Back to the Past
3 Memories of the past
Depois do susto, nos sentamos na varanda pra comer algo por ali mesmo. Minha avó ajudou com o lanche para nos três e depois começamos a conversar sobre oque aconteceu nesses 3 anos.
— Então, Shin-chan, como andam as coisas por aqui?... Ainda gosta da Haruka? Já se confessou? — eu sabia pegar o ponto fraco dele, é tao fofo e engraçado como ele reage, fica todo vermelho e não me responde porque se faz...
— Sério, Nii-san, que você gosta da Haru-chan? Nunca soube disso. — Ichigo falou olhando surpreso para ele.
— Cale a boca, Annie! Quem disse que eu gosto da Haruka? — Disse irritado.
— Deixe-me lembrar de quem disse, huh... Ah, é, foi você mesmo! — Falei ironicamente rindo dele.
— Eu não falei nada, sua louca. Pare de inventar coisas. — Rebateu com uma expressão irritada e envergonhada ao mesmo tempo.
— Então está bem, mudando de assunto, me conte o que aconteceu nesses três anos. — Lancei um olhar curioso.
— Bem, simplificando três anos... muita coisa aconteceu, primeiro nosso segundo líder sofreu um acidente e perdeu a memória, sendo que você era a primeira, depois disso eu virei o líder, mas ele não saiu da gangue, e nem eu, nem o Ichigo, nisto ainda continuamos na mesma. Continuando, o colégio continua o mesmo, nada mudou. A cidade continua na mesma, tirando que apareceram algumas pequenas gangues irritantes que querem entrar na nossa área, mas isso é normal, não acha? — Me perguntou evitando muitos detalhes.
— É, eu acho que sim, mas continue. — Percebi que o Shin-chan não quis muito falar “dele”, pois sabia que isso me afetava mais que tudo.
— Vou sair pra comprar alguns picolés, ok? — Ichigo se manifestou depois de algum tempo em silêncio.
— Ok, até logo. — Dei um pequeno sorriso.
— Tudo bem, se cuida. Continuando, Annie... você vai voltar para a gangue? — Perguntou diretamente.
— Não, na verdade eu não posso... Eu prometi à minha mãe que não me meteria mais em confusão, mas isso não quer dizer que em três anos eu enfraqueci. Tem a intenção de me testar, por acaso? — Perguntei descontraindo um pouco o clima tenso que ficou entre nós dois.
— Não, é melhor não, eu confio na sua palavra, ainda mais que você é mais forte que eu. — Falou a última frase mais baixo. Ri.
— Você tem ideia do que disse, não é? — Debochei dele.
— Sim, estou ciente de minhas palavras. — Ele suspirou e sorriu.
— Então, agora que estamos sozinhos, me conte o que eu queria saber. Você já disse para a Haruka que gosta dela? — Voltei aos assuntos de alguns minutos atrás.
— Não, eu não disse. E, você tinha que falar esse assunto na frente do Ichigo? — Ele me olhou irritado.
— Como eu ia saber que você não falou nada para seu próprio irmão? — Dei de ombros.
— Sei que não parece, mas eu te conheço há tanto tempo que sei que você é tímido em relação a esses assuntos, mas ele é seu irmão. Talvez eu seja a única que sabe tudo, não é?
— Talvez sim. — Ele me olhou.
— Voltei, e com os sorvetes! conversaram muito? — Ichigo chegou trazendo os sorvetes na mão.
— Um pouco, não mais que o necessário. — Eu e Shintarou falamos em unísimo, rindo logo após.
— Ainda em sincronia, não é? — Ele riu e voltou a sentar conosco.
— Que sincronia? eu só falei a coisa que me veio a mente. — Fiz uma expressão emburrada para logo depois começar a rir.
— Bom, só para avisar à vocês dois, segunda eu voltarei para o colégio.
— Sério? Por quê? Você ainda não terminou o colégio? — Foi a vez dos dois falarem juntos.
— Bem... O colégio que eu estudava na França tem uma política que se você não nasceu lá, só pode receber o diploma se se formar aonde nasceu, mais ou menos isso a história.
— Mas que merda isso, hein? Mas bem, vai ser legal ter você no colégio novamente. — Shintarou sorriu.
— Verdade, vai ser igual como nos velhos tempos. — Ichigo me olhou feliz.
— Nem tão igual aos velhos tempos. — Abaixei a cabeça.
— Esqueça os pequenos detalhes. — Shin segurou e apertou minha mão.
— Se você diz, não é?
Sobre nossa tarde juntos, bom... depois do almoço passamos a tarde toda rindo e falando bobagem de adolescentes. Algum tempo depois o Shin-chan e o I-chan saíram dizendo que tinham coisas a fazer.
Logo depois que os dois saíram, minha avó disse que ia ao supermercado, e como eu não tinha nada pra fazer resolvi perguntar se podia ir junto.
— É claro, querida, vamos juntas, e então você compra alguns doces se quiser. — Ela deu um sorriso abrasador.
— Vou lavar a louça enquanto você se arruma, mais tarde você guarda, ok?
— Claro, sem problemas. —Não tinha como falar não, afinal ela me deixou ficar aqui.
Fui ao meu quarto. Escolhi uma roupa fresca pois estava um calor de matar, havia esquecido como o Japão era abafado. Eu já estava soada, e me sentia "grudenta", isso me deu uma certa agonia que tive que tomar outro banho.
Durante o banho fiquei pondo as ideias em dia... Sinceramente, ainda não acredito que “ele“ se esqueceu de mim, tipo... como assim? não há como ser verdade. Infelizmente eu não posso mudar o passado, apesar do que está por vir, nem que eu lute contra isso eu vou fazer ele se lembrar de tudo.
Por um instante, eu parei e refleti, eu estava ficando louca, só podia. Não tinha outro significado para ficar falando sozinha.
Logo depois disto sai do banho e me vesti, penteei meu cabelo e fui ao meu quarto pegar minha carteira e meu celular. Em seguida, desci as escadas. vovó estava lá embaixo vendo tv.
— Então, vamos?
— Oh, claro, querida.
Quando chegamos ao supermercado, minha avó disse: “eu vou comprar as coisas que preciso, pode ir escolher o que quiser. Nos encontramos no caixa, ok?”. E eu respondi que tudo bem.
— Bom, vamos ver o que eu compro... quem sabe alguns doces? mas não muitos. Ah! não posso esquecer o pudim e uns picolés. — Sussurrei para mim mesma.
Fui ao caixa onde estava minha avó passando com as compras. A moça perguntou se era junto e eu disse que não, que iria pagar separado. Minha avó deve ter se perguntado o do por que eu não passei tudo junto, mas eu não queria ter que depender dela se eu tinha meu próprio dinheiro.
Depois que chegamos em casa, eu ajudei-a a guardar as compras. Peguei alguns doces e levei pro meu quarto.
Já lá encima, fui usar o computador e ver algum filme ou coisa parecida. Passei um tempo vendo, até que minha avó me chamou para jantar. Meu avô já tinha chegado nesse horário, ele levou um susto quando me viu, mas logo ficou feliz, e passamos todo o jantar conversando várias coisas.
Ao terminar o jantar, fui escovar os meus dentes e fui para meu quarto. Não ia tomar mais um banho, resolvi que iria tomá-lo pela manha, pois mesmo sendo domingo eu teria que acordar cedo e ir até a administração do colégio pegar meu uniforme e as apostilas da minha turma que eu nem sabia qual era. Desejei boa noite para os meus avós que dormiam cedo, mas apenas fui dormir as 23h.
Eram mais ou menos 8h horas quando acordei. Teria que me acostumar novamente a acordar cedo para o colégio, de segunda à sexta teria que acordar muito mais cedo que oito horas.
Me arrumei, tomei meu banho e fui tomar café-da-manhã, meus avós já haviam levantado, conversei com eles, comi e logo saí.
Já eram umas 8h45 quando cheguei ao colégio, rapidamente me lembrei das várias situações que passei nele... Fui entrando e andei em direção à administração de lá.
Ao chegar lá, conversei com o supervisor. Peguei meu uniforme, as apostilas e o número da minha turma. Tirando o fato de que eu também teria que ir à sala dos professores amanhã para conhecer o professor chefe da turma e ele me levaria até a sala. Se bem que, eu preferiria ir sozinha, mas regras são regras, não é?
Falando nelas, ele me deu um folheto com elas listadas, mas eu lhe disse que já as conhecia, pois estudei ali durante 6 anos. Ele falou que não me reconheceu, mesmo estando ali há bastante tempo. Eu respondi que era normal, pois havia mudado bastante durante os 3 anos em que passei fora.
— Aqui está tudo que precisa. Agora você deveria ir pra casa, o colégio esta fechado hoje, somente o concelho estudantil que deve estar em atividade no momento, mas eles não gostam de ser atrapalhados. — Disse o supervisor administrativo.
Eu meio que ignorei o que ele falou, não faria mal eu relembrar os lugares do colégio. Contanto que ninguém me percebesse.
Ri. Nisso eu acho que não mudei. Afinal, eu não queria ir embora ainda e não tinha nada pra fazer em casa, então decidi passear pelo colégio silenciosamente e sem incomodar ninguém.
Estava passeando quando vi duas pessoas que pareciam muito conhecidas para mim, mas não podia expor minha localização, se não eu ia me ferrar. Fiquei escondida e tentei ouvir a conversa de uma menina e um garoto que estavam indo em direção à sala do conselho estudantil, com certeza.
A menina se parecia com a Haruka, já o menino se parecia muito com o Ren, mas como ele estava mais velho não tinha certeza se era ele, logo depois ele disse que ia ao banheiro e a Haru continuou até a sala, eu me apressei e dei um susto nela.
— Boo! — Gritei perto de seu ouvido e ela pulou assustada. Ri muito de sua reação.
— Annie, está louca?! Só podia ter sido você mesma. — Ela me abraçou em seguida.
— Mas claro! — Ainda rindo, retribui o abraço.
— O que você faz aqui? Não devia entrar no colégio, está fechado. — Ela perguntou e depois repreendeu-me.
— Ah, eu vim pegar meu uniforme e alguns documentos. E você é do conselho?... Aquele por acaso era o Ren?
— Ah, entendo. Sim, eu sou do conselho, e sim novamente. Você se lembra dele? — Ela sorriu.
— Mas claro que sim, só não reconheci porque ele ficou mais alto, mas ele sempre andava com a gente, principalmente com você.
— Mas, se você já pegou o que precisava não deveria ter ido pra casa? — Ela me olhou desconfiada.
— Sobre isso... eu resolvi dar um passeio pelo colégio para ver se continuava tudo na mesma, então agora eu já vou indo. — Dei um sorriso maroto mostrando a língua.
— Huh, você continua a mesma, não é? desobedecendo ordens sempre.
— Claro que não, eu só não queria ir pra casa, e acabei te encontrando hoje, não foi bom?
— Hum, digamos que sim. Pois bem, agora eu devo ir para a sala resolver algumas coisas com os outros membros, vejo você outra hora. — Ela se despediu.
Desci as escadas e fui até a entrada, coloquei meus sapatos no lugar que por mais estranho que pareça, ainda tinha meu nome. Peguei meus tênis que ali estavam e fui para casa.
Passei pelo parque antes de ir, vi umas crianças brincando e algumas mães conversando em quanto seus filhos brincavam. Era interessante ver aquilo, era estranho que elas não ficavam olhando seus filhos, mas sim conversando e fofocando. Eu ria internamente daquela situação.
Depois disso, já era quase meio dia e recebi uma mensagem de minha avó perguntando se eu iria ir pra casa almoçar ou se iria almoçar fora. Eu respondi que almoçaria em algum restaurante, mesmo que mais tarde eu estaria em casa, ela falou que tudo bem, só pediu que eu tomasse cuidado.
Fui até algum restaurante pequeno e pedi um almoço pra uma pessoa só, afinal, eu não como muita coisa. Pedi um prato que tinha dois filés de salmão grelhado, uma salada e arroz para acompanhar, e pedi também um chá preto como bebida.
Depois de almoçar, o garçom perguntou se eu não queria dar una olhada no cardápio de sobremesas, eu falei que sim e ele rapidamente me trouxe. Pedi uma fatia de bolo com morangos. Ao terminar de comer, fui até o caixa e paguei a conta.
Logo que saí, já eram umas 14h, resolvi ir ao shopping olhar algumas coisas, não que eu fosse comprar algo realmente, mas odeio ficar em casa sem fazer nada. Fui dar mais uma volta, liguei para minha avó e disse a ela que iria ao shopping, perguntei se ela não queria algo, ela respondeu negando.
Peguei o ônibus e fui. Quando cheguei ao shopping, resolvi ver um filme, fazia tempo que não ia ao cinema. Não comprei nada para comer, pois ainda estava cheia do almoço.
Depois de ver o filme, fui olhar algumas lojas, e já aproveitei para comprar alguns materiais escolares, pois eu não tinha trazido muita coisa da França.
Eu estava saindo do shopping, e por coincidência, avistei Shin-chan com um grupo de garotos e algumas meninas numa esquina, resolvi dar um oi, mesmo sabendo que o grupo iria achar estranho uma menina com roupa bonitinha e com bolsas de loja ir lá falar com eles do nada.
— Oi, Shintarou, oi, galera. – Alguns me reconheceram na hora, apesar de eu ter mudado um pouco meu estilo, meu rosto continua o mesmo. Os outros fizeram cara de mau, como se eu fosse me assustar, ri pensando nisso.
— Annie, o que faz aqui? Você me falou que não queria mais confusão. — Shin perguntou preocupado.
— Annie-nee-sama, é você mesmo? — As pessoas que me conheciam me cumprimentaram, meio abismadas.
— Quem é essa? — O resto do grupo perguntou.
— Fiquem calmos, responderei todos, respondendo o shin-chan e o ichigo. — Ele iria me matar agora.
— Eu estava passeando e vi vocês. Resolvi dar um oi, agora não posso nem cumprimentar meus amigos. Sim, sou eu a mesma Annie. Só um pouco mudada. Aos novos integrantes prazer Annie, eu era bem... antiga líder, apesar de não parecer.
— Annie, criatura chata, quem disse que podia me chamar assim? — Shin me olhou irritado.
— Cala a boca, e também, Annie é melhor você ir embora, não é bom você ficar aqui.
— Ah, é? Por que não seria bom eu ficar, hein? Se eu quiser fico, pra começo de conversa, você não manda em mim, estamos entendidos? – Eu meio que fiquei com raiva do que ele disse, mas depois que eu falei isso ele logo se acalmou e também ele não ia querer brigar comigo, não seria uma boa ideia.
— Então, pessoal, como vocês estão? — Conversei com eles durante uma meia hora, e o Shintarou continuou emburrado sem falar mais nada para mim. Apenas ficou conversando com os outros membros do grupo que não faziam questão de conversar com uma estranha, eu não estava me importando. Mas eu me despedi deles logo em seguida pois percebi que estava atrapalhando, mas foi bom reencontrar o pessoal.
Depois disso, eu peguei o ônibus e fui pra casa, tive que caminhar umas duas quadras pois tinha acontecido um acidente e a rua ficou trancada, mas até que foi bom caminhar, já que eu teria que caminhar todos os dias a partir de amanhã até o colégio, sorte minha que não era tão longe assim da minha casa. Era praticamente na esquina da minha rua.
Quando cheguei, percebi que não tinha ninguém, então peguei minha chave na bolsa. Ao entrar, subi as escadas e larguei minhas coisas encima da cama.
Admito que estava irritada com Shintarou, sei que ele quer ter respeito dentro da gangue, mas também não precisava ter falado daquele jeito comigo... Tirando essa questão, foi bom ver o pessoal e legal saber que eles ainda se lembram de mim. Colocar um pouco a conversa em dia não foi tão mal, pena que não posso voltar no tempo, nem posso continuar no grupo.
Estranhei minha avó nem meu avô estarem em casa, então liguei para ela, ela me disse que foi na casa de uma amiga e que no final da tarde estaria de volta, e que meu avô tinha ido na casa de um amigo que morava na outra cidade, só voltaria amanhã, eu falei que tudo bem.
Depois de encerrar a chamada, resolvi arrumar as coisas para o colégio. Ao terminar, fui ver televisão e comer algum doce ou chupar algum picolé.
Fiquei o resto da tarde vendo um filme, até que minha avó chegou em casa.
— Annie, querida, onde você esta? – perguntou ela.
— Na sala, vovó... o que houve? – eu fiquei preocupada e me levantei para ver o que ela queria.
— Me ajude aqui, querida, ganhei alguns doces, pode pegar alguns se quiser.
— Claro que sim, amo doces. — Peguei alguns e voltei para sala, minha vó veio logo atrás de mim com dois copos de chá gelado e se sentou ao meu lado para ver TV.
Comi alguns doces, mas não muitos porque se não, não ai sobrar espaço pro jantar. Alguns minutos depois, minha vó se levantou e perguntou se eu podia ajudar com o jantar. Concordei me levantando e desliguei a televisão.
Então, fomos as duas para a cozinha e ficamos cortando ingredientes, cozinhando, rindo e conversando.
Logo terminamos, porque jantar pra duas pessoas, não dava muito trabalho.
Depois de terminarmos de cozinhar nos sentamos e começamos a jantar, enquanto conversávamos sobre o que fizemos hoje, e coisas assim, claro que omiti algumas partes para não preocupar ela. Ela continuou conversando sem perceber que eu escondia alguma coisa, falou também da amiga dela que tem uma loja de doces, e perguntou se na próxima vez eu gostaria de ir junto. Eu confirmei, portanto que fosse depois do colégio ou que não fosse dia de semana. Ela concordou afinal não queria interferir no colégio.
Depois do jantar eu ajudei a lavar a louça, depois peguei um pudim na geladeira, perguntei se ela queria um, mas ela negou. Então peguei só pra mim e fui ver um pouco de televisão novamente. Ela me seguiu, depois de uns minutos ela disse que ia tomar banho e eu falei que tudo bem, não demorei a terminar de comer meu pudim.
Depois que minha avó saiu do banho, ela disse que eu poderia ir. Assenti e fui ao meu quarto pegar o pijama e tomar meu banho, pois teria que dormir cedo, afinal, de manhã eu teria que me levantar cedo. Amanhã será um grande dia, ou melhor dizendo, o início de mais um mini-inferno.
Já eram umas 22h quando minha avó me deu boa noite, e eu também me dirigi ao meu quarto e fui me deitar, coloquei o celular para despertar umas 6h30 e fui dormir.
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