Bara No Mirai
3 Capítulo 2
Notas iniciais
"Aquilo que eu sinto por você nesse momento, não passa de uma fixação... Mas, sinto que pode acabar virando algo muito maior. Quando olho para você, vejo um pequeno passarinho, engaiolado e acomodado, se contentando apenas com a mesmice de sempre, por isso, eu vou abrir essa gaiola e lhe mostrar a verdade...".
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Yuu Pov's
Acordei às nove da manhã, estava irritado, mas logo me lembrei do baixinho e fui ver como ele estava. Não fiquei surpreso ao ver que já havia ido embora. Sabendo que seria em vão, procurei por ele nos outros quartos do apartamento. Eu estava sozinho.
Pensei que poderia acabar encontrando-o na rua ou na cafeteria, por isso resolvi sair.
O dia estava escuro, mas nem mesmo uma única gota caiu. Andei por todos os lugares que o Taka gostava de ir, e até por alguns que ele odiava, fiz isso até ficar cansado e então fui ver o Kouyou.
Quando cheguei, apenas Uke-san estava lá, e estava atendendo um homem alto ao qual eu não dei muita importância. Ao perceber minha presença, Yutaka me deu um de seus famosos sorrisos de covinhas e apontou para uma porta que dava a um quarto de funcionários atrás da cafeteria. Agradeci com a cabeça e fui até lá.
Kou deveria ter acabado de chegar, pois ainda não tinha se tracado, ou melhor, estava se trocando...
– Boa tarde Kou — Não conseguia sorrir com sinceridade...
– Bom dia Yuu. — Seu rosto corou um pouco ao me ver, afinal ele já havia começado a tirar a camisa. — Nã-não acha que esta sendo abusado entrando aqui não?!
– O Uke-san disse que você estava aqui.
– E ele te deixou entrar?
– Ele não me impediu... — Percebi que Takashima estava me analisando.
– O que aconteceu? Esta tudo bem com você?
– É... Esta tudo bem... Eu vou te esperar lá fora... — Não queria contar o que estava acontecendo, pelo menos não até ter certeza.
Enquanto eu esperava o Kouyou se trocar, me sentei em uma das cadeiras do balcão. O homem com quem Uke-san conversava antes, já havia ido embora, o dono da cafeteria veio em minha direção e colocou uma xícara de café na minha frente.
– Beba... — Sua voz era reconfortante.
– Obrigado... — Fiquei a observar as ondinhas que se formavam dentro da xícara.
– Essa preocupação toda, têm algo a ver com a pessoa que estava com o Matsumoto essa manhã? — meu coração quase parou quando ouvi isso!!
– O Taka, você viu ele?? Onde ele estava?? Com quem???? — Me levantei por impulso e a cadeira onde eu estava sentado caiu no chão fazendo um grande barulho. Yutaka se surpreendeu um pouco com a minha reação, mas continuou a falar de forma tranqüila:
– Matsumoto estava conversando com um loiro que usava uma faixa branca no rosto, eu os vi quando estava a caminho do café. O nosso pequeno parecia tão abalado... — a calma transmitida em suas palavras estava me irritando ainda mais.
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Takanori Pov's
Quando acordei, estava no sofá do Yuu, usando suas enormes roupas, e com uma forte dor de cabeça. Não conseguia me lembrar do que tinha acontecido para eu estar lá.
Fui até o banheiro, me lembrava de ter tido um sonho muito estranho, algo a ver com a minha casa vazia e cheia de sangue, e um bilhete estranho.
Deveria ser em torno das seis da manhã. E o idiota do Yuu tava dormindo. Enquanto eu lavava meu rosto, reconheci meu uniforme escolar num canto do banheiro... Manchado de vermelho...
Tentei me acalmar, peguei a minha calça e procurei pelo envelope vermelho, eu não queria realmente achar, mas encontrei...
O papel estava meio enrugado, afinal eu tinha ficado ensopado ontem, ainda não havia contado para o Yuu o que acontecera, mas eu precisava de ajuda e por isso falaria com ele agora mesmo!!!!
Enquanto eu ia para o quarto do Yuu, ouvi a droga do celular tocar. O peguei e vi um número desconhecido, mas afinal, quem fora a merda do moreno que tava roncando, me mandaria uma mensagem às seis da manhã??
Ignorei o celular, mas outras duas mensagens vieram juntas, do mesmo número desconhecido. Resolvi ler as mensagens:
“Bom dia meu querido Takanori, dormiu bem depois de ontem? Espero que sim, fiquei preocupado depois que você saiu correndo...”
Mas que merda era aquela???? Não fazia sentido, essa pessoa que lhe estava mandando os SMS era a pessoa que havia invadido a sua casa??
Eu não podia ignorar mais as mensagens, e li as outras:
“Sabe, estou com saudade de você, o que acha de nos encontrarmos agora?? Pode ser na frente daquela cafeteria que você tanto gosta, o que acha?”
A situação parecia apenas piorar, será que esse maldito tinha noção de que ainda eram seis e meia da manhã??? Mas, ainda tinha a ultima mensagem...
“Se você não vier, irei deixar outra linda rosa vermelha, só que agora na frente da cafeteria...”
Por mais que tivesse visto muitas flores no quarto de meu irmão, a única rosa que ficara realmente marcada na minha memória era aquela que eu havia encontrado na porta do quarto enrolado na correntinha...
Eu sabia que era uma armadilha, mas não podia simplesmente deixar aquele desconhecido ficar sumindo com as pessoas que eu gostava... Larguei o Yuu lá mesmo sem acordá-lo e fui direto para o café. Corri o mais rápido que consegui, mas as roupas gigantes do moreno estavam atrapalhando.
Quando cheguei a praça que ficava em frente da cafeteria, percebi a rua deserta, não havia nenhuma loja aberta ainda, eu estava praticamente sozinho, até que senti uma mão tocar meu ombro esquerdo, gelei. Me virei lentamente, assustado, e vi um homem, loiro com uma faixa branca no rosto:
– Ei, não acha que esta muito cedo para uma criança brincar aqui não? – o loiro vestia uma camiseta branca e um jeans escuro, seu cabelo lembrava o de uma calopsita, ele deveria ter em torno de seus vinte e dois anos.
– Eh? – Eu, não estava entendendo nada do que estava acontecendo, e quem era aquele ser na minha frente? – Mas, quem é você?
– Eu? Hum... Pode me chamar de Reita... E você baixinho, como se chama? – por um segundo pensei ter visto um pequeno risinho nos lábios daquele cara, mas eu estava tão confuso, que acabei deixando isso passar...
–M-me chamo Takanori... – Por que diabos eu estava falando meu nome para ele???
O olhar daquele homem parecia me penetrar aos poucos e uma pontada de medo estava surgindo perante Reita, eu estava rezando para que ele não percebesse!!!
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