Bad Minds [HIATUS]
9 Isso Não Vai Prestar.
Notas iniciais
Passei a observar mais cada detalhe da imensa torre Stark. E, percebi que só isso me renderia noites e noites más dormidas, e muita grana pra comprar cafés e alguns energéticos da marca Gatorade para me manter acordada e conseqüentemente, para que eu não fique muito sonolenta — uma coisa que eu costumava ser com muita freqüência. Mas, bem, tinha que parar. Agora, era mais ou menos por volta das nove horas, ou seja. Eu tinha passado mais de três horas tentando começar o trabalho e esperando que a criatividade venha até mim. E, céus, eu estava agoniada demais para ficar parada. A impaciência de não ter criado nada em minha mente desesperava-me — era uma coisa extremamente rara comigo. A inspiração e criatividade sempre fluíam quando eu colocava a ponta do lápis no papel. Um bloqueio enorme estava consumindo-me e deixando a minha mente a mil.
Pensando, pensando e pensando.
Era basicamente isso que eu estava fazendo nessas três horas. Pensando em como fazer um projeto perfeito, rápido, simples, mas tecnológico para uma torre de quase 600 andares. Acabei por chegar à conclusão mais obvia: eu estava ferrada. Como é que o meu pai tinha me colocado em uma situação tão complicada como essa? E, ainda mais o meu “chefinho” era ele. O irritante e egocêntrico playboy que só com a sua presença eu sinto-me extremamente aos nervos. E, tudo o que eu conseguia fazer era explodir em ódio e começar a chamá-lo de todos os nomes adequados para ele. Nem ao menos consigo me controlar, é como um gatilho: se você o tiver ativado, qualquer descontrole a bala sai, é atirada.
É, eu tenho apertado muito o gatilho desde que conheci Tony e eu não sei o porquê. Ninguém jamais mexera assim comigo, como Stark vem mexendo — e mesmo que seja de um jeito não muito bom. Ainda sim, ele era diferente de um modo, no qual eu ainda iria descobrir.
O último andar da torre era literalmente de tirar o fôlego. Era tão alto dali, da varanda gigante que, se eu alguém se jogar, é morte certeira. E esse alguém morreria muito antes de chegar ao chão, disso eu tenho certeza. Mas, a visão, essa sim era realmente de tirar o fôlego. Como NY era linda a noite e fazia-me pensar o que estaria acontecendo com cada pessoa dessa cidade tão mágica e movimentada. Eu dei um suspiro, não por estar triste ou decepcionada. E, sim porque aqui, na varanda dessa Torre consegui me sentir em casa novamente, como nunca tinha sentido antes — nem mesmo em minha casa, depois que mamãe se fora.
Um sorriso fino surgiu entre os meus lábios.
— De tirar o fôlego essa visão, — a voz de Tony veio de trás das minhas costas. Virei-me e lá estava ele, com um sorriso sarcástico, uma regata branca toda branca – o seu circulo ficava ainda mais evidente com ela, as luzes azuis provindas dele chamavam-me uma enorme atenção -, calças jeans e sapato social. — Ok, eu não estou o mais apresentável, mas bonito pra um traste, pode falar.
Foi inconseqüente, com o seu jeito convencido, pela primeira vez consegui sorrir abertamente, como se fosse algo que eu sorriria.
— Hmmm... — virei o meu corpo e minha cabeça novamente para encarar a visão de NY — Você é apresentável. — conclui e pude sentir que o mesmo ficou incrédulo.
Stark juntou-se a mim, ficando com o seu corpo lado a lado do meu, e assim como eu estava, apoiou-se com os braços na grade de vidro blindado. Na casa, tudo era blindado e então, eu não poderia quebrar nada na cara de Stark, se não ele desmaiaria na hora.
— Só apresentável? — ele questionou descrente. Não virei para encará-lo, apenas limitei-me a revirar os olhos e sorrir disfarçadamente. Por que ele tinha esse prazer de arrancar elogios das pessoas? Seja porque for eu não daria muito cedo esse braço a torcer. — As mulheres costumam dizer que sou o cara mais sexy do mundo... Não me leve à mal, elas têm muito bom gosto.
— Não me leve à mal, Stark. Só não acho legal ficar elogiando pessoas que, se eu elogiar, vão ficar no meu pé a vida toda. — falei e depois dei um sorriso singelo para ele.
Demorou alguns segundos para que Stark respondesse, pouco liguei. O silêncio estava sendo um amigo e, pela primeira vez Stark estava tornando-se uma companhia agradável.
— Então... — Tony indagou, como se não quisesse nada com nada. — Admite que sou muito gato, mas não quer me elogiar?
Meu deus, que homem doido! Qual é, ele ficaria no meu pé até eu dizer que ele é sim um gato — senhor, eu odeio muito mesmo admitir isso em pensamento. Imagine então em voz alta e pra ele. Fode tudo de uma vez só —, e sexy.
Tombei a minha cabeça para trás e grunhi, e nesse grunhindo eu disse claramente: saí do meu pé. Stark estava olhando-me e por isso a sua atenção não era mais NY — deveria ser. Esboçava o olhar sarcástico, enquanto analisava meu rosto.
— O que tanto você me olha? — eu estava muito curiosa para saber os motivos dos seus olhares repentinos para mim. Minhas bochechas esquentaram e eu concluo que estava corada.
Ele deu de ombros e fez um biquinho com os lados, como se fosse pouca coisa.
— Se incomoda?
O seu tom de voz calmo e sereno, adquirido na pergunta, fez com que eu relaxasse um pouco o meu corpo um pouco ereto e as minhas bochechas estavam na sua cor normal.
— Na verdade. Sim — eu sibilei e por um segundo desviei o meu rosto da direção do seu.
O silencio bateu de novo na nossa porta e novamente, o recebemos. Eu, tentando parar de sorrir abobalhadamente e também constrangidamente, e Tony, ainda me via olhando para a visão de NY. Como alguém preferia olhar-me ao invés de ver uma visão tão privilegiada como essa? Por um momento, me senti bonita. E no outro, lembrei que de nada valia se eu não nada por viver.
As estrelas no céu faziam um perfeito conjunto com a lua cheia, e o céu estava tão cheio que mal couberam todas as estrelas brilhantes como um diamante nele. Fiquei pensando em como seria ser amada e, todo dia acordar com alguém ao seu lado dizendo bom dia e puxando-te para um abraço. Deveria ser umas das melhores sensações do mundo, ser amado e amar. Ser cuidado e cuidar. Ser prezado e prezar. Senti que eu era incapaz de ser amada, porque oras. Nem mesmo meu pai, aquele que meu colocou no mundo — e que eu amo com tudo que sou —, não quis o meu amor e não quis me amar.
— Ei, — Tony quebrou o silencio e olhei em sua direção. — Está muito chato para os padrões Tony Stark, — eu sorri. Tony por mais que irritante fosse, tinha o dom com palavras me fazer sorrir. Era assim, com um poder intenso de me irritar e de me fazer sorrir. — podemos fazer um jogo.
— Esse projeto irá me render noites sem dormir. Você sabia disso? — eu perguntei. E, então suspirei. — Não faço ideia de como começar.
Recebi um leve peteleco no meu braço, vindo de Tony.
— Não mude de assunto, garota! — ele me advertiu, não gostando da minha troca repentina de assunto. Quero dizer, eu não estava gostando nada do jogo (que eu nem sabia qual era), o qual o Stark iria propor. — Primeiramente, eu sei disso. E, logo você vai saber o que eu realmente quero pra esse projeto. — deu um sorriso de canto.
É, parece que vai demorar alguns meses, dias, anos pra esse projeto ficar pronto. E, então com esse pensamente, eu comecei a pensar. Se, demoraria isso tudo para que o meu projeto estivesse pronto, eu teria que morar esse tempo com Tony. Fruta que partiu!
— O que você pretende fazer?
Tony revirou os olhos.
— Menina apressada, — ele sibilou. — Vem cá, eu já não te disse que você vai saber depois?
— Sim, — eu contraí meus lábios, contendo o sorriso brincalhão que queria sair e assim, estragaria tudo. — Mas, o problema é que eu não ligo pro que você fala.
Eu só queria saber de onde eu estava dando aquelas respostas repentinas e cortantes. Seriam elas somente com o pouco tempo de convívio com o Stark?
— E eu não ligo que você não liga, minha querida. — Tony rebateu e o sorriso vitorioso foi tomando posse dos seus lábios.
Eu não gostava nada daquele seu sorrisinho de vitória extremamente sexy e irritante.
— Tuche! — fiz sinal de uma arma em movimento com meus dedos. — Ei, de qual jogo você estava falando?
Eu sabia que não deveria ter dito aquilo, pois só pelo sorrisinho malicioso do Stark eu soube.
Isso não vai prestar.
☼ ☼ ☼
Quando eu tinha dito que não ia prestar eu estava redondamente certa. E, aqui estou eu no bar — não. Você não leu errado, eu estava no bar do Stark — e eu estava esperando ele sair atrás da bancada. Um frio percorreu a minha barriga, eu sabia que o jogo que jogaríamos ia ter, com certeza, bebida. Com álcool. Passou pela minha cabeça se álcool tinha um gosto bom, e eu até me assustei. Desde quando eu tinha essa curiosidade por coisas, que antes, eram tão banais? Eu não sabia, mas de qualquer forma a vontade e curiosidade repentina tomaram conta de mim. Quer dizer, eu podia não é? Eu já tinha dezoito anos e sabia muito bem o que eu queria pra minha vida. Formar, depois faculdade e então ser uma arquiteta de nome! Mas, depois disso, eu não tinha mais nenhum plano pra minha vida e, comecei a pensar se eu deveria ter.
Eu sentada na cadeira giratória em frente ao balcão do bar, girava com a mesma, pois o local estava um tédio. Trice não tinha me mandado mais nenhuma mensagem e, eu estava curiosa. Onde ela estaria para não ter mandado nenhuma mensagem? Não era comum dela isso. Peguei o meu iPhone que estava na bancada e o desbloqueei. Já que eu estava sem nada pra fazer, decidi abrir uma de minhas redes sociais e então meu queixo caiu. Tinha exatamente cento e vinte e sete solicitações recentes. Fui passando e vendo quem eram essas pessoas, e surpreendentemente eram todas de minha escola e que nunca tinham falado comigo. Quase todas as pessoas da Elite estavam incluídas nas que mandaram solicitação. Ok, certamente tinha alguma coisa de errado acontecendo na minha vida. Eu tinha certeza.
— É normal você receber cento e vinte solicitações em uma rede social em só um dia? — eu perguntei para Tony, incerta.
Ele, em questões de segundos veio com duas taças de cristal cheias de um líquido transparente — bem, água aquilo não era — e as repousou no balcão de pedra preta. Pegou uma taça e deu um gole.
— Não sabia que você era popular — Tony falou, apoiando os seus cotovelos na pedra, ficando em minha frente.
— Nem eu — indaguei sem nenhuma animação, olhei novamente meu iPhone, ainda sem saber se eu aceitava ou não. — Acha que eu aceito ou ignoro?
Tony bebericou novamente do liquido e eu reparei que não tinha tocado ainda na minha taça.
— Aceite uns hoje, outros amanhã, outros semana que vem e os que você mais odeia mês que vem — ele me instruiu. — Quem você odeia, na verdade?
Essa pergunta fez-me parar pra pensar. Quem eu odiava? Certamente, eu não odiava o meu e muito menos aqueles que me ignoravam e me ridicularizavam na escola — desses na verdade nem nada eu sentia. Sobre o cara dos olhos verdes, esse sim eu odiava. Mesmo não tendo mais do que simples relances sobre os seus olhos e o mau que ele tinha me feito, eu não me lembrava mais de nada dele. Nem do seu rosto e muito menos do seu nome.
— Da escola ninguém. — eu o respondi e ele arqueou as sobrancelhas. De certo não acreditava. — Estou falando sério, — lhe assegurei. Olhei para a taça buscando a coragem para beber o que continha nela. — eu não odeio ninguém da minha escola. Quer dizer, tem algumas pessoas que eu não gosto de falar ou sei lá, cruzar com elas pelos corredores. Mas, só.
— Então, você é uma menina sem rancor daqueles que te humilham? — ele indagou e o seu copo já estava vazio. Ele bebia como se fosse água e eu, encarava o liquido como se nele tivesse boa noite cinderela. — Não sente nenhum tiquinho de sede por vingança?
O encarei sem entender. Não tinha motivos para sentir sede de vingança sobre ninguém.
— Por que eu sentiria?
Tony deu os ombros e inclinou o seu copo perto do meu e eles tiniram.
— Esquecemos de brindar — explicou o porquê de ter feito aquilo. — Você é bem mais pura e inocente do que eu imaginava, mas deixa pra lá.
Inocente e pura?
— O quê? — eu perguntei indignada com a sua afirmação. Eu não era inocente e pura. — Ser inocente e pura é não ter sentimentos ruins sobre aqueles que te fizeram ma...
— É — eu fui interrompida por Tony, cortando a minha frase com a sua. Limitei a revirar os meus e os cerrá-los. — Olha, uma coisa que ninguém deve ter te falado. Você ainda não deve ter conhecido a crueldade do mundo... — PIIIIM! Como ele estava errado. — Por isso é assim, tão pura. — completou.
— Não sou não — decretei e por fim – e finalmente devemos dizer- peguei a taça e bebi um gole imenso do liquido transparente. Minha boca de imediato amargou e quando a bebida foi para minha garganta, passou queimando. Não pude beber todo o liquido, porque metade eu tinha botado pra fora. — Eca! Que isso? Argh, que nojo. Essa é a famosa sensação flutuante de estar no mundo da bebida? Ai, socorro, minha boca tá com um gosto horrível... Como é que você me oferece um negocio desse?
Enquanto eu reclamava incansavelmente, Stark limpava um pouco da bebida que respingou em sua camisa por conta da minha cuspida. Meu queixo estava todo babado do liquido enquanto eu fazia caretas por conta do gosto ainda na minha língua. Foi um dos momentos mais decepcionantes da minha vida. Por mais que a bebida nunca tivesse me atraído, imaginei que quando a provasse pela primeira vez, seria um momento de maturidade e eu começaria a sair das “fraldas”. Porém, foi tudo ao contrario. Eu estava completamente babada e provavelmente seria zoada por Tony Stark, um cara profissional em bebida segundo as fontes das revistas mais famosas de fofocas.
— Me desculpe — eu pedi para Tony. — Eu nunca pensei que o meu primeiro gole de álcool seria assim, desse jeito. Um desastre.
Tony sorriu complacente, entendendo plenamente e eu me perguntei. O que deu nele? Quer dizer, o que deu em mim por ter aceitado todo esse jogo? Ok, o jogo ainda não tinha começado e... Mas, — todavia, entretanto e etc. — não importa. Não ia de jeito maneira prestar: (a) envolvia bebida, (b) um Tony Stark e (c) eu não me dou bem com bebidas e nem muito com Tony Stark. Está aí os meus motivos mais do que bons para esclarecer o modo desnecessário e inexplicável no qual eu aceitei jogar coisas que não estão no meu nível de coisas que eu já fiz.
— Tudo bem, Skylynn — Tony tentava me tranqüilizar. Da onde tinha saído um Tony paciente e compreensivo? — Só não beba mais nada.
Dei um sorriso de constrangimento e ajeitei o meu cabelo atrás da orelha.
— E eu seria doida o bastante pra me arriscar a isso? — mordi meus lábios. Tony permaneceu calado. — Então pronto. É assim?
— O quê? — ele me perguntou e se sentou na cadeira ao lado da minha. Seu copo estava vazio e o meu também (!)
— Acontecer isso na primeira vez que você... — eu estava com vergonha então abaixei meu tom: — Bebe pela primeira vez.
— Ahhhh! — ele exclamou bem baixinho, o mesmo tom que o meu. — Não. Só com pessoas puras. Tipo, você. Sabe como é, né?
Revirei meus olhos. Por que pra ele tudo tinha que ser piada?
☼ ☼ ☼
Graças a Deus estávamos numa boa. Ou seja. O jogo não tinha começado. Graças a Deus — novamente digo, é necessário. Bem, apenas estávamos sentados ainda naquelas cadeiras giratórias em frente ao balcão — que alias era um grande empecilho para que eu pudesse girar na cadeira. Mas, tudo bem —, conversávamos normalmente (quer dizer, do nosso modo, mas do mesmo jeito era uma conversa, não é?)
— Ah, para. Eu falei que eu não levo jeito com crianças pra Trice. — me defendi. — Eu não sabia que não pode banhar brincar com um bebê de adedonha. Tá?
Tony riu. Ou melhor, gargalhou e humilhou-me.
— Mas, qual é o seu problema? Uma prova de que você é... Retardada? Jarvis!
— Sim, senhor? — em questões de segundos a maquina revolucionaria de Stark tinha respondido.
— Me responda o seguinte: — acariciou a sua barba e eu percebi que ele estava se esforçando para não rir. Canalha. — Qual o QI de uma pessoa que, bem, brinca de adedonha com um bebê?
Bufei. Sério mesmo que ele estava fazendo uma pergunta dessa?
— Bem, Sr.Stark. Eu não sei ao certo te responder. Mas, pelas notas escolares de Skylynn o QI dela é bem avançado...
Eu dei um sorrisinho de vergonha e satisfação. Estava aí um bom motivo que eu tinha encontrado pelo fato de eu estudar pra caramba — quer dizer, eu não me considerava bem uma nerd. Porque nerds ainda eram sociáveis com os seus grupos de nerds, roupas de nerds e jeito de nerds. Eu parecia mesmo uma anti-social sem rumo na vida.
— Viu, Stark? — eu o olhei, desafiadora, e comecei a rir. Como eu nunca tinha feito na minha vida. As minhas gargalhadas eram intensas, escandalosas e maníacas. Tony observava-me sem entender. De repente a coisa no meu do seu peito passou a ser interessante. Tive uma vontade imensa de tocá-lo. Hesitei alguns segundos, mas depois, o toquei. Stark observava-me estranhando, porém, não me afastou. Era gelado e eu estava perto até demais. Mas, sinceramente? Eu não ligava. Estava me sentindo extremamente bem e pouco me importava se era certo ou não. Depois de alguns segundos dedilhando a sua coisa, sem querer (querendo) passei minhas duas mãos pelo peitoral de Tony. Arregalei os olhos. — Ui, você é tão forte! — eu sibilei entre as risadinhas que eu dava.
Aí sim Tony afastou as minhas mãos do seu peito. Eu resmunguei, contra a sua atitude, pois, estava gostando de tocar o seu peito durinho. Eu nunca tinha feito isso em minha vida.
— Olha nada de me assediar, Sky — Tony me repreendeu.
Olhei incrédula, cínica e varias formas para ele.
— Eu? Te assediando? — perguntei. — Tsc, tsc, tsc... — eu dei um sorriso super malicioso. — Eu só estava avaliando o produto. Que, alias, é muito bom. Agora entendo essas garotas doidinhas por você. Com todas essas qualidades está até sendo mais útil do que um playboy.
Ele, ainda não acreditando no que estava acontecendo, colocou uma mão em minha testa.
— Você está bem?
— Estou ótima — respondi e retirei a mão muito forte de minha testa. — Quero dizer... — mordi meus lábios. — Pode ficar melhor se tirar a camisa. O que acha?
O.k, com essa até eu tinha me surpreendido. Eu estava bêbada? Não seria possível, eu tinha jogado mais da metade da bebida pra fora, ninguém fica bêbado com só aquele pouquinho, não é?
— Nada de strip-tease hoje, Sky — disse Tony. — Só aquele pouco de bebida te fez ficar desse jeito? Meu pai amado, você é fraquinha.
Dei a língua para ele, e peguei a minha cadeira. Eu e ela fomos para mais perto de Tony.
— Que isso no seu peito? — eu quis saber.
— Isso? — apontou para o circulo em seu peito.
— Uhum.
— Ah, e o meu reator arc. Depois te explico. Sabe, quando não estiver bêbada e tarada.
E novamente eu comecei a rir. Por que para bêbados tudo era motivo de risada? Eu não conseguia parar, era automático. O pior, eu estava achando tudo àquilo de outro mundo e bom. Minha mente estava mesmo vacilante e fora do controle. Em que mundo eu daria em cima de Tony? Em que mundo eu daria em cima de alguém alias? Perguntas. Até isso era graça pra minha mente.
De repente, tudo perdeu o foco — quase tudo —, menos ele. Tony estava ali, estonteante, observando-me atento em suas ações. Parecia preocupado com o meu estado doido agora. Eu fiz, e não o fiz. A minha mão foi para o seu rosto e o acariciou. Durante o trajeto, ela parecia ter flutuado. Ter ganhado vida própria. Eu? Nem fui capaz de Pará-la. A minha mente berrava coisas indecifráveis, que diziam: pare. O meu coração dava de ombros, fazendo-me olhar a mão de Tony voando em minha cintura. Nossos olhos fixos. Eram bonitos demais aqueles tons predominantes nos olhos grandes de Tony. Olhei seus lábios, eram carnudos e muito convidativos. Eu só poderia estar bêbada, mesmo. Onde estava a minha sanidade? Foi jogar golfe com o diabo e Cia? Só que nesse momento, eu não queria mais nada de sanidade. Só os lábios de Tony nos meus.
Mas. Ele não se movia e, nem eu. Então eu tive que fazer algo que sóbria nunca faria, rumei minha boca na sua. E, quando elas pareciam que iriam se encostar. Tony fez algo que me surpreendeu, desviou seus lábios de minha boca e me deu um beijo na testa. Olhei-o confusa, eu estava sendo rejeitada.
— Acredite ou não, é o melhor. — ele me disse. Olhou em meus olhos. Eu bocejei. — Com sono?
Eu ri. Ainda conseguia fazer aquilo, e encostei a minha cabeça no seu ombro. Era aconchegante. Afagou meus cabelos e num tempo indeterminado eu fiz a coisa certa.
Cai no meu inconsciente, perguntando-me se no dia seguinte as cenas rodariam na minha mente como flashbacks.
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