Bad Minds [HIATUS]
10 Bem Feito
Notas iniciais
Eu finalmente acordei. Acordei, cansada, enjoada e com uma dor de cabeça que eu nunca tinha sentido em minha vida. De ressaca, eu estava de ressaca. Eu achava que estava de ressaca. O que Tony tinha me dado ontem que me fez ficar assim com apenas uma taça — e meia. E, então eu me lembrei de ontem. As coisas virem como flashes em minha mente, todas de uma vez só. Apesar de confusa, eu entendi plenamente o que tinha acontecido na noite passada.
Eu tinha ficado maluca com a bebida que Tony havia me dado. Passou pela minha cabeça Tony ter feito isso apenas para se aproveitar de mim, mas então o vi recusando o meu beijo — pois é. Eu realmente tinha quase beijado ele e ele realmente tinha feito a coisa certa. Recusado. Que mundo era em que eu fazia o errado e ele o certo? Talvez, eu tivesse julgado ele um cafajeste de primeira, sem o conhecer primeiro. —, eu estava aliviada. O que tinha acontecido ontem deveria ser esquecido entre Tony e eu, mas de certa forma eu não conseguia parar de pensar na forma na qual ele tinha sido tão cavalheiro e cuidadoso comigo. Eu estava entorpecida.
— Bom dia, Srta... — Jarvis como sempre era hospitaleiro e sempre era a primeira voz que eu ouvia nas manhãs em que eu estive aqui.
— Skylynn, Jarvis — eu o corrigi sorridente e depois fiz uma careta. A minha cabeça doía demais!
— O.k, senhora. Hmmm. Quero dizer, Skylynn — se corrigiu. — O Sr. Stark está lhe esperando na cozinha do andar 589 — avisou a máquina.
Eu bocejei, e tudo que eu menos queria era sair da cama. Era quentinha, macia e aconchegante. Por que diabos eu quis dar uma de adulta e bebi aquela bebida? O que era aquilo?
— Obrigado, Jarvis. — agradeci e me descobri. Eu levei um susto. As minhas roupas do dia passado não estavam em meu corpo e sim, o meu pijama favorito: um short curtinho cinza com corujinhas pretas e a blusa era um moletom cinza, com uma coruja enorme preta. — Que bosta é essa?
Levantei de supetão. Se eu estivesse correta, Tony Stark seria um homem morto.
Sai de meu quarto e rumei aos corredores, possessa de raiva. Como aquele cafajeste poderia ter feito o que estou pensando? Cheguei à frente do elevador, e apertei com uma força desconhecida por mim o botão para que o elevador abrisse. Logo, ele se abriu e por sorte, ninguém tinha saído de lá. Não se sabe se algum funcionário da Torre entre aqui e, então me assim, de pijama. Apertei o botão digital 589 — era a cobertura em que eu estava ontem —, e esperei o elevador levar-me até o local. Demorou um pouco e finalmente, o elevador se abriu revelando o andar. Saí apressada, e fui para a cozinha do andar. Stark tinha implantado vários flats na Torre para que ele, e seus amigos ou sei lá o que pudessem ficar. O meu andar era um deles e esse, era no qual o Tony mais passava o tempo. Era dois andares o flat, esse era a casa e o debaixo era a oficina de Tony. Eu nunca tinha ido lá, então não sabia bem o que ele fazia por lá.
Na cozinha, lá estava Tony Stark, com uma frigideira na mão e um pano nos ombros. O mesmo, não tinha percebido a minha presença, então repousou a frigideira no fogo altíssimo e quebrou um ovo e colocou na frigideira. Só então, notou minha presença.
— Bom dia. Posso te chamar de bela adormecida, não é? — ele começou o dia com as suas ironias. Como sempre. — Coloca aí um AC/DC, Jarvis. Do jeitinho que eu gosto, claro.
“Aye, aye, aye, aye, aye,
Aye, aye, aye, aye, aye”
Depois que Tony terminou de falar, um som estrondoso de T.N.T ecoasse por todo o cômodo em um volume incomum. A minha cabeça, começou a pulsar e a dor de cabeça antes amenizada tinha voltado com tudo. Minha cabeça latejava e a qualquer momento, explodiria como uma bomba. Eu contraio meus olhos, e depois de alguns segundos a música acabou. Foi como se minha cabeça tivesse dito: Ufa! E eu revirei os meus olhos apreciando o momento de silencio absoluto que se instalou.
— Hm, vejo que você ainda está com o pijama que eu coloquei em você ontem a noite — mas, como sempre, tinha Tony Stark para estragar.
— Me dá um remédio antes, e depois eu brigo com você — eu decretei. Por mais que a vontade de matá-lo estivesse grande, a dor de cabeça estava muito mais. — Minha cabeça dói á beça. O que você me deu ontem?
—Uísque — me respondeu e abriu algumas gavetas a procura do remédio, e quando achou pegou um pegou e foi até o bebedor. Encheu de água e me entregou. — Nada que pudesse alterar tanto uma pessoa normal com um copo... E meio — acrescentou.
— Passa o comprimido, Tony — o lembrei, já que o mesmo estava com o comprimido em suas mãos em vez das minhas. Minha cabeça necessitava daquela droga.
Revirando os olhos, ele me passou o comprimido. O peguei de forma bruta e coloquei-o em minha boca, logo depois bebi toda a água para que o comprimido descesse. Agora, era só esperar para que o medicamente fizesse o seu devido efeito.
Tony estava de olho na sua frigideira, eu não sabia o que ele estava fazendo, mas ele não parecia levar jeito algum. Espirrou meio litro de olho na frigideira e depois quebrou um ovo na borda da mesma e depositou nela. Então, aconteceu em menos de um segundo o ovo explodiu no óleo. Voou gordura para todos os lados. Escondi-me atrás do balcão, com o intuito de que a gordura não pegasse em nenhuma parte do meu corpo. Seria um caos uma queimadura, justo na minha pele de vampiro.
— Aí! — o Tony grunhiu de dor.
Imediatamente me levantei para o ver o que tinha acontecido. E vi que a mão de Tony estava com uma leve queimadura.
— Wow, você leva muito jeito pra cozinhar — eu bati palmas para ele e no meu rosto tinha um sorriso de bem feito.
Tony quase me matou com um olhar e levantou a sua mão na altura da sua face, e analisou a queimadura. Não estava em um nível grave, ele podia sobreviver.
— Jarvis, — Tony chamou a maquina, e apoiou-se no balcão, apenas não encostou a sua mão queimada. — Chame o Idiota para ele fazer um curativo em mim... — quem seria a pessoa apelidada desse jeito por Tony? — Enquanto eu aprecio a bela visão das pernas da Skylynn.
Por favor, retire tudo o que eu tinha dito sobre Tony Stark ser uma boa pessoa.
☼ ☼ ☼
Bem, a briga que existiria entre Tony e eu era tão imensa e inacreditável, que nem existiu. Apenas revirei meus olhos e me mandei novamente para o meu quarto. Ele não poderia ser o cara legal de ontem à noite mais vezes? Ou ele era tão insuportável que era só nos melhores dias que ele ficava daquele jeito? Quer dizer, eu nem ligava para ele ou o que ele achava sobre as minhas pernas — e nem nada sobre as futilidades que ele falava. Eu não precisava de nenhuma bola de cristal para saber que Tony Stark era um egocêntrico idiota; na verdade era só olhar para ele, o jeito dele, o sorriso dele e as atitudes dele. Todo mundo sabia da sua idiotice aguda e o estranho era que todo mundo dava os ombros e continuava achando ele muito legal. É. Talvez fosse isso. A sua idiotice é o seu maior defeito, mas ao mesmo tempo, a sua maior qualidade.
Como era incrível o fato de que a Trice não tinha me ligado nem mandado uma mensagem sequer. Estava muito estranho, o meu telefone estava jogado no criado-mudo com a madeira caravalho-capuccino enquanto a tela apitava sem parar, dizendo então, que havia muitas mensagens a serem lidas. Peguei o telefone com uma preguiça gigantesca, afinal eu ainda estava saindo de uma ressaca. Ou ela só tinha começado — e só em pensar nisso minha cabeça doía. Que merda de remédio era esse que Stark tinha me dado? Era mesmo um incompetente.
Desbloqueei o iPhone e surpreendi com as inúmeras ainda solicitações, e as mensagens que tinham me mandado. Resolvi olhar as minhas solicitações e a maioria das pessoas eram conhecidas. Lacey, Jenny, Amanda... E mais inúmeras pessoas que eu nunca tinha falado na minha vida e nem elas, comigo. Dentre elas, estava Dannis. E ele foi o único que eu aceitei, e logo depois de eu ter aceitado, fui em direção as minhas mensagens. Eu não sabia porque essas pessoas que nunca tiveram contato comigo estavam me mandado mensagem e olhando-as avistei uma de Trice. Nela dizia:
Como é que você se tornou popular de uma hora pra outra? Quer dizer, metade da escola está me pedindo o seu telefone! Sabe quem mais te pediu? Phillips Kils. Um dos caras mais gatos de toda escola, e namorada da Emma. Ela te odeia, e vai te odiar ainda mais. Você tem que falar amanhã com o namorado dela, é necessário. Quero só ver a cara dela.
A mensagem tinha sido enviada exatamente as 02h51min, ou seja, eu estava em coma na minha cama. Deveria ser por isso de eu estar pensando que minha amiga não tinha me mandado nenhuma mensagem ou coisa assim. E, sobre a sua mensagem, eu estava mais do que boquiaberta. Como pode o cara mais popular e gato ter pedido o meu número depois de me dar um fora na terceira série? Mas, de qualquer forma eu não ligava mais para ele, e nem todas aquelas pessoas que estavam querendo ser amigos meu de uma hora pra outra. E isso, por eu ter sido eleita a mais bonita da escola. Mais bonita da escola, populares, lideres de torcidas, capitães de basquete. Tudo naquela escola era questão de status e eu não gostava de alguma forma agora, ter status. Não que eu quisesse cair no esquecimento, mas também não queria estar ao lado de pessoas que, antes sempre me odiaram e agora estão querendo estar por perto.
E tudo isso por questões de status.
Respondi:
Eu já te disse que odeio o jeito desesperado e sinistro no qual as pessoas querem ter status? Na verdade você já deve saber disso, Triz. Do mesmo jeito que sabe que eu odeio status e todas aquelas pessoas que têm sede de desse efeito colateral da futilidade. Eu ainda curto a minha depressão disfarçada, na qual está dormindo enquanto eu estou nessa casa. Querida, Tony Stark me dá ódio.
Cerca de três minutos depois ela me respondeu:
Mas é claro que sumiu, Sky. Nenhuma menina tem depressão perto de um gato daquele, lindo, sedução e me faz querer dar meu rim para dar um beijo nele. Aliás, status é o auge da idiotice, eu não me importo. Só acho que a Emma Escrota precisa de uma lição.
Rindo da sua histeria, respondi:
Triz, ela mal consegue fazer a lição de casa dela. Imagina a gente dando uma lição nela.
Você gostaria de ficar sabendo o que aconteceu ontem à noite aqui na torre?
Eu sei que era totalmente desnecessário uma pergunta dessas para Trice, entretanto eu gostava das suas respostas engraçadas, me fazia rir.
O que rolou aí nessa torre? Festa com strippers gatos, não melhor: Tony era o stripper. Me socorre, dude. Me socorre.
Revirei meus olhos e digitei, trambolhando meus dedos no teclado, que iria lhe contar na escola. Por que ela tinha voltado com essa obsessão errônea de que tudo na minha vida tinha a ver com stripper ou meninos?
É desnecessário frisar que eu não sei nada sobre as duas coisas.
☼ ☼ ☼
Sempre me disseram que eu era uma menina sagaz. Por outro lado, eu me achava apenas uma nerd diferente de todos os outros nerds. Existem vários sinônimos para sagaz, como: arteiro, astuto, esperto etc. Na verdade, um dia, há muito tempo atrás, eu fui uma menina sagaz. Eu era todas as qualidades que eu citei, e todos percebiam. Mas, ao longo do tempo o mapa de como seguir o caminho sendo assim, foi rasgado e logo depois queimado junto com o corpo da minha mãe.
Perdi a verdadeira menina que tinha em mim, mas quando eu estava de volta ao andar 589 vendo Tony mexendo em uma máscara de sua armadura, tive vontade de fazer algo com ele. Analisei o local, ele ainda estava perto do balcão e algumas vezes, pegava um pote de chantili e colocava em sua boca. Aproximei mais um pouco dele, e de forma perspicaz eu estava sentada no balcão, despejando um pouco de chantili na ponta do meu dedo. Fiz várias vezes, consegui escrever a frase “T.S, o maior babaca que conheci” e em baixo assinei: S; de Sky. Depois, coloquei chantili por todo o pote e o repousei no exato lugar em que o recipiente estava. Tony, em segundo nenhum me pegou no ato, apenas olhava para a parte da sua armadura, com atenção, fazia tudo com gosto.
Eu saí em direção ao elevador e só assim, ele pegou a lata de chantili e me notou. Já era tarde demais depois que ele percebeu, eu já estava acenando e rindo dele, enquanto o elevador fechava.
☼ ☼ ☼
Happy, o motorista de Tony, era uma pessoa muito legal e além do mais sabia muito bem sobre endereços, e sabia muito mais sobre os de NY — coisa que Tony Stark evidentemente não sabia. E era por isso, que eu pedia para que Happy me levasse, ele era legal e sabia chegar rapidamente nos locais. Não que isto esteja sendo uma indireta para Tony Stark.
O sol intenso de NY bateu contra o meu rosto, mesmo as janelas do carro estando fechadas e o ar ligado. No som, tocava uma música de The Doors e ela era realmente muito boa.
Fechei meus olhos por tempo indeterminado, e quando eu os abri, eu estava em frente à escola, o carro parado. Desci do carro.
— Valeu, Happy — eu rodeie o carro e fui até ele. — Eu te ligo pra você me buscar, o.k? Claro, se não for te incomodar.
Ele sorriu.
— Não será problema, Skylynn — indagou e ajeitou o seus óculos de sol. — Agora, eu tô vazando. Era mais legal ser motorista de Tony, mas eu não posso deixar aquele cara sem juízo na mão. — e depois fechou o vidro e cantou os pneus.
Fui para a entrada da escola e no caminho eu era o centro das atenções, e como eu odiava ser o centro das atenções, eu apenas andei normalmente e segui caminho. Eu não precisava frisar o fato das minhas bochechas estarem escarlate, não mesmo. Meus passos aumentavam o ritmo a cada segundo, e quando dei por mim eu estava para em frente ao meu armário e ao lado do da Trice, mas não tinha nenhum sinal dela.
Era muito estranho, todos os dias, eu encontrava Trice aqui, e ela batia o armário, escorava-se nele e depois falava comigo. Era uma das cenas mais presentes em minha vida e se repetia todo dia de aula. No entanto, olhei para o lado e vi uma loira baixinha e um loiro alto vindo em minha direção. Consegui discernir de longe quem eram, a loira era minha melhor amiga e o loiro, era o cara que eu tinha conhecido ontem, Dannis. Eles estavam rindo, e conversando de forma intima e empolgante.
Juntaram-se a mim perto do meu armário e o de Trice.
— E aí, olhos azuis? — Dannis me perguntou e antes de escorar no armário me deu um beijo na bochecha.
Eu não me importei, ele parecia ser uma pessoa muito legal.
— Estou bem, acho. — respondi falando baixinho. A dor de cabeça já não era tão estrondosa como antes, e já estava bem suportável. — E vocês?
— Eu estou razoavelmente bem, — Dannis respondeu. — Eu odeio quando o meu vizinho toca rock até tarde, então estou morrendo de sono. Meu vizinho toca mal pra porra se vocês quiserem saber... E se não quiserem...
Eu arquejei uma sobrancelha minha e vi o sorrisinho de Trice para Dannis. E era o sorriso dela de eu acho que eu quero dar uns pegas. Lancei um olhar sugestivo para ela, porém discreto. Dannis nem ao menos percebeu.
— Vizinhos são um saco — começou Triz falando. — Tipo, o meu vizinho tem problemas com as bolas dele e passa o dia todo gritando e...
— O Bob Bolas Caídas? — perguntei.
— Bob Bolas Caídas? — perguntou Dannis sarcástico. — Vocês deram um apelido para ele de bolas caídas?
Trice revirou os olhos, e o ignorou totalmente. Achei que ele não deveria falar nada, afinal ele se apresentava para as pessoas como o Dannis, o sedutor. Mas, eu apenas dei um sorriso de lado.
— Sim, Bob Bolas Caídas. — continuou Trice, e enfatizou bem as suas palavras caso alguém a interrompesse de novo (nós). — É um ótimo apelido, as bolas dele são caídas. Bom, foi o que papai e mamãe comentam.
O pai e mãe de Trice eram aqueles que passavam vinte e quatro horas das suas vidas falando sobre os vizinhos, famílias e colegas de trabalho.
— Por que as bolas dele são caídas? — Dannis questionou, os lábios semicerrados e os olhos cheios de curiosidade.
Trice e eu imediatamente, fizemos uma cara de enojada. A história toda envolvia festa. E outras coisas que eu não queria relembrar.
— Você não vai querer saber — nós concluímos.
Dannis deu os ombros, parecendo perceber que aquela história ou assunto não era o mais apropriado para se conversar no corredor de uma escola.
Trice pareceu se lembrar de algo, pois o seu rosto se iluminou. E ela sempre fazia isso quando se lembrava de algo. Ah, não era muito legal quando ela se lembrava de algo.
— Você — apontou para mim. E eu ergui os meus olhos e as minhas mãos, em um sinal de rendição. — O que rolou ontem na torre?
O que rolou ontem a torre?
Até eu queria saber o que tinha rolado na torre, pois tinha sido tão surreal, aquela menina doida não parecera nada comigo — estava longe de parecer na verdade.
— O.k, — eu dei um longo suspiro antes de contar. Dannis e Triz estavam atentos para tudo que eu iria dizer. — Ontem à noite eu estava no andar 589 da torre, a cobertura...
— 589? — Dannis perguntou boquiaberto e até se aproximou mais.
Revirei meus olhos.
— É, — concordei. — Agora sem interrupções. Isso vale pra você, Triz. Continuando, eu estava na cobertura da torre e aí, Tony apareceu do meio do nada e começamos a conversar. Tudo normal até aí. Eu estava estranhando ele estar tão calmo, porque, tipo. Ele ficou mais ou menos dez minutos sem fazer muitas piadinhas. E, piadinhas com ele é a coisa mais freqüente. Daí, ele veio com uma de “jogar” — eu fiz aspas com as minhas mãos. — Eu ignorei por um tempo mudando de assunto, e depois ficamos em silêncio.
“Mas, eu estava muito inquieta...” Nessa parte eu fui interrompida por Trice:
— Dá pra contar mais rápido? — ela reclamou. — Temos aulas daqui dez minutos.
Revirei meus olhos novamente. Eu tinha pedido sem interrupções.
— Tá, — sorri de lado e prossegui. — Enfim, fomos pro andar que tem o bar dele. Estávamos conversando, ele trouxe uma bebida que eu não sei o nome. Pelo que eu me lembre, de algum jeito a conversa foi parar em: eu ser inocente e pura...
Dannis e Trice se entreolharam, e ao mesmo tempo disseram:
— Mas, você é.
Crispei meus lábios, e decidi ignorar o fato de que todos os seres humanos da terra me chamam de pura e inocente. Mas, nunca souberam que com cinco anos eu joguei Coca Diet. na minha professora de história que me deu um – A na prova.
— Por favor, sem interrupções. — eu praticamente implorei, e fiz um biquinho com os lábios e fiz uma cara tipo gato de botas. — Enfim, aí Tony tinha pegado uma bebida e eu, fiquei com raiva e a bebi. Quer dizer, eu me odeio por ter feito isso. E aí, eu cuspi metade da bebida no Tony. Passou um tempo, eu já estava bêbada. Tony tem algo no meio do peito dele...
— O reator arc. — concluiu Dannis com os olhos brilhando de admiração e também pela história que eu estava contando.
— Uhum — eu assenti sorrindo. — E, eu o toquei, depois o, Hmmm... — eu não sabia de jeito nenhum como eu iria falar aquilo.
Hey, eu fiquei apalpando o peito durinho de Tony Star, sabia?
Meu rosto estava começando a adquirir a cor escarlate que eu sempre adquiria quando estava com vergonha.
— Comecei... — grunhi. Troquei o peso que um pé para o outro e dei um sorrisinho amarelo. — A, bem, vocês sabem. Passar a mão no peito dele. Sabe coisa de bêbado— não, eu não estava gaguejando. Eu estava é soletrando silaba por silaba. — E aí, eu meio que olhei nos olhos dele, e ele olhou nos meus... Resumindo eu iria beijar Tony Stark, mas ele me afastou e disse que era melhor assim. E eu ri e dormi, acordei não estava com a mesmo roupa, e sim o meu pijama. E cheguei à conclusão que ele me viu seminua.
Um silêncio provindo dos dois se instalou entre nós, eu esperava ansiosamente alguém me dizendo que aquilo era normal e, que acontecia com toda adolescente de dezoito anos que nunca beijou ou bebeu. Só tinha um pequeno problema: não existia adolescente com dezoito anos que nunca beijaram ou não beberam — bem pelo menos beber já tinha saído da minha lista Eu Nunca Fiz. Aleluia, Senhor!
Dannis me encarava com os olhos levemente estreitados e seus lábios estavam sendo mordidos pelos seus dentes retinhos e branquíssimos. Me olhava com uma cara indecifrável e passou as mãos pelos seus cabelos loiríssimos umas duas vezes.
— Garota, — ele começou a falar. E nasceu o seu sorriso maroto em seus lábios e o seu olhar era brincalhão. — Você com essa carinha de santa engana todo mundo! — ele exclamou e eu abri a boca e levantei minhas sobrancelhas. — Eu só pensei que Tony Stark não deixaria escapar uma gostosa como você, mas... — nesse instante Trice depositou um tapa no seu braço. — Isso é ciúme. — Dannis disse dando um riso empolgante.
Comecei a rir com ele, e também comecei a achar que a atitude de Trice tinha sido por ciúmes, conhecendo bem a minha amiga, só podia ser. Eu estava feliz, Trice merecia um cara legal e com toda a certeza, Dannis era um cara mais do que legal para ela.
— Ciúmes? — Trice perguntou abismada. Deu uma risada sem humor e fuzilava-me com os olhos por estar querendo rir. — Eu não tenho ciúmes de caras como você. Por que você não pega a Sky, se ela é tão gostosa assim? — ela frisou o tão de forma absurda.
Sim, ela estava com ciúmes — com muitos ciúmes. Quer dizer, minha melhor amiga já era bastante louquinha imagine-a então com ciúmes? Dificulta.
Dannis apenas deu os ombros, e depositou um beijo na sua bochecha e depois um na minha. Trice fez questão de limpar, fazendo manhã. Só que eu sabia muito bem que ela estava gostando e muito.
— Deve ser porque ele queira te pegar, não eu. — indaguei, e a minha cara de pau estava grande.
Eu adorava lhe provocar.
Trice pegou a sua mochila, que até então estava no chão e começou a andar. Deixando-nos para trás. Dannis e eu trocamos olhares.
— Ela é sempre tão difícil? — ele me perguntou fazendo careta e passando a mão pelos cabelos.
Ajeitei mais minha mochila nas costas.
— Você vai ter muito trabalho pela frente, sedutor. — eu dei um sorriso antes de seguir o caminho de Trice.
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