Bad Reputation
5 Ride
Notas iniciais
“Dying young, and I’m playing hard,
that’s the way my father made his life an art;
Drink all day, and we talk ‘till dark, that’s
the way the Road Dogs do it, light ‘till dark.”
Eu estava mais do que errada.
Aquele internato é tão horrível como eu imaginava mesmo. Bufei e xinguei até a quinta geração passada.
— Está me ouvindo, senhorita? – disse uma inspetora.
— Mas é claro. Não sou surda. – respondi de forma rude. Filha da puta.
— Terei que pegar seu maço.
— Eu comprei solto. – ela hesitou por um momento. Revirei os olhos. – Não tenho nada, olha. – disse, levantando minha saia e minha blusa, lá no jardim mesmo, para mostrar que não escondia nada. A inspetora corou pela minha atitude.
— Ahh, t-tudo bem, então.
Revirei os olhos. Parece que realmente teria uma freira me espionando a cada segundo.
— Problemas com cigarro? – ouço uma voz rouca atrás de mim.
— Achei que teria um pouco de farra aqui. – disse simplesmente, sem me virar para ver quem era.
Eu estava apoiada em uma grade, olhando para o horizonte. A paisagem consistia num enorme campo verde, no qual, distante, eu podia enxergar piscinas, quadras e um enorme matagal atrás.
— E tem. Você só tem que saber como. – resolvi olhar para pessoa a qual eu conversava e me deparei com um garoto alto, deveria ter um metro e setenta e poucos, o que comparado comigo é um gigante. Em sua boca pouco fina havia um sorriso maroto divertido nos lábios. É... definitivamente era Jake.
— A culpa não é minha que tem uma freira me observando a cada dez passos. – o garoto riu. Ele, então, tirou do bolso um baseado e me entregou. Arqueei a sobrancelha.
— Aceita o risco? – fala sério, Jake, eu estou salivando, pensei. Não lhe disse nada, apenas peguei o cigarro de maconha e coloquei em meus lábios. Inclinei minha cabeça até ele e Jake o acendeu com seu isqueiro, já que a freira havia levado o meu, enquanto não tirava os olhos de mim. Joguei a fumaça em seu rosto e puxei novamente.
Enquanto eu tragava de novo, Jake aproximou seus lábios a milímetros do meu. Expulsei a fumaça, direcionando-a para dentro de sua boca. Ele a pegou, segurou por uns segundos e liberou depois, sorrindo malicioso.
Logo me senti mais relaxada e calma; meus músculos ficaram menos tensos e pensamentos idiotas me invadiram. Fechei os olhos, aproveitando o momento. Entreguei o baseado a Jake, que o tragou profundamente, soltando a fumaça em forma de círculos.
Ficamos em silêncio até terminarmos o baseado. Jake o jogou perto de uma árvore, colocando terra por cima dele. Tirou do bolso um colírio e pingou nos olhos.
— Quer? – neguei. Eu não me importava caso percebessem que estava chapada.
— Então, Jake, há quanto tempo está aqui?
— Desde sempre, acho. Com o tempo você se acostuma com a rigidez e formalidade e acaba dando seus próprios pulos. – dei de ombros. Ser pega não era o que mais me importava.
— É. – respondi seca – Vou para o meu quarto, nos vemos por aí.
— Caso se interesse, às onze da noite é o horário da troca dos vigias dos dormitórios. O meu é o 15. – sorri e acenei para o rapaz, mordendo os lábios.
Seria uma longa noite.
***
Já era quinta-feira e, bem, eu já havia ficado com Will, Ethan, Charles, Grover, Connor e Travis, ou só um dos dois, sei lá, gêmeos me confundem, com Jake e, claro, terminado o que eu já tinha começado com Luke. Não era algo que eu me importasse de fato, mas meu preferido era definitivamente Jake.
Jake era divertido, era engraçado, me levava às nuvens e era atencioso comigo. Não que eu seja egocêntrica, mas eu realmente gosto de ser bem atendida. Ah, foda-se também. Talvez eu gostasse mais de Jake, porque toda vez que transamos estávamos chapados e isso aumentava a sensação e o prazer.
Os professores eram escrotos e típicos de um internato. Minha tia Afrodite estava sendo legal até demais comigo, o que significava que eu teria que estar atenta e preparada para tudo, já que ela é uma Olimpus.
Nesse fim de semana iria ter uma festa na Mansão, a boate em que conheci o trio parada dura. Eu realmente estava animada, já que Thalia iria e, portanto, eu poderia ir junto. Meu próximo plano seria com Nico, o badboy punk. Tínhamos muitas bandas em comum e conversávamos ocasionalmente. Ele tinha me dado uma indireta ontem sobre preferir baixinhas junto com um sorriso malicioso. Espero que ele esteja falando sério, porque não tenho tempo para essas coisinhas de frescuras na hora de ficar que os adolescentes de hoje em dia possuem.
Eu estava na aula de Íris, professora de História da Arte. Ela usava tanta roupa colorida e brilhante que quase perguntei se ela era um unicórnio. Minha manhã está tão entediante que eu preciso fazer algo para sair dessa maldita sala.
— Professora? – interrompo sua explicação sobre a arte gótica.
— Pois, não, Senhorita Chase?
— Posso sair da aula? Não estou me sentindo muito bem.
A professora fez uma cara de cínica e semicerrou os olhos. Acho que ela não tinha acreditado, já que eu estava mexendo no celular e desenhando a aula inteira.
— Ah, é? E está com dor onde, Annabeth? – empinou o nariz.
— Nas pernas.
— Nas pernas? O que você fez? – questionou curiosa. Detenção é melhor que a aula dela.
— Ah, professora, muito sexo, sabe? Mas creio que a senhora esteja velha e solitária demais para entender.
Não preciso dizer que a sala explodiu em risadas.
— Saia da minha sala, agora!
— Céus, muito obrigada! – fui correndo e lhe dei um abraço, saindo da sala.
Saí da sala quase beijando o chão e fui à um pequeno pátio, que estava quase vazio. Eu precisava fumar, mas para ir ao meu quarto, teria que passar pelas inspetoras, vulgo freiras xeretas.
Ao caminhar lentamente, avistei o tal Percy sentado num banco distante com fones de ouvido. Esse garoto era um pouco estranho, confesso. Está sempre no celular e entediado. Percy havia sido o único que não olhou para minha cara até agora. Ele nunca havia me dado mais do que umas duas fitadas e nunca havia falado comigo, o que era curioso, já que todos os meninos da mesa pareciam interessados. Talvez eu seja a adrenalina que ele procure na vida. Ele estava com os garotos aquele dia na mesa, talvez ele tenha algo. Aproximei-me do seu banco.
— Oi. Percy, não é? – o garoto levantou seus olhos a mim, retirando seu fone.
Pude ver seu rosto com clareza agora. Ele usava uma touca cinza e o uniforme masculino do colégio, que consistia em uma camisa branca de botões, gravata e um blazer preto. Sua pele era clara e seus olhos verde esmeralda, lindos devo dizer. O nariz era fino e pouco arrebitado e seu rosto parecia angelical. Entretanto, sua expressão estava com cara de quem comeu e não gostou.
— Sim? – seu sotaque era mais forte do que todos os outros que já tinha ouvido.
— Hã, oi, não sei se você se lembra de mim, sou Ann...
— Annabeth. Sim, eu me lembro. Seria difícil não se lembrar já que você chegou atrapalhando a conversa e se jogando no colo do Luke. – arqueei a sobrancelha.
— Oi?
— O que você quer? – disse colocando um dos fones de volta.
Uno, dos, tres. Ichi, ni, san. Ein, zwei, drei. Un, deux, trois. E todos os outros idiomas que consegui.
— Que caralhos é o seu problema?
— Perdão? – disse me olhando confuso.
— Eu vim aqui pra te pedir a porra de um cigarro. Que porra você pensa que é pra falar comigo desse jeito?
— Ah, claro, perdão, princesa. – revirei os olhos diante da ironia. – Eu não tenho, não fumo, eu zelo pela minha saúde. – eu ri.
— Claro, reizinho mandão. Expele e enfie seu pulmão no cu. – moreno riu.
Que filho da puta, eu cheguei na humildade. Saí de lá revirando os olhos. Que problemático mal-humorado. A culpa não é minha se ele e a professora arco-íris não transam há tempos.
Fui andando até o fim do pátio e avistei um senhor de idade sentado lendo um jornal. Acreditem, eu não pediria para ele se não estivesse desesperada. Ele tinha muita cara de quem fumava, além de alguns resquícios de cinza que havia em sua perna.
— Olá, gentil senhor. – ok, eu forcei a barra. Ele me olhou como se eu fosse uma extraterrestre.
— Olá. – disse pouco sem graça.
— O senhor poderia, na humildade, me conceder um cigarro? – ele arqueou a sobrancelha.
— Você é aluna, não é?
— Hã...
— Querida, eu não posso lhe dar um cigarro.
Ô filha da puta.
— Eu estou muito desesperada, senhor. Eu tenho bulimia e estou tão frágil emocionalmente. – fingi um falso choro e continuei o teatro – Meu médico da Califórnia, onde eu morava, me permitia fumar já que eu sou extremamente ansiosa. Eu estou com muita vontade de ir ao banheiro e fazer aquilo que jurei à mamãe nunca mais fazer, mas eu realmente não consigo me segurar e preciso apenas...
— Ok. Tudo bem. Apenas não conte a ninguém, se não eu negarei e te levarei aos conselheiros. – assenti feliz, limpando minhas lágrimas de crocodilo.
Eu peguei o cigarro que ele tirou do bolso e coloquei entre os lábios, acendendo-o rapidamente. Agradeci ao senhor e saí em direção à um corredor pequeno mais afastado. Pude ver Percy saindo do pátio, ainda com seus fones. Ele olhou pra mim e eu soltei uma fumaça feliz, fazendo uma falsa reverência e lhe mostrando o dedo do meio. O moreno apenas riu e balançou a cabeça para os lados, negando. Aproveitei cada tragada daquele cigarro horrível. Eu necessitava de um Marlboro Blue Ice, urgentemente, já que não queria algo forte.
***
Era sábado. Eu teria que ficar na escola até às três devido a detenção. Bufei, que ódio. Tinha dado o sinal, indicando o início da detenção, e eu segui para sala. Depois de um tempo a procurando, eu encontrei e entrei.
Ok, todo mundo já estava lá e assim que eu entrei todos olharam para mim.
Fiz uma careta, entrei e vi as pessoas que estavam lá. Connor e Travis, juntamente de Nico, Clarisse, Leo, Jakee Percy. Percy?
Sentei-me ao lado de Leo e atrás da Clarisse. A professora que ficava lá era uma velha que deveria morar com seus vinte e três gatos e precisa tirar o atraso urgentemente. Depois de um tempo, a velha solitária dormiu.
Jake começou a conversar comigo e ele era muito bom de papo até quando estava sóbrio. Tive uma ideia.
— Jake?
— Hum? – respondeu distraído.
— Vamos fugir? – eu disse quase babando na cadeira e ele me olhou malicioso.
— Claro. – ele sorriu e eu percebi Percy nos encarar.
Eu levantei cuidadosamente e Jake também. Nos estávamos quase pulando a janela, quando o filho da puta do Leo caiu da cadeira. Lógico que foi de propósito. E fez um puta de um barulho. Acho que até a Afeganistão tinha escutado.
A velha solitária acordou e nós corremos para as nossas cadeiras de volta.
— Vocês não iriam sair sem mim. – Leo me deu um sorriso maroto.
— Que empata foda filho da puta. – Jake bufou e todos riram do seu comentário indiscreto.
Nós estávamos entediados novamente e a velha solitária nos encarava de um jeito que fazia com que eu quisesse cortar meus pulsos. Depois de quase duas horas, olhando pro teto, sem poder conversar, ouvir música ou mexer no celular, apenas desenhando, ela finalmente havia caído em um sono profundo. Virei-me para o Leo e para a Clarisse, com uma excelente ideia em mente.
— Quem tem um baseado aí? – eles se entreolharam. – Você não tem, reizinho mandão? – olhei travessa para Percy.
— Eu já disse que não uso nada, princesa. – sorri.
— Esse não é o antigo Percy que eu me lembro. – Jake entrou na conversa, dando-me um baseado. Arqueei a sobrancelha.
— Cala a boca, Miller. – Percy respondeu bravo ao Jake. Ih, lá vinha treta.
— Por que você não anda com seu baseado? – Leo questionou.
— Simples, porque vocês homens podem andar de calça jeans, que contém bolsos, e eu sou obrigada a ficar de saia. Sem contar que eu já usei o meu hoje. — argumentei.
— Ah, eu não acho ruim você ficar de saia. – Leo argumentou e eu revirei os olhos.
— Tem um isqueiro, Percy? – provoquei de novo.
— Annabeth, eu juro que a próxima vez...
— Ei, ok. Sem estresse, reizinho. Mas fiquei curiosa, a próxima vez o que? – sorri enquanto acendia o beck meio mal bolado de Jake. Ele apenas bufou e me olhou com raiva.
— É verdade, o antigo Percy não recusava nada. – Leo entrou na provocação.
— Valdez, eu já te bati uma vez. Quer provar a experiência novamente? – Percy esmurrou a mesa. É, parecia ser um assunto delicado. Obviamente eu o irritaria depois de novo.
— O que você fez pra estar aqui, reizinho? – perguntei a Percy, soltando a fumaça.
— Bati no Valdez. – eu ri. Então ele realmente estava falando sério. Leo apenas revirou os olhos.
— Ok, eu provoquei. – Leo afirmou, assumindo a culpa; nós rimos, mas o reizinho mandão não parecia feliz.
O beck já havia sido passado pra Clarisse, os Stoll e Leo. Era a vez de Nico.
— Quer, Percy? – Nico o provocou, entrando na brincadeira. Eu ri ao ver seu olhar de ódio.
— Vamos fazer um mini verdade ou desafio? – Clarisse perguntou rindo de seu lápis. É, já bateu.
— Ah Clarisse, pelo amor. Quantos anos vocês têm mesmo? Doze? – eu questionei.
— Ei, verdade ou desafio é ótimo para dar um empurrãozinho em certas coisas. – um dos Stoll afirmou.
— Isso é jogo de quem nunca tocou em um peito na vida. – argumentei e eles me ignoraram, dispostos a iniciar o jogo. – Ok, fazer o quê. Comecem aí.
Clarisse comemorou em silêncio, já que a velha ainda dormia. Ela pegou seu lápis, que julgava ser engraçado.
— Ponta responde e topo pergunta. – assentimos. Caiu no Leo e no Percy. Valdez riu.
— Eu não vou escolher verdade, porque você sabe muito sobre o meu passado. Desafio. – Percy afirmou.
— Fuma o beck. – Leo simplesmente propôs.
— Por que eu não estou surpreso? – Percy questionou enquanto Nico lhe dava o baseado. Ele tragou perfeitamente e jogou a fumaça no Leo, que apenas riu. É, ele tinha experiência naquilo. Percy girou e caiu no Jake.
— Verdade. – Jake disse simplesmente. Gay.
— Você ainda dá heroína pro Tritão? – um silêncio se estabeleceu.
— Percy, cara... – Leo começou, tentando amenizar o clima.
— Responda a maldita pergunta, Miller. – Percy interrompeu Leo.
— Não. Eu não dou mais. – Jake disse após algum tempo. Os punhos de Percy estavam fechados. Eles se matariam a qualquer momento.
Apesar do clima estranho, Percy pareceu um pouco aliviado. O lápis foi girado novamente e caiu na Clarisse e em mim. Eu responderia.
— Desafio. – disse simplesmente.
— Hm, não sei, estou com falta de criatividade sobre o que desafiar. – ela respondeu tentando pensar em algo.
— Querem rir um pouco? – eu perguntei divertida, jogando o baseado pela janela ao acabar. Já sabia o que fazer. Logo todos me olharam, inclusive Percy, ainda meio bravo comigo. Sentei na última cadeira do fundo, sem fazer ruídos.
— Vem qualquer menino aí – eu falei baixo, mas alto o bastante para todos se entreolharem e correrem em minha direção. Porém, Nico chegou primeiro. Ótimo jeito de começar a colocar meu plano em ação.
Percy só me encarava, com uma cara de cu mal lavado. Eu nem liguei, apenas sentei no colo do Nico, com uma perna em cada lado e de frente para o punk. Tampei sua boca com minha mão.
— Nico, independente do que eu fazer ou falar, apenas fique quieto, ok?
— Posso ganhar algo em troca hoje na festa? – ele perguntou malicioso, enquanto apertava minhas coxas.
— Com certeza.— respondi em seu ouvido.
Vi que a velha solitária ainda dormia. Sorri e comecei a gemer. Tipo, gemer muito alto. Todos começaram a rir. Claro, eu estava no colo do Nico, gemendo, gemendo muito. Ele ria, mas eu tapei sua boca com a minha mão com mais força ainda e eu mandava todos pararem de rir, mas eu sabia que era impossível. Logo a velha solitária acordou e me olhou feio
— Santos deuses! O que é isso? Sexo em público, Srta. Chase? Que cheiro é esse?! – ela me perguntou desesperada, anotando algo em seu caderno. Forcei mais um gemido alto.
— Desculpa... ahhhh, isso Nico... Eu não pude... ahhhh, forte... Evitar – eu disse fingindo estar cavalgando em seu membro. Logo vi o Nico se animar, muito.Ele segurava em meus quadris, entrando na brincadeira e gemendo também.
Percy me olhava indignado, mas ele não pôde disfarçar um risinho. Clarisse parecia que iria cair no chão, de tanto rir. Os Stolls falavam que queriam estar no lugar de Nico. Jake e Leo estavam com expressões indecifráveis, mas eles estavam aproveitando o momento.
— Annabeth Chase e Nico di Ângelo, pra fora da minha sala. AGORA! – ela exclamou nos dando um papel — Entreguem ao Sr. D!
— Não somos surdos. – eu cantarolei, e logo sai correndo com Nico ao meu lado. Antes de sairmos pude ouvir os Stoll dizendo que terminaríamos o jogo na festa à noite.
Quando finalmente saímos, Nico me puxou para o banheiro masculino e praticamente me jogou em uma cabine. Eu sorri.
— Não vai me deixar assim, certo? – ele disse apontando para o seu membro.
— Seria muita ruindade da minha parte. – eu disse puxando-o para um beijo.
Nico tinha uns dos melhores beijos do mundo. Um beijo molhado, mas não enjoativo, era um tanto viciante. Mal podia esperar para à festa.
Fale com o autor