Backdraft

3 Capitulo III: Kaia, o homem que vai vingar seu pai


Se não tivesse realmente acontecido comigo, não acreditaria que algo desse tipo poderia acontecer, nas ultimas horas minha vida tinha sido mudada completamente. Agora eu estava na presença de Kaia, que até então era só alguém que estudava comigo, mas na verdade não sabia quem ele realmente era, mas uma coisa de que eu sabia e nem esperava, ele conhecia meu pai, pelo jeito. Alguma coisa me cheirava mal, eu estava com vontade de sair quebrando tudo, sabe quando agente fica com raiva de verdade? Então, eu estava daquele jeito, e não tinha nada a ver com TPM. Mas antes que eu começasse a falar palavrões como eu geralmente falava naqueles dias frios quando estava descalça e chutava a mesa, ou quem sabe sei la, deixava cair o celular no triturador, o secador de cabelo na privada e o controle da TV na lareira, sim relmente sou um tanto desastrada. Enfim, nós fomos para trás de uma casa, eu me encostei na parede, e ele sentou na terra, quase sem nenhum tufo de grama, agora finalmente eu iria entender o que estava ocorrendo por trás de tudo aquilo, Kaia começou a falar: -deixa eu te fazer uma pergunta, Assura, seu pai, Bruno onde ele está agora? Então um silencio desconcertante, difícil pensar naquele momento, realmente senti uma sensação de perigo, um aperto no coração em ouvir aquela pergunta, realmente não sabia no que pensar, na verdade o que pensar foi que ficou mais tempo na minha mente, me preocupar na reação dele ao receber a resposta ou para para pensar naquela sensação horrível daquele momento, como se lembrar daquilo fosse fazer passar algo, talvez ao menos para me convencer de que eu não podia fazer nada, mas não era hora para isso. -ele está morto. Respondi, pudi sentir uma mudança radical em seu olhar, de um olhar de uma pessoa fira, de um olhar trancafiado onde se podia ver uma gota de esperança bem no fundo para um olhar vazio, onde era quase impossível não perceber o seu desespero puro. -morreu não é? Bem já esperava por isso — e olhava para o chão de forma que parecia evidente sua tentativa de esconder que estava chorando, mas resolvi não tocar no assunto, apenas queria saber o porquê dele se preocupar tanto com meu pai — sabe, o bruno era como um pai para mim. -o que? -desculpa por ninguém ter contado a você antes, mas ele me pediu, para que se acontecesse alguma coisa, eu contasse tudo a você. -tudo? -agora pouco disse que eramos cobaias, isso é verdade, nós somos cobaias do projeto X. -projeto X? Que porcaria é essa? Indaguei. -tudo que sei é que o projeto X é feito da seguinte forma, alguém injeta uma pequena substancia de "matéria X" em nós, as cobaias e... -presumo que essa matéria X seja aquele troço vermelho, não é? -sim, Assura, a matéria X é chamada assim, por ser totalmente diferente de qualquer outra coisa que exista em nosso mundo, ela tem poderes maravilhosos, mas ela é muito danosa ao corpo humano, no entanto as cobaias recebem pequenas doses, de forma que se acostumem com a substancia, logo ela se torna uma "manipuladora de matéria X", que provavelmente é o estado em que estamos agora. Disse Kaia. -entendo, isso explica mais ou menos como nossos poderes funcionam. -sim, mas na verdade não entendo bem como nós fazemos o que fazemos, sabe Assura, talvez isso tenha a ver de como nossos corpo funciona, mas acho que tem haver com os nossos desejos, pois quando eu era criança, gostava muito de espadas, só brincava coisas que envolviam espadas, parece idiota, mas fazer o que eu era uma criança idiota. E isso não é tudo, seu pai me disse que a matéria X pode nos propiciar até 3 habilidades diferentes, no meu caso, sinto mais resistência, mais agilidade, e meus braços ficam vermelhos e duros como pedra, esse deve ser o meu poder — Disse Kaia, me olhando como se lamenta-se alguma coisa. -sim, então até agora sei que posso criar lâminas, por todo meu corpo, isso é realmente assustador, talvez até mais assustador do que surreal. -mas isso pode não ser a coisa mais importante que eu tenho que lhe contar, Assura. -já imaginava mesmo que não podia ser só isso, desembucha! -bem, ele tem haver com sua mãe. -minha mãe — disse surpresa — o que essa história tem haver com minha mãe? -bem, isso já é uma história de muito longe, quando sua mãe conheceu seu pai, há muitos anos atrás, ela logo desconfiou. Seu pai estava organizando uma revolução — "uma revolução" foi o que ele disse, era por isso que meu dava tanta pouca atenção para mim e o Diego, era porquê ele estava metido nessas coisas, e isso também explicava um possível motivo dele ter morrido — e a alguns anos ele abriu uma resistência, nós estávamos dispostos a dar tudo para destruir o governo, mas o governo era mais forte, passamos por muitas dificuldades, muitos de nós morreram, até que, em uma reunião, a cerca de 2 dias atrás ele revelou, que estava preparando um de nós, e um de seus filhos, para que nós tivéssemos os mesmos poderes que um manipulador de matéria X, bem, eu tenho até algumas lembranças de testes feitos em mim... -eu também, eu também lembrei de algo do tipo, ontém a noite. -sim, bem o problema é que tínhamos uma pessoa infiltrada lá no meio, no final, apenas eu sobrevivi, acho que eles nem esperavam que eu ia estar lá com você aquele dia, me desculpe, eu poderia ter te defendido, mas não queria entregar nossa resistência, pois naquela hora não sabia que eles já estavam todos mortos, há, e claro, sua mãe. Sua mãe se juntou a nós, ela foi uma das pessoas que morreu em um de nossos planos, eu estava lá a chance era pequena, mas eu podia ter a salvado, me desculpe por tudo — agora era impossível de não ver o seu choro, ele parecia que nem a de um bebê que havia caído do berço ou pisado em cima daqueles brinquedo de montar, tinha até esquecido como aquilo dói — isso é tudo, me desculpa. -tudo bem. -o que, você me perdoa? Indagou surpriendido. -agora pouco você me salvou, e se não fosse você, eu nem saberia de tudo isso, você foi muito honesto, e você também parece estar muito abalado. -obrigado, sim eu realmente estou mal, Bruno era como um pai para mim, ele me achou perdido quando eu era criança, ele me pegou e me tratou como um filho, talvez até demais — disse ele sorrindo, era possível ver que tinha boas memória dele com meu pai — está surpresa com alguma coisa. -nossa! Mais surpesa é impossível, parece até que fugi do trabalho e encontrei minha chefe e meu marido se pegando em casa. -o que? Você é casada, e você trabalha, mas como? -não eu só estava fazendo uma comparação, fasso bastante isso. -mas que troço bizarro, Assura, da onde você aprendeu a fazer isso? -uma mania extrema que aprendi com a mamãe, ela fazia para mim brincando, mas enfim, eu aprendi e levei para a vida, que coisa não é? -sim, na verdade eu até achei bonitinho o seu geito de falar. -o que, bonitinho, o meu jeito de falar — ficamos em um silencio por mais alguns segundos — e agora o que você pretende fazer? -não sei, acho que vou arrumar uma forma de vingar Bruno, e você, Assura? Perguntou Kaia. -bem, eu não sei, eu posso ir junto com você? -o que? Junto, comigo? -sim, Kaia, vamos fazer uma equipe, mesmo que não saibamos o que vamos fazer, nós parecemos ter o mesmo desejo, não é? E foi ali que começou, eu não sabi onde isso levaria, afinal, nós viviamos em mundo muito esquisito, vivendo entre pessoas esquisitas, mas depois de tudo aquilo que eu passei cheguei a uma conclusão. Eu sou forte. Sim realmente sou forte, pois vi muitas pessoas morrerem na minha frente, perdi quase tudo, mas isso me trouxe a um ideal, destruir o governo, era a vontade do meu pai, era a vontade do meu irmão, que eu nem pude salvar, e esse homem sentado a minha frente, ele era o homem que ia vingar seu pai, na verdade acho que seremos bons amigos, e companheiros. [...] Já havíamos deixado aquele local, fomos a pé mesmo, pois lá não havia carro, realmente, aquele sol ardia na minha cabeça, na verdade me senti bem inferior a ele, pois ele andava, ainda mais descalço naquele lugar, naquele asfalto que parecia a superfície do sol, e ele não parecia nem mesmo cansado. Mas enfim, nós estavamos indo para o outro lado da cidade, há oeste da cidade principal, a que estava cercada pelo muro azul. Lá havia um bar, mas não uma bar comum, lá, secretamente se reuniam os maiores procurados pelo governo, que se rebelaram, ou sabem coisas demais. Lá também se vendiam armas, mas para nós, armas de pouco iam valer, nós queríamos aliados. Sim, talvez esse tenha sido um bom começo... Da porta de entrada para frente, o clima mudo completamente, haviam muitas pessoas sentadas lá, todos eles davam medo só de olhar, como se eles fossem aquelas pesquisas bizarras que você podia fazer no Google, uma dica? Eu diria uma das pesquisas para você, mas como sou boazinha e sei que você vai procurar, não vou falar nada. Bem, eles eram assim, mas o bom de tudo isso, era que eles nem prestavam a atenção em você como fazem nas series e nos filmes e tal. Cada um ficava na sua. Eu e Dilke nos dirigimos para o balcão. Chegando lá, havia um homem, ele era bem estranho, pelo que fiquei sabendo seu nome era Rubert, ele usava um uniforme militar antigo e rasgado, e um chapéu grande e aparentemente, cheio de mofo. Então, Kaia perguntou-lhe se havia alguém disponível, ele logo olhou para um canto do prédio, de lá vimos se levantar um homem, ele andava com duas armas, as duas pareciam ser muito estranhas, talvez uma mistura de varias outras armas. Uma guardada na sinturra e outra na mão direita, ele era assustador, tinha cabelo escuro e bagunçado, era alto e usava uma jaqueta preta bem suja, e tinha um sorriso demoníaco: -nem fudendo eu vou trabalhar para esses pirralhos. -quem é ele, Rubert? -seu nome é Jak, ele bem digamos tem poderes especiais... -cala a boca Rubert, eles não precisam saber nada sobre mim, entendeu? Disse ele, se levantando e indo embora daquele lugar... Não foi hoje que ganhamos um novo aliado, no entanto, não havia tempo para se preocupar com isso, pois logo depois que sentamos e suspiramos, algo aconteceu, de fora daquele prédio, ouvimos passos, não comuns, mas sim aqueles passos decididos, todo o lugar ficou em silêncio, uma voz conhecida começou a falar, ele entrou: -seus idiotas, como vocês me impediram mais cedo, meus superiores ficaram zangados, mas vocês vão ver, eu vou fazer vocês dois em pedacinhos antes que percebam — Disse aquele homem de terno, que já estava todo rasgado e sujo, aquele homem que tentará me matar, mas agora eu mal imaginava que uma grande batalha estava preste a começar, entre nós, eu e Kaia contra aquele homem, que expelia por todo seu corpo uma aura, era possível sentir sua vontade de derramar sangue, mas o que faremos agora?