Bala de Sangue
1 Capítulo 1
No mais inspirador dos dias, sexta-feira, cinco e meia da tarde, pessoas apressadas – como de costume – andavam apressadas para lá e para cá num entroncamento central da grande metrópole. Olhavam para o relógio fixado no alto de um prédio antigo, no cruzamento da ruá Flipce com a avenida Drummond. O som estridente de um carro de polícia invadia o trânsito engarrafado para se aproximar do local onde estava havendo um assalto a banco. Boatos corriam entre os espectadores curiosos, podia-se ouvir que la dentro haviam três assaltantes, cerca de seis reféns e muito dinheiro em jogo.
Os policiais chegaram com rapidez e isolaram a área, impedindo os espectadores de se aproximar do banco pertencente ao grupo ‘Papacu’ um dos maiores conglomerados empresariais do mundo. Os cidadãos se entreolhavam e os transeuntes que chegavam pouco a pouco traziam no semblante uma interrogação.
Entre os policiais, havia um homem de aparente vinte anos de idade, pele morena, olhos castanhos claros, cabelos negros e lisos, que balançavam com o vento, seu olhar sedutor penetrava na alma de uma das assaltantes que o observava pela fresta na porta do banco.
Ela, uma garota de dezenove anos, estava sendo asfixiada por uma enorme crise depressiva . Vivia sem sentido. Nada mais a encantava, com exceção é claro, daquele olhar intrigante e sedutor.
Os outros dois assaltantes, amigos da garota, se encarregavam do trabalho pesado, estourar caixas eletrônicos e controlar os reféns, dentre os mesmos duas garotas encantadoras, Liza e Nanda, amigas de faculdade, ambas assustadas, conseguiam despertar um sentimento de arrependimento e humanidade nos dois irmãos John e Julian.
Os policiais do lado de fora cercaram o banco e armaram um plano para a invasão e os resgate dos reféns, bem como a prisão dos bandidos.
Alguns observadores mordiam os dedos em grande tensão, enquanto outros nem piscavam os olhos, para não perder detalhes da cena. – O ser humano detesta a dor, mas tem uma forte atração por ela, rejeita os acidentes, as mazelas e misérias, mas eles seduzem sua retina. O desfecho daquele ato talvez trouxesse angustia e insônia aos espectadores, mas eles resistiam a abandonar a cena de terror. Em contraste com a plateia ansiosa com a invasão, os motoristas parados no trânsito estavam impacientes, buzinavam sem parar. Alguns mais ousados colocam a cabeça janela afora e vociferavam : “Invade logo essa merda e acaba logo com o show!”
Os bombeiros e o chefe de policia bonitão, Jack, se preparava, para a invasão, em questão de segundos invadiram o local e libertaram quatro dos reféns, as outras duas, Liza e Nanda, permaneceram sob a mira dos assaltantes, que perturbados juravam atirar e estourar os miolos das garotas caso alguém se mexesse.
Eis que surge Tammy, com lagrimas nos olhos e uma arma apontada para a própria cabeça.
– Não se mexam, ou eu atiro. – talvez esse fosse o desejo de todos os policiais, mas não de Jack, que com grande dificuldade escondia a forte atração que sentia pela garota.
Vendo o desespero e o medo no olhar de Tammy, o policial Jack chamou um renomado psiquiatra, com a missão de dissuadir a garota suicida. Não tiveram êxito. Na mente da garota suas frustrações na vida se remoíam e alimentava a fervura de sua angustia.
Enquanto se desenrolavam os acontecimentos, Jack sorrateiramente lançou sua arma ao chão, pedindo passagem aos seus colegas de trabalho.
O chefe de bombeiros olhou para o psiquiatra, numa tentativa de entender o que o jovem chefe de policia pretendia fazer.
Quando o viram, não dava mais tempo para interrompe-lo. Qualquer advertência que fizesse contra ele, poderia desenrolar o acidente, levando a suicida a executar sua intenção. Tensos, preferiram aguardar o desenrolar dos fatos.
Jack chegou sem pedir licença e sem se perturbar com a possibilidade de a suicida apertar o gatilho. Pegou-a de surpresa, ficando apenas a alguns metros dela. Ao perceber o policial ela gritou imediatamente:
– Vá embora, senão vou atirar!
O policial ficou indiferente a ameaça; Com a maior naturalidade do mundo, sentou-se num banco que havia ali e tirou uma banana do bolso da farda e começou a come-la prazerosamente. Entre uma mordida e outra, cantarolava uma música, feliz da vida.
A suicida ficou abalada, sentiu-se desprestigiada e desrespeitada em seus sentimentos.
Aos berros clamou :
– Pare já de cantarolar essa musica, vou me matar !
Intrépido, o policial reagiu :
– Você poderia fazer o favor de não perturbar meu horário do lanche? – Disse com veemência. Em seguida, olhou para Tammy e ofereceu-lhe um pedaço, estendendo o braço.
Ao ver o gesto, todos ficram perplexos, o psiquiatra tremulou os lábios e o chefe dos bombeiros franziu a testa.
A suicida ficou sem reação. Pensou “Não é possível, encontrei um cara mais louco do que eu!”
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