Bar Shinigami
2 Capítulo 2
–Perdidos no tempo, no espaço...? — As palavras de Domo saíram perplexas, distantes.
–Exato — Coelho de Preto concorda.
–Sorry não te avisar sobre o bar — Dark Carvalho diz, com pena de ter escondido tudo do amigo até então.
–E agora, o que acontece? — Domo pergunta, agradecendo a fumaça por cobrir seu rosto.
Sua resposta veio por um ruído ao fundo; a atração do palco principal finalmente iria começar.
Uma música estranha, num idioma irreconhecível, começa a tocar enquanto as cortinas se abrem.
–NÃO OLHEM! — Foi a ordem clara de Sinistro. E bem a tempo.
Curinga e Domo quase fugiram de seu alarme.
–G-garotas... — Por trás de seu par de óculos, os olhos de Curinga brilhavam — vestidas de... Maid! Não, e de colegial também, e e...!!!
– Elas vão hipnotizar vocês. — Bruscos, Sinistro e Dark Carvalho puxaram os rostos dos dois de volta para a empoeirada mesa.
–Eu me deixo ser hipnotizado por elas! — Curinga disse, tentando voltar à visão daquelas belas e jovens dançarinas em trajes exóticos.
–Tirem o óculos dele — Cogumelo Fantasma diz, voltando a rir mais uma vez.
–Hei! Isso não é justo! — Contra aqueles seis, Curinga sozinho sabia que não tinha chances. Emburrado, ele fitou a estampa de suas camisa. Pelo menos as garotas dali ele sabia que não precisaria desviar os olhos.
Fim do espetáculo. Hora do segundo ato.
A aproximação da noite trouxe novos clientes, e uma mudança de turnos também.
–Aquele cara tem uma foice! — Domo deixou escapar, uma multidão de olhares caindo sobre ele.
–Ele parece um Ceifador de Almas, não...? — Dark Carvalho sussurra ao Coelho de Preto. De jeito nenhum ele queria chamar a atenção daquela criatura.
–E acho que você está certo mesmo. — Por trás de suas lentes coloridas, Coelho de Preto analisava aquele ser. Tarde demais ele se deu conta de que talvez eles tivessem sido terrivelmente ingênuos quando entraram naquele bar...
Diante da atmosfera que se tornava cada vez mais fúnebre à medida que os novos clientes chegavam, os seis amigos ficavam somente observando aquele diferente, porém tão real mundo. Coelho de Preto era o único que não desviava os olhos da porta...
Quando a porta se abriu pela décima vez, uma pequena criatura entrou sozinha e confiante. Ele trajava as roupas de Barmen. Devia ser a mudança de turnos, a mudança de turnos que Coelho de Preto tanto aguardava.
O jovem sorriu quando enfim reconheceu aquele rosto.
–Ele chegou — sem tirar os olhos daquele ser, Coelho de Preto anunciou aos amigos. — Não estamos mais sozinhos.
Fale com o autor