Coelho de Preto levanta a mão, chamando pelo Barmen.

Agora, ele precisava manter a calma, agir como um cliente normal antes que todo seu plano ruísse de uma vez.

A pequena criatura havia entendido o recado no olhar do inesperado amigo.

–O que deseja, senhor...?

–Seis copos de mupy de groselha, por favor.

–Tem uma sala ao fundo... — o barmen começou de repente, após anotar o pedido. Olhando rapidamente em volta, continuou — Melhor me acompanharem até lá.

Coelho de Preto se levantou. Finalmente iriam sair daquela fumaça!

Pouco a pouco, cada um daqueles jovens notou os traços do ser que os guiava ali. Ele havia sido um deles, não um simples conhecido, mas sim um amigo de anos a fio. Em silêncio, os sete avançaram pelo salão, passaram por um corredor deserto até chegarem a uma sala vazia. Depois que todos entraram, o Barmen fechou às pressas a porta atrás de si.

–Eu tenho menos de seis minutos. — ele parecia preocupado e exautado — Vocês enlouqueceram?! O que vieram fazer aqui?!!!

–Valete de Ouro... — Coelho de Preto começou, incapaz de terminar a frase depois de encarar o olhar aflito do antigo amigo.

– Nós viemos te resgatar! — Domo exclamou, mesmo não sabendo se esse era o real objetivo deles estarem ali.

Valete de Ouro ficou mudo, a angústia preenchendo seus olhos.

–E-eu não posso sair daqui, estou preso a esse lugar.

–Mas até nós, que somos humanos, entramos aqui, não é? — Dark Carvalho comentou, esforçando-se para passar seu melhor sorriso de confiança.

–Não é a mesma coisa — Valete de Ouro retrucou.

–Precisamos da sua ajuda — Coelho de Preto foi enfim direto ao ponto.

–Do que precisam? — Valete de Ouro o encarou.

–De alguém que nos leve ao outro mundo.

Diferentes sons foram proferidos pelos lábios de Valete de Ouro, no entanto, nenhum chegava perto de uma única palavra que existisse na linguagem humana ou até mesmo na não humana.

–Você conhece alguém que pode nos levar até lá, não é? — Cogumelo Fantasma disse, querendo participar da conversa também.

–Vocês todos estão loucos... — foi tudo que obtiveram de resposta.

–O único louco aqui é você! — Uma voz de fora da sala assustou todos. Bruscamente, um estrondo fez a porta chocar-se à parede. Um espião!

Cabelos e vestes negras como a noite, a fúria ardente tomando conta de seus olhos. A mulher deu um passo para dentro do aposento, seus perigosos sapatos cobertos de espinhos prateados atingindo o chão com uma força inumana.

–Gerente... Digo, Imperatriz! — Valete de Ouro disse, assustado. — Perdão!

–Volte ao seu trabalho — ela não olhou uma vez sequer para ele, seus olhos estando concentrados em cada uma das seis distintas e... saborosas figuras que estavam a sua frente.

–M-mas... — Valete de Ouro começou.

–Vá! — Imperatriz ordenou aos gritos, deixando em seguida escapar um pequeno sorriso de cobiça no canto de sua boca — Deixe que eu mesma cuido deles...