Bad Minds [HIATUS]
2 Meu mais novo amigo.
Notas iniciais
Para ela, era como se tudo estivesse sendo puxado para o fundo, como se uma força estivesse lhe puxando para o lado mais obscuro da coisa. Sky não teve condições algumas de sequer ir à escola e muito menos ficar enfurnada em casa lembrando-se da cena que ocorrera com seu pai. Seu coração estava em pequenas partículas, que ela estava prestes a jogar ao mar. Se pudesse a mesma já teria jogado o coração frágil no mar, deixando com que as correntes marítimas levassem a sua dor. Porém, isso era impossível. Seu pai, já tinha ido à serviço, antes tinha lhe dito que queria as malas prontas para a ida na casa de Stark.
Foi aí que Sky percebeu o que estava acontecendo, pela forma em que seu pai tinha dito felicíssimo por ela não dar mais as caras na casa. Ela estava sendo empacotada para longe, por seu pai, cujo parece estar mais feliz do que ela nunca mais vira. Só de pensar que a repentina felicidade de seu pai era a sua ida ao inferno — era assim que achou apropriado chamar a casa do bilionário — a vontade de chorar aumentava. Agora, não lhe faltava motivos para chorar.
Enquanto andava pelas ruas desertas do Central Park — naquela manhã por incrível que pareça, o famoso parque não tinha o movimento de todos os dias. Hoje, o dia tinha sido feito para ela andar deprimida e sozinha pelo mais belo de New York —, Sky encolhia-se entre seus próprios braços finos cobertos tecido do moletom cinza. O chão parecia tão interessante, que a mesma não deixava seu olhar escapar dele.
Skylynn Johson filha do milionário, Brian Johson, não tinha ninguém e era provável que nunca teria. A garota sentiu um corpo lhe lançando para o lado, fazendo que o mesmo fosse parar no chão. Gemeu de dor, enquanto tentava levantar-se com o traseiro dolorido.
— Eu realmente sinto muito— a voz de una rapaz loiro e forte disse. O rapaz estendeu-lhe a mão.
Skylynn pensou alguns segundos antes de pegar e então pegou. E isso foi a marca da grande amizade que seguiria pela frente.
***
Pont of Vist: Skylynn Johson
Peguei a mão do loiro que havia praticamente me lançado cinco metros de distância para o seu lado oposto. Ele parecia ser bem forte.
— Não tudo bem — eu resmunguei, passando as mãos pelo meu traseiro, limpando a poeira que tinha ficado quando cai. — As pessoas normalmente gostam de me derrubar.
O loiro me olhou, estranhando a forma em que eu havia falado.
— Você foi sarcástica? — ele me perguntou desconfiado. Neguei sem entender nada do que ele falava. — Me desculpe é que tem um colega de trabalho meu que costuma ser muito sarcástico.
Eu sorri constrangida, reparando no homem lindo que tinha em minha frente. O loiro era forte, estava usando uma calça jeans, um sapato social e uma jaqueta de couro marrom. As suas roupas lembraram-me o século passado. Seu cabelo era impecavelmente penteado, em um loiro não muito forte, mas o ideal para ele. Os seus olhos azuis olhavam-me com ternura.
— Colegas de trabalhos... — disse eu, colocando uma mão em meu bolso traseiro. — Eu estava falando a verdade quando falei que as pessoas normalmente me derrubam.
O loiro franziu a sobrancelha incrédulo, olhando-me de forma quase despercebida por mim. Eu senti uma imensa vergonha por um homem como ele estar olhando-me assim. Quer dizer, eu nem sequer tinha beijado ninguém. Já estava sendo muito ele estar falando comigo, imagine me olhando então?
— Tá brincando? — ele questionou incrédulo. Passou as mãos pelos cabelos nervoso e travou o maxilar de forma encantadora. — Por quê? Você é tão... — as suas bochechas adquiram um tom escarlate. — Bela.
Com o seu elogio, comecei a ficar vermelha como ele. Nunca em toda a minha vida uma menina tinha me elogiado.
Mordi os lábios inferiores.
— Muito obrigado. Mas, a maioria não acha isso. Sabe, ninguém do colegial curte uma nerd. Preferem a gostosona das líderes de torcida— eu disse, constrangida. Começamos a andar pelas andarias do parque, lado a lado. — Me chamo Skylynn, prazer.
Não soube o porquê, mas eu tive a imensa vontade de saber seu nome e conhecê-lo melhor. Socialismo era a coisa mais rara de se acontecer comigo, porque eu nunca tinha a atitude ou coragem de falar com alguém. E as vezes que eu tive não eram lembranças memoráveis.
— Steve Rogers— ele matinha o olhar focado no horizonte e uma ruga estava em seu testa por conta da defesa de seus olhos com o sol. — Muito prazer.
Steve estendeu-me a mão e com muita timidez eu peguei.
— O prazer é todo meu— falei a frase contente.
Essa era a frase que todos na vida falavam constantemente. Só que, comigo, era a primeira vez.
— Wow— o Steve me olhava, pude ver de relance. — Eu acho que você é a pessoa que mais gostou de me conhecer. Sério.
E mais uma vez eu corei de forma incomum. E o Steve também. Estaria eu com um cara— incrivelmente com a aparência perfeita e um cavalheirismo raríssimo— que seria tão tímido como eu?
Soltei uma risada fraca. Minhas mãos estavam suadas. Por um momento eu me esqueci de como é viver minha vida sem graça— com um pai que perdeu seu amor por mim, uma escola onde todos me odeiam uma depressão disfarçada e um cara que matou minha mãe e me persegue por todos os lugares. Não importa aonde eu vá, eu sempre sentiria que o moreno dos olhos verdes estaria ao meu lado.
— Talvez possa ser — eu admiti uma verdade recém descoberta. — Normalmente eu não falo com pessoas. Muito menos com homens... Sabe, homens bonitos.
O Steve riu, enquanto nós dobramos a andaria do parque que era cercada da grama verdinha do Central Park.
— E. — a voz dele estava em total vergonha. Olhei-lhe, vendo que ela estava com problemas para deixar a frase rolar. — eu sou bonito?
— Ai, você não pode me perguntar isso. — eu disse.
— Por quê? — ele quis saber. — Perguntei algo errado? Porque se eu perguntei me desculpe.
— Não! — falei. — É porque você não pode perguntar isso para uma garota tão tímida que nem eu, entende? Eu vou ficar muito constrangida, vermelha, com vergonha e eu vou gaguejar. Tá, eu meio que estou tudo isso. Só não gaguejei.
— Acho que lhe compreendi — ele respondeu-me confuso. — Às vezes eu também me sinto inseguro com as garotas. Na minha época... — eu levantei uma sobrancelha confusa por ele ter falado naquela época como se fosse de outro tempo. — É... Desde que eu era mais novo — corrigiu-se, gaguejando de forma adorável. — Eu nunca tive nenhuma lábia, jeito para falar com garotas. Me assusta eu está falando tanto tempo com você e não ter ido embora ou falado alguma bobagem.
Eu sorri de orelha a orelha, olhando para as minhas vans.
— Você não é único, fique tranqüilo — eu levantei as minhas bochechas em um sorriso. — No meu caso é com as pessoas. Eu acho que é pela minha situação ou por eu nunca ter procurado falar com alguém.
— Que situação? — perguntou.
A sua pergunta fez-me cair na real. Eu estava prestes a contar tudo da minha vida — meus sentimentos, as minhas crises com meu pai, tudo — para um cara que tinha me derrubado e que aí começamos a conversar. Desejei por um segundo que a Skylynn anti-social e detestável por toda a sociedade voltasse a ser como era, antes do tal Steve brotar por aí.
Steve estava esperando minha resposta, enquanto os meus passos antes em um ritmo normal, agora em um ritmo lento e preguiçoso.
— Eu não sei se seria o correto te contar. — disse eu. Dei um longo suspiro. — É muito complicado, muito mesmo. Você já ouviu aquela música do AC/DC que fala sobre estar indo ao inferno?
Steve assentiu duvidoso do que eu tinha dito.
— Eu acho que sim — sibilou Steve incerto. Juntou as sobrancelhas. — Mas, o que isso tem a ver com a sua situação?
— Tipo — eu comecei o meu desabafo com a frase tipicamente adolescente. — A cada minuto, hora, dia que eu vivo é como se eu estivesse cada vez mais perto do inferno. Aquele inferno que, talvez, seja bem melhor que a minha vida toda foi. Eu não tenho muitos motivos para querer o dia seguinte, ou uma noite bom. Eu só tenho motivos para parar e pensar que eu esteja fazendo tudo errado. Voltar no tempo e nunca ter deixado as dificuldades da minha vida me atrapalhar. Só que eu não tinha ninguém na época do sufoco. Meu próprio pai me abandonou. E isso me fez pensar que eu talvez não seja uma pessoa boa para que a sociedade possa gostar. Na boa, a sociedade é uma merda.
Um silêncio veio em seguida. O chão parecia o melhor local para ganhar a atenção de meus olhares. Pensei por um segundo, que tudo que eu havia dito tinha sido uma besteira total para ele. E isso me deixou um pouco melancólica, eu não sabia o motivo. Não fazia nem quinze minutos que eu conhecia o cara, eu já disse o meu nome na cara, minhas inseguranças, e tudo que eu sentia para ele — o fato dos morenos dos olhos verdes não merecia ser contado. Muitas vezes eu mesmo pensava no quão maníaco e estranho isso era. Em um ato incalculável e sem combinar coisa nenhuma sentamos no banco frio do parque, lado a lado, em uma distância pequena imposta entre meu corpo pequeno e o dele grande, forte e malhado. Aquele silêncio estava me incomodando e eu tive vontade de cortá-lo e contar tudo sobre minha vida. Eu estava prestes a fazer isso — embora eu quisesse que Steve quebrasse o silêncio dado por ele.
Como se lesse meus pensamentos, o Steve fez o que estava querendo.
— Isso é tão profundo. — ele apenas disse isso. Olhou o meu perfil atentamente. — Eu não sei bem o que lhe dizer, mas se te anima, mesmo que nós não nos conhecemos — ele riu. — eu estou aqui.
Um sorriso pequeno nasceu em meus lábios.
— Você está literalmente do meu lado — eu brinquei e nossos olhares se encontraram. Eu pude sentir que Steve era o meu melhor amigo de uma longa data, aquele melhor amigo que eu nunca tive. — Obrigado.
Ele sorriu.
— Que nada, Skylynn — ele falou sorrindo. — Eu só não acho certo deixar na mão uma garota tão legal e com tantas dificuldades na vida, como você, sozinha. Seu pai não deve saber a filha que está perdendo e como você disse. A sociedade é uma bosta. Me desculpe a palavra mas...
Eu não pude deixar de reparar pelo fato de que ele tinha pedido desculpa por ter falado merda.
— Merda? — eu ri. — Merda é uma palavra normal, merda. — olhei uma criança com sua mãe brincando felizes.
E eu não pude deixar de sentir aquela sensação do chão se abrindo e me engolindo para dentro, junto com o principal alvo. A minha felicidade.
Disfarcei a minha tristeza. Sorri falsamente, tentando disfarçar o medo de desabar em sua frente.
— Eu não costumo a falar essas palavras — ele sibilou baixinho. — Não é algo comum para mim.
— E o que é comum para você?
Steve olhou para as mesmas pessoas que eu estava olhando segundos atrás, pensando no que dizer para a minha pergunta inusitada.
— Deixe-me ver — Steve, pois a mão no queixo másculo, pensando no que responder. — Eu apenas fico andando por meu bairro, Brooklin e pensando na vida. E trabalho. E agüento o meu colega de trabalho insuportável. Mas, eu admito. Ele é engraçado.
— Eu acho que é a lei da vida você ter uma pessoa insuportável em todo lugar da sua vida.
— Você está certa. — Steve riu.
E assim passou à tarde. Conversamos, rimos e nos conhecemos. Trocamos contanto — eu não podia deixar um novo amigo tão legal escapar. E eu fui embora para o inferno da minha casa.
Com uma única certeza. Steve Rogers era meu mais novo amigo.
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