Bad Minds [HIATUS]
24 Agente J
Notas iniciais
Agente J
Eu ainda estava confinada. Steve havia feito uma visita instigante até aqui, e fiquei ao seu colo chorando por tanto tempo que a noite já se simbolizava ao lado externo da janela cilíndrica, e a minha melancolia avançava estágios inacreditáveis, deixando-me uma subjugada fraquejada de minha depressão disfarçada e eu mal era capaz de detoná-la, porque a cada segundo ela ganhava poderes inexplicáveis dentro de mim. Ou seja, eu era uma mera inútil encarcerada em uma jaula, que era mais sofisticada para uma mas ainda me dava náuseas fortes demais para minha cabeça aguentar, sem capacidade para nem estar por dentro do que acontecia em minha vida, a qual eu deveria saber tudo. Pelo menos, a parte mais importante. Steve já havia se retirado do meu quarto, dando uma rápida e nada considerativa desculpa de que havia uma missão. Pensei nas coisas que meu pai deveria ter se esquecido — de que havia uma filha que o amava, e que precisava de cuidados, os quais somente pais poderiam proporcionar.
Ótimo. Estavam reprisando um todo mundo “Todo Mundo Odeia o Chris” na minha vida, outra vez.
Ele tinha um dever a ser cumprido, e que ele, era peça fundamental para todo o processo desse certo. Eu tinha a plenitude de que seja lá o que ele teria de fazer, envolvia-me fortemente, mas como sempre, as coisas chegavam vagas demais até a mim, então, tudo que eu podia fazer era reverberar em minha cabeça encarecidamente ideias e hipóteses em minha mente, o que não ajudava em nada. Eu só me sentia cada segundo mais uma sadomasoquista que gostava de relembrar o quanto eu estava sendo rejeitada de novo. Renunciada até pelo meu próprio pai, que aliás, estava se esquecendo — ou melhor, se esqueceu.
E para melhorar minha situação, eu sentia que algo estava errôneo demais. Um apito alarmava a cada segundo uma sirene com enigmas mais do que indecifráveis em meu coração, deixando-me assemelhada à uma louca que se considerava normal, e que estava prestes a entrar em um rehab. Eu me recusava a aceitar que havia algo fora do comum com a minha vida, nas melhores das possibilidades, Loki e Brian deveriam ser no mínimo um engano ridículo, e que eu não era aquilo que eles estavam à procura. Seja lá o que eles queriam. Contudo, havia uma raiz no fundo de meu coração que me dizia que ter pensamentos assim era apenas uma distração para que eu não aceitasse logo que havia algo muito, muito equivoco em minha vida. É, Skylynn Wade Johson, você está literalmente no poço mais fundo que o mundo já foi capaz de comportar.
A porta se largueou mais uma vez, e pensei por um segundo Tony a atravessando, e por fim, dirigindo-me uma palavra que não fosse altamente provida de brutalidade e indiferença. As minhas esperanças sadistas se escorreram assim que cabelos acerejados inundaram minha visão, e eu senti meus ombros se soltando, num exasperar cheio de decepções nem tão escondidas. Era Natasha Romanoff, com sua expressão aniquiladora levemente suavizada, e com aquele macacão superconsolidado ao corpo, de modo que eu me questionava se ela era capaz de respirar ao usá-lo sempre.
— Algum problema? — questionei, comedida, enquanto eu recuava alguns centímetros na cama, lenta e ridiculamente, por conta daquela perna ridiculamente baleada por Brian. Já não bastasse danos psicológicos, Brian Jackson ainda havia deixado ruínas corporais alarmantes em meu corpo, pelos céus. — Houve alguma coisa? Brian me encontrou?
Natasha negou veemente com a cabeça, olhando-me com os olhos arregalados, para depois soltar um riso totalmente tão natural que achei que eu estava presenciando a cena mais épica do mundo.
— Ainda não, Skylynn Johson — ela declarou, ainda falando com algumas risadas se mesclando, totalmente desvirtuada daquele jeito inflexível, severo e inatingível. Parecia que uma máscara havia caído, e ela era apenas ela mesma. — Você está segura, e tem o descanso temporário de ficar tranquilizada. Há bastante segurança aqui na S.H.I.E.L.D e há muitos que estão dispostos para doar a vida pela sua proteção. Ainda mais com as circunstâncias... — eu estava prestes a perguntar sobre quais eram as circunstâncias, mas ela levantou seu dedo indicador, designando silêncio de minha parte —, as quais, obviamente, você não precisa saber. Pelo menos não neste momento.
Dei de ombros, tentando transparecer descaso, mas nas estranhas mais profundas de mim, eu estava atrofiando aos poucos, totalmente insana e enlouquecida por não saber de nada.
— Ah, claro. É o que todos dizem.
Foi a vez dela de dar de ombros.
— É o que todos estão autorizados a falar de qualquer forma — ela disse, desinteressada por alto do assunto que se encaminhava. Ela sorriu de lado, dando alguns passos para se aproximar mais de mim. Retrocedi ainda mais, sentindo a textura álgida e lisa da parede em um baque brutal. — Acalme-se, garota. Não irei sacar minha arma e atirar em sua cabeça.
Assenti, debilmente, pouco convencida.
— Não estou tão certa disso — mordi meus lábios, receosa — mas, tudo bem.
— As pessoas não são de me acharem receptiva, fofa, ou até mesmo simpática... então tudo bem, Skylynn.
Escancarei meus olhos, por fim percebendo que talvez eu poderia ter ofendido-a.
— Oh, meu Deus! — exclamei levando minhas mãos à boca, e sentindo as maças de meu rosto se abraseando conforme a vergonha por ser tão insensível me adentrava. — Eu sinto muito, realmente sinto muito. Não foi isso que eu quis intencionar, sério. Eu só quis dizer que, oh céus, eu não sei o que eu quis dizer... Mas, por favor não atire em mim... oh, porr..
Barrei minhas palavras que saiam como um monologo totalmente embaraçado e que transparecia em cem por cento o meu nervosismo. Simultaneamente, Natasha reverberou uma risada mínima, enquanto parecia estar com uma cara de “sério mesmo” se afeiçoando com nitidez.
— Ok, novamente, acalme-se — ela tornou o pedido em uma suplica extrovertida, enquanto um sorriso se ampliava por sua face totalmente delineada por traços marcantes, que faziam todos a comtemplar, afinal, além de confiante, a mulher carrega uma beleza imensa e inconfundível — Levante-se, precisamos dar um jeito em você.
Juntei minhas sobrancelhas, totalmente desentendida. O que havia de errado comigo?
— Algum problema, uh, comigo? — eu quis saber, já olhando para os meus braços finos envoltos por um camisão de Isaac, que me deixava mais magrinha, e que pelo menos disfarçava o meu corpo frustrante na maior parte do tempo.
Agente Romanoff negou, trocando o peso de um pé para o outro, de certo para ficar mais à vontade. Seus olhos, os quais eram assemelhados com obsidianas, se metamorfosearam em uma sonda eficaz e invasiva, na qual toda a potência analisadora recaia sobre mim, como uma averiguação um pouco intimidante.
— Eu não diria problema, sabe. Mas, continuar sendo Skylynn Johson não está sendo algo bom para você, querida. Há muito perigo te entornando, e camuflá-la no meio dele será algo intelectual a se fazer — Ela deu de ombros, cruzando os braços, como se não fosse uma má ideia.
— Está dizendo que eu tenho que meio que trocar de identidade? — Meio que engasguei, demorando bastante para absorver as frases. Mudança. Mesmo não querendo era uma palavra que havia adentrado com todas as forças minha vida, transmutando-a em algo irreconhecível. Outra mudança não seria algo fora de praxe, ou até mesmo absurdo. O fato era que eu tinha dúvidas de que algo do tipo poderia ser mesmo o aconselhável, já que falando em Loki ou Brian nada era o suficiente para estar absolutamente segura, e isso, isso, não me deixava muito mais estabilizada.
— Quase isso. Você só mudará um pouco seu visual tipicamente adolescente americana e excluída, e você será Agente J, é um codinome legal, você não acha?
— Agente J? — respondi com uma pergunta, estreitando os olhos, e descolando minhas costas da textura gélida da parede, para içar-me um pouco para frente com total cuidado e medo — Por que J?
Natasha inspirou e expirou exasperadamente, antes de responder.
— Ok, você faz muitas perguntas para alguém que cora por tudo — ela soltou o burburinho, transmutando seus lábios meio avermelhados e carnudos numa linha fina e rigorosa, como se o limite de ser legal já houvesse acabado — J de Johson, qual é, eu sou só uma assassina profissional, isso de criatividade não está presente em minha vida. De qualquer forma, poderíamos te deixar diferente. Você não é feia, pelo contrário, sou obrigada a admitir. Ok, talvez seja por isso que Tony te olhe daquele jeito — ela não murmurou, e foi mais direta do que eu pensei ser possível. Sua personalidade me lembrava à de Alice, pois eram quase idênticas. Enrubesci quase que imediatamente, o esquentar em minhas bochechas estava mais forte do que as últimas vezes, e eu contive o querer de perguntar qual era o modo o qual Tony me olhava — O cabelo será mudado, obviamente. Agora, precisamos mudar seu traje.
— Tudo bem — assenti, minha voz era um fio desanimado e quase inaudível — Contanto que não seja essa roupa autocolante sua, está perfeito.
...
Tudo que eu menos queria no momento estava se transformando em realidade. Aquele macacão autocolante estava literalmente grudado ao meu corpo, de modo que eu não me sentia desprovida de dor a cada passo que eu dava, e onde eu havia sido atingida, latejava alarmantemente de dor. Podemos pular os detalhes de como havia sido difícil entrar dentro daquele pano de couro inútil e que me fazia resfolegar como uma desesperada asmática. Natasha havia me ignorado plenamente na parte eu que eu dizia com todos as letras algo como tudo menos aquela roupa, e aqui estava eu, me perguntando a cada segundo como ela e mais dezenas e centenas de agentes dessas organizações conseguiam utilizar confortavelmente daquele uniforme, e ainda, parecer que tudo estava bem. Mas, serei sincera, nada estava satisfatoriamente bem, não quando minhas nádegas mal respiravam, e estavam sendo intrigantemente alvo de olhares masculinos! Oh, céus! Eu poderia escavar agora mesmo um buraco que me levaria agora mesmo para outra dimensão que não fosse essa, e que não existisse roupas como essa.
Estávamos em um corredor com paredes de cor pastel nos comprimindo com mais algumas pessoas que vagueavam apressadamente, dando singelos olhares à Natasha, e logo após voltando a falar com alguém não especificado. Portas metálicas com detalhes vidrais eram intercaladas ao longo do enorme espaço, de ambos os lados, e estávamos andando a tanto tempo em retilíneo, que eu implorava para o destino estar logo próximo.
Afinal, meu bumbum já estava bastante chamativo, o meu mancar, completando tudo, era mais patético de que um pato com a perna atrofiada correndo de caçadores com espingarda.
— Estamos chegando a seja lá onde, não estamos? — questionei, olhando para os lados, enquanto um loiro com macacão extra colado, alto e forte, passava e jogava sobre mim um sorriso de lado. Olhei para frente instantaneamente, sentindo minhas bochechas se aquecerem, de tamanho constrangimento me percorrendo.
— Já chegaremos, Agente J — ela informou, fazendo-me lembrar de que agora, eu era Agente J e não Skylynn Wade Johson. Agente Romanoff levou uma de suas mãos ao ouvido, premendo-o num certo ponto e mantendo o apertar enquanto dizia — Sim, Fury, estamos a caminho. Ela já está atendendo por outro nome, e logo, iremos transformá-la definitivamente em Agente J. Uma garota destemida, sexy, e habilidosa. O contrário dela, interessante. Cero, ficarei na escuta — e dito isso, abaixou a mão, acelerando o passo.
— Você poderia ser um pouco menos rápida? — chamei-a ao vê-la se distanciando como raio de mim. Foi impossível não esboçar uma careta ao sentir a dor agindo conforme eu tentava seguir o ritmo de Romanoff.
Ela parou sua caminhada turbinada, olhando-me por cima dos ombros.
— Tudo bem. Ande logo.
Depois que a alcancei com um pouco de esforço dosado, seguimos com os passos ritmados, uma ao lado da outra. A única diferença era que Romanoff estava se igualando a uma deusa com uma postura inabalável, enquanto eu, estava curvada e segurando minha perna atingida com as duas mãos, como uma pateta de primeira. Talvez eu fosse uma pateta mesmo.
Pela primeira vez, dobramos o corredor, e minha visão se resumia a apenas portas e mais portas, e nada mais. Entramos na quinta porta à direita, e deparei-me com uma sala que eu nunca imaginei para algo como a S.H.I.E.L.D poderia comportar.
— E esse é meio que um salão de beleza — Natasha se pronunciou, passando à minha frente e indo para perto de um moreno baixinho e forte, incrivelmente, em o traje sempre onipresente da organização. A saleta era extensa, porém, um pouco estreita, dando espaço apenas para um pequeno espaçamento recheado de carrinhos de salão de belezas modernos e mecânicos que se ampliavam e retrocediam, mostrando produtos e produtos de beleza. Em frente aos carrinhos, três cadeiras giratórias estavam intercaladas perante um espelho que ocupava quase toda extensão do local. Era pequeno, mas, superteconologico.
Romanoff estava cochichando com o moreno de pele bem escura, que não deixava de ser bonito, mas de tão baixo, seria menor que eu. Os dois gesticulavam freneticamente, enquanto em momentos da conversa estranha, pude ver ambos trocando sinais que se referiam a mim. Estavam postos ao lado da terceira e última cadeira, e o moreno apoiava a mão no suporte de vidro em baixo do espelho, onde alguns produtos e maquiagens (acho) estavam entrepostas.
— Isso! — o moreno exclamou animadíssimo, batendo palmas até mais do que exagerado — Iremos transformá-la em outra pessoa, irei na verdade. Qual é seu nome querida? — disse ele, depois de atravessar o vão que me separava dele, e analisando-me como todos faziam.
Olhei para Natasha alguns instantes antes de responder.
— Agente J.
Ele riu, parecendo estar bastante divertido.
— Seu nome verdadeiro, garota — Ele proferiu, passando as mãos pelos cabelos curtos e visivelmente encaracolados.
Deixei um "ah" de entendimento escapar por minha boca, e o moreno deu um sorriso afetado e gentil ao percebê-lo.
— Não sei se posso falar meu nome real — falei, um pouco mais comedida do que o comum.
Natasha deu de ombros, mas não se moveu um centímetro sequer. Havia apenas indicado que falar ou não, daria na mesma, afinal.
— Meu nome é Skylynn Wade Johson.
Um "O" perfeito se moldou à boca mais vermelha que o comum do homem à minha frente. Seu rosto se afeiçoou com uma surpresa gigantesca, enquanto seus olhos amendoados drobavam de tamanho.
— Espere um segundo! — Ele exclamou, maneando a cabeça de lá pra cá incontáveis vezes. Pelo susto, recuei uma perna para trás, já que a outra estava ocupada demais sendo muito desnecessária — Você é a filha de Brian Johson? — ele quis saber. Assenti, debilmente. Meu coração de uma hora para outra se escavou num buraco obscuro e concâvo, um abismo recheado de lacunas demoníacas que me diziam que papai nunca mais se lembraria de mim. Afastei os pensamentos para o lado mais distante possível.
— É, sou eu.
— Por Odin, garota. Como você é linda e bafonica! E esse corpo, céus. Modelado perfeitamente com essa roupa. Tenho certeza que terá certo herói te olhando diferente. Aliás, meu nome é Taylor.
Sua mão foi içada para cima, para que eu a apertasse. Fiz-o, mesmo absorvendo as palavras estranhas que ele havia ditado.
— Prazer, Taylor — sorri, de lado.
— Acredite, o prazer é todo meu — Ele devolveu meu sorriso, laceando a camiseta xadrez por cima do uniforme preto com uma das mãos, e logo reverenciando-me à cadeira — Sente-se, Skylynn Johson. Teremos muito para fazer nessa beleza de cabelo.
...
— Já posso abrir os olhos? — questionei. Minha pulsação já estava, por incrível que pareça, elevada, enquanto uma ansiedade adornada de exagero me percorria rapidamente. Eu tinha de admitir, eu estava à espera do resultado e sofregamente para completar esse fator incomum e ornado de soluções atípicas.
— O que eu falei sobre menos perguntas, céu? — ele contra-atacou, usufruindo do modo burlesco de meu apelido. Ah, como eu amava quando as pessoas utilizavam esse modo sarcástico e superlegal, como eu amava. Bufei, contrariada, enquanto eu me remexia minimamente na cadeira de couro clara totalmente farta de delongas para deixar-me descobrir como está um novo corte de cabelo. Espere, espere, espere? Eu estava mesmo dando importância a isso? É, parece que sim. Talvez porque aquilo representasse alguma mudança definitiva em minha vida, o novo salpicado de escuridão adentrando definitivamente minha vida.
— Eu só quero saber como está, Taylor.
— Sei disso, Sky — Suas mãos movimentaram meus fios de cabelos, sacolejando-os, em um movimento para cima e para baixo. Uma circunstância era certeira e submersa por inteiro: meus cabelos, antes na metade de minhas costas, estavam, agora, batendo pouco acima de meus ombros. Eu podia senti-los mais leves, e fios formigando-me ao pescoço, em cócegas até adoráveis. — Só me diga como você acha que está seu cabelo?
— Mais curto, eu acho.
— Olha, ela é boa de advinha — Natasha caçoou, sua voz estava um pouco afastada, mas ainda a nitidez do tripúdio estava presente.
Apertei meus olhos, com as duas mãos.
— Só me mostrem logo como eu estou, por favor.
— Por Odin, menina! — vociferou Taylor. Era incrível que, mesmo usando palavras bastante afeminadas, Taylor ainda conseguia manter seu timbre extremamente grave, e repleto de testosterona. — Pronto, pronto, pronto. Você está prontíssima para encarar sua outra você.
Embora eu me sentisse análoga em relação a minha pessoa, o sentimento que crescia em mim era de evolução. Por mais sinistro que pudesse parecer. Internamente, eu era apenas uma junção de cacos estilhaçados em infinitos pedaços, o respaldo que me mantinha em pé, estava ridiculamente atuando não me conhecer, e por fora, eu era aquela menina cercada de ameaças alastrantes e intimidada pelo mundo que a embalava, sem saber o passo que daria a seguir. E eu estava cansada de continuar assim, aturdida por todos que me acham péssima em todos os sentidos.
Retirando tudo de ruim em minha vida, havia resquícios de felicidade em potencial em algum abismo profundo na minha vida, repleto de labaredas, e eu não podia simplesmente ignorá-los.
Abrindo os olhos com certa vagarosidade, afeiçoando minha visão para reabrir-me à uma nova realidade. Primeiramente, consigo reparar meus olhos se ampliando bilhões de vezes com a surpresa atrofiando momentaneamente meus neurônios. Azulados como o céu nascendo ao leste, meus olhos continham fatores inéditos, desprovidos até então de onipresença por toda a minha vida. Eles, então, vagaram para os fios, que realmente estavam no tamanho que eu havia pensado. O corte num todo, era um repicar ousado que deixava-me absolutamente diferente do que eu era antes. Adornando minha testa, uma franjinha recaia um pouco em meus olhos, deixando-me a aversão de uma personificação da meiguice, sendo agora madura e até mesmo séria.
Oh, meu Deus!
— E então, o que você achou, Agente J? — Natasha questionou, dirigiu-se até a mim em passos delineados e carregados de autoconfiança, como sempre. Através do espelho, pude vê-la cruzando os braços, à espera da resposta. Contudo, sua figura logo se embaçou, tornando-se tediosa à mim. Tudo que minha visão era capaz de focar era como meu rosto estava bonito moldado ao novo visual.
— É estranho a sensação de se sentir bonita.
Natasha riu, ínfima.
— Acho que sim. De qualquer forma, nunca senti o contrário dessa sensação. Bom trabalho, Taylor.
Taylor, que se situava aos meus olhos, tinha os olhos de caramelo crepitando de emoção e orgulho, os recaindo sobre mim.
— Estou me esbaldando em tanto orgulho, sério. Quem diria que eu seria capaz de fazer isso.
— Foi um bom trabalho, Taylor — eu sibilei, tocando meu cabelo com as pontas dos dedos, maravilhada.
— E ela gostou, o que é bom — Natasha deu de ombros, mas um sorrisinho de lado reverberava pelos seus lábios. — Agora, eu preciso resolver coisas... uh, pendentes. Você consegue se virar sozinha, não é? Claro que sim, então, adeus — Soergueu uma de suas mãos, e atravessou o recinto como um raio sendo despejado ao céu, logo ultrapassando a porta metálica para fechá-la em um estrondo que ecoou, propagando-se até chegar os meus ouvidos.
...
Circunvagando pelos corredores um pouco estreitos da organização, eu estava tentando achar uma forma de me encontrar com Tony ou até mesmo Dannis. Só precisava de ir à encontro com algum amigo, ou seja lá o que Tony havia se tornado depois do ocorrido em frente à mansão de Isaac, sob a fabulosa penumbra da noite daquele dia. Os agentes, agora com vestimentas iguais a minha, atravessavam pelo chão ao menos sem me notar. Era como se eu fizesse parte da S.H.I.E.L.D, e eu percebi, então que de alguma forma eu no momento falsamente pertencia ao local. Pelo menos era isso que aquela águia entalhada no meu peito ao lado esquerdo dizia para todos que passavam por mim, afinal, Agente J estava na área agora.
Minha caminhada ainda era vacilante, de modo que eu ainda precisava mancar para continuar em pé, contudo, a dor havia se dizimado ao longo do tempo. Por minhas contas, deveria ser por volta de 20h, ou seja, eu já havia passado tempo demais sem a companhia de alguém, exceto Romanoff.
— Desculpe-me — um moreno alto, e apressado apressou-se em dizer quando sofreu um baque contra meu copo, lançando-me à alguns metros para trás. Consegui me manter de pé, mesmo quase incapacitada. — Você está bem?
Suspirei sofregamente, lançando-o um sorriso mínimo, apenas para transmitir que tudo estava bem.
— Parece que sim.
— Eu não te conheço, sabe, por aqui. Sou novo na S.H.I.E.L.D, mas é a primeira vez que a vejo — Ele comentou, abaixando-se para recolher os papeis poucos que haviam se espalhado em intervalos pelo piso liso.
— Meu primeiro dia — tentei esboçar a maior naturalidade ao mentir, embora isso totalmente fora dos meus dotes. — Estou meio perdida, mas, está tudo estabilizado — Plim, é eu estava mesmo blasfemando.
Ele sorriu, revelando as duas fileiras de dentes brancos e perfeitos. Suas mãos calejadas em vários pontos já portavam as folhas antes caídas.
— Prazer — Ele estendeu sua mão para mim. Um pouco hesitada, apertei-a olhando fundo em seus olhos através dos óculos quadrados que ocupavam um pouco de seu rosto, cuja barba fina não era uma péssima opção para completar sua figura um tanto atraente. — Agente Dobred.
— Agente J.
— Irei gravar seu misterioso codinome — Ele sorriu, antes de desaparecer por outro corredor, afinal, aquilo não era um prédio, e sim conjunto de inúmeros labirintos.
Dei de ombros, embora ainda quisesse descobrir os sentidos submersos daquelas palavras, mas apenas prossegui, passeando por aquele lugar que era acima de tudo muito estranho. Minha vontade era de estacar em qualquer ponto daquele recinto, e parar para resfolegar, mas eu estava inquieta demais para isso. A necessidade de encontrar Tony, Dannis ou Isaac se alastrava dentro de mim, como uma peste se alastrava pelas inúmeras plantações de trigo de uma fazenda; o caso era, eu teria que parar esse sentimento, e a única forma era ter um deles por perto. E eu tinha de admitir, meu interior berrava para que fosse Tony o primeiro a colidir comigo, praticamente jorrava para que eu descobrisse agora mesmo um modo de tê-lo ao meu lado, e isso estava me deixando completamente ensandecida e com neurônios à mil. Estar conflitada estava sendo algo muito praxe em minha vida, e sinceramente, não é nada agradável.
Os corredores desse andar da S.H.I.E.L.D eram macabramente iguais. Paredes claras demais, portas iguais demais, piso liso e tão limpo que eu poderia ver meu contorno ao baixar meus olhos para encará-lo. Em cada um das juntas de parede, haviam estantes beges intercaladas, como se fosse um hospital. Os outros andares, felizmente, não eram assim. Na realidade, eram um paraíso arquitetônico e tecnológico. Perguntei-me, então, por que eu não saia daquele lugar e iria procurar Stark por lugares mais assemelhados com sua personalidade profunda e difícil de ser compreendida.
Farta de vez tantas cores fracas mescladas, eu estava prontíssima para dar meia volta e dissipar-me daquele lugar, até que...
— Skylynn? — A voz de Isaac me chamando me faz estacar. Girei em meu próprio eixo, encontrando-o no batente de uma porta posta à parede esquerda. Ele estava com uma feição de surpresa se aguçando em seu rosto. — Você está... diferente. Mas, linda.
Ruborizei.
— Ah, obrigado.
— Eu estava conversando com Tony — Ele esclareceu, e dei alguns passos para enfim estar perto de Isaac. — Está tudo bem com você? — Seu tom de voz era hesitante, como se dizer qualquer coisa fosse arriscado demais.
— Sim, na medida do possível. Uh, e essa roupa? Pensei que não fosse mais agente da S.H.I.E.L.D.
Ele sondou aquele macacão preto autocolante, um pouco infeliz posso dizer, e repousou sua mão na bainha, onde ao lado esquerdo de sua cintura, uma pistola estava localizada.
— E não sou, Sky. Apenas estou sendo levemente obrigado a vestir isso, mas, vamos lá. Relembrar o passado nem sempre é ruim, quando o que se trata é benéfico. Também tive momento bons nisso.
— Bom, pelo menos você não está afeminado usando isso. Já eu — reverberei uma risada engasgada.
— Lógico — Ele afirmou, sorrindo e içando um canto de seus lábios. — Agora, se me der licença, tenho assuntos...
Cortei-o, soerguendo uma sobrancelha.
— Pendentes a resolver? É todos estão com isso hoje.
— Ok, você está certa — Ele concordou, maneando a cabeças para os lados, sorrindo abobalhado ao conectar seus olhos aos meus. Eu não podia explicar como eu me sentia bem quando ele estava por perto, só era. O modo meio protetor que ele empunhava sobre mim não era opressor, e muito menos maléfico. Ao contrário disso, na verdade. — Agora, se me der licença, Sky, estou indo. Se quiser ajuda, estarei por perto. Afinal, meu proposito aqui é unicamente protegê-la.
— Tchau... — falei, estupefata com as palavras de Isaac. Era incrível como as pessoas estavam lançando mais e mais incógnitas em minha cabeça, facilitando para que teias íngremes e finas se instalarem excessivamente em toda a situação confusa. Afinal, meu proposito aqui é unicamente protegê-la, dissera Isaac. E eu, de verdade, me esforça ao topo para entender todo esse querer dele de me manter segura, seja lá o quanto isso fosse custar. Eu ainda não podia confiar cegamente nele. Não quando suas origens, passado, o porquê de estar em vida andavam mais vagos e apagados do que o céu em dia nublado; ele havia aparecido aquele dia na escola, me salvado, me abrigado em sua mansão esplendida, sido estranhamente complacente, confiável até demais. O que Isaac sabia tanto que mal podia me contar. Ou melhor...
Como ele sabia?
Ideias, hipóteses, possibilidades, ponderações reverberavam em minha mente sem um stop e trabalhavam todas as engrenagens até então enferrujadas de minha cabeça. Sofreei, um pouco cansada e carregada de tanto pensar, pensar e pensar. Analisando o vão da porta, meus olhos esquadrinharam a silhueta conhecida de Stark saindo para fora do recinto com a cabeça baixa, repleto de uma esquisita derrota. Eu poderia conhecê-lo apenas só minimamente, mas eu sabia que com ele nada estava bem. Aquela não era a postura que ele, dono da Stark Industries e um dos heróis mais vangloriados dos Estados Unidos, o Homem de ferro, portava. Nada de convicção o ornava e eu estava até me afetando ao vê-lo assim.
Quando as esferas enormes e tão lindas se soerguem, nossos olhares se vinculam. É como se uma esfera magnifica tivesse sido criada apenas para esse momento, é como se nada mais existisse por um simples ápice. Meu coração se lançou praticamente para fora de meu peito, realizando e procriando saltos ornamentais, dando brecha para aquelas borboletas, cuja carnificina era a definição, atacassem meu estomago sem piedade. Era uma sensação boa, afinal.
Havia a mesma dor daquele dia em Hamptons nos caramelos, cujos nomes eram olhos de Tony.
Escancarei minha boca, prestes a falar algo, mas logo a fechei, quando as palavras se tornaram fujonas. Haviam simplesmente se dissipado para tão longe que eu mal podia lembrar do que se tratavam.
— Você está me odiando muito? — pergunta Tony, num fio quase torado de voz.
Sorri ao ouvir as palavras chegando aos meus ouvidos.
— Por que eu te odiaria? — quis eu saber, simultaneamente negando seu questionar.
Ele engasgou minimamente com as palavras. Suas mãos, imperativas como ele, se movimentavam em gestos exasperados, como se ele estivesse entrando em combustão. Depois de expirar e inspirar expressivamente, ele sibilou:
— Porque eu te feri, Sky. Ignorei-a em um momento que, visivelmente, você precisava da maior ajuda o possível. É que está tudo confuso demais não só para você, e porra, não me faça fazer um discurso gay e adornado de glitter rosa pink.
— Na verdade, estava bem testosterona seu monólogo, mas você acabou de estragá-lo, obrigado.
— Você não está mesmo me odiando? — ele quis saber, aproximando-se de mim. Estaquei-me, por mais que eu quisesse recuar por puro medo. Mas, por outro lado, era tão bom vê-lo tão perto, já que até poucos instantes ele estava tão inalcançável.
— Não, não mesmo.
Ele fechou os olhos e realizou mais duas passadas. Estávamos frente a frente.
— Qual é, Skylynn? — Seu tom agora era irônico, e isso foi a melhor coisa que ele fez. — Você está com vontade de surtar, me dar alguns tapas, e talvez até mais do que isso — sua voz gradativamente se baixou.
— O quê? — exclamei, ruborizando.
— Nada, nada. Eu não disse nada.
— É — Sorri de lado, absorvendo ainda esses pequenos atos que nós esquematizávamos com tamanha naturalidade. — Você pretende, sabe, me ignorar de novo?
Demorou alguns segundos para responder submergir.
— Depende.
Arregalei meus olhos na mesma hora.
— Como assim depende? — Minha voz se solevou muitas e muitas oitavas, deixando-me com o tom mais esganiçado o possível. — Você só pode estar de brincadeira com a minha cara, Stark — Bufei, altamente, enquanto eu massageava minhas têmporas. Stark estava absolutamente certo, a minha vontade era plantar belos e simbólicos tapas naquela face dele.
Uma risada debochada e zombeteira escapou pelos seus lábios, e pela primeira vez nesses tempos, Stark sairia daquela bolha que o deixava inexpressível e indiferente, desprovido de hostilidade.
— Acalme-se aí, minha querida. Eu não pretendo ignorá-la.
— Quem me garante isso, Tony? — questionei, sondando fundo seus olhos.
Ele devolveu o olhar tão intenso quanto. Stark mordeu os lábios, apenas para me relembrar de que ele era e sempre seria a melhor personificação do pecado e da sedução. Nada o impedia de ser irredutivelmente atraente, nem o tempo, nem a tristeza, nem o cansaço.
— Você quer saber mesmo o que nos garante isso, minha querida? — Ele propôs em uma pergunta, enchendo sua boca de carinho ao dizer as palavras minha querida.
Aquiesci, um pouco hesitante com a resolução. Com minhas unhas, belisquei os dedos da mãos, para aliviar a tensão que se propagava rapidamente.
— Eu me descobri incapaz de ficar longe de você, Johson — ele respondeu, semicerrando os olhos em um ato de deixar qualquer uma com vontade de exalar nitidamente. Sua voz, arranhada pela rouquidão, causaram arrepios nunca sentidos antes em minha pele.
Engoli em seco, desprovida de resposta para continuar o diálogo. Ah, claro. Pois era sempre assim: eu era a idiota incapacitada de sibilar sequer uma junções de letras. E, logicamente uma coisa praxe de minha pessoa: aquele rubor se apossou por todo o meu rosto, e eu suspeitava que não era apenas por minhas bochechas.
— Ah... — tive a capacidade de soltar essa exclamação idiota. — Por favor, só um segundo, estou sem palavras — Pedi.
Pisquei consecutivas vezes apenas para acabar momentaneamente com o nosso contato visual, que estava me deixando a cada segundo mais envergonhada. A sonda humana, cujo nome eram os olhos de Tony, estava destemida e mal se importava em não esboçar algo que não fosse um sorriso rompedor de estruturas físicas e sentimentais.
— Não falei algo de errado, Sky. Então devo me sentir feliz por essas reações — Ele solevou uma de suas mãos fortes e que embalavam toda uma parte de meu rosto. Com os dedos formigantes, ele acariciou a linha de meu maxilar, causando-me combustões febris e desconexas com tudo. — Sua perna está melhor?
— Já não dói mais — sibilei, apreciando o trabalho magnifico que os dedos um pouco calejados de Tony faziam em mim. Era bom ver que pelo menos um pouco de nossa dor havia se dissipado de nossos olhos, porque o conforto havia tomado de conta. — Há alguma coisa inquietante em mim, como se eu devesse lembrar de algo — acabei por soltar, comentando.
Tony se retesou por inteiro.
— Que tipo de coisa... — ele pigarreou, quase que entalado. — Digo, o que você acha que pode ser, sabe, isso?
Semicerrei meus olhos, tentando esconder as minhas suspeitas que se espreitavam avidamente sobre aquele jeito instantâneo de Tony.
— Como se eu estivesse me esquecendo de um acontecimento importante, de alguém importante. Não é como se fosse uma coisa banal.
— Bem, — Ele deu uma parada em seus carinhos em meu rosto — de qualquer forma, você não deve se preocupar com isso, pelo menos não agora. Sabe, é muita coisa acumulada sobre suas costas, e mesmo você sendo forte o suficiente, é melhor manter as preocupações por longe por enquanto.
— É... — nossa conversa estava sendo tão séria, que eu mal podia acreditar que eu era com Tony mesmo que eu estava falando. — as coisas andam um pouco diferente, sinto isso.
— A única coisa que eu sinto que está diferente pra mim é o fato relevante até demais, no qual é claro, você está bem sexy com esse cabelo, e com claro, esse uniforme. Uma grande evolução, não é? Achei mesmo que você estivesse precisando sair de baixo daqueles moletons, porque, convenhamos, a muita coisa legal até demais que você escondia sob ele, como, sabe sua...
— Ei, ei, ei! — Elevei minha voz inúmeras oitavas, constrangida. — Eu já entendi, tá legal?
Tony ergueu suas duas mãos, em um ato de rendimento.
— Tá bem, tá bem. Mas, sabe, eu só estava dizendo a verdade, do tipo... ok, parei de verdade, prometo e de dedinho! — Ele içou seu dedo mindinho para concretizar a promessa. Entrelacei o meu dedinho com o dele depois de muita luta interna. — Mas, sério, se você quiser dar uma voltinha para eu conferir as suas proporções seria algo que meus olhos adorariam captar.
Arregalei meus olhos.
— Por favor, Tony, cale a sua boca!
— Estou calado, não está vendo? — Ele questionou, voltando a ser aquele cara mimado e egocêntrico. E eu não achei isso um ponto negativo.
Soltei uma risada.
— A-hã. Muito calado. Tão calado quanto a sua capacidade gigantesca de ser uma ótimo egocêntrico, o melhor, aliás.
— Qual é? — Ele ilustrou indignação. — Voltamos às origens, nas quais eu sempre vencia, aliás.
Dei de ombros.
— Voltar às origens é legal, às vezes...
Tony solevou um de seus dedos, interrompendo-me.
— E, falando em origens — Ele utilizou aquele tom um pouco hostil e cheio de desdém. — Soube que Steve foi na sua cabine. Um grande erro porque, além de provavelmente ter dado um show pré-histórico, ele meio que lesionou nossa missão.
— Lesionou o quê? — eu quis saber.
— Você já deve saber, é claro — Ele revirou os olhos, e suspirou fundo. — Isaac nos contou muita coisa, e claro, coisas que envolvem você e um pouco do passado dele. E, acredite, muitas coisas correlacionadas, nas quais você não precisa acreditar ou melhor, saber. Pelo menos não agora. Escute, eu sei que a fúria deve estar se generalizando por você, você deve estar com raiva de mim. Sinceramente, eu odeio que ter de concordar com Isaac, eu odeio ter que estar escondendo coisas que fazem parte de você. Mas, está tudo tão cru. Se você souber agora, nesse momento, irá sobrecarregar.
— Espere — engoli a bile crescente o mar de lágrimas que se acumulavam para me detonar. — Quer dizer, que você, Steve e todos os outros estão me escondendo a verdade porque simplesmente acham que eu sou desqualificada para saber a resposta. Porque acham que eu irei afundar? Eu não sou só essa garotinha frágil, Tony!
Ele escancarou a boca, e ficou calado por breves segundos.
— Sei disso, minha querida — Ele deu um passo, quase colando seu corpo ao meu. O teor quente de seu corpo esquentou o meu, apenas por estar assim tão chegado. — Só que há algo dentro de você instável até então, algo que precisa se manter quieto. Consequentemente, você deve se manter fora de mais perigo e de problemas. É como se fosse uma lei. Quando sabemos da verdade, ela se aplica verdadeiramente em nossa vida. Não é algo que eu posso arriscar. Não é algo que nenhum de nós possa arriscar. Manter você desinformada é mil vezes melhor do que te perder, Sky.
— Eu não entendo! — exclamei, em um burburinho fraco e sem forças. Algumas lágrimas escorregavam com facilidade pelo meu rosto — Só está sendo confuso demais. Fui trazida para cá baleada, mudei de visual, Natasha me intimou.
Ele franziu os olhos.
— Te intimou?
— Sim. Agora para os desconhecido me chamo Agente J.
— Quem inventou esse codinome tosco?
— Natasha — esclareci. — Mas, não importa. Não sei onde Dannis e Alice estão. Não sei nem onde meu pai está.
— Sobre eles — ele maneou a cabeça, como se fosse algo chato a se falar. — Seu pai esteve localizado em Londres há 5 horas atrás, provavelmente tratando de negócios. Entramos em contato com ele. Sabe, eu nunca vi um pai mais desinteressado pela filha.
Meu coração virou chumbo. O modo como Tony falava era de indignação, o ódio parecia escorrer por sua boca.
Esperei que ele continuasse.
— Bem, ele disse que você estava em boas mãos e que não havia com que se preocupar — ele prosseguiu. Fechei meus olhos, tentando desviar toda a dor para um lugar que não fosse dentro de mim. Quando aberto meus olhos, busquei os de Tony, pedindo para que ele desse continuidade. — Dannis e Alice estão em observação. Uma pergunta. Desde quando você sabia que os irmãos Stans são mutantes?
— O quê? — exaltei-me. Como diabos eles haviam descoberto?
— Hey, calma. A S.H.I.E.L.D é boa em descobrir potenciais super-heróis, e vilões também. O que eu acredito veemente que não seja o caso deles. Fique tranquila, nada de mais está acontecendo com eles. Fui bem claro com Fury para que nada os machucasse e, sé...
— Senhor? — Uma voz sem dono específico se instalou pelo local, e eu delimitada, saltei assustada.
— Diga, Jarvis — Tony disse, soerguendo seu pulso esquerdo, onde um relógio tecnológico estava plantado. Era dali que Jarvis vinha. Ah, eu quase havia sucumbido que Tony tinha um mordomo que não era tão vivo assim.
— Senhor Rogers e Thor estão querendo falar com vocês, achei melhor avisá-lo antes de interromper sua conversa de forma mais indevida ainda com a senhorita Skylynn. Aliás, bom noite, Skylynn.
— Boa noite, Jarvis — saldei-o, perguntando-me como algo robótico podia ser tão simpático.
Tony bufou audivelmente.
— Coloque-os logo em transmissão, amigão.
— Sim, senhor! — Jarvis atendeu prontamente, e logo um singelo holograma de Steve e Thor foi propagado acima do pulso de Tony.
— Tony? — era a voz de Steve.
— Eu mesmo, capicóle — Ele falou. — Aliás, digam olá para Skylynn ou melhor Agente J — Ele reverberou uma risada muito inconveniente, aliás.
— Olá, Skylynn — disseram os dois heróis do holograma em uníssono. Mas, logo, o deus de capa vermelha prosseguiu: — Estamos aqui apenas para repassar que a missão é às sete.
— Sem atrasos, Stark — completou Steve.
— Talvez — ponderou Tony — Sete da manhã, não é um horário muito flexível, sabe?
— Só esteja aonde combinamos no horário certo, herói de ferro — foi o que Thor disse, depois de desparecer juntamente com Steve enquanto a imagem de ambos enublava.
Tony suspirou.
— Preciso potencializar minha armadura para que ela estava perfeita. Sabe, tenho muito amor pelos meus bebês.
— Então, tchau — falei.
Pensei que Tony fosse responder algo, ou simplesmente ir embora. Mas, ele se encurvou sobre mim, e colou nossas bocas em um beijo prontamente já fogoso e cheio de batalhas. Tony encaixou-se perfeitamente em meu corpo, encarcerando-me com as duas mãos plantadas em minha cintura. Eu apenas fui capaz de levar meus dedos para seu cabelo, os bagunçando, enquanto aquela inebriante sensação de ter o gosto de sua língua com a minha se apossava de todo meu ser. Nunca imaginei que seria capaz de existir alguém que beijasse tão bem.
Tony cessou o beijo de supetão, grudando sua testa na minha, em um ato pragmático.
— Quando estiver sozinha, tire a roupa — ele começou com um ato sedutor e eu assustei-me de imediato. Logo, seus olhos se açucararam e ele sorriu. — Ei, espera. Deixa eu completar, por favor? E quando, aí, você irá tirar o curativo da sua perna, e irá me dizer quando puder como está a situação do local atingido.
— Para quê? — eu quis saber, mas Tony já estava no final do corredor, pronto para virar para um outro.
— Apenas o faça — ele instruiu, e depois se dissipou.
Voltei para minha cabine, e fiquei pensando na tal missão que Thor e Steve haviam dito para Tony. Provavelmente, era essa missão que se relacionava com as coisas pendentes de Steve, Natasha e Isaac. Tinha algo a ver comigo, também, de alguma forma eu sabia que tinha.
E então, eu sabia o que eu deveria fazer.
Eu iria, de qualquer modo, àquela missão com eles.
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