Bad Blood
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Eaí meus queridos leitores? Como vão? Fulos da vida comigo, provavelmente, pela demora imensa da atualização. Desculpe, sinceramente, mas fiquei mais ou menos durante um mês sem conseguir escrever nada, desanimada, sem vontade e francamente com preguiça de escrever o capítulo. Estava só com o inicio pronto, foi um custo conseguir desenvolver, mas foi até divertido escrever o final!
Agradeço muito pela persistência de estarem comigo mesmo com a demora e dou um belo bem-vindo para os leitores novos que apareceram e favoritaram! Thank's *-*
Agora, chega de enrolação, boa leitura :3
Capítulo 4
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Seus saltos estalavam contra o piso de madeira laminada e ecoavam ruidosamente pelos corredores amplos de mármore ricos em detalhes e adereços, estampados por nobres quadros; realmente belos.
Pelo seu compasso era notável que estava com pressa – e de fato quase corria. Um pouco desajeitada já que se esforçava para manter o equilíbrio e não escorregar, afinal os solados de suas botas ainda estavam molhados pela neve. Todavia, isso era o de menos, estava atrasada e isso sim era preocupante.
Virou à esquerda no primeiro corredor à frente e avistou uma sala aberta, a qual ecoava uma melodia encantadora. Suspirou. “Oh, Deus, estou ferrada!”. Parou a poucos centímetros da soleira e tomou um pouco de ar controlando a respiração ofegante. Bateu as palmas das mãos em seu vestido ajeitando-o melhor ao corpo para em seguida escorrer os dedos por entre os cabelos bagunçados pelo vento. Franziu o cenho. Só agora havia se dado conta de que sua fita vermelha não estava mais onde deveria estar. Choramingou baixinho por um pouco e fez beicinho, era uma fita especial. Com certeza Ino lhe atormentaria eternamente por ter perdido o presente que havia lhe dado há tanto tempo, com tanta estima. Arquejou em derrota e endireitou o corpo. Bom, no momento, não tinha tempo a perder com queixas.
Como uma verdadeira dama percorreu o caminho que levava à soleira da sala em questão, caminhando com passos firmes, puxando todo o ar possível para seus pulmões e torcendo para que junto viesse uma boa quantidade de segurança, só então adentrou o lugar. Uma lástima que toda a confiança que reuniu se esvaiu pelos ares ao ver a figura imponente a trucidar pelos olhos.
Uma nobre senhora morena parada ao centro da sala dourada e ligeiramente oval, um pouco adiante do piano de cauda negro, este por sua vez localizado ao meio das duas amplas janelas de madeira.
–-Está atrasada. – um calafrio saiu de sua espinha e percorreu todo o seu corpo. A voz forte e clara era direta e mandante. Apenas para completar a figura de braços cruzados e semblante fechado. Oh, Sakura sabia, ela estava irritada.
–-Desculpe sensei. – abaixou a cabeça e fez uma reverencia.
–-Endireite-se! – a obedeceu em fração de segundo. A senhora de meia idade descruzou seus braços e aproximou-se, parando rente a seus olhos. Não era muito alta – Faces avermelhadas, cabelo desgrenhado, vestido lastimável e botas molhadas... – cuspia letra por letra. A rosada apenas engolia em seco – passeio matinal, Haruno-san? Faz bem... Mas sabe o que não faz bem? Atrasar. Inadmissível! Como pretende assumir um cargo como o que vai, se ainda se atrasa?! – a garota estremecia com cada tom que a senhora usava.
–-Desculpe.
–-Desculpe... – remedou a voz debochadamente – Não é mais uma menina, Haruno-san. Precisa saber honrar seus compromissos! Responsabilidade! Vamos, vá até aquele piano e comece a treinar. – arquejou enquanto massageava a têmpora esquerda – Teremos um longo dia. Há muito a se fazer. Não se atrase amanhã, não me importa o motivo. Se atrasar... Pode ter certeza que a Imperatriz irá saber e eu pedirei para que cuide do caso eu mesma. – um novo calafrio estalou em seu corpo – Agora vá! – obedeceu-a novamente e sentou-se junto ao seu querido instrumento. Pôs-se logo a desenvolver uma nova melodia com completa desenvoltura.
A garota de cabelos rosados seguia com a cabeça os passos que dava com os dedos, fazendo ao máximo para não errar nota alguma. Ao seu lado, a senhora morena seguia tudo calculistamente. Uma feição de ferro. Em sua mão havia uma vara curta de couro que segurava firmemente.
Mesmo assim, Sakura não se sentia arrependida. Por quê? Não sabia exatamente, isto seria uma coisa que descobriria depois. Embora estivesse concentrada ao máximo, seu interior experimentava o que seria o inicio de uma nova sensação, um sentimento distinto, certa espécie de vaga leveza que nunca sentira acompanhada de sua tutora.
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“Aah...” bufou tremendo os lábios “Como está chato!” rolou pela rocha ficando de barriga pra cima e esfregando as costas de um jeito gostoso, sem deixar de balançar sua pata traseira com uma cara preguiçosa e malandra. Ora, podia ser uma raposa sanguinária, mas ainda era um animal normal, com habilidades diferentes, mas normal.
–-Estranho... Sinto uma movimentação distante... Provavelmente perto da fronteira...
“Deve ser por causa da primavera que se aproxima.” Afirmou direcionando o olhar para o garoto sentado em posição de medição. Seus olhos fechados eram contornados por um tom alaranjado e seu semblante apontava extrema concentração.
–-Mesmo assim, a floresta ainda está muito calma. Mesmo com os constantes ataques e intrusões. – abriu de súbito os olhos e o tom colorido se esvaiu rapidamente, assim como a cor de suas orbes, que até segundos atrás eram completamente diferentes do tom azul celeste. Logo levantou, apoiando-se em seus joelhos.
“Falando nisso” novamente rolou, só que desta vez foi para se sentar, ainda coçando o ouvido com a pata traseira. Não era exatamente uma questão de incomodo, na verdade era apenas uma tentativa de distrair a enorme preguiça que estava “Você deveria ser mais cuidadoso.”.
–-Do quê está falando? – questionou enquanto alongava-se, sem deixar de estralar os ossos das costas e massagear o pescoço – Cara, isso é bom, a cama estava mais dura essa noite.
“Baka, será que dá pra prestar um pingo de atenção no que eu tô falando, palerma?!” rosnou. Nada melhor que uma briguinha matinal para espantar o sono.
–-Ai! Ai! Ai! Pelo amor Karuma, ainda está de manhã, será que dá pra pegar leve?! – estampava uma carranca aborrecida. Uma de suas pernas estava levantada e os braços em posição de defesa. Naruto juraria até a morte que recuava do animal por instinto, mas sabia que no fundo a raposa de nove caldas vermelha o amedrontava. Ainda assim, o carinho e estima que tinham um pelo outro era inegável.
“Cala a boca! Estou falando sério. Aquela garota do cabelo rosado, ela parecia saber mesmo quem é você.”
–-É eu sei... E isso...
“Não terminei ainda” cortou-o rudemente, o que levou a uma nova careta “Ela estava convencida e parecia ser tolamente corajosa. Ela vai voltar e você só abriu as portas para isso.”.
–-Mas se ela vai vir de qualquer maneira eu só estou facilitando. – estava mais sério, era um assunto digno de atenção ao qual tirava esta mesma dele ultimamente.
“Não estou reprovando, até mesmo acho que fez bem.”
–-Você tem uma maneira estranha de elogiar...
“Fica quieto e me deixa terminar! Caham – pigarreou todo pomposo – assim fica mais fácil de extrair coisas dela. Se ela sabe mesmo isso é uma coisa séria, afinal, ninguém deveria saber.”
–-Isso me preocupa. O que a Imperatriz está pensando em espalhar por aí?! A vovó está caducando?!
“Não foi ela.”
–-Como tem certeza? Ela realmente não é nova então...
“Naruto, ela não contaria algo que a prejudicaria. Você sabe qual seria a reação da população. O que eles pensariam se o reino de paz e tranquilidade fosse mais sórdido e sombrio do que eles acreditavam?”
–-É, eu sei, sou obrigado a concordar. E é exatamente isto que me deixa curioso sobre aquela garota. Como ela pode reagir tão bem? Quero dizer, não sou nenhum monstro, na verdade estou os protegendo. Eu deveria ser prestigiado!
“Abaixa a bola, ô príncipe encantado. Isso nós vamos descobrir amanhã. Mas enfim, você deve estar atento. Não fale besteiras e você sabe muito bem que ela não tropeçou atoa.”.
–-Eu sei. – sua voz saiu baixa, séria e levemente arrependida – Eu deveria ter cuidado melhor dos corpos. Erro meu.
“Que bom que admite. Agora que ela virá aqui com mais frequência já que agora quer uma amiguinha – zombou irônico – tome mais cuidado com isso. Não será nem um pouco agradável se ela vir um dos corpos dilacerados de nossos inimigos por aí. Nossa sorte que ela não olhou ao redor ou em que tropeçou.”
–-Detesto quando tem razão, Karuma. – subitamente desembainhou sua katana e jogou-a em questão de segundo, à uma velocidade surpreendente, tanto que por pouco não rasgou a orelha do animal, uma trajetória precisamente calculada.
“Ei, idiota, onde está com a cabeça?! É só por que estou certo?!” a raposa vociferou em sobressalto, recuando para longe da mira.
–-Para de chilique! – pôs-se a caminhar na mesma direção de onde atirou a espada, um pouco indiferente – Eu não te acertaria e você sabe.
O garoto loiro caminhava calmamente enquanto o vento intercalava por entre seus fios dourados, insistindo em rebatê-los constantemente contra os olhos safira. Quem o olhasse não saberia dizer o que sentia apenas por suas expressões já que sua feição era vaga, misteriosa e impassível. A maneira como levava os pés pela neve era de tal suavizes que parecia andar sobre as nuvens. Encantador, um jeito que combinava perfeitamente com o ar estonteante da floresta.
Encontrou o seu destino em poucos passos. Parou rente a sua espada, cravada em uma das árvores, mais precisamente fincada certeiramente sobre a pontinha da fita vermelha que debatia-se com o vento.
“Quase me matou de susto por causa de uma fita?! É isso?” proferiu incrédulo, olhando a imagem do garoto retirando a fita de entre sua katana e a árvore.
–-Como saiu do meu bolso? – disse mais para si do que para o amigo.
“Deve ter escapado enquanto andava. Pra quê se preocupa tanto? Naruto, tá decaindo hein?!”
–-Eu gostei dela. – deixou-a escapar por entre os vãos dos dedos, se divertindo – Tem um cheiro bom.
“Perfumada de mais, posso sentir daqui.”
–-Tem cheiro de gente. – sorriu um sorriso rebelde e singelo, um sorriso que não pede permissão para aparecer e some sem notar, um sorriso genuinamente gostoso.
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Delicadamente apertou a porta atrás de si com a mão livre até se ouvir um “clac”. Nem se quisesse poderia fecha-la com mais força.
Soltou um profundo e longo suspirou cansado. Suas íris verdes – opacas e lânguidas –estavam muito diferentes do normal vibrante. As pupilas demasiadamente contraídas, assim como as pálpebras que lhe pareciam pesar uma tonelada, exalavam certo sono contagiante para qualquer pessoa que a acompanhasse.
Adentrou a casa chamando pelos pais. Não estavam. Afinal, lembrou-se de que havia chegado algumas horas mais cedo, para seu êxtase. Deixou escapar um torto sorriso de alívio. Sua tutora estava impossível. Oh, Deus, e Sakura sabia muito bem como era tenebroso quando ela estava impossível!
Bocejou preguiçosamente, porém a dor irritante e ardente que vinha de seus dedos quando os esticou para cobrir a boca a impediu de terminar. Gemeu abafado olhando para as juntas de seus dedos curvados da mão esquerda. Uma mistura rubra, arroxeada e ligeiramente esverdeada. As costas de ambas as mãos estavam em um estado semelhante. E bom, ela não havia errado tanto hoje. Na realidade, quase não se enganou. Apenas duas ou três notas, no máximo. Mas como dito anteriormente, sua tutora estava nervosa. Já estava acostumada, entretanto, o tempo frio piorava tudo. Os ossos doíam e as feridas queimavam ardentemente. E não só a parte intencionalmente machucada era que a incomodava. Todo o seu corpo e sua mente estavam cansados. Todavia, nada que uma boa pomada e um bom banho bem quente não melhorasse.
Subiu as escadas com extremo cuidado e entrou no banheiro, apenas encostando a porta. Deixou a imensa pilha de livros que trazia nos braços em cima de um criado fraco – este que estalou ao receber tamanho peso. A rosada apenas olhou de soslaio e deu de ombros. Ligou a torneira de água quente e esqueceu-se dela por um tempo, sabia que iria demorar para encher a exagerada banheira. Coisas de sua mãe, as quais ela nem se atrevia a discutir.
Sentou-se sobre a tampa do vaso sanitário e fechou suavemente os olhos. A cabeça doía um pouco, o cenho – assim como os lábios – franzido. Um semblante enfadonho mostrava-se em seu rosto. Relaxou os ombros e as mãos. O ruído gostoso da água caindo e o vapor que se formava começavam a relaxa-la. Arqueou os cantos dos lábios, deixando um sorriso ameno formar-se. De repente, sua mente esvaziava de todas as preocupações, seu stress evaporava, suas dores sumiam e seu deleite tornava-se cada vez maior. Oh, aquilo era deliciosamente inebriante. Deixava-a completamente inerte. Seu ponto fraco.
Ergueu as pálpebras lentamente, aproveitando cada minuto sozinha na casa, cada minuto de tranquilidade e devaneador que surgia. As orbes esverdeadas ganhavam brilho novamente. A banheira já estava pela metade. Havia se passado tanto tempo assim? Ou seria a corrente de água que estava mais forte? Novamente deu de ombros revirando os olhos. Não importava.
Encurvou-se desabotoado as botas, em seguida encostando-as em um canto junto com as meias finas. Logo pendurou o casaco na maçaneta da porta e deixou o vestido escorrer pelo corpo para ficar ali mesmo, no chão – o qual não estava tão frio por sinal, o motivo das solas de seus pés nem ao menos protestaram como o usual. A única peça mais trabalhosa para se livrar fora apenas seu espartilho conectado as ligas de seda, contudo, assim que soltos no chão – juntos ao vestido empelotado – ela suspirou bobamente, aliviada. Detestava aquela parte do vestuário. Era literalmente sufocante, mesmo assim, era obrigada a usar. Ao contrário de sua amiga Ino – que por sinal completamente amava um espartilho sensual – quando começou a ter de usar o modelador sentiu muitas dores e vertigens. Riu de apenas lembrar-se da amiga, lhe devia uma saída. De acordo com ela, a última vez em que saíram – na noite anterior – havia sido “inteiramente entediante, afinal, ela parecia em outro mundo.” e, mesmo odiando, Sakura admitia.
Voltando-se de seus devaneios, agora completamente nua, a rosada trazia para perto da banheira o criado mudo com os livros – tão avoada que quase quebrava o móvel frágil – para perto da banheira. Em seguida fechou a torneira – já estava no ponto – e ajeitou o metalizado e adornado suporte de livros para a banheira – ela mesma havia feito – colocando sobre ele o primeiro da pilha. Um livro curioso e vermelho desbotado, páginas consumidas pelo tempo e de tão antigo chegavam a ser douradas. Sem escrita ou qualquer coisa o identificando. Dono de uma linda capa bordada. Do jeito que ela gostava e se apaixonava perdidamente.
Prendeu os cabelos róseos em um coque e adentrou vagarosamente. Os pelos de seu corpo eriçavam deliciosamente. Ela fechou os olhos de prazer. A água estava ótima. Recostou a cabeça na toalha posta sobre a extrema borda da banheira e abriu o livro. Estava na hora de tirar a prova.
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Por entre as montanhas o céu se tornava alaranjado, disputando com o azul fraco que o antecedia e refletindo nas grandes e majestosas nuvens. O poente invernoso não duraria por muito mais tempo e ela sabia muito bem. Praticamente corria pela neve, porém, por estar tão densa era difícil de locomover com rapidez.
Mas ela tinha que vê-lo.
Continuava com um meio sorriso nos lábios avermelhados. Estava contente por que estava certa, entretanto, também estava eufórica, preocupada e curiosa pela descoberta de minutos atrás.
A sua imagem de pouco tempo na banheira voltava à sua mente. Os livros em cima do criado mudo – próximo a si – estavam intocados, sinal de aquele enorme livro da capa vermelha havia sido sua única atenção. A boca se encontrava entreaberta, os olhos arregalados e o cérebro tentando processar as informações que recebera da maneira mais rápida possível. Após alguns segundos se realizou da gravidade do assunto, afastando o suporte desajeitadamente e literalmente saltando da banheira – espalhando água pra todo o lado – às pressas, acabando por acertar o braço e um dos dedos do pé em alguma coisa que ela não percebeu. Apenas soltou um gemido misturado com um resmungo enquanto vestia rapidamente seu roupão e corria estabanada até seu quarto, deslizando sobre o piso de madeira afinal os pés ainda estavam molhados. Sorria como boba enquanto se vestia. Precisava vê-lo. Não poderia ir ao seu encontro na manhã seguinte, se atrasasse novamente... Ah, ela não queria nem pensar! Mas ao mesmo tempo, se não esclarecesse tudo – ou pelo menos um pouco – não teria cabeça para as aulas com sua tutora e aí sim iria ser medonho!
Seus pais ainda não haviam chegado naquela hora.
Meneou a cabeça e voltou a atenção à seu percurso, ainda com o sorriso estranho nos lábios. No entanto, o tempo a preocupava. Provavelmente não chegaria em casa antes do anoitecer, era quase evidente, e seus pais estariam uma fera. Sua mãe comeria seu fígado e seu pai, como um belo pau mandado, a apoiaria. Não que não gostasse deles, completamente longe disto. Os amava de todo o coração e, no fundo sabia que era exatamente como sua mãe e a entendia. Só que era por uma razão maior. E por isto precisaria de uma extraordinária e bem convencível desculpa por sumir o dia inteiro sem deixar o menor rastro ou vestígio.
O único probleminha era: nunca havia sido boa em desculpas ou mentir. Algo que Ino lhe havia tentado ensinar milhares de vezes, mas uma hora ou outra ela sempre gaguejava ou dava qualquer sinal – o que resultava em alguns cascudos da amiga loira.
Enfim, novamente balançou a cabeça de um lado para outro. Estava distraída demais e fora isto mesmo que quase a levou a morte em seu último “cândido” passeio pela floresta. Se bem que, de acordo com sua dedução, nenhum animal a atacaria como antes se Naruto não permitisse – como ele provavelmente fez, em sua mente. E estava tão excitada que o esplendor da floresta não exerceu nenhum efeito sobre si.
Olhou com dificuldade para o céu, o Sol se punha velozmente. Praguejou mentalmente a apressou os passos, cerrando os lábios involuntariamente. O mesmo coque desajeitado de quando tomava banho exibia alguns fios do cabelo róseo ainda húmido soltos, balançando conforme levava os passos com rapidez. O vento que a cortava uivava sutilmente em seus ouvidos. A maioria dos botões de seu sobretudo estavam abotoados. O casaco era bem justo ao seu corpo. Sua mente estava fervilhando a mil, por mais que tentasse não conseguia concentrar.
Talvez por esses dois motivos a garota de cabelos róseos – e modestamente bagunçados – tenha se sobressaltado tanto quando, subitamente, algo metálico – que, em sua perspectiva surgiu do completo nada – zumbiu cortando o ar e prendeu-a pela gola do casaco à um pinheiro seco, cravando até a metade da lâmina, jogando-a para trás e batendo-a contra o tronco com extrema rapidez.
Completamente assustada, os olhos arregalados e a respiração descompassada, ela olhou de soslaio para onde a lâmina a prendia e examinou a curta distância que a separava de seu precioso pescoço – mais especificamente, sua jugular – e de seu ombro. Precisamente calculado, ela diria, ou então uma pequena falha de alguém que testava sua mira. Era uma katana com uma pequena fita amarrada em um laço na ponta. “Minha fita??!” Reparou surpresa.
Começou a tentar puxar a espada para fora, cerrando os dentes e usando os pés como base e impulso. Entretanto, conseguiu apenas gastar suas energias atoa e cansar sua garganta com os gemidos provocados pela força que utilizara. Parou ofegante, tentando se recuperar. Debater-se seria inútil. “Considerando a profundidade com que a katana foi cravada, ela teria sido atirada de um ponto estratégico para que quando chegasse ao destino final estivesse em sua velocidade máxima. Fora o fato que eu estava me movendo, a espada foi lançada no exato segundo para me atingir.” deduziu “Nesse caso... Não me deixa saída, eu deveria tentar aquilo... Mas...” pensou alto. Deveria? Conseguiria sair daquela maneira, mas estava irremediavelmente proibida de usar aquela habilidade. Sorriu maliciosamente. Oh, mas ninguém saberia! Seria para se salvar! Claro que era extremamente perigoso que sua mestra descobrisse em seus exames rotineiros que havia a desobedecido e recebesse um castigo descomunal por isto, mas antes ficar roxa e com alguns leves hematomas do que morrer! Bom, as duas opções eram horríveis e tinham um gosto amargo em sua boca, o qual ela repugnou apenas por pensar.
Até que se lembrou de Naruto.
Ele a acharia. Ela tinha certeza. Animou-se com a ideia e deu um sorriso de alívio.
Por um momento sentiu seu reflexo apontar para algo se aproximando. Olhou para os lados, até encontrar algo tão branco como a neve se movimentando a sua direita. O identificou apenas pelo tom entre o rosa e o vermelho de seus olhos.
Franziu o cenho e crispou os lábios.
Era uma lebre.
Seria a lebre do dia anterior?
Examinou-a melhor.
Sim, era. Ela tinha certeza, pois naqueles olhos exóticos havia um sorriso.
Era a lebre que parecia sorrir. Ou sorria de verdade, ela não sabia dizer.
E ela estava lá, parada, parecendo se divertir com tudo.
Aproximou-se em pequenas e rápidas saltitadas – Sakura nem mesmo desviou os olhos, acompanhando tudo com extrema atenção.
Lambeu com sua pequena linguinha o que seria seu tornozelo, se não tivesse coberto pelo vestido e botas, abanou o rabinho felpudo freneticamente e lhe encarou bem nos olhos, como se risse da sua demasiada atenção, da sua inocência. Como se soubesse o que estava por vir. E sabia. Era um riso cínico e ligeiramente debochado.
Sakura estava como hipnotizada pelo pequeno animal, completamente perdida em devaneios alvos.
Na mesma fração de segundos em que a pequenina lebre se afastou, algo subitamente caiu com grande força e impacto na neve branca, levantando-a ligeiramente. Sakura acordou e suas pupilas contraíram enquanto os olhos arregalaram. Seu corpo se contraiu involuntariamente contra o tronco pelo susto. Não conseguia identificar de primeiro instante quem era pela rapidez e proximidade. Ela só sentia um corpo caloroso contra o seu. Exageradamente perto, contrapondo-a mais ainda a árvore e apertando-a com seu próprio corpo. Encolheu-se mais enquanto as lufadas da respiração quente e bufante se espalhavam por todo o lóbulo de sua orelha e acabavam em seus lábios. Lábios... Ela sentia os dele roçando em seu ouvido. Sua visão conseguia apenas distinguir um dourado cor de trigo roçando-a em sua testa, mas ela pode sentir os músculos definidos e rígidos a prendendo, mesmo que ainda estivessem rentes ao seu corpo pertencente. A cabeça baixa perfeitamente posicionada daquele ser projetava uma sombra singela em seu rosto pasmo. Bom, não que ela fosse muito baixa, mas ele era um tanto alto. Ficaram nesta posição por poucos segundos, porém, para ela, pareciam horas. O tempo parecia estar em estado de inércia e tudo era monocromático, apenas com a exceção daquela pessoa. Aquela a quem Sakura tinha toda a atenção voltada.
–-O que você... – pronunciou-se de maneira rouca e pausada, rente ao ouvido da rosada. – Está pensando em vir... – ela sentia o descontrole de sua respiração e, consequentemente, seu coração acelerado. Um arrepio a percorreu da cabeça aos pés, eriçando todos os seus pelos. Engoliu em seco. Ambos. – Até aqui, sem avisar...?! – o loiro usou de seu corpo para prensa-la com mais força.
Sakura engoliu em seco, contraída, apertada, sem saída. Estava com um pouco de medo, ela admitia. Aquele era Naruto...? Ele estava assustador, irreconhecível se o comparasse com o garoto sorridente e petulante do dia anterior. O desobedecer... Era por isso? Ele estava bravo por isso? Bom, ela não mudaria sua postura. Ainda mais agora que sabia. Mas aquela maneira como ele estava... Ela não podia negar, era... Caloroso. E exercia certo poder sobre si... Estava arrepiada da cabeça aos pés, o coração palpitava – assim como o dele – e ela tremia sutilmente. Parte do susto. Levantou as orbes esmeraldinas até o encontro do azul hipnotizante. Encarou-o nos olhos, de baixo, e buscou palavras.
Ele estava realmente próximo. E ela corada.
As respirações desreguladas se chocavam. Ambos puxando e soltando o ar pela boca.
Perto dos dois, a lebre sorria gostosamente.
“Você é má, sua lebre minúscula.” a raposa vermelha afirmou à medida que se aproximava, olhando o animal de cima. “Não devia ficar rindo disto.”
O animal branquinho olhou Karuma sem deixar a expressão marota dos olhos. Parecia como se estivesse lhe respondendo. Em seguida voltou a direção de seus olhos para o garoto loiro encurvado sobre a garota rosada, prendendo-a sem ao menos toca-la. Enquanto ela, por sua vez, encurralada como um ratinho.
Sacolejou todo o corpo. Estava realmente rindo.
Era engraçado. O que podia fazer?!
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Notas finais
Foi mal pelo início horroroso e tremendamente chato, tava sem inspiration, como que faz? :/
Só repetindo que, não, Naruto ainda não tá gostando da Sakura nem vice-versa. Calma, essa parte logo, logo vai chegar...
Enfim, algum erro de gramática, coerência, português é só me dizerem nos comentários!
Beijoocas na cuca de cada um!
Ja nee (:
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