paro o que estou fazendo para olhar pra ela — Você já pensou em algum nome? Ou alguns nomes?
— Pra ser sincero, eu estava pensando nisso hoje e achei uma tarefa incrivelmente difícil — Eu respondo, rindo — E você?
— Se forem dois meninos, Danny e Steve ou Harvey e Mike — Ela responde, rindo. Danny e Steve são os dois principais de Hawaii Five-0, uma das séries favoritas de Tris. Harvey e Mike são de Suits, outra das inúmeras séries que ela ama — Se forem meninas, Hanna e Aria, talvez. Ou Spencer e Emily — Ela completa, rindo.
— Essas daí você tirou inspiração da onde? — Eu pergunto, sem reconhecer o seriado.
— Pretty Little Liars — Ela responde — Mas também pode ser Felicity e Laurel, tipo Arrow — Ela faz uma pausa e depois dá uma gargalhada — Oliver e Barry se for meninos, o que acha? Ou tem Sam e Dean — Ela dá de ombros.
— Bom, bom — Eu respondo, rindo — Clark e Bruce ficaria bom também. Ou Stiles e Scott.
— Nós definitivamente vamos precisar de mais filhos — Ela diz, rindo — É muito nome pra pouco filho.
— Eu topo ter mais umas dez crianças — Eu repondo e ela concorda com a cabeça.
Eu volto a fazer as panquecas e nós continuamos jogando conversa fora, até que a campainha toca e ela vai atender, resmungando que as pessoas tem o dom de aparecer na casa dos outros quando a comida está quase pronta. Eu dou risada e a observo deixar a cozinha.
Presto atenção, tentando descobrir quem estava na porta da minha casa uma hora dessas. Eu concordava com Tris: as pessoas adivinham a hora que a gente mais estava com fome pra aparecer.
— Olha só — Eu escuto a voz de Tris — Que surpresa mais agradável.
— Pelo cheiro delicioso, nós chegamos na hora certinha — Alguém diz, rindo logo em seguida. Era Shauna que havia falado.
— Chegaram mesmo — Tris diz, rindo — Tobias está fazendo panquecas.
— Você conseguiu a proeza de fazer Tobias cozinhar? — Zeke diz, rindo — Sério, eu te devo uma, Tris. Tá aí uma coisa que eu nunca imaginei ver na minha vida.
Escuto a porta se fechando e passos vindo em minha direção. Começo a preparar uma nova receita, já que agora era o dobro de pessoas para comer.
— Oi Tobias — Shauna cumprimenta e eu digo um oi de volta. Zeke me dá um tapa nas costas.
— E aí, cara? — Zeke fala, se encostando no balcão ao meu lado e pegando uma das panquecas que já estavam prontas.
— Zeke, pelo amor de Deus, cade a sua educação? — Shauna pergunta, mandando o namorado lavar a mão e esperar. Os dois sabiam que estavam em casa aqui assim como eu e Tris estaríamos caso chegássemos na casa deles nesse mesmo horário.
Shauna e Tris saem da cozinha rindo e conversando e eu e Zeke ficamos lá, jogando conversa fora.
— Aliás, seu pai foi falar comigo hoje. Na calçada em frente a corporação, quando eu estava indo embora — Ele diz, dando de ombros — Ele me pediu pra falar com você e te tentar fazer mudar de ideia — Zeke para de falar e eu o encaro. Meu olhar deve ter sido meio duro, já que ele logo continua — Mas eu falei pra ele que nem fodendo. Disse pra ele aguentar as consequências das merdas que ele fez.
— E ele? — Eu pergunto, voltando a finalizar as panquecas.
— Não sei — Zeke deu de ombros — Segui meu caminho e não fiquei pra ouvir o que mais ele tinha pra dizer.
— Você é o cara — Eu digo, rindo.
Eu termino as panquecas e chamo Tris e Shauna. Nós quatro nos sentamos à mesa e começamos a comer.
— Sabe que a minha ficha ainda não caiu — Shauna diz — Digo, eu nem acredito que vocês vão ter dois bebês. Tipo, isso é incrivelmente inacreditável e ao mesmo tempo tão fofo e tão história de contos de fadas que eu nem sei o que dizer.
— A minha ficha demorou a cair — Tris comenta, rindo — Se você me perguntasse um mês atrás, eu diria que era um filme de terror e não um conto de fadas.
— Tris já contou pra vocês do dia em que o médico disse que são gêmeos? — Eu pergunto e os dois negam com a cabeça — Ela mandou ele olhar direito porque ele devia estar errado.
— Eu imagino o surto psicótico que ela deve ter dado — Shauna comenta — Tris odeia qualquer coisa que ela não consegue controlar.
— O pior foi o médico querendo explicar como seria daquele momento em diante e tudo que ela conseguia fazer era andar de um lado para o outro, parecendo mais atordoada do que no dia em que ela descobriu que estava grávida — Eu digo, rindo — Por fim, o médico desistiu de falar com ela e falou só comigo.
— Médicos têm a incrível mania de querer falar com a gente enquanto estamos tendo a porra de um ataque de pânico — Tris resmunga, me fazendo rir — Tenta imaginar como é que é descobrir que não vai ter um filho só, mas dois. Altamente traumatizante.
— Não sei como ela não saiu o consultório e deixou o cara falando sozinho — Zeke comenta.
— Mas e afinal, quando vocês vão descobrir o sexo dos bebês? — Shauna pergunta, batendo palmas.
— Daqui a um mês — Tris responde e Shauna resmunga que ainda vai demorar muito.
Eu e Tris já tínhamos chegado a conclusão que chamaríamos Zeke e Shauna para padrinho e madrinha das crianças, mas havíamos decidido fazer o convite um pouco mais pra frente. A empolgação dos dois estava quase me fazendo mudar de ideia. Eles estavam tão por dentro que eu queria chamar nesse exato momento.
Troco um olhar com Tris, que parece entender o que eu estou pensando. Ela concorda com a cabeça e dá um sorriso pra mim.
— É… — Eu começo a falar — Eu e Tris temos um convite pra vocês.
— Somos todos ouvidos — Zeke responde.
— Nós gostaríamos que vocês fossem padrinhos das crianças — Eu digo. A reação que eu estava esperando vem. Shauna fica tão atônita que quase cai da cadeira. Zeke bate palmas e os dois praticamente gritam que aceitam.
— Deuses, eu vou mimar tanto essas crianças, vocês não têm noção — Shauna diz, dando um abraço em Tris e depois em mim.
— Nem vem querer estragar meus filhos — Tris fala, rindo.
— Velho, tem que ser dois moleques — Zeke fala — Vou ensinar pra eles todos os esportes possíveis, vou ensinar andar de bicicleta, roubar doce escondido e… Caramba.
Nós continuamos rindo e conversando por um bom tempo.
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