Bad Minds [HIATUS]

18 Condução em me dar mal — Parte 2


Notas iniciais
Finalmente, voltei. E voltei bolada, muito boladona, meu deus. Ah, desculpem não ter postado antes, mas meu pc e minha escola estão contra minha pessoa ehuehe Gente, Bad Minds está ruim? Por que visto pelos comentários, parece que a história não está agradando. Estou seriamente pensando em apagar Bad Minds, de verdade. Tipo, 5% das pessoas estão comentando, apenas. e BM tem 100 leitores, ou seja, 5 ou seis pessoas comentam por capítulo. Gente, o quão ruim essa história está? Porque se estiver ruim, eu excluo. Também preciso de inspiração, e isso vem exclusivamente dos meus leitores que me incentivam, e só 5,6 pessoas de 100 comentarem me deixa muito triste. De verdade, então se não houver pelo menos uns 15% a 20% de pessoas comentando, nem que seja está uma merda, vou virar uma âncora. Afundo, e infelizmente, Bad Minds vem junto comigo. Então, se você acompanha a história e gosta não cai o dedo comentar o que achou, não é, baby? Enfim, é isso. Não sei se estou deprê ou é por isso, mas BM corre risco de exclusão. ENTão, depois de minha confissão linda, vamos ao que interessa, né? hehe Gente, esse capítulo é a última parte de "condução em me dar mal" e achou que vocês não esperam por nada que tem aqui, tanto é que vão amar, odiar, chorar, ficarem cry. Então, esse capítulo tem fortes emoções, e espero que não me matem pela a última cena do capítulo, mas é a vida né. GENTE, tem um personagem que vocês não conhecem muito e tal, mas que é lindo, doido e lindo. Tipo, vocês vão querer me matar, de verdade. Vejo vocês lá embaixo, beijos. Ah, me desculpem pelos erros, não tive tempo de corrigi-los.

Condução em me dar mal — Parte 2

Um clima desconfortável se instalou rapidamente pela sala — ou melhor, a improvisada oficina de Tony, que apesar de ter o status de improvisada era equipada com as melhores das tecnologias. Olhei para todos os cinco Vingadores sem ter a mínima noção do que fazer. O dia parecia sombrio, apesar de o sol raiar à exatamente sete e meia da manhã, de acordo com o relógio elevado em uma das paredes da oficina. Sinceramente, eu queria chorar. Não era como chorar por nunca ser aceita em uma escola, que por alguma razão, todos os alunos que a frequentavam se importava unicamente com o próprio umbigo, ou até mesmo, nem com tal coisa.

Algo mais sério estava acontecendo, muito mais pesado em gravidade do que um simples dia sendo mais uma vez sendo ignorada; o sentimento estava ganhando lugar, se tornando por fim, achegado. Genuinamente, eu queria ser ignorada plenamente por Loki — mesmo nem sabendo o motivo de, estranhamente, ele me dar uma bola enorme. Não obtive nenhum motivo trabalhado por minha cabeça, que me desse alguma simples razão. Mas, bem.

Onde Loki estaria uma hora dessas? Na torre?

— Como isso foi acontecer? — Steve questionou, contrariado, enquanto passava a mãos em seus cabelos loiros. Estava acostado em uma enorme mesa de alumínio, enquanto seu semblante parecia ser o dos piores. — Pensei que a Torre fosse um lugar seguro.

Todos nós cinco percebemos exatamente para quem à palavra estava sendo mandada, e a cada passo o clima estava sendo colocado à prova. Sendo posto no fogo. Tony estava ao meu lado, enquanto seus braços rodeavam minha cintura em um abraço que servia parecido como um porto seguro a mim. Depois do acontecimento inesperado por todos, mas, aparentemente provocado por mim, não consegui ficar estável. As minhas mãos ainda tremiam de um jeito frenético que nem um enorme comprimido conseguira dar conta do recado. Uau, eu tinha chegado ao ponto que nem calmantes faziam efeitos em meu corpo. A minha cabeça se relaxou sobre o ombro másculo, entretanto, confortável de Tony. Deixe-me dizer que, não, eu não estava nem um pouco louca em estar de tal modo com ele. Eu apenas me sentia tão bem.

Tony, sem nem ao menos perceber, apertou o abraço de lado, um pouco raivoso. Não soube distinguir se ele estava assim pelo fato de ser contestado, ou por me encontrar no estado em que eu estava.

— A torre é um lugar seguro, Steve — falou Tony, embora o seu tom de voz fosse de total confusão. — Eu somente não sei qual foi à falha de sistema, tem também a possibilidade ser um vírus, uma oposição.

— Ou os poderes de Loki? — pronunciou-se Thor, em uma possibilidade, talvez, correta. Ao lado de Bruce Banner, o loiro de cabelos grandes, mantinha o cenho franzido e preocupado. Surpreendia-me muito ele ser irmão de Loki. Um cara cruel, insano e inconsequente. — Meu irmão é poderoso, e lidamos com esse poder em Nova York. Um mero sistema não pode detê-lo.

— Não fale assim de Jarvis, homem cortina.

O jeito diferente de Tony afrontar todos os problemas era um equivoco, e algumas vezes — para mim — salvador. O fato de que, nunca, ele se entregava fácil a nada e muito menos demonstrava isso me dava segurança.

Puxei a barra do meu moletom para baixo, já que estava um pouco mais acima. Agora, tudo parecia perigoso e invasivo demais para que eu deixasse brecha, até mesmo, a uma vista corporal.

— Ele sumiu depois que Tony apareceu. Num segundo ele estava no andar, e depois foi como se ele evaporasse.

Steve suspirou.

— Nada bom…nada bom — murmurou, com a cabeça baixa o suficiente para seus cabelos lisos e cheios de gel fizessem um leve e gracioso movimento. Ele mirou o olhar em Banner. — O que acha disso Bruce?

Ele parecia pensativo, como sempre estava ao menos em minha frente. Não passava um homem como Bruce Banner em minha cabeça, de uma hora à outra, se tornar uma fera gigante, mortal e verde. Causava-me alguns arrepios por entre os braços de Tony.

— Não sei — Ele acariciou sua barba lenta e levemente. — Loki é um sujeito engenhoso. Perigoso.

Pela primeira vez vi Clint sem nenhuma roupa colada ou a serviço. Natasha estava nas mesmas condições, e pela primeira vez o seu olhar sobre mim não era de fatalidade ou crueldade.

— Nenhum de vocês parou para pensar: por que Loki fez uma visitinha à gatinha? Digo Skylynn.

Natasha negou com a cabeça, enquanto dava alguns passos à minha direção. Instantaneamente, gelei. Natasha não estava me mandando os seus marcantes olhares, mas eu não me sentia segura estando sendo o alvo de seus passos de pura sedução e destreza. Escondi mais meu rosto por entre o pescoço de Tony. Droga! Não era o meu objetivo parecer uma babaca à frente de todos — que, por um acaso, eram as pessoas mais poderosas que conheço. Senti as mãos de Stark deixarem a minha cintura e os seus braços largos e grandes me preencherem.

— Tony falou que você tinha dito que tinha visto Loki — Ela já estava à minha frente, usando o tom de voz fatal e sem nenhum sentimento humano. — Você conhece Loki. De onde?

A pergunta me fez estremecer da cabeça aos pés. Programei em minha mente uma cena onde eu contava tudo a todos, e finalmente sentia-me libertar de um sentimento opressor. Mas, eu também não me sentia bem. Na cena, o chão quebrava em blocos pequenos, e logo um abismo engolia os pés, a cintura, e logo minha cabeça para um estômago profundo e obscuro.

— Você o conhece, Sky? — a voz de Steve estava longe. Meu corpo tornou-se pedra ao encaixe de corpos que era o de Tony e meu. Algo se encostou à parte superior de meu braço, mas tal toque não fez meu corpo acordar.

— Skylynn? — era Bruce Banner.

— O que houve com ela? — Thor perguntou.

— Minha querida? — Tony. Agarrei-me ao desespero de sua voz e voltei à tona. Agarrei-me novamente. Desta vez, literalmente ao Tony, enquanto as minhas mãos colocavam um aperto enorme nos braços dele.

O desespero corria em minhas veias, e escorria de forma excessiva em minha alma.

— Eu preciso sair daqui, Tony — sibilei em um fio quase rasgando de voz. Apertei mais forte. — Tony me tire daqui! Eu… me leve à escola, agora! Por favor!

— Calma — Natasha tocou o meu ombro, e rapidamente girei meu tronco para encará-la.

Retirei suas mãos de sobre meu ombro com um desespero desconhecido e medonho.

— Não me mande ter calma!

Clint aproximou-se aos poucos de onde nós três estávamos.

— Mantenha a calma, garota. Queremos apenas te ajudar.

— Não quero a ajuda de vocês! — Voltei-me ao Tony. — Me tire daqui… Por favor!

Tony suspirou, minimamente sem saber o que fazer. Seus olhos percorriam todo o local, todos os Vingadores, mandando-lhes um olhar significante.

Ele pegou minha mão, e senti-me, enfim, mais estabilizada. Nossos dedos se enroscaram levemente em toques leves e pequenos, porém formigantes.

— Desculpem-me. Mas, ela precisa. — Tony indagou, e puxou-me, finalmente para fora daquela oficina que, agora, parecia opressora.

***

Tony, infelizmente, quando queria sabia ser bastante persuasivo — o que só me levava ainda mais à ideia de que ele era bastante parecido com Dannis. Mas, completamente diferente. Estávamos parados em frente a minha escola, enquanto, por ventura conversávamos sobre o meu ataque na oficina. Dizendo a verdade, Tony estava tentando a todo custo conversar comigo, mas de alguma forma, nada saia de minha boca, apenas suspiros fartos de toda àquela conversa. Meu objetivo, claramente, não era dar uma de chata com ele, e no mínimo dizer para que ele calasse a boca. Pelo contrário, era um bolo crescente que estava em minha garganta, mal me permitindo dizer nada que envolvesse Loki. Talvez fosse o medo, ou talvez somente a insegurança. E se Tony, sem nem mesmo querer, me achasse uma completa maluca? Aos poucos, fui aceitando que era esta mesmo a minha insegurança fluente que me impedia até de movimentar a minha boca e dizer algo. Desejei ter Trice por aqui, mas lembrei-me rapidamente: nem ela sabia o sentimento que me engolia; eu o guardava somente a mim, e por guardar por tanto tempo eu estava sem saída.

Eu tinha dito a Clint Barton que eu não precisava da ajuda dele nem a dos Vingadores. Uma grande blasfêmia que me fazia repensar por que caminho eu estava jogando os meus rastros. A coisa que eu mais precisava no momento era ajuda, e quando me ofereceram, agi como uma louca, e fiz a coisa que veio em minha cabeça: a rejeitei. Ah, ótimo, como nos tempos livres em que eu não estava sendo invadida em minha cabeça, eu era idiota. Ilustrei em minha mente como seria mamãe estar aqui, e como seus conselhos com certeza me fariam sair do fundo do poço. Mas, ela não estava aqui. Graças a ele.

Era incrível como Loki parecia querer que minha vida fosse predestinada com a dele para o resto da vida. Era isto, ou ele apenas curtia mexer psicologicamente com a mente das pessoas, e se aproveitava de tudo com um sorriso sádico e de satisfação em seu rosto. Sorriso este, que só de lembrá-lo, eu me sentia enjoada e com todos os pelos de meu corpo eriçados.

Olhei para as horas em meu telefone. Ainda faltavam quinze torturantes minutos para que as aulas começassem e eu entrasse e tivesse um bom dia de aula.

— Quinze minutos para você me contar por que saiu de lá feito uma patinha espantada — disse Tony, com as mãos no volante, como se ainda estivesse no controle do carro em meio à pista.

Arqueei uma sobrancelha, duvidosa, de que ele realmente cumprisse alguma de suas promessas ameaçadoras, ao menos comigo.

— Isso foi, por acaso, uma ameaça?

Tony deu de ombros, enquanto com o volante, dava uma “curva”, contorcendo tanto o coitado, que pensei que alguma se soltaria de seu carro.

— Depende, minha querida — o modo com ele dizia minha querida era parcialmente possessivo. Não como o que Loki usava, mas um possessivo com um ângulo positivo. — Se você vê isto como uma ameaça. Quem sou eu para lhe questionar?

— Desde quando é um cavalheiro incorrigível, Stark? — perguntei, trocando o assunto.

Ele percebeu, e de soslaio o vi soltando o ar, como se a brincadeira já tivesse tido sua hora, e não surtido um mínimo efeito. Stark meneou a cabeça para meu lado, mordendo os lábios em um pesar de preocupação. Mesmo nas circunstâncias, não deixei de pensar em como ele era sexy fazendo isso.

— Não mude de assunto — pediu Tony, tocando de leve meu braço que estava sob o moletom. Um fogo crepitou levemente em meu estômago me deixando nervosa com o toque.

Estremeci. Mas o que diabos estava acontecendo comigo?

— Acredite, não estou mudando de assunto — grunhi, embora fosse mentira.

Stark revirou os olhos, completamente desacreditado de tal desculpa. O toque foi refeito em meu moletom, e era como se o pano grosso mal existisse. Senti como se seu dedo tocasse-me diretamente em minha pele. Olhei-o, sentindo o suor invadir minhas costas, e molhá-las. No ritmo em que as coisas estavam seguindo, daqui alguns minutos eu estaria banhada com a minha própria água. Tudo isso apenas com alguns toques.

— Então, se você não está mudando de assunto… Por que agiu daquele jeito?

— Jeito? Não sei do que está falando, Tony — respondi em uma forma tão rápida, que achei que ele não entenderia. Mas, infelizmente ele entendeu-me com destreza, e uma expressão já de impaciência preencheu sua face.

— Ah, claro. E eu não sei qual é a raiz quadrada de 257 — novamente, rolou os olhos. Era como se fosse uma mania sua.

Mirei minha visão ao telefone. O ativei sem com que Tony visse, e faltava apenas 13 minutos. Então era esse o plano: enrolá-lo por mais 13 minutos, enquanto o tempo passava. Voltei a olhá-lo.

— Na verdade, não existe raiz de 257.

— Tanto faz — Tony disse, com os olhos arregalados. Provavelmente pelos punhos cerrados deveria estar corroendo-se em raiva. — Eu me importo.

— Não parece que se importa com as coitadas das raízes. Sério, Tony. Admira-me muito um cara meio que sabe inteligente, como você nem saber as raízes.

— Não me importo com essa matéria ridícula de matemática, Sky — Tony sibilou morbidamente, palavra por palavra. Ah, não. Seu dedo tocou desta vez a ponta do meu queixo, puxando-o para olhar fundo em seus olhos. — Só me importo agora com o que aconteceu naquela sala, e quando você encontrou Loki. Você não está deixando as coisas às claras.

Toquei sua mão que segurava com apenas um dedo meu queixo fino. Segurei-a com minhas duas mãos, e olhei tão fundo em seus olhos, que poderia olhá-lo até a alma. Caprichosamente, rolei meu polegar por sua mão, acariciando-a. Sua mão era grande, áspera, mas ao mesmo tempo, confortável. Tony entrou em um estado do choque, mas nunca sua expressão de convicção esvaziava dele. Os seus olhos fitaram os meus com admiração, enquanto um suspiro de felicidade escapou por entre os lábios.

Ele movimentou seu dedo pela linha de meu maxilar, enquanto seu corpo quase atravessava inteiramente a marcha do carro, nossos corpos quase se tocando.

— Seus olhos… — sussurrou, fitando-os minuciosamente. Não foi algo que eu quisesse resistir, mas sendo ou não, fitei seus olhos com a mesma invasão. Notei suas íris me proporcionando uma explosão de cores castanhas claras. — São os mais lindos que vi.

Não soube reagir diante ao elogio, então parei nosso contato visual, e de mãos. Não era a coisa mais exata a se fazer, mas… era o maior elogio que já tive a honra de receber, e o mesmo causava-me fagulhas irreconhecíveis dentro de meu coração e de meu estômago. Estaria eu ficando doente? Pensei, e não! Doenças ou até mesmo uma gripe nunca me deram uma sensação tão boa, e de preenchimento.

Voltei a ficar na antiga posição, com os ombros e rostos virados em direção ao vidro do carro.

— Obrigado — sibilei em um dos tons mais baixos.

Com a minha cabeça abaixada, e de visão soslaio, vi Tony mexer-se confuso em seu banco, enquanto apertava suas têmporas, sem alguma reação realmente pensativa.

— De nada — respondeu em um tom igualmente ao meu. — Só disse a verdade. Não quero que fique constrangida.

Sorri fracamente, sentindo resíduos de fagulhas voltarem a emergir. Então, era essa a verdade minha para Tony? Meus olhos não eram tão bonitos. Disso eu sabia. Eram apenas raros demais em meio à sociedade, e ao menos para mim, não era uma coisa de se apreciar. Todos sempre me fitavam, e eu não gostava. Chamar atenção era alguma coisa que eu nunca queria para minha vida. E, bem, como ela sempre colaborou comigo, olhe só com nasci. Com as esferas osculares mais chamativas do mundo, que mesmo em meio ao escuro, não perdia seu brilho. Pelo contrário, ganhava vida e cor.

No relógio de meu telefone marcava cinco para oito e meia, então, eu estava prestes a entrar para escola. Bastava apenas agüentar o clima que se instalara no carro. Minha cabeça mantinha-se baixo, com o medo crescendo de olhá-lo e ver como Tony estava. Com certeza, melhor que eu. Com certeza, mesmo em conflito não mantinha um sorriso bobo no lábio, por palavras minhas proferidas. Certo, pela primeira vez alguém me fez sentir normal. Pela primeira vez, eu agradeci ter olhos claros, justamente pelo seu elogio, que apesar de pequeno foi necessário para clarear todo o meu dia — que não tinha começado nada como eu desejava. Mas, bem, eu tinha buscado isso.

Os cinco minutos se passaram como um jato em escape. Sai do carro batendo a porta, antes dando apenas um aceno com rapidez a Tony. O corredor rodeado de jardim, à uma hora desta, estava repleto de alunos atrasados, assim como eu. Inspirei e expirei o ar, percebendo que meu plano — mesmo saindo de percurso — dera certo. E era isso que importava.

Depois, entrei pela enorme porta do colégio, e quando bati meus olhos onde o carro de Tony estivera ele não estava mais lá.

...

Bati a porta do meu armário, enquanto, Trice surgia em meio a alunos em minha direção.

Pelo seu andar arrastado, roupas amassados, e olheiras excessivas contornando de modo horrível seus olhos, presumi que ela não teve a oportunidade de ter uma noite de sono bem dormida. Aliás, em meio a todas as coisas que estavam acontecendo, nem eu estava conseguindo. O sono deixara de ser algo ao meu alcance, tornando-se impossível demais.

— Deixe-me adivinhar, — falei. Trice abriu seu armário, olhando-me, impaciente. — sem sono?

Trice fez que não com a cabeça, tirando de dentro de seu armário — que mais parecia um abismo — um livro de história com brilhos azuis cintilando.

— Errado. Estou morrendo de sono, mas não consigo dormir.

— Mutantes? — meu tom de voz se abaixou. Não seria recomendável dizer tal coisa em um tom tão alto na escola.

Ela franziu as sobrancelhas, escondendo o livro sob o braço que estava livre; enquanto o outro carregava sua mochila.

Mutantes. — sua expressão deixou de ser suavizada. — Não estou bem. Não diga uma palavra dessas para mim, por favor.

Escorei-me no armário pintado de um vermelho escarlate, lembrando-me aos cabelos avermelhados de mamãe. Tudo em minha volta, de certa forma, fazia as lembranças e os deslumbres dela erguerem-se em minha mente, como um trabalho de tortura.

— Falou com Dannis depois de tudo? — perguntei.

Imediatamente o olhar dela perdeu-se em meio a riscos opacos, que ao poucos, apossavam-se toda sua pupila — como uma tinta derramada por engano, manchando todo o espaço livre da tela.

— Não. Dannis sumiu depois do que aconteceu na lanchonete.

— Já tentou ligar para ele?

Trice afirmou com a cabeça, trancou o armário, para fechá-lo em um bater de porta enorme, fazendo o som de metais em colisão. Às vezes, a forma em que ela expressava seus sentimentos me espantava. Deveria ser por que, na maioria das vezes, eu costumava guardar tudo a mim, e nunca compartilhar nada. E era exatamente por isso que eu afundava como uma âncora.

— Ele não atende ao telefone — disse Trice, deslizando-se no metal escarlate como eu. A essa hora, deveríamos estar na aula, e por isso, o corredor estava tão vazio, sem alguém para que pudesse nos atormentar. E, de fato, era melhor assim. Quantos menos membros da Elite presente, melhor. — Fui ao Instituto, ele não estava lá. Alice também não. Ninguém sabia onde os dois estão, e muito menos estão interessados em saber.

— Como não? — quis saber. Ao que eu sabia, Dannis e Alice tinham que estar sob a vigilância da Lei, e qualquer que fosse a fuga, precisavam ser detidos.

— Disseram que os Stans já são independes, e que estar ou não sob as asas deles, é uma opção dos dois.

— Mas, Dannis ainda não completou 17 anos, então, falando dentro da lei…

Trice olhou-me instigada, e por fim, me interrompeu:

— Ele é maior de idade, Sky — respondeu, com pesar.

A mentira logo teve um baque em mim. Então, Dannis andara mentindo novamente para nós, enquanto colocávamos toda nossa confiança sobre ele. Chegava a ser até, estranhamente, frustrante. Os segredos dele estavam vindos à tona, e eu não soube se, quando todos estivessem devidamente revelados, pudéssemos agüentar. Olhei para Trice, e parei para pensar. Não era somente para mim que as coisas estavam sendo difíceis. O olhar de magoa em minha amiga estava evidente, e até seus cabelos pareciam sem vida, como se tivessem sido cortados e estivessem no chão.

Trice Evans estava tão sem vida quanto eu era, poucas semanas atrás.

— Maior de idade … — o que era para ser uma pergunta, tornou-se um murmúrio. — Ele mentiu para nós.

Um sorriso sacana surgiu nos lábios de Trice. Mas, era mais plastificado do que alguns rostos repletos de plásticas. Não achei mesmo que na altura em que as coisas andavam, ela fosse agir naturalmente.

— Mentiu. E continuará mentindo, Sky — sibilou, tentando me convencer. Mas, cada palavra proferida fora dita para si mesma. — Isso me mata por dentro.

Mordi meus lábios. Senti raiva de Dannis por ele estar fazendo isso de modo tão impensável que minha amiga estava mal. Mas, a raiva não durou muito. Durou tão pouco quanto os momentos em que eu estava com meu pai, durou tão pouco que nem quase senti falta dela.

— Está tudo bem, Trice — mas não estava. — Acho melhor irmos para a aula.

Com um suspiro, ela concordou. Rumamos em meio aos enormes corredores, com mares de armários, enquanto estávamos à procura de nossas devidas salas. Infelizmente, nossos horários hoje não colaboravam para que ficássemos juntas, então fui para um canto, e Trice para outro.

Assim, separadas, senti que tudo fosse de mal à pior.

...

E realmente as coisas estavam se inclinando para um lado da coisa em que eu não conhecia. Quando Nancy Bloom apressava-se correndo em minha direção com os olhos arregalados pelo sorriso tão grande, pensei em defluir. Infelizmente, tive tal pensamento tarde demais, visto que a ruiva já estava parada em minha frente, com uma prancheta da escola.

Ah, ótimo. Agora, Nancy irá interrogar toda minha vida, pensei.

— Skylynn! — ela sorriu mais ainda, e pensei que seus lábios se rasgariam, e Bloom transformar-se-ia em uma versão do coringa mais irritante, baixa e cheia de acnes.

Dei um sorriso plastificado a ela, sem nenhuma intenção. Apenas estava apressada em sair da escola, pegar um táxi, e finalmente chegar à Torre. Pensando detalhadamente, as duas opções pareciam o fim do poço.

— Nancy — diferente do dela, exclamei sem animação. — Algum problema?

— Algum problema, Johson? Oh, claro. Como se o professor mais lindo do universo querer ter uma palhinha com você fosse um problema — Ela pegou uma caneta de seu bolso, e começou a escrever na prancheta rosa choque. — É, seria uma boa matéria.

Franzi meus lábios.

— Professor lindo? Matéria? Do que está falando?

Nancy ergueu seus olhos azuis chamuscados em minha direção, pousando de leve a ponta da caneta na folha branca. Fez-se um furo.

— Brian, o novo professor de Biologia, está te chamando.

— Me chamando? — apontei para meu corpo.

A ruiva assentiu, escrevendo no papel como uma cobra serpenteava em meio à grama fresca, engolindo vírgulas, pontos e todas as regras de pontuação existentes.

— Por acaso, sabe o que ele quer comigo? — perguntei, receosa.

A ideia de aquele homem querer algo comigo, de certa forma, me estremecia. Brian Jackson não era um homem conhecido por mim, e nem por todos da escola, mas, garanto que quando pisou os pés pela primeira vez no colégio, intimidou até a ardilosa da diretora. O pior de tudo, era que na última e primeira aula que tive com ele, percebi olhares insinuantes e ardentes sobre mim, como um caçador estando prestes a mirar em sua presa. A beleza do homem, claro, era inegável. Seu rosto poderia ter sido desenhado por Deus em borrões errôneos, mas, ele com certeza não teria levado isso como empecilho.

Havia pessoas que tinham o destino de serem impecáveis, aconteça o que acontecer. Brian era a prova viva delas.

— Não. Ele está na sala de biologia a sua espera — respondeu Nancy, riscando alguma palavra, que, provavelmente fora escrita errada.

— Obrigado — então, em um giro de calcanhares, me dirigi à sala de Biologia, onde Brian me aguardava.

Era somente questão de tempo para que, logo, logo, eu começasse a suar. Suar de ansiedade e medo.

Alguma coisa me dizia que Brian não queria nada comigo relacionado à escola.

...

Toc. Toc.

Com estes três toques ritmados e intercalados, pedi permissão para adentrar a sala de biologia.

— Entre, Senhorita Johson — disse Brian com a voz grave. Um estremecer pareceu picar meu corpo.

Ele sabia que eu já estava ali, então com uma onda de pavor disfarçada, coloquei meus pés na sala ampla. A sala de biologia de longe, era a melhor do colégio. Ossos do corpo humano segurados por um fio de barbante pendiam do teto, intercalados por toda a sala. No fundo, mesas eram entrepostas a armários — que continham todos os órgãos humanos, em 3D. A mesa do professor era à frente do quadro negro que ocupava toda a parede. Na cadeira rotativa, estava Brian. Com óculos de grau estilo Harry Potter e uma roupa semelhante à que eu tinha visto nele da última vez. Seu semblante era de destreza, enquanto seus olhos variam todos os detalhes de mim, para ele.

Parei em frente à sua mesa, com os braços postos para trás.

— O senhor me chamou? — perguntei tímida.

Achei que de tão engasgada minha voz estava, eu corria o risco de não ser compreendida. Brian captou os meus olhos, como câmeras captavam bandidos em meio à assaltos. Senti-me receosa. Estar sob àquele olhar me dava à sensação de que Brian arrancava-me as roupas.

Entretanto, era pior do que estar nua — mil vezes.

— Sim — respondeu, jogando de lado alguns papeis por sobre a mesa cheia de pastas, livros e pranchetas. — Nancy lhe entregou o recado, pelo visto…

Fitei minhas Vans, intimidada demais para sustentar tal olhar. Minha atitude, embora fosse para isso, não contribuiu nada para que eu ficasse bem. Finalmente percebi: eu estava sendo covarde, como sempre fui a toda minha vida.

— É… — Ergui por fim meu olhar. Brian percebia tudo o que eu fazia, e cerrou os olhos com um tipo de hostilidade crua. — O que, sem ser educada, quer comigo?

— Mas, sendo, não é? — completou, em uma intenção de ser sacana.

Premei o chão com meus pés, sendo posta à prova. Minha vontade foi de em um ato jogar minha amada mochila sobre ele, e depois, sair andando fora daquela sala.

— Não estou entendo aonde quer chegar, Senhor Jackson — ressaltei, dando um passo à frente. — Algum problema com minhas notas?

O sorriso de Brian era algo que não deveria ser levado a sério. Já que, caso fosse, poderia muito bem só por ele, destruir qualquer que fosse a ameaça. Ele se aproximou mais da superfície de vidro da mesa, colocando seus cotovelos em apoio, enquanto seu tórax era comprimido pela mesa.

— Sendo sincero, sim.

Ah, claro. Sinceramente, a coisa que eu mais me importava era que um professor — que apesar de lindo —, ligava para minhas notas.

— Minhas notas estão ótimas. Em meu boletim não há nenhum nota abaixo de 9,5.

— Isso porque você fez recuperação, Skylynn — lembrou-me Brian, com uma caneta em mãos, sendo movimentada de forma linear.

Não era apenas para isso que Brian tinha me chamado. Tive a plena certeza quando os seus olhos praticamente analisavam meu organismo sob a pele, sem nenhuma discrição.

— Isso porque o antigo professor não tinha a competência de ler meus trabalhos, e por não gostar de mim, colocava um enorme zero em meu boletim.

O atrevimento escorreu de minha voz, e eu não soube responder a mim mesma de onde ele tinha surgido. O medo e a incapacidade de sair da sala ainda me dominavam, e de alguma forma, eu não plausível a agüentar desaforo.

— Será? — disse Brian, e em supetão, levantou-se da cadeira, ficando frente a frente a mim. O modo como ele rodeara a mesa como um gato persa, rápido e eficaz, fez meus pés quererem ceder. Mas, eu não deixei acontecer. — Olhei seu boletim. Qual o problema com biologia?

De sua esfera ocular um azul animalesco crepitava, sugando toda minha alma, se possível.

— Talvez sejam os professores — gaguejei.

Em um movimento hábil, Brian tocou-me no queixo, igualmente ao Tony — mas, seu contato fora rude, forte. Diferente do delicado e cuidadoso de Stark. Mexer parecera ser uma coisa remota agora. Apenas o olhar aniquilador de Brian era perto de mim. Somente isso.

— Talvez seja você, não é? — ponderou, erguendo o meu queixo para que o meu olhar ficasse alinhado ao seu. — Talvez as pessoas te odeiem por você ser tão linda e adorável.

— Está dizendo que todos me odeiam por eu ser quem sou? — minha voz estava arranhada de tamanha dor que me percorria.

Seus óculos não reduziam a maldade que transbordava em seus olhos. Sim, maldade.

Com outra mão, Brian tocou a maça de minha bochecha, possessivo. Seu toque fez algo queimar no local, e dentro do meu estômago, como uma combustão para um… desejo insano e de repente fluído.

Era tão errado. Por que um pensamento do tipo relampejava de forma inquieta em minha mente?

— Não, Sky. Estou apenas te dizendo que do mesmo jeito que sendo você mesma atrai pessoas a lhe odiar… pessoas te amam.

Oscilei sob o meu casaco, sem saber o motivo. O dia hoje estava ensolarado, fazendo com que todos viessem com roupas mais frescas. Era algo bem mais que frieza, ou um simples arrepio.

— O que quer dizer com isso? — perguntei, dando um passo para trás. Ele segurou meu queixo com força, voltando-me ao mesmo lugar. — O que está fazendo?

Ele riu, balançando a cabeça, como se um palhaça estivesse falando a ele uma piada. De jeito nenhum acabava com o contato de suas mãos em meu rosto. Eu queria sair. Mas, olhá-lo me dava fogo.

— Olhe ao redor, veja quem te ama, pequena Sky. O mal nem sempre é pior do que o bem.

— Sinceramente — falei. — Não sei do que está falando. Poderia me dar licença para que eu me retire da sala?

Brian franziu suas sobrancelhas grossas, másculas, porém, levemente delineadas.

— Não, não — negou. Aproximou seu corpo ao meu, quase tocando seu tórax em meu peito – visto que ele era notavelmente mais alto. — Está tudo bem na casa de Stark?

Eu quis deixar meu queixo cair, entretanto, nem isso Brian teve a misericórdia de deixar acontecer. Ele o manteve em linha reta.

— Como…?

— Você não deve lembrar, certo? — Ele fez o aproximo ser tão grande, que seus lábios quase se tocavam nos meus enquanto eu falava. — Há várias coisas de que não se lembra, pequena Sky…

— Por que me chama assim? — o interrompi. Não estava agüentando o sombrio e escuro cujo tom me hipnotizava.

O tocar em meu queixo, virou aperto. Brian deixava suas esferas azuis animalescas obstruírem todos meus lábios. Um sorriso de canto desenhou-se em seu rosto. Pequeno. Doentio. Reservado. Invasivo.

— Porque você é o que você é — respondeu, seus lábios tocaram os meus por um segundo. Se fosse por mais um tempo. Seria um beijo. Minhas mãos pararam em seu peitoral; primeiro eu tinha como objetivo lhe barrar do que isso estava tornando-se. Depois, caí em um penhasco. Senti vontade de ter seus lábios tocando os meus novamente. Oh, céus. O que se passava comigo? — Só está nas mãos erradas. Mas, você vai perceber tudo a sua volta, e parar de correr do que corre atrás de você. Do que te busca. Do que te ama. Está aqui por quer algo, Skylynn. Por que se não quisesse, já nem estaria mais aqui… Seu primeiro beijo, estou errado? Você o quer? — seus lábios roçaram nos meus.

Eu… queria. Poderia ser a coisa mais tensa, estranha, e horrível. Entretanto, o que fluía em mim me dizia que se eu tomasse aquele beijo para mim, algo poderia acontecer. Meu corpo poderia falhar, sem com que meu desejo fosse cessado.

Minhas mãos foram de seu peito para seu pescoço, em um laço. Coloquei fortemente meus pés sobre os seus. Logo, fiquei alta o suficiente para que ele me beijasse sem se curvar.

O que me fazia querer beijar o dono de olhos tão doentios? Em um azul diferente, lembrando-me carnificina mesclada a sangue frio?

— Eu o quero.

Então, seus lábios tocaram os meus. Foi a coisa mais bizarra, horrível, imaginável que eu tive coragem de fazer em minha vida. Eu me sentia estranha. Estranha por estar beijando-o, e gostar de seu beijo. Senti-me um serial killer, que matava sangue fresco, e um sorriso macabro nascia nos lábios.

Fechei os olhos, sustentando-me nas mãos de Brian, que agora estavam postas em minha cintura, pondo um aperto forte. Seus lábios eram ásperos, rudes, mas ainda sim bom. O gosto metálico invadiu minha boca junto com sua língua apressada, que vasculhava cada canto.

Por um segundo, uma sensação de estar sendo suja raiou em minha cabeça. Mas, logo, elas reduziram-se à pó quando uma mão dele puxou meu cabelo para aprofundar o beijo. Meu fôlego era testado, e por mais que aos poucos ele estivesse me deixando, eu não queria parar.

Precisava movimentar minha boca e língua em conjunto com as de Brian.

Ele, com rapidez e habilidade, encostou-se em sua mesa, puxando-me junto. A mão na cintura, outrora parada, mexeu-se em direção ao meu bumbum.

Antes que eu pudesse largá-lo, ele o fez por mim. Suas mãos não chegaram ao ponto de fazer algo com meu traseiro. Estavam ocupadas demais em busca de algo em meio a papelada em sua mesa. Afastei-me o suficiente para que meu rosto não estivesse colado ao seu. Brian afastou algumas pastas da borda da mesa, e meu coração gelou quando o vi.

Ele o pegou, como um raio sendo despejado em meio à terra.

O soco inglês prateado foi posto em seus dedos, e quando previamente tentei dar meia volta e sair correndo, fui atingida. A dor lancinante entrou em minha cabeça, na mesma hora que meu corpo chocou-se contra o chão. Minha visão turvou. Entretanto, os tênis de última geração de Brian eram ainda visíveis.

Quando ele se abaixou em minha direção, tentei dizer algo. Minha garganta era como um disco cortado ao meio. Brian acariciou impulsivamente meu rosto. Desta vez, fraco.

Depositou um breve beijo em meus lábios.

— Isso é apenas para que saiba como as coisas devem ser.

Como um blackout, minha visão repentinamente enegreceu.

Notas finais
hey, brothers enfim, esse capítulo é doidão, amozão, quem é esse doido e gostoso do Brian, mds? Eu sei, primeiro beijo da Sky foi totalmente inesperado eu sei, mas gente, foi meio que divo eu gostei. ADOREI escrever esse capítulo, e olhem se eu não excluir a fic posso sumir por um tempo, ok? Tenho que fazer uma prova para passar no colégio e nem comecei a estudar. Sem contar nas do meu colégio. Enfim, espero que pelo menos uns 15% comentem, mesmo que esteja ruim, dizendo que está ruim bEIJINHOS, amoras azuis xoxo