O sol estava se pondo, mas que vista linda! Aparentemente, Mary também estava gostando da vista, eu dou um leve suspiro e fico aliviado por tudo isso ter acabado.

Um leve vento bate na minha cara, sinto meu cabelo sendo levantado levemente, algumas folhas voam junto com o vento.

—Mary, você acha que os outros estão aonde? -Eu pergunto.

—Vivendo suas vidas sabe, assim como a gente tem que fazer daqui pra frente. -Mary respondeu.

—Isso não faz muito sentido, eu meio que me sinto sozinho agora, a Gio desapareceu, o Sam morreu, a Cora e a Yngrid tem uma vida á seguir agora, eu não sei o que fazer.

—Cara, você está tão sozinho, relaxa moleque, eu estou ai pra isso, serei sua nova amiga.

—Uh, sério?

—Claro, por que não? Eu e Sam também éramos amigos, eu vou ficar mais um tempo com você, até você achar alguém, não quero que se sinta sozinho pra sempre.

—Haha, obrigado, você tem me ajudado bastante ultimamente.

—Ah não é nada, agora que Sam se foi, as coisas ficaram chatas, não tenho mais ninguém para pertubar.

Eu solto uma leve risada, é impressionante que, mesmo depois dessa situação, mesmo depois dessa confusão toda, mesmo depois de Sam morrer, eu ainda consigo rir. Seria eu uma pessoa insensível?

—Ren, você não acha que está na hora de voltar para casa? -Mary disse.

Eu olho para o céu, ele está ficando escuro, percebo que está mesmo na hora de ir para casa, nunca se sabe o quê pode acontecer de noite.

—Tudo bem, vamos pra casa. -Eu respondi me levantando.

Mary se levanta junto, acho que os tempos difíceis se foram, viveremos em paz, finalmente eu voltarei á ter uma vida normal, finalmente poderei ser alguém normal.

Nós começamos a caminhar para casa, a rua está tranquila, algumas crianças estão brincando pela rua, nenhum carro está passando, pássaros estão cantando e flores desabrochando, em dias como esse, crianças como eu, deveria estar dormindo na minha cama.

—Alguma coisa te incomoda? -Mary pergunta.

—Como assim? -Eu pergunto.

—Quando acabou essa confusão toda, alguma coisa passou á te incomodar?

—Uh, eu só me sinto estranho, tudo acabou sem explicação, tudo acabou tão de repente, na verdade, eu acho que ainda não acabou.

—O quê?

—Ainda falta alguma coisa Mary, a extinção dos parasitas não é o suficiente.

—Ah sim, acho que você tem razão, mas vamos descansar por enquanto, fizemos um trabalho duro ultimamente.

Nós finalmente chegamos em casa, eu abro a porta e acendo as luzes da sala, eu estranho ver essa sala vazia, geralmente, eu e Sam estavamos sentados no sofá, conversando ou assistindo televisão, eu ainda sinto bastante falta dele.

Eu fico bem aliviado por chegar em casa, aliás, o tempo todo nós estamos nos aventurando viajando pelo espaço e lutando com parasitas.

Eu e Mary subimos para o quarto, no meu quarto há duas camas, uma para mim e uma para o meu irmão, eu rapidamente deito na minha cama e dou um leve súspiro.

—Que saudades de deitar nessa cama. -Eu falo.

—Então, eu posso me deitar nessa segunda cama? -Mary pergunta.

—Bah, não vejo problema, faça o que quiser, nesse momento, eu só quero tirar uma longa soneca.

Mary cuidadosamente se deita na cama, ainda não é noite, mas eu não me importo com o horário, afinal, pra dormir não tem hora. Mary tem razão, eu estou muito cansado e preciso dormir. Ainda é dificil pensar que toda essa confusão ocorreu em apenas uma semana.

Eu rapidamente caio no sono.

[Sonho de Ren]

Eu acordo em um lugar totalmente escuro, está muito frio, e não vejo nada, ao mesmo tempo eu sinto uma estranha presença, eu não consigo identificar quem está aqui, um vento gelado me vem na cara.

—Está tudo bem em estar assustado, Ren. -Uma voz disse.

—O quê? -Eu pergunto.

—Eu já fiquei assim por muito tempo.

—Quem é você?

De longe eu consigo enxergar, dois olhos vermelhos, eles me encaram fixamente, eu tento me mover, porém não consigo.

—Sabe suas escolhas Ren? Se arrependerá, de cada uma. Sabe seus amigos? Eu irei matá-los. -A voz disse.

—Não, você... Você não vai matá-los! -Eu respondi.

—E quem vai me impedir? Você? O garoto que depende de uma garota e de seu futuro? Onde está o seu futuro Ren? Você matou? Acha que a Mary vai durar tempo o suficiente para salvar você? Mas que tolo é você... Chame por ajuda, papai, mamãe, ninguém virá.

Eu começo a ficar com medo, meu corpo começa a tremer, eu começo suar á frio.

—Você não é real! -Eu falo.

—Eu te devo um agradecimento. Você acabou mesmo com aquele garoto. Sem você, eu nunca teria acabado com ele, haha, mas agora com a sua ajuda, ele está morto!

—Eu não tive escolha, não foi eu quem matou ele!

—Eu vou te matar, já é tarde demais para fechar a abertura.

—Abertura?

Os olhos somem, o clime deixa de ser frio, eu finalmente acordo na minha cama.

Eu olho para a cama do meu irmão, Mary já estava acordada, eu volto minha visão para a janela, e aparentemente já estamos no dia seguinte.

—Você está bem? -Mary pergunta. -

—Acho que sim, só tive um estranho pesadelo. -Eu respondi.

—É que você acordou assustado, então logo associei.

Eu passo a mão na minha cabeça e percebo que meu cabelo está todo desarrumado, Mary me olha com um olhar estranho.

—Cara, você realmente não está bem, o quê houve? -Ela pergunta.

—Eu sonhei com algo estranho, eu acordei em um lugar absolutamente preto, eu apenas escutava uma voz dizendo algumas coisas que eu não me lembro. A única coisa que eu me lembro é de uma tal rachadura. -Eu respondi.

—Rachadura? Não me lembro de algo ass... . -Algo interrompe Mary.

Ela começa a me olhar com um olhar de assustada. Seria alguma coisa que ela se lembrou?

—Um momento! -Ela diz.

Eu pisco os olhos e Mary desaparece como sempre. Para onde ela foi dessa vez? Por que ela sempre some assim? Eu tento ignorar esse fato então eu me levanto, após isso eu desço pra sala para ver se tem algo de interessante para fazer, porém só encontro resto de pão no sofá e a cozinha toda suja.

Droga, eu não consigo me lembrar de nada do que houve por aqui, tudo está tão quieto, algumas memórias passam em minha mente.

Eu pisco os olhos, e Mary reaparece na minha frente, ela está ofegante, parece ter visto algo, ela bota a mão em meu ombro e está pra falar alguma coisa.

—Mary? Calma o quê houve? -Eu pergunto.

—Algo horrível Ren, algo horrível. -Ela responde ofegante.

—Calma, sente-se no sofá, respira um pouco e me conta o que você viu.

Mary está tão cansada que está quase desmaiando, eu ajudo ela a se sentar no sofá, ela da um enorme súspiro, sua respiração ainda está rápida, algo deve ter chocado ela.

Eu rapidamente vou na cozinha e pego um copo de água pra ela, eu decido botar água gelada, pois neste calor, quem é que vai beber água quente? Eu volto para a sala e entrego á ela o copo de água, ela pega o copo de água e bebe, como se nunca tivesse bebido água na vida.

—Ai Ren, obrigada. -Ela disse.

—Você está melhor? -Eu pergunto.

—Sim.

—Está disposta á dizer o que aconteceu?

—Sim, estou.

—Então vamos lá, comece do ínicio.

—Há uma abertura para o universo paralelo.

—Como assim Mary? Me explique.

—Quando nós saímos daquela casa assombrada, você recebeu uma menssagem do universo paralelo, certo?

—Sim, continue.

—Após isso, essa pessoa que lhe enviou a menssagem, veio para o nosso universo, e isso causou uma rachadura no universo, uma abertura para o universo paralelo.

—Ah sim, me lembro do Sam ter falado algo assim. Mas isso é grave?

—Talvez você não tenha noção da gravidade. Talvez essa coisa que apareceu em seu sonho, é do universo paralelo.

—Igual aos parasitas?

—Não, os parasitas vieram do futuro, não se esqueça, a única coisa que veio do universo paralelo, que está entre nós, é a Yngrid.

—Está querendo dizer que ela é o nosso inimigo agora?

—Não acho que seja, talvez tenha uma pequena possibilidade, mas mesmo assim, não tem motivo pra ela ser inimiga.

—Entendo, mas e agora que há um inimigo solto? O que vamos fazer?

—Não podemos fazer algo sem uma pista certo? Vamos esperar ele dar alguma pista.

Eu me sento no sofá e respiro fundo. Droga, nunca está tudo acabado, sempre há alguma coisa para resolver. Quando é que eu terei uma vida normal?

—Sabe, se Sam estivesse aqui, nós teriamos como achar esse cara. -Mary disse.

—A culpa não foi minha. -Eu disse.

—Eu sei que não foi, se eu estivesse no seu lugar, eu também o mataria.

—Mary, me diga, Sam não é uma pessoa super do bem, não é?

—Ah, acho que ele é um bom homem. Sabe, no nosso passado, nós brigavamos muito quando éramos do exército, porém, ele me salvou da morte uma vez.

—Sério? Como?

—Depois eu lhe conto. Nós precisamos botar prioridade em capturar essa pessoa.

—Mas como vamos capturar esta pessoa?

Mary se levanta, ela parece estar determinada á fazer alguma coisa, eu fico em dúvida sobre o que ela pode fazer, pois quando ela está desse jeito, eu tenho certeza que ela vai fazer algo.

—Já sei o que fazer. -Ela disse.

—O quê você vai fazer? -Eu pergunto.

—Nós estamos sentados aqui que nem bobos, só porque esquecemos de um pequeno detalhe.

—O que nós esquecemos?

—Nós esquecemos da nave de Sam, sim, é possivel descobrir alguma coisa através dela.

—Sim, como não pensamos nisso?

Eu me levanto e estalo meus dedos, após isso eu e Mary subimos para o meu quarto, eu abro a porta do meu quarto com bastante força. A nave de Sam está ao lado do meu armário. Eu olho para Mary e ela me olha, sinto que ela quer abrir aquela caixa.

—Certo, quer mesmo fazer isso? -Eu pergunto.

—Nunca tive tanta vontade de abrir essa caixa. -Ela responde.

Mary da um leve suspiro, então ela finalmente abre a caixa, uma enorme luz roxa ilumina a nossa cara, um vento forte bate em nossos cabelos, essa nave mudou, ela não é como antes, algo mudou nela.

—Isso é estranho não é? -Eu pergunto novamente.

—Nunca aconteceu isso antes, ela deve ter sido reformada ou algo assim. -Ela disse.

Mary não hesitou, ela entrou direto na caixa, ela entrou tão rapido que parecia que a caixa estava engolindo ela, e eu fui logo atrás.

Quando eu cheguei na nave, Mary estava chocada, ela estava impressionada, não demorei para entender o porque ela estava assim, mas logo eu descobri.

Na nossa frente, havia uma mulher, mas ela não era normal, sua pele era branca como papel. Ela se virou para gente, ela tinha quatro olhos, literalmente, eram três olhos do lado direito do rosto, e do outro lado havia apenas um olho, seu cabelo era rosa e curto, batia no pescoço.

—Mary! Quanto tempo amiga! -A garota disse.

—Max?! -Mary responde espantada.