Bad Minds [HIATUS]
19 Saindo das garras por um estranho
Notas iniciais

Baby I'm preying on you tonight
Hut you down, eat you alive
Just like animals, like animals-mals.
Acordar do pesadelo parecia ser a melhor parte. Até eu perceber que o meu pesadelo se estenderia até que eu conseguisse sair daquele lugar. Ou talvez, eu estivesse mesmo fadada a aguentar reviravoltas por toda a minha vida, encará-las, e por fim tentar não desabar em um choro de angustia e dor. Não imaginei minha vida como ela estava se escrevendo, mas de alguma forma, eu penso que poderia ser pior.
Ah, claro. O que é pior do que você ter seu primeiro beijo com seu professor maníaco de biologia, e em seguida, ele desferir em você um golpe com um soco inglês? Mas, no meu caso as coisas eram muitas. E só de pensar no que poderia substituir o episódio, meu pelos eriçaram de temor como os de um gato com medo de entrar em contato à água. As perguntas surgiam em minha cabeça, e eu quis ter pelo menos uma vez o dom...
O dom de controlá-las, já que caso o contrário eu já poderia ver minha cabeça eclodindo em milhões de neurônios espalhados pelo deposito da escola. Onde estaria Brian agora? Planejando matar-me? E se em algum canto aqui mesmo, ele estivesse a me observar? Como eu não podia as controlar, elas vinham em enxurrada, me puxando para o que parecia o fundo do poço. Uma de minha mão, agarrada ao meu cabelo, tremulava tanto que pensei por um instante que todo o meu corpo entrasse em uma convulsão.
O deposito da escola, onde eu me encontrava, era amplo e repleto de caixas empacotadas por todo o espaço. A minha visão estava limitada. A única luz que invadia o ambiente era uma janela erguida acima de minha cabeça. Era velha, enferrujada, e fedia a ferro velho. Se ao menos eu não estivesse algemada perto de um cano descoberto — igualmente nas condições da janela —, em algum canto do deposito, eu poderia tentar fugir.
Antes que Brian voltasse.
Chocalhei novamente meu pulso que era engolido pela algema. Eu não tinha ideia de como estaria meu pulso, mas, eu podia sentir o arder pelo esforço que eu impunha para livrar-me delas. Analisei novamente o local. Era primeira vez em que eu estava aqui, na piores das oportunidades. As caixas de papelão em montes apenas serviam para bloquear uma visão ampla do local, mas, não era de grande utilidade. A luz fraquejava a cada segundo, e com isso, a minha esperança de poder sair do lugar se esvaziava. Desejei mais do que nunca ver Tony, sentir seu abraço, e por fim ouvir suas palavras de que tudo estava bem. Nunca me senti tão dependente de uma pessoa, e gostei. Gostei porque era Tony, porque ele fazia com que o meu mundo fosse outro, mesmo sendo o mesmo em cada segundo.
Eu precisava ver seu sorriso sacana. Mas, tudo que consegui foi ver outro feixe de luz se propagar pelo local. Não era como o pedaço de luz da janela, era a porta abrindo-se de forma abrupta, e revelando uma forma mais cruel e assustadora de Brian. Foi instintivo, meu corpo contraiu-se quando uma lufada de medo deu um tapa em meu rosto. Arrastei-me para trás, até minhas costas bateram contra o cano de ferro duro e sujo o qual me mantinha presa.
Minha respiração outrora já desregulada me fez parecer uma grande pateta com dificuldades de respirar em meio a um frio devastador. À medida em Brian chegava mais perto de mim, meu coração tremia. E a pergunta incansável se repetia em todos os passos seu.
O que ele queria comigo?
Seu sorriso sádico crescia a cada segundo, sem nenhuma ímpeto para que ele o tirasse da face. Seus olhos mantiveram-se a cada segundo sobre mim, como se em nenhum momento tivesse me deixado inconsciente, e cometendo o crime de me manter em cárcere privado.
Logo, ele estava parado em minha frente.
— Pequena Sky.
Minhas pernas estendidas ao longo do chão, logo foram recolhidas. Era evidente, eu estava com medo. Medo até de mim, por antes ter cedido a um desejo insano e inusitado. Aquela não era eu. Aquela nem de longe era Skylynn Johson.
— Não me chame de pequena, insano — sibilei, em um fio de voz incompreensível até a mim.
Ele se agachou. Pensei que iria me tocar, quando sua mão esticou-se em minha direção. Quando ele pousou-a no chão, senti meu coração bater mais fraco com o alivio preenchendo-o.
— Por que não? — seu olhar tentou me analisar. Era como se algo me puxasse para olhá-lo. Brian era lindo, e os seus olhos tão insanos me faziam querer pular da ponte. Feliz. Como eu poderia pensar em algo assim?! — Pequena era justamente como Lucille a chamava, não?
Congelei. Minha mãe. Meus olhos enfim acharam as lágrimas fujonas, mas agora, na frente dele seria algo fraco para fazer. Mas, era isso que eu era não é? Uma fraca. Que não perdia a oportunidade de fazer merda quando fosse possível.
— Como a conhece? — ergui minha voz, engolindo em seco.
— Como você a conhece?
Desviei o olhar, certa de que ele era bom em não revelar seu jogo. Então, eu também não iria abri-lo.
— A ex-mulher morta de Brian Johson, o milionário magnata; dono da maior empresa de arquitetura do país — disse eu.
Falar daquela forma de mamãe — como se eu nem a conhecesse, me fez sentir-me imunda. Não era desse jeito em que eu pensei que as coisas seguiriam; mas eu não podia dar a ele informações que, no segundo seguinte poderiam colocar a minha vida e a de todos que amo em risco.
Seja lá o que Brian Jackson quisesse, não conseguiria arrancar de mim tão cedo.
No entanto, foi bem mais rápido do que imaginara: ele percebeu, de forma convicta, quando os seus olhos adotaram um misto de incredulidade e cinismo. Fazia-me lembrar alguém que nem em mil anos merecia ser lembrado.
— A ex-mulher morta de Brian, engraçado — uma risada sibilada saiu por entre os seus lábios, e chegou a mim como um vento quente e que cheirava a menta. Mas, havia algo metálico. — Você foi bem seca em falar de sua mamãe. Não acha? — suas sobrancelhas arquearam-se de modo gracioso.
Um rubor crescente em minha bochecha me fez saber que eu estava plenamente irritada, ou até mesmo sem saída. Entretanto, não era tal coisa que iria fazer-me ter a tolice de entregar a ele.
— Como sabe? — tentei soar autoritária, e nem um pouco desdenhosa. — Anda indo em busca de informações sobre alunas? Ou é somente comigo, certo?
Novamente, uma risada. Era engraçado com o seu gargalhar me atraia, mas ao mesmo tempo dizia-me o que era visível: Brian era um cara perigoso, e talvez até bem mais do que eu tinha em mente.
Sua mão que se apoiava ao chão pousou em minha cocha esquerda. Usei a minha mão livre da algema, para dar a ela um tapa. Contudo, Brian me parou, e com sua mão desocupada prendeu-me o outro pulso. O tocar na cocha transformou-se em um aperto invasivo, forte e um vislumbre de desejo passou sobre seus olhos.
— Você pode até achar que me engana. Mas, não, pequena. Sei que por dentro está com medo — o aperto na cocha, fez uma trilha de fogo em direção ao interior de minhas pernas. Engoli em seco. — Por dentro sua mente está trabalhando a mil por horas para saber o que quero com você. Bem... Respondendo a sua pergunta: acha mesmo que eu perderia meu tempo em busca da vida pessoal de alunas bobinhas? Não, não. Não preciso ir à busca de respostas sobre você quando eu já sei todas elas.
Tentei desapertar sua mão em meu pulso, mas o aperto estava parecido com algo de ferro; enferrujado.
— Me solte.
— Não. Agora não. Primeiro preciso saber o que achou sobre o beijo, pequena?
Beijo. Não era a palavra que eu queria ouvir em uma hora como essa; na verdade, depois de ter meu primeiro errôneo beijo, tal pequena palavra passaria a ser exclusa em meu vocabulário. Para sempre.
— Não sei muito sobre beijo — declarei ainda em um chacoalhar, enquanto seus dedos deveriam estar formando marcas em meus pulsos. — Mas, olhe. Não achei que seria assim... Tão babado.
Seus dedos estavam quase me tocando em meu ponto principal, e aos poucos, comecei a me apavorar.
— Está mentindo — concluiu Brian. — Você amou tanto que não espera para que eu tire suas roupas, e faça-a mulher.
Engoli em seco. Aos poucos as lacunas iam caindo, e se eu não pensasse algo que pudesse me salvar a tempo, o teto sobre mim iria desabar.
— Não sei como iremos fazer isso — falei, sofregamente. Olhei seus dedos tão próximos de minha intimidade, e tentei cruzar o máximo minhas pernas. Mesmo com apenas um dedo, ele ainda era forte. — Estou algemada, lembra?
Um sorriso torto lampejou por sobre os lábios finos e rosados de Brian. Um esboçar felino, que me fazia tremer em temor.
— Algemas não são nenhum empecilho.
Rolei meus olhos sobre seu corpo em busca de onde a chave da algema poderia estar. Seus ombros fortes estavam rijos, enquanto a camiseta verde dobrava-se nas curvas de seus músculos. A calça jeans realçava suas pernas fortes, dando-lhe um mais jovial do que deveria ser. Os cabelos desgrenhados diziam claramente a mensagem: ser certinho não era o ramo de Brian. A esperança esvaziava, até que eu o vi. O seu cordão pendendo no pescoço, e logo abaixo um pingente metálico descoberto por uma pequena parte — que a camisa não fora o suficiente para cobrir.
A chave.
— Mas dois pulsos presos sim — falei, olhando-o com um misto de desafio.
Seu olhar desceu para o pulso cuja pele estava ardente em chamas. Soltou-o rapidamente, e por sorte, sua mão leviana saiu do interior de minha cocha. Meus ombros caíram, assim que o alivio me corroeu. Tentei não sentir pleno nojo de mim por estar fazendo-o de novo. Contudo, fora a tentativa de tentar seduzi-lo — e ao mesmo tempo roubá-lo a chave — eram remotas as chances de sair daqui. A fora da sala, pela janela, eu já podia ver o pôr-do-sol pronto para agir. O que me levou à conclusão de que quanto tempo mais eu tentasse adiar o que eu faria, mais eu ficaria com falta de chances.
Sem previsão, suas mãos deixaram parte de meu pescoço exposta, retirando meus fios de cabelo, jogando-os para trás. A impulsão de querer pará-lo me invadiu tão rápido quanto os lábios frios de Brian tocaram minha pele. Uma sensação nauseante surgiu em meu estomago, junto com lágrimas que queimavam meus olhos, e me fazia querer fraquejar. Mas, eu não podia. Tremulando, agarrei seus fios espessos, porém macios, puxei-os com força e em meu pescoço senti Brian gemer. As lagrimas queimantes queriam a todo custo saírem, mas eu as engoli, em um esboço de gemido; que era plenamente, um conter de choro disfarçado.
Os beijos de Brian ficaram de uma hora para outra nauseante.
— Está gostando, não está?
Consegui assentir com minha cabeça rapidamente. Estiquei meu braço livre o máximo que pude, tocando seu pescoço. Brian levantou brevemente seus olhos em sintonia aos meus, aprovando claramente minha ação com um suspiro animalesco. Depois, atacou-me novamente com beijos secos e rudes por toda a extensão livre de meu pescoço.
Senti seu cordão preto roçar contra minha pele. Subi seu rosto rente ao meu, e com esforço consegui tocar seus lábios. Eram macios, mas a escuridão que me consumia quanto eu tocava-os me fez perceber a loucura em que eu estava. Era ruim. Era o mal. Seu corpo, agora, cobria por inteiro o meu de modo em que eu quase encostava minhas costas ao chão frio e empoeirado do deposito. Um pouco acima meu pulso pendia ao alto, preso pela algema. Brian tocou a lateral de meu quadril, possessivo, e logo após sua língua quis a minha. Quis não deixar, mas foi o que fiz. Enrosquei o cordão em meu indicador, enquanto hora ou outra eu girava-o de forma distraída.
Brian mal percebia. Continuava me beijando de uma forma incansável, cada parte de seus músculos empresando-me ainda mais contra o chão. Em um movimento calculado, no mesmo segundo puxei seu cordão com tamanha força, que segundos depois, ele desfez-se em uma linha reta. Habilidosamente aparei a chave com minha mão, e meu pé, manobrando deferiu um chute forte no meio de suas pernas. Não soube como eu tive coragem de fazer tal coisa, apenas vi Brian jogando-se para trás, cobrindo seus países baixos com suas duas mãos, de tanta dor que lhe afligia.
Não tive tempo para olhar mais a reação dele, apenas, rumei chave à fechadura da algema, que se soltou de meu pulso rapidamente com um clic baixo. Pus-me de pé rapidamente, sem nem ter tempo para acariciar o pulso que outrora estava preso, e agora estava com um anel de carne viva. Desviei de várias pilhas de caixas, e de livros postos no chão, fazendo um imenso esforço para não tropeçar. Ouvi o som de algo caindo, e quando olhei de soslaio Brian estava de pé a alguns metros de mim, com um sorriso maníaco e fantasmagórico. Alcancei a porta, e entrei no corredor, exasperada.
Olhei para todos os lados. Ao final do corredor, erguia-se uma imensa janela de vidro, refletindo no lado externo raios alaranjados do pôr-do-sol. Estávamos no quarto andar do colégio, então eu teria que correr pelo elevador agora mesmo. Sendo sincera, eu queria chorar. Chorar por tão idiota ao ponto de entregar-me a Brian, a dar meu primeiro beijo sem nem conhecê-lo. E o pior, eu tive chances de ter um beijo mágico. Com Tony.
Mas, fui fraca o suficiente para deixar ele me impedir de que eu o beijasse. Porque, mesmo não querendo aceitar, eu sabia que ele queria tanto quanto eu. Era isso que na maioria das vezes eu era fraca. Talvez fosse por isso: eu era o alvo de tudo, por ser fácil demais. Por aceitar demais. Por nem ao menos ter alguma opinião própria.
Quando alcancei o elevador, Brian estava no meio do corredor, andava com passos pequenos, mas em uma velocidade incrível. Premei o botão do elevador, desesperada. Brian aproximava-se cada vez mais, e o elevador nem parecia que estava sendo chamado. Engoli a bile que crescia em minha garganta, e prensei minhas costas contra o espelho, que formou uma leve rachadura que engoliu parte do vidro.
Os passos de Brian eram habilidosos de tal forma que cinco segundos depois, ele estava em minha frente, sorrindo sádico, e com olhos percorrendo o meu corpo com uma luxuria cegante e intimidadora.
— Deixar-me assim é bem cruel, não? — questionou, gesticulando com a mão, enquanto apontava no meio da suas pernas.
Fiquei rubra. Minha bochecha queimava em medo, ódio e vergonha. De mim mesma. Não compreendi o fato de que Brian não avançava em minha direção, e sim tentava mentalmente me machucar. De qualquer forma, eu ainda não me sentia parcialmente segura, nem mesmo vendo-o parado com postura tão graciosa e sexy.
— Um chute não o fez aprender? — arqueei minha sobrancelha esquerda, embora eu achasse que isso não camuflaria minha aflição.
— Como se seus chutes fossem ao menos ofensivos. Achei atém excitante se quer saber.
Rosnei de forma que eu nunca pensei que faria em minha vida. Quem Brian achava que era? Alguém que me fizesse o que fez, e depois debochasse de mim em uma cara limpa?
Tive vontade de responder, mas as portas de aço do elevador estavam fechando-se, e com isso toda a visão de Brian. Não me contive e assim que apenas parte de seus olhos e corpo eram visíveis, dei a ele meu dedo do meio. E com isso, as portas, enfim fecharam-se.
E o meu corpo não precisou de ímpeto para relaxar. Meu coração via apenas a hora em que pudesse sair do pesadelo, e entrar em um preto manchado. Mas, ao menos o preto não me fazia mal.
Eu gostava de preto — ele próprio era manchado, mas cora algum poderia manchá-lo.
...
Uma das poucas verdades da vida é que nunca estamos preparados para enfrentar o que nos espera. Nunca parei para pensar sobre tal fato, mas agora, na dormente dor que invadia-me, era impossível não tentar digerir tal pensamento.
Outra verdade: eu estava só.
As possibilidades de sair do colégio eram mínimas e aos poucos eram sucumbidas em um enegrecer de abismos salpicados. Tudo que me restava era que Brian de forma alguma encontrasse-me. Mas, eu não podia contar com tal coisa — mesmo que fosse tão almejada nesse momento.
Uma coisa ainda mais almejada por mim, de fato nesse momento era encontrá-lo. Meu coração parecia estar côncavo, por não ter Tony por perto. Tive a impressão de que quando dei meu primeiro beijo com Brian, de alguma maneira culposa, traí Tony. Bem, algo sinistro. Desde quando tínhamos algo à mais do que uma divergente amizade? Por que esse sentimento era tão usurpador? Meus pés pareciam estar fincados no piso do elevador. Os andares arrastavam-se em uma corrida sedentária, e eu temi que quando as portas se abrissem, o pior fosse se realizar.
Brian poderia estar esperando-me com um sorriso nada trivial e cheio de uma hostilidade cruel.
Por fim, as portas do elevador se abriram, e então abrangeram todo o primeiro andar do colégio. Sai, e o ouvi fechar-se atrás de minhas costas. Olhei com uma pressa por todo o local. De primeira, inspecionei os armários vermelhos e nada parecia estar fora do normal de New York High School. A escola estava incrivelmente vazia, e aquilo fez com que algo alarmante martelasse de forma obcecada em minha cabeça. Por mais que o horário do término das aulas fosse quatro e vinte, havia sempre um bando de alunos que estudava a mais. Cravei meus olhar ao lado oposto da enorme porta de saída, e lá erguia-se uma escada espiral que era engolida por uma parede. Eu tinha em mente que Brian sairia de lá a qualquer segundo.
Com tais pensamentos, comecei a uma iniciar uma enxurrada de passos, indo para a saída, as duas portas de madeira velha mas sofisticada — que agora pareciam mais o símbolo de uma pré-liberdade. Ao longo da minha corrida, pensei em como eu era uma burra. Era bem provável de que eu precisava de muita sorte e lábia para sair do alcance de Brian. Do alcanço de todo o mal que me prensava, e necessitava me aniquilar. O modo impensável como eu agi perante Brian me fazia ter medo de mim própria, afinal, eu mal sabia quem fora eu por aquelas atitudes. Tentei não deixar a pergunta que me angustiava bater contra mim.
Foi impossível.
O que Tony pensaria de mim?
Cremei todos esses pensamentos fora de hora. Por mais que isso me conflitasse; eu já estava confusa, sozinha, eu só precisa alcançar a porta o mais rápido possível. Sair de perto de Brian, de sua beleza, de sua loucura que parecia mais carnificina. Ah, como eu queria não ser fraca.
Não fui corajosa para que um estopim acontecesse e eu virasse para trás. Então, ver se ele estava em meu enlace. Portanto, apenas corri de uma forma que nunca ousei experimentar em toda minha existência. A blusa grudava em minhas costas, e ambas estavam ensopadas por um suor. É, suava frio. Cabelos novos grudavam em meu pescoço, e algumas gostas caiam em meu peito, que pulava descompassadamente para fora de meus ossos.
Um êxtase de informações saiu do sucumbir, e fizeram minhas pernas quase cederem em meio a corrida. A porta parecia algo tão inalcançável no momento...
O olhar. O jeito insano, cruel e hostil. O riso sem som obsessivo. O jeito que me fazia pensar que só quereriam mais e mais poder. Como queriam-me sempre sob suas asas cinzentas e malignas...
Loki e Brian pareciam ser a mesma pessoa. E de um jeito isso me deixava melancólica. Não sei a quem eu direcionava o sentimento, mas de qualquer forma, não queria senti-lo. Eu estava em pedaços, e acreditei por um segundo que eu os perderia em meio aos ventos venenosos que encobriam-me.
— Céu! — era Brian. Sua voz vinha da escada. Se possível, apressei mais minhas passadas. O moreno agia como um felino fugindo da água, seria então um risco para que me alcançasse. — É assim que a chamavam quando era apenas uma linda criança?
Não consegui não responder.
— Si-sim. Um pouco brega, não acha?
Minha voz sofreu trêmulos hilários, tive uma pequena vontade de rir de mim mesma. É... Onde eu estava mesmo? Nem em mil anos eu teria a coragem que tive para o dizer aquilo.
Seus passos tornaram-se audíveis pelos ecos que amedrontavam-me de forma eficaz. Presumi que ele já estivesse no corredor, andando com toda sua graciosidade que por um segundo me chamou à atenção de olhá-lo. Quase tive a capacidade de tropeçar, tamanha era a pressa que eu traçava. A estrutura imponente do local parecia a qualquer momento querer ceder. O piso nivelado e de piso queimado era pisoteado por nós dois. A luz fraca e com nuances do pôr-do-sol atravessava de forma fragilizada e impotente pela porta. Eu estava prestes a atravessá-la, quando meu cabelo foi puxado para trás de uma forma tão tremenda que minhas costas fizeram um arco dolorido.
As lágrimas não me obedeceram e eu não tinha o poder de vedá-las. Pareciam como brasas que queimavam meu rosto de forma dolorida. Brian endireitou-me em sua frente. A mão no cabelo era um apertar que arrancava alguns fios escuros de meu couro cabeludo.
Mirei em suas órbitas azuis, e vi sangue dentro de cada vislumbre do que poderiam ser esmeraldas. Minha respiração já era tão descompassada que uma falta de ar pequena atingia-me.
— O que quer comigo? — gritei, com a minha garganta enferrujada.
Tentei me desvencilhar dele. Mas, sua outra mão apertou forte o meu pulso machucado pelas algemas. Brian apenas me intensificou os apertos.
— O que não quero com você? — arqueou a sobrancelha esquerda. — Não se martirize tanto minha pequena. Quais são as chances de você sair daqui hoje?
As gotas das lágrimas caiam de meu queixo e misturavam-se em meu suor. Com a mão livre, limpei-as de forma ágil.
— Me deixe sair daqui! Eu... eu mal o conheço.
Um esboço de sorriso maníaco fez um rascunho nos lábios finos dele. Depois, ele abriu sua boca sensual e levemente.
— Você nem pareceu pensar isso quando me beijou. Quando, comigo, perdeu seu primeiro beijo — sibilou, aproximou sua boca da minha e um nojo cresceu sob minhas estranhas.
— Não fale sobre isso.
Foi baixo. Foi humilhante. Algo que deveria assimilar-se com uma ordem firme, acabou por fim em um implorar fraquejado.
— Falo — disse ele. — Também posso falar no que decorreu naquele deposito, pequena Sky. Foi algo quente, excitante, cheio de fogo. Pena que você é tão inocente que mal pude continuar com o serviço. Sonhei tanto com esse tempo. Para começar, em um primeiro passo, eu tiraria todas as suas roupas. Tocá-la-ia em lugares que ninguém tocou. Sabe por quê? Eu fui seu primeiro homem, e com certeza, serei o último. Seu primeiro beijo é meu.
Esmurrei seu peito, ensandecida, àquelas palavras mandei uma grande foda-se. Eu só não poderia dar tanto importância a elas. Eu não poderia assimilá-las com Loki. Brian puxou meu cabelo, e eu gritei pela dor lancinante.
— Eu nunca...— minha voz estava embargada. — nunca vou repetir aquilo, doido! Eu... Não sei quem é você, e seja lá quem for, não vou deixar que faça nada comigo.
Quis colocar convicção às palavras. Mas, a fraqueja me impedia de milhares de coisas. Brian percebeu tal fato, e com meu cabelo, trouxe minha boca para a sua de forma agressiva. Meus lábios colidiram-se com os seus, e mordi seus lábios inferiores com força.
— Não ouviu o que a disse? Solte-a.
A voz vinha da porta. Imediatamente Brian soltou-me, olhando para quem estava no vão da porta. Virei-me de supetão e encarei o homem que transmitia uma superioridade que desafiava até a de Brian. Os cabelos loiros postos em um topete social, porém descolado; olhos azuis marcantes e intimidadores.
— Soltá-la? — disse Brian e logo após cerrou os olhos. Insolente.
O homem o olhou com mais interesse e por sobre seus olhos o espanto por alguns segundos dominou-o.
— Brian?
Deixei meus queixo cair. Quem era aquele homem? E como conhecia Brian?
— Sim...— respondeu. Seus olhos tinham um interesse mínimo no rapaz e logo focaram-se em mim. Uma rajada de medo soprou em meu coração. — Agora, se me der licença, pretendo continuar as coisas aqui... Estava bem quente.
Percorreu-me uma vontade imensa de gritar com Brian. O modo o qual ele me tratava, como se eu fosse feita para ser sua boneca de pano que estava sempre ali para ser manipulada. Aquilo tudo me fazia mal. Contudo, estava bastante paralisada analisando o loiro que encontrava-se no vão a porta com um olhar destemido. Parecia pouco se importar com a loucura de Brian.
— Não quero saber se as coisas estão suficiente quentes — decretou o homem. — Apenas suma daqui, e deixa-a ir embora. — meneou a cabeça em minha direção.
Um sorriso de sarcasmo puro escorreu pelos lábios de Brian.
— Sumir? Essa não é sua especialidade, Schaedler. Há quanto tempo não nos vemos... Algumas décadas.
Schaedler riu com vontade, um sorriso cheio de incredulidade por cada palavra proferida por Brian.
— Tempo suficiente para você se tornar outra pessoa, Jackson — respondeu-o, aproximando-se de mim em passos relaxados porém precisos. — Querendo ou não, essa menina sai daqui comigo.
— Como? — engasguei.
Schaedler poderia muito bem estar afrontando Brian, mas isso não diminuía o fato de que eu nem sabia que era ele. Não sabia em quem confiar, apenas tinha certeza que nesta escola eu não estaria segura e livre de uma insanidade animalesca.
Fui ignorada. Franzi o meu nariz com a dor repentina que atingiu meu pulso machucado — um dos.
— Você ainda duvida muito de mim, não? — questionou Brian, com um afronto desaforado. Bateu palmas teatralmente. — As coisas mudaram muito depois de você sumir no mapa.
— Disso tenho certeza, Brian — contra-atacou o desconhecido. — De uma cargo guloso você desceu seu nível à ser um professor que rapta alunas na escola?
As informações rodavam em minha cabeça. Minha língua seca estava sedenta por água, e a fraqueza estava pronta para me deixar ir ao chão. No entanto, mantive-me firme.
— Do que estão falando? — quis saber, embora soubesse as mínimas chances de ser respondida.
Schaedler virou-se para mim, agarrando-me à mão.
— Não importa. Apenas venha comigo.
E foi assim. Segui-o para fora do colégio, mas não senti a suavização que tanto quis. O olhar perverso de Brian caia com uma rajada sobre mim, misturando-se com um sorriso igualmente demoníaco. Ele continuou parado. Como se sair de suas garras, fosse pior do que estar sob elas.
Eu estava saindo das garras por um estranho.
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