BakuVision

2 Metrô e cronômetro


Notas iniciais
Kyuusei seria a contraparte da S.H.I.E.L.D. Kyuuseishu é o nome que eu dei para a iniciativa Vingadores nesse universo/crossover. Boa leitura.

Quando eu perdi o mais próximo que eu tive de um irmão, uma onda fudida de desespero e solidão me atravessava todos os dias. Mas você estava lá. Os Kyuuseishu me recrutaram e me treinaram para me juntar a eles; e nós sempre dávamos nossas escapadas. Você se tornou minha melhor amiga aos poucos. E quando percebi, cada verso daquela porra de musiquinha da lua de mel do Shrek fazia todo o sentido.

Você me fazia rir. Tinha hora que nem dava mais pra sustentar a cara de carranca. Você me ensinou sobre a evolução das espécies e sobre as galáxias. Na real eu nem lembro de todos os conceitos porque tava concentrado na sua carinha de fascínio. Não fui só eu que mudei. O convívio comigo também causou efeitos em você. Você acabou adotando um jeitão irônico, sem perder a pose de sabe-tudo. E eu era completamente amarrado em todas as versões de você, que nasciam conforme você conhecia o mundo. Conforme eu te mostrava, e conforme você ensinava ele pra mim.

Quando os testas de ferro da Kyuusei decidiram burocratizar cada passo que os heróis dariam, nós fomos obrigados a escolher um lado naquela polarização ridícula. Cada um de nós escolheu um lado diferente; mas era natural que a gente acabasse se atraindo de volta um para o outro. E que se fodesse toda aquela baboseira.

Éramos fugitivos da lei agora. Segurei sua mão e fugimos juntos pelo país. Eu tinha tudo; e sabia disso.

7 anos atrás, pós Guerra Civil. Em algum lugar no Distrito de Kamikawa.

Os elementos do quarto escuro de hotel podiam ser vistos, em parte, pela meia luz vinda da janela, as cortinas abertas; em parte por seus olhos terem se acostumado à escuridão àquela altura.

— Podemos parar de fugir quando isso tudo acabar — Ochako dizia, entre os lençóis. — Você não tem vontade de se assentar num lugar só nosso?

— Acha que eu gosto de me revezar em metrô e quartos de hotel barato?

Ela lhe deu um soco no ombro:

— Você não reclama de batizar as camas de hotel barato.

— Alguma coisa tem que prestar aqui além da comida fria.

— Só usar o microondas.

— Esqueci que você era uma torradeira antropomórfica.

Ochako fez uma careta.

— Mas respondendo sua pergunta — ele continuou, se inclinando para o lado e poder olhar melhor o rosto dela — ia ser legal uma casa só nossa longe dessa porra toda.

— Yagi e Aizawa resolveram antagonizar uma guerra civil e agora nós somos foragidos em 40 países.

— Tudo isso porque o lado que escolhemos saiu perdendo.

— O lado que eu escolhi saiu perdendo — corrigiu Ochako. — Não o seu. Não a princípio. Você mudou de ideia nos 45 do último tempo.

— Dá no mesmo.

— Não dá — ela esticou a mão para tocar-lhe o rosto. Ele beijou sua palma carinhosamente — Você poderia estar em casa.

— Não seja ridícula. Não vou repetir por quais motivos eu escolhi trocar de lado. Sei que essa é uma artimanha sua pra me fazer me declarar. Não vai funcionar.

— Você é um cavalo.

— Touché — Katsuki sorriu, com um quê de sarcasmo, mais um quê de galanteador. — E não vem com essa de que eu "poderia estar em casa". Ficar alojado na torre dos Kyusei não me descia como "estar em casa".

— É, não tem como tirar o espírito de gato de rua de você — ela comentou, referindo-se à antiga vida dele em Okinawa, com seus quatro antigos amigos.

— Pior. Viver naquela torre era como morar no trabalho.

Ochako jogou os lençóis para o lado e sentou em seu colo.

— O trem sai às 7:00. Se quisermos dormir bem antes de embarcar, temos pouco tempo.

Katsuki segurou os quadris da sintezoide com firmeza.

Notas finais
All Might e Eraserhead fazem as vezes de Capitão América e Homem de Ferro, não necessariamente nessa ordem. Deixo livre para a interpretação de vocês quem era quem. Eu prometo que o próximo capítulo vai contar com um monólogo do Katsuki em meio aos flashbacks.