Bad Blood
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Demorei? Pacas! Desculpem, o capítulo já tava pronto, faltava revisar e achar tempo de postar. Claro, em 3 meses e pouco impossível não achar tempo, mas eu ando realmente ocupada e cansada.
O capítulo ficou meio curtinho, mas o próximo vem mais rápido, prometo!
Enjoy (:
Capítulo 5
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--Precisa parar com isso. – afirmou emburrada, mensurando o dano em seu casaco.
--Eu não mandei vir, senhorita.
--Não pensei que precisasse de convite impresso e explícito.
--Disse que viria amanhã.
--Já expliquei que não posso.
--Não consigo compreender o porquê. – rebateu cruzando os braços e encostando-se ao tronco da árvore atrás.
--Tenho um compromisso que não posso faltar de jeito algum, já disse! Além do mais, precisava me assustar e me intimidar? – retomou a cena constrangedora de poucos minutos atrás, a qual ele a apertava e ela... Bom, melhor não lembrar – Que maneira horrível de se receber alguém. Além de tudo, eu gostava desse casaco!
--Perdão... Mas pode, enfim, me dizer qual a urgência para me ver?
A rosada ergueu-se da neve, afastou os vestígios de neve de suas roupas com as mãos, ajeitou a fita vermelha que prendia os cabelos desgrenhados em um coque melhor elaborado e o encarou.
--Não é apenas uma mera lenda, certo?
Ele engoliu em seco. Então, de fato ela sabia. Não era uma grande surpresa afinal, porém, é inevitável suar frio quando se é descoberto.
--Eu sabia que o nome Uzumaki não me era completamente estranho. Ver-te sobreviver a graus negativos, a regenerar-se perfeitamente, a suas habilidades... – Sakura dizia andando de um lado a outro, agitada – É você... — terminou por fim com um pequeno sorriso, entusiasmada.
O garoto loiro levou a mão ao cachecol, afrouxando-o. Arquejou e desabou sentando no chão.
--É muito esperta, senhorita.
--Sempre fora uma lenda... Lenda! Não era para existir, apenas uma história! – exaltou-se levando as delicadas e doloridas mãos aos cabelos róseos. – Isto é... – buscou palavras – Incrível...
A garota o fitou com um sorriso largo e genuíno. O peito subindo e descendo descompassado. Seus cabelos escorrendo em seu rosto. Era incrível...
--Por que parece tão feliz e entusiasmada assim? – indagou sem olha-la, ligeiramente indiferente.
Ela parou. Acalmou-se e começou:
--Quando eu era uma garotinha eu costumava ouvir histórias sobre um homem mais poderoso que um exército. Vivia aos arredores da floresta, defendendo o Império, proveniente de uma família banida por descumprir as ordens do Imperador. Tenho acesso a livros que pouca gente tem e certa vez, mexendo nestes livros escondida, eu descobri um pouco mais a respeito desta lenda. Então eu te conheci e minha mente se encheu de dúvidas, suposições... Precisava tirar a prova! Era impossível alguém como você ser normal... – ele a olhou tortamente – Quero dizer, alguém como você aguentar o que passou. – pigarreou – Então hoje eu procurei mais livros. Um deles dizia que essa hipotética família teve seu sangue mudado geneticamente. Anos de experiências e testes avançados até chegarem a um novo tipo de DNA, uma mutação nas células, nos tecidos nervosos e no cérebro. Isso tudo faria uma pessoa mais resistente do qualquer outro. Um guardião...
--Você não devia saber de nada disso. – encarou-a seriamente. – Você ao menos deveria ter postos seus pés fora dos portões da cidade. Conhece as leis.
--Conheço melhor que você, não se preocupe, sei muito bem o que estou fazendo.
--Eu deveria te matar.
As palavras ecoaram ruidosamente nos ouvidos de Sakura. Seu sorriso dissipou e tomou uma postura mais firme.
--Não, não fará isso por eu apenas ter desvendado o mistério. – blefou.
--Não, não apenas por isso. É meu dever te matar.
As orbes esmeraldinas arregalaram, ela titubeou.
--Você não fará.
--Como pode afirmar tão plenamente?
--Posso perceber que não é de teu feitio. Além do mais, se fosse fazê-lo já estaria morta desde a primeira vez que o vi. Não teria me chamado novamente. Quer algo comigo.
O garoto loiro se levantou vagarosamente, apoiando em seus joelhos. Embora Sakura se esforçasse em manter sua postura imponente e forte, dentro de seu peito seu coração debatia-se cada vez mais forte a cada movimento do loiro. Conseguia ao menos vendar a respiração ofegante. Seus olhos verdes acompanhavam cada passo do loiro em sua direção. Cada vez mais próximo.
Sua têmpora esquerda latejou. A adrenalina corria solta em seu sangue. Aturdida com a hora, com a pequena possibilidade de morrer naquele instante e com as mais diversas perguntas que surgiam em sua mente, cada vez deixando-a mais curiosa, mais louca, mais eufórica...
Entretanto, para sua completa surpresa, ao parar rente a seus olhos claros, o loiro hesitou, examinou-a e seus lábios começaram a arquear até poder ver nitidamente seus dentes claros e seus caninos levemente maiores que o comum.
“Ele está sorrindo?!”
Sim, um leve sorriso gostoso e tranquilo.
Como a lebre.
Franziu o cenho, completamente confusa.
Estava começando a ficar farta daquilo.
--Não poderia estar mais certa. – seu tom manso acalmou a jovem – Não precisa temer ou se irritar, consigo sentir sua pulsação acelerada. Eu não vou te machucar.
--O que você quer? – interrompeu ríspida.
--Sua... – titubeou – Companhia. – disse completamente inocente.
Seu queixo despencou em queda livre, querendo mergulhar na imensidão branca.
“Companhia? Companhia?! Mas o que...”.
--O que quer dizer com isso?
--Eu tenho algumas perguntas, do mesmo jeito que você. Só... – balbuciou algumas sílabas sem nexo, desconcertado. As palavras pareciam sumir de sua mente – Você entenderá. – resumiu.
--Ganho as respostas que eu quiser...?
--Não terá minha promessa quebrada.
--Não sei, eu...
--Sakura, certo?
Ela consentiu com a cabeça.
--Não vou te morder, não irei contar a ninguém.
--Eu não posso sumir na floresta sempre!
--Quando puder, venha.
--Terei a recepção calorosa que sempre me dá? – ironizou.
--Quando quiser vir, não. Não haverá mais lobos.
A rosada estava surpresa. Tanto pela mudança súbita de humor quanto a situação em que se encontrava. Principalmente quanto a proposta feita. Não havia entendido plenamente, ele queria uma dama de companhia? Mas era instigante demais para recusar. Sakura sentia certo receio, era confuso e inacreditável. No entanto, o mistério que emanava e envolvia aquele garoto, a floresta, os animais, tudo, era hipnotizante. E ela? Bom, uma curiosa exímia.
--Hei – suspirou – apenas venha.
--M-Me espere. Eu não sei, porém me espere. Se decidir vir, virei! – “Se decidir vir, virei? Não havia algo mais plausível pra dizer?” pensou.
O loiro a observou ainda um pouco trêmula. Seus olhos azuis repousaram na face avermelhada. Ela tinha olhos bonitos. Gostou da cor. Apesar de poder sentir como estava sendo sincera ao estar hesitante apenas por suas batidas cardíacas tão rápidas como o trotar de um animal em uma corrida pela vida – estava eufórica o suficiente para ser incapaz de mentir com convicção – em seus olhos conseguia enxergar o misto resplandecer reconfortante de doçura e preocupação. Não apenas consigo, com ele principalmente. Não conseguiu decifrar ao certo o porquê e em quê, mas era bom. Alguém estava preocupado com ele.
Sorriu amigavelmente e puxou o comprido material vermelho a mais uma volta entorno de seu pescoço, acabando por esconder metade do lábio inferior. Precisou de coragem para interromper aquele som. Seu coração. Era uma delícia ouvi-lo como se estivesse dentro de si. Um sabor exótico.
--Você é curiosa, Sakura. – proferiu.
Não era necessário ver sua boca para saber que sorria, o tom zombeteiro estava em seus olhos.
--Está rindo de quê?! – retrucou brava.
O sorriso bobo não se desmanchou tanto de seus olhos safira quanto de sua boca.
--Quer começar agora?
--Começar o quê?! – rebateu nervosa, impaciente.
--Em um momento é tão esperta e em outro é tão devagar... – ela o fuzilou com o olhar – Desculpe, me refiro as suas curiosidades quanto a mim.
Sakura desmanchou a carranca nervosa e desconfiada. Não entendia como poderia ser grosso e educado tão subitamente.
--N-Não posso. – olhou para o céu, o crepúsculo acabava vagarosamente, bem perto do fim. As estrelas já eram visíveis – Oh, Deus! – exaltou-se começando a correr com dificuldade na direção que veio.
--O que foi? – o loiro perguntou confuso.
--Estou mais do que atrasada!
O Uzumaki suspirou profundamente.
--Espere. – ordenou passivo. A contragosto ela obedeceu.
--O que quer? Não vê que estou atrasada?! Não posso ficar mais nem um minuto! Ou segundo ou...
Calmamente ele caminhou até a garota de cabelos róseos com os olhos fechados. A interrogação no semblante de Sakura era palpável.
--Mas o que...
Ele ao menos deu alguma chance para que ela pudesse protestar. Tomou-a no colo de um minuto para outro.
Sakura pode simplesmente piscar os olhos enquanto um sentimento estranho a adornava e uma leve pressão contornava seu ouvido. Um simples piscar de olhos. Ao erguer as pálpebras duma vez seu queixo se desequilibrou e seu olhar se tornou atônito. Uma vaga impressão de déjà vu pairava no ar como se flutuasse.
Os portões de cobre da cidade.
Em um simples piscar de olhos.
--Aqui estamos. – Naruto se manifestou.
--C-Como? Aquele outro dia t-também...?
O loiro riu sutilmente enquanto a soltava.
--Entenderá aos poucos conforme me visitar.
--Uzumaki... – o fitava. Seus olhos azuis... Estava perdida.
--É melhor ir, eu também preciso voltar. – ela meneou afirmativamente com a cabeça – Até mais ver, senhorita.
--Até...
Um forte vento a atingiu levantando ligeiramente um pouco da neve e bagunçando seus cabelos enquanto a imagem do loiro sumia rente a teus olhos. Pasma. Atônita. Encantada. Estagnada. Boba. Era como estava.
A pequena ponta de sua fita chacoalhava debatendo-se em sua bochecha avermelhada. A sua fita que ele guardara e mal quis devolver. Precisaria ensinar-lhe boas maneiras.
Arqueou os cantos dos lábios sutilmente. Os dias começariam a se tornar agitados.
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Seguia a passos silenciosos pela calçada de pedras, pensativa, olhando para o céu escuro. Ventava fracamente, balançando fios soltos de teu cabelo róseo, tão inocente quanto seu sorriso bobo nos lábios.
Perguntava-se se havia feito o certo ou errado ao aceitar o convite do loiro. Aquele velho e pesado receio... Insegura. Um simples adjetivo que a seguiu desde sempre. Um incômodo. Sua velha e típica insegurança. Um fardo.
Completamente distraída. Tanto que não pode ver a longa cascata loira tremular a poucos passos de distância acompanhada de chamados por seu nome.
--Sakura! – gritou sem resposta, se aproximando ofegante. – Sakura! – tentou novamente, desta vez com sucesso.
Sakura, ao escutar os apelos por teu nome parou e olhou ao redor procurando a dona da voz. A sua direita encontrou uma garota ofegante, recuperando-se da pequena maratona.
--Pelo amor do santo Deus, você está surda?! – esbravejou tentando recuperar o ar, massageando os músculos doloridos pela corrida.
--O que está fazendo, porca?
--O óbvio! Estava te procurando...
--Para...?
--Seus pais me telefonaram quando chegaram em casa, perguntando se você estava comigo já que não estava lá. Por sorte eu tomei o telefone da mão de minha mãe e os atendi primeiro.
--O que disse? – perguntou aflita.
--É claro que menti.
A rosada abriu um enorme sorriso e puxou a amiga para um abraço de alívio.
--Não poderia ter amiga melhor!
--T-Tudo bem, Sakura, já pode me soltar.
--O-Oh, desculpe. – a loira respirou aliviada a se ver solta.
--Porém, senhorita, vai dizer onde esteve esse tempo todo! – prendeu a cintura com as mãos – E porque está em estado tão deplorável, arg, que horror Sakura!
--Ino, sem perguntas.
Sakura começou a andar, deixando a amiga para trás – o que não adiantou muito, porque ela logo a acompanhou. Contar para Ino... Não parecia uma boa ideia. Não agora. Seria melhor esperar um pouco e ver como as coisas aconteceriam para então escutar os gritos histéricos da amiga e seus sermões.
--Impossível, testuda!
Enquanto caminhavam observavam os postes se acenderem vagarosamente sob o lusco fusco fraco e contínuo.
--Eu só precisei espairecer, porquinha.
--Por que tenho o sentimento de que não foi apenas isso...? – Sakura parou. Tomou as mãos de Ino e a olhou ao fundo dos olhos – Está me assustando...
--Não posso te dizer agora, Ino. – “É melhor não envolve-la.” – Mas preciso que confie em mim.
--Sakura – a olhou de soslaio, desconfiada – no que está envolvida?
--Irá confiar em mim? – pediu com mais afinco. A loira bufou.
--Tudo bem.
--Tudo bem.
--É melhor ir pra casa.
--Ela parecia muito brava no telefone?
--Não muito, mas é melhor eu te acompanhar, por garantia.
--Tudo bem.
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