Bacanal

17 Opostos Complementares - Parte 1


Notas iniciais
Já passou da meia-noite? Haha ótimo, não aguento esperar mais :))) Boa madrugada, meus amores, capítulo novo para vocês! Um pequeno aviso. Houve uma mudança singela na lógica dos capítulos. Era para esse ser a segunda parte do anterior (O Gato Vermelho), mas ele acabou se desenvolvendo de maneira completamente independente e diferente do que eu havia imaginado. De maneira que vou considerar o cap passado como completo e dividir esse aqui em duas partes. Agora sobre o capítulo em si... ah... vejam bem... eu... eh... acho que... Meu Zeus, só leiam kkk, na moral... só leiam... ps.: o inicinho do cap é meio nojentinho, então, se estiverem comendo algo, melhor deixar para depois... só avisando.. vai que...

Parte 1 — Espólios

Nada em mim foi covarde,

Nem mesmo as desistências:

Desistir, ainda que não pareça,

Foi meu grande gesto de coragem.

— Caio Fernando Abreu

O caos após o caos. Parecia estranhamente apropriado.

**

Depois dos tiros impossíveis de Eros, aquele gigante estava condenado. E não demorou a desmoronar no chão olimpiano, os olhos vazados e sangrentos, coberto de furos. Ainda sim era uma visão melhor do que o que restou do monstro que fez a loucura de enfrentar Zeus, e agora parecia um brinquedo de plástico retorcido por excesso de calor, exalando um odor horrível de carne queimada. Porém, por mais que aquilo pudesse causar ânsias em indivíduos com estômagos sensíveis, nada se comparava ou o preparava a para a visão do gigante de Dionísio.

Ele estava simplesmente destroçado.

A cabeça quase fora decepada do resto do corpo, ligando-se ao pescoço apenas por liga fina de pele, caída ao lado do monstro num ângulo bizarro. Era fácil perceber que faltava um pedaço enorme da garganta dele, sobrando apenas retalhos ensanguentados, feitos por dentes afiados. Mas não se via aquele bocado de carne em lugar algum, o que sugeria que talvez tivesse sido... devorado. Ele não tinha um dos braços a partir do cotovelo, apenas o osso do rádio despontando para fora. A barriga estava aberta, estripada por garras, e metros dos seus intestinos se espalhavam ao seu redor. Os calcanhares feitos em restos de ligamento sanguinolentos. Uma perna impossivelmente dobrada em três lugares diferentes...

Como eu disse, destroçado.

A verdade é que aquele lançamento não fora nem de longe o suficiente para parar o felino, e tirando a calda machucada e o a construção demolida, fizera muito pouco estrago. Em Dionísio, digo. Por que para o gigante, foi a sua sentença de morte. Deixando um Baco com instintos assassinos completamente possesso e furioso. E ele só largou a sua garganta quando conseguiu arrancar um pedaço dela.

Mas tinha acabado.

Os três monstros estavam no chão. A chuva tinha parado. Zeus alisava a barba acinzentada e impecável, totalmente incólume, os olhos cor de tempestade nos inimigos caídos. Apolo curava os três dedos quebrados de Atena, e as suas próprias costelas trincadas por uma queda dura. Dionísio voltava a sua forma pequena e delicada.

— Ei! – ele gritou sem aviso, impossivelmente alto. Chamando a atenção de todos no campo de batalha. Ainda estava completamente nu, a pele clara coberta de sangue preto e oleoso, terra e poeira. Os cabelos moldurando selvagemente o seu rosto, que ainda parecia ensandecidamente feroz e sombrio – Está feito. O Tártaro caiu aos nossos pés hoje – ele anunciou, um sorriso muito branco brilhando afiado contra a face suja – A hora de lutar acabou. Está na hora de... – ele parou sem aviso, fazendo uma careta incomodada. Então passou a língua pelo céu da boca e cuspiu um punhado de sangue preto no chão, antes de continuar como se nada tivesse acontecido – Está na hora celebrar a vitória...

Então pulou de cima do corpo do gigante morto e retalhado, de onde estava discursando calmamente, e começou a correr de volta para o Palácio do Vinho, parecendo feliz da vida. Saltitando e rebolando o bumbum empinado e fofinho.

Os três olimpianos olharam um para o outro. Louco, louco, louco. Era o que todos pensavam, embora sobre perspectivas diferentes. Atena parecia chocada, no máximo que sua expressão racional e sóbria permitia. Zeus apertava os lábios, querendo rir, divertido e orgulhoso. Hermes sempre seria o seu favorito, mas não negaria ter um afeto especial por aquele filho, talvez por ter sido pelo qual mais se esforçou para manter vivo. Além do mais, tinha de admitir, além de ter herdado a sua força e parte dos seus poderes, aquele menino era muito engraçado. Já Apolo... bem... Ele definitivamente está tentando me matar. Pensou, apertando os dentes, sem conseguir desviar o olhar daquelas nádegas branquinhas, se exibindo na sua frente, como se elas contivessem o segredo da imortalidade. Do modo mais excitantemente torturante possível...

Mas, no fim, todos estavam lá dentro.

**

Ninguém jamais saberia explicar como conseguiam fazer uma festa daquelas em poucos minutos, mas meia hora depois o lugar já estava lotado. Vários deuses que não tinham participado da luta vieram agradecer e homenagear os guerreiros, que salvaram suas casas da destruição. Deméter, Héstia, Hipnos, Hebe, Íris, Príapo e mais uma porção. Ares havia chegado em algum momento, saindo do salão pouco depois, indignado por ninguém ter deixado um gigante para ele. Hera não apareceu, mas, como esperado, ninguém chegou perto de se importar. Artêmis e Poseidon ainda estavam em algum lugar do mundo mortal, sem saberem do acontecido.

Mas isso não importava agora. Nem as ausências. Nem as presenças. Nem o fato da ala leste do castelo estar complemente interditada e destruída. Havia algo nas batalhas que deixava o ar com cheiro de êxtase. Violento e primitivo. Audaz e alucinante. E em pouco tempo, as divindades se desmanchavam naquilo.

E em seus volúveis volumes nas taças de vinho.

Mas não Apolo. Apolo bebia apenas as formas de Dionísio.

O menino tinha vestido o chiton azul outra vez, depois que seus servos lhe deram um banho rápido, mas ele cobria apenas a parte debaixo, no que Dionísio não tivera paciência de esperar que prendessem os broches nos seus ombros, e saiu para confusão com o tecido claro preso somente por um cinto fino em volta da cintura.

Cachos bagunçados e úmidos. Pés pequenos descalços. Peito delicado, barriga lisa e mamilos vermelhos a mostra de todos. Ele dançava alucinadamente num palco baixo, cercado pelas suas bacantes. Bamboleando o quadril estreito, passando as mãos pelos cabelos, e movendo o corpo pequeno e seminu de forma tão flexível e luxuriosa que não havia sequer um único indivíduo naquele recinto que não tivesse lhe decido um olhar demorado e cuidadoso. A maioria esmagadora acompanhada por um dilatar de pupilas cheio de cobiça.

Apolo estava completamente hipnotizado. Poderiam bater na sua cara, puxar-lhe os cabelos e xingarem a sua mãe que é provável que não ligasse nem sentisse. Só conseguia olhar para ele, mal piscando. No que mesmo respirar foi ficando cada vez mais difícil.

Apolo nunca sentira tão tolo em toda a sua existência. A imagem do menino rebolando lascivamente revezava-se com a visão da sua forma animalesca em sua mente, destruindo o gigante com suas garras e dentes. Cuspindo o seu sangue indiferentemente. E sorrindo em cima do seu corpo morto depois disso.

Ele era assustador.

Era perigoso, selvagem e carnívoro.

Era sombrio, louco e imprevisível.

Era a coisa mais linda e sensual que ele já tinha visto na vida.

Sem que ele o contivesse, um sorriso irresistível foi se abrindo nos seus lábios.

Ele realmente, realmente achara que o tinha machucado? Realmente acreditara que era capaz disso? Que ele o odiaria por um punhado de nódoas na sua pele macia? Que não aceitaria algumas marcas de dente? Que tinha extrapolado todos os limites? Que tinha sido inaceitavelmente violento? Por que isso lhe parecia tão absurdamente ridículo agora que ele não aguentou e começou a rir.

Não conseguia decidir que aquilo fora o cúmulo da arrogância ou da estupidez. Ou mesmo da própria ignorância. Não seria capaz nem de chegar perto de Dionísio se ele não quisesse, pensava agora, apertando a taça cheia contra o ponto dolorido onde ele tinha acertado ao lhe empurrar mais cedo, quando mais machuca-lo de verdade. Aquilo era tão irrealmente idiota que a sua barriga começou a doer de tanto rir.

“— Você fala de Dionísio como se ele fosse uma escultura de cristal que você vai quebrar a qualquer momento. E isso está muito longe da realidade – Mercúrio cortou – De todos os amantes e amores que já teve, ele é o único que você não pode e nunca poderá destruir. Ele sempre estará ali. É pequeno e bonitinho, sim. Mas não é fraco nem frágil. Não é um mortal impotente ou uma criança indefesa. Dionísio é um deus. Um filho de Zeus. O mesmo sangue que corre em mim e em você corre pelas suas veias. E ele é tão forte e poderoso quanto qualquer um de nós.”

As palavras do irmão despontaram na sua memória.

Hermes e a sua inteligência irritante... Só errou em uma coisa, irmão. Apolo pensava, ainda gargalhando. É bem provável que ele seja muito mais forte do que qualquer um de nós...

— Apolo? — uma voz incerta e suave o chamou.

O Sol teve que lutar contra a histeria que o estava acometendo e limpar as lágrimas de diversão no canto dos olhos antes de conseguir dar atenção a quem o chamava.

Que, por acaso, era Eros.

**

— Alguns minutos atrás -

Depois que Hermes desmaiara debaixo dele, o Cupido passou uns bons minutos desesperado, tentando chamá-lo. Mas ele permaneceu completamente inconsciente, esgotado até limite. A única coisa que tranquilizou o deus alado foi que o peito dele continuou se movendo, erguendo-o e baixando-o suavemente, num ritmo lento e constante, indicando que ele estava respirando.

As asas dele começaram a se recolher sozinhas, tirando-lhe as últimas reservas de energia, deixando o corpo magro de Hermes direto no chão, e fazendo o Amor morder o tecido da túnica dele para não gritar pela dor alucinante que isso lhe causou. Elas se regenerariam depressa, mas precisavam estar dentro dele para isso. E logo desapareceram na pele lisa das suas costas, deixando apenas um rasgo reto na sua túnica para trás.

Eros largou o rosto e o peso em cima de Hermes, sem poder mover sequer as pálpebras, que começaram a pesar irresistivelmente. Ele não desmaiou completamente, apenas deixou os olhos fechados, brincando no limite vago da inconsciência. De modo que sentiu quando um par de mãos quentes e cuidadosas o tocou em diversos pontos, examinando pulsação, temperatura e qualquer fratura que pudesse piorar ao se mover. Ouviu vozes, mas não conseguiu distinguir palavras. Soube estar sendo pego no colo por alguém, de maneira lenta e deliberadamente delicada, e mesmo assim não conseguiu evitar que um gemido de dor escapasse pelos seus lábios. Aquele colo era quente, firme e tinha cheiro de mel com cereais. Apolo. Ele pensou acertadamente, logo antes de ser passado para outras mãos. Esse novo aconchego era menor, mais frio, sólido e equilibrado, com um perfume extremamente familiar de sândalo e hortelã. Anteros...

Sua consciência continuou oscilando enquanto o irmão o carregava para dentro. Sentia a pele fria do pescoço dele contra a sua bochecha, tão lisa e perfeita quanto a sua, os braços cuidadosamente apertados em torno de si, o cheiro conhecido e calmante nas suas narinas, e permitiu-se relaxar completamente. Anteros estava ali. Estava com ele. Tudo ia ficar bem agora.

Passaram-se vários minutos antes que ele começasse a despertar de vez, sentindo a borda fria do metal de uma taça sendo pressionada suavemente contra seu lábio inferior, e abriu a boca para permitir a passagem da água. Sua visão foi sendo desnuviada, e ele percebeu-se olhando para o par de olhos cinza-claros e quase translúcidos do irmão, que segurava o copo para ele beber. Quis lhe agradecer, mas a sua voz quase não saiu.

— Não se esforce – Anteros ordenou, colocando o copo vazio numa mesa próxima.

Eros piscou algumas vezes, tentando voltar a si. Notando-se sentado na poltrona púrpura da sala do Palácio do Vinho. Um descanso seria muito bem vindo, e ele suspirou longamente, o corpo solto contra o estofado. Mas havia algo que ele precisava saber e nem a sua fadiga o demoveria.

— Hermes... – conseguiu murmurar – Onde está Hermes...?

Anteros não se surpreendeu com aquela pergunta. Conhecia Eros como conhecia a si mesmo e vira o modo como olhara para o deus dos ladrões, a maneira como ficou irritado por ele tê-lo feito soltar a sua mão, e tinha uma ideia precisa do que o fizera entrar naquela luta com desespero, apenas confirmando isso ao encontra-lo estirado contra o corpo de Hermes, que ele claramente tinha salvo de uma queda feia. Aquilo não o agradava exatamente. Nada que pudesse machucar seu irmão o fazia. Mas não podia culpar Mercúrio por isso. Eros nunca conseguiria conter o que sentia. Seria pedir para que abdicasse da própria natureza. Por isso, apenas respondeu-lhe calmamente.

— Apolo o trouxe para dentro do castelo. Está cuidando dele agora.

Eros largou um suspiro comprido. Perdido entre o alívio em saber que ele estava sendo cuidado e a angustia por não ter mais nenhum detalhe.

— Eu o examinei enquanto ainda estava praticamente inconsciente – Anteros continuou – A exceção de alguns arranhados mínimos, você está milagrosamente intacto. Mesmo assim, parecia sentir dor, embora eu não tenha encontrado o motivo – ele disse, uma preocupação escapando quase imperceptivelmente entre a impassibilidade fria das suas palavras, fazendo Eros sorrir brevemente.

— São as minhas asas... – explicou num murmúrio, causando um leve erguer de sobrancelhas no outro – Não se preocupe – pediu, embora soubesse ser em vão – Elas vão melhorar, só precisam de um tempinho...

Não seria assim tão simples. Elas certamente eram capazes de se curarem sozinhas. Mas ele não poderia usá-las por meses, o que pesou no seu coração, fora que não seria um processo livre de dor. Mas ele não iria reclamar por isso. Antes um pedaço dele do que um Hermes inteiro ferido.

Anteros assentiu suavemente, erguendo-se da posição inclinada em que estava para falar com o irmão.

— Como se sente? — perguntou com seriedade, olhando-o fixamente de cima.

— Um pouco tonto. E muito cansado. Mas bem – Eros respondeu com sinceridade, ignorando apenas as pontadas doloridas nas costas.

— Consegue me ouvir com clareza? — o deus da Ordem insistiu.

— Ah, sim... – Eros murmurou, estranhando um pouco aquela pergunta.

— Excelente – ele cortou, colocando ambas as mãos na cintura antes de começar...

Anteros já tinha lhe passado muitos sermões nessa vida, mas nenhum, jamais, chegaria arrastando-se aos pés daquele.

Deuses, ele falou por uma eternidade. Apontando mil e uma perspectivas e ângulos diferentes sobre como o que ele fizera fora imprudente, descuidado, insensato, inconsequente e perigoso. Eros nunca o vira tão perto de perder a sua calma gelada. Ele falava olhando nos seus olhos, sem lhe dar a mínima chance resposta, fazendo-o se encolher no encosto do estofado. Até que ele enfim parou, inclinando-se na sua frente, escavando seus olhos com as íris dilatadas, o único indício físico da sua fúria silenciosa. Viu os braços dele se mexendo e, por momento assustador, realmente achou que ele fosse dar-lhe um tapa, levando-o a fechar os olhos e se encolher ainda mais. Mas Anteros fez algo muito mais chocante do que isso.

Anteros o abraçou.

Foi tão rápido e breve que ele mal conseguiu registrar, um aperto frio de meros segundos, que nem teve chance de corresponder. Apenas conseguiu encará-lo depois, completamente embasbacado.

— Estou orgulhoso de você – a Ordem disse, com o máximo de expressão que já vira no seu rosto desde que ele tinha nascido. Mas voltou ao seu tom totalmente austero e uniforme antes de completar – Mas se me preocupar desta maneira outra vez, tenha certeza de eu mesmo mato você.

Eros simplesmente não conseguiu não rir.

— Não tema, irmão – ele disse, divertido. Abrindo um sorriso sedutor. Ridiculamente feliz com o pequeno espólio que fora aquele abraço ligeiro e gelado – Não pretendo fazer absolutamente nada sequer parecido com isso nunca mais na minha vida! – afirmou enfaticamente, arregalando os olhos pretos.

Anteros piscou calmamente e assentiu em aprovação. Embora tivesse certeza que no momento em que o irmão visse alguém que amava correndo um risco semelhante, esqueceria aquela promessa em dois segundos. Mas era o máximo que conseguiria obter.

Eros encostou a nuca na poltrona alta, com um suspiro de catarse. Apenas para franzir o cenho e levantar a cabeça numa expressão de surpresa.

— Isso é música? — perguntou, num tom de incredulidade, finalmente percebendo o som ritmado que vinha do salão próximo.

— Sim – Anteros respondeu com simplicidade, e quase viu um ponto de interrogação enorme brilhando na testa clara do irmão – Dionísio colocou em prática aquilo de denominou como “banquete da vitória” – explicou, sem entonação – O palácio está se enchendo rapidamente.

Eros chegou a abrir a boca para perguntar se Dionísio tinha enlouquecido. Mas, no meio do caminho, concluiu que aquela era uma pergunta tola demais para se fazer. Anteros pareceu ter lido seu princípio de indignação, porque acrescentou:

— Dionísio derrubou um gigante sozinho, e correu para o palácio logo depois. É provável que nem tenha consciência de que você participou da justa – disse calmamente. A verdade é que, julgando pelo que viu do menino, não acreditava que ele tivesse consciência de quase nada do que estava fazendo. Mas não encontrou razões para verbalizar isso.

— Hm... – Eros resmungou, ponderando as palavras do irmão. Por fim, acabou sorrindo sozinho – Ah, Dísi... – murmurou para si mesmo – Você nunca perde a chance de trazer o caos...

Um movimento rápido de Anteros lhe chamou a atenção e ele concentrou-se de volta no irmão, para encontra-lo numa postura ereta e estranhamente retesada, os orbes claros no nada.

— Que foi? — quis saber. E a Ordem moveu apenas os olhos na sua direção.

— Não está sentindo? – perguntou uniforme e frio, antes de voltar as íris para a entrada da sala – Papai está aqui.

Eros nem teve tempo de absorver a informação antes de Ares entrar na sala.

A presença dele o atingiu como um raio do próprio Zeus.

A áurea de Ares era uma antítese. Uma contradição cruel e exorbitante. Uma incoerência vulgar e intensa. Fazia querer lutar e fugir, mandar e obedecer, resistir e desistir, agredir e se encolher. Era uma bomba de adrenalina instantânea, violenta e opressiva. Era caustica e fria ao mesmo tempo. Era a raiva e o contentamento. A dominação e a submissão no mesmo elemento. O que decidia o polo para o qual você correria, o que determinava a qual comportamento se entregaria, era o qual forte você acreditava ser. E para o deus da guerra, era aquilo que separava quem valia o seu tempo.

Eros quis se encolher. Foi o seu primeiro instinto. Nem viu que tinha se levantado, como um soldado raso vendo seu general. As dores e o cansaço completamente esquecidos.

Ele estava furioso, isso era claro. Quase podia sentir aquela raiva permeando o ar. E os próprios móveis sairiam em disparada do seu caminho se pudessem se mover. Porque Ares parecia uma explosão encarnada.

Tinha voltado ao Olimpo há poucos minutos, apenas para deparar-se com aquela carnificina sangrenta. Um trio de cadáveres gigantesco. Uma carnificina do qual não tinha participado, e só soube dos detalhes quando procurou tirar satisfações no local habitado mais próximo, e ouviu a história pela voz paciente e condescendente de Atena. Deuses, como ela o irritava. Queria destruir aquela calma dela na porrada. E ainda teve que ouvir o pai zombar dele, dizendo que não se preocupasse porque, no fim, ele não tinha sido necessário. Que Dionísio tinha feito o trabalho pesado. Quando viu aquele toquinho de gente quase nu, dançando como uma garota no meio do palco, como se nada houvesse acontecido, teve vontade de destruir uma cidade inteira.

Talvez fizesse isso, decidiu, finalmente notando que tinha entrado no lugar errado. Mas que caralho! Aquele lugar era todo mal feito. Exagerado. Pouco prático. E opulento. Cheio de coisas desnecessárias. E nem um único corredor no devido lugar. Teria saído destruindo móveis se não tivesse sentido aquelas aureazinhas familiares. Vejam se não eram dois dos seus bastardinhos ali, no meio da sala. O Iceberg e o Mini-Afrodite. Colados um no outro como se fossem siameses. Ressaltando aquela semelhança negativa e estranha. Eram tão miudinhos. Não que um e oitenta de altura fosse considerado baixo em qualquer cultura. Mas para quem tinha dois metro e quinze, todo mundo parecia pequeno.

Parte da historia contada pela deusa da sabedoria estava dançando irritantemente na sua cabeça. Não fazia o menor sentido! Era tão absurda que por um momento pensou que ela estivesse brincando com ele. Mas Atena não tinha a mínima ideia do que era senso de humor. E aquilo estava coçando o seu cérebro.

Eros engoliu a seco um milhão de vezes ao ver o pai trotar na sua direção, fuzilando-o com os olhos pretos. Zeus do céu, o que ele tinha feito? Nunca tivera a atenção de Ares por mais do que alguns segundos e agora ele o encarava como se não existisse mais nada no planeta. E o Cupido achou que poderia se desintegrar ali mesmo. Estava tremendo, não conseguia evitar. Aquele olhar lhe trazia memórias tão dolorosas que era difícil respirar. As palavras antigas ainda doíam dentro dele. O dia em que percebeu que o pai nem sequer o odiava, porque não se importava o suficiente. Porque o desprezo era maior que tudo. Não tinha contado aquilo para ninguém. Nem para o irmão. Nem para a mãe. Nem para o melhor amigo. Era um fardo que ele carregava sozinho. Um espinho afiado no seu coração.

Arquejou ao sentir os dedos gelados de Anteros se entrelaçando nos dele. O irmão tinha percebido o seu estado de espirito, o seu medo evidente, e pegou a sua mão discretamente atrás das costas, apertando a palma levemente. Apenas para lembrá-lo que ele estava ali. Que não estava sozinho. Que nunca estaria. E aquele toque raro e simples acalmou seu coração. Pode soltar o ar que prendia sem ver, deixando parte da tensão escoar para fora dele. Ah, Anteros... Ele pensava, parando de tremer. O que eu seria sem você?

Ares parou na frente dele, fazendo sombra com a sua altura descabida. Encarando-o como se nunca o tivesse visto na vida. Não o cumprimentou. Nem trocou cortesias. Apenas desceu as íris pelo filho antes de perguntar:

— Atena afirmou, categoricamente, que você lutou com eles hoje. Que pegou um arco comum, um punhado de flechas medíocres, voou a cima deles no meio da chuva e acertou ambos os olhos de um gigante. Disse que ninguém o estava esperando. Que ninguém o tinha chamado. Que simplesmente surgiu sem avisar, e sem desperdiçar um tiro mesmo a uma distancia absurda, o cegou completamente. E só por isso conseguiram derruba-lo. Ainda acrescentando o fato de ter salvado seu tio de uma queda que lhe custaria todos os ossos – ele disse, subindo os olhos devagar, para cravá-lo nos dele sem nenhuma misericórdia e quase acusar – É verdade?

Eros não estava prendendo o ar, porque sequer estava respirando. A presença do pai fora tão impactante que por momento tinha até esquecido que fizera tudo aquilo. E ouvir pela a boca dele foi a coisa mais bizarra que já tinha vivido. Dizendo assim, parecia grande coisa, e não um punhado de ações impulsivas e desesperadas como parecera a ele mesmo. No entanto, não pode negar nada. Só ficou olhando para o ele, sem saber o que dizer.

— Responda, garoto! – Ares rosnou, trovejando entre os dentes, sem o mínimo de paciência. Fazendo os dentes de Eros se chocarem dentro da boca.

Ele era tão grande. Tão violento. Tão assustador. Era um falcão irado perto de um beija-flor. Mas Eros não hesitou. Levantou os olhos para ele, aguentando a surra silenciosa daqueles orbes coléricos e respondeu.

— Sim.

Porque ele podia ser um passarinho, mas ele tinha garras. Havia descoberto isso hoje. No momento que foi necessário. Não houve duvida ou medo que o tenha detido. Não houve covardia ou vaidade que o mantivesse parado. Talvez não fosse competente o suficiente para cuidar de si mesmo. Mas iria até o Tártaro por alguém que amasse.

Ares estreitou os olhos escuros.

Ele estava morrendo de medo. Podia sentir no seu cheiro. Eros tinha pavor dele. Como tinha dos irmãos que ele deixara do lado de fora, no que Dionísio já havia deixado bem claro que eles nunca seriam bem vindos ali. O seu corpo estava o mandando correr. Se afastar. Se esconder. Se por a salvo daquele perigo. Mas ele continuava ali. Parado. Custando a respirar. Os olhos teimosamente firmes nos dele, sem vacilar por um único segundo.

Ares praguejou por dentro. Maldito. Ele se parecia tanto com mãe que chagava a doer. Os mesmos cabelos louro platinados. Os mesmos traços finos e delicados. A mesma voz aveludada, embora com timbre mais grave. Até o cheiro era parecido. Uma mistura de doce e apimentado, suave e quente ao mesmo tempo.

Inferno, aquele garoto o tirava do sério.

O deus da guerra lembrava-se perfeitamente do dia em que vira Afrodite pela primeira vez. E de como o derradeiro pensamento a passar na sua cabeça, era que ela seria a desgraça do Olimpo. Por que não haveria um único deus que não usaria de todos os seus recursos para tê-la. Não havia ninguém que não arriscaria tudo por aquela mulher. Ela era tão perfeita. Tão malditamente linda. Não existia quem não se dobrasse ao absurdo da sua beleza.

Há não ser ele.

Não que se importasse para o estrago que aquele ser causaria. Por ele, tudo podia acabar em caos e na ruína. A destruição o alimentava. A devastação o divertia. Queria mais era rir em cima dos destroços. E achou uma pena Zeus ter impedido isso a casando com Hefesto. Pobre criatura, pensou na época. Condenado a ser nada mais do que um peso para ela e um escudo para o Olimpo. Trocado, humilhado, traído, e ainda sim cegamente apaixonado. Era patético. Ele nunca deixaria levar-se dessa maneira. Jamais se rebaixaria desse jeito.

Ah, Ares, tolinho. Teria se espancado até a inconsciência se pudesse prever o futuro.

No fim, não foi a beleza dela que o arrasou. Não. Ele seria capaz de lutar contra isso. Os espartanos não o idolatravam por ceder a vaidades e luxurias tolas. E o belo não era nada para ele. Apenas mais uma coisa que poderia destruir. Tudo o que parecia frágil, fraco e delicado nunca recebera nada além do seu desprezo. Não foram os seus traços perfeitos, nem o seu corpo majestoso, nem mesmo a sua áurea prazerosa.

Foi o modo como ela olhou para ele.

Foi o modo como ela o viu.

Quando ficou sozinho com ela pela primeira vez, por uma coincidência do destino, tudo o que fez foi soltar um resmungo de descaso. Já esperando por uma das reações que ele causava. A maioria queria fugir. Correr para longe daquela violência descabida e assustadora. Encolhiam-se. Tremiam. Balbuciavam coisas sem sentido. Ou realmente se afastavam as presas. As vezes choravam de medo. Havia também aqueles que o desafiavam. Sentiam a sua força, seu poder de destruição, e não aceitavam estar abaixo disso. Era o caso de Zeus. Era caso de Poseidon. O caso de Apolo. E havia aqueles que o desprezavam. Que repudiavam a sua barbárie. Que odiavam a sua violência. Como Héstia. Como Hermes. Como Atena. Havia até quem o ignorasse completamente.

Mas ela não fez nada disso.

Ela olhou para ele e sorriu.

Não lutou ou fugiu da sua áurea em nenhum momento. Não o desafiou. Nem o ignorou. Apenas deixou-se conhecer tudo aquilo. Fechou os olhos e largou ar morno entre os lábios rosados. Ela sentiu tudo. A raiva descabida. O ódio irracional. A ira mais crua e visceral. O desejo por sangue. Por discórdia. Por caos. O descontrole e a destruição. Viu as ruínas da sua alma. Os demônios da sua escuridão. O veneno no seu sangue. Viu toda cólera, devastação e morte que havia dentro dele. Então abriu os olhos.

E sorriu.

— Gosto de você – ela disse simplesmente, a sinceridade brilhando no castanho quente das suas íris, quase escondidas pelo volume das suas bochechas coradas.

E aquilo o desarmou inteiro.

Gostar dele? Gostar dele?! Ela não podia gostar dele! Ninguém gostava dele! Era impossível! Podiam respeitá-lo, idolatra-lo, temê-lo ou odiá-lo. Mas qualquer coisa beirasse o afeto era... irreal. Absurda. Impensável. Ridícula. Seu pai não gostava dele. Sua mãe não gostava dele. Nenhum dos seus irmãos. Ele sabia. Não foi feito para ser amado. Não tinha nem ideia do que isso significava. Nunca recebeu um afago, um beijo carinhoso ou um olhar preocupado. E nunca achou que precisasse disso. Ele era a violência e a ódio. Era bárbaro e bruto. Era rude por fora e feio por dentro.

Então, por que raios ela o estava olhando daquele jeito? Como se ele fosse bonito. Como se ele fosse perfeito.

E por que isso fez o seu coração bater tão depressa?

Ele nunca chegou a entender o que aconteceu depois disso. Mas, a partir daquele momento, o mundo sem Afrodite perdeu todo e qualquer sentido. Ela o amou sem nenhuma reserva, sem nenhuma condição, sem nenhum medo. O amou do jeito que ele era. Nunca o idealizou. Nunca se assustou. Nunca tentou muda-lo. Nunca o olhou como se ele precisasse de conserto. Viu as suas cicatrizes e as beijou. Viu os seus demônios e os afagou. Via a sua fúria e ria dela.

— Forte como o pai. Mal-humorado como a mãe... – ela dizia, entre seus risinhos, olhando para o que sobrara de um cômodo que ele tinha acabado de destruir num acesso de ira, como se fosse apenas uma baderninha de criança – Passou? — perguntava, ficando na ponta dos pés para dar uns tapinhas afetuosos nos seus cabelos pretos. E ele apenas assentia, sem saber mais o que fazer – Que bom! – murmurava, com aquele sorriso que quase fechava seus olhos – Agora me dê um beijo, enfezadinho! – exigia, exibindo os lábios cheios num biquinho.

Céus, havia algo muito errado com a aquela mulher.

Mas não importava. Ares viciou-se nela, como seus pulmões viciaram-se em ar ao nascer. Era a sua metade. O seu complemento. Seu oposto preciso e perfeito. A única capaz de fazê-lo sentir algo que não fosse ódio e pensar algo que não fosse a guerra. Jamais poderia machuca-la. Jamais poderia abandoná-la. Precisava dela para existir. Ela era o seu sangue. Seu antídoto.

Sua fraqueza.

Maldita Afrodite, por que te amo tanto? Pensava, vendo os reflexos dela no rosto filho.

Quando Eros nasceu, soube que seria um problema. Era como vê-la miniatura, com olhos pretos e bochechas rechonchudas. Quando percebeu o amor exclusivo que tinha por ela se estendendo a aquele nenenzinho, aquilo o apavorou completamente. Não, não, não. Não precisava daquilo. Já estava aos pés de uma criatura, onde nunca pensou que ficaria, não se deixaria amortecer por mais ninguém. Aquele filhotinho louro, rosado e minúsculo! Seria um descuido tremendo. Nunca se arriscou a pegá-lo. Nunca quis ficar com ele muito tempo.

Os seus outros filhos nunca o assustaram tanto. Fobos e Deimos eram brutos e estúpidos. Harmonia era tola e distraída. Anteros era completamente indiferente. Eles eram distantes, fortes ou independentes. Ares sabia como lidar com eles. Mas Eros...

Eros complexo, intenso e amável. Eros era desconcertante.

O dia em que o viu preso e machucado entre os irmãos achou que perderia a cabeça. Se fosse qualquer outra pessoa ali, naquela mesma situação, ele sequer teria olhado na sua direção. Mas quando viu, já estava arrastando Fobos pelo pescoço. Maldito par de imbecis! Ele queria trucida-los. E quando percebeu isso, odiou-se por inteiro. Mas, que Tártaro, era como ver o medo nos olhos dela! As nódoas roxas na sua face. O sangue dourado no canto da boca. E isso não o tinha apenas irritado além do limite.

Isso o tinha machucado por dentro.

Sabia que não tinha conseguido olhá-lo com algo mais evidente que o desprezo. O desprezo que estava sentindo por si mesmo. Por não ser nem de longe tão forte quanto queria. Sabia que tinha sido duro com ele. Que o tinha ferido mais. Não conseguira evitar. Estava com tanta raiva. E sempre que isso acontecia, acabava destruindo alguma coisa. Quem sabe assim ele tomasse mais cuidado. Aprendesse a evitar riscos desnecessários. Amadurecesse e endurecesse um pouco mais. Deste modo, não ficaria tão vulnerável. Não o faria querer protegê-lo outra vez...

E lá estava seu Cupidinho, matando gigantes e salvando o Olimpo. Deuses, por que era tão difícil? Não querer afagá-lo. Não sentir orgulho. Ele continuava segurando seu olhar, com aquelas íris pretas. Implacáveis e avassaladoramente pretas. Porque tudo nele lembrava Afrodite, mas aquelas íris eram suas. E depois de tudo o que tinha lhe falado, esperava ver ódio dentro delas. Havia magoa e medo. Havia dor e vergonha. Havia embaraço e receio. Mas não ódio. Não. Tudo o que Eros estava pedindo com aqueles olhos negros, era que ele o visse. Que o considerasse. Que o amasse de volta.

Exatamente da mesma maneira como, hoje ele sabia, os seus olhos haviam pedido para Afrodite fazê-lo.

E talvez, apenas talvez, houvesse mais dele naquele filho do que em todos os outros juntos...

Quando Eros viu a mão imensa do pai vindo na sua direção, começou a fazer um testamento mental. Não acredito que vou morrer antes de dar uns beijos em Hermes, que desperdício! Pensava, cerrando os olhos. A verdade é que estava apavorado. Tanto que nem percebeu o rompante absurdo de passibilidade do irmão, que apertou os dedos entre os seus, tenso também. Porque nenhum deles esperou algo bom daquele gesto. Nenhum deles esperou algo que não fosse rudeza ou violência. Nenhum deles esperou aquilo.

Porque Ares simplesmente ergueu a mão e acomodou a palma na cabeça do filho. Admitindo sua derrota para si mesmo. Aceitando com coragem aquela desistência. Ele nunca teve chance contra o amor que emanava de Afrodite, por que pensou que teria contra o dele? Mesmo o general mais estúpido deve, no mínimo, saber reconhecer quando foi vencido. E o medo nos olhos dele, aqueles olhos pretos como os seus, num rosto que amava tanto, tinha se tornado insuportável para ele.

— Bom garoto... – ele disse apenas, com a sua voz grave e enrouquecida. Dando uns tapinhas ritmados no alto daquela cabeça loura. Ele não tinha a mínima ideia de como ser delicado ou afetuoso, e acabou imitando o gesto que Afrodite fazia quando queria acalmá-lo. Numa versão muito mais bruta, desengonçada e certamente com mais força que o recomendado.

Mas nada disso importou. Nem o fato de ter falado com ele como se fosse um cachorrinho, de ter ignorado completamente o outro filho ou ido embora sem dizer mais nada logo depois.

O mundo de Eros estava congelado naquele momento.

Era muita sorte sua ter Anteros ao seu lado, com seu senso impassível e prático, que rapidamente colocou as mãos no seu quadril e o guiou de volta ao estofado purpúreo da poltrona esquecida, ou ele teria caído de bunda no chão ali mesmo.

— Eros? — ele perguntou, com uma entonação levíssima, depois de assistir irmão permanecer estático, com os lábios abertos e olhos desfocados por pelo menos cinco minutos – Eros, você está bem?

Eros piscou para ele, a boca se abriu várias vezes, silabas mal formadas saindo sem querer, enquanto afagava o topo levemente dolorido da própria cabeça. Mas depois de mais um minuto nessa desordem alarmante, tudo o que ele conseguiu dizer foi:

— Preciso beber.

E saiu atrás de uma taça cheia.

Continua...

Notas finais
... Pois é, não sei! Não me perguntem de onde veio essa tempestade AresxAfrodite que EU NÃO SEI!!! Por Zeus... era para Ares só dar uma passadinha, distribuir uns tapinhas e vazar fora. Mas ele simplesmente não aceitou isso e se DESPEJOU na minha cabeça, aquele mal-educado! Ainda estou atordoada... sinto que fui atropelada pelo caminhão Ares-sobre-outra-perspectiva. E agora, Moiras, o que eu vou fazer? Já tinha decidido odiá-lo por toda a eternidade! Sinto um acrise existencial chegando... Oh, Zeus... Por favor, amorzinhos, falem comigo, perdi o rumo da minha existência kkkk ps2.: então, o que acharam do Dísi louco/sensual, o Apolo bobo, o Anteros ineditamente afetuoso, da citação breve de Afrodite e Ares... bem... nem sei o que... ? ps3.: perdoem o linguajar levemente mais vulgar desse cap. Eu sempre narro inspirada pela personalidade e sentimentos do personagem do momento, e Ares é meio... (alerta de eufemismo) estressado. Beijos irados e obrigada por lerem ♥