O chá com Byakuya não durou muito tempo, afinal, ele era um homem bastante ocupado e cumprir com seus deveres exigia bastante dele. Logo Orihime estava sozinha com Riruka, que parecia querer dizer alguma coisa para a sua senhorita.

— Gostaria de me dizer algo? — indagou a ruiva, olhando para a rosada que parecia um pouco nervosa.

— Minha senhorita… perdoa-me pelo meu atrevimento, mas… qual exatamente é a sua relação com o Duque Kuchiki?

— Talvez… — A mulher deu uma pequena pausa, causando certa ansiedade na empregada ao seu lado. — E-Eu seja a próxima duquesa…

Aquelas palavras caíram como um raio no cérebro de Riruka, fazendo-a ficar atordoada e não conseguindo acreditar no que saiu da boca de sua senhorita. Próxima duquesa?! Que história era essa? Orihime havia chegado não fazia muito tempo, entretanto, o duque já havia colocado suas mãos nela! Era como os rumores diziam: ele é um verdadeiro demônio!

A rosada sabia a falta de experiência da ruiva quando se tratava de relacionamentos amorosos, contudo, também sabia que ela não era uma criança e tinha consciência do certo e do errado. Não iria julgá-la por sentar-se na vacante cadeira ao lado de um dos maiores duques do império entretanto… isso não significava que iria aceitar aquele homem! Riruka tinha suas dúvidas, mas não iria às compartilhar ainda, apenas iria alertá-la.

— Minha senhorita, ouça com atenção o que direi. — A Inoue virou-se para a sua empregada pessoal. — Tome cuidado com o Duque, existem coisas que a senhorita ainda não sabe sobre ele.

A tarde de chá dela terminou e um clima peculiar pairou sobre ela. Era óbvio que ela não o conhecia bem, era um ponto que ele mesmo havia citado na conversa deles na noite anterior, mas ele estava na mesma situação também. Qual seria a reação dele ao descobrir sobre seus poderes, que ela era a descendente da deusa da criação? Orihime não sabia e tinha um certo temor ao pensar sobre isso.

O Kuchiki não aparentava ser ganancioso por poder, já tinha tudo o que queria e não almejava por mais nada, então decidiu confiar nele por enquanto. Não contaria nada, não até depois do casamento.

"C-Casamento?! Mas eu nem concordei com isso!"

A moça rolou pela sua cama, enquanto tentava se acalmar e colocar as ideias no lugar. Havia aceitado ser a acompanhante dele em um próximo baile, isso poderia gerar rumores sobre eles e ela estava ciente disso.

"Ichigo chegará em breve também… Minha única saída é…"

Lembrou-se de quando o homem havia prometido protegê-la se fosse casar-se com ele, ninguém colocaria as mãos em sua esposa e ela acreditava nisso. A ruiva suspirou, tinha muitas coisas a pensar e tinha um curto prazo de tempo para isso.

— Ainda não… Preciso pensar melhor nisso.

Byakuya tinha entrado em sua cabeça e seus pensamentos eram uma bagunça, veio para o norte à procura de seu irmão, nunca imaginou que pudesse se casar com alguém daqui. A Inoue tinha que repensar sobre seus planos, mas hoje não, hoje estava cansada e só queria dormir.

"O que será que a Riruka quis dizer com aquilo…?" pensou ela, então, daquela forma, Orihime Inoue caiu no sono.

[...]

O dia amanheceu menos frio que o de costume, os pássaros cantavam do lado de fora da mansão ducal. A moça arrumou-se e foi tomar café da manhã com os demais, contudo, seu irmão não havia aparecido.

— Sora não dormiu em casa, parece que seu trabalho exigiu mais dele dessa vez. — disse Ginrei. — Francamente, esse garoto deveria prestar mais atenção em si mesmo!

O coração de Orihime se agitou com a notícia, o que havia acontecido de tão importante para o seu irmão nem mesmo tivesse passado a noite em casa? Teria a carta que recebeu ontem do marquês ter algo haver com isso?

— Tenho certeza que ele está bem, então não precisa se preocupar. — Byakuya olhou para a ruiva, como se conseguisse ver através dela.

— Sim, ele certamente está bem. — Ela sorriu, tinha certeza que seu irmão estava bem.

— Aliás, soube que acompanhará meu neto em um baile! É verdade? — Os olhos do homem de meia-idade brilharam, enquanto encarava a jovem dama.

A Inoue quase se engasgou com a comida, soltou uma leve risada para disfarçar sua surpresa. Poderia já todos saberem sobre isso? Impossível, não fazia nem mesmo vinte e quatro horas que o Kuchiki havia lhe feito o pedido!

— É verdade. — respondeu.

— Eu iria sugerir isso de qualquer modo! É muito bom ver meu neto tomar a atitude assim. — O ex-duque soltou uma risada, enquanto dava leves batidas no ombro de Byakuya.

O moreno manteve-se imperturbável, existia alguma coisa que pudesse mudar essa sua expressão de frieza? Desde o momento em que o conheceu pela primeira vez, aqueles olhos eram calmos que nem um riacho e cortantes que nem a ponta de uma espada; a sua aura era tão majestosa, mas tão fria e sombria que era difícil chegar perto dele. Se não fosse pelo que falou quando estava bêbada, ela teria conseguido se aproximar dele? Ou então continuariam sendo estranhos?

— Há algo de errado, senhorita Inoue? — indagou o Kuchiki, não desviando o olhar de sua refeição. — Sinto seu olhar há um tempo.

O rosto da jovem ficou vermelho, havia o encarado por tanto tempo que ele havia percebido.

— N-Nada.

Desviou seu olhar para a sua refeição, não se atrevendo a olhá-lo nem mais uma vez sequer. Orihime teria de admitir que aquela sua frieza toda a atraía de uma forma não muito normal, inicialmente não tinha planos de se envolver com ele e agora já gostaria de ser mais próxima, como uma amiga… Logo mais, o que mais ela gostaria de ser?

O duque a constrangeu de propósito, seu hábito de mexer com ela ainda estava vívido e parecia que não iria parar com isso tão breve assim. Futuramente, ele terá mais oportunidades para isso e não deixará de aproveitá-las, a reação dela continua sendo tão… magnífica.

"Me pergunto que tipo de reação ela terá na próxima vez…" pensou ele.

O café da manhã se encerrou, vindo depois o almoço, o chá que costumava tomar a tarde e a janta, entretanto, não havia sinal algum de Sora. Começou a sentir um aperto em seu coração, será que realmente aconteceu alguma coisa ruim?

— Minha..

— Riruka. — A ruiva a interrompeu. — Eu preciso que vás e peça aos outros que descubram o que aconteceu com Sora.

Sua preocupação falou mais alto, havia decidido sentar e esperar, mas não conseguia aguentar mais um minuto sequer sem notícias do seu irmão mais velho, afinal, a reação que ele teve ao ler aquela carta estava fresca em sua memória. Sumir sem dar satisfação? Sora Inoue não era assim.

— Voltarei em breve com informações.

A empregada sumiu na escuridão que era o quarto da ruiva. Não haviam estrelas e nem mesmo a lua estava presente no céu, estava tudo negro e o clima esfriou bastante, nem parecia que de manhã estava fazendo um bom tempo. Andando de um lado para o outro, não conseguia se acalmar.

A moça ligou a luz do seu abajur, a qual a fonte de luz vinha de uma pedra mágica, então sentou-se de frente para a penteadeira e encarou seu reflexo no espelho; sua mão foram nas presilhas que estavam em seu cabelo, seu poder pode causar guerra entre nações e por isso foi instruída de guardar segredo desde quando era uma criança.

— Mas pelo meu irmão…

Pelo seu irmão, a jovem dama mostraria o que tinha em mãos para o mundo todo e quem ousasse desafiá-la, seria levado ao pó, assim como originalmente eram as pessoas nas lendas antigas. Já havia se decidido que não iria mais esconder seu poder, então estava bem consigo mesma e não se limitaria mais.

Algumas horas depois, Riruka havia retornado. Era tarde da noite, e a ruiva jogou-se na cama com a notícia.

— Oh, céus… — Ela suspirou aliviada. — Apenas isso?

— Sim, o senhor Sora foi visitar o marquês Hirako e acabou passando a noite lá pela forte nevasca que atingiu o território naquele momento.

Os territórios de cada nobre ficavam distantes uns dos outros, então era normal em que um lugar fizesse sol e no outro uma forte chuva se derramasse.

— A nevasca durou até essa tarde, então ele já está a caminho daqui. — informou ela.

— Que alívio…

— A senhorita deveria dormir aqui, está bastante tarde e deves ter energia pela manhã para ficar com seu irmão.

A Inoue riu, certamente Sora não iria desgrudar dela o dia todo, apenas para compensar o dia em que esteve ausente, mais ainda se soubesse que ela estava preocupada. Agradeceu sua amiga e depois iria agradecer seu pessoal pessoalmente, então desejou uma boa noite para a jovem empregada e desligou a luz.

Sozinha, no escuro, estava prestes a pegar no sono, mas escutou o barulho de cavalos e teve certeza que uma carruagem havia acabado de chegar. Também teve certeza que era Sora que tinha chego, então rapidamente levantou-se. Não se importava com o sermão que levaria dele por estar acordada até tarde, queria olhar com seus próprios olhos que seu amado Sora estava nem.

Pegando um agasalho, para proteger-se do forte frio daquela madrugada, saiu de seu quarto com certa rapidez. A jovem correu pelos corredores desertos e sombrios com empolgação e quando chegou na entrada, colocou a mão na maçaneta da porta, contudo, alguém foi mais rápido do lado de fora e a abriu.

— Sora!...

A sua voz animada foi gradualmente morrendo, naquele momento, sua bela face foi manchada de sangue fresco e um corpo caiu em cima dela; um corpo que havia perdido a vida a segundos atrás e naquele instante, por algum motivo, a ruiva ouviu a voz de sua fiel confidente em sua cabeça.

"Tome cuidado com o Duque, existem coisas que a senhorita ainda não sabe sobre ele"

Ela ficou em choque, claro que já havia visto cadáveres, muitos mais que gostaria de ter visto, o problema era que ela não esperava e nem imaginava isso. Um corpo sem vida cair diretamente em seu colo não era algo que acontecia todo dia, certo?

— Você…

Um frio percorreu pela sua espinha, um medo indescritível passou por ela naquele momento. Orihime levantou o olhar e viu um homem alto, pálido e com vestes negras; exalava a sangue fresco e parecia bem mais assustador que o normal; seus olhos cinzentos mais frios e sem emoções que o normal.

— O que faz acordada uma hora dessas? — Sua voz gélida causava arrepios pelo seu corpo. — Orihime.

A Inoue perdeu suas forças por breves segundos, mas foi o suficiente para aquele corpo — que segurou por impulso em seus braços — pesar e a derrubar no chão. Byakuya guardava sua espada banhada naquele líquido carmesim, sem tirar os olhos dela um segundos sequer.

— Eu acho que você viu demais… — disse ele com uma voz calma e andou até parar em frente a ela. — Muito mais que deveria.

"D-Droga…! O que eu faço?!"

Seu corpo não se movia de jeito nenhum e o cheiro de sangue estava a deixando enjoada. O que ela deveria fazer? Ele parecia que iria a matar de tão intimidante que era, sua sombra cobria totalmente seu corpo.

O homem esticou a mão em direção a ela e a ruiva fechou os olhos, esperando por qualquer coisa ruim, entretanto, não aconteceu nada do que ela imaginava, muito pelo contrário.

— Agora não tem mais jeito. — Ele segurou a mão dela, delicadamente, e depois a beijou.

A Inoue abriu os olhos e ficou atordoada, seu coração batia rápido demais e quando viu aquele brilhante anel em seu dedo, pensou que teria um infarto. Não era possível…

— Você terá que se casar comigo.

Riruka tinha razão, ela tinha que ter cuidado com esse homem, mas porque sentia que era tarde demais para isso?! Talvez, mesmo se tivesse tido cuidado, os resultados ainda seriam o mesmo.

Naquele momento, um corvo voou em direção da cabeça do duque, começando a bicar e bater nele com suas asas, entretanto, parecia que não fazia efeito algum.