Notas iniciais
Gente, oi. DILMA WINS, fiquei feliz quase perdi meu bolsa família. QUE? zoa enfim, nem sei quanto tempo fiquei sem postar mas estou de volta aliás, eu nem deveria estar já que cap passado só teve meio que 5 comentários e 89 pessoinhas comentam. LEITORES FANTASMAS APAREÇAM, PF; gente, eu vim com esse capítulo meio chatinho, mas eu quero comentários mesmo assim NÉ GENTE, PORQUE SABE, TRAILER DE AGE OF ULTRON MDS SAIU EU TO SEM CHÃO PARA, MDS E A TRETA THOR VS TONY A FEITICEIRA ESCARLATE O CLINT A NATASHA, O BRUCE, O FURY, O STEVE VCS QUEREM ME MATAR É MARVEL LANÇA LOGO O FILME DESSA PORRA, EU NÃO ESTOU AGUENTANDO, ROSANA, PARE. gente, sério ME FALEM O QUE ACHARAM DESSE TRAILER ESMAGADOR DE CARREIRAS, MDS CARA, nesse capítulo ia ter umas capas marotas, mas eu tô sem tempo e criatividade. GENTE, ALGUÉM ME ARRANJA UMA BETA PQ EU N TENHO TEMPO DE CORRIGIR O CAP E TALS, e eu nunca consigo, e se você for um beta ou conhecer um PLEASE comenta aq peoples, deve ter um monte de erro aqui, me sinto bad autora mas não sei se amanhã vou conseguir postar, então vai assim mesmo ATÉ O FINAL

Os Stans

"Se eu te dissesse o que eu era, você viraria as costas para mim?"

Imagine Dragons.

Trinta segundos depois, fomos descobertas — o que descartou quaisquer chances de saímos dali sem com que Dannis não notasse o que estávamos tramando nem que estávamos o espiando.

Mas, em nossa vida há sempre uma pedra no nosso caminho, e no caso de Trice e eu, a coisa era puxada mesmo para o literalmente. Triz estava boquiaberta, totalmente em um estado de choque por tudo que ouvira, resultando: acidentalmente, ela em busca de algum apoio, acabou por repousar o joelho em suspensão no chão, e depois ouvimos um ligeiro crack de uma enorme pedra em contato com o joelho da Triz. Depois, ela perdeu o total equilíbrio, caindo de barriga em cima de minhas costas. Segundos depois, como um dominó, foi a minha vez de perder todo o equilíbrio e cair de forma espalhafatosa para fora do arbusto enorme e podado. Triz caiu sobre mim e de alguma forma, conseguiu me dar uma cotovelada forte. Soltei um gemido de dor, enquanto ela caia ao meu lado, da mesma maneira: dolorida.

A nossa frente estava Dannis, com os olhos confusos e fulminantes. Pensei na possibilidade de assim como com a irmã, ele nos tratasse mal, e de alguma forma aquilo realmente me magoou. Em tão pouco tempo, Dannis havia se tornado um ótimo amigo, e sempre se mostrara carinhoso — totalmente divergente do cara que agia de forma exasperada, magoando a própria irmã. Eu soube que nunca mais olharia Dannis Stans como sempre costumava olhar. Além de ter se mostrado frio e levemente cruel, ele era mutante. Ao passo que ele se aproximava de nós, com os passos lentos e destemidos, lembrei-me do que Alice — a minha irmã dele — tinha a falado:

“Ser diferente é normal”, ela disse.

Entretanto, isso não amenizava o sentimento de anomalia em mim por achar Dannis estranho, depois da descoberta. Sinceramente, eu estava me odiando por isso. Qual era mesmo a minha moral para achar o que é normal ou diferente? Pelo que me lembrava, Dannis era humano assim como eu nem diferente fisicamente nem diferente por dentro. Esperava eu que o meu olhar não fosse de estranheza, se ele se odiava por ser um mutante... Eu tinha que gostá-lo por ele ser um mutante. Talvez, desse modo diferente e certeiro, Trice e eu poderíamos fazer com que Dannis se sentisse bem.

Ele, finalmente chegou a nossa frente, e ao contrário do que eu imaginava estendeu suas duas mãos para que pudéssemos nos levantar — afinal, nós duas ainda estávamos tendo um legal contato físico com os blocos da calçada do internato ou instituto. A minha mente estava embaralhada com toda a cena que eu presenciava. Peguei na mão dele, na mesma hora, começando por aí o meu plano de fazê-lo se sentir bem.

Não tive duvida de que Dannis Stans era um mutante, já que eu sabia no mundo em que estava começando a me cercar, e ele ser um mutante não era nada anormal. Agora, eu tinha que me acostumar com tudo isso. Afinal, meus amigos novos eram super-heróis, o cara que supostamente era amante da minha mãe era irmão de um deus nórdico, e esse mesmo cara plantava sementes maléficas em minha cabeça.

Num impulso, meus pés já estavam no chão, e eu estava devidamente em pé. Agradeci a ele com um aceno de cabeça. Ele, sequíssimo, correspondeu com um pender de cabeça, aguardando Trice pegar a sua mão. Ela estava relutante, era visível. As pálpebras tremiam de forma inexplicável, enquanto pelos olhos caramelos dela passavam terror, incredulidade. Conclui que Trice não pegaria tão cedo na mão do sedutor, então ofereci a minha cujos dedos e unhas estavam presos por algum momento ter fincado meus dedos na terra preta. Ela pegou sem pestanejar.

Dannis nos analisou da cabeça aos pés. Quando ele bateu os olhos nas roupas de Trice uma leve expressão divertida relampejou rapidamente por sua face.

— O que fazem aqui?

Soltei um riso nervoso e abafado, que pela expressão dele, não foi bem recebido.

— É bem engraçado — esclareci rapidamente, com a primeira coisa que veio à tona em minha cabeça.

— Engraçado o fato de estarem me espionando ou o fato de terem caído no chão com dois peixes fora d’água?

Senti os braços de Trice ficarem rijos ao meu lado. Um deslumbre de medo passou pelo seu rosto.

— Olha, foi um mal entendido — ela se apressou em dizer. — Não vai se repetir. E se quer saber, nem mal me lembro de ter ouvido alguma coisa. Você lembra Sky? — eu fiquei atônita, sem nenhuma compreensão da reação inesperada dela. — Estamos de saída, e prometemos deixar aqui o que aconteceu aqui. Seja lá o que acontecera — murmurou, enquanto dava meia volta em direção a rua que tínhamos percorrido.

Puxei-a pelo pulso, impedindo o movimento; um movimento que nem em mil anos era nem parecido com a personalidade extrovertida e convicta de melhor amiga.

— Me solte — ordenou.

Ela ainda estava de costas a nós dois, como se encarar Dannis fosse algo duro demais para que ela pudesse aguentar. E, juro, mesmo sendo uma ótima amiga — aos menos em meu ponto de vista —, não entendi a sua expressão cheia de temor.

— Não — disse eu, a minha voz estava convicta como nunca ouvira em minha vida. Continuei o leve aperto em seu pulso. — Escute vocês dois. Não vamos agir como se nada tivesse acontecido, meu Deus! Somos amigos. Dannis, você e eu somos um trio. Ok, um trio recente, mas pense bem. Fizemos até uma festa do pijama, fizemos até um karaokê. Não sei os dois, mas eu me sinto bem quando eu estou com vocês. Cara, e não vai ser porque fizemos a descoberta do ano: Dannis não é igual a todos. E daí? Você também não é igual a todos, Trice. A única diferença entre você, eu e Dannis é que ele deve ter alguns poderes legais, enquanto nós duas somos duas patetas o espionando, por ele ser não igual. A vida é como sua mãe disse Dannis… Ser diferente é normal. E juro, é por isso que eu sou amiga de vocês dois. Justamente por não serem como resto.

Puxei o fôlego quando acabei de falar. Olhei para os dois, na expectativa. Senti uma vontade imensa de chorar notando que nada do que eu dissera tinha adiantado. Dannis ainda continuava com um olhar frio, e Trice tinha o melhor temeroso, mas agora estava perdido. Absorvendo uma por uma das minhas palavras. Levei as minhas mãos ao rosto. O meu dia estava sendo tão turbulento quanto a uma viagem de avião passando por nuvens carregadas de chuvas. Turbulência demais para uma garota como eu aguentar.

— Então é assim?— perguntei com a voz embarguada.

Nada recebi em troca como resposta. Na verdade recebi. Olhar frio. Olhar vazio. Olhar perdido. E aos poucos, o meu olhar se perdeu também, fechei os meus olhos. Como uma felina, os meus sentidos auditivos se aguçaram. Senti passos do lado esquerdo vindo em minha direção. Dannis. Depois, vieram os passos do lado direito. Trice. Mas de longe a melhor parte foi dois pares de braços me envolvendo em um abraço carinhoso e cheio de irmandade.

— Me matem se algum dia o fim de nossa amizade for por minha culpa — sussurrou Dannis.

O abraço ainda estava forte, invencível. Ouvi um ronronar sendo emitido do lado direito.

— Cale a boca, sedutor — disse Trice. — Se você tivesse dito isso antes, eu teria te matado. Cara, você tem que pedir desculpas a sua irmã.

O nosso abraço vacilou. Dannis desfez-o rapidamente, e em seguida suspirou inúmeras vezes, enquanto massageava fortemente as suas têmporas.

— Ah, merda! — exclamou, sôfrego, adquirindo imediatamente a expressão arrependida. — O que eu fiz? — murmurou para si.

Trice abriu a boca.

— O que você fez? Simples, só magoou a sua irmã chamando-a de mutante imunda. Cara, quem se ofenderia com isso?

Arregalei meus olhos pela declaração acusadora de Trice, que mal deveria ter pensado nas palavras ao proferi-las. Censurei-a com o olhar, enquanto me virava para Dannis:

— Certo não foi nada legal ter dito aquilo a sua irmã — confessei a Dannis. Peguei uma de suas mãos, e a entrelacei com as minhas. O gesto que minha mãe fazia comigo, querendo tomar a minha magoa para ela. Nesse caso, eu queria jogar a culpa de Dannis no solo, e não em outra pessoa. — Mas, bem, você a ama, certo? Acredito que ela sabia disso, e esteja se sentido mal. Então, tente pedir desculpas a ela, tente reverter a situação. Ok?

Dannis assentiu, lentamente, tentando assimilar tudo o que eu lhe dissera.

— Farei isso.

— Desculpe por ter dito aquilo, ugh — falou Trice, se aproximando ainda mais dele, enquanto carregava um olhar de orgulho ferido.

Um sorriso ferido e pequeno nasceu nos lábios de Dannis.

— Tudo bem. Você não tem culpa, apenas disse a verdade — explicou, enquanto depositava suas mãos dentro dos bolsos. — Vou entrar, tentar resolver as coisas com Alice, e depois podemos nos encontrar no mesmo lugar do primeiro dia?

— O primeiro dia — sorriu Trice. Um riso sem som fraco, que dizia que aos poucos, as coisas estavam ficando bem. Acho. — Podemos até aceitar. Mas, como uma condição?

Arqueei minha sobrancelha, curiosa.

— Motivos?

— Sim, motivos — respondeu, enquanto lançava um sorriso ardoso e insinuante a Dannis. Não insinuante daquele jeito, só de um jeito mais desafiador. — Quero que leve sua irmã, Alice, contigo.

— Minha irmã? — questionou Dannis, tirando as mãos do bolso, e fazendo gestos explosivos com os pulsos.

— Sua irmã.

No começo não entendi, muito menos tentei compreender tais motivos de Trice. Mas, quando ela me lançou o seu olhar, tudo ficou claro.

— Sua irmã, sedutor — reforcei. — E não adianta rebater. Leve Alice ao lugar do primeiro dia.

Dannis assentiu, e rumou para o portão do Instituto — ou Internato. Dessa vez, eles se abriram, Stans desapareceu mansão à dentro.

— Neon? — perguntou Trice, chocada, porém bem mais feliz.

— Neon. Mas, cuidado com o transito.

Um sorriso radiante possuiu os seus lábios. Eu não era de reparar na beleza da pessoas, mas a de Trice era evidente. Não só fisicamente, mas também por dentro.

Trice Evans irradiava sentimentos bons, e foi assim que ela foi comigo em direção ao carro de sua mãe.

O nosso novo companheiro: Neon.

Saltei para fora de Neon, sentindo por um breve momento minhas pernas fraquejarem, e então, bati a porta atrás de minhas costas. Com tantas coisas para me importar agora, não liguei, mas a dor do fraquejar tinha atingido em cheio meu osso; nada que não pudesse aguentar. Trice fez o mesmo ato, e logo depois estávamos rumando da calçada de bloquinhos ao chão encerado da cafeteria. Como da última vez, o local estava da mesma forma: vazio, e a única pessoa que realmente habitava no “vácuo” era a garçonete de cabelos loiros, decote gigante e pernas para fora. Sentamos na mesma mesa da primeira vez, mas, agora, de certa forma, o lugar estava diferente sem a presença contagiante de Dannis Stalin.

Trice olhou para o acolchoado vermelho que sobrava ao seu lado, e encostou a sua cabeça na parede, cansada. Não tínhamos dito uma palavra sequer no caminho de carro, e agora, também não parecia o momento certo. Parcialmente, parecíamos tentar absolver cada gosta de informação vazada, mas essas vinham em enchentes.

— Por essa você não esperava — disse Trice, com um sorriso levemente doce.

— Sinceramente? — perguntei. Com uma mão, peguei o cardápio bordado de couro que estava sobre a mesa, o abri, olhando os cafés. — Ninguém esperava por isso.

— Não é isso que me choca mais.

Folheei uma página revestida de plastico — antigo, uma vez que, as bordas estavam desgastadas pelos anos de uso. Fitei rapidamente a expressão de Trice, e depois voltei a olhar o cardápio. Não foi a melhor das opções, ou a melhor das atitudes, mas eu não poderia impedir de Trice formular suas próprias opiniões e pensamentos sobre tudo o que estava acontecendo. E de fato, eu sabia que era disso que ela estava buscando e precisando.

Larguei o cardápio sobre a mesa, estendendo a minha mão a Trice. Em uma fração de segundos, senti seus dedos roçarem pela palma de minha mão, assustados.

— Você está chocada com o que Dannis disse a irmã dele — concluí, agarrando forte a mão dela. — Também estou. Nós conhecemos as pessoas por um tempo, mas no final elas não são nada do que imaginamos. Se quer saber... Não acho que Dannis faça parte dessas pessoas, vejo uma ponta de salvação nele.

Salvação?

Sorri fracamente. No minimo, ela não poderia estar compreendendo o que eu dizia, mas eu sabia muito bem. E muito parte desse conhecimento era por vivenciar toda essa coisa.

— Sim, salvação — apertei a sua mão, forte demais. Mas, o problema era que eu não estava pronta para falar disso. Entretanto, pouco me importei, já que isso faria minha melhor amiga sair da bolha de coisas ruins que a prendia. — Todas às vezes que vejo papai é… agonizante. Sei que depois da ida de mamãe ele mudou completamente, e que talvez ele nunca voltará o que ele era antes. Papai agora é apenas um estereotipo do que ele já fora um dia. Você pensa. Isso era pra abalar as minhas esperanças, e sendo sincera, eu queria de coração que eu me conformasse que meu pai nunca será o mesmo. Só que quando vejo ele entrando pela porta da minha casa, ou quando eu o via, sempre uma fagulha de esperança ressurgia das cinzas em meu peito. Acredito no fundo que ele tenha uma salvação e volte a ser o pai que um dia foi quando mamãe estava viva. Quando éramos uma bela família, que além de bela era feliz.

Um risco quente trilhou um caminho pelo meu rosto. A lágrima quente deu a sensação que minha pele poderia estar chamuscando, queimando em carne viva.

Trice me olhou, um olhar de desdem que crescia a cada segundo que minha lágrima crescia. Agoniada, levei as costas da minha mão ao meu rosto, limpando-o.

— Acho que entendo agora — murmurou. Em um impulso, acabou com o nosso aperto de mão. — Não me entra na cabeça Dannis ser essa pessoa que se mostrou ser.

— Bem, eu sei. Mas, vamos dar uma chance para que ele se explique. Ou, ele pode nos seduzir e fazer jus ao seu nome, e esqueceremos de tudo.

Ela adquiriu um arquear de sobrancelhas engraçado, onde uma ruga fina se estreitava no meio de sua testa.

— Ok — ela disse, recolhendo suas mãos sob a mesa. — Muita convivência com Tony está te afetando. E por falar em Tony...

Crispei os meus lábios, totalmente apavorada. Podia ser muito ingênua ao ponto de muitas vezes não perceber as coisas, mas, agora, eu sabia exatamente o que se passava pela intergalática mente dela.

— O quê?

— Não se faça de tonta, céu. Me diga o que aconteceu entre você e Tony depois do quase beijo entre vocês dois.

Senti que a cor saia de minhas bochechas, me fazendo ficar branca como papel.

— Não há nada a dizer — decretei, enquanto afundava ainda mais meu traseiro no acolchoado. — Como você mesmo disse foi um quase beijo.

— Um quase beijo — Ela desencostou a sua cabeça da parede que deveria estar gélida. — Então, obviamente, deve estar acontecendo algo entre vocês dois.

Ugh! A única coisa que aconteceu depois do beijo certamente foi a minha falta de sorte de Tony ter lembrado, e também, a minha sorte. Já que ele decidiu ser conveniente e não tocar no assunto. Ou demonstrar não ter sentido nada.

Trice teve um lampejo de maldade passando pela sua expressão.

— E se importa com isso?

— Não! — exclamei de imediato, enquanto, como sempre, o tom avermelhado dava coloração às minhas bochechas. — Como se um dia eu fosse ligar para o que o Tony demonstra ou não.

— A-hã, sei — suspeitou ela. — Poupe-me, céu.

De uma hora para outra, senti uma imensa vontade de sentir o gosto de um expresso derretendo em minha boca.

— Não é por que meu apelido significa céu que você pode utilizá-lo dessa forma, Evans.

Ela pegou o cardápio, e começou o folhear, como se não quisesse nada.

— Não importa, Skylynn. Quero ouvir da sua boca que não pensou nenhuma vez sobre como teria sido beijá-lo — provocou Trice.

Engoli em seco. Em parte porque eu não seria capaz de dizer isso em voz alta; em parte por que se eu dissesse seria mentira. Tinha pensado em como seria ter beijado Tony, e por mais que fosse poucas vezes, com Trice falando, a curiosidade bateu na minha porta. Tentei não pensar no que eu estava fadada à pensar no momento.

Por um acaso, virei minha cabeça em um ângulo e pelas enormes portas do estabelecimento Dannis e sua irmã, Alice, surgiram pela porta. Levemente e com muita discrição, deixei a minha respiração baixar. Expirei e inspirei rapidamente o ar. Dannis ia mais à frente em nossa direção, enquanto sua irmã dava passadas fundas e raivosas.

Chegando em nossa mesa, Dannis se senta rapidamente ao lado de Trice, no sofá.

— Sinto muito — ele disse, apressado. — Tive alguns problemas em me desculpar com Alice, e convencê-la a vim pra cá.

Como um raio, ela mesma apareceu em frente a mesa, para em seguida sentar-se ao meu lado. De alguma forma, o seu olhar felino me arrepiava.

— Drama — falou ela. Pegou por um instante o cardápio que, por azar, parecia estar predestinado a passar por mãos em mãos pelo resto de sua existência. — Me desculpe se eu não costumo agir de boa com meu irmão que, aliás, acabou de dizer que sente nojo de mim. Etcetera e tal...

— Quantas vezes precisarei pedir desculpas? — perguntou Dannis.

Por um breve segundo, pensei em dar um basta, para acabar com a futura discussão que — claramente — se formaria no decorrer de alguns minutos.

— Queríamos conversar com vocês dois — falei. Os dois, outrora em um jogo de troca de olhares fatal, rumaram os olhares em mim.

Dannis suspirou.

— Já devo saber do que se trata.

— Mas, eu não sei — rebateu Alice. A sinceridade com que ela falava as coisas, de certa forma, me assustou. — Não sei se devo confiar nelas duas. Mal as conheço.

Trice a olhou com um olhar questionador, embora, estivesse se segurando para não dizer algumas coisas — nas quais, eu a conhecendo, poderia colocar tudo água à baixo.

— Sei que você não nos conhece. Mas, somos amigas de Dannis, que por acaso, estava escondendo de nós coisas, que amigos de verdade não esconderiam jamais. Bem, não que você tenha alguma coisa a ver com isso. Só que, ele deveria ter no mínimo nos contado, já que mesmo sendo amigos em pouco tempo, temos pelo menos consideração com ele. Não acha justo ele também ter conosco? Olha, só quero te dizer que não importa você ser uma mutante ou não, Alice.

Ela puxou o fôlego quando, finalmente, acabou de falar. Junto com ela, Dannis fez o mesmo ato, totalmente sem palavras e chocado.

— Entendo — foi tudo que Alice disse, usufruindo um olhar realmente analisador. — Meu irmão não é mestre em ser... Transparente. Mas, acho que isso é algo bem mais difícil de contar para alguém.

Ele assentiu, prontamente. E com a ponta dos dedos, tocou o antebraço de Trice, lentamente.

— Se vocês iguais a mim entenderiam.

— Tipo — falei. —, sabemos que deve ser difícil. Mas, não iriamos te julgar de forma alguma por ser o que você é.

— Não importa se ele for um mutante que tem o poder de seduzir pessoas? — perguntou Alice receosa, e com uma ponta de receio.

Um clima estranho se alastrou ao redor da nossa mesa, como uma praga rendendo novas vítimas à morte. Não era bem o que eu imaginava, mas, de fato, era interessante.

O queixo de Trice desceu ao que parecia, até seu colo.

— Então por isso o seu apelido? Dannis, o sedutor.

Dannis assentiu, claramente envergonhado.

A risada escandalosa e altíssima de Alice encheu todo o ambiente, parecia estar se divertindo muito com o que acabara de ouvir.

— Você usa esse apelido? — perguntou, batendo as mãos incansavelmente na mesa de carvalho revestida por plástico vermelho. As batidas eram ritmadas à sua risada: altas. — Dessa vez você realmente se suspirou.

— Por favor, nada de risadas — disse Dannis, depois se virou para encarar Trice. — O que queriam dizer à nós?

Ela, um pouco mais quieta e sem jeito, fitou ambos os irmãos.

— Queríamos perguntar como tudo começou.

Dannis tocou novamente o seu braço, em um pedido suplicante para nada dizer sobre isso. Lancei um olhar para Trice. Ela, rapidamente por sorte, entendeu. Nada adiantaria se insistimos para ele contar-nos.

— Eu conto — em um ato inesperado, Alice disse. Seus dedos das mãos tremiam de forma com que os meus ficaram tentado, à também, tremerem. — Pode não parecer, mas sou mais velha do que Dannis dois anos. Morávamos em Atlanta, Georgia. Éramos felizes lá. Minha mãe trabalhava em seu próprio negócio, fazendo os seus melhor bolos e sempre com o sorriso estampado. Meu pai, apesar de sempre estar trabalhando no exercito, sempre que podia estava presente em casa, conosco.

“Não éramos um família rica, mas também tínhamos conforto e amor dentro de casa. Naquela época, mamãe nos amava, e apesar de pouco demonstrar, sentia-se receosa em relação a gente. Fomos felizes, até que completei quinze anos, e fui para o ensino médio, onde papai pagava para nós uma cara escola particular. Não foi uma surpresa à mim saber que nenhum dos alunos do colégio gostariam de nós. Mas, Dannis não pensava isso. Logo no começo ele já tentou se enturmar com todos de sua turma, mas era esnobado. Até no dia em que isso acabou. Foi um dia turbulento na escola, entrei no refeitório e tudo que vi foi Dannis rodeado de amigos. No começo não achei que fosse nada demais.

“Até que os sonhos vieram.

“Me lembro perfeitamente como começaram. Em uma sexta feira, algumas semanas depois de Dannis ter encontrado seus amigos. No sonho eu via Dannis e um rapaz loiro na quadra, sozinhos. Logo percebi que eles não me notavam, então passei a observar toda a conversa. O menino loiro estava com uma bola de basquete na mão, e aparentemente estava arremessá-la em meu irmão. Houvera uma discussão, na qual Dannis dizia a ele que deveriam aceitá-lo como amigo na escola. O menino, sem pudor, negou e foi em direção ao gol da quadra. Dannis ficou irritado, e correu rapidamente em direção ao menino, o pegou pelo colarinho e com os olhos, literalmente crepitando em chamas, disse-o:

‘Você vai sim ser meu amigo, tudo bem? Estou cansado de todos vocês me esnobarem por serem riquinhos e eu não. À partir de agora, você é meu amigo, e dirá à todos os patetas que eu sou legal, ok’

‘ Tudo bem’ o menino disse. Não gaguejou, não teve medo. Apenas respondeu de uma forma incrivelmente robótica. ‘Amigo’ acrescentou com um brilho igualmente fogoso crescendo nos olhos dele. Depois, a chama apagou.

“Não foi como se o menino tivesse caído em si, e notado que não podia julgar meu irmão por ele não ser rico. Foi algo, sujo, manipulado. Divergente. Dannis era diferente. E... eu também. Os sonhos não paravam de vir, e em certo momento não era somente sonhos que envolviam Dannis. Os sonhos passaram a envolver meus pais. Comecei a ver papai sendo expulso do exército. Comecei a ver mamãe dizendo para Dannis e eu que éramos aberrações. No final, tudo isso aconteceu. Papai saiu do trabalho, e mamãe quando descobriu o que éramos passou a nos odiar.

“Meses depois da turbulência que se tornara nossa vida, papai nos deixou. E depois, quando tudo parecia estar melhor, mamãe nos trouxe a NY. Foi embora, mas sem a gente. Ficamos no instituto do professor Xavier, onde vivemos até hoje.”

Um sentimento duvidoso se alastrou sobre mim. Deixei a boca levemente aberta. Espantada. Nunca passara que para Dannis fora tão difícil, como estava sendo para mim. Fiquei quieta por um segundo, e pensei em quebrar o silêncio cortante e esmagador.

Mas, Trice o fez por mim, com um semblante carregado de um sentimento indecifrável.

— Você é forte — disse ela à Alice. — Você vê, então, o futuro?

— E o passado — Dannis acrescentou, em uma afirmação. — E, eu. Manipulo as pessoas.

Estreitei os meus olhos.

— Você não diz isso como alguém que se importa.

Dannis arregalou brevemente os olhos, e depois disfarçou, arregaçando a gola de sua camiseta.

— É o que faço. Se eu me importar, acabo sendo destruído.

Alice lançou um olhar crepitante à Dannis, como se o censurasse.

— Não apenas vejo o futuro como ten... — os seus olhos repentinamente, ficaram opacos, e todo o seu corpo ficou trêmulo.

— Alice! — Dannis a chamou, mas parecia que algo lhe sugava para um subconsciente obscuro.

Com minhas mãos, igualmente, trêmulas, a chacoalharam, mas o seu corpo não teve sequer uma reação — e além de que, estava febril. Em um solavanco, seu corpo ficou rígido, e como o seu sol deixava o céu, o esverdeado de seu olho voltou à ela.

— O que está acontecendo? — gritei para Dannis, tentando em vão fazer algo.

O pânico corria em toda a face de Dannis, de um jeito que percebi que a coisa era séria demais. Ele, rapidamente levantou passando por mim como um raio, e pegou a mão da irmã, desesperado. Alice cujos olhos tinham ao menos voltado ao normal, parecia estar tendo uma convulsão. As luzes do local começaram a piscar como as imensas árvores de Natal, e por um segundo achei veria elas se explodirem.

Foi o que aconteceu. As luzes explodiram em todo o vapor, jorrando cacos de vidro pelo chão de forma berrante, o barulho era irritante quando os vidros repousavam pelo chão. A garçonete, na qual estava encostada no balcão, tremeu de medo. Os copos intercalados pelas mesas começaram a vibrar como um som de batida. Sob os meus pés, o chão tremia e a minha frente Trice estava totalmente apavorada.

De repente, tudo parou.

Alice começou a abaixar sua cabeça, para minutos depois levantá-la novamente. Todos estavam em choque, incapazes de dizerem uma palavra. O rímel escorria pelo rosto repleto de sardas dela.

O irmão agarrou sua mão.

— O que você viu?

— Como assim? — perguntei.

Olhei para Trice, na qual estava congelada. Dannis virou sua cabeça.

— Alice tem visões — Ele olhou novamente à irmã. — O que você viu? — repetiu.

Ela fungou, e abraçou rapidamente o meu ombro, já que não poderia alcançar o irmão. Em um ato desgovernado abracei-a de volta, enquanto ela chorava forte em meu ombro. Mal a conhecia, mas naquele memento Alice precisava de mim.

Ela ergueu os olhos verdes ao irmão, o pavor sendo transmitido de forma arrepiante.

— Guerra.

Notas finais
Hello, babys enfim, capítulo com palavras até demais para poucos comentários babys leiam as notas iniciais e se souberem de algum beta por aí - ou for um - me avise vcs são ótimas e aposto que conseguem me dar comentários ÓTIMOS E TB COMO FOI A REAÇÃO DE VCS VENDO àQUELE TRAILER ESMAGADOR DE VIDAS AMO VCS, até à proxima xoxo