Bad Minds [HIATUS]
25 Anjo
Notas iniciais

Anjo
— Quem liga para uma garota tão... inocente como eu, afinal? Você é diferente, não pode saber o que se passa na sua própria vida. Lide com isso, Skylynn — eu balbuciei a décima vez comigo mesma coisas desse tipo enquanto eu tentava inutilmente tirar aquele pedaço de pano, que me delimitava de viver. Malditas organizações e seus uniformes apertados — Você nunca conseguirá obter informações sobre você mesma, sua inútil.
Não estava sendo reconfortante dizer tais palavras para mim mesma, mas a única saída que eu encontrava para não entrar em combustão era falar, e como eu estava acompanhada de alguém tão ilustre chamado ninguém, tudo que eu podia fazer era conversar comigo mesma. Não estava ajudando a me sentir menos solitária, devo acrescentar e sim fazendo-me pensar que realmente porto tantos problemas inimagináveis. E eu estava mais do que inquieta, minha mente borbulhava como um caldeirão de uma bruxa tão má que poderia dominar o mundo, e eu estava eufórica para bolar um jeito de conseguir ir para aquela missão.
Sem com que sequer alguém soubesse.
E aí entrava o problema, definitivamente. Nada me fazia crer que eu conseguiria de fato fazer o que era mais necessário: descobrir o que todos escondiam de mim, mas eu tinha que tentar. Como tentar, afinal? Era a pergunta que retorcia meus neurônios, fazendo-me ficar plenamente ensandecida e aquela bosta de macacão autocolante ainda não fazia o favor de se retirar do meu corpo.
Até que eu consegui.
Nua, eu me agachei e sentei ao chão do banheiro de minha cabine, e minhas mãos começaram uma busca pelos gases e band-aids que formavam o curativo de minha perna atingida. Ao encontrar a protuberância fofa e lisa, meus dedos trabalharam para retirar aquele mar branco salpicado de vermelho. Joguei-o na lixeira, abaixo da pia, e suspirei fundo antes de dar um passo a seguir.
Tony havia me pedido para que eu o fizesse, e aqui estava eu, mas medrosa do que algum dia já fui.
Dedilhei, hesitante, minha pele esperando que meu tato capturasse uma cicatriz sinistra ou qualquer coisa do tipo. Porém, tudo que encontrei foi minha epiderme intacta, inabalável, como se eu nunca tivesse sido baleada um dia atrás. Mordi, meus lábios, apavorada.
O que diabos era aquilo? Eu podia jurar que há horas atrás, o local ardia em dor e eu mal era capaz de andar, agora, a dor havia esvaído dando espaço à uma extensão de pele fresca, totalmente normalizada; havia simplesmente desaparecido, sem explicações ou qualquer derivado. Suprimi um grito, enquanto, cambaleante e anestesiada — pelo medo do que aquilo poderia ser — forcei-me a ir em direção à ducha. Espalmei minhas mãos no vidro firme do box, enquanto eu buscava abri-lo sem com que eu desse de cara no chão.
Apenas tratei de lavar-me como um raio, sedenta por logo estar à procura de alguém que pudesse me apoiar com tudo isso. Não era relevante a minha capacidade ou não de conquistar algo fora do meu alcance, eu faria de tudo para descobrir o que até Tony tentava desvencilhar de mim.
...
Stans. Eles eram primordiais para que eu pudesse ir àquela missão, e por isso, eu vagava dentre aqueles corredores, tentando achá-los sem muito sucesso até então. Além do mais, eu estava preocupada com eles; haviam descoberto o que eles realmente eram e eu não estava à vontade sabendo que algum tipo de avaliação fora feita com eles. Eu tentava ao máximo pensar que apenas havia sido qualquer exame de sangue que comprovasse à organização que eles não eram mutantes — mesmo, na real, eles sendo —, porém, a alta tecnologia à mercê deles me dizia que eu estava sendo idiota ao tentar manter tais hipóteses. Precisando mais do que nunca vê-los, meu coração se descompassava em meu peito, deixando-me ofegante ao tentar ainda portar aquela falsa postura que Agente J carregava consigo mesma.
Acredite, eu era de tudo, menos confiante — o que necessariamente não é algo bom, sendo sincera.
— Sky!
Assim que eu ouvi meu nome sendo exclamado pela voz conhecida, meus olhos começaram a vasculhar aonde ele poderia estar. Dannis, então, surgiu perante mim no final do corredor, sendo acompanhado por sua irmã, Alice. Estranhamente, ambos usavam o mesmo traje que eu — aquele macacão com a logo da S.H.I.E.L.D incrustada ao peito — e suas feições eram indecifráveis, assim como eles.
— Dannis! Alice! — exclamei, correndo para alcançá-los, eu já não tinha a limitação de ter uma perna atingida (e isso, apesar de aliviante, não me deixava mais estabilizada) e sentia que um sorriso com requisitos de saudades e preocupação se espalhava por todas as minhas feições — Por favor, me falem que você estão bem, que não fizeram nenhuma experiencia hostil e macabra! — As palavras haviam sido disparadas de uma vez, saindo de minha boca sem com que eu tivesse um real controle. Dannis arregalou seus olhos num rompante, como fazia quando presenciava Trice jorrar torrentes de frases e mais frases. Então, ao lembrar de minha melhor amiga, foi os meus olhos que se arregalaram, o desespero se injetando em minhas veias por não conseguir ver uma figura loira a não ser Dannis — Trice! Onde está a minha amiga, Stans? Oh, céus. Por que diabos ela não está com vocês, hein?
A confusão se apossou não somente em Dannis, mas em Alice também.
— Skylynn, — ela começou dizendo, o tom hesitante se espreitava por cima dela, como se tivesse que selecionar as falas com o maior cuidado do mundo — você não se lembra?
Estreitei minhas sobrancelhas, já com o estranhamento se vinculando ao fato de que nada estava realmente certo. Tentei buscar os sentidos que se adaptassem à “você não se lembra?”, mas exatamente nada adentrava em minha cabeça. Mas do que diabos ela estava falando?
— Eu deveria me lembrar de algo?
Um silêncio cortante se impôs entre nós. Nada estava bem e eu pude concluir isso quando presenciei Alice desviar seus olhos verdejantes para o chão enquanto Dannis abaixava a cabeça, e cabisbaixo, murmurava alguma coisa consigo mesmo. Um sentimento macabramente forte socou meu coração e eu tinha que obter logo alguma resposta, agora.
— Eu deveria me lembrar de algo? — repeti a pergunta, já não mais com qualquer sintoma de calmaria que um dia já esteve em mim. Nenhum deles se moveu, estavam paralisados, privando-me de entendê-los ou pelo menos compreender o que havia acontecido com minha melhor amiga. Suposições introduziram-se em minha cabeça, juntando-se em meus neurônios em um embaraçar de pensamentos, recheados de presunções que me levavam a pensar o pior. Mordi meus lábios, á ponto de sentir meus olhos sendo suplementados por lágrimas de dor. Eu poderia suportar tudo, menos a ideia de que minha melhor amiga estava sofrendo sabe-se lá o que.
— Brian — a voz de Dannis era um suspiro que reprimia a dor e a infelicidade que se escondia por de trás dos olhos azuis que se mesclavam ao verde. Ele ainda possuía aquele porte incapaz — Durante o tiroteio, ele conseguia capturar Trice e desde então, ao que parece, não temos mais notícias delas. Os Vingadores e a S.H.I.E.L.D estão tentando encontrá-la, mas não estão tendo tanto êxito quanto imaginaram que teriam. Tony acha que Fury está nos privando de informações, mas o cara do tapa-olho apenas rebateu que devemos confiar no sistema.
— O que, claramente, não é algo que acho que deveríamos fazer — Alice, disse, já um pouco mais convicta de si como costumava ser. O volume de sua voz se baixou significativamente, mas ela ainda agia com se estivesse falando qualquer banalidade — O sistema, como falam, já está falho. A S.H.I.E.L.D está caindo muito desde a batalha de Nova York e parece que os Vingadores não gostam quando segredos são esquecidos de serem mencionados a eles. Há coisas que essa organização resolve com apenas alguns agentes, e somente eles são autorizados a ficarem por dentro das coisas. São os nível oito, mas parece que até eles estão sendo privados de algumas informações, afinal.
Boquiaberta, olhei-a nos olhos depois que ela acabou de despejar tamanha informação sobre mim. Oh, céus, Trice havia sido pega por aquele cara repugnante e eu não sabia o que aquele ogro sórdido poderia fazer com ela — mas seja lá o que tinha mente, eu já sabia que não era algo benéfico, nem de longe era.
— Se Brian a pegou, temos que fazer algo! — eu solevei meu tom à algumas oitavas, prendendo-as em um sussurro exasperante. Passei minhas mãos por meus cabelos, filando-os e tentando manter-me pelo menos um por cento mansa.
— É claro que temos que fazer algo, Skylynn — Dannis murmurou, como se o chão tivesse sendo mais apreciativo do que qualquer outra coisa — Mas, o que temos exatamente a fazer? Isso mesmo, nada. Então tudo que devemos fazer é ficar na nossa, e rezar para que esse tal sistema dê certo.
— Você sabe que não devemos confiar neles, Dannis! — Antes mesmo que eu protestasse as palavras hostis de Dannis, Alice o fez por mim. Seus olhos estavam focalizados totalmente na figura encolhida de seu irmão, por mais duro que ele estivesse sendo. A incredulidade formava traços sombrios no rosto de Alice e ela já indicava resíduos de fúria naquela faceta transmutada — Qual é a parte de que estamos sendo vistos como aberração por eles que você não absorveu bem? Se você não não gravou direito, Dannis, eu gravei. Fomos submetidos à exames que eu nunca pensei que fariam comigo, e nossos nomes estão em uma lista. Uma lista negra de aberrações que são, talvez, ameaças para o mundo. Um comprometimento ambulante que pode dar fim ao mundo, é assim como eles nos vêem.
Por fim, Dannis solevou sua cabeça. Eu me sentia intrusa naquela troca de palavras frias entre eles, sentia-me muita inclusa no intimo deles. Ele consolidou seus olhos aos da irmã, ultrapassando-me rapidamente, enquanto lançava-me sutilmente de lado para ficar frente a frente ao único tipo de família que ele tinha.
— Mas, não é isso que nós somos, Alice? Aberrações? Você é tão cega em relação à tudo isso, como se nossa própria mãe nunca tivesse sibilado como uma cobra para nós o quanto não nos encaixamos no mundo! — ele dizia pausadamente todas as palavras, insanamente provido de um autocontrole que o fazia utilizar um tom venenoso, enquanto seus olhos se arregalavam e seus lábios se ampliavam em um sorriso maníaco. Seus punhos, cerrados com pedra, ajudavam a evidenciar as veias saltadas do pescoço que já estava avermelhado — Você não é normal, Lice. Você tem visões insanas, infiltra-se na mente das pessoas imperceptivelmente sem nem mesmo notar. E eu sou um sedutor barato, com um mísero poder que me faz sentir mais imundo. Não é porque vivemos com pessoas iguais a nós que não nos diferenciamos do resto de toda a humanidade. Você sabe disso como ninguém. Não sabe?
Soube que aquilo havia culminado Alice quando suas esferas verdejantes marejaram e também podia ver, mesmo ela sendo aquela figura fechada, que ela tentava ao máximo não expor o quanto aquilo havia sido golpe baixo com ela. Alice contraiu seus lábios, numa linha rígida que logo maquiou todos os sentimentos possíveis com uma mascara de indiferença.
O ódio corroía sua garganta, era palpável.
— A única coisa que eu sei é que você não é meu irmão. E eu espero com todo o meu quebrado coração que ele retorne. Logo.
...
Num segundo, eles matavam-se numa batalha familiar e pessoal e parecia não ter um fim. No outro, Dannis apenas pulou para um assunto como se aquela troca de olhares nunca tivesse sequer existido, e lá estavam os dois, impessoais demais, falando sobre como Trice deveria estar sob as garras de Brian. Zonza, tudo que fiz foi assentir às perguntas que os irmãos me lançava, alheia demais a qualquer coisa que não fosse meu próprio casulo, com minhas próprias conclusões.
Mas, tudo se voltava rapidamente a única coisa que estava realmente importando no momento: Trice. Onde ela estaria? Matava-me não ter nenhum fator de uma informação que me pudesse ajudar a chegar à uma conclusão. E ficar encarcerada entre aqueles corredores, fingindo ser uma agente eficiente estava fazendo tudo, menos me ajudando, na real. Sim, eu estava ciente de tudo aquilo: outra identidade para ficar, de fato, segura. Mas, no fundo, eu sabia que apenas uma troca de visual e de nome não me faria menos vulnerável às maluquices de Loki — já que, por fim, havia caído-me a ficha de que era ele por de trás de tudo.
Não importava se eu havia sido já curada daquela bala, não importava a minha segurança, ou minha falsa outra eu a ser preservada. Tudo que tinha importância era encontrar minha melhor amiga, e algo me dizia que eu conseguiria isso indo àquela missão.
— Não importa se a S.H.I.E.L.D tem ou não um sistema — vociferei, por fim. Eles pararam com os monólogos e fixaram seus olhos exclusivamente em mim — Temos de encontrar Trice, ela é minha amiga e aposto que ela deve significar pelo menos algo para você, Dannis. Nós precisamos encontrá-la, e eu tenho alguns planos para isso.
— Planos? — Com um cetismo filho da mãe, Dannis engasgou em um riso que desacreditava totalmente de minhas palavras.
Eu ignorei plenamente essa sua ação, respirando fundo antes de respondê-lo com um tom mais severo:
— Sim, Stans. Planos. Temos uma oportunidade perfeita e não podemos perdê-la de maneira alguma.
— E que tipo de oportunidade perfeita seria essa? — desdenhou Alice, levando um de seus dedos aos cabelos fogosos e os ajeitando por de trás da orelha.
— Você está lúcida? — Dannis esticou sua mão para tocar meu rosto, mas antes que ele pudesse realizar o ato fui rápida o bastante ao estapeá-lo.
Rolei meus olhos, já impaciente.
— É lógico que eu estou lúcida, sedutor — ralhei, rodando meus olhos para todos os lados à procura de uma sala que estivesse vazia. Quando a achei, me permiti esboçar um sorriso vitorioso, enquanto eu enlaçava os dois com minhas mãos, os puxando pelos pulsos para alcançar a última porta que se localizava no fim do corredor.
— Ei, o que você está fazendo, Skylynn? — quis saber Dannis.
— Você está machucando meu pulso, querida! — reclamou Alice.
— Calados e aliás, você podem me chamar dentro disso aqui apenas de Agente J.
Em frente à porta metálica, meus pés se soerguem, deixando-me na ponta deles e eu coloquei minha cabeça rente ao vidral, sondando todas as informações daquele local para saber se nenhum ser vivo estava realmente ali.
— Podemos entrar — falei, enquanto girava a maçaneta — Sejam discretos, por favor.
Fechei a porta atrás de mim, quando todos estavam para dentro. Havia apenas uma mesa de vidro com informações tecnológicas espalhadas pela superfície transparente, cadeiras rodeavam a mesa redonda porém imensa e a primeira coisa que fiz foi esparramar-me encima de uma, sentindo o couro escuro contra meus músculos, relaxando-os.
Os Stans repetiram os meus atos, permitindo-se ficarem um pouco menos rígidos.
— Então — Foi Dannis quem começou, ainda muito duvidoso em relação à muitas coisas, devo dizer — Que tipo de planos você tem em mente, Agente J?
Mesmo desconfortável pelo jeito que ele pronunciou meu codinome, eu prossegui.
— Hoje, já que já é madrugada, às sete da manhã os Vingadores sairão em missão.
Alice, juntou suas sobrancelhas, desentendida.
— Como você ficou sabendo sobre esse tipo de coisa? — Ela ficou confusa, era visível pelos seus lábios crispados.
— Eu estava com Tony e Steve e Thor fizeram comunicação com ele falando sobre — Dei de ombros, meus olhos pousaram desfocados sobre a mesa de vidro, não achando nada realmente importante — Acredito, que isso tem a ver com a Trice. Antes pensei que fosse alguma missão relacionada ao que está acontecendo... comigo. Mas, agora, está mais claro, tipo... é obvio que eles irão buscá-la; e nós vamos com ele.
— Espere, espere, espere! — Dannis exclamou repetidas vezes a palavra, com os olhos arregalados e cheios de surpresa — O que está acontecendo com você?
— Na realidade, eu não sei. Ninguém quer realmente me contar e as palavras de Tony ainda estão nítidas em minha mente: “Só que há algo dentro de você instável até então, algo que precisa se manter quieto. Consequentemente, você deve se manter fora de mais perigo e de problemas”. Pelo que parece, há perigo dentro mim.
— E você tem ideia do que isso possa ser? — questionou, Alice, com as mãos brincando com o macacão enquanto ela tentava parecer menos aflita.
— Não, nenhuma. Aconteceu alguma coisa estranha, quando eu fui tomar banho... — eu comecei a dizer, oscilante.
Havia simplesmente desaparecido os indícios de uma bala que perfurava a minha pele, de uma hora para outra.
— Aconteceu? — Dannis apressou, corroendo-se ao meu ver hesitante demais em soltar o que eu deveria na verdade esconder.
Fechei meus olhos, buscando as forças para expor à eles, não parecia seguro, mas sim certo. Eu poderia confiar neles, disso eu tinha certeza e eu sabia que eles eram incapaz de esconderem algo de mim.
— Bem — Abri meus olhos, os olhando — Quando eu fui tomar banho e olhar como estava, vocês sabem, a ferida, eu me surpreendi. Não estava lá.
Dannis pensou em alguma coisa antes de dizer qualquer frase, seus lábios foram mordidos por um de seus dentes e ele parecia bem concentrado naquilo que tinha em mente.
— Agente J — Ele me chamou. Olhei-os nos olhos, com expectativa — Não estava lá a ferida porque ela simplesmente se regenerou.
— Regenerou? — Engasguei — Quer dizer que ela se curou rapidamente, assim como Steve se cura?
— Um soro — balbuciou Alice, com a enfim descoberta — Havia algo naquela bala, Skylynn. Algo que a fez se curar rapidamente. Não há nenhum machucado em você, nenhum sinal de que você tenha sofrido nada.
— É claro! — Exclamou Dannis, batendo sua testa com a palma de sua mão — Seja lá o que há em você, Skylynn, assim como Tony disse, é poderoso! Só faz um dia que nós sofremos esse atentado, ou seja lá o que for, seria impossível você está curada assim tão rápido sem algo desse tipo — Pensei que ele fosse finalizar sua locução. Seus dedos foram para seus cabelos da nuca, que a cobriam quase pela metade. Eles foram solevados, permitindo-me notar uma cicatriz com ainda não estava fechada por inteira se aprofundado mais acima no couro cabeludo — Machuquei-me durante o tiroteio, quando pulei acabei caindo sobre um caco de vidro. Ainda sangra, e não é tão grave quanto o que você sofreu.
— Nós precisamos de respostas sobre isso — Alice analisou, olhando fundo em meus olhos. Eu sentia a segurança que ela queria me passar apenas não a entendia — Acho que podemos descobrir algo disso nessa missão também. Pode dizer mais sobre ela?
— Sendo sincera, eu não sei muito à respeito, apenas o horário. Talvez pudéssemos tentar descobrir, não?
— Como, sendo mais exata? — reverberou Alice, sondando a mesa, distraidamente.
Dannis, sem explicações plausíveis, riu de uma hora para outra fazendo com que nós duas voltássemos nossa atenção a ele.
— Talvez o que há nesse vidro possa nos ajudar, não acham?
— Você pensa, e isso é simplesmente impressionante.
Dannis se solevou, debruçando-se sobre a mesa, avaliando com a sonda humana todos os dados expostos. Seus dedos começaram a passear pelo vidro liso, e eu me estiquei para que eu pudesse estar atenta a tudo, colocando meus dois cotovelos à bancada. Visualizei os informes aleatórios, que se resumiam a coisas como missões falhadas, com êxito; essas coisas que não tínhamos nenhuma autorização para saber, afinal, não éramos agentes de verdade.
— Aqui! — vociferou Alice, enquanto Dannis e eu parávamos de sondar o resto da mesa — Eu só preciso conseguir ampliar essa coisa — ela disse, mexendo os dedos de fora para dentro, inutilmente sem obter sucesso — Droga, não é assim que aquele agente quatro olhos fez!
— Acho que é assim — Mordi meus lábios, simultaneamente movendo meus dentes em um movimento de dentro para fora. Logo, em nossa frente, uma única imagem legendada surgiu como um holograma. Era uma foto de uma base de avião, e a legenda era: — Local de partida: Porta dos Fundos. Avante Vingadores... Onde diabos é Porta dos Fundos?
— Porta dos Fundos... — Dannis parou para pensar um segundos, prensando seus lábios contra os dedos e os repuxando — Claro! Porta dos Fundos. Ouvi Tony dizendo algo com isso enquanto ele nos acompanhava à sala de exames. É a base principal do prédio, é lá onde o avião que os levará para o destino partirá.
Alice aquiesceu, mas levantou seu dedo para dizer algo.
— Claro. Mas por que portas dos fundos mesmo?
Dannis deu de ombros.
— Stark disse que era um nome muito legal e que era bastante radical para pessoas como eles.
Reprimi um sorriso ao pensar em como aquilo parecia mesmo com a cara de Stark e eu podia jurar que eu senti seus lábios cobrindo os meus por míseros segundos. Sacudi minha cabeça, tentando jogar as sensações estranhas para escanteio.
— Isso é bem a cara de Stark mesmo. Agora só nos resta saber como conseguiremos chegar até o local.
Dannis e Alice se entreolharam. Eu me perguntava como eles conseguiam apagar tão rapidamente o acontecido de minutos atrás, mas deixei com que essa pergunta se dissipasse em meus pensamentos. Não era minha prioridade, então, pelo menos agora não tinha importância.
— Esteja acordada amanhã às cinco e meia manhã, passaremos em sua cabine e colocaremos nosso plano em prática — disse-me Dannis e eu assenti.
— Muito obrigada, de verdade, sedutor.
...
— Você está atrasado exatamente dois minutos — falei, assim que Dannis bateu na porta de minha cabine.
Ele revirou os olhos, ajeitando em sua cintura uma arma (?) para que ela não caísse da bainha.
— Ah, fala sério Sky — olhei feio quando ele disse meu nome tão alto e ele arregalou os olhos quando percebeu o que havia cometido — Digo, Agente J. Desde quando você se tornou tão chata, aliás? Esqueci de te dizer ontem o quanto você fica gostosa nesse uniforme, mas agora que eu tenho tempo, parabéns.
— Dannis!
— O quê? — Ele gritou, depois que eu desferi um tapa em seu ombro, repreendendo-o.
— Você tem noção do que acabou de dizer? — murmurei, fechando a porta da cabine atrás de mim quando estive totalmente para fora.
— Não? Por quê? Falei algo de errado? — Ele franziu as sobrancelhas, confuso, enquanto mordia os lábios — Droga, pensei que elogios amassassem mulheres. Fala sério, vocês são irredutíveis.
Revirei meus olhos, ignorando as coisas já loucas que Dannis era capaz de produzir no fim da madrugada.
— Homens... Onde conseguiu essa arma?
Meu som soou desconfiado, enquanto eu colocava minhas mãos na cintura, trocando o peso de um pé cara o outro.
— Ah, essa belezura? — Ele sacou a pistola, rodando-a no dedo indicador, todo feliz da vida — Foi com um agente. Confesso que não foi fácil conseguir essa arma e as outras mas eu tive que apelar para outros meios. Não podemos encarar Brian sem nenhuma segurança a mais, não é? Tudo bem que as melhores pessoas possíveis estarão lá para resgatar a loirinha, mas temos que nos manter seguros. Quer dizer, eu me mantenho seguro e mantenho você e Alice seguras. Não acho que seja uma boa você usando uma coisa tão letal, nem se encaixa no seu estilo passiva.
— Será que podemos ir logo, Dannis?
— Como você quiser, olhos azuis — Ele disse, e cautelosamente, começamos a nos mover para a base — Eu gosto muito desse uniforme, ele realça minha bunda.
Eu estava prestes a mandá-lo calar a boca, mas ouvi vozes vindo do final do corredor em que estávamos e logo após duas figuras surgiram da penumbra que engolia todas as janelas do local.
Alice e... espera, eu conhecia aquele rapaz ao lado da silhueta ruiva.
— Agente Dobred? — minha voz ressonou mais surpresa do que eu havia imaginada. Era o agente com quem eu havia topado, antes de me encontrar com Isaac e Tony.
Quando, já perto o suficiente, Dobred oscilou um sorriso recuado, cheio de insegurança.
— Sim, sou eu, Agente J. Você conhece Dannis e Alice?
— Somos amigos — respondeu Dannis antes mesmo que eu escancarasse minha boca — Vejo que vocês se conhecem de alguma forma, mas não é algo relevante agora, sem ofensas. Julian — Ele apontou para o agente — nos ajudará a chegar à base sem com que sejamos percebidos e depois, nós quatro iremos embarcar com os Vingadores.
— Parece um bom plano — eu admiti, mesmo não sabendo muitas coisas sobre bolar planos ou missões — Vamos?
Alice assentiu, sorrindo fraco.
— Claro. Mas, antes, nossas armas.
Dannis engasgou, como se uma bile houvesse parado no meio de sua garganta, fazendo-o ficar em alerta.
— Armas? — Ele soltou um riso — Não acho uma boa você usar uma coisa com balas que podem matar pessoas, Lice. Podemos mantê-las seguras, afinal, somos mais fortes.
— Acho que não seria tão ruim que nós mesma nos protegêssemos, Dannis — intervi, usando meu tom mais calmo que eu tinha — Além do mais, o que nos aguarda lá não é seguro, juntando os fatos. A missão não deve ser a mais pacífica, já que todos os Vingadores estão indo para cumpri-la.
— Tenho que concordar com Agente J — com um tom comedido, Julian observou.
Olhei-o, agradecendo-o pelos olhos por ter dado a ajuda.
— Obrigado, Agente Dobred — sorri, minimamente, voltando a sondar Dannis, que revirava os olhos — Agora, sendo mais educada do que já pude ser em toda minha vida, passe para nós qualquer tipo de armamento que nos ajude a machucar alguém caso formos atingidas. Se formos abordadas teremos um meio de revidar.
— Eu não sou nenhum um pouco educada — rosnou Alice, com os olhos já com a raiva injetada — Passe logo a porra da arma.
— Que seja — Dannis bufou, sacando da lateral de sua cintura uma adaga encapada, pequena, fina e bastante perigosa — Essa é para você, Sky. Pequena e imperceptível, ideal para que não seja notada com uma arma.
Ele lançou para mim, e peguei-a pela calda. A pequena arma encaixava-se perfeitamente em minhas mãos, e era leve o bastante para que eu não me sentisse desconfortável ao usá-la. Deixei-a na bainha de minha roupa, que já vinha anexada, e fiz o possível para que ela se camuflasse à roupa — o que pareceu funcionar.
— Obrigada.
— E essa é para você, Alice — Tímido, Julian ofereceu uma das duas armas que estava à sua disposição. A ruiva a pegou, com um sorriso ofuscante dançando nos lábios..
— Muito obrigado, Julian. Você é um bom rapaz.
— Que seja — Pela segunda vez no momento, Dannis se pronunciou dessa forma. Tive vontade de perguntar se havia alguma coisa errada, mas me mantive apenas na minha — Está na hora de você nos levar à Porta dos Fundos, Dobred.
...
A Porta dos Fundos, afinal, não era muito diferente do que havíamos visto no holograma. No entanto, era maior do que eu podia ter em mente. Mil vezes maior, sendo mais específica. Escondidos atrás de algumas caixas enormes, pensávamos em como ultrapassar inúmeros agentes, com a maior discrição possível, e em menor de quinze minutos. É, faltava apenas quinze minutos para as sete da manhã e mal sabíamos por qual meio os Vingadores iriam se descolar.
— Eu sei que devemos saber como chegar até eles — comecei, agachada o suficiente para que ninguém me visualizasse — Mas, primeiro, precisamos saber onde devemos chegar.
Alice, que estava ao meu lado, solevou apenas alguns centímetros sua cabeça, para verificar se nosso esconderijo ainda estava servindo, e depois concordou com a cabeça.
— Skylynn está certa. Precisamos saber qual é a droga de avião, ou sabe-se lá o que. Pode nos ajudar com isso, Julian?
Julian, ao lado de Dannis — que estava perto de Alice — balançou a cabeça em afirmação, enquanto isso, tentava manter seus óculos de armação quadrada no rosto sem com que o acessório deslizasse pelo nariz fino.
— Creio que sim — ele disse, mordendo os lábios — Precisamos achar um agente nível oito, com certeza esse nível está autorizado a saber disso. E depois, tentamos arrancar algum tipo de informação deles.
— Algum tipo de informação? — Dannis riu sem som, um pouco mais diabólico do que o senso comum estaria e espreitou os olhos acima da caixa — Eu posso lidar com isso, fácil, fácil. Agora me diga qual desses é nível oito.
— Tudo... bem — falou Dobred, ficando de joelhos e discretamente apontando para um homem redondo, baixo e com o nariz achatado e vermelho — Agente Harris. Recém nível oito, será mais difícil de arrancar informações dele, mas é o único perto o suficiente.
Alice tinha uma expressão nada suavizada na face.
— Eu não acredito que irei dizer isso, mas... você sabe o que fazer, não é, Dannis?
Dannis fez que sim, levantando-se em um rompante e olhando para os lados para se certificar que nada ou ninguém estava nos vendo.
— Eu nasci pronto, irmãzinha — Antes de dar o fora, Stans nos lançou um olhar adornado de convencimento e passou a andar até o homem-bola com uma auto confiança inatingível.
— O que ele vai fazer? — Virei-me para Alice.
— O que ele faz de melhor, afinal — Um sorriso de desdém se reverberou em seus lábios — Somente assista.
Decidi não rebater, apenas angulei minha cabeça, tentando me camuflar para não ser descoberta e lá estava Dannis. Sorriso simpático no rosto enquanto despejava palavras encima do tal agente Harris, que tinha uma expressão desconfiada daquilo tudo. Então, Stans olhou fundo nos olhos do baixinho e disse palavras convictas. O Agente entrou em choque, e no segundo seguinte, sorriu, devolvendo frases para ele.
Claro. Dannis o havia seduzido.
— Mas, como...? — Mas, quem estava confuso de fato era Julian, que estava boquiaberto e descrente do que esteve perante seus olhos.
— Deixe isso para depois, amigão.
— Eu disse que eu podia lidar com isso, não disse? — disse Dannis, após se aproximar de nós — É o jato mais próximo da saída e há um A ornamental incrustrado nele.
— Avengers — eu conclui.
...
Entrar no jatinho foi mais difícil do que imaginávamos, mas no fim, demos conta do recado — bem, quase havíamos falhado, mas são coisas que é melhor serem deixadas omitidas, não? — e aqui estávamos, no deposito minúsculo do jato, rezando para todos os deuses para que ninguém adentrasse o recinto enclausurado.
— Estamos indo bem até agora — falei, suspirando por mais que o pânico estivesse um pouco presente em minha cabeça — Prosseguimos com a ideia de ficarmos escondidos?
— É o melhor a se fazer — Dannis concluiu, enquanto seus olhos vagavam por todo o recinto minúsculo e obscuro. Estávamos todos perto uns dos outros, para que alguém não nos visse — Será um pouco mais difícil sair do avião sem sermos pegos, mas eu descobri que eu sou muito bem nisso.
— É tão nauseante o seu ego, Dannis — indagou Alice, pondo suas mãos sobre o estômago, simulando estar com mal estar — Podemos apenas pular para parte que bolamos um plano?
— Isso é tão fascinante — Sem explicações, Julian sibilou. Seus lábios finos eram moldados por um sorriso que espelhava toda sua admiração pela emboscada toda que havíamos nos metido — Quer dizer, já pensou em como será conhecer todos os Vingadores?
Dannis sorriu, de lado.
— Sem ser estraga-prazeres cara, mas já sendo, Skylynn mora com Tony Stark, é amiga de Steve Rogers e conhece a todos. E eu também. Alice conheceu Steve e Stark, então... Mas, você deve estar feliz em talvez vê-los.
Julian, eufórico, arregalou os olhos. Seu dedo indicador rumou para o nariz, aperfeiçoando no rosto seus óculos, como ele fazia constantemente.
— Espere! — Ele sussurrou enquanto tentava gritar ao mesmo tempo, parecia bastante incrédulo com o fato de que Vingadores não era exatamente uma novidade para nós — Vocês os conhecem? Oh, meu Deus. Isso é tão... fantástico.
— É lógico que isso é fantástico, rapaz. Somos os melhores e mais perigosos heróis dessa terra, os mais fodas, etecetera e tal. Mas, adivinhem, vocês foram pegos — A porta foi aberta num supetão e uma coisa ferrosa e de porte intimidante a ultrapassou. A voz metálica da máquina continha aquele tom bastante conhecido, e mesmo um tanto modificada, eu sabia a quem pertencia.
Engasguei, de imediato.
— Tony?
— Oh, céus... — exclamou, Dobred, levantando-se bastante atrapalhado — Homem de ferro...
— Yep, sou eu. Fico bem mais intimidador com minha armadura e mais atrativo também — Ele falou, como sempre, divertido. Chocada, tudo que eu fazia era sondá-lo como o herói de ferro que nunca esteve presente perante mim. Sua armadura reluzente o engolia, escondendo-o, mas ele parecia gostar e parecia mais forte quando estava dentro do ajuntado tecnológico de ferro — Sky, minha querida, você não deveria mesmo estar aqui — Ele começou com um tom sério, retirando a máscara da armadura e revelando seus traços lindos. Um sorriso de lado moldou suas feições e me permiti relaxar os músculos — Mas, já que está aqui, que tal vermos sua melhor amiga loirinha?
...
O nervosismo estava onipresente em meu corpo, subtendido por um sorriso que eu tentava portar, tentando mascarar minhas inseguranças com aquele riso sem som. Sem mesmo antes descobrir o que Brian estava tramando com Trice, eu já havia sido culminada. E o pior: pelas sensações dentro de mim e como Dannis e Alice reagiram quando eu falei que não me lembrava de nada sobre Trice, eu deveria saber! Então, por que eu não sabia? Eu não podia ter deixado lembranças tão fortes e impactantes para traz por uma simples falha na memória, sabia que se não fosse por algo... eu estaria à parte.
Ficar menos inquieta era uma missão impossível momentaneamente, principalmente quando eu voltava àquele lugar que despejava inúmeras memórias inesquecíveis em mim — sendo essas hediondas, e benéficas.
Aquele galpão, localizado exatamente no nada, fazia-me ficar eufórica, eu só não sabia em qual sentido. Brian havia trancafiado Trice naquele espaço? Ah, um golpe baixo bem ridículo. Mas, eu até compreendia. Já que era Loki por de trás das câmeras, e me ver feliz não era seu passatempo principal, e sim, o inverso disso. Isso tudo, no mínimo, só consolidava o ódio mórbido que crescia e se alastrava em meu coração a cada segundo. Ele não era dono da minha mente e eu era capaz de tudo para que ele acabasse com aquele showzinho, que consistia em aparecer de surpresa dentro de minha cabeça sem mais nem menos.
— Você está bem, não está? — A voz de Tony salpicada pelo zelo sobre mim soprou perto demais dos meus ouvidos, ele não usava sua máscara, mas ainda era moldado pela armadura vermelha. Olhei-o por cima dos ombros, já que aquela coisa de ferro se colava ao meu corpo mais do que aquele macacão.
— Algumas lembranças sobre esse lugar não são tão boas — admiti.
— Obrigado, sabe, pela parte que me toca.
Ah, merda. Ele não sabia que eu havia sonhado com ele e todos os outros naquele local junto com Loki, e ele não sabia que eu tinha ciência que era a verdade.
Mordi meus lábios, um pouco hesitante em contá-lo sobre toda essa insanidade. Eu não sabia se eu estava devidamente preparada. Encurralada. É assim que eu estava: encurralada entre mim mesma e a necessidade de narrar exatamente tudo à Tony.
— Quanto tempo temos exatamente antes de adentrarmos o galpão? — Eu quis saber, e soube que a minha ansiedade sufocante de jorrar tudo em reação ao Loki para fora estava ganhando.
— Exatamente dez minutos. Bem, foi o tempo que Steve disse que precisava para concluir a varredura. Sabe, ver se tudo está bem para entrarmos.
Assenti, virando-me num rompante para encará-lo profundamente nos olhos amendoados, que tinham enorme armas para render-me a ele. Eu estava tão nervosa, tão com um pé atrás para dizer tudo que tudo que eu fazia era sondá-lo bem fundo, sem palavras.
Tony estava aberrantemente mais alto dentro de sua armadura milionária, e isso me fazia com que eu sentisse-me um pouco recuada e mais enfeitiçada perante ele.
— Eu preciso te dizer algo — soltei, de uma vez, localizando meus olhos no chão de barro que adornava os arredores do galpão, onde estávamos escondidos até receber algum sinal dos outros (para manter minha proteção, que era de extrema importância, e blábláblá) — Você vai me achar muito sinistra?
Tony sorriu, complacente, enquanto encurvava um pouco seu torso para que seu rosto ficasse rente ao meu de forma intima. Eu deveria ter me importado com o espaçamento reduzido, mas apenas o deixei.
Nossos narizes quase se roçavam.
— Se você falar que está apaixonada pelo Capitão eu com certeza acharei que você tem um parafuso a menos.
Deixei um riso escapar, mais pela aflição do que pelo divertimento.
— O quê? — Minhas sobrancelhas se juntaram, um pouco alheia a sua piadinha — Não é nada disso, Stark. É sobre o... — Engoli a bile — Loki.
— Como? — Ele piscou seus olhos inúmeras vezes, como se uma quantidade enorme de voltagem tivesse o atingido — Você quer falar comigo sobre o homem rena?
— Isso mesmo que você ouviu — murmurei, fitando seu maxilar como um ponto aleatório e também porque era um local nele que fazia uma enorme curiosidade desconhecida se apossar em mim. Tipo, sei lá, vontade de beijá-lo naquela parte. Ah, merda. O que estou pensando? — Pode parecer muito estranho, mas não é de hoje que eu conheço o Loki. Quer dizer, eu não sabia que era ele, mas de alguma forma, ele sempre estava na minha mente. Dentro dela, destroçando-a e me machucando psicologicamente. E ele sempre dizia que iria voltar, Tony. Dizia que iria voltar e me buscar para me levar para sabe-se lá onde. Eu... tenho medo — suspirei, tentando não me despedaçar — Medo de que tudo isso se torne verdade e que no fim ele consiga o que se prometeu de forma subtendida.
Esperei por qualquer reação sua, a pior que fosse. Mas, Tony se retesou, recuou-se para um casulo que me impossibilitava de analisá-lo olhando aos seus olhos, cor caramelo. Dei um passo para trás, tentando encontrar as paredes sem pintura, talvez ter aquele encosto sob minhas costas me permitisse possuir algum respaldo; nossos narizes não mais se colidiam, mas uma onda gelada ainda era transmitida da armadura de ferro dele.
— Desde quando ele age? — Depois de dois minutos, Tony quis saber, aproximando-me novamente a mim. Suas mãos metálicas se encaixaram com o máximo de cuido à minha cintura e eu tentava não parecer uma patética ao lado dele.
— Desde quando minha mãe morreu, quando eu tinha oito anos — explanei, espalmando os projetos de mãos carinhosamente, como se aquele ajuntado de ferros fizesse mesmo parte de Tony — Ele sempre esteve de alguma forma em minha casa, também. E só anos depois, quando eu tinha maturidade suficiente, descobri que Loki era amante de mamãe. Mas, era tão estranho. Só sua voz ecoava em minha mente e eu não tinha conhecimento sobre ele além de seus olhos verdes horripilantes que insistiam em se apossar de meus sonhos, fazendo com eles virassem pesadelos. E isso se prosseguiu até o dia em que papai me levou pra te conhecer, quer dizer, morar com você, tanto faz. As ilusões se tornaram menos frequente. Até que...
— Até que...
— Eu tive um sonho — A dor dançava em meus lábios só de lembrá-lo — Posso fazer uma pergunta antes? Vocês trouxeram-no para cá, não foi? Para esse galpão?
A perplexidade fez com que todas as feições do rosto de Tony se retesassem, e eu vi espasmos de algo irreconhecível pulsando em seus olhos.
— Foi isso que apareceu em meus sonhos — esclareci, antes que ele fizesse a pergunta — Eu não estou louca, estou?
— Eu realmente queria que você estivesse, minha querida. Mas, você não está. Por que diabos não me contou isso antes?
Mordi meus lábios, aquilo estava de fato se tornando uma bosta de um costume.
— Pensei que se eu contasse para alguém, principalmente meu pai, meu único destino seria um manicômio.
— Fala sério, sua dramática! — Ele exclamou, indignado — Você trate de contar exatamente tudo para mim, tá legal? Agora eu tenho mais um motivo para socar a cara daquele homem rena ridículo.
Sorri minimamente.
— Eu agradeceria se você o socasse por mim — admiti, com um sorrisinho travessa.
— Pode deixar, seria uma honra, aliás. Só que antes, eu preciso fazer isso.
— O quê? — E aí, os lábios de Tony se colidiram com os meus rápida e veemente. Aquelas borboletas que agiam à base de carnificina começaram a agir no mesmo instante, trazendo aquela sensação tão boa e ao mesmo tempo estranha, que fazia-me tremular enquanto Tony se encurvava totalmente para alcançar meus lábios por inteiro. Não havia fios á mostra para que eu pudesse filá-los, então, levei minhas mãos aos seus braços, apertando-os e sentindo a gélida sensação de espalmar sua armadura. Tony, sedento, infiltrou sua língua macia demais para minha sanidade em minha boca, e eu a acariciei com a minha, mal me lembrando de como eu sabia sobre aquelas coisas. Eram apenas instintos se aflorando por todos os cantos, fazendo-me deixar toda a timidez de lado.
Tremi mais ainda quando os dentes de Stark morderam meus lábios, totalmente com uma lascívia controlada, mas eu não o culpava, pois eu também estava assim. Embalados pelos seus febris, meus lábios se moviam contra ele com cobiça e eu gostava de sentir coisas assim em relação a ele. Por um segundo eu havia me desprendido de tudo que acontecia no outro lado, mas até que um pigarreio soou perto demais, e nos desgrudamos em pulo — literalmente.
Eu havia me lançado à parede mais ainda, enquanto Tony recuou alguns passos, enquanto fazia careta para quem estava mais à frente.
— Você não estava respondendo quando eu te chamei dizendo que tudo estava limpo — esclareceu Steve, com uma expressão surpresa pelo modos que seus lábios se delineavam. Seu rosto era engolido pela máscara que fazia parte do seu uniforme — Bruce achou que era melhor eu verificar para ver se tudo estava bem, já que você sempre está à escuta. Mas, cara — Ele sorriu nervoso, um pouco embaraçado por ter nos presenciado quase nos engolindo — Você parece estar bem. Achamos a sua amiga, Skylynn.
Meu coração palpitou e eu mal me importei por Steve ter visto o que viu.
— Como ela está?
— É melhor você vê-la se quiser saber — disse ele — Ei, Stark, algum gato mordeu sua língua ou foi a Sky? — Ele parecia estar se divertindo muito com a própria piada.
— Cale a sua merda de boca, Capicóle.
— Olha a boca! — Steve exclamou — Estamos vasculhando o local, mas até agora, não temos nenhum sinal de Brian ou Loki. Apenas encontramos Trice em um banheiro, chorando baixinho.
Se meu coração havia palpitado, agora ele havia encolhido, transformando-se em uma partícula invisível.
— Eu preciso vê-la!
— Há uma porta dos fundos aqui — Stark avisou, pegando a máscara de sua armadura que estava jogada em cima de uma caixa abandonada — Sigam-me os bons.
Ele foi indo mais à frente, e Steve ficou ao meu lado e disse quando Stark não podia mais escutar:
— Vocês estavam se beijando, tipo, mesmo? — Ele questionou, ainda atordoado.
— Parece estranho, não parece? — Meu rosto deveria estar vermelho, eu tinha certeza.
— Muito mais do que você imagina — Ele admitiu, com os olhos arregalados e rindo — Sempre imaginei que a relação entre vocês fosse mais ódio e não sei, aí eu me deparo com vocês se beijando de um jeito bem voraz.
— Realmente. Antes de realmente conhecê-lo eu não era uma grande fã dele, se é que você me entende, mas mesmo sendo tão irritante eu acabei suportando ele.
— Eu ouvi isso, minha querida — gritou Tony, lá de longe. Enrubesci.
— Às vezes, ele é bem inconveniente — frisei, não me importando em soltar tão alto a indireto.
— Eu quem o diga — falou Steve e logo, adentramos definitivamente o galpão. Minha garganta se fechou, e antes que eu prosseguisse com meus olhos para encontrá-la, a mão dele apegou-se a minha, virando-me para encará-lo — Antes de você vê-la, precisa saber que Trice não é exatamente a mesma pessoa.
— Como assim não é a mesma pessoa?
Várias ideais permearam minha cabeça de uma vez, e algo nela latejou.
— Você mesmo tem que ver.
Tony já estava dentro do galpão, ao lado daquele piano no fundo do recinto, encima do instrumento localizei Trice, sentada e com os cabelos embaraçados. Todos a rodeavam, ela parecia confusa e uma aflição se passava por todos os olhos que se encurvavam nela. Corri até ela, e todos me olharam, como se eu fosse desabar. Mas eu não ligava, apenas queria alcançá-la o mais rápido possível. Quando consegui, olhei fundo nas esferas oculares dela, sentindo a dor palpável que estavam adornando-as. Abracei-a, soluçando, meus braços se fecharam sobre seus ombros e ela também chorava desesperadamente.
Quando espalmei suas costas com a camiseta rasgada, eu estremeci. Finas penas acariciaram minhas mãos, e uma cicatriz estava abaixo delas. Foi como se um golpe tivesse atingido meu estômago, afastei-me por completo dela, rodeando o piano.
Parecia uma alucinação quando bati meus olhos nas costas de Trice e no pequeno par de asas que estava implantado no dorso de minha melhor amiga.
Fale com o autor