Bad Minds [HIATUS]
20 Saindo das garras por um estranho — Parte 2
Notas iniciais
Condução em me dar mal — Parte 2.
Are we out of the woods?
Are we in the clear yet?
As vigas da gloriosa ponte borram-se enquanto o carro andava pela rua pavimentada de forma rápida. Parecíamos estar nos movendo como raios pendendo no céu, e logo uma visão amplificada de Hamptons inundou minha visão. O lado balneário gloriosamente magnífico e caro de New York. Lembrei-me de que fora sempre um sonho em que mamãe e eu partilhávamos: criar um projeto de uma casa praiana, e realizá-lo em Hamptons. Sonho este, que aliás, estava sucumbido em uma parte enegrecia e imemorável da confusão, cujo nome era minha mente. Nada do que eu quisesse que me viesse à memória, mas não era como se eu pudesse conter isso.
Sendo sincera, conter coisas em algum tempo decorrido já fora meu forte; hoje em dia, a única coisa que consigo conter é ser racional. Até que por um lado, eu poderia me dar um desconto ligeiro. Digo, a minha vida sempre fora baseada em ser repudiada pela totalidade, e, pensar em como seria se Lucille ainda fosse viva. Papai, depois da morte de minha mãe, passou a dar toda sua parcela de atenção ao seu trabalho na multimilionária Johson's, mal notando que ainda havia uma filha estilhaçada e sem alguém para dizer a ela que tudo poderia estar bem. Eu deveria me acostumar com sua falta de onipresença, mas a esperança sempre trazia de volta fagulhas destrutivas, as quais permeavam meu — fraco e idiota — coração rapidamente.
A hipótese de ainda estar de alguma forma sob as garras de Brian rerbeverava em minha cabeça, oscilando ideias horrendas que apenas serviam para deixar-me mais assustada e em alerta. E, aqui, neste lado da cidade, eu não estava menos desconflitada como imaginara que pudesse estar. Meus olhos fechavam-se categoricamente, o sono irredutível me fazia de refém, mas todas as vezes que tentei afundar nele, os olhos esmeraldinos de Loki afligiam meus pensamentos, salpicando-os. Mal entrava ainda em minha mente que ele, o amante de Lucille, que sempre fora onipresente psicologicamente, estava adentrando presencialmente meu cotiadiano. Arrepiei-me ao relatar tais pensamentos a mim mesma, mas estava se tornando mecânico pensar no pior.
Hamptons de alguma forma fazia Tony vir à tona. Tudo no lugar luxuoso e de aparência paradisíaca fazia voltar o foco a Stark, de todos os modos, e isso, fazia um sorriso erguer-se nos cantos de meus lábios. Até uma semana atrás tudo que vinha a mim a respeito de Tony eram os seguintes adjetivos: narcisista, egocêntrico, imprudente, idiota, galinha de alto escalão, e mais inúmeras palavras que não irei inumerar. Apesar de ainda listá-lo assim, muitas coisas foram adicionadas à minha lista mental de como um bilionário poderia irritar e tornar sua vida mais legal. Deixemos claro que, obviamente, Stark havia pego o primeiro lugar com frases sarcásticas e auto-engrandecedoras. E meus lábios içavam-se ainda mais.
De fato, eu precisava de um bom tempo para refletir na falta de coerência me permeando.
Meus olhos sondaram a overdose de gramas verdejantes que circundavam as mansões aparatosas, as quais enfeitavam as ruas. O céu azul cobalto estava acima de minha cabeça, enquanto pinceladas brilhantes em gotas representavam as estrelas cintilantes e avivadas na noite de terça. Alguns carros, que possivelmente eram mais caros do que a casa de muitas pessoas, trafegavam lentamente pelo asfalto renovado e desprovido de buracos sinuosos. Mesmo pela escuridão que era uma manta, eu podia ver o mar surgindo à minha frente e o quebrar das ondas chegavam aos meus ouvidos.
Um lugar afrodisíaco, pena que povoado por pessoas fúteis e sem uma mínima noção do que seria a vida na verdade.
— Já esteve aqui antes? — a voz de Schaedler fez a bolha pensativa e nebulosa que me rondava, estourar. Olhei-o de soslaio, um levantar de lábios contorcendo minha face em uma careta engraçada. Era tamanha coisa a ser absorvida, que apenas fiz o que meu coração queria. Schaedler havia me proposto uma suposta carona à minha casa, e tudo que eu fui capaz de sibilar fora: Só me leve para qualquer lugar, menos minha casa. E, em um piscar de olhos infinito eu já estava aqui. Longe o suficente da Torre para que Loki nem sonhasse aonde eu estava. Assim, pensava eu. Entretanto, a distância impunhada fazia Tony estar do outro lado da ilha novaiorquina, e isso, não me fazia melhorar significamente.
— Uma vez com minha mãe — respondi, curta e evasiva. Eu não tinha como um objetivo utilizar um jeito de rude de vociferar, porém, eu me negava a dar qualquer informação comprometedora à um estranho. — Um lugar bonito, admito. Embora eu não goste muito dos quais o habitam.
— Está dizendo que não gosta de mim? — o questionamento do loiro fora em uma tonalidade falsificada de indignação.
— Não estou dizendo isso — defendi-me elevando minha voz levemente fina à algumas oitava imprevistas. Filei um tufo de meus fios negros, parcialmente nervosa. — Está exagerando.
Um riso preencheu o carro e a rua, fazendo um belo contraste com o som divino das ondas do mar. Minhas maças do rosto ruborizaram imediata e fracassadamente, deixando em evidência minha timidez mesclada com uma irritação crescente.
— Tudo bem — ele disse, fazendo um mínimo descaso, e apertando o volante fortemente quando um carro cruzou indevidamente a rua. As aloiradas sobrancelhas de Schaedler se estreitaram, e uma faceta irritadiça permeou-o. — Filho da mãe! — vociferou altamente, exasperado. Depois olhou-me, como se tivesse acabado de dizer palavrões de baixo calão perante à criancinhas. Ugh. — Desculpe-me por isso. Esses motoristas de hoje em dia provavelmente pagaram para ter uma carteira, e consequentemente, são um empecilho no transito. Se eu pudesse, mataria-os um por um. Começaria pelas amidolas...
Ele mesmo interrompeu seu monólogo que estava rumando para um lado violento. Ampliei meu cenho e minhas sobrancelhas, brevemente assustada e alheia ao seu objetivo em ditar tais palavras.
— Novamente, desculpe-me — tornou a dizer as palavras. Anui, movendo apenas alguns centímetros o meu queixo para o leste. — Às vezes me empolgo com as palavras. E, empolgo-me ainda mais quando o que está em questão são motoristas barbeiros.
Mordi meus lábios levemente. Schaedler era um completo estranho, contudo, não havia nada em seu jeito que despertava uma desconfiança alarmante. Isso não queria dizer que eu não estaria sondando quaisquer sinais ou até mesmo sintomas de seus atos e falas.
— Está tudo bem — lhe assegurei, oscilando meu olhar para um ponto aleátorio. As mansões em meu campo de visão eram unicamente pinceladas de um branco hospital que despertava pontadas dolorosas em minha cabeça. A capacidade de ser criativo estava em falta pelos ares milionários. — Já parou para pensar que mal sei seu nome?
— E você, já parou para pensar que talvez meu nome seja Schaedler?
— Não é tão difícil dizer seu nome, vamos diga — persuadi, abaixando minha cabeça, para evitar que ele visse meu rosto em chamas. Esse era um dos meus grandes problemas. Eu mal podia trocar escassas palavras com desconhecidos, e tudo em meu corpo se retesava em uma vergonha sempre presente.
Fez-se silêncio por um tempo indefinido. Acabei por entender que ele não falaria a mim tão cedo seu nome verdadeiro, e por partes, uma frustração queimou-me. Tentei ignorar um pensamento crescente e irredutível, mas foi impossível com as circunstâncias que estavam sendo postas a mesa.
Parabéns, Skylynn Wade Johson, pensei, fechando meus olhos para barrar as palavras transformando-se em frases. Você está indo para sabe-se lá onde com estranho e nem o nome do cara consegue arrancar, parabéns.
Apertei, discretamente, meus olhos com a ponta das mãos, tentando espantar todas as teias venenosas que estavam surgindo do nada.
— Isaac Schaedler — revelou o louro, e o carro estacou em frente a uma mansão divergente de todas as outras. — Está tudo bem, Skylynn?
Tentei assentir, por mais que eu não conseguisse mover um músculo para fora do carro, tentei. Encurvei meus ombros para frente, jogando minha cabeça no meio de minhas pernas. A parte frontal de meu crânio tocou o esfofado de couro branco do carro de Isaac, e minha visão era tomada por uma névoa densa e esverdeada. A névoa era algo semelhante com uma fumaça de maços de cirragos, mas era em um tom esmeraldino que claramente eram a marca registrada de Loki. Um monstro parecia estar atacando meu estomâgo de jeito lentio e demorado, transbordando em meus órgãos vitais um dor colossal devastadora. O que estava acontecendo comigo? A pergunta ecoou em minha mente, e com ela tentei derrubar aquele muro esverdeado que me desconectava de tudo.
Contudo, foi em vão. A névoa fluía de algo glorioso, como uma estátua iponente de ouro puro que estava mais atrás de toda aquela fumaça verdejante que ondulava, dançava e zarpava em um preto profundo e devorador. Meus olhos doiam, estavam sendo pressionados pelos meus joelhos, tudo isso para o fim na alucinação repentina. Eu não captava nenhum som que indicasse que eu ainda estava sentada no banco do carro de Isaac, e falsamente bem. O ruído de uma cachoeira invisível, e talvez inexistente sussurrava em meus ouvidos em um chiado altíssimo.
Levei minhas duas mãos aos meus ouvidos, embalando-os como uma louca fazia em meio à um distúrbio mental em movimento. Talvez eu fosse isso. Apenas uma garota que, além de não ser aceita pela burocrática sociedade, era rondada de fantasmas, loucos, ou até mesmo irmãos malucos de super-hérois. Era ele, tive a plena certeza. Era praxe dele fazer coisas desse nível. Deixar-me indefesa, frágil, estilhaçada, e sempre a merce de sua capacidade de fazer tudo bom sucumbir para terra marrom. Eu o repudiava com todo meu ser. Loki era um maniáco sem causa que brotara em todos os lugares e recintos possíveis, com a sua presença intimidadora e superior a todos. O ar mal já era o mesmo, estava rarefeito e se fundia com a nubulosa fumaça.
O preto em minha mente foi pintado por luzes psicodélicas, oscilando fortemente a cada segundo. A cachoeira transmitia um som que ecoava com mais potência. A fumaça verdejante mutante estava dançando de uma forma estranha, formando dois globos oculares que logo ligarem-se à um tomada mental. Os olhos de Loki me olharam com uma hostilidade comum, apertei meus olhos e orelhas, completamente ensandecida e mal aguentando sua presença. Era sempre assim.
As esmeraldas de Loki foram a única coisa que pude sondar.
...
Acordei resfôlegando. Minha cabeça e todo o resto do meu corpo pareciam estar submersos na água, e juro que a sensação de que minha garganta estava sendo permeada por algum líquido me aflingia. Eu sentia-me um peixe fora d'água, mas ao mesmo tempo a percepção de estar afogando-me no fundo de um poço estava onipresente. Era como se transmutar para um criatura com seu corpo sendo cem porcento líquido, e este, escorria por todos os lados jorrando verde. Meus olhos ainda estavam lacrados, mas pela minha posição, eu estava sentada.
Onde diabos eu estava?, questionei-me, temerosa em abrir meus olhos e encarar à realidade.
É, eu estava com medo. Medo de que isso fosse apenas mais uma armação desprovida de noção por parte de Loki. Ou até mesmo Brian. Mas, logo descartei a segunda hipótese quando ouço um estalar de dedos em frente de minha face.
Arreganhei meus olhos subitamente, minha visão turvou por um tempo icontável, e logo, como uma lente profissional, consegui sondar com a alta resolução humana que eu ainda portava. Outro estalar provindo de um mesmo dedo. Rodei meus olhos por todo o local, e eu ainda estava estacada no banco do carro de Isaac, e em frente à uma casa milionária, atrás de mim ondas curvilíneas se deliniavam, produzindo o som divino do mar. Meu coração quase furou meu peito quando o alívio me percorreu.
Era Isaac, com uma expressão preocupada relampejando pelo seu rosto rude e trabalhado por uma barba loura. Ele estava criando raízes ao lado de fora de minha porta, suas mãos espalmavam o vidro nervosamente — o que era plenamente estranho, afinal, ele mal me conhecia —, enquanto seu porte se encurvava para sondar-me com os olhos azuis como o meu.
Uma recepção luxuosa, visto que eu poderia ter despertado de um sono e encarado alguém com distúrbios.
— Você apagou por exatos dois minutos.
A informação resultou em bolhas estourando em meu estômago, trazendo uma onda nauseanta, a qual travou minha garganta com garras enferrujadas. Uni minhas sobrancelhas negras, jogada ao chão — mental e fisicamente — com o que ele dissera.
— Você disse dois minutos? — sussurei a fala, na qual pus toda a minha vulnerabilidade. Eu tinha de trabalhar isso. Tudo que eu fazia era com um véu translúcido que não mascarava nada que acontecia dentro de mim. — Apaguei por apenas dois minutos.
Isaac esticou sua mão para abrir a porta, e quando a abriu não tive forças o suficiente para saltar fora. Meus pés estavam enraizados no piso do carro, e minhas pernas pareciam gelatinas derretidas que mal ondulavam. A sensação de ser uma personificação da liquidez ainda estava mais do que presente.
— Sim, somente dois minutos. Você estava tremendo, com a cabeça abaixada, sussurrando coisas desconexas. Até que parou, e ficou assim por cento e vinte segundos — explicou, fazendo um sinal com braços para que eu desse, educadamente, um fora de seu carro vermelho conversível.
Parecia que meu sonho fora algo semelhante ao sono de Aurora, a Bela Adormecida. Eu podia sentir as teias criadas em minha mente, por talvez, eu ter pensado que eu dormira por no mínimo dois dias. Mas, fora algo completamente divergente. Só dois minutos. Loki estava tornando-se cada vez mais efetivo sobre mim, e eu não sabia como dar um stop na situação. Incapaz, talvez fosse esse meu rótulo.
— Pensei que eu tinha dormido dias — confessei, com a expressão confusa rodeando cada traço de meu rosto contorcido em uma careta horrenda.
Isaac também adotou a confusão, franzindo os lábios, os mordendo levemente. Seu convite ainda estava proposto, mas eu ainda estava nas mesmas ridículas condições. E eu odiava complementamente isso. Não poder nem pisar por cima da pedra, e sim me machucar nela.
— Não é algo totalmente estranho — analisou, desfazendo suas gesticulações, e acariciando o queixo com o dedo indicador e o polegar. — Você, com certeza, deve estar cansada e abalada com tudo o que aconteceu.
— Abalada por ter sido feita refém por um cara, que supostamente, é desprovido de uma sanidade comum, e que é meu novo professor? Ugh. Nem tanto. Eu estava mesmo me preocupando com meu último épsodio de minha série que ainda não assisti.
Isaac produziu uma risada anasalada, suficientemente sem humor.
— Muito engraçada, você. Deveria saber o quanto é sortuda por ter sido salva por mim. Brian não pegaria leve com você só porque a inocência corre ainda em suas veias.
Minhas bochechas puxaram todo o sangue de meu rosto, de modo que eu ficasse chamativamente corada. Bufei rigorosamente, ultrapassando o loiro com um raio, e depois, rodeando seu carro caríssimo. Meus pés pisotearam o asfalto e logo os blocos que se interligavam da calçada em frente à uma mansão estilo grego. O fato de todos insistirem em me titular inocente me deixava aos nervos, eu sabia que nunca fui nada disso. Sexo, bebidas e festas não faziam de alguém menos inocente.
Minhas pernas cederam abruptamente, o único pensamento que tive foi como eu bateria com minha cara na calçada. Contudo, dois fortes braços me seguram, empedindo algo pior. Os bicepes de Isaac eram mecânicos, içavam-me para ficar ereta enquanto tudo que eu fazia era tentar conter a minha situação que não condizia com nada do que eu queria passar. Soltei-me dele, agora já conseguindo fincar meus pés na calçada de blocos que estávamos pisando. Isaac afastou-se, nem um pouco desconfortável — uma percepção totalmente ao invés da minha, afinal.
— Não preciso de sua ajuda — falei, deixando claro que eu poderia ser bem independente. — Sei muito bem andar sozinha.
Isaac revirou as esferas semelhantes ao céu, ultrapassando-me e tocando os pés na passarela de pedras de mármores preto polido. Seu andar era gracioso, e repleto de um toque granfino assim como sua casa.
— Ah, claro — pude ouvir-o ironizar, mesmo ainda longe dele. Apressei meus passos na medida do possível, conquistando um nível já sutilmente estabilizado. Todas minhas juntas ainda doíam. — Você também parecia não querer minha ajuda, enquanto em contrapartida, Brian arrancava seus fios.
Soltei uma lufada de ar, cheia de indignação. Meus dedos fazim movimentos circulares em minha jeans de lavagem escura, tentando amenizar todos os sentimentos que me conflitavam de maneira arrebatadora.
— Parece que me salvar foi um grandre ato, certo?
Não fora uma provocação, muito menos algo semelhante. Apenas abri minha boca para ditar tais palavras porque me parecia ser verdade.
— Você não está errada — afirmou, e girou seu rosto para olhar-me por cima dos ombros. — Digamos que você não sabe metade das coisas que a rondam.
Uni minhas sobrancelhas, totalmente confusa e aflitada pelas palavras. Ugh. Como a vida era ótima. Além de estar sendo, possivelmente, perseguida por dois doentes mentais, a esfera de coisas que estavam me rondando ainda nem estava na camada mais supérfola e menos enegrecida. Eram tantas coisas, que eu não sabia como tudo veio para minha vida. Antes, era mais fácil ser apenas a personificação da exclusão, agora, quando começo ter uma sensação de como é realmente viver, tudo começa a se transformar em uma montanha íngreme que a cada passo levava à um abismo. Abismo este, que por ventura, engolia tudo concrero e abstrato que lhe vinha à frente.
— O que quer dizer com isso? — eu quis saber, já ao seu lado. Igual às outras mansões, a de Isaac era rodeada por uma grama verde-olivia. A estrutura imponente da casa surgia em nossa frente, ganhando resolução e nos dando uma visão privilegiada da arquitetura divina e minusciosa.
— Quero dizer coisas que você, no momento, não precisa estar a parte.
— Por quê?
— Menos perguntas, mais aceleração, ok?
Não contra-ataquei, por ora, decidi de manter somente observando cada detalhe da varanda magnífica da casa. As vigas de gesso eram trabalhadas com texturas abstratas, como folhas ou ondas inudando. O parapeito, ao contrário do que imaginei, era de um vidro circundado por uma madeira trabalhada, pincelada por algum produto que a avivava. Mais ao lado, perto da porta, dois bancos frente a frente estavam posto, e como ilha no meio deles uma mesa redonda enfeitava. No outro lado, estava esvasivo. Apenas alguns vasos brancos com as beiradas douradas pendiam do céu, com plantas lindas e coloridas.
Uma porta dupla ampla estava fechada, a maçaneta era dourada, e eu não tive dúvidas de que era ouro maciço. Reverberei qual seria a fortuna de Isaac.
— Sua casa é linda — elogiei, resfolêgando. Qualquer outro não estaria deslumbrado com a minha visão, mas tudo mudava para mim. Uma amante incorrigível pela arquitetura. — Simplesmente perfeita.
— Fico feliz por ter gostado — Ele me forneceu um sorriso doce, pela primeira vez. Suas mãos vasculhavam os bolsos de sua calça em busa de algo.
— Você a comprou ou...?
— Não, não. É minha. Quando vi o terreno, céus, mal pude não comprar.
— É um lugar fora do comum — concordei, fitando todas as nuances dos céus, da área arenosa antes de um furioso mar verde-azulado. Era tudo tão lindo.
— Achei! — exclamou. Olhei-o, questionativa. Isaac sacava de um bolso traseiro um molho de chaves cuja elas reluziam em um brilho prateado. Dei espaço para que ele abrisse as portas duplas, e logo, Isaac deu duas palmas com as mãos dentro do recinto. Tudo iluminou-se. — Preciso dizer o quanto amo tecnologia?
— Creio que não.
Adentramos todo o local. Não pude deixar de observar cada centímetro da casa; a decoração, a estrutura, as cores das paredes, tudo. Brian jogou o molho de chaves sobre um aparador, no qual estava situado no lado esquerdo das portas duplas — já fechadas. Uma escadaria enorme engolia metade do gigantesco hall de entrada, antes dela alguns móveis de mogno condecoravam de forma encantadora, todos de madeira; exceto o sofá. Era tudo muito puxado para um toque da realeza, desde as mesas de centros até as pinturas abstratas emolduradas em modelos vitorianos.
Girei em meu próprio eixo quando senti algo felpudo roçar em minhas canelas, dando uma pequena saltidada escandalosa. Baixei meu olhar, ao mesmo tempo também levei minhas mãos ao peito — ainda mais assustada do que o normal —, e logo encontrei um pequeno ser que fez meu coração derreter. Era uma pequena gatinha, dos pelos surpreendente brancos em toda a faixa visível, suas patinhas, levantadas levemente enquanto ela as lambia, eram rosadas. Como o resto de todos os felinos do mundo, a bola de pelos era graciosa, e seu espreguiçar era lento, porém eficaz. Suas esferas amareladas sondaram-me por breve segundos, mas logo seus olhos, cuja cor âmbar fascinava, se focaram em si própria.
Isaac aproximou-se, esticando o braço para pegar a gata. Um ronronar mimado e melodico foi transmitido pela bola esbranquiçada e felpuda. O loiro a levou perto de seu rosto, dando um singelo beijo na face do animal.
— Está é Cristal, Skylynn. Minha, vamos dizer, bebê.
Assenti, sorrindo abobalhada. Sempre fora de meu desejo ter algum bichinho de estimação para criar, mas, como a vida era, obviamente, dura comigo, papai nunca deu permissão.
— Ela é perfeita.
Isaac balançou a cabeça, afirmativo, seus dedos habilidosos realizavam um cafuné em Cristal, que cerrava os olhos âmbares acesos em deleite. A luz amarelada do lustre de cristais deixava a gata ainda mais surreal.
— Muitos preferem cachorros porque acham que eles são mais carinhos — Ele rolou os olhos, contraditório. Cristal miou, embora não parece alheia a conversa. Já que, aliás, ela era apenas um animal. — Mas, definitivamente, Cristal é totalmente diferente a todos.
— Ela parece ser uma gatinha legal — elogiei, estendendo minha mão, como um pedido. — Posso pegá-la?
— Oh, claro.
Isaac passou Cristal para meus braços, e, eu a peguei de forma delicada, enquanto seus pelos faziam cócegas superficialmente em meus braços — afinal, eu ainda estava com meu casaco cheio de mesmice. Sorri, sem revelar meus dentes, afetada. A gatinha fitou-me com carinho com as bolas fulvas, e roçava-se para se aconchegar em meus braços.
— Ela gostou de você — Isaac sorriu minimamente.
Solevei minha cabeça, para olhá-lo. Um instigante sorriso admirado e abobalhado surgiu rapidamente nele.
— Isso, por acaso, é bom?
Havia um complexo de humor e nervosismo em minha voz sob um sorriso amarelado.
— Obviamente, sim. Cristal costuma apenas a ser assim comigo, ou quando quer alguma coisa.
— Espero que ela realmente goste de mim — indaguei, minhas mãos acariciavam a barriga lisa e fofa de Cristal.
— É, eu também — disse ele. Subitamente, toda suas feições mudaram de legal e atencioso para reservado. Tentei não esboçar nada, como quem não entendia nada, apenas, estando em minha falsa bolha. — Acho que precisa de um banho.
Ampliei meu cenho, deixando a bola peluda sair de meus braços. Cristal rumou para o outro lado do hall, onde havia uma passagem, e desapareceu com reboladas felinas e despreocupadas. Cruzei meus braços, envergonhada.
— Está dizendo que eu...
— Estou dizendo que precisa de um banho, para se sentir mais à vontade, e para que depois tenhamos uma conversa séria — explanou, sem nenhuma dozagem de preâmbulos. — Sei que deve estar achando tudo isso estranho, Skylynn. Você nem sabe de onde sei seu nome, ou quem é você. Mas, eu nunca seria capaz de te machucar.
Anui, embora as palavras ainda estivessem num estado de absorção. Mordi a parte inferior de minha bochecha, não transmitindo nenhuma palavras, apenas esperando pelas deles.
— É só subi as escadas, pegar o corredor esquerdo e entrar por qualquer porta. Colocarei uma muda de roupas, enquanto estiver tomando banho — denotou Isaac, depois de um urrar um breve suspiro que exalava cansaço. Mais uma vez, aquiesci, tamborilando os dedos de forma impaciente pela minha jeans. — Quando sair do banho, estarei na sala de telivisão. O corredor da direita, última porta. Ah, as toalhas estão sob a pia. — depois isso, rodou os calcanhares, e dissipou-se, pelo mesmo lugar que a gata Cristal havia passado.
Minha presença era a única no recinto vasto e mobiliado. Voltiei saindo de meu eixo, olhando para a escadaria ostentosa. Levei meus pés aos degraus, subindo um por um. Oscilei num ponto aleátorio — um grandioso quadro, provavelmente, que valia uma fortuna —, enquanto eu já ofegava por subir tantos lances. Eu e o sedentarismo sempre fomos distanciados por um enorme precipio, então, eu mal me lembrava como conseguira correr tão rápido de Brian. A escada acaba, por fim, e um suspiro aliviado escapou de meus lábios, e eu estava notavelmente ofegante. Virei no corredor esquerdo, seguindo a risca às intruções de Isaac. O corredor, surpreendente devia dizer, era também de acabar com todo meu fôlego. Uma extensão de portas trabalhadas se estendia, brancas, e condecoradas com pinturas levemente douradas. Adentrei qualquer uma das portas, fechando-a por depois de todo meu eixo pra dentro.
As paredes pasteladas davam-me um descanso aos olhos — o que era, minimamente, perfeito, já que o branco dominava arrebatadoramente em Hamptons. Uma cama king-size chamava-me insanamente. Observei minusciosamente os dois travesseiros longe de estarem abarrotados, os lençóis e cobertas emenavam um calor reparador em meio ao frio estremecedor de New York. A ilha toda, apesar das diferentes partes, era prodimanada pelo frio gélido. Não medi os esforços para pular na cama, quicando brevemente, e sentindo a sensação de meu rosto bater contra uma nuvem fofa de algodão doce. Aspirei levemente o ar de morangos do local, deixando escapar um riso cansado.
Era como estar novamente em minha casa, no Upper East Side, na época em que mamãe ainda estava viva... e, quando papai ainda não sonegava esforços para ver-me feliz. Épocas que duramente já eram livros queimados, e consquentemente, com contéudos caídos no asbimo do esequecimento. Reverberei os dias em que eu me retirava de minha cama, e corria com passos espalhafatosos para o quarto de meus pais, com medo. Quando pequena, ao menos, eu havia alguém para esgueirar asas protetoras para lançar o mal muito, muito longe.
Ainda querendo sentir mais da sensação embaladora, emparedei meus olhos, fitando um sorrateiro preteado, que por sorte, não dava sinais de algo a mais. Tudo passava por minha cabeça, desde como um buraco pequeno se cavara em meu coração pela ausência de papai, até mesmo pensando no que estava mais do que concreta: Brian Jackson era aquele algo mais que acordei pensando dias atrás. E, algo remexeu-se em estomâgo, como um monstro comendo uma quantia estimável de carne fresca.
— Bela encrenqua, hein — briguei comigo mesma. Num supetão, saltei para fora da cama, e rumei à uma porta igual ao do quarto, adentrando o comodo que descobri ser o banheiro. Abaixo do espelho oval e da pia, encontrei o armário citado por Schaedler. Sem olhar, esgueirei meus dedos em busca de algo fofo. Agarrei o tecido veloso quando o senti antigir minha pele. Estendi-a pelo boxer, e logo despi-me para um longo banho.
Já nua, a água caindo sobre minhas costas de forma formigante causa um efeito imprevisível. Cada pedaço de meu corpo parecia ter sido picado por um amaciador de carne, e o meu músculo cardíaco não estava longe de tais condições. Uma bile crescente, como garras, me arranhava a garganta. Meu rosto foi beijado pelas lágrimas quentes, misturando-se com a água do chuveiro elétrico.
Mesmo no meio de gotas inclusas, eu as sentia. Deveria ser porque elas pareciam tocar-me a bochecha de um modo supremo e abrasivo, e acima de tudo, doia. Não era como qualquer dor, era uma dor real e na pior das hipóteses, sentimental.
O banho fora dolorido, mas por um lado, tinha renovado singelamente minhas forças — de um lugar, sinceramente, desconhecido. No quarto, precisamente encima da cama, havia uma muda de roupa, escova de cabelo e uma pomada de algo que não fui capaz de identificar. Vesti-me calmamente. A calça cinza de um pijama masculino havia ficado um pouco larga, e o blusão batia na metade de minhas pernas. Com certa calmaria, penteei meus fios negros, desebaraçando-os e os deixando lisos e macios. Oscilei meu olhar, afinal, na pomada jogada sobre a cama. Filei-a, lendo os dizeres.
— Pomada para hematomas — sussurrei, logo me focando em meus pulsos. Com tudo que girava de novo pela atmosfera, acabei por me esquecer de que meus pulsos ainda estavam com aneis avermelhados, e levemente doloridos ao toque. — Bem pensado, Isaac.
Apanhei a pomada, passando-a pelos meus pulsos de formar circular. Senti minha pele arder em alívio, o creme estava sendo efetivo desde já. E, bem, ao menos uma coisa não estava em péssimas condições.
Retirei-me do quarto, novamente me encontrando num corredor espremido por paredes coloridas de chocolate, e portais esbranquiçados. A visão que vi em seguida, é nova, meus pés já estavam rumando para o piso de madeira da última porta do corredor esquerdo — no qual, as mesmas informações foram arquitetadas. Soquei três vezes a porta entreaberta, já ouvindo o ruído altíssimo da tevelisão que baleava meus ouvidos.
— Entre — ouvi a voz melodicamente relaxada de Isaac dizer.
Somente agora, o peso de como seria a conversa caiu sobre meus ombros. Tentei não me respaldar em algo que não fosse verdadeiro, soltando suspiro, os quais diziam toda a minha falta de conforto. Com passadas rápidas, e com muito esforço, desatrapalhadas, sentei-me ao lado de Isaac no sofá cama do local, no qual estavam alguns coisas aleatórias espalhadas. A luminária que pendia do teto estava desligada, e a única fonte de luz era a tv, ativa. Fitei brevemente, Isaac, que esticou seu braço à mesa de centro, recolhendo o controle e desligando o eletrodoméstico. O loiro fez com que suas palmas colidissem-se suas vezes, e a sala foi banhada por uma luz levemente azulada, vinda do teto.
Houve silêncio.
— Obrigado pelas roupas — decidi cortá-lo, agradecendo timidamente a Isaac. — Ficaram grandes, mas bem confortáveis.
Isaac soltou uma risada, sincera e breve.
— Estou vendo — apontou para o tecido da blusa batendo em minhas coxas. — Acho que deve ter usado a pomada, seus pulsos estavam horrendos.
Olhei para eles, vendo-os ainda avermelhados, mas os anéis sangrentos já, de fato, desfeitos. Perguntei-me se Isaac havia reparado não somente em meus pulsos, e em outra coisa adicional.
— Oh, sim. Usei. Meus pulsos estavam horríveis e Brian não mediu esforços para deixar neles hematomas.
— Imagino que não — cerrou os olhos, totalmente enraivecido ao assunto tratado. Seja lá de onde Isaac conhecesse Brian, por suas feições transmitidas, o moreno não era querido por Schaedler. Pelo menos não momentaneamente. — Ele não é do tipo que se importa se sua vítima quebra o braço ou não.
— Não pude deixar de perceber isso. E, claro, também não pude deixar de notar o fato de querer controle o tempo todo — assim como o Loki, completei mentalmente, embora até isso fosse errôneo demais.
Eu não conseguia frear as coincidências que eram semelhantes entre Loki e Brian. O ar irônico e possessivo que ambos empunhavam sobre mim, as palavras soltadas morbidamente. Os olhares moldadas por uma insanidade e carnificina. A totalidade era sinistramente igual. Segundos depois, depois de um esforço descomunal, consegui jogar todos os demonios para o fundo de minha mente, onde teias e sombras nebulosas tomavam conta de tudo.
— É algo que jamais passa despercebido por ninguém — Isaac me faz, concretamente, emergir de tudo. — Mas, o foco da conversa é longe de ser isso. Já me antecipei e liguei para Stark, creio que morando com ele, iria querer vê-lo. Já que seu pai, Brian Johson, aparentemente está em Malibu a negócios, certo?
Abri minha boca, com um "O" perfeito moldando meus lábios. Ugh, claro. Mais um estava adentrando na lista de desconhecidos que sabem tudo sobre a vida de Skylynn Wade Johson. Isso estava se formando um praxe ridículo e horripilante. Olhei-o instigada, minhas bochechas estavam totalmente sem um sangue preenchendo-as. Mais branca do que o normal, imaginei que minha cara agora estivesse algo puxado para o fantasmagórico.
— Como sabe essas informações sobre minha vida?
— Sou ex-agente da S.H.I.E.L.D — revelou Isaac, na sua suposta feição reservada, deixando o homem outrora brincalhão ir embora. Eu não tinha muito saber em relação à essa organização, mas tudo que vinha em minha visão era o que eu havia pego Tony vendo. Treze terroristas mortos a troco de cento e cinquenta e cinco vidas inocentes retiradas. — E mantenho-me informado sobre tudo que rola pelos bastidores.
Interrompi-o, ainda fora da camada de intendimento:
— Mas, ainda não entendi o que minha vida tem a ver com você ser um ex-agente fodão dessa organização.
— Simples — Isaac ampliou suas sobrancelhas, encurvando-se para frente. Apoiou seus dois cotovelos em meus joelhos, cruzou as mãos, uma postura beldamente elegante. Seu rosto foi angulado para me olhar sem restrições. Encolhi meus ombros, claramente envergonhada. — Você está na mira da S.H.I.E.L.D, e isso condiz perfeitamente com o fato de eu ser o ex-agente da organização que está te caçando.
Franzi exageradamente minhas sobrancelhas, fazendo um finco se abrir no meio das duas faixas de pelo. Algo remexeu-se em meu coração, e uma impotência tomou conta de todo o meu corpo fragilizado desde o começo de minha vida.
— Na mira da S.H.I.E.L.D? — elevei meu tom a muito mais do que umas oitavas, exasperada. Isaac me enviou um olhar penalizado, como quem sentisse muito. Odiei, obviamente, tudo que eu menos gostava de receber era a pura pena de pessoas. Não era algo que fazia parte de meu cotidiano. Odiada, sim. Penalizada nem nas piores condições. — O que quer dizer com eu estar na mira disso? Por que eu estou? Eu mal sabia o que era isso, como posso estar sendo alvo, mira, sabe-se lá o quê?
— Acalme-se — instruiu Isaac, esfregando suas mãos de modo que seus bicepes pulassem quase para a fora das mangas. Como eu ficaria calma? — É óbvio que você deve ter se abalado por ter recebido uma bomba dessas depois do dia difícil de hoje. Mas, Skylynn, isso é algo que não pode saber no momento.
Arreganhei meus olhos, uma incredulidade tomando conta de todo o meu corpo sinistra e rapidamente. Minhas bocechas queimavam de raiva e de, quem sabe, temor.
— Então você me diz tudo isso, e simplesmente não me conta porque isso está acontecendo? Ah, claro. Muito justo.
— Não é questão de justiça. É questão de que não é a hora de você saber, garota. A dimensão de tudo isso vai muito além do que você pensa. Notei seu jeito, Skylynn. Sua inocência te impede de ver como o mundo realmente é. E, sendo isso bom ou não... não serei eu quem irá rompê-la.
Silenciei-me. Meus olhos marejaram drasticamente, e tudo que eu queria era estar com aqueles que me faziam bem. Por quê? As linhas estavam desniveladas, desconexas, e nada daquilo que rodiapava em minha vida fazia mais sentido. Uma hora, sou apenas oprimida pela sociedade. Outra, sou uma garota perseguida por coisas divergentes e variadas. As lágrimas não sairam. Talvez porque eu já tinha chorado demais enquanto a água queimava-me as costas — e eu pouco me importava. Talvez eu estivesse esgotada demais para demonstrar minhas emoções através de um líquido salgado.
— Alguém mais sabe sobre minha vida? — perguntei, colocando sobre meu colo uma almofada, e dedilhando as franjas das pontas.
Isaac esticou sua mão à mesa retangular, pegando um alcaçus de um pote verde-abacate perto de muito outros — nos quais doces e salgados se alojavam. Meu estômago rugiu, como uma leoa faminta, reagindo ao eu encontrar uma comida. Eu mal me lembrava a última vez que havia ingerido algum líquido ou alimento, mas também não me dei falta deles. Contudo, quando os vi, minha garganta secou e o felino dentro de mim despertou de um sono infinito.
— Aposto que sim — Isaac afirma, pouco alheio a isso. Levou o doce rosa-choque a boca, seus olhos então, transbordaram de satisfação. — Mas, nada de mal irá lhe acontecer. A lista de quem está atrás de você parece estar crescendo. E a daqueles que te defendem está se alastrando ainda mais. Parece ser estranho, mas estou nela, com você. — enquanto fazia o monólogo modiscarva pedaços singelos do doce. Quando pude voltar com meus instintos novamente, Isaac capturava novamente um doce.
Com discrição, filei um dos salgados, crendo que Isaac nem se importaria. E, percebendo o meu ato, Isaac estendeu-me uma garrafa qualquer de Coke, na qual estava sobre a mesa, e logo a peguei. Glup. Glup. Glup. Foi esse o som engraçado e até agradável dos goles rápidos da bebida invadindo minha garganta. Soltei um chiado com a boca, totalmente refrescada pela bebida intitulada péssima para a saúde, mas que agora, me fazia mais do que bem.
Resfôleguei, dando mais goles favoráveis à morte de minha sede.
— Obrigado — indaguei. Limpei minha boca com as costas das mão, desesperada, quando senti uma camada de bigode sabor Coke. Isaac soltou uma risada, e ignorei-o plenamente. — Não entendo porquê de estar no grupos dos quais me defendem. Na verdade, eu nem sabia que isso era existente.
O loiro, cujos traços eram exclusivamente banhados pela luz azul-mar, apanhou a última garrafa de Coke, movimentando-a. Seus ombros foram para trás, tocando o acholchoado do sofá cor chocolate.
— Já se perguntou por que as pessoas estão sempre tentando te defender ultimamente? A resposta está sob seu nariz. Você é...rara.
— Rara por ser inocente, como todos dizem que sou?
— Não, rara por emenar algo diferente — Ele rumou uma batatinha à sua boca, mastigando-a na velocidade da luz. Recuperou-se. — Mas, não é disso que quero falar com você.
— Então, se não é sobre isso, qual é o assunto? — eu quis saber, tentando não enfiar toda a comida em minha boca, de forma desesperada. A fome me consumia, e eu desejava cada vez mais a variedade disposta de alimentos na mesa.
— Quero que me conte tudo o que aconteceu naquela escola.
O salgadinho que eu estava prestes a afundar em minha boca, pairou no ar. Joguei meu olhar para qualquer ponto aleátorio, engolindo em seco. O que ocorrera na escola era justamente o fato — cujo autor me horripilava — que eu ansiava erradicar. Aposto que meus olhos, arredondados o suficiente, estavam saltados para fora. Entretando, era essas os efeitos que Brian exercia em mim. Um pavor crescente subia para meu cérebro, apenas por pensar seu nome.
— Não sei se consigo falar sobre ele — declinei minha cabeça, olhando meus dedos recheados pelo salgado. O olhar analisador de Isaac recaia sobre mim, de maneira invasiva, porém compreensiva. — É difícil — achei que as lágrimas viriam.
Eu estava enganada.
Isaac esticou a extensão braçal, tocando meus ombros, os afagando, num carinho menos íntimo, embora ainda estivesse sendo eficiente. Era estranho como ele conseguia expressar várias coisas em um único momento.
— Parece ser. Mas, eu preciso saber.
— Por que precisa? — meus lábios tremiam, um sinal de um choro que nunca vinha. — Mal nos conhecemos, aliás, não nos conhecemos. Por que quer saber algo que irá somente encher sua cabeça com preocupações por uma desconhecidas?
— Sinceramente, você pergunta demais para quem não quer me dar respostas — reclamou, embora ele também estivesse omitindo várias coisas que pareciam ser de tamanha importância. Isaac levou garrafa à boca, o líquido indo para sua boca rapidamente. — Conheço Brian. E, ele não era assim. Era um cara legal, atencioso, divertido. Devo até admitir que sinto falta de nossas aventuras. Éramos melhores amigos. Nossas missões eram as melhores e mais eficientes da S.H.I.E.L.D, um dos melhores agentes. — seus olhos azuis tornarem-se escuros e opacos, como se dizer tais coisas era dolorido. Pelo menos era isso que transparecia em sua expressão, e seu rosto retesado ao sibilar todos as sílabas. — Mas, algo o mudou. Depois que nos, ugh... separamos, nossa amizade desfez-se pelo tempo. Brian também não entrava em contato comigo, e fazê-lo parecia uma missão inalcançável. Agora, Brian parece ter sofrido alguma lavagem cerebral. Preciso entender isso. Preciso saber porquê Brian tornou-se um cara supérfolo. E você — seu dedo apontou para mim, Isaac ficou expectativo. —, pode me ajudar.
Tentei sugar tudo o que Isaac falara. Mas, foi algo meio impossível com a complexidade embalando todas as coisas. Mordi meus lábios, reverberando todas as hipóteses que rondavam em minha cabeça. Se Brian fora, ou ainda é, agente daquela organização, tudo me levava a pensar que o ataque de Brian poderia ter co-relações extremas com a S.H.I.E.L.D. E, isso apenas me deixava apenas aparovada. Nada fazia um absoluto sentido, e ligava-se com o fato que me levava à resposta suprema: por que tudo isso estaria em minha cola?
— Não entendo como que o que aconteceu na escola te levará, supostamente, à essa descoberta — admiti, enroscando um de meus dedos pelos meus enevolados fios úmidos. — Brian ainda é um, sabe, agente? — fingi apenas uma curiosidade, nada que pudesse fazê-lo pensar em minhas escondidas hipóteses.
Isaac crispou os lábios. Provavelmente pensando se deveria relevar algo do tipo pra mim.
— Ao que tudo indica, sim. E isso não me deixa nada tranquilo. Agora, você poderia parar de me enrolar e contar de uma vez por todas.
Eu não estava o enrolando, embora sua dedução estivesse perto de estar correta.
Como se fosse fácil confessar em alto e em bom som, que beijei meu professor de Biologia, que além de meramente louco, ainda poderia ser um ativo agente de uma organização que me tem como mira, minha boca até abriu-se para dizer tais palavras, mas consegui comedi-las. Definitivamente, eu estava um caos.
— Ok. Tentarei ser breve. Brian, chegou numa sexta-feira à escola, apresentando-se como o novo professor de Biologia. Alegou querer mudar as duplas, e no final de toda a mudança, meu novo par era ele. Tentei não estranhar isso, e entre outras coisas. Mas, havia um olhar seu ubíquo que recaia a cada segundo em mim com algo indecifrável. Então, os dias passaram. Brian já não era mais de minha atenção. Até que hoje, uma terça-feira quente...
— Hoje é quarta, Skylynn — cortou-me Isaac, olhando-me comedido.
Inspirei e expirei o ar, tentando não deixar translúcido meu nevorsismo.
— Certo. Apaguei por um dia inteiro. Ugh. Legal — reclamei, filando a minha garrafa e dando um último gole da bebida refrescante. Pigarrei, voltando ao assunto. — Ontem fui chamada, por Nancy Bloom. Ela disse-me que Brian estava me esperando em sua sala... e eu fiquei, tipo, isso näo faz sentido. E realmente não fazia sentido. Cheguei a sala, Brian me pediu para adentrá-la. Fiz-o. Uma conversa estranha aconteceu. Na qual Brian dizia coisas estranhas, do tipo que as pessoas me odiavam e me amavam por eu ser quem sou. No final, ele havia dito que eu queria apenas uma coisa — fui abaixando o tom de minha voz, fradativamente. Olhei meus dedos, cheios de nós, por estarem cruzados devido ao nervosismo em todas as minhas veias, pulsantes. — Meu primeiro beijo.
"E-eu o beijei. Foi como beijar a morte, e dubiamente, eu estava gostando. Quando cessou, apenas vi algo: Brian espalmando sua mesa, em busca de algo. Era um soco inglês. Quando o indentifiquei, Brian já o lançava no ar, e o batia em minha cabeça. Desmaiei. Acordei no outro dia no depósito da escola, enlaçada a uma algema. Consegui, bem, consegui fugir. Fui para o primeiro andar do prédio e você surgiu do barro."
Acabei de falar tudo, pouca disposta para receber alguns "eu sinto muito" ou "vai passar" como resposta. Ao invés do que imagino, olhos de Isaac são adornados por uma manta de escura de descrença. Sua boca escancara-se, a mesma manta envolve todo o eixo de seu rosto.
— Não está falando a verdade, está? — perguntou, cético. Movi minha cabeça lentamente, em um respota positiva, por mais que eu desejasse muito que ela fosse negativa. — Você o beijou? Digo, você beijou Brian? Mesmo sabendo que ele era seu, suposto, professor de Biologia? Seu primeiro beijo? Por pura vontade.
— Por mais insano que isso pareça, eu o beijei. Não que isso seja algo de que me orgulho, ou que eu queira lembrar. O fato é: Brian me conhece, sabe que moro na Torre e me chama por um nome que nunca mais fui chamada. E, sei que tenho certeza de que Brian jamais esteve em minha vida. Nada faz sentido para mim... mas, para você, faz?
— Faz mais sentido do que você possa imaginar, e, aguentar — admitiu, nem um pouco a fim de esconder a importância da coisa toda. Seus lábios erguiam-se em um sorriso brincalhão, e tudo que fiz foi tentar não esboçar uma expressão confusa. — Foi por livre e espontânea vontade, então?
Estremeci.
— Sim — pausei, mordendo o interior de minha bochecha, aflita demais para carregar os olhos azulados como o mar de Isaac. — Podemos não falar do fato de eu ter sido extremamente idiota ao beijar Brian?
— Como quiser.
Um suspiro alto e aliviado escapou por entre meus lábios, Isaac olhou-me de soslaio, o canto de sua boca estreita solevando-se à um sorriso afetado.
— Há quanto tempo não trabalha mais para, uh, a S.H.I.E.L.D? — demandei, não realmente ligada ao assunto, portanto, a resposta não era de muita espera.
— Tempo o suficiente para algo mudá-la completamente. As coisas são sempre assim. Nada que é bom permanece bom para sempre. Pelo menos não algo de tamanho poderio e dominio sob tudo.
— Talvez haja excessões, Isaac. Não acredito que o mundo esteja total e realmente perdido para um precipício de obsessão por poder e comando.
— É — ponderou Isaac, desdenhoso. — O que realmente importa é que está a salva.
Um som retumbante se propagou pelo recinto, cortando-me de minha futura fala questionativa. Era o telefone de Isaac, que vibrava e perambulava pela mesa, quase sofrendo um colapso. Schaedler estirou o braço, pegando entre os dedos o telefone fino e caríssimo. Levou-o ao ouvido, e mal pude conseguir indentificar quem estava no outro lado da linha.
Isaac estava estupefato, com uma de suas mãos apertando o joelhl, e o peitoram erguido e cheio de ar. Ele inspirou, pigarrendo fortemente.
— Olá para você também, Stark — fora a primeira frase que ele direcionou ao alguém do outro lado, que, por acaso, descobri ser Tony. Só podia ser. Afinal, quantos Stark's, aparentemente egocêntricos, habitavam em New York? Esbugalhei minhas irís, um idiota de um sorriso perambulava pelos meus lábios tão rápido quanto o breu cobria a noite. Meu músculo cardíaco palpitava de forma doentia, apenas ao ouvir o sobrenome de Stark. O que está acontecendo com você, Johson? — Skylynn está comigo. Não, não toquei nenhum dedo nela. Não, não a droguei. E, não a induzi a um sono. Ok, estamos decendo. Não se preocupe, a menina não será morta enquanto desce as escadas — e com um suspiro, lançou seu telefone para o sofá. — Tony Stark está nos esperando lá embaixo. Parecia-me bastante agitado e preocupado.
— Tony está aqui? — fiz a pergunta, descrente do que meus ouvidos absorviam.
— Sim. E acho melhor decesmo logo. Não quero alguma encrenca com o latinha dos Vingadores.
Saímos do comodo, apressados demais para descer uma escadaria tão grande e cheias de lances altos. Para falar a verdade, pulei-os de dois em dois, mais assemelhada com uma coelha bastante apavorada. Atravessei todo o hall, meus ouvidos já se aguçaram, ouvindo o tilintar clássico e impaciente da campainha à todo o vapor.
Ouvi Isaac murmurar:
— Pra que essa pressa, garota?
Olhei-o por sobre os ombros, fuzilando-o com o olhar. Virei-me para a porta dupla de madeira trabalhada, pondo minha mãe na maçaneta dourada — que, provavelmente, deveria ser folheada de ouro. Resfoleguei fundo, e só assim rodei a peça de ouro.
A primeira coisa em que meus olhos sobrecairam fora Tony. Era possível deixar o folego escapar quando tinha acabado de obtê-lo? Fora exatamente isso que aconteceu quando sondei fundo os olhos amendoados de Tony, já sentindo algumas malditas borbolhetas assassinas roerem todo o meu interior — porra, como eu odiaga ter de pensar uma coisa do tipo. Suspirei, abobalhada.
Ele estava, como sempre, espetacular. Seu cenho franzido lhe dava um ar ainda mais sedutor, enquanto seus lábios avermelhados eram mordidos por um de seus dentes alinhados e esmaltados por um branco. Oh, céus. Desde quando ele me conflitava de maneira tão causadora e insana? Desci meus olhos para seu corpo esculpido pelos deuses mais preciosos. Seu tronco largo estava levemente curvado, o ato exasperava cansaço. As olheiras afundavam seus olhos, e os rodeavam, mas nada disso impedia que sua beleza sucumbisse. Se, a maior inimiga da beleza, a idade, era a favor de Tony, não seriam simples olheiras que tirariam-lhe o encanto.
Uma camiseta azul de manga longas engolia todos os músculos, e os sinuosos bíceps de Tony. Eles sempre estavam lá, mas hoje, pela primeira vez acabei por notá-los. Seu peitoral era visível, delineado de uma forma que fazia todas as estupidas borboletas assassinas voltarem a me atacar avidamente. Respirar fundo estava sendo uma opção viável num momento desse, repletos de devaneios.
— Primeiramente, qual é o tamanho do seu problema? — exasperou, Tony, olhando-me com um olhar acusador. — Sumir por dias, e não me dar nenhuma notícia. Tem noção de como eu fiquei furioso, não tem? Sinta-se orgulhosa por eu, Tony Stark, estar me importando com você, sua garota irritante!
Sorri, ignorando completamente a parte "garota irritante", e mordi meus lábios, nervosa demais para não falar sem gaguejar.
— Olhe, não desapareci porque quis, Stark — revirei meus olhos, tentando acabar aquele maldito sorriso revelador. — Aconteceu coisas que me impossibiltaram de voltar para Torre, e acredite, coisas nada boas.
— Ah, claro. Sua vida anda bastante agitada para uma nerd anti-social — resmungou, e por fim, seus olhos adquiriram um breu de alívio. — Só nunca mais faça isso — murmurou, sua voz baixou gradativamente.
Concordei. Meu coração dava solavancos desenfreados sob meu peito, de modo que me imaginei colocando tudo para fora. Singelamente, minhas mãos tremiam, e os sintimos de medo estavam em outro mundo. Eu estava bem demais, nervosa demais, provavelmente — e vergonhosamente — ruborizada demais. E, principalmente com sensações nunca sentidas aflorando-se em todo meu corpo.
— Não irei fazer. Pelo menos não hoje.
Dei alguns passos, hesitante em aproximar-me dele. Tony era uma personificação fiel da sedução, e diante a mim, estava semelhante à um deus grego esculpido a cada centimetro. E, eu, bem... eu era apenas Skylynn Johson, uma garota excluída, sem graça e cheia de inseguranças — com um corpo, de fato, magro. Talvez as únicas coisas que me salvavam fossem meu seios fartos, e minhas pernas, que por sorte, não eram duas varetas humanas e ossudas —, vestida por um camisão e uma calça larga.
Ele embrenhou-me em seus braços, fazendo com que meu corpo sofresse um baque contra o seu. Seu peito tocou o seu intimamente, e eu fui capaz apenas de oscilar, enquanto eu sentia um metal tocar-me nos seios. O reator arc. Aquele simples e instigante circunferência no meio do peito de Tony, que brilhava em uma luz azul clara. Laceei seu pescoço, levemente emocionada por tê-lo comigo. Ele afagou meus cabelos, enquanto meu rosto encontrava-se curvatura cheirosa de seu pescoço.
— Stark — a voz grave permeou todo o local. Reconheci como a de Isaac. Soltei-me do enlace de Tony rapidamente, enquanto ele sondava o loiro por cima de meus ombros. Desvincilhei-me dele, dando passagem para que Stark pudesse adentrar à mansão. — Sou Isaac. Isaac Schaedler.
Tony possuia um olhar desdenhoso, o qual dislacerava Isaac gradativamente.
— Sei seu nome. Ex-agente da S.H.I.E.L.D. Um cara sumido plenamente do mapa por alguns muitos anos.
— Você andou pesquisando sobre minha vida antes de vir para cá? — seu tom de voz era esquisitamente desafiador. Um manto tenso cobriu todo o ar, de modo que eu estava pronta na retaguarda, caso alguns deles elevassem o nível de tensão. Tony riu, com descaso. Um finco estreitava-se entre suas duas sobrancelhas grosseiras.
— Eu não diria pesquisando. E sim, averiguando. Preciso saber mais sobre o nome cuja casa estou visitando.
Isaac assentiu, gesticulando com seu braço um gesto receptivo e convidativo. Tony passou por mim, seu porte alinhado agora com o de Isaac.
— Precisamos ter uma palhinha — disse Isaac. — Vamos ao meu escritório.
Eu permanecia calada. Era palpável o olhar destruidor cujas forças pareciam não abalar Isaac. Stark não estava me parecendo querer ser amigável, e seus punhos cerrados evidenciavam o quanto estava se controlando. Uau.
— Para ser sincero, — começou Tony num tom que eu conhecia bem. Como efeito-colateral, um sorriso escárnio reverberou sobre seus lábios numa linha fina e rigida. — prefiro sua adega. Tenho certeza que ela deve ser maravilhosa.
...
Sob a penumbra da noite, a praia parecia algo muito mais do que paradisíaco. O escurecer dava um ar obscuro para o local praiano, e tornava-o, de uma forma, algo mais interessante e perfeito para averiguar-se. O som das ondas quebrando chegava aos meus ouvidos de forma pura, e eu jurava que elas transmitiam frases enloquentes e que acalmavam toda minha tensão. Meus pés, fincados na areia quentinha, eram acariciados pelos infinitos grãos, dando-me o prazer de sentir un êxtase quase nunca presente.
Não tive vontade de ficar à espreita sobre a tal conversa que Isaac e Tony estavam tendo no momento, portanto, arrastei-me para areia e o mar revolto, nos quais eu poderia — talvez — encontrar um respaldo. As ondas encurvavam-se de maneira gloriosa em frente aos meus olhos, e, contra-atacando a brisa e o cheiro marítimos me golpeavam. E, sinceramente, como eu amava tal sensação.
Sem blasfêmias, eu estava com medo de qual assunto era tratado na tal troca de falas rudes entre o playboy e o meu suspeito héroi do dia. Nada em relação a isso rodeava as labaredas de minha mente, mas de qualquer forma, eu temia. Sentada, pensativa, e questionativamente calma, tudo que eu era capaz de pensar era em como Tony estava... lindo. Merda. Quais eram as chances de uma semana e meia atrás eu admitir isso, ou, até mesmo pensar isso? Facílimo: nenhuma! Mas, obviamente, muitas coisas estavam se tornando diferente ao longo de toda essa confusão.
De todas essas confusões.
Driblei meu olhar para trás — minha bolha que me desligava da realidade, por fim, estorou-se — e captei dois sapatos sociais pisoteando a areia, e consequentemente, sujando-se. Solevei meus olhos, rapidamente e sem cerimonias, e encarei o contorno de Tony sair do breu da noite. Meu coração, ensandecido, palpitou imediatamente em meu peito de modo que ele subia e descia mais do que uma montanha-russa recheada de altos e baixos. As malditas e repugnantes borboletas a la Bin Laden atacavam cada órgão possível, e minhas mãos tremulavam de uma forma ridícula. Tony, enfim, se sentou ao meu lado. Não obtive forças o suficiente para olhá-lo completamente. Então, de soslaio, o vi. O queixo estupida e sedutoramente empinado para o alto, suas mão entrelaçadas e apoiadas aos joelhos cruzados em um x, e o que mais me chamava a atenção reluzia categoricamente — o instigante e inegmático reactor arc.
— Uma noite bonita — analisou Tony, sua voz estava em um nível de calmaria exclusiva. — É um pouco chato admitir isso, mas, fiquei mais preocupado do que o imaginável. Sua amiga, a loirinha de sobrancelhas escuras, veio à sua procura na Torre. Pensei que você estivesse com ele, mas, não estava.
— Acredite, seria ótimo estar com Triz — susurrei, sondando a areia branca sob meu corpo. Um sorriso sem forças inundou meu rosto. — Achei que não sentiria, bem, minha falta.
De relance, captei Tony sorrindo incrédulo e resignado. Ele, claramente, era um homem divergente de todos os outros. Suas ações e reações eram sempre inesperadas, muito semelhantes à uma tempestade que a qualquer momento poderia revirar o barco. Consequentemente, eu ficava perdida nas engrenagens e teias mecânicas cujo Tony carrega em sua complexa e interessante personalidade.
— Também não achei que eu sentiria falta de uma garotinha linda dos olhos azuis que mal sabe falar com alguém sem o sangue subir às bochechas. Mas, porra, você é irredutivelmente especial.
Abri minha boca. A alta capacidade em que Tony conseguia usar a sinceridade, era nas piores hipóteses, sempre carregada de onipresença — e, nem assim, eu estava apta quando sua singela sinceridade atacava. O sangue inconveniente preencheu cada poro de minhas maças do rosto, e mesmo como esse fato incomôdo, angulei meu corpo para averiguar melhor cada detalhe.
Irredutivelmente especial, e, linda. À qualquer segundo eu poderia desfazer-me em poeira, de tamanha vergonha me preenchendo. Afundei meus dedos na areia morna, um ato que foi feito para apaguizar um sentimento épico e excêntrico presente. Os olhos de Tony, nos quais duas balas de camarelo transpareciam, recairem sobre minhas bocechas rosadas.
— Especial?
— É — Stark revirou os olhos, e como quem achava graça, entretanto, não queria se render a admição, rolei meus olhos, ambígua. — Se surpreende com isso?
Soltei um leve ar por entre meus lábios.
— Muito.
Nossas esferas oculares se encontram, num momento exclusivamente afeiçado por nuances transmutando-se em explosões de cores azuladas e carameladas. Tony estende seu braço, tocando meu queixo com os dedos soltos e carinhosos. Estremeci, foi como se um raio tivesse caido e sacudido todo lado balneário de New York.
— Você é bastante curiosa em relação ao reator arc — disse Tony, alguns minutos depois em que o silêncio permeou o vão imposto no meio de nós dois. O lençol estrelado pontilhava o céu obscuro que forma sedutora, e o vento beijava, ensandecido, meus cabelos. Os dedos habilidosos de Tony já não se enroscavam em meu queixo. Então, meus olhos automáticamente impunharam-se para a circunfêrencia metálica e vidrada afundada no meio de seu peito. Pisquei meus olhos, claramente com a pasmaceira adornando meus olhos.
— É que... — houve uma bile em minha garganta, e com muita dificuladade, de olhos cerrados, a engoli. Tony parecia vidrado em todas as minhas reações. — você nunca me disse para que o círculo serve.
Tony abriu sua boca, parecendo enfim compreender.
— Impede, basicamente, que os estilhaços de bombas penetrem meu coração de uma forma nadinha indolor. E, bem, se você tirar esse círculo brilhante de meu peito, demorará alguns segundos, e as porcarias dos estilhaços farão o serviço completo.
— Você morrerá — conclui, olhando-o minusciosamente, enquanto seu queixa vai e volta em uma confirmação. — Isso é interessante e, muito, muito sinistro.
Tony concordou, um sorriso brotou em sua face quase que rudemente.
— Sim. Eu morro. Mas, não que isso seja algo importante agora. Na verdade, é. Mas, as coisas fodas que me preenchem deliciosamente não devem ser jogadas agoras. Isaac, me contou o que aconteceu na...— um pigarreio saiu por entre seus lábios, Tony estava translucidamente desconfortável. — sua escola. Ele sabe de tudo, todos os detalhes de o porquê esse tal de Brian ter feito o que fez. Seria tudo mais fácil se ele abrisse o jogo, mas pelo visto, é algo que não está dentre das coisas que ele pretende fazer. Isso não é bom, certo?
— Isaac não me parece ser um cara para ficar à espreita. Já Brian — deixei as palavras pairando no ar. Foi como uma faca me picando em zilhões de pedacinhos quando a sensação horrenda de os meus lábios sob os de Brian me percorreu. Minhas pernas bambearam, no entanto, estar sentada no solo era algo mais seguro. Tony, inesperadamente, me olhou instigado, os olhos se estreitando, e uma carranca afeiçoando-se em sua cara.
— Ah, claro. Muito estranho pensar algo assim de Brian, já que seus lábios estavam se exercitando com os deles. Uma ótima matéria de biologia, não é?
As palavras de Tony borbearam todas as partes possíveis de mim. Meus olhos marejaram, e a vontade de chorar novamente foi corrompida pelo meu corpo demasiadamente queimado pelo cansaço. Já não bastasse a culpa que me aflingia, ouvir tais palavras saindo com tamanha hostilidade da boca de Tony, era, duramente, destruidor.
— Você não sabe do que está falando, Tony — falei em um fio de voz. Ah, bosta.
Eu tinha certeza que minha expressão era a mais humilhante possível.
Tony ergueu suas sobrancelhas, negras, grossas e modeladas. Esticou seu corpo, de modo que nossos rostos eram separados por máximo dez pequenos centímetros. Perto demais para os padrões de Skylynn Wade Johson, minha mente berrou, quase implorando para que eu recuasse instantaneamente. Contudo, quando há Tony no meio, na maioria das vezes a mente conseguia se sobressair. Portanto, eu estava enraizando, vegetando à frente de Tony.
— Então você não o beijou? — a voz dele foi limpída, e em um tom quase inaudível. Ele ocilava-me de uma maneira imperceptível, mal se importando com o choque estampado em mim.
— Infelizmente, beijei Brian. Não é algo com que eu vá me orgulhar no futuro. Aliás, não me orgulho agora.
— Menos mau — As mãos de Tony embalaram meu rosto, o segurando cuidadosamente como se eu fosse uma peça rara de louça pega em um cristaleira. Malditas borboletas sanguinárias! As ondas transmitiam seu som inconfundível, mesclando-se convidativamente com nossas respirações levemente desrelugadas. Mordi meus lábios, tentando de desvendar tudo sobre àquele homem. Seus olhos eram reconfortantes, parecendo mais um doce açucarado por uma irônia inconfundível. — E, o beijo foi bom?
— Não foi a pior coisa do mundo — confessei, ofegando por seu polegar estar acariciando a linha de meu peixo levemente. — Mas, nem de longe foi o melhor.
— Não mesmo — anuiu Tony. Eu estava pronta para questionar sua afirmação, até que formidavelmente Stark completa. — O melhor será esse.
Eu não tinha a mínima noção do que poderia vir à seguir. Até que Tony atravessou todo o vão que, infelizmente, nos separava. Mal pude perguntar o que exatamente era aquilo, era algo que requeria muito pensar, e naquele momento havia apenas uma coisa que eu não era capaz de fazer: pensar. Os lábios de Tony, sabia e rapidamente, embalaram os meus, e desta vez, era ele quem havia tomada a inciativa. Mas, eu estava incapacitada de recuar. Até porque, sendo sincera, eu queria tanto aquilo.
Se antes aquelas borboletas baseadas em carnificina me atacam sem pudor, agora, cada meu membro era dilacerado por uma sensação dilacerante e extasiante. E o pior de tudo, era mais do que bom. Tony estava totalmente angulado com seu corpo forte sobre o meu, magro e esguio. Esgueirei-me mais para cima, filando os fios macios e ásperos de Tony. Suas mãos fincaram-se sedutoramente para minha cintura, e tudo que eu podia fazer era querer mais, e mais, e mais. Nossos lábios se chocavam rapidamente, e a ternura e carinho por mais incrível que pareça, estavam presentes em cada colisão nossas. Seu aperto era convicto, mas nem por isso era grosso e invasivo como os atos animalesco de Brian. De fato, Tony poderia ser um cafajeste como todos insistiam em, veemente, o intitular. Mas, comigo. Estava sendo totalmente divergente demais.
Um momento épico demais para estar acontecendo em meio à tantas decepções.
Nossas línguas se acariciavam, numa batalha adorável, que de fato, não haveria um ganhador. Então, fazíamos de tudo para sermos bastante eficientes. O mar parecia ter mudado sem nenhuma justificativa, a maré já alta, tocou nossos pés gelidamente. Estremeci sob os lábios de Tony, e pude sentir pelo entreabrir de sua boca que ele sorria. E, com isso, sorri, descolando-me por um segundo de Tony. Entretanto, os dedos de Tony saíram de minha silhueta e voltaram para os meus queixos. Nossas bocas encontraram-se mais uma vez, um fogo irreconhecível alastrava-se por todas minhas juntas, e lugares que nunca pensei que poderia chegar. O ar estava rarefeito, e estamos sem o usufruir ajudava para que parecêssemos dois peixes fora d’água resfolegando a cada brecha possível.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Isso estava verdadeiramente ocorrendo? Parece que tal pergunta era confirmada por outra coesão. O beijo, tempos depois, cessou-se. Olhei para Tony com um sentimento percorrendo em mim de forma ávida. Recuei, quando seus olhos averiguando os meus de uma maneira inesperada me fuzilavam. Uma dureza adornou os caramelos, transformando-os num doce amargo e vencido.
Havia também dor.
— Sky, essa é a primeira e a última vez que isso acontece.
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