Back to Life - ByaHime
8 Conhecer
Orihime estava nervosa, sua cabeça estava girando e ela não estava conseguindo entender o que estava acontecendo. Seguia Byakuya com certa relutância, afinal, ele parecia sério em relação a proposta que ela fez quando estava embriagada! Respirava fundo, na tentativa de manter a calma e não acabar desmaiando.
— Entre. — O duque abriu a porta de seu escritório para ela, dando espaço para a moça passar.
Sua voz era baixa, mas alta o suficiente para a ruiva escutá-lo. O corvo estava quieto no ombro de seu dono, entretanto, não tirava os olhos da ruiva enquanto planejava quem mataria primeiro: o duque ou o príncipe de Karakura?
— C-Com licença…
A Inoue abaixou a cabeça e passou rapidamente pela porta. Seu olhar estava direcionado para o chão, sobretudo, ela sentia vergonha. Talvez fosse apenas uma alucinação sua e o que escutou antes não passava de um mal-entendido; ela beliscou de leve seu braço, mas foi surpreendida pelo toque frio do homem.
— O que você está fazendo? Vai se machucar. — disse ele, segurando a mão da moça.
Foi a frieza da mão do Kuchiki que a trouxe de volta para a realidade. Não era um sonho e nem uma alucinação, ela estava no escritório dele para conversar sobre casamento! Nunca em sua vida imaginou uma situação assim, ainda mais com o duque mais temido e indiferente de todo o reino das almas.
"Mantenha a calma, a calma… Orihime, não perca a calma…", pensava ela, na tentativa de não perder a compostura.
A sala estava escura e a ruiva não conseguia ver muito bem o homem quando levantou sua cabeça. Por algum motivo, os olhos dele estavam muito bem nítidos naquela escuridão e ela se pegou encarando ele por alguns segundos. Era extraordinário, a frieza que aquele par de olhos emanava não era de qualquer mundo; eram tão afiados e sérios, de verdade eles pertenciam a alguém humano? De um ser vivo?
"Sedutor…"
Antes, Orihime achava que não teria tempo ou oportunidades para se aproximar do homem, mas tinha percebido que sentia curiosidade para saber mais sobre ele, gostava da companhia dele, mesmo ela sendo tão pouca. Manter uma amizade com ele seria bom, mas um casamento… bom, tê-lo como marido era algo que ela, sóbria, nunca havia pensado de fato.
— Sente-se. — Byakuya a soltou, quebrando o contato visual entre eles.
Um silêncio incômodo para a ruiva, apenas os passos dele foram escutados por ela e de repente, surgiu uma luz. Byakuya ligou uma lamparina que havia na mesa de seu escritório, logo sentou-se em sua cadeira e a ruiva fez o mesmo no assento que havia de frente para ele.
— Não nos conhecemos muito. — afirmou ele, seu cabelo preto estava solto e caia sobre seus ombros como se fosse um só com suas vestimentas negras, o que destacava sua pele branca como a neve.
— Isso é verdade. — concordou ela.
— Mas eu a quero como minha esposa, então isso para mim não é um problema. — O Kuchiki foi direto, ele sempre foi um homem que gostava de ir direto ao ponto, sem enrolação.
— Isso… O duque sabe que isso trará muitos problemas, não sabe?
— Nada que eu não possa lidar. — respondeu ele, com confiança.
— Desculpe pela minha ousadia, mas…
— Não se preocupe com formalidades, logo estaremos casados.
O rosto de Orihime ficou vermelho com as palavras dele e o homem deu um minúsculo sorriso. Talvez nunca fosse perder a graça mexer com a garota, ele se sentia bem com isso.
— C-Continuando! — exclamou a jovem, respirando fundo, novamente. — Eu assumo a responsabilidade da minha proposta, mas pense melhor… eu quase fui uma imperatriz, ter-me como duquesa pode trazer conflitos com Karakura, e eu entendo que estamos em um momento crucial no acordo de paz entre os reinos.
— O acordo de paz entre os reinos foi concluído com sucesso. — informou ele, deixando a jovem surpresa. — Em breve será feita uma festa para comemorar tal acordo, contando com a presença da família real de Karakura.
A Inoue quase pulou da cadeira quando escutou sobre a festa e a participação da família real, afinal, isso significava que Ichigo estaria presente. Seu coração bateu forte, sua cabeça começou a pensar em inúmeras situações onde encontrava o alaranjado e o que faria para evitar que ele a levasse.
— Seja a dona do ducal; seja a duquesa Kuchiki… Ninguém jamais colocaria as mãos em você, pois eu jamais iria permitir que alguém colocasse as mãos na minha esposa. — Suas palavras eram firmes e tentadoras, ele estava falando com total seriedade.
Byakuya realmente queria esse casamento e não era para se livrar das inúmeras propostas de matrimônio, ele sabia disso, entretanto, ele não conseguia dizer ao certo o verdadeiro motivo. Desde a primeira vez que a viu, naquele corredor sombrio, ele vinha pensando nela e por isso, a achava especial. Naquele corredor negro e melancólico, o moreno poderia a encontrar a milhas de distância, pois ela tinha uma luz única que a destacava e que ele ansiava… por que ele ansiava por isso? Agora, ele viu uma oportunidade para tê-la em suas mãos e isso o agradava de uma forma que até ele mesmo estranhava.
— Repetindo, não nos conhecemos bem, mas… — O Kuchiki não iria desistir tão facilmente, ou talvez nunca desistiria.
— Poderíamos… — Orihime apertou suas mãos, era uma decisão difícil, contudo, não infeliz. — Nos conhecer melhor, então…?
— Oh, então isso é um "sim"? — O homem cruzou as pernas, colocando suas mãos no joelho com certa elegância.
— E…Espera! Não foi isso o que eu quis dizer! — A Inoue olhou para ele com surpresa, seu rosto subiu algumas colorações de vermelho.
— Hum? Não? — Byakuya se fingiu de desentendido.
A mulher viveu sua curta vida ao lado da pessoa que amava, entretanto, não existia afeto da parte de seu ex-noivo, ocasionando na ex-princesa herdeira ser uma completa desconhecida nos assuntos amorosos e o duque percebeu isso de primeira. Aquela senhorita ainda era tão ingênua, ela poderia ser uma verdadeira guerreira que protegia seu povo com unhas de dentes, contudo, ainda era uma boba moça que não sabia nada em relação ao amor, a não ser desistir dele.
— Apenas… Apenas vamos nos conhecer melhor, tudo bem? — A nobre olhou-o com suas bochechas coradas, mas decidida em dar um passo de cada vez.
— Eu concordo, é quase um "sim", não acha? — O moreno deixou uma pequena risada escapar quando percebeu que ela enrijeceu o corpo com as palavras dele. — Já está tarde, eu a acompanho até o seu quarto.
Quando ele se levantou, o corvo voou em direção a mesa e depois pulou no colo da ruiva, que o recebeu com braços abertos.
— O senhor corvo quer me acompanhar até o quarto também? — indagou a ruiva, dando um suave sorriso para o pássaro.
Orihime se levantou, segurando a ave em suas mãos e fazendo carinho na cabeça dela, ignorando sem querer o temível duque. No caminho para seu quarto, a atenção da ruiva focou no corvo e isso deixava uma certa nuvem negra na cabeça de Byakuya, que a qualquer momento poderia matar e asar aquela pobre ave.
— Eu agradeço ao duque por me acompanhar. — A Inoue fez uma suave reverência ao homem, deixando em seguida o corvo no chão, com um detalhe, tinha um novo laço amarrado em seu pescoço. — Desejo-lhe uma boa noite.
Depois que ela adentrou ao quarto, Tenza Zangetsu virou seu corpinho e passou pelo homem, sua cabeça erguida com orgulho e exibindo seu novo laço rosa.
— Ah…
O corpo da ave travou, sentiu um calafrio percorrer sua espinha e começou a suar frio.
— Parece que você anda bem desocupado esses dias, não acha? — Byakuya olhou para o pássaro e deu um tenebroso sorriso.
Tenza Zangetsu já sabia o que o esperava, mas ele não se arrependia nem um pouquinho! Foi uma pequena vingança, afinal, teve que adiar seu plano original… que o príncipe de Karakura o aguardasse!
[...]
No dia seguinte, Orihime seguiu sua rotina normalmente, sentia-se mais leve por não ter mais que fugir do Kuchiki, entretanto, sua cabeça estava cheia por conta da conversa que tiveram na noite passada. Havia também a vinda da família real para o reino das almas, ainda tinha que se preparar muito e quando encontrou seu irmão para tomar chá, soube mais sobre o assunto.
— Eu não vou escondê-la! Que aquele príncipe de terceira categoria venha, estou pronto para matá-lo! — exclamou Sora, totalmente irritado.
— Irmão, por favor, se acalme um pouco. — pediu a ruiva, ficando um pouco preocupada do seu irmão ser pego falando essas coisas, afinal, poderiam enquadrá-lo por traição à coroa.
— Se já não bastasse isso, ainda terá que trazer aquelas duas irmãs, o senhor Ginrei está completamente enojado com isso.
— As duas irmãs? — indagou ela, confusa, entendendo a situação segundos depois. — Hisana e Rukia…
— Você conheceu a senhorita Rukia, mas não sua irmã mais velha. — O Inoue mais velho tomou um pequeno gole de seu chá quente, antes de continuar: — Eu convivi com a Hisana, antes e depois dela ser acusada de traição. Bom, foi uma surpresa, sua família inteira foi presa por conspirar contra o imperador e ela acabou implicada nisso.
— Um crime gravíssimo, imagino que todos foram decapitados. — disse a ruiva. — Entretanto, ela já não pertencia a sua família, agora era uma Kuchiki.
— Sim, inclusive fez com que sua irmã mais nova fosse adotada pela família Kuchiki; ela foi muito hábil nisso, mas abandonar a família antes do julgamento foi a sua perdição.
A jovem não sabia com todos os detalhes o que realmente tinha acontecido, entretanto, sabia bem que aquelas duas poderiam contar com o apoio da família ducal se tivessem ficado, foi realmente um erro ter fugido.
— O duque anulou seu casamento minutos depois que soube da fuga das duas, inclusive as tirou da família. É uma pena, Hisana era uma boa mulher, mesmo…
— Mesmo? — Orihime parecia curiosa demais em relação a Hisana, gostaria de saber mais sobre a ex-duquesa.
Quando Sora abriu a boca para continuar, uma voz um tanto familiar para eles foi ouvida.
— Senhor Sora! — Era o assistente do homem.
— Ah, não!! Ainda não terminei o chá com a minha adorável Hime! — gritou o moreno, com lágrimas nos olhos.
— Dessa vez não estou aqui para buscá-lo. — suspirou Shuuhei, olhando para a ruiva em seguida e fazendo uma reverência.
— Hum? Mesmo? — O homem parecia desconfiado.
— Uma carta chegou para o senhor, creio que gostaria de lê-la o mais rápido possível. — Hisagi entregou uma carta lacrada para Sora.
— Estranho… é da casa Hirako. — comentou o moreno, olhando para a carta e depois a abrindo, curioso pelo conteúdo. — É do Marquês Shinji, ele…
A expressão do Inoue mais velho ficou sombria por alguns segundos, também incrédulo após ler aquelas palavras e isso assustou um pouco sua irmã.
— Sora? — Ela o chamou e como se o homem tivesse lembrado que sua irmã estava a sua frente, ele esmagou a carta e sorriu para ela.
— Hime, preciso ir agora, mas prometo compensar no nosso próximo encontro. — Sora levantou-se, andou até a ruiva e depositou um delicado beijo na testa dela e depois saiu junto de seu assistente.
— Aconteceu alguma coisa… — disse ela.
— Quer que eu descubra? — sugeriu Riruka, estava atrás da mulher e em silêncio, todo esse tempo.
— Não, ainda não.
Embora estivesse preocupada com seu irmão, não iria se envolver no assunto, afinal, eram problemas que ele não gostava que sua adorável irmã se envolvesse. Por enquanto, iria confiar nele e esperar os resultados, apenas rezava que não fosse nada muito grave, ou se não… ela não pouparia nem mesmo de usar seu poder da criação para proteger Sora.
— Aliás, Riruka, quem carrega o poder da destruição nesse reino? — perguntou Orihime.
— Embora todos saibam que existe o poder da destruição nesse reino, não deixaram vazar quem era o portador. — informou a empregada.
— Entendo… Acho que o segredo é o caminho mais fácil.
Tomando um pouco do chá, o líquido a esquentou mais nesse clima frio e a sensação era aconchegante, nem ao menos notou quando o homem de cabelos negros e pele de porcelana chegou.
— Posso me sentar? — indagou ele.
— Oh, d-duque! — exclamou ela, surpresa. — Claro, por favor. — respondeu a mesma, nervosa com a presença dele.
Byakuya sentou-se na cadeira que antes estava Sora, seu ar majestoso estava presente e sua indiferença era atraente até certo ponto.
— É bom encontrá-la aqui, confesso que estava prestes a buscá-la. — falou o homem. — Um dos duques fará uma festa em breve e eu gostaria que a senhorita Inoue fosse a minha acompanhante.
Riruka quase engasgou com as palavras do homem, ela ficou sabendo de todos os rumores desse reino e principalmente os que rondavam Kuchiki Byakuya. Aquele homem nunca foi acompanhado com ninguém para um baile, isto é, por mais que as mulheres estivessem atrás do título de duquesa, nenhuma delas ousava ultrapassar a linha entre a vida e a morte. De quem diabos sua senhorita foi chamar a atenção?!
Fale com o autor