Bad Minds [HIATUS]
17 Condução em me dar mal
Notas iniciais
Condução em me dar mal.
Você nunca pode esperar que sua vida seja um mar de rosas, no entanto, para que eu pudesse ficar ciente disse, demorou mais do que o recomendável para que eu percebesse isso. Mas, dando-me um parcial desconto: na realidade, eu nunca fora boa nisso de cair na real, ou até mesmo perceber tudo o que voava na atmosfera que me rodeava. Geralmente, a minha boa condução em me dar mal era ativa em uma cota limitada; entretanto, a limitação passara a ser apenas mais uma palavra sem significado na minha vida. Então, em uma boa conta — que não é necessário ser esperto ou um Aisten para perceber —, de uns tempos para cá, eu estava me dando mais mal do que o normal.
Mas, olhem como o destino incompreensível também colaborou para, ao menos, a minha felicidade e o fim do meu anti-socialismo. Antes, a minha conta de amigos ou pessoas com quem eu falava não passava de dois. Hoje em dia, consegui a proeza de ser amiga de alguns Super-Hérois perigosos, de alguns mutantes, e continuei com um maníaco o qual, falando nele, estava residindo sem permissão à minha mente. Nada que, sinceramente, seja de algum interesse de quaisquer seres.
Olhei, aflita, novamente para o painel enorme de andares de um dos inúmeros elevadores da Torre. Por fim, suspirei, deixando a mínima noção que, aos poucos, se injetava em mim, vazar. Tony dissera que de forma alguma eu não poderia ir visitá-lo, mas como eu tinha dito, a minha cota de condução em me dar mal já passara a não existir. Então, pensei em como seria vê-lo, depois de alguns anos de tortura mental da minha parte, feita por ele. Sei, sei, sei. Não era certa, era mais do que uma decisão suicida, precipitada, errônea. Eu estava à procura de algo que, certamente, eu não agüentaria. Mas, nem tentando infiltrar isso em minha cabeça, consegui não desistir. Algo em meu interior estava me puxando a isso, e como costumei a nunca ouvi-lo, decidi dá-lo uma chance.
Por mais que eu quisesse conhecer Loki — o cara que, por acaso, estava sendo presidiário na Torre, e por mais do que acaso, fora amante de mamãe —, não soube se conseguiria achá-lo em meio a Torre. Horas e horas pensando me fizeram entrar na única conclusão, que no momento, era a correta. Nada estava sendo uma coincidência estranha, era algo mais.
Stark havia dito que de maneira alguma permitiria que eu fosse de encontro à Loki, e estava com o seu sistema revolucionário e acima de tudo o mais tecnológico possível. Mas, como todo o sistema, apostei que deveria ter ao menos uma falha. Eu estava contando com isso. Necessitada disso, agarrada. E foi com isso, que acionei a mais improvável das escolhas.
O elevador me levou ao destino, o andar 589.
Cheguei ao andar, com o meu coração, praticamente sendo esmagado pelo temor e ansiedade arrasadores. Se ele estivesse aqui, era à hora de saber. Por fim, as portas de metais abriram, abrangendo todo o andar, que era a casa de Tony praticamente. O nível de meu medo há essa hora, estava irreconhecível. Resultando, em uma respiração desesperada. Talvez até parecida com a de um peixe fora do lago.
Aparentemente, o local estava vazio. O sofá posto ao meio da sala se encontrava solitário em meio às outras mobílias. Todas as outras, na verdade, estava na mesma tristonha condição. Por um segundo, se abriu uma brecha em meu peito. Já que os sinais indicavam que Loki não estava aqui, eu poderia ser incrivelmente ir embora. Totalmente desencorajada de estar no andar com mobílias chiques e de última moda, corri ao elevador fechado.
Premei o botão do elevador, que, por algo, de alguma forma, não chamava o elevador. Impossível. Apertei uma segunda vez, mas como da primeira, esta foi sem sucesso. Em um fluir, o desespero correu em minhas veias. Poderia ser apenas mais um comum atraso o qual elevadores sempre faziam. Mas, senti que não.
Virei, deslizando pelas portas do elevador. Estremeci ao ver que o sofá já estava sendo ocupado, já que outrora estava vazio. Infelizmente, achei o que tanto estava à procura. Levantei-me em questões de segundos, como se receber o olhar espatifaste e rigoroso de Loki me fizesse cair nos nervos. Ainda de costas, tentei em uma falha última vez, chamar o elevador. Nada.
O olhar examinador dele caiu sobre mim, e a pior coisa que senti na minha vida foi estar debaixo daquele olhar. Sentado, de pernas cruzadas — como se classe fosse algo a zelar —, rodou o olhar por todos os cantos do andar. Pelo visto, toda a tecnologia de Tony não foi o bastante para que Loki não tivesse a chance de me encontrar. Sem respaldo algum, a única coisa que fiz fora engolir em seco.
— Bela Skylynn — disse ele. Ajustei a gola de meu moletom, como se isso pudesse realmente findar meu desespero. — Finalmente tive a reverenda oportunidade de conhecê-la.
Dei exatamente quatro passos pequeninos a ele, extremantes calculados e sem nenhuma precipitação — disso, falando a verdade, eu não tinha a certeza. Loki aprovou minha ação em um aceno manear de cabeça, e os seus cabelos beijaram o vento.
— O que faz aqui? — perguntei formidando. — E por que insisti em aparecer em meus sonhos?
Dizer aquilo em voz alta soou errado e criminal. Ponderei um olhar de repreensão ou frio de Loki, mas uma risada perfeitamente igual ao do sonho veio em resposta. Ele, nem sequer se mexeu, apenas continuou com o traseiro no acolchoado afofado de Tony.
— Parece que você é uma maníaca dizendo tais coisas, tão alto — falou, repentinamente trocando o seu olhar para um furioso e desdenhoso. — Não tem tido bons sonhos, Skylynn?
Fechei os meus olhos, junto com eles, o meu punho. Não por vontade de partir para cima dele, e sim, em um ato que me dava controle de não desabar em uma cena horripilante.
— Enquanto você não sair deles... Não, eles não serão bons. Disso posso apostar.
— Mudou muito depois que veio para cá — analisou. Os seus olhos verdes crepitantes em chamas me analisavam de forma obsessiva e macabra. — Acho que aquele boçal do Stark tem influência nisso.
Um frio foi do começo de minha espinha ao fim. Meus lábios tremeram perante o medo insolúvel. Loki, portanto, tinha conhecimento de como eu era antes de entrar à vida de Tony, e como sou agora. O que, com certeza, não era um bom sinal. E se, talvez, Loki não dominasse só os meus sonhos? A ponderação fez com que os meus lábios batessem mais um contra o outro.
Loki alisou o sofá, apreciando depois o toque. Um deleite passou pelos seus olhos.
— Não vai dizer nada? — me perguntou, com os olhos estreitados, dando sinal a uma ruga ao lado do seu lábio.
— Na verdade, vou. Não sei por que você está fazendo isso, mas... Pa-pare.
Um riso sem som saiu da boca de Loki. Debochado.
— Então com um pedido, acha que farei o que quer, Skylynn? — Ele ergueu as suas sobrancelhas, um ato de total questionamento incrédulo. — Mudou muito, mas a ingenuidade é algo que te define bem, pequena.
Pequena. A palavra proferida por ele causou uma enxurrada de lembranças nunca fadadas a serem esquecidas. Como era mesmo que eu esqueceria como minha mãe me chamava?
Dei mais dois passos à sua direção, agora, levemente raivosa. Loki não estava apenas jogando comigo, estava também jogando com a minha mãe. E isso, por mais frágil que eu fosse, não poderia ser tolerado.
— Não sou sua pequena, Loki — cuspi as palavras. Ele, desaforado, apenas ergueu os lábios, e se levantou. Vacilei brevemente, mas logo, recuperei todo meu fôlego. — Se não estiver lembrado, nem mal sei quem é. E, também, não quero que dirija essa palavra novamente a mim.
Loki dava passos calmos pelo porcelanato branco, mas ao mesmo tempo vintage do local. Nada parecia abalar a sua confiança, e muito menos arrancar o cinismo enjoativo de sua face. A aqueles olhos, lancei o meu pior olhar de falha. De que eu precisava de ajuda.
— E se sua mãe te chamasse assim? Pelo que me lembre, você adorava, quando era apenas uma meninha de cabelos longos e belos cachos nas pontas.
Inspirei e expirei rapidamente. Como ele sabia de tudo àquilo sobre minha vida? Sobre como eu era?
— Minha mãe está morta — falei, tentando jogar a dor em algum lugar que não fosse a mim. — Morta. E me espanta muito como fala dela.
— Como se ela estivesse viva ainda? — as palavras foram roubadas de minha boca, e pararam na boca dele. Apenas alguns centímetros nos separava. Loki rolou seus olhos. — Se for isso que está pensando, esqueça. Lucille já está morta há tempos.
— Eu sei — gritei, mas antes, era para ser um murmúrio, apenas. Corri para o elevador, nem olhando para trás, sem saber se Loki estava ou não me seguindo. Acreditei que sim, e apertei com toda a minha fé e força o botão. À medida que apertava, o tempo parecia passar . A porta de vidro perdeu o foco. Então, as portas do elevador se abriram. E como meu anjo da guarda, Tony estava lá.
Com uma chave na mão, e sujo de fuligem. Um ótimo mecânico. Dei passos para trás, enquanto ele saia do elevador. Em um supetão, olhei para trás, quase mancando.
Loki não estava mais lá. Como era...
— Skylynn? — a voz de Tony me acordou. Direcionei meu olhar a ele, e por sua expressão sobre mim, soube que eu estava apavorada. — O que houve?
Corri em sua direção, e afundei minha cabeça na curva de seu pescoço. Tony rodeou a minha cintura com seus braços fortes. Senti que a qualquer momento eu pudesse desabar.
— O que houve, Skylynn? — ele refez a pergunta, exasperado.
Não pude mentir a ele, não para ele. Não quando a coisa toda já tinha acontecido, não quando eu precisava de um respaldo em um momento que eu não poderia ter controle algum. Não era por que Tony era um super-herói, ou um cara de poder. E sim, porque eu confiava nele — talvez até toda minha vida.
— Loki...
Ele acariciou minhas costas com a sua mão.
— Loki?
— Ele esteve aqui.
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