Back to the Past

2 Moments that sometimes we miss are lost in time...


Notas iniciais
Espero que gostem do nosso segundo capitulo.

— Minha querida, é você mesmo? — Ela falou tentando enxugar as lágrimas que teimavam em cair.

— Sim vó, sou eu mesma, Annie, sua neta. — Sorri novamente, que eu nem lembro mais quando fechei.

— Quanto tempo, querida. Venha, entre. — Me convidou á entrar e deu passagem, passei carregando minhas malas.

A casa era simples, porém confortável. Sentia um cheiro bom vindo da cozinha, minha vó deveria estar cozinhando algo.

— Diga-me, o que veio fazer aqui?

— Não podia me formar na França. — Suspirei. — Vim fazer o ensino médio, no segundo ano. Mas será bom passar esses anos com a senhora. — Sorri novamente, não era do meu feito, eu nem queria estar ali... Mas não posso fazer muita coisa a respeito disso.

— Que bom querida!

— Onde está o vovô? — Perguntei, pois não o tinha visto.

— Seu avô foi ao mercado, logo voltará. — Ela me olhou nos olhos.

— Como você está grande e diferente, nem posso acreditar que está aqui. Venha, irei te mostrar seu quarto. — Ela me guiou pelas escadas, me mostrando onde ficava tudo.

No andar de baixo tinha a cozinha, sala, sala de estar, banheiro e o quintal. No de cima tinha os quartos — Eram três, para ser exata —, um banheiro, uma pequena biblioteca e um escritório.

— Vou te deixar a vontade, qualquer coisa, estarei lá em baixo terminando o almoço. — Disse e desceu as escadas.

Suspirei e botei a mala em cima da cama, decidi arrumar minhas coisas. No quarto tinha um guarda-roupa, uma cômoda, uma porta para acesso direto ao banheiro, uma cama e um tapete, coisa básica, o resto eu trouxe comigo.

Depois de arrumar todas as minhas coisas, peguei minha toalha e meu sabonete e fui para o banheiro. Deixei a águe morna percorrer meu corpo.

Já tinha perdido a conta de quantas vezes suspirei naquele dia. Seriam longos anos, mas não quero pensar nisso agora. Logo um pensamento invade minha mente.

“Será que aquele parque ainda está por aqui?”

Vou dar uma volta antes do almoço. Assim posso ver se tudo ainda está no lugar, como antes.

Saí do banheiro e vesti um vestido cor laranja, soltei o cabelo. Fui para o andar de baixo e avisei a minha avó que iria dar uma volta antes do almoço, ela concordou numa boa. Disse que era uma boa ideia desde que eu não me perdesse, ela também me deu uma cópia da chave de casa, fiquei feliz em saber que ela confia em mim.

Abri a porta e senti uma leve brisa que balançou meus cabelos. Fui caminhando vagarosamente até o parque, quando cheguei, vi que continuava a mesma coisa que eu lembrava. Entrei e me sentei em um banco próximo aos balanços. Como eu amava brincar ali, tempos que eu queria que voltassem pena que nada é do jeito que nós queremos.

Olhei em volta de onde estava naquela hora não tinha quase ninguém no parque. Além de mim, tinha apenas duas crianças e outra menina. Ela me era familiar de algum lugar... Espera um instante! Ela parecia uma das minhas amigas de infância!

Levantei e fui andando até ela e a toquei no ombro, quando ela se virou olhou como quem não me reconhecia e eu fosse uma completa estranha. — Ahh, posso ajudar moça? — Ela perguntou educadamente.

— Seu nome... É Haruka Ishikawa, não é? — Ela me olhou nos olhos e ergueu uma sobrancelha.

— Sim, sou eu mesma, quem é você? — Ela me olhou de cima a baixo tentando me reconhecer. — Espera, Annie...? É você mesmo? — Fiz um sinal positivo com a cabeça. – Ohh! Não acredito nisso, depois de tantos anos sem ter notícias de você! — Ela me deu um abraço apertado. — Então, como andam as coisas? Porque voltou? Nossa como você mudou Annie! Venha, vamos nos sentar, aí você me conta tudo, e quando eu falo tudo é tudo mesmo, entendeu? — Ela parecia animada em me ver, bem... Isso também me deixa feliz.

Expliquei tudo para ela, claro, omitindo algumas partes. — Nossa, quanta coisa aconteceu nesses anos... Mesmo assim, fico feliz em saber que estão bem, talvez esses próximos anos façam bem para você. Agora me deixe falar o que aconteceu por aqui: Se lembra daquele menino que você gostava antigamente? — Ela falou fechando os olhos, como se estivesse lembrando daquele tempo.

— Sim, lembro, mas não me recordo o nome dele... — Fiquei pensativa por alguns instantes, não conseguia me lembrar do bendito nome.

— Pois é ele sofreu um acidente e não se lembra de nada, antes desse dia. — Ela falou meio cabisbaixa. — Bem... Eu tenho que ir para casa, já está tarde e eu tenho que almoçar, nos vemos por aí, Annie, até mais. — ela saiu acenando, sem esperar eu responder.

Mas... Como assim ele não se lembrava de nada? Isso é inacreditável. Mas não quero pensar nisso e em nada agora, vou para casa almoçar e botar a cabeça no lugar. Fiz todo caminho de volta, gravando alguns pontos de referência para caso me perdesse, afinal, nunca se sabe quando vai acontecer algo assim.

Quando cheguei em casa — creio que já posso chamar assim —, meu avô ainda não tinha chegado, então almocei com minha avó e subi para meu quarto, me joguei na cama e fechei os olhos para refletir.

Não tem ao menos 5 horas que cheguei aqui e já estou confusa sobre tudo, como isso é possível? Abri os olhos e levantei, me desloquei até a janela e olhei para o quintal, aquela árvore ainda estava ali. Resolvi ir lá em baixo, aquele lugar me fazia pensar, e é exatamente o que eu precisava nessa hora.

Quando cheguei na parte baixa da casa, lá estava a árvore, olhei para ela e subi. Conseguia ver o quintal do vizinho dali, me lembrei de alguns momentos da minha infância, como era bom aquele tempo... Vou ficar aqui até meus vizinhos — amigos — chegarem, e tenho a mesma duvida. Eles vão se lembrar de mim?! Ou melhor, eles ainda moram aí? Eu posso estar fazendo papel de trouxa, esperando pessoas que nem sei onde moram...

Ouvi algumas vozes do outro lado do muro, então vi dois meninos passando pela mureta. Então, sem pensar duas vezes pulei da árvore e meio que dei um susto neles, não era minha intenção.

— Quem é você garota? E porque assustou a gente?- Um deles perguntou, parecia o mais velho, ele parecia nervoso pelo susto. — Ou melhor, de onde você surgiu?- O outro garoto olha para os lados assustado.

— Bem... Eu não tinha intenção de assusta-los, desculpe. E eu vim dali... — Apontei para cima e menino olhou para a árvore. — Não se lembra de mim, Shin-chan?!

— Espera... — ele parou um instante. — Só uma pessoa me chamava assim... Annie? Annie Sakurai? É você? — Ele abre um sorriso.

— Sim, sou eu mesma. — Abro um sorriso largo, com eles podia me soltar.

— Nee-Sama... é você? Sério? – O mais novo pergunta e me abraça. Como nos velhos tempos, ele sempre vivia grudado em mim.

— Eu mesma, I-chan. – enquanto abraçava-o, olhava pro mais velho que estava com uma cara de pensativo.

Parece que algumas coisas vão ser como antigamente, assim espero.