Bad Minds [HIATUS]

6 Nunca ande de carro com um idiota.


Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS É MUITO IMPORTANTE. Oi, oi e oi minhas amoras azuis. Como andam vocês? Espero que vocês estejam bem, porque eu estou. Bem, férias! Cara, finalmente. Como vocês viram esse capítulo tem 4.000 e poucas palavras. Sim, amores vomitem arco-íris e comentem muito, porque esse capítulo é essencial para o casal Skylynn e Tony. GENTE, EU PERCEBI QUE VOCÊS ESTÃO GOSTANDO DE SKY E STEVE, MAS EU NÃO SEI SE ROLA, PORQUE QUANDO EU FIZ TODO O ROTEIRO DA FANFIC EU PROGRAMEI ELES COMO AMIGOS E NEM ESPERAVA POR ISSO. E ENTÃO VOCÊS ACHAM QUE NA FANFIC CABE UM PEQUENO ESPACINHO PARA ELES? LEMBRANDO QUE O SHIPP OFICIAL DA FANFIC É SKY E TONY. É o seguinte se você quiser que tenha Sky e Steve comente: “Eu quero Skyrogers na fanfic” Lembrando que eles não prevalecerão juntos no desfecho da história, é só pra dar mais emoção. Enfim babys apreciem esse capítulo e logo após comente e diga a frase que eu coloquei acima se você quiser Sky e Steve. Aproveitem e comentem muito!

Hallelujah

“I did my best, it wasn't much

I couldn't feel, so I tried to touch

I've told the truth, I didn't come to fool you...”

Nunca ande de carro com um idiota. Esse é meu conselho.

— Não é por aqui, Stark. Me ouça— eu pedi ao que parecia ser muitas vezes.

E como aconteceu das últimas vezes, ele não me ouviu. Apenas deu língua pra mime voltou a olhar a estrada, a casa segundo aumentando a velocidade. E os meus cabelos começaram a voar e entrarem em contanto com a minha, enquanto eu via os flashbacks da minha vida antes de morrer. Sim, na velocidade que ele estava era sim, muito provável um acidente acontecer. E o idiota ainda estava lá, com os seus óculos de sol Ray Ban e com um sorriso sarcástico— e eu tinha percebido que algo típico dele. E muito irritante. Só de olhar aqueles lábios com aquele sorriso, eu tinha vontade de descer do carro com alta velocidade e saltar no meio da pista. Aí pedir que, por favor, alguém me levasse para a escola. Que por sinal, eu estava atrasada mais de uma hora. E do jeito que minha escola é rígida no quesito regras, eu nem a pau entraria. E tudo culpa dele.

Uhhh! — Tony ergueu as mãos no ar em sinal de medo e bem na hora um carro ultrapassa na contra mão. Na hora peguei o volante e desviei com muitas dificuldades do carro. Eu falei, eu falei que, eu morreria andando com esse maníaco. — Ei, — ele tirou as minhas mãos do volante e tomou as rédeas novamente. — Quem dirige aqui sou eu.

Eu dei um soco em seu braço, possessa de ódio e desespero.

— Você quase me matou, seu... Argh! — eu pus as mãos em meus olhos, tentando me acalmar. Contar até dez, aí vou eu. — A minha escola não é pra esse lado.

Tony aumentou o som da música do seu som tecnológico e foi como se uma bomba fosse lançada em meu ouvido, de tão alto que Black Sabbath ecoava não só pelo carro e também pela rua. Que era deserta. Sim, Tony era tão bom em achar endereços como ele havia dito, que nem mais na cidade a gente estava— pensava eu. O sol só faltava rachar o asfalto no meio e a minha língua estava sedenta por alguma água, um simples liquido.

— Desculpe Skylynn— Tony falou em seu tom mais falso e também mais alto. Tirou uma mão do volante e apontou para seus ouvidos. — Eu não ouço nada.

Bufei. Cruzei meus braços, contrariada e comecei a olhar a estrada e a sua paisagem em volta. Logo, as árvores tomavam conta de todo espaço aos dois lados do asfalto e não se via construções ou edifícios. Estava bastante tentador enfiar o meu dedo no botão que desligava aquele som— mesmo que a música fosse realmente boa, estava alto demais para que qualquer ser humano pudesse agüentar.

— Olha, — eu disse em suspiro. E Tony não pareceu ouvir, porque apenas balançava a cabeça para os lados e cantava em múrmuros. — Estou falando sério, aqui não é minha escola. E muito menos o caminho pra ela, dá meia volta.

Por mais que eu tentasse falar alguma coisa, era previsível que por conta do som alto, ele nem escutasse e continuasse a balançar a sua cabeça de forma incansável. Aquilo já estava me dando tontura e índices de dor cabeça. Eu não estava exagerando. Apoiei as minhas mãos na porta do carro e coloquei minha cabeça sob minha mão, entediada. A música alta incentivava a minha irritação e a vontade de esganar de todas as formas ele.

Na rua nem um carro passava. Então era apenas a Ferrari preta dele, eu e ele naquele fim de mundo próximo de New York. Eu estava me perguntando se uma pessoa tão retardado como Tony sofria uma doença cerebral séria ou, nos a gente se perder no meio do nado perto de tudo, de propósito. As duas opções eram viáveis do mesmo jeito. E o jeito em que ele não estava nem ligando com o fato de estarmos perdidos me deixava realmente intrigada e mais raivosa com ele— eu não sabia que nem ao menos nos conhecermos direito, eu podia sentir tanta raiva de Tony. Eu nem fazia ideia disso.

Não agüentei quando vi ele e seu dedo em direção ao botão rotativo de aumentar o som. Então, dei um tapa forte no dedo atrevido dele, que se recolheu rapidamente em um susto e em dor sob meu tapa. Não esperei um segundo sequer para apertar fundo no botão e fazer com que a música se cessasse, dando lugar ao som do ar contra a velocidade absurda do carro em movimento. Não me senti nem um pouco surpresa quando ele ligou o som novamente. E de novo, eu apertei o botão de desligar com tanta força, que pensei que o mesmo foi enterrado para dentro.

— Esse som não foi muito barato pra você brincar de enterrar o botão— disse Tony, tirando o olhar da estrada e me olhando. Eu me perguntava sem quando ele teve aulas de direção, nunca aprendeu que se deve olhar pra estrada.

Eu dei uma risadinha sem graça, sem humor. E o Tony fez o mesmo, em um tom de deboche em liquido, depois ele também calou a sua boca e olhou finalmente pra estrada— eu dei glorias por isso, mesmo minha vida sendo legalzinha eu prezava por ela. Eu olhei para o meu telefone e a esperança de ter alguma ligação foi junto com o sinal de rede. Eu sabia que não poderia esperar por uma ligação de meu pai, ela nunca viria. Mas, eu mesmo assim olhei para telefone esperando ter uma chamada perdida dele. Como eu sou uma iludida, achando que meu pai, trocaria sua empresa amada por uma simples pessoa como eu. Eu sabia que não e eu já deveria há muito tempo ter me conformado. Talvez isso acontecesse, se eu tivesse alguém que tivesse a boa vontade de me ligar todo o dia.

Um suspiro inconseqüente saiu pelos meus lábios e Tony me olhou, virei para o lado. E assim ele pode ignorar e seguir a sua viagem longa para a minha “escola” — justo como eu queria. Fechei os olhos e tentei me lembrar nas coisas boas que acontecera em minha vida. E foi um erro.

Apenas a vontade de chorar surgiu e crescia a cada segundo. E não pararia muito rápido.

Flashback

Quem diria que mesmo sendo feliz naquela época, alguns medos me dominavam. Não um medo típico de uma criança, como um bicho papão, fantasmas ou até mesmo medo do escuro. Quer dizer, eu tinha medo sim de escuro, um escuro diferente que estava tomando conta da minha família e da minha casa. O medo de que, talvez, a minha família nunca mais fosse a mesma, era atordoante e amedrontador. Consumia-me a cada segundo. E por isso eu deixei de ser a linda garotinha dos olhos azuis ciano, dando lugar a uma menininha pensativa e avoada. Eu nunca soube o porquê do casamento dos meus pais ter sido desmoronado por ele. Nem tinha sentido.

Mas ao longo do tempo, eu descobri algo tão obvio. Nada tenha sentido, até você colocar sentido. Mesmo assim, eu demorei a criar um sentido e colocar. E quando eu formulei, eu fiquei com o pé atrás. Minha mãe não amava mais meu pai, ela tinha outro e justo ele.

Mamãe tinha me dito que papai simplesmente não conseguia lhe fazer feliz o suficiente e ele sim, ah ele fazia mamãe gargalhar, como ela dizia. Eu só não sabia porque uma pessoa tão boa como papai era, não fazia minha mãe feliz. Todos ficavam felizes ao seu redor— menos minha mãe. E eu queria entender.

Mamãe acariciou os meus cabelos longos e pretos, um dos orgulhos dela. Estávamos em frente ao seu piano enorme. Ele era branco e as suas bordas tinham os detalhes eram em azul marinho intenso. O piano parecia ser uma coisa de outro mundo, os detalhes eram tão belos, bem feitos e delicados. Quem quer que seja que tenha o feito, tinha um dom da espera— um piano como aquele não era feito em apenas um dia.

— Você consegue pequena? — a minha mãe me perguntou e parou os carinhos em meus cabelos. Abriu a proteção do piano e assim revelando os teclados.

Ela estava perguntando se, por acaso, eu conseguiria tocar a nossa música. Eu sabia que eu talvez, pudesse errar, e passar por um momento de incapacidade. Mas eu resolvi tocar, afinal era a nossa música e deveria sabê-la não importar o quão pequena eu fosse. Eu deixaria a minha mãe em lágrimas de orgulho.

— Consigo. — eu respondi decidida olhando em seus olhos caramelos que lembravam sempre uma bala.

Mamãe deu um beijo na minha testa. Eu me preparei, estava sendo como um grande passo na minha vida, como se eu estivesse dando um passo na lua. Meus dedos começaram a realizar as notas certas, de acordo com o ritmo e o tempo certo. Eu me sentia tão renovada, era como se as teclas fossem o melhor brinquedo.

A minha mãe começou com a sua voz a cantar.

— “Mama takes this badge from me.”

“I can't use it anymore
It's getting dark too dark to see
Feels like I'm knocking on heaven's door.”

Pena que, momentos tão belos como aquele nunca tornariam a voltar.

Flashback Off

— Por favor, alguém chame Skylynn Johson de volta à vida. — foi com a voz de Tony que me fez tornar a realidade, e eu abri meus olhos surpresa.

Bufei, esperando que talvez eu voltasse para a lembrança. Mas, eu sabia que o resto era muito perturbador— e mesmo assim eu queria relembrar. Obrigado, eu agradeci mentalmente Tony e lhe encarei.

— Ah, finalmente— ele exclamou jogando as mãos para cima. — Achei que você estava dormindo.

— Apenas achou.

Eu olhei para o volante e para tudo em minha volta. Parado. O carro, o volante, Tony e eu estávamos no mesmo estado. Parados. Eu só queria saber porque estávamos parados no meio do nada, enquanto aquele idiota me olhava.

— Sabe, eu percebi que estamos perdidos— falou Tony na sua maior cara de pau, sorrindo amarelo, mostrando os dentes retinhos e branquíssimos. — Mas, a culpa não é minha. Você não sabe dar informações sobre endereço. O problema e a culpa são seus.

Eu ri nem me importando que ele fosse me achar um “louca”, porque até eu realmente achava isso. Só não estava acreditando que ele estava me acusando depois de eu ter avisado-o milhões de vezes que o caminho era para o outro lado.

— Minha culpa? — eu ri sarcástica, virando o meu corpo todo para ele, para que eu pudesse lhe encarar. — Você só pode estar querendo me irritar, não é?

— Na verdade não— respondeu ele pensativo. — Eu apenas me perdi mesmo porque uma menina como você não sabe nada sobre New York.

— Não sei? — gritei, enquanto isso o meu controle ia saindo pelas minhas veias. Ele tinha o dom de me irritar. — Meu querido você é um débil mental? Porque desde que eu entrei nesse carro, estou falando. Não é pra esse lado, retardado.

— Não me chama de querido, sua falsa— pestanejou Tony fuzilando-me com as orbitas caramelos. Eu fiquei boquiaberta e a fúria em minha face estava começando a se tornar visível demais. — Se estamos perdidos, é obvio que é por sua causa.

— Vai se fuder— desejei a ele de forma irritada.

— Não, obrigado— ele recusou, negando e coçando o seu pescoço. — Se quiser, vai você.

Eu o ignorei e desejei que todos os seres da terra percebessem que se um dia Tony Stark morrer, eu matei.

***

Se minha vida fosse um sonho, Tony teria admito que estava errado e por culpa exclusivamente dele estávamos perdidos, e aí ele daria a partida no carro e talvez, eu chegaria na hora do almoço na escola. Porém, como todos devem saber, a minha vida passa quinhentos mil quilômetros longe de ser um sonho. Então, eu ainda estou aqui, plantada no banco de couro branco dele esperando, que por Deus, ele pelo menos nos levasse de volta a Torre Stark. Seria ele tão orgulhoso a esse ponto? Estava parecendo que sim.

Um motivo a mais na lista “Tony Stark é um saco”, inventada por mim na hora que entrei nesse conversível chique vermelho.

— Por favor, dê partida nesse carro— eu não queria implorar para ele, só que no estado em que eu estava, foi impossível.

Tony estava com a cabeça afundada no volante e parecia estar pensando em algo, ou dormindo. Ele ergueu o olhar e virou-se com a cabeça para me olhar.

— Não dá.

— Como assim não sabe?

Eu tinha dito aquilo em um tom baixo. Até porque a fome, o calor, a preguiça, o cansaço e tudo mais me consumiam.

— Eu não sei voltar pra casa— ele sussurrou, e percebi que a sua voz estava em um tom de tremendo desespero.

— Não sabe voltar para casa? — eu perguntei com a voz tão mórbida, que eu mais parecia um doente. — Qual é o teu problema? Seu... Argh!

— Eu não sei, tá legal? Agora para de ser irritante.

— Para você— eu retruquei, cruzando os meus braços.

— Mimada.

— Metido, besta, riquinho, fútil— eu comecei a listar as coisas que eu achava sobre ele.

— Desculpa você esqueceu-se do sexy, gênio, lindo, arrasando sempre na night— ele começou a citar as suas “qualidades” e contava nos dedos e pensava que estava arrasando.

Eu fiz questão de gargalhar bem alto, de um jeito bem escandaloso, deixando bem claro que eu achava uma besteira tudo que ele falava.

— Ah— coloquei o dedo no queixo. — Egocêntrico. Você é muito egocêntrico.

— A culpa não é minha que você tem cara de ser anti-social e sem auto-estima. — ele disse não se importando com as suas palavras.

Mal sabia ele, que essas palavras vieram como uma estaca em meu coração. O silêncio reinou novamente por minha parte, e quando Tony percebeu o que tinha feito, e o silêncio veio por sua parte também. E logo, as suaves gotículas de água começaram a cair por cima de nossas cabeças— e o pior era que, estavam frias e se tornando grossas.

Nossa. Como a minha vida é ótima, pensei comigo mesma, enquanto eu bufava sem parar. Cara, já não bastasse eu, estar perdida dentro de um carro, com o imbecil do Tony. Eu ainda tinha que pegar chuva, um resfriado e ainda morrer de fome. O que eu tinha feito nas vidas passadas pra merecer tanto nessa?

— Era só o que me faltava— Tony pestanejou e deu um soco no volante, fazendo com que o mesmo soltasse o som estridente da buzina. — Eu quero sair daqui.

A minha face e roupa já continha gotas e marcas delas e Tony se encontrava em um estado igual ao meu. Estávamos com raiva um do outro, molhada e inconformada— e eu ainda mais.

— Não adianta reclamar— eu lhe censurei, tombando a minha cabeça para trás. — Se você não fosse tão besta, eu estaria no meu colégio e você, fazendo o que quisesse.

Tony revirou os olhos.

— Já me disse isso hoje— apertou os lábios. — Vamos pelo menos achar alguma coisa para podermos ficar até a chuva passar— ele sugeriu acendendo o carro e eu olhei pro céu. A água caia ainda mais a cada segundo. — Meu telefone está sem sinal, meu GPS, tudo. Isso é um inferno tecnológico.

Demorou mais ou menos dez minutos para que nós achássemos pelo menos um galpão velho e abandonado, medonho— tão medonho que só a sua entrada dizia “Não entre” —, ao menos, era útil em muitas coisas. Só nesse meio tempo, nossos corpos ficaram encharcados e a visão na estrada era horrível. O carro de Tony estava inundado, um caos. Correndo, conseguimos entrar no balcão, os nossos pés foram sujos pelo barro e pela lama e então quando entramos, deixamos rastros.

Paramos ofegantes, um do lado do outro.

— O letreiro dizia não entre— eu comentei.

— Eu não ligo pro que um letreiro idiota e imbecil diz.

— Nunca assistiu filme de terror? — eu disse e olhei em volta.

Era um galpão qualquer e muito envelhecido, apenas isso. Um frio bateu contra as minhas roupas molhadas e eu estremeci. Meu queixo batia pela tremedeira causada pelos cala-frios. Eu com toda a certeza pegaria um resfriado daqueles.

— Com frio? — Tony levantou uma sobrancelha grossa para mim.

Com o meu queixo tremendo e as minhas mãos suando, assenti.

— Vou ver se tem algo pra gente vestir. — e saiu desbravando o local. Andando, acabou encontrando um pequeno banheiro escondido por uma porta quase da mesma textura da parede do galpão. — Bem, é um começo. — sibilou alto o suficiente para que eu o ouvisse.

— Um começo bom? — eu me escorei na parede que estava poucos metros de mim, perto a porta.

— Talvez. — respondeu. E então entrou no banheiro.

Depois de alguns minutos ao que parecia, Tony saiu com uma roupa seca — quer dizer, apenas com uma calça estilo pijama cinza, me dando uma visão melhor do circulo em seu peito: tinha um circulo no meio, com algumas faixas ao redor, completando-o. Seria errado dizer que, ao menos, em termos físicos Tony Stark era legal? Bem, acho que não. Mas, sim, ele tinha um tanquinho muito sexy.

Em suas mãos continha uma roupa, e o mesmo as jogou para mim. Peguei-as e por pouco, a roupa teria caído no chão— sabe pegar coisas que me lançam, fora das minhas qualidades—, e o meu queixo caiu quando eu a vi. Uma camisola grande, que provavelmente bateria nos meus joelhos, sem manga e aparentava ser bastante velha.

— Só isso? — eu perguntei meio duvidosa.

— Só— Tony respondeu e veio até mim, pegando a camisola de minhas mãos. — Vai ficar uma gracinha em você, não acha?

Com as minhas bochechas pegando fogo, peguei a merda da camisola e rumei em direção ao banheiro.

— Não fique vermelha, querida— eu ouvi Tony gritando. — Você não concorda?

— Eu concordo em dar um murro na sua cara, querido — falei, ou melhor, rosnei. E depois fechei a porta atrás de mim. O banheiro era sujo, um cubículo, chão encardido, sem pia, vaso ou algo do tipo (e foi aí que eu percebi: porque eu estava chamando aquele quadrado de banheiro?) e apenas uma janela pequena, que mal dava lugar a luz do sol. E o frio era dominante naquele lugar. — Vida, o que eu fiz?

Eu encarei aquele pedaço de pano em minhas mãos. Deveria vestir, ou caso o contrário, morrer de gripe e frio com as minhas roupas molhadas pela chuva. Sinceramente, não sabia qual era a pior. Tem um tarado faminto por garotas indefesas e inocentes como eu ali fora, pense Skylynn.

Por fim, eu decidi vestir a coitada da camisola— eu tinha dado o meu típico espirro estridente e achava que já era hora de tirar aquela roupa encharcada. A chuva, nem ao menos parou e muito menos diminuiu, apenas chovia mais a cada momento que eu pensava: Ótimo talvez, agora, a chuva me dê uma chance de ir pra escola. Ai, como eu sou ingênua e mesquinha.

Por volta de vinte minutos se passaram e eu não queria de jeito nenhum sair daquele projeto de banheiro— céus, se aquele lugar teve algum arquiteto em seu planejamento, o mesmo era horrível em todos os aspectos.

— Você está a mais de meia hora aí— Tony falou depois que deu alguns soquinhos na porta.

— Vinte minutos, pra ser mais exata— eu lhe corrigi, sorrindo amarelo.

— Mesma coisa, anda sai daí.

— Me obrigue.

A porta foi aberta e lá estava Tony, escorado na parede com um sorriso sexy e o peitoral sendo deixado em evidente por seus braços cruzados. Seu olhar caiu sobre o meu corpo esguio naquela camisola, observando cada curva minha. Eu engoli o seco, constrangida.

— Pronto? — ele me perguntou apenas isso. Fiquei um pouco assustada, já esperando por seus comentários chatos e desnecessários.

— Sim.

Saímos do projeto de banheiro e nos sentamos no chão frio do galpão, alguns metros nos distanciavam. Minhas pernas estavam cruzadas e eu abraçava os meus próprios braços, com frio.

— A chuva não vai embora tão cedo— comentou Stark.

— Eu percebi.

— Terá que me agüentar— deu um sorriso de lado.

— E eu já não fiz isso esse tempo todo? — levantei minha sobrancelha esquerda.

— Tanto faz. Esperava que hoje começássemos o projeto.

Eu lhe olhei.

— Eu esperava ir para escola, mas olha onde estou— eu disse e ele riu.

E segundos depois eu ri também. Percebi que essa foi a conversa mais civilizada nas poucas horas que tínhamos nos conhecido. Ao menos era um avanço.

— Da onde você conhece o Steve?

— Eu o conheci ontem, quando eu fui pro Central Park, porque estava deprê. — respondi. — Por sua causa— acrescentei.

— Minha culpa? — ela riu descrente. — Garota, você tem que parar de me culpar pelas coisas.

Revirei os olhos.

— Sua sim— contrai meus lábios, e só de lembrar-me daquele meu momento de depressão algo me causou arrepios. — Foi você que fez essa proposta besta pra ele.

— Sim— ele concordou incerto. — E o que eu? — apontou para o seu peito, exatamente em seu circulo azul. Observei os movimentos. — Tenho a ver com isso? — completou.

— Você só incentivou o meu pai a me dar um chute.

— Chute?

— É— ergui o olhar para seu rosto. — Você deu a proposta pro meu pai de eu ser sua “secretária”, não é? — eu fiz aspas. Tony assentiu. — Pois então, ele viu como a tão esperada chance de se livrar de mim.

Tony ficou um pouco pensativo por alguns segundos, mas tornou a perguntar:

— Uma chance de se livrar de você?

Assenti e cerrei meus olhos por conta da pequena fecha de luz que iluminava um pouco o local escuro onde estávamos e batia contra os meus olhos.

— Sim. Brian desde que minha mãe morreu... — eu pendi minha cabeça para trás, nervosa. — nunca deu mais a devida atenção de um pai para mim. É triste.

Tony suspirou.

— Sei muito bem o que é isso— Tony admitiu e me surpreendi. — Howard não se manteve presente em minha vida. Mas, no final eu não o culpo.

Depois ele deu um sorriso fraco, mas o mesmo transparecia muita sinceridade. Eu não tinha a mínima noção de o porquê termos engatado em uma conversa como essa, mas de qualquer modo era legal falar com alguém que passa pela mesma coisa do que eu — ou já passara.

— Seria muito estranho eu dizer que eu ainda penso que meu pai, talvez, voltasse a dar bola pra mim?

Tony me olhou com um olhar suavizado, tranqüilo.

— Aposto que sim. — me assegurou.

Eu abri um simples sorriso nos meus lábios— esse mesmo era tão pequenino que nem ao menos cantos da minha boca estavam levantados direito.

— Mas, você ao menos é bom de aposta? — eu constatei.

— Você nem imagina, minha querida— e de novo ele veio me chamando de querida. Como eu odiava.

— Prefiro não imaginar— eu sussurrei. — Vai que você é tão bom em apostas como eu— agora eu falava em um tom normal.

Ele riu sem humor e vi o seu circulo azul brilhante iluminava também o local junto a fecha em meus olhos— ainda um pouco cerrados.

— Não se preocupe com isso, eu sou bom em apostas.

— Posso confiar em você— ponderei, sorrindo de lado.

— Todos podem.

— Disso eu não sei, Stark. — falei. — Me desculpe, aliás, não me desculpe. Você não tem cara de ser confiável.

— Que menina petulante você— Tony gargalhou. — Pode deixar, eu não ligo pra sua opinião.

Bem certo, de alguma forma eu deveria ficar calada agora— ele tinha me dado um motivo ótimo para que eu calasse a boca. Mas, bem, veja: eu tenho problemas de nem me obedecer

— E eu não ligo que você não liga. — retruquei.

Ele crispou os lábios e olhava em um local fixo do galpão. Especificamente do outro lado do local, onde algo era coberto por uma lona branca— ou que foi, já que hoje, o tom bege dominava. Talvez estivesse empoeirado.

— Parece... — eu analisava todos os aspectos do que seria aquilo coberto pela lona. — Um piano.

— Um piano? Claro, faz todo sentido ter um piano abandonado em um galpão. Igualmente abandonado.

— Não é pra ter sentido, Stark— eu lhe cortei e fui até o piano. Tirei a lona branca, revelando um piano bege, em boas condições. — Algo para fazer ao menos.

Tony juntou-se a mim.

— Toca?

Eu não respondi. Apenas peguei o banco que estava na frente do piano e sentei. Abri a proteção das teclas. Eu tinha uma ótima resposta para ele.

Respirei fundo, e enfim comecei a tocar a melodia.

— “I've heard there was a secret chord
That David played and it pleased the Lord” —
comecei a cantar e Tony me olhou.

Eu sorri para ele, vendo que ele havia de fato ficado impressionado com o meu canto. E nesse momento eu senti um orgulho de mim. Ele me olhava atentamente enquanto eu teclava.

“But you don't really care for music do you?
It goes like this — the fourth, the fifth
the minor fall, the major lift
the baffled King composing Hallelujah.”

Eu cantava a música como nunca cantara em toda a minha vida. Quis que Tony soubesse que eu tinha alguma qualidade— não sabia nem porque eu queria isso, eu só me sentia bem. Tony estaria mesmo só me olhando com os seus olhos me fazendo bem? Eu sorri, e olhei para as teclas e meus dedos. Era uma perfeita combinação.

A música acabou e eu teclei a última nota. Ergui automaticamente meus olhos para Tony pedindo por sua opinião. Ele pareceu entender, pois sorriu e olhava em meus olhos de forma profunda.

— Odeio admitir esse tipo de coisa, especialmente para chatas-gatas-anti-sociais como você— ele começou com o seu tom de brincadeira. Minhas bochechas coraram, ele tinha me chamado de gata. — Mas, você manda muito bem, querida.

Notas finais
Então é isso! Comentem muito mesmo, favoritem e recomendem. E se você quiser Sky e Steve comente o seguinte: “Eu quero Skyrogers na fanfic” Bem, até a próxima minhas amoras.