Notas iniciais
Bem, aproveitem o primeiro capitulo e sempre leiam as notas inicias pq é muito importante.vejo vcs lá em baixo.

Sempre pensei que a vida nos desse tudo de forma justa. E eu não sabia se o que acontecia comigo era injusto, justo, errado ou certo. Só sabia que era dolorido, apavorante, repugnante. Eu sentia que eu tinha nascido para sofrer nas mãos dele. Hoje, seria um dia qualquer, como todos os outros. Por incrível que pareça, na noite passada, eu não havia sonhado com o moreno dos olhos verdes, e isso resultava uma noite de sono— uma das coisas mais difíceis de ter em minha situação esquisita— e bem aproveitada.

Estar no ensino médio era pior do que possa se imaginar. Ainda mais quando você só tem uma amiga, é um tipo de nerd indefinido, esquisita e anti-social. Quando todos te odeiam, você não tem muito que fazer, a não ser ignorar ou chorar. E eu ignorava, porque eu já tinha coisas demais para chorar, pilhas demais para agüentar, motivos mais do que cruéis para chorar. Isso não significava que eu não tinha vontade de chorar quando todos jogavam em minha cara que eu não tinha ninguém, me humilhavam na frente de todos. Eu só não achava que era preciso derramar as lágrimas por pessoas que não mereciam um por cento delas.

Eu era alvo de tudo. Das fofocas, humilhações, brincadeiras de mau gosto, piadas insignificantes. Nunca falei nada, não valia à pena.

Fechei a maçaneta dourada do chuveiro de minha banheira, quando a mesma estava cheia. Afundei entre os sais e as espumas, deixando apenas meus cabelos fora da imersão, para que os mesmo não molhassem. Os meus poros estavam arrepiados e meus pelos também.

Pensei em minha vida, mesmo que nela não acontecesse nada que em uma vida de adolescente qualquer de New York acontecesse. Pensei nas maneiras de viver livre do meu passado, que quanto mais eu tentava o deixar para trás, mais ele vinha à tona. Eu já tinha até na hipótese de um suicídio, mas no segundo seguinte deixei a ideia absurda para trás. Meu pai, ainda estava em minha vida, eu não podia de forma alguma lhe deixar para trás— mesmo que depois da morte da minha mãe, ele esqueceu que tinha uma vida, eu amava-o muito.

Subi meu corpo para cima da banheira, deixando que ele saísse da água e entrasse em contato com o ar frio daquela manhã qualquer de NYC. Nessa época, a neve ainda não batia contra o chão, mas em algumas manhãs, eram realmente frias e melancólicas. Elas, também não ajudavam muito na minha depressão disfarçada, como minha amiga dizia. Nada ajudava em minha depressão disfarçada para ser sincera, cada vez eu ficava pior. Porque ele sempre voltava. Não importava o lugar, a hora, como eu esteja e muito menos o momento. Ele sempre estaria lá para mostrar-me a quão fraca eu sou.

Não me diga que você ainda não está aqui, na escola — era uma mensagem de minha suposta única amiga, reclamando como toda vez, de eu não estar na escola.

Eu respondi:

Trice, você sabe muito bem que eu PRECISO do meu banho na banheira toda manhã, o.k? Não se faça de tonta, querida!

Peguei uma toalha, que ficava ao lado de uma mesinha em frente à minha banheira. Sai da banheira e fiz o mesmo processo que eu fazia todos os dias.

***

O meu visual era o de sempre. Nenhuma maquiagem sequer em meu rosto, apenas um brilho labial em meus lábios — era como se eu não usasse nada em minha boca, porque nem ao menos parecia que eu fiz a questão de deixar que pelo menos meus lábios fossem bonitos. Uma jeans mesclada com branco e cinza, que se você olhasse de longe ou fosse um pouco lento, não notaria que era da jeans. Uma regata branca era coberta por mais um de meus inúmeros moletons — esse era cinza, escrito GAP, nada demais. E uma vans com a textura de uma galáxia — era o meu calçado predileto.

Peguei a bolsa cinza preenchida por corujas de minha cama, coloquei em apenas um ombro e saí de meu quarto. O dia estava começando.

— Pensei que nunca fosse descer — meu pai disse assim que eu pisei os pés na cozinha. — Horários são horários, Skylynn.

Eu revirei os olhos, olhando para os meus pés à medida que eu ia para a cadeira alta ao lado da dele, em frente ao balcão. Papai sempre tentava me convencer de que tinha que levar minhas coisas a sério.

— Não se acostumou? — perguntei. Sentei na cadeira, focando o olhar na caneca avermelhada da Coke com o que parecia ter café dentro. — A minha aula nem começou e... Eu realmente não ligo se chegar atrasada. Ninguém gosta de mim naquele inferno, eu não tenho que gostar dele.

Brian suspirou frustrado, passando as mãos no cabelo, sem saber ao certo o que fazer. Eu sabia muito bem o que ele sentia em relação a minha depressão disfarçada e meu anti-socialismo, só que é inconseqüente quando eu ignoro totalmente os sentimentos dele. Eu não queria aquilo.

— Você não está lá para fazer amiguinhos, Skylynn— falou meu pai. — É natural de todos terem amigos, o que eu posso fazer se você não tem? Já tentei de tudo. Acampamento de férias, viagem em turma, até seus primos. Filha, eu já tentei de tudo pra que você tivesse companhia e amigos, mas... Você afasta todos sem ao menos conhecê-los. Já que você não tem amigos, faça o que se faz na escola, estude.

— E eu não estudo? — eu gritei. — Qual a parte de ser taxada de nerd você não lembra, hein? Qual a parte da melhor da turma ou aluna exemplo você não entendeu? Você deveria colocar as suas esperanças em outros lugares, aqui não dá. Parece que nunca me viu chorando horas e horas por ter que agüentar una vida que eu não quero! Parece que agora você quer dar uma de "pai" legalzinho. Não é bem assim. Quando eu precisei, você não deu bola. Você me deixou largada pelos cantos, como se não tivesse uma filha. E olha, se eu sou assim, é tudo culpa sua tá legal?

Meu pai estava sem nenhuma expressão. Pegou uma torrada e comeu calmamente, descendo as órbitas azuis para o jornal em suas mãos, ignorando-me totalmente. Foi como se uma estaca estivesse sendo enfiada em todos os lugares possíveis de meu corpo. Eu estava sentido um ódio extremo de meu pai.

Embora eu estivesse magoada, eu devolvi na mesma moeda. Peguei a torrada e enfiei na boca.

— Se me der licença, eu não precisarei de sua carona. — eu disse, saindo com os passos fundos da cozinha.

— Uma coisa — meu pai disse, indo até a sala enorme que eu estava. — A única coisa que eu não me arrependo na minha vida em relação a você, é ter aceitado a proposta de um velho amigo meu.

Rodei os calcanhares, cruzei os braços e olhei-o.

— E que proposta seria essa? — eu rosnei.

Meu pai riu, e isso fez com que minha raiva aumentasse ainda mais.

— Meu amigo — ele gesticulou com a mão, enquanto olhava-me indiferente. Ele tinha repulsa por mim. — me fez uma proposta para que você fosse para casa dele, pra passar um tempo lá. Você seria como uma estagiária. Você não vai estudar só servir ele. Fazer tudo que ele manda. E eu aceitei. Acho bom que você aprenda a acabar com seus estúpidos atrasos com o Stark.

Eu estava sendo chutada de um modo muito cruel.

Notas finais
É isso amoras, por favor me falem oq acharam e eu posto outro capítulo pra vcs, ok? Ah, e eu quero saber oq acharam da capa e da diva Skylynn(Alex Daddario)