Notas iniciais
Desculpe a demora nas atualizações!

Era uma manhã fria, Orihime abriu seus olhos com certeza dificuldade, a luz que adentrava na janela — mesmo sendo pouca — a incomodava e a obrigou despertar. Sentiu uma leve pontada na cabeça, fazendo ela se sentar devagar na cama, afinal, sua cabeça estava girando e isso era resultado do álcool que ingeriu sem cuidado algum.

"Dizem que o álcool aqui é mais forte que em outros lugares… agora eu acredito", pensou a ruiva, suspirando.

Conseguindo enxergar normalmente, levantou a cabeça para olhar o seu quarto temporário, percebendo a presença de um casaco negro sobre a cadeira perto da cama. Ela olhou e olhou, não conseguindo reconhecer a peça, mas depois de tanto esforço… memórias da noite anterior invadiram sua mente e fizeram seu rosto ficar vermelho.

— S-Senhorita?! — Riruka entrou no quarto, assustando-se com a mulher jogada ao lado da cama.

— Pegue as coisas, Riruka! — exclamou a Inoue, desesperada. — Vamos fugir!

— O quê?!

A manhã começou de maneira conturbada para a ex-princesa herdeira. Orihime perdeu a compostura por um momento, deixando sua empregada pessoal em pânico, entretanto, as coisas foram resolvidas quando a mulher voltou a si. Depois de ter feito sua higiene e se vestido, a ruiva não colocou um pé para fora do seu quarto, temendo ver o homem de cabelos negros.

O que ela deveria fazer? Se desculpar com ele? Talvez, isso é, se ela tivesse coragem para isso! Por causa do álcool, ontem a noite ela propôs matrimônio ao duque mais temido de soul society e que todas cobiçavam; falou na cara dele que ele deveria a tomar como esposa… apenas de lembrar disso, a jovem tinha, no mínimo, três crises de ansiedade. E o pior de tudo, era que ela não lembrava de mais nada depois da proposta repentina e sem noção dela.

Se pudesse, ela pegaria suas coisas e iriam para o fim do mundo, contudo, ela conseguia imaginar claramente a imagem do seu irmão tentando se matar e pedindo para ir com ela. Agora ela estava sem escapatória, não tinha para onde ir e não tinha como conviver no mesmo teto que Byakuya.

— Orihime!

As portas do seu quarto foram abertas, revelando um Sora extremamente preocupado. Ele andou até a irmã, ajoelhando-se em frente a ela e pegando em suas mãos com extremo cuidado.

— Me diga, minha linda garota… — sua voz soava lamentável. — Por que… por que não quiseste comer?!

Orihime sorriu um pouco nervosa, ela não podia contar ao seu irmão mais velho que pulou o café da manhã com todos apenas para evitar o duque Kuchiki, afinal, qual a loucura que Sora faria após saber isso? Nem mesmo ela sabia.

— I-Irmão, veja bem, estou um pouco indisposta e não senti fome alguma, por isso não quis comer nada de manhã… — Ela se sentia mal ao mentir para o seu irmão, mas não havia outra alternativa.

Depois disso, o assistente do Inoue veio o buscar pessoalmente e o homem foi arrancado do quarto aos berros, uma visão que ela estava se acostumando aos poucos. Depois que Sora se foi, a ruiva estava planejando como viveria sua vida a partir de agora.

"Se bem que… a minha conclusão não estava errada…"

Seu ato de ontem foi fruto do seu desespero interno, pois Ichigo estava a procurando e logo a encontraria. Não importasse o quão ela se mostrasse calma, sempre permanecia inquieta por dentro… A conclusão de casamento era correta, caso ela se casasse com alguém aqui, as chances de Ichigo a recuperar iriam quase para zero, entretanto, o problema era que ela tinha feito a proposta para alguém que não deveria!

— Ficar aqui trancada não é bom — disse Riruka. — Por que a senhorita não dá uma volta no jardim?

Sua amiga tinha razão, ficar trancada não era bom e precisava pensar em um jeito de reverter sua situação, e talvez uma volta no jardim pudesse esclarecer sua mente. Seguindo a sugestão dela, se arrumou para descer e caminhar no jardim, contudo…

"Volta, volta, volta, volta!!"

No meio do seu caminho, ela encontrou o homem que a atormentava em seus pensamentos desde que acordou. A Inoue simplesmente seguiu seus instintos e fugiu para o caminho contrário ao dele, e assim foi o seu dia. No almoço, na hora do chá e até na caminhada noturna, ela estava o evitando o dia todo.

| ⊱❆⊰ |•

Haviam se passado dois dias, dois dias que Byakuya andava pela mansão e só conseguia ver um vulto alaranjado correndo dele. Se ele ficou zangado?

"Bastante… divertido", pensou ele, dando um minúsculo sorriso.

Ao contrário das outras pessoas, ela fugia de vergonha e não de medo. Para ele, era engraçado vê-la entrar em desespero toda vez que o via, por isso ele passou bastante tempo — de propósito — andando pela mansão e cruzando com ela. Um novo passatempo ou não, o homem internamente se divertia bastante com as reações dela, era… prazeroso brincar com a jovem.

Dois dias atrás ela o pegou de surpresa com uma inusitada proposta para o problema dele, entretanto, ele sabia que ela não estava sóbria ao propor algo assim, mas desde esse dia… o temível duque mudou totalmente sua visão dela.

Hoje ele não iria a atormentar, tinha sido convocado ao palácio real junto de outros nobres, uma reunião seria feita nesta tarde.

— Virá comigo? — indagou o duque, para o corvo que estava em cima da mesa.

O corvo parecia pensativo, se envolver nos assuntos do palácio não era do seu feitio, mas assustar os nobres era. O pássaro balançou a cabeça, afirmando que sim e não demorou muito para partirem rumo ao castelo imperial.

— Pensei que ficaria… afinal, fizeste uma nova amiga. — Byakuya olhou para a ave, seus olhos gélidos eram como lâminas.

O corvo abaixou a cabeça, evitando contato com seu dono. A carroça parou, salvando-o do temível duque.

— Podemos conversar uma outra hora, certo — O homem ajeitou seu agasalho, enquanto a ave pousou em seu ombro. — Tenza Zangetsu?

Os olhos da ave negra brilharam e a porta da carruagem foi aberta. Com sua impecável elegância, o duque desceu em frente ao palácio da família real, rodeado de outros nobres. Todos abriram espaço, a aura tranquila e gelada impedia que aqueles em sã consciência se aproximassem dele sem cuidado algum, os olhos afiados como cem lâminas faziam com que ninguém pudesse fazer contato visual com ele. A ave negra em seu ombro apenas dava mais medo nas pessoas, afinal, todos sabiam que o mensageiro da morte — como são conhecidos os corvos — era o mascote do temível duque.

"Incrível que um homem assim perca para mulheres solteiras e sanguinárias", pensou o corvo.

Dentro da sala de reuniões, vários nobres importantes estavam conversando entre si, enquanto bebiam e comiam alguma coisa, como se fosse algum tipo de banquete. Hoje ele não queria socializar, então Tenza Zangetsu apenas mostrou que iria voar em qualquer um que aproximasse e todos desistiram de falar com o duque — ou quase todos.

— Byakuya.

Uma voz preguiçosa chamou seu nome, tamanha ousadia que a maioria dos nobres não se atreveriam em fazer. Um homem alto, com o dobro de tamanho dele e com uma aura assustadora.

— Zaraki. — Ele olhou para o homem que usava um tapa-olho.

Por incrível que pareça, aquele era seu melhor amigo. Zaraki Kenpachi, o homem mais sanguinário do império das almas e que é temido por todos os outros reinos; que começa guerras e adora matar qualquer um que se meta em seu caminho, e que…

— Como vai a Retsu?

Tem medo da própria esposa.

— Bem, chegará logo mais. — respondeu ele, sem usar seu típico tom zombeteiro e preguiçoso. — Seu corvo parece mais assustador que eu, então ficarei aqui.

Eram dois amigos que odiavam socializar, a não ser que precisam socializar usando suas próprias espadas. Embora um deles que sempre procura encrenca e o outro evita ignorando, ambos nunca fugiam de nenhuma luta ou desafio e ajudavam um ao outro.

— Falando na Retsu, hoje ela comentou que você deveria casar logo, e eu concordo. — começou Zaraki.

— Concorda? — Byakuya o olhou confuso.

— Sim, concordo para que ache uma esposa que te meta a coleira de uma vez por todas! — Ele riu de forma sádica, fazendo as pessoas ao redor se afastarem rapidamente. — Aquela nanica não era para você, de qualquer forma. — Kenpachi cruzou os braços. — Então? Vai esperar ficar mais velho e casar com uma jovem mimada do caralho que provavelmente vai te enganar?

Matrimônio era algo muito importante para a nobreza, unia duas famílias, juntava duas famílias, formavam laços entre duas famílias e o principal… dobrava a forma de duas famílias na sociedade. Continuar a prestigiosa linhagem de sua família era de suma importância e o duque sabia muito bem disso.

— Hum… — Byakuya sorriu. — Tenho um casamento em mente. — revelou ele.

— Casamento? — Zaraki repetiu, surpreso por ver um sorriso no rosto do amigo.

— Sim.

— Seu?

— Com certeza.

— Isso… — O homem ficou mudo por breves segundos, como se estivesse formulando a notícia que recebeu. — Então… Eu posso lutar com ela?

Byakuya se virou e saiu andando, ignorando totalmente o amigo e até mesmo fingindo que nem conhecia ele.

— Ei, maldito! Não me ignore!! — exclamou ele.

Apenas Zaraki Kenpachi tinha a ousadia de dirigir a palavra de tal forma para o duque Kuchiki. Quando o imperador, Genryuusai Shigekuni Yamamoto, adentrou, todos curvaram-se até o monarca sentar-se em seu trono no salão. Diferente de outros reinos e reis, o monarca das almas era alguém que consultava as pessoas que trabalhavam consigo e pedia suas opiniões sobre assuntos importantes, afinal, ele tinha certeza absoluta na lealdade de seus súditos.

— Levantam-se — ordenou ele. — Pedi para que se reunissem aqui hoje pois tenho notícias a dar. — O velho tinha uma postura imponente, digno de um imperador. — Mesmo com alguns desvios, o tratado de paz com o reino de Karakura foi um sucesso! Um banquete será feito em comemoração a isso, reunindo ambos os reinos.

Byakuya franziu a testa por alguns segundos, como se a notícia que a família real de Karakura iria vir para o reino das almas o incomodasse. Os nobres aplaudiram por breve segundos, parando para dar espaço para o imperador continuar.

— Também gostaria de alertá-los que, em um futuro próximo, poderemos entrar em guerra com os outros reinos a qualquer momento, afinal, a paz que obtivemos com Karakura despertou alerta em outros continentes.

O clima ficou tenso, a situação era séria e quando pensavam que poderia melhorar, sempre tinha um porém. Tudo começou com o despertar do poder do Deus da destruição, o reino das almas foi abençoado com tal poder e agora os outros reinos estavam em busca do da Deusa da criação. Byakuya Kuchiki era o portador do poder da destruição.

A reunião durou por algumas horas, acabando tarde da noite depois de alguns assuntos discutidos. Se uma guerra acontecesse, eles estavam em vantagens de diversas formas e poderiam ganhar, contudo, o preço poderia ser caro se não tomassem os devidos cuidados.

— Estranho…

O duque batia com o dedo na madeira da carroça, enquanto parecia inquieto com alguma coisa. Ele tinha a leve impressão que esse banquete iria lhe causar alguma perda, que poderia lhe dar algum trabalho estressante no futuro. Quando chegou de volta à mansão, o mordomo o esperava, mas Byakuya o dispensou e disse que só iria para o seu quarto.

No caminho, ele deu de cara com a mulher de longos cabelos alaranjados e sem perceber, deu um pequeno sorriso imaginando já a fuga da jovem.

— Não precisa correr. — disse ele. — Eu não vou te morder.

As bochechas da ex-princesa ficaram vermelhas, mas ela tratou de manter a postura e engoliu seu nervosismo.

— E-Eu não estava fugindo, uh, talvez… — Ela suspirou. — Sinto muito se parece dessa forma…

Orihime não tinha argumentos, então apenas se desculpou pela sua atitude infantil. Deveria agradecer por ele não estar irritado com ela, mas ainda estava se sentindo constrangida pelo que aconteceu na noite depois do baile.

— Eu também gostaria de dizer que…

Byakuya a observou atentamente, sua expressão não mudava em nenhum instante e ele parecia um boneco sem vida. A atenção dos dois foi desviada para o corvo que abriu as asas em agitação.

— O que houve? — indagou o duque.

— Ele está bem? — Orihime olhou preocupada para a ave.

Tenza não estava passando mal, ele estava desesperado ao se dar conta de algo.

"O príncipe herdeiro, seu ex-noivo, está a procurando por Karakura inteira"

" O tratado de paz com o reino de Karakura foi um sucesso! Um banquete será feito em comemoração a isso, reunindo ambos os reinos"

As palavras da fiel empregada da humana que gostava e do monarca das almas vieram à sua mente assim que viu a ruiva. Ele sabia que o príncipe herdeiro era o ex-noivo a qual ela fugia, e esse mesmo príncipe estará em um par de dias no reino! Se tudo for assim, então ele levará a humana que lhe dará doces embora! O corvo virou a cabeça para o duque, sua vingança estava em planejamento, entretanto, teria que adiar ela se quisesse se livrar do maldito príncipe! Ele sabia de tudo que se passava na cabeça de seu dono.

Quando presenciou a cena da ruiva embriagada e de seu dono, Tenza Zangetsu quase morreu de raiva. Então Byakuya tinha seduzido a pura humana que lhe dava doces?! Ele não deixaria isso barato. Na metade da noite, começou a bicar o rosto do duque até o mesmo o jogar fora de seu quarto.

A ave negra recolheu as asas e virou sua cabeça para o ouvido de Byakuya, sussurrando tais palavras:

"O príncipe herdeiro, Ichigo Kurosaki, está atrás de sua perda, ele a encontrará e a levará consigo para SEM. PRE."

Embora parecesse que as palavras não causaram efeito algum contra o duque, sua mente estava pensativa demais. Olhou novamente para a mulher que encarava ele e o corvo de maneira confusa e lembrou-se dos breves momentos que teve com ela, tranquilos e em paz. Lembrou-se também da resposta que veio em sua mente assim que escutou a proposta dela:

"Por que não?"

Uma bela dama, sábia, elegante, orgulhosa e o principal de tudo: zelosa. Um príncipe a perdeu e ele tinha um espaço vazio ao seu lado, por que não ser egoísta e colocá-la na cadeira de duquesa? Por que não?

— Senhorita Orihime

"É uma ajuda para os dois lados, não seria bom se livrar dos inúmeros arranjos de casamento que lhe cercam?"

— Eu acho que você tem razão.

"Não a deixe ir"

— Por que eu não a tomo como minha esposa?

"N. U. N. C. A."

— Poderia me acompanhar até o meu escritório para discutirmos melhor sobre isso?

Zangetsu odiava aquele príncipe com todas as forças! Bom, a humana casada com o seu mestre será benéfico para ele. Por dentro, ele sorriu satisfeito.