Notas iniciais
Oieeeee, minhas gatas, lindas, dlçs. I'm back, e voltei feliz uheue. GENTE, era p eu ter postado ontem o cap, mas i'm burra e cliquei numas bosta do meu teclado e meu pc desligou e dps deu pau, mas eu to de volta, wtf. Gente, se vcs quiserem bater um papo rilex with me, olha aqui o meu twitter: @akexdowneyss, e só pedir que eu sdv. FALEM CMG, AMO FALAR COM PESSOAS. Enfim, gente tô tão happy com vcs. Tipo, mais de 3,600 visualizações, 26 fav, 108 coments, 82 pepoles que acompanham, mds amando vcs pqp Gente, sério capítulo dedicado a vcs, e a Anne Stark, diva perfa, que fez a nova capa da fic ENTÃO, vcs podem ler, nos encontramos lá em baixo amoras.

Pont of Vist: Skylynn Johson.

Rolei pela cama king-size mais uma vez. O sono estava tão distante como eu estava de papai, e de forma descompassada meu coração pretendia afundar do meu peito, fazendo um buraco maior do que já estava. Eu estava mesmo com um problema. Um problema que era tão grande, que eu mal sabia o tamanho de sua dimensão. Ainda estava descobrindo a primeira camada de muitas, e eu não sabia se eu podia agüentá-las. Eu precisava ser mais incisiva, precisava saber o que aquele homem que sempre perfurava a minha mente queria comigo. Uma dor de cabeça imensurável crescia dentro de minha cabeça, e aos poucos tentei me acostumar com tal dor lancinante. Eu precisava espairecer as coisas, pensar em tudo que meu cérebro mal tinha a capacidade de raciocinar. Ar fresco, no entanto, eu sentia que definitivamente, não era aqui que eu conseguiria respirá-lo.

O amante da minha mãe trazia consigo, em meu cérebro, lembranças tão prezadas e zeladas por mim, para simplesmente transformá-las em pó. Por que mesmo somente me lembrando dos olhos mordazes e sinistros dele, eu poderia perceber que ele se satisfazia com isso? Como era possível?, Eu me perguntava, e por mais que soubesse que todo o alvoroçado talvez fosse alucinação de minha mente, eu queria chorar. Ele tinha acabado com a minha família, ele havia deixado a minha mãe em cacos, ele foi a chave para o termino do romance tão lindo de meus pais. Pior de tudo, era que ele continha a insistência de voltar sempre na minha mente, como um fruto de uma imaginação de alguém doentio. Na dúvida, esse poderia mesmo ser o adjetivo que me caracterizava de uma forma em que todas as lacunas estivessem completas. Não estava mesmo me deixando doida? Eu nem tinha a mínima noção: se ele estava vivo, morto, com câncer, em estado terminal, curtindo a vida, mal, bem, tivera cometido um suicídio.

Afinal, na época, eu era uma criança. E pelo que me recordava, fora poucas as vezes que tive a má sorte de encontrá-lo, junto a minha mãe. Mas, eu me lembrava de algumas coisas. Nada que pudesse me levar a ele, nada que pudesse me fazer sair da estaca zero cujo eu sempre me encontrava. E quando eu estava emergindo dela, era como se algo rompesse a aliança de mim com a memória. Eu era jogado para os céus, e ela para o inferno.

Era simples: quanto eu mais descobria em relação ao amante de minha mãe, mas eu desconhecia sobre ele. Girei novamente pela cama. O ato se repetia incontáveis vezes, até que eu, finalmente, mergulhei em um sono escuro e obscuro.

Quando acordei, eu não tinha nenhuma ideia de onde eu estaria. Uma luz brilhante amarela foi a primeira coisa que minhas pupilas conseguiram captar, e após tal capacidade, dilataram-se em auto defesa. Depois, a minha visão foi um lugar amplo, frio, e com várias vigas no teto esverdeadas. Abri a minha boca silenciosamente, agora tendo a noção de onde eu estava.

O galpão onde Tony e eu havíamos ficado, em refúgio da chuva. Meu estômago vacilou. Eu não era nenhuma idiota para saber que quando tinha dormido, estava na imensa cama, em minha suíte, na Torre Stark. E também não era nenhuma idiota para ficar me perguntando o que estava acontecendo, porque quando vi um desenho de uma silhueta saindo da sombra — a luz amarela não tinha a capacidade para alcançar toda a parte do galpão —, e se formando aos poucos. Tony. Ele me olhava, num ponto fixo, mas os seus olhos estavam opacos, como se olhasse para um nada, e onde eu estava era apenas chão. Levantei os meus olhos para olhá-lo completamente, e em um solavanco, me levantei do chão frio e longe de ser acolhedor. Dei palminhas em meu bumbum, no fundo do shorts do meu pijama, para que a terra e poeira vermelha saíssem. Minha mão, antes branca, adquiriu a cor da lama.

— Tony? — eu lhe chamei.

O olhar era o mesmo, ainda opaco, ainda vazio.

— Vai mesmo fingir que não estou aqui? — perguntei, o tom de minha voz estava começando a adquirir um quê enorme de desespero. E foi então que eu percebi. Um sonho.

Tony continuou do mesmo modo, a postura apenas centímetros mudada, enquanto mais silhuetas saiam da escuridão que lhes engolia. Clint, Thor, Natasha, Banner, Steve... E um cara encapuzado por uma túnica cobrindo totalmente o seu rosto, e qualquer coisa que fizesse com que eu tivesse conhecimento de quem ele era. Tony deu um leve sorriso cético ao notar a presenças de todos, mas ainda sim, não virou para que pudesse olhá-los. O homem da túnica estava sendo controlado por Steve, e assim que ele ergueu as suas mãos, notei as mãos presas, em uma algema incandescente azul. Steve puxou-o pelas algemas, e todos os outros Vingadores — e o do capuz — ficaram envolto a Tony. Ele, logo irritadiço, virou. O olhar estava possesso e totalmente dirigido ao homem desconhecido.

Eu sabia que nenhum deles tinha a consciência de que eu estava aqui, mas mesmo assim, alguma coisa percorreu a minha espinha. O olhar de Tony direcionado ao homem fazia todos os pelos de meus braços se arrepiarem, e junto com eles o de minha nuca. Nunca tinha visto-lhe assim, e pela primeira vez desejei que isso não tivesse acontecido. Por qual razão eu sonharia com isso? Era tão real, tão perto de mim, mas nenhum deles sequer notou-me ali. Em pé, com frio e medo, enquanto meus próprios braços enlaçavam o meu corpo. Em um ato total de proteção e temor.

— Não entendo o porquê de você trazer esse... — começou Tony a falar, mas parou quando o olhar de nojo já o dominava. Quem era aquele homem? Presumi que fosse um tanto odiado, pelo modo em que Tony e os outros o olhavam. — Problema veio para cá.

Thor suspirou, e saiu do entorno ao Tony — que parecia o mais contrariado e contra a presença do homem —, chegando mais perto. Tinha um olhar solidário ao encapuzado, e em momento algum o olhar saiu da face rígida dele.

— Ele pretendia atacar novamente Asgard. Dentro dela — protestou ele, enquanto gesticulava de forma doentia as suas mãos ásperas. — Isto é uma desonra a Odin, Stark.

Tony bufou totalmente fora de si. Puxou o ar para seus pulmões, totalmente raivoso.

— E por isso vocês resolveram que o melhor a fazer é mandá-lo para cá? Para Terra?

— É uma ordem de Odin — disse Thor. Uma expressão mortífera apossou-se de sua face, enquanto ele, recuava um passo para trás. — Eu não posso desobedecer nenhuma ordem do pai de todos, sabe bens disso.

Clint Barton estava como da última vez que eu o vira. Usando a sua roupa, particularmente, ridícula. E apresentava uma faceta passiva, por mais que estivesse franzindo os olhos ao escutar tais coisas ditas por Thor. Quem seria Odin? E porque aquele homem presente aqui agora pretenderia atacar a tal Asgard?

— E não há outro jeito de refugiá-lo? — disse, e apontou para o homem ao lado de Steve, que mantinha constantemente a cabeça abaixada. — As cadeias de Asgard não estão suficientemente recrutadas com bons soldados?

Thor negou rapidamente com a cabeça, e pegou na bainha de sua calça, onde se encontrava um enorme martelo, que de longe pude perceber o quanto emitia poder.

— Suficientemente sim. Mas, nenhum que possa conter o poder da mente maníaca dele — olhou para o homem, com um olhar piedoso, como se tudo o que o homem fazia, ferisse-lhe também. — Ele conseguiu se comunicar com os gigantes de gelo...

— Olha, nada disso que está falando realmente explica porque ele está aqui — contra-atacou Tony. Foi em direção a Thor, que mantinha a sua mão no martelo, e percebendo o ato, Tony recuou. — Na nossa terra, sendo que foi o motivo de nosso quase caos. Nada justifica.

Eu estava começando a me apavorar com toda essa coisa. Odin seja lá quem fosse não poderia mandar um cara para a nossa terra, sendo que ele foi o motivo de nossa quase destruição. Eu senti mais medo sendo inserido em minhas veias. Eu não tinha nem a consciência de que nosso planeta já tinha quase caído, e muito menos que existia outros planetas.

Steve, ainda segurando o homem pelas algemas, tinha uma expressão quase indecifrável.

— Por um lado, concordo com Tony — disse ele. — Não é seguro tê-lo conosco, principalmente aqui, na Terra.

— Creio que isso será perigoso, Thor — pela primeira vez ouvi a voz de Bruce Banner, e era tão calma e controlada que senti uma inveja. Eu não sabia do que se tratava tal reunião no galpão onde Tony e eu estivemos antes, mas eu tinha a plena certeza de que não se tratava de algo fácil ou normal. — Ele pode muito bem brincar conosco novamente.

A incredulidade passou como um deslumbre perante os olhos de Thor. Mesmo não estando perto o suficiente, eu conseguia escutar tudo, ver tudo nos mínimos detalhes.

— Meu irmão seria incapaz de fazer isso novamente, doutor Banner. Disso tenho a certeza.

Um sorriso sádico saiu por entre os dentes de Tony.

— E quem te garante isso, Thor? — perguntou, e começou a dar volto por todo o circulo que o circulava. Me perguntei porque ele estava no circulo, no meio dele. Era o homem de capuz que estava sendo julgado. — Acabou de dizer que Loki estava planejando derrubar Asgard, que estava se comunicando com os gigantes de gelo... Mesmo estando na cadeia. — Ele disse o nome do homem, e eu senti um abismo sendo aberto no meu peito. Aquele nome fez com que a minha espinha gelasse, e as minhas mãos suassem.

Eu sabia que ninguém estava me vendo, que eu observava tudo, era um sonho maluco que eu mal tinha a capacidade mental de acordar dele. Senti que algo me prendia nesse sonho, bastava eu descobri o que me fazia ficar presenciando tal cena, que mal tinha a ver comigo. Que nem era realidade. Era isso que eu esperava. Mas, o meu frio, meu medo, a pulsação forte nos meus ambos os pulsos, a rivalidade entre os Vingadores e o Loki: dizia-me que, talvez, nada disse fosse blasfêmia. Na minha mente, o processo de descoberta de onde tudo isso levaria estava acelerado, pegando embalo como uma bala. Entretanto, do que adiantava isso, se nada disso estava me levando a um lugar vazio. Um vácuo.

— Quem nos garante que Loki não irá contra nós? — Steve questionou, e um aperto incomum era provido dele, na algema de Loki. Ele, ainda parado e abaixado, nem sequer movera um músculo. — Não é risco que estamos aptos a correr, Thor. Não podemos nos expor de maneira tão impensável como essa.

O músculo do queixo de Thor estava saltado para fora de seu rosto, e pelos seus olhos, pude ver que ele estava receoso.

— Não temos que estar aptos ou não, Capitão — disse ele. Um rabo de cavalo prendia a sua cabeleira dourada, apenas deixando ainda mais a visão de seu rosto largo e cansado. — É uma ordem de Odin. Temos que cumpri-la, querendo ou não.

— Odin tem noção do que faz? — Clint Barton perguntou, e olhava de um jeito maníaco para as suas flechas.

— O pai de todos não precisa ter noção para fazer as coisas, arqueiro. Ele apenas faz, e nós, dos noves reinos, temos de cumprir.

Com o passar dos segundos, o ar ficava apenas mais carregado pela tensão e pelo meu temor. Cada um olhava para todos totalmente sem saber o que fazer perante uma situação como aquela. Um grito horripilante e rascante estava em entalado em seco na minha garganta. O meu corpo sequer respondia algum comando meu, apenas ficava parado lá.

— Pense no quanto será letal para nós, Thor — Natasha disse pela primeira vez, e a sua voz tinha tanta firmeza e ódio que eu me perguntei como ela conseguia. Ser tão forte. — Parece não se lembrar do caos de NY.

Como lamina, a risada de Loki cortou todo o galpão, e senti que talvez todo o edifício fosse cair encima de mim. A sensação claustrofóbica dificultava tanto a minha respiração, quanto a minha estabilidade muscular. Minha mão estava trêmula tão quanto às folhas sendo judiadas pelo vento.

—Por favor, Natasha. — a voz dele era dura, fria, cheia de uma insensibilidade mortífera. Era como gelo. Se chegasse a você, lhe congelava. — Não use tais adjetivos como se tivesse medo. Como nenhum deles não definisse a imundice que chama de vida e de sua personalidade.

Levantou a cabeça, e a nevoa se apossava do lugar aos poucos. Olhos verdes paralisantes, voz cortante. Causava-me medo só por falar, por olhar. Era ele. Não era em vão que Loki aparecesse mais constantemente em meus sonhos. Era um comunicado de que estava voltando para me atormentar. Não podia ser verdade! Era apenas uma alucinação minha, não era? Eram sós mais minhocas cavando a terra de minha cabeça, era apenas outro sonho. Tudo que eu mais queria sucumbir em minha mente.

Nevoa era mais presente do que todos no galpão, e logo apenas Tony estava lá, como se tudo estivesse normal. Como se não visse aquela fumaça incandescente azul que tomava conta de tudo, até dele. E quando sobrou apenas Loki e seu sorriso maluco, agradeci pelo sonho acabar.

Apenas o escuro tomava conta de minha mente agora.

☼ ☼ ☼

O som esganiçado do toque do meu telefone me fez desadormecer no dia seguinte. Até a minha música preferida estava me deixando levemente irritada. Irritada por ter sonhado algo tão agonizante e fora de toda a realidade que sempre me enlaçou. O iPhone tremia e ziguezagueava pela cômoda ao lado da cama, por conta da vibração, e tal coisa também me irritava. Peguei o telefone do cômodo, e o atendi. O sol batia de forma agressiva contra os meus olhos, e as pupilas se dilataram.

— Skylynn! — um som alto e irritadiço vibrou o meu ouvido, vindo do outro lado da linha. Era Trice. — Aonde é que você está? E deve saber que faltam mais ou menos dez minutos para dar uma da tarde? Não é?

Os meus olhos se arregalaram. Por quanto tempo dormi?

A sensação era que o meu corpo e eu tínhamos corrido uma maratona de cem metros, e um frio inédito e incomum arrepiava todos os pelos da minha nuca e do meu braço. A mesma sensação que eu sentira naquele galpão, onde Tony, os Vingadores e Loki estavam. Eu não podia ter encontrado o amante de minha mãe, assim tão facilmente.

— Você acabou de me acordar me ligando — murmurei, e a preguiça de sair de baixo dos cobertores só inflava em todo o meu corpo acabado. Sim, eu era uma nerd, mas não adiantaria nada ir para escola na altura em que o campeonato se passava. — Dormi tarde ontem — menti, apesar de que por alguma parte ser verdade.

— Dormiu tarde? Você não pensou em mim quando dormiu tarde, Sky?

Eu franzi levemente as minhas sobrancelhas. Trice costumava levar a maioria das coisas para o drama, e hoje, de alguma maneira, aquilo me incomodou.

— Eu estava com a cabeça cheia — tornei a blasfemar, não querendo relevar nada por enquanto a ela. — Sabe, o projeto da Torre dos Vingadores me rendeu horas que eu poderia ter dormido. Estou bastante ocupada nas madrugadas a partir de agora.

Um ruído de incompreensão saiu da boca de Trice.

— Você não está falando a verdade, Sky — acusou, e eu senti uma leve pontada em meu coração por estar escondendo o meu maior medo dela.

— Claro que estou falando a verdade, loira — dei um sorriso tímido, o meu sorriso. — Eu odeio a escola, mas eu sempre vou. Mesmo odiando. Cara, pensa.

— Eu estou pensando muito bem — ela gritou tão alto, que como defesa ao meu ouvido, afastei o telefone perto dele.

Como era difícil na maioria das vezes ser melhor amiga de Triz.

— Ok, você está pensando bem, Triz. Bem até demais. Acalme-se...

— Estou calma! — rosnou.

Soltei um suspiro, e arranquei a colcha fofa e longa de meu corpo, e toquei a ponta do meu dedo no chão gélido. Apesar do ato, eu ainda estava deitada.

— Aconteceu alguma?

— Aconteceu que Dannis Stans é um babaca, e já está no grupinho de Emma, aqueles estrupícios da Elite.

Emma estava realmente conseguindo traçar Dannis em tão pouco tempo em mais uns de seus ninhos, e esperava eu que Dannis fosse esperto o suficiente para matar cobras venenosas com um bom facão. Era sempre assim. Um menino bonito e legal chegava à escola, mas logo era mais um estúpidos de muitos que continham em NYHS, sempre caindo nos papos furados de Emma. Sempre achando que seriam o novo namorado da gostosa dos lindos cabelos marrons.

— Sinceramente, pensei que Dannis não fosse tão influenciável. — falei, enquanto roçava o dedinho do meu pé contra o chão, a procura de uma coragem para descer da cama, e tomar ao menos uma xícara de capuchino.

— E o que mais me irrita é a conversa que tivemos naquele dia. Falamos sobre tudo... Ele mentiu para mim — disse Triz, e seu tom de voz dava sinal de que ela estava frustrada.

— Conversa?

— Estou passando aí às duas e meia da tarde. Não se atreva a não estar pronta, morena — indagou, tão decidida que me espantei. Era incrível como Trice Evans conseguia mudar tão rápido de situação. — Depois iremos para o colégio, e daí vigiaremos Dannis.

— Mas, você não tem carro — eu a lembrei, sem querendo desapontá-la ou desanimá-la.

— Carro da mamãe — falou, e imaginei um sorriso diabólico crescendo sobre os lábios dela. Depois, desligou.

Recoloquei o telefone na cômoda, um pouco extasiada. Não era uma novidade para mim minha melhor amiga às vezes ser um pouco doida, só que nem a conhecendo bem até demais, imaginaria isso. Trice vigiando um garoto que supostamente estava a fim. Era mais um indicio de que a partir de agora, minha vida mudaria. Já mudara. Com a cabeça no travesseiro quentinho, os meus olhos encheram-se de pesar, e ameaçaram que eu estava entrando no meu inconsciente. Me recusei a cair novamente no sono, não podia cometer essa mancada. Não quando o tal Loki estivesse me esperando em meus próprios sonhos, para me atormentar. Então, em um impulso, sai definitiva e rapidamente na cama, sem ter chance de o erro de dormir fosse quase se realizar novamente. Os meus pés tocaram o chão por inteiro e o meu corpo quente se chocou contra o frio do piso. Senti um arrepio, e rumei ao closet de forma tão rápida, que eu bem que poderia ser um raio.

Fiz toda cerimônia de todos os dias — era tão chato perder tanto tempo com a mesma coisa todos os dias. Tomei um banho quente, escovei meus dentes,penteei o meu cabelo, e escolhi uma roupa. A triagem de minhas roupas era mesma mesmice e coisa de sempre. Uma das minhas inúmeras Vans, um jeans skinny, uma blusa qualquer e um moletom por cima. Nada que fizesse alguém conhecido por mim se abalar ou até gostar. Ainda sim, eu me sentia eu mesmo em roupas tão confortáveis, e gostava delas. Afinal, era a minha marca. Em questões de maquiagem, pouco fiz questão de fazê-la — a verdade é que nunca em toda minha vida toquei meus dedos em alguma maquiagem que não fosse um simples e nude batom.

E pronta para ingerir por sorte um capuchino de amêndoas. Eu não podia recusar de forma alguma vigiar Dannis com Triz — mesmo que, em minha cabeça não fosse lá uma das idéias mais brilhantes e corretas. Não havia vicissitude viável para mim. Ou era isso: eu me divertia com Trice e dava boas risadas ao saber o que se passava no cotidiano de Dannis; ou eu iria ficar aqui, rumando por essa Torre, voltando e voltando aquele sonho torturante e misterioso em minha cabeça. Precisava deixar os meus pensamentos escaparem apenas da bolha de aço chamada Loki — um cara que eu mal conhecia, mas estava dentro da minha mente, já fora amante de minha mãe. Era poderoso. Eu não tinha duvidas do seu poder, mesmo não tenho o devido conhecimento.

A porta de minha suíte foi aberta de uma vez, meus pés saíram por segundo no chão e levei minha mão ao coração, assustada. Era Tony. Usando o mesmo traje que vestia em meu sonho. Senti meu coração tremer.

— Skylynn — me chamou Tony, e lentamente virei meu rosto na sua direção. A expressão era tão cansada quanto a minha. Eu só poderia estar alucinando. — Temos que conversar.

Foi impossível não achar estranho a postura, o semblante, o rosto, os olhos de Tony. Todos os membros possíveis dele estavam sérios, e ombros estavam rijos demais. Desde que eu chegara à Torre, somente vi uma vez Tony totalmente sério, mas não era como estava sendo agora. Aquela vez se tornava pequena em relação a como Tony estava agora. Desejei que um sorriso nascesse em seus lábios, mas o meu desejo foi completa e obviamente, e isso fez com que um sorriso nasceu em meus lábios. Um sorriso sofrido e decepcionado, por Tony não sorrir por tudo que rodopiava em velocidade luz em minha mente.

— Algum problema? — eu quis saber, mexendo de forma insegura na barra de meu moletom vermelho.

Ele confirmou com a cabeça, e a coçou, como se não soubesse como falaria tal noticia. E isso só me deixou mais aflita e inquieta.

— Que tal nos sentarmos na cama? — propôs, apontando para ela.

— Você está me propondo para sentarmos na cama, sem segundas intenções e sorrisos irônicos? — disse eu, incrédula.

Ele, apenas fez outro sinal com a cabeça, negando. E no meu interior, algo clamava que Tony não estivesse assim tão série por ele. Por Loki. Só de pensar em tal possibilidade, eu sentia o pânico fluir nas minhas veias, eu sentia que o chão ia abrir e me engolir.

— Tá bem, Sky — falou, puxando-me pelo pulso em um aperto fraco o bastante para que eu nem quase notasse. Sentamos-nos, e assim que Tony tirou sua mão de meu pulso, senti um formigamento delicioso. —, podemos nos deitar nessa cama, e usarei o seu corpinho gostoso.

Ao ouvir isso, imediatamente corei. Era claro que Tony estava brincando, caso contrário, seria um ótimo motivo para cavar um buraco no chão e me enterrar. Quer dizer, era a primeira vez que eu ouvia alguma coisa desse tipo.

— Ok, Stark, menos — falei, enquanto os nossos quadris se colidiam. Estávamos sentados lado a lado.

Stark surpreendentemente deu um sorriso fraquíssimo, quase imperceptível, de lado. O seu olhar totalmente voltado para as minhas bochechas coradas.

— Estou quieto até demais, Sky. Olha, o que tenho a te dizer é sério. Sabe que tem todo o acesso da Torre, não é? — questionou, angulando o seu corpo para que os nossos rostos ficassem frente a frente.

— Sim, mas por quê?

— Agora, eu tenho que, bem, restringir esses acessos. Irei ser breve, Sky. Nós, os Vingadores, estamos passando por uma fase... Difícil, muito difícil. Por incrível que pareça, depois da queda da S.H.I.E.L.D ainda estamos juntos. Mas, isso não é o suficiente. Estamos com problemas, e esse problema inclui um inquilino indesejado aqui, na Torre. Um cara perigoso, e não quero você perto dele. Está me ouvindo? A melhor das hipóteses era te levar de novo para casa, mas quando pedi para localizá-lo na empresa, disseram que Brian estava viajando. Bem, te conhecendo bem, acho que não tem lugar para ficar, não é?

Eu engoli em seco. Mas, é claro que eu tinha um lugar para ficar. Se pedisse para mãe de Trice para ficar algum tempo até que meu pai voltasse de viagem, era claro que ela aceitaria sem nem pensar. Parei um segundo para raciocinar o que Tony tinha acabado de dizer. A Torre agora tinha um novo inquilino, e em meu sonho, Loki estava na Terra, e os Vingadores tinham de abrigá-lo. O meu estômago parecia querer devorar todo o resto do meu corpo, faminto por minha destruição. Tinha de ser apenas uma coincidência da minha maluquice com o destino dos Vingadores.

Pensei também em Tony. Eu estava gostando de morar com ele. Foi a melhor semana que já tive em anos de minha vida, eu não queria, não tinha estruturas para simplesmente ir embora. Stark, por mais chato e metido que fosse, também era legal, atencioso, fazia com que eu me sentisse bem. Tornou-se um amigo, assim como Steve. Um amigo precioso demais.

Uma ideia maluca e suicida passou como um relâmpago com a minha cabeça. E se fosse Loki o inquilino que Tony falara? E se aquele sonho não for apenas uma semente de imaginação boba? Eu me arrependeria bruscamente depois se não provasse a mim mesma que Loki não existia mais, ou ainda existe.

E então com um sorriso — falsamente — tristonho, revelei a Tony:

— Não tenho ninguém a não ser meu pai — mas, era uma enorme mentira. — Só tenho você — o que, por parte, era verdade.

Tony deu-me um sorriso um tanto dolorido, como se sentisse muito.

— E... Como não tem lugar para ficar, continuará aqui — completou, e a sua expressão era tão abalada quanto a minha. — Programei Jarvis para que deixasse você entrar em cômodos sem a presença do inquilino, e se você estiver no cômodo, é recusada a entrada dele. Só que de qualquer forma, estou desconfiando até de meus próprios meios. Então vou ter que pedir para ficar mais no último andar, e aqui no seu quarto. — acariciou o seu cavanhaque, esperando a minha resposta.

A única coisa que pensei era o porquê de Tony estar zelando tanto por mim, e eu me sentia envergonhada e com uma sensação nunca antes vista. Me sentia mais viva. Por que eu sorria enquanto percebia a preocupação de Tony em cima de mim?

— Ah, tudo bem — foi a coisa boba que eu disse, e fez com que Tony desse felizmente um sorriso sincero e grande.

— Ok, você está boazinha demais hoje, Sky. Nem questionou nada.

Ele tinha visto que eu estava diferente hoje. Era tão notável assim? Aquele sonho tinha mexido comigo de uma forma impensável, formando uma cratera gigantescas de lembranças péssimas demais para serem lembradas. Fitei aquelas órbitas pintadas de caramelo, fitando-me de forma tão carinhosa. De repente, senti vontade de despejar tudo a ele. Contar sobre Loki, sobre que talvez o inquilino dele fosse o meu pesadelo, que eu precisava de ajuda para conter tais coisas que estavam me engolindo sem ao menos ter o trabalho de mastigar.

Mas, eu não consegui. Senti medo de que Tony me achasse louca, senti medo de que em uma possibilidade sem nexo ele fizesse parte de toda aquela bolha. Nada disso poderia acontecer.

Sorri, um sorriso que escondia mais coisas que achei que pudesse esconder — um sorriso que eu nunca dera.

— Apenas estou retribuindo o seu feito ontem, Stark — sorri irônica. Um riso sem som quase idêntico ao belamente irritante dele. — Sinta-se honrado por eu estar assim hoje.

Tony ergueu a sua sobrancelha esquerda, como se não estivesse escutando o que eu tinha dito. Aos poucos, a seriedade dava espaço para o relaxar.

— Só me diga quem é você, e o que fez a lindinha inocente da Skylynn Johson.

☼ ☼ ☼

As duas e vinte e nove, recebi uma mensagem de Trice:

Onde diabos você se enfiou, garota? Eu disse duas e meia. Por que é que você não está aqui na entrada da torre?

Me desculpe, passei um tempo conversando com Tony e perdi a hora, respondi, enquanto saia da suíte do quarto apressadamente, e pegava o elevador.

Está pegando o elevador, não está?

Depois de apertar o botão do térreo no painel, eu a respondi, os dedos trambolhando rapidamente pelo visor touchscreen do telefone:

Agora, CALMA! Se você se lembra, esse prédio tem 589 andares.

Foda-se. Você já poderia estar aqui, mas não, está aí. Porque estava batendo papo com Tony Stark. Sendo que dizia que o ódio por ele era letal.

Eu revirei os meus olhos. Drama alert, pensei comigo mesma. Comecei a olhar o painel, que ainda estava no andar 400.

Dá pra parar de ser histérica. Olha,e você, que dizia que nem se importava com o Dannis. Mas, está fazendo tudo isso para vigiá-lo.

Nós duas iremos vigiá-lo, minha querida, Trice retrucou. Eu podia visualizar ela raivosa digitando com destreza. E, eu não me lembro de dizer isso com tais palavras.

Ah, claro. Quando mesmo eu falei sobre um ódio fatal por Stark?

Então, agora morre de amores por ele?

Olhei a mensagem, e o meu queixo quase caiu. Não era nada disso do que ela falava. Eu não estava morrendo de amores por Tony Stark. Apenas tinha conhecido-o pessoalmente, e notado que de longe ele não era tudo que eu imaginava — ainda era tosco, idiota, metido, mas bom. Resumidamente, eu achava que tinha apenas aprendido e conhecido melhor Tony Stark.

Morro de amores por Tony Stark, mas quem corre atrás de um cara é você. Olha, não vamos brigar. Nesse exato momento estou no andar 217, então quando eu chegar aí, iremos para escola, vigiar Dannis, enviei a mensagem com toda a calma possível.

Esperei uma mensagem imediata de Triz, mas essa não veio. Deveria estar muito raivosa e chateada para estar com o telefone ainda em mãos. Conseqüentemente, eu tive de guardar o meu em um de meu moletom. E então veio a imensa demora no cair dos andares da Torre. Dannis era mesmo assim tão importante para Trice? Digo, não que Trice tivesse dito isso, mas as suas ações cada vez confirmava a minha teoria de que talvez, ela sentisse algo por ele. Em tão pouco tempo. Desejei que Emma explodisse, para assim não atrapalhar o futuro romance entre os dois.

Cheguei finalmente ao térreo, sai então com os passos apressados e fundos por ele, ignorando qualquer tipo de olhar comum — principalmente depois de ontem, já que eu chegara com Tony enlaçando a minha cintura, caridoso, enquanto eu contava o meu “drama teen” a Steve e ele. As portas de vidros se abriram a dois metros de distância, e assim que trisquei a sola do meu tênis para a parte externa da Torre, a calçada cheia de blocos de cobre, avistei o carro da mãe de Triz. Um Neon, da cor vermelha chamuscaste, ronronava de forma fanha, e o vidro do motorista foi abaixado, revelando uma Trice de óculos escuros, roupas escuras e semblante furioso. Assim que me viu, fez um sinal com o queixo para que eu entrasse no carro. Eu acho que ela estava levando muito a sério a coisa toda de espionar, vigiar ou o que fossemos fazer.

Fiz a volta no carro rapidamente, e depois abri a porta do Neon, e entrei rapidamente, fechando-a atrás de meu corpo. Olhei para Trice, analisando uma segunda vez as suas roupas. Preto até demais, com uma calça de couro, camiseta larga e preta, um casaco enorme e preto, um pingente de um dente de tubarão, e os seus óculos de sol estilo Harry Potter.

— Cadê os seus apetrechos? — ela perguntou, rodando a chave na ignição, e dando a partida no carro. Saiu da vaga, e fomos a sentido contrário, o caminho para a escola.

— Apetrechos? — disse eu, puxando o cinto de segurança e o enlacei ao meu corpo. — Para que isso?

Trice bufou de forma bem audível, enquanto passava a marcha, irritadiça, para que pudesse atravesse um carro.

— Como assim “para que isso”? Tem noção da coisa toda que estamos fazendo. As três espiãs demais! — exclamou, desviando um segundo o olhar da pista para mim.

Trice era a única que dirigia de nós duas — apesar de que eu tinha dezoito anos, e ela dezessete —, mas isso não significava que ela sabia dirigir de um modo no qual eu me sentisse segura. Sem contar o fato de que ela fora reprovada duas vezes na auto-escola, até conseguir passar, com muito esforço.

— Não achei que fosse tão sério. Quero dizer, vamos apenas ver o que Dannis faz. Não procurar agentes do mal.

— E essas suas roupas? — apertou o volante um pouco forte demais para minha conta. — Ninguém usa um moletom vermelho semáforo quando se vai vigiar uma pessoa sem que ela perceba. De qualquer forma, passei em casa, troquei de roupa, como pode ver. E trouxe os meus bebezinhos.

Eu sentia um pouco de hesitação com Trice falando de seus bebezinhos.

— O que seriam os seus bebezinhos? — perguntei, sabendo que a resposta não seria a mais normal possível, então deixei um sorriso nervoso escapar.

Triz desviou de um carro rapidamente, enquanto fazia a curva para pegar a rua principal que nos levaria ao colégio. Levava em torno de dez minutos para que chegássemos ao colégio, e tive a certeza que seriam os dez minutos mais temidos de minha vida, afinal — Trice, eu, um carro e uma pista.

— Meu binóculo da Dora Aventureira, três facas de mesa, alguns chicletes caso demore muito a operação, lamina de barbear, toucas, e um radar que de caça do meu pai — falou. — Peguei escondido. Nada que meu pai sinta falta — completou, rapidamente. —, tudo está dentro da minha bolsa, no banco de trás.

— O que faremos com três facas de mesa e uma lamina de barbear? — perguntei, enquanto checava se a mochila estava realmente lá.

Trice costumava a ter sério problemas com memória.

— Pode ser tão útil como a sua chatice de perguntar coisas.

— Ei, não é chatice — protestei, pegando a bolsa do banco de trás, com uma pequena dificuldade. Afinal, o cinto de segurança nos impunha alguns limites.

A abri, e estava tudo o que Trice tinha me falado, mais uma câmera fotográfica antiga, daquelas que ainda revelavam a foto no exato momento. Joguei a câmera por algum lugar da bolsa — algo me dizia que a maquina não estava ali somente por estar, e eu até imaginava o tal objetivo dela —, e logo em seguia apanhei o binóculo vermelho, pequeno e cheios de desenhos da Dora (um desenho incrivelmente chato, no qual eu sempre odiei, desde os meus três anos).

— Não acredito que ainda tem isso, — falei. — É tão nostálgico. Você usou para espionar a senhorita Langdon no oitavo ano.

— Ela era uma velha rabugenta que adorava me colocar de detenção. Só porque eu achava o cabelo dela parecido com um gambá.

Eu tive de rir, senhorita Langdon era a nossa professora de literatura, e graças aos deuses tinha saído de nossa escola. O fato era que ela nunca batera bem da cabeça, e nos fazia ler contos eróticos na sala. Em pleno oitavo ano.

— O cabelo dela era realmente parecido com um gambá. Aquela mecha enorme branca em meio aquele cabelo preto, mais parecendo uma vassoura.

Trice bateu a mão na testa, deixando por um segundo o deixando o volante livre. Por sorte, fora por pouco tempo, mas tempo o suficiente para fazer com que eu segurasse com força a bolsa azul cinzenta de Triz.

— Gambá. Vassoura — exclamou, e eu podia ver os seus olhos em chamas por de trás dos óculos Harry Potter. — Eu sabia que estava me esquecendo de algo. O spray de gambá. Ugh.

Arregalei os meus olhos, levemente surpresa. Com certeza ela não estava encarando tudo isso como uma simples “espionagem”.

Paramos o Neon do outro lado da pista, rente ao meio fio do pequeno bosque em frente à escola. Retirei o meu telefone do bolso do moletom, era ainda três e quarenta — tínhamos voltado na casa da Trice, que era meia hora da escola para pegar o spray de gambá. E, digamos que Trice não fazia à mínima ideia onde estava, o que nos rendeu tempo. Faltava quarenta minutos para o toque de liberdade — como eu chamava — bater e oficialmente as aulas acabarem. Quarenta minutos dentro do Neon, passando calor, uma vez que Triz se reusava a ligar o ar condicionado para não gastar gasolina.

— Ligue o ar — eu pedi, suplicante. — Se quiser depois encho o tanque para você.

Trice tirou os seus óculos redondos, e o colocou na gola da camiseta preta. Jogou sobre mim um olhar tão duvidoso quanto a minha incerteza de não sermos descobertas.

— Você não tem dinheiro — presumiu, e como ela já tinha descoberto, era irrelevante tentar novamente.

— Pelo menos poderíamos ter passado no Starbucks, estou morrendo de fome — choraminguei, eu tinha subido com Tony a cobertura e tomado um capuchino, algo que me matou a fome na hora. Mas, agora.

Trice negou rapidamente com a cabeça, como se tal ideia fosse desprezível.

— Isso atrapalharia todo o meu plano que bolei em cinco minutos olhando Dannis cair na teia de Emma — disse ela, dúbia.

Eu não entendia a relação controvérsia de Trice a Dannis, que uma hora o odiava plenamente, e em outra bolara um plano para segui-lo. Eu sabia que se perguntasse a ela o que acontecia, ela desmentiria qualquer hipótese de um sentimento, e negaria tudo. Mas, não custava tentar.

— Você gosta do Dannis, não gosta?

Todos os músculos possíveis de Trice ficaram rijo e imóveis, enquanto ela tinha os olhos já grandes, levemente arregalados. Uma reação que eu nunca cogitaria em toda a minha vida, uma vez que minha melhor amiga tinha um incrível jogo de cintura, e conseguia driblar qualquer situação que qualquer nem sequer notaria. Contudo, eu sim. Anos sendo melhor amiga de Trice não forma me vão, eu lhe conhecia bem.

— Eu não sei — expirava e inspirava o ar quente rapidamente. Passou a mãos pelos seus cabelos incrivelmente belos e loiros. — Nunca senti isso em toda minha vida. E só o conheço ao o que? Três dias. Não o amo, sei disso. Mas, Sky... Ele mexe tanto comigo, sorri e eu fico puta comigo mesma por sorrir junto — sem que ela percebesse, engoli o meu seco. A mesma sensação que Trice falara é a que eu sentia com Tony. Mas, acho que todos sentiam isso com ele, tentei me conformar. — Mas, não adianta ele é um babaca. E tem um segredo.

— Um segredo? — estreitei os meus olhos, curiosa.

Trice assentiu, e apoiou a sua cabeça no volante, pressionando levemente a buzina, que ecoou fanha e engasgada, como sempre. Seu cabelo caiu como uma cortina

Loira e lisa, barrando a minha visão de seu rosto.

— No dia em que o conheci, ele tinha dito sobre ele. E eu sobre mim. Dannis me disse que sua mãe não gostava bem dele, e sempre dizia a ele que desejava nunca ter tido dele. O pai dele morreu lutando pelo, nossos pais, e desde então ele mora em um internato. Ele não me disse muita coisa, mas diz que é diferente de nós. Eu lhe perguntei o que era, Dannis me respondeu: “Nada. Por enquanto que eu não posso te contar, é nada”. Tá bem, eu não vou mentir. Eu fiquei super-hiper-mega curiosa sobre o que era o que ele não podia me contar. Eu não posso não saber, Sky. Preciso saber qual é o segredo que Dannis esconde, aparentemente, não só de nós duas, mas de todo mundo.

Quando Trice terminou de falar, eu ainda não tinha processado tudo o que ela acabara de falar. Depois, percebi que, assim como eu, todos tinham problemas, e eu estava sendo um tanto egoísta por apenas pensar nos meus problemas, e deixar os dos outros totalmente de lado. Antes, eu não era assim, muito longe de ser. Caramba, eu pensei, enquanto erguia a cortina de cabelos que tampavam o rosto da Trice, e depositando lá um beijo no canto de sua testa, que dizia — tudo está bem, eu irei te ajudar.

E então, em uma lufada de coragem encheu o meu peito de uma oura para outra. O que era mesmo que eu estava fazendo? Escondendo a verdade até de minha própria melhor amiga, respondi para mim, segundos depois da pergunta. A incerteza de quem eu realmente estava sendo invadiu de forma dolorida a minha mente. Aquilo fugia totalmente de tudo que eu acreditava. E daí de parecia ser loucura para mim?

— Trice — eu a chamei. — Preciso te dizer uma coisa... Muito séria, de verda...

Foi impossível o termino de minha fala, Trice descolou a testa do volante, e girou a chave na ignição, dando vida ao carro — que correspondeu com roncos parecidos com os de sapos.

— Ok, Sky — ela falou, e apontou para o outro lado da pista, onde Dannis destravava as portas do Lata Velha. Trice ergueu os vidros, que para nossa sorte, eram cobertos por um insulfilm preto, que bloqueava a visão de qualquer do lado externo. — Você pode deixar essa conversa para depois, não pode?

Era evidente que eu não podia e não conseguiria me abrir para Trice depois, e aos poucos a minha coragem já estava desprovida ao lado do que era antes. Mas, eu não disse isso para ela, apenas assenti, enquanto ela observava o carro de Dannis dando partida e quase sumindo pela rua larga. E depois, de um suspiro mutuo, nós duas sumimos, em nosso carro, junto com ele.

Dannis finalmente parou, em frente a um enorme mansão com o estilo vitoriana, o meu queixo caiu. Na minha concepção, aquilo passava bem longe de ser um orfanato, era uma mansão enorme, com no mínimo três andares. Dannis pulou para fora do carro, e o Neon da mãe de Trice foi deixado a algumas ruas, para que pudéssemos nos esconder com uma maior facilidade e agilidade, e, para que Dannis não se desse conta de que estávamos o seguindo. O muro da mansão era gigantesco, e com enormes cercas elétricas, que com certeza, seriam potentes o suficiente para torrar alguma parte de nossos corpos.

— Argh, odeio galhos — rosnou Trice, enquanto retirava de perto do seu rosto um galho pontudo. De dentro do seu casaco, sacou o reluzente binóculo da Dora, tirou os óculos, e me entregou. — Olha, fica com esses óculos. Não preciso deles agora.

Eu peguei o óculos e o pus na gola da minha blusa, e tentei enxergar mais além das barreiras esverdeadas que eram as folhas.

— Não reclame, Trice — lhe censurei. Trice se alarmou, estávamos perto demais do enorme portão de aço do Internato – ou a mansão. — Foi você quem escolhe ficar perto de um arbusto.

— Você tinha esconderijo melhor?

— Bem...

Ela tampou a minha boca com a sua mão — que, aliás, tinha um gosto parecido com o de terra? Do outro lado do portão, estava Dannis, e tocava o interfone inúmeras vezes. Mas, os portões nunca eram abertos.

— É aqui onde ele mora? — perguntei, baixinho, em um tom que mal ouvi.

Trice levou os binóculos aos olhos, que estavam levemente franzidos.

— Provavelmente.

Eu me calei. Depois de alguns minutos, os enormes portões da mansão se abriram automaticamente, e de lá saiu uma menina ruiva. O estilo dela, totalmente gótico — saias jeans rasgadas, blusa preta, espartilhos, maquiagem pesadas e etc — se destacavam de sua pele sardenta e totalmente branca. A menina, foi em direção ao Dannis, e carregava em si, um sorriso debochado.

Irmãozinho — ela disse a Dannis. Balançou os seus cabelos loiros, e ele em um total desgosto, afastou brutamente a mão dela.

Irmãozinho? Eu podia ver a minha boca e a de Trice descerem até o chão. Chocadas. Surpresas. Sem reação.

— Não seja cínica, Alice. O que está fazendo fora do Instituto?

— Eu? — ela se fez de inocente, desentendida. Eu tinha de admitir a Trice: era um perfeito esconderijo. Poderíamos ver e escutar tudo perfeitamente.

Eu até mal entendia porque Trice estava utilizando o binóculo. Dannis, já irritadiço, revirou os olhos, e tentou ultrapassar Alice, que lhe deu um empurrão consideravelmente forte. Mas, ele apenas deu alguns passos para trás, claramente provocativo. Em seguida, desferiu um soco na face de Dannis, que a segurou, contrariado.

— Você já recebeu regras, Alice. E deve cumpri-las.

A face de Alice adquiriu um tom escarlate, enquanto ela cerrava os pulsos.

— Como você ousa? Pensei que tivéssemos nessa juntos. Somos uma família, Dannis.

— Se fossemos mesmo uma família, estaria mamãe, papai, eu e você — respondeu, amargurado.

— Isso não explica nada — ela suplicou, e pelo tom de voz melancólico e um pouco mais baixo, parecia querer chorar.

De uma hora para outra, uma faceta nova tomou conta de Dannis. Eu não o conhecia mais, senti Triz ficar rija ao meu lado, abismada. Dannis tinha o próprio ódio correndo pelas pupilas claras dos olhos refletindo no esverdeado do olho da irmã.

— Não explica o quê? — explodiu, dando um ligeiro passo a frente. — Não explica o fato de eu querer ser como você? De eu não querer uma estranha como você. Uma mutante imunda que vive se escondendo de tudo e de todos, Alice? — o modo como ele dizia as coisas, realmente tinha me abalado. Não virei meu rosto para ver como estava Trice. Mas, eu sabia: deveria estar arrasada.

Mutante?, Perguntei-me. E quando dei por mim mesma, uma lufada saindo das mãos de Alice atingiu a camiseta de Dannis, e antes de fugir mansão adentro, Alice jogou as palavras para ele.

— Só se lembre o que mamãe sempre nos dizia “Ser diferente é normal”. E nesse quesito, não somos nada diferentes.

Notas finais
Gente, capítulo de sete mil palavras, e eu quero comentários, uns 16 visando o número de palavras e de pessoas que acompanham, né. Gente, sério amei os comentários, e adoro vcs. Ah, meu sangue do olimpo chega essa semana, ou seja, posso demorar a postar um pouco, então. É QUE É O ÚLTIMO LIVRO DE PJO, I CRY. Sou doida, i know. Vejo vcs nos comentários, minhas jujubas. BJSSSSSS