Bad Minds [HIATUS]
4 Meu projeto.
Notas iniciais
— Steve? — eu perguntei confusa.
— Skylynn? — ele franziu as sobrancelhas e assim como eu, estava confuso.
Nada. Eu não estava entendendo nada.
Fiquei bem surpresa ao encontrar Steve na sala onde Stark também estava, e meu pai e o Tony ficaram simplesmente sem saber o que estava rolando. Deixei minha mala em frente ao elevador e fui em direção a Steve.
— O que faz aqui? — Steve me perguntou.
Cheguei um pouco mais perto de Steve— que estava ao lado de Tony.
— Eu meio que vou morar aqui. — respondi sem entusiasmo nenhum.
Steve arqueou a sobrancelha, confuso.
— Por quê?
— Ela é meio que minha nova secretária— Tony Stark respondeu em meu lugar e só aí eu o notei.
Ele usava uma blusa branca, realçando um circulo azul em seu peito— algo que não consegui distinguir—, uma calça jeans surrada e um tênis azul. Por mais que eu não fosse bem com a cara dele, de uma coisa era impossível de negar. Ele era muito bonito.
— Secretaria? — Steve perguntou incerto, como se não gostasse nada da ideia de que eu seria a nova “secretária” de Tony.
E bem, eu também não. Ainda passava por minha cabeça algo que fizesse sentido sobre essa história estranha.
— É— meu pai se intrometeu no meio da conversa, pegando a minha mala e trazendo-a até mim.
Tony me olhava de forma estranha, analisando-me das cabeças aos pés, como se estivesse me estudando. Eu resolvi ignorar, e pelo menos não tentar ficar vermelha, eu sentia que não poderia ficar vermelha ou nem nada do tipo na frente dele.
— Tony me pediu para que Sky fosse a sua secretária— meu pai continuou, olhando Steve de forma intensa. — Eu tinha falado sobre ele, que Skylynn era uma boa garota, eficiente e muito inteligente para a idade dela, não é amor? — ele me perguntou com um tom tão falso que meu sangue ferveu.
Eu não estava acreditando que, agora, ele bancaria uma de pai carinhoso e prestativo na frente dos dois.
Steve, porém, não pareceu acreditar na explicação de meu pai, mas ignorou, assim como eu ignorei a pergunta falsa de meu pai.
— Ah, — ele se virou para Stark, com os braços cruzados. — Ela era. — afirmou.
— Sim— Tony coçou o seu cavanhaque e estendeu a mão em minha direção. — Muito prazer, Skylynn.
Um pouco relutante apertei a sua mão— um pouco desconfiada também—, e foi um breve aperto de mãos, porque logo eu foz a questão de retirar a minha mão do aperto.
— Pena que eu não posso dizer o mesmo— disse eu, de forma convicta e confiante.
— Estou com você, Skylynn— Steve riu.
Então, Tony também começou a rir, batendo as mãos em sua própria perna, enquanto sentava no pequeno sofá que tinha no que parecia ser a sua oficina.
— Qual é a graça? — eu quis saber.
— Você— ele respondeu, ainda rindo. — Garota, você conta uma piada ótima— ele completou, já não mais rindo e sim em um tom sedutor.
Não era por menos que ele aparecia em todas as revistas em escândalos sobre “dormir com alguém”, eu sou estava comprovando o fato de que o Stark era um tosco.
— Não é piada— eu deixei claro, cruzando os braços e olhando fixamente em seus olhos. — Disso você pode ter certeza, Stark.
Meu pai apertou meu braço forte e eu reprimi um grito, enquanto ele ainda apertava ainda mais forte o meu braço.
— Comporte-se— ordenou e a intensidade do aperto em meu braço só aumentava.
— Tá me machucando!
De uma hora para outra, Tony levantou e afastou meu pai de perto de mim, e Steve chegou mais perto.
— Ei— Tony falou olhando para meu pai, lhe advertindo. Enquanto isso Steve me sentou no sofá pequeno, onde Tony havia sentado. — Vai com calma, a baixinha só está brincando, não é? — ele me olhou, sorrindo de canto. E com dificuldades eu assenti.
Minha cabeça estava girando um pouco, pelo fato de que a mesma estava só nos de desentendimentos. Steve não olhava meu pai de forma “agradável” podemos dizer, apenas estava em pé com os braços cruzados por cima do peitoral— fazendo com que os seus músculos generosos aparecessem ainda mais por de baixo da sua jaqueta— e encarava meu pai, não gostando do que ele havia feito.
O Stark puxou meu pai para fora, indo então os dois para o elevador. Steve me prensou um pouco entre o braço do sofá preto de couro, sentando-se ao meu lado.
— Oi— disse eu, apenas para cortar o clima que meu pai fez questão de deixar.
— Então por que você é a nova secretaria do Stark? — Steve quis saber curioso.
A porta do elevador novamente se abriu, e dali surgiu um Stark sozinho, entrando apressadamente e ficando em nossa frente.
— Longa história, picolé— ele disse. — Longa história.
— Picolé? — eu perguntei. — E quem te chamou pra conversa?
Eu queria deixar bem claro que só a presença daquele cara me deixava extremamente furiosa, ele era muito irritante com aquele jeito metido de ser.
Tony me olhou com desprezo ou algo parecido e eu devolvi o olhar olhando em seus olhos castanhos escuros. Logo se virou para Steve, que apenas revirava os olhos com o apelido dado pelo Stark.
— Que é? Você conheceu essa garota irritante do seu pilates? Porque se for assim, cara, aonde se faz pilates? — ele fez graça.
— Tony— Steve lhe repreendeu. — Cala a boca.
Achei estranho o fato de que meu pai tinha ido embora, sem nem ao menos se despedir de mim. Mas, também não era nada surpreendente já que ele não estava ligando mesmo para mim.
— E meu pai? — só que mesmo assim não pude evitar perguntar.
— Ele foi embora— respondeu, andando para uma mesa inox onde tinha várias ferramentas. — O aconselhei a ir embora, já que ele estava meio Hulk, sabe?
Steve ao meu lado bufou, passando as mãos pelos cabelos impaciente.
— Será que você não leva nada a sério, Stark? — Steve dizia tudo de forma pausada, por mais que em seu tom de voz, houvesse raiva.
Tony levantou o queixo, e colocou a mão nele por alguns segundos, parecendo pensar na hipótese. Balançou a cabeça algumas vezes e então a abaixou, parecendo aceitar.
— Não— ele respondeu na maior cara de pau, pegando uma chave de fenda.
Eu sei que eu já tinha dito isso. Só que Tony Stark tinha o dom de só por ser quem ele é me irritar.
***
Depois de eu ter explicado para Steve o porquê eu iria a ser a nova secretária de Tony— algo que demorou um pouco, já que nem eu sabia, e o Stark fez a questão de não falar para Steve, porque era algo muito profissional e outras coisas—, ele foi embora dizendo que iria se encontrar com uma colega de trabalhos chamada Natasha, e isso resultou algumas piadas de Tony— como de esperado. Uma coisa que eu não tinha entendido era o que Tony era de Steve e vise e versa, eles eram colegas de trabalhos, mas alegaram não trabalhar junto. Que mundo é esse que você tem um colega de trabalho, mas não trabalham juntos? Cada coisa nesse mundo viu. Dava pra ver de longe que os dois não se davam muito bem e muito menos se aturavam.
E eu estou aqui, sentada em um sofá de couro— que eu tinha que admitir, era muito confortável! —, esperando o Stark parar de dar atenções aos seus projetos e falar o que eu tenho que fazer, aonde eu irei dormir, se ele vai me assassinar ou iremos ver Bob Esponja comendo pizza. Mas, nada acontece e meu estomago já começava a roncar.
Eu bufei, pela qüinquagésima vez, tentando inutilmente chamar a atenção dele.
Pela graça de todos os seres vivos, ele percebeu e parou de olhar para o seu projeto digital que estava refletindo na parede branca da sala. Virou-se e me encarou com cara de tédio.
— Você é estranha— ele disse isso, me olhando fixamente.
Fiquei boquiaberta por sua petulância, e respirei fundo.
— Se você não percebeu— eu juro que tentei falar da forma mais educada possível. Bem, só tentei mesmo. — Estou aqui a mais de uma hora, esperando você abrir a boca e começar a falar onde eu vou dormir, porque se você não percebeu: eu fui chutada de casa.
Tony deu de ombros, e começou a analisar ainda mais o projeto na parede, que estava em sua frente. E eu comecei a analisar também, as contas, os detalhes, tudo. E foi aí que eu me dei conta, pelo fato que na “casa” tinha um piano no lado da porta de vidro, exatamente como o meu projeto!
— Três segundos pra você responder porque esse meu projeto tá estampado na sua parede.
— Opa, opa, opa— ele pediu, olhando para mim. — Seu pai que deixou aqui não sei por quê.
— Por que meu traria um projeto meu, pra cá?
— E eu sei garota? Olha, ele deixou aqui, eu vi achei interessante e disse pra ele que queria você como minha assistente, mas nada verdade eu quero outra coisa, entende?
Eu neguei com a cabeça, desconfiada.
— E o que você quer? — perguntei um pouco relutante.
Tony revirou os olhos.
— Menina besta...
— Idiota, estranho, METIDO— nessa eu não falava e sim gritava. Argh, como ele me irritava.
— Cala a boca— ele mandou.
Legal, além de me chamar de menina besta, ele acabou de me mandar calar a boca. Quer dizer, eu não estava fazendo nada.
Respirei fundo, tentando encontrar a minha calma em algum lugar e por incrível que pareça, ela veio— uma sorte grande para o Stark.
— Tá legal, eu só calo a minha boca se você falar o que você quer comigo— propus de forma calma (eu nem estava me forçando a ser calma. Simplesmente tem horas em que a calma vem e fica lá.)
— Ok— ele concordou, pegando um banco alto que estava perto da sua bancada de “alguma coisa” e se sentou na minha frente. Olha-me sério. — Eu não quero que você seja minha secretária, é só uma desculpa. Só quero que você faça um novo projeto para a torre. Ela precisa de uma reforma, sabe?
Minha boca caiu do alinhamento com o meu queixo, fazendo com que eu ficasse boquiaberta. A declaração que tinha sido feita segundos antes era muito boa para ser verdade. Quem em certa consciência pediria para uma garota de apenas 18 anos para que fizesse um projeto de arquitetura para sua torre— cujo essa era referencia de arquitetura e tecnologia no mundo todo? Quero dizer, eu devia acreditar mesmo que o pedido era pra valer, ou estaria ele apenas blefando e curtindo uma com a minha cara? Era surreal demais para ser verdade. Um projeto que nunca em minha vida eu imaginaria que pegaria, e muito menos com a minha idade.
Eu torci os meus lábios e fixei o meu olhar em seu rosto, em buscas de respostas das minhas perguntas. E nada. O rosto de Tony ainda continuava o de quando ele tinha feito a pergunta, sério, e era muito difícil tentar ao menos distinguir o que ele sentia ou pensava.
— Você não está blefando, ou está? — eu perguntei, com o olhar ainda nele. E o mesmo, tinha o seu olhar em mim (especificamente em meus olhos.)
Ele riu. Um sorriso sexy e natural, deixando o ar sério de lado e dando graças ao tão conhecido jeito Tony Stark.
— E por que eu estaria blefando? — ele considerou.
— Por que não estaria blefando? — eu disse, sorrindo sarcástica. Se tinha coisa que eu não sabia fazer, era sorrir sarcástica. — Pelo que percebi você manda tão bem nisso.
Um sorriso maldoso e ao mesmo sexy nasceu em seus lábios finos. E em seus olhos havia impacienta, cuja essa estava lá apenas pela minha desconfiança— e eu não lhe culpava e muito menos a mim. Já que era muito impossível de se receber tal convite (ou seja, lá o que aquilo foi) e acreditar na mesma hora.
— Eu sei muito bem que sei blefar— ele admitiu. Ajeitando o seu quadril desencaixado na cadeira circular alta. — Só que hoje eu não estou mentindo. Quer dizer, por que eu daria falsas esperanças pra uma pessoa tão chata que nem você? Na verdade, por que eu não daria?
Rolei meus olhos, agora eu estava impaciente.
— Então, você tá falando a verdade? — eu perguntei, mesmo assim desconfiada.
— Não, garota, não— Tony passou as mãos pelas bochechas, puxando-as para baixo. — É tão difícil entender isso?
Eu sorri de lado, apenas para provocá-lo.
— Na verdade sim.
— Você é chata.
— E você é um besta que acha que manda em todo mundo.
— E não mando? — ele arqueou uma sobrancelha, desafiador.
— Não— respondi.
Ele deu um sorriso e eu não entendi o porquê dele, mas apenas devolvi um sorriso frouxo e um desviar de olhar. E ele voltou a prestar atenção no projeto. Sem me dar nenhuma informação de onde eu ficaria, onde ficam as coisas, quando começo a trabalhar no projeto. De uma coisa era certo, Tony Stark nunca seria um bom anfitrião.
E eu estava na estaca zero. Com fome só observando o besta observar o meu projeto. E esse era só o começo da minha longa jornada.
***
Se demorou para que Tony me levasse para um quarto e só assim eu pude descansar? Sim e muito. Eu tinha perdido a noção de quanto tempo ele passou olhando pra aquele projeto meu e eu comecei até ficar constrangida, quer dizer era o meu trabalho. Mas, não que eu ligasse pra opinião tão irrelevante quanto uma barata em minha vida, ele somente era dono de uma torre super tecnológica e uma arquitetura dos Deuses, só isso.
Por falar em tecnologia, parecia que tudo aqui, nessa torre, era resumido nisso. Para tudo era preciso meio que um “cartão de crédito” — como preferi chamar—, que se tem que colocar na frente de um scanner. Pra entrar em TODOS os cômodos— sem nenhuma exceção. Era meio que um mundo tecnológico, um “futuro” que poucos americanos ou pessoas do mundo mesmo possuem. E, eu podia me usufruir de tudo aquilo.
Foi mamão com açúcar conseguir lançar as coisas na parede, ou conseguir “pega-las”, como Tony fazia. Quer dizer, eu fazia minhas fotos ficarem na parede em um ato de lançamento com o dedo, era muito legal!
— Então você tá nesse quarto super chique, e tá assim? — Triz me perguntou. Estávamos no Skype, e eu falava com ela por meio de meu computador que trouxe para cá.
Bocejei com sono.
— É— concordei, depois de um bocejo enorme. — Ou não. Meu braço ainda dói.
— Seu pai fez mesmo isso na frente deles dois? — Triz perguntou-me exasperada, enquanto não tirava os seus olhos da minha mancha roxa em meu braço.
— Sim, nem se importou. Como se ele se importasse.
Do outro lado da tela, Trice suspirou.
— Como você agüenta calada? — ela quis saber, já com a voz alterada.
— Nem eu sei— eu admiti, por mais que eu soubesse muito bem.
Eu nunca impedia meu pai das suas grosserias porque eu lhe amava demais. E isso era meio o que me matava por dentro. A cada vez que eu tentava conquistar o seu amor paterno de volta, era uma decepção e uma angustia.
— Esse quarto é enorme— disse Trice, observando o quarto onde eu estava. Ela só sabia falar o quanto o quarto era fabuloso, desde que iniciamos a conversa.
Olhei ao redor e concordei com um aceno. O meu quarto era simplesmente enorme. Três vezes maior do que o meu antigo, e o banheiro eram do tamanho do meu quarto. Eu não queria ser mal agradecida, mas, era um exagero para uma pessoa como eu, que usa apenas um centímetro do seu quarto.
— Aqui não tem piano— eu reparei.
— Como você sabe? — ela me perguntou como se fosse obvio.
— Simples— eu sorri vitoriosa. — Jarvis me disse, minha querida.
— Quem é Jarvis? Conta agora! — ela exigiu e depois deu o seu grito de “ai meu deus quem é o gato”.
Trice não podia ser uma patricinha, mas era tão louca quanto uma. Eu não podia ser olhada por um cara ou citar um nome de um menino e ela começa. Perguntar-me quem é o gato, onde ele mora, se tem uma mão bonita etc.
— Jarvis é um robô-mordomo do antipático do Stark e é legal como uma pessoa, até melhor do que o próprio Stark, mas— eu falava de forma com que fosse visível o meu não entusiasmo.
Trice não me olhava e sim para trás, sua boca estava meio aberta e seus olhos arregalados. E de forma bem dramática, ela levou a mão na boca— como em todos os seus movimentos, o drama estava lá.
— O Tony tá... — ela disse ainda muito assustada.
De supetão virei minha cabeça e vi um tarado sem camisa olhando para o meu bumbum— que estava meio que empinado, porque eu estava deitada de bruços em frente ao notebook, e meu short não era um dos maiores. Justo hoje que eu resolvi que não era necessário usar uma calça de um moletom qualquer, uma vez que eu sempre usava isso. Na minha cabeça eu me fazia a mesma pergunta: como ele tinha entrado aqui?
— Não sabe bater? — a primeira coisa que eu disse foi isso. E logo após eu me virei e peguei o cobertor para cobrir meu corpo. Olhei para Trice e disse: — Tenho que desligar, adeus.
— Não sua... — ela tentou protestar, mas já era tarde demais, eu já tinha fechado o notebook.
— Não. — Tony respondeu de forma calma. — Esse seu pijama, bem melhor do que seu moletom, né? — ele tinha a coragem de me perguntar isso com a maior cara de pau?
Eu joguei uma almofada nele, ou pelo menos tentei— a minha mira era uma bosta. Foi impossível não deixar meu rosto ficar vermelho e eu me sentir um pouco constrangida.
— Pois, deveria saber— rosnei, olhando pra uma coisa que me deixava bastante curiosa em relação a ele.
O circulo no meio do seu peito que reluzia uma luz azul. Eu decidi ignorar o meu desejo de perguntar o que era aquilo, apenas o expulsei. Só que em meus pensamentos estava o circulo brilhante e algo me dizia que era ali, no peito de Tony, que ele deveria ficar.
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