Badlands
10 Colors
Ronan encarou adam do banco de trás, com Noah no meio dos dois. Adam estava com a camiseta da Coca-Cola amassada. Ronan sentiu todo seu rosto corar de vergonha ao lembrar que há menos de duas horas estavam juntos e provavelmente o culpado pelos amassados era ele mesmo.
De repente Ronan lembrou de algo que aconteceu há tanto tempo. Ou foi apenas alguns dias antes da viagem? Antes daquela noite na igreja? Não saberia dizer.
Ronan estava deitado na cama observando Motosserra remexendo algumas coisas no chão. O quarto estava escuro e só se ouvia a bagunça do pequeno animal. Gansey não estava lá e Noah, para variar, estava sumido. Ronan estava sem sono, pensando na sua mãe. Ele demorou para ver alguém parado na frente do seu quarto. A porta estava aberta e só se via a silhueta de alguém. Ronan se ajeitou na cama, ficando alerta. A sombra parecia se aproximar cada vez mais.
— Parrish, caralho. — ele suspirou quando Adam ligou a luz do quarto.
— Desculpa. — ele riu sem graça. — Não sabia que tinha alguém aqui. Estava escuro.
— Bom, gênio. Agora você viu que tem. — Ronan sorriu, mas aquilo não parecia em nada com um sorriso.
— Claramente. — Adam murmurou e continuou se aproximando até ficar de frente para Ronan e sentar na ponta da cama. Ronan desviou os olhos dele e se concentrou em Motosserra, que parecia ter se escondido da claridade repentina. — Desculpa atrapalhar, mas eu estava me sentindo sozinho. — Adam sussurrou, encarando as próprias mãos em cima da sua perna. Ronan acompanhou seu olhar, de repente sentindo seu rosto esquentar.
— Beleza, mas aqui não será muito diferente. — Ronan disse, mexendo no lençol.
— Vai sair? — Adam o encarou.
— Não sou uma boa companhia. Não hoje. — Ronan murmurou, balançando a cabeça
— Só hoje? — Adam sorriu, aquilo não deixou Ronan bravo, ele sorriu também, dessa vez mais tranquilo. — Na verdade... — Adam começou. — Eu sabia que só você estaria aqui hoje. — Ronan esperou alguma explicação, para entender onde ele queria chegar com aquela confissão inocente. — Queria lhe perguntar algo. — Ronan sentiu seu coração acelerado. Será que ele sabia de algo? “Noah”, ele pensou. Ronan enrijeceu o maxilar e cerrou os punhos.
— Fala. — Disse, quase como se fosse um rosnado.
— Foi você quem pagou meu aluguel? — Adam não conseguia olhar para ele. Sua concentração estava na bagunça de Motosserra. Ronan tentou relaxar. Que mal havia em ajudar um amigo? Ele apenas afirmou com a cabeça. Incapaz de responder ou até mesmo encará-lo. — Por quê? — Adam sussurrou, encarando Ronan. A pele dele parecia coçar, sua cabeça protestava “conte a ele”, mas ele ficou quieto. Adam não parecia entender nada.
— Parrish, você não faz ideia. — Ronan não tinha certeza do que queria argumentar ali.
— Então me diz, Ronan. — O sotaque de Adam estava carregado quando falou aquilo, meio sussurrando e meio suplicando. Quase como se o desafiasse. Ronan sentiu seu corpo levantando da cama e se inclinando para perto de Adam. Adam pareceu paralisar, com medo do que Ronan pudesse fazer. “Eu não vou te machucar, Parrish”, ele queria dizer, mas apenas segurou o rosto do garoto assustado e o beijou. Adam continuou sem entender o que estava acontecendo, mas quando ele fechou os olhos conseguiu se entregar ao beijo.
Ronan pegou no cabelo de Adam, sua mão explorando seus braços por baixo daquela camiseta velha da Coca-Cola. Adam pousou as mãos no pescoço dele, de repente parecendo confortável com aquilo.
Ronan estava prestes a tirar a camiseta de Adam quando algo o puxou de volta.
Quando abriu os olhos, Noah o encarava.
Era um sonho. Só um sonho. Ronan suspirou derrotado. O quarto estava escuro e Noah parecia a única coisa viva ali. Ironicamente.
— Bom sonho? — Noah perguntou e Ronan semicerrou os olhos para ele. Noah olhava para as mãos dele. Ronan acompanhou o olhar e viu a camiseta de Adam nas suas mãos.
Ele nem conseguia acreditar que aquilo já era passado. Ele não precisava mais sonhar com nada. A única coisa que os mantinha a distancia era Noah, que agora olhava para Ronan, como se soubesse de todos seus segredos.
E provavelmente sabia.
Cabeswater havia mudado Adam. O transformado em algo sensível ao toque, mas ele era tão poderoso. Ronan o encarava e ficava surpreso em como aquele garoto conseguiu mudar em tão pouco tempo. Ele era uma obra-prima, mesmo rasgado nas extremidades.
O amanhecer o pegou desprevenido, como se não esperasse que o dia fosse finalmente começar. A luz atingiu Adam enquanto Ronan permanecia encarando-o. Adam parecia a única coisa iluminada naquele carro. A única pessoa que faria Ronan prestar atenção em algo. Suas mãos, que Ronan tinha memorizado o formato, mexiam em algo no banco do carro, distraído.
Ronan ia a igreja todos os domingos com seus irmãos. Ele não se considerava religioso, mas lembrava-se de sentir religião enquanto estava deitado com Adam naquele jardim.
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