Notas iniciais
Boa leitura.

Nunca fui uma garota de amores sem fins, desejos saciáveis, amizades duradouras, alegrias intermináveis. Acreditava em mundos paralelos, tinha a plena consciência que nós não estávamos sozinhos no mundo, por tanto sempre acreditei em Extraterrestres. Sonhava com a possiblidade de morar em Marte, era o que eu acreditava e tinha plena consciência que um dia eu iria realizar. Pequena tola.

Não me considerava uma louca, pelo contrário, sabia que compartilhava dos mesmos gostos com outros seres que não os conheciam, se os conhecessem assim não me sentiria tão isolada de minhas ideias.

Quando eu era criança passava boa tarde de meu tempo doente, fazia questão de colocar a culpa de meus sintomas em minhas bonecas, além de serem aterrorizantes costumava não guardar nenhuma, divertia-se arrancando os membros do corpo e riscando o tronco delas com qualquer tipo de desenho sanguinário. Culpa do maldito filme “O Chucky”, grande causador de traumas infantis, este que me casou repulsa. Imaginava que todas as bonecas sem exceções eram todas más sem saber que meus atos causavam estranhamento para os meus pais, que indagavam que eu precisava de um psicologo.

Por essas e outras gostava de brincar com os meus primos, eles me entendiam e não por que eu tinha uma mentalidade de garoto, apenas gostava de correr atrás deles e brincava de lutinha, achava que podia bater sem pudor e me divertia com isso, mas quando eu recebia na mesma moeda corria para o meu canto choramingando, eles não entendiam e a brincadeira cessava por ali, minha prima me via no canto e inutilmente tentava me animar me fazendo dançar em todas as festas de final de ano, eu tentava recusar, porém sem muito sucesso. Um dia eu a considerei como melhor amiga, mas esta só sabia me humilhar. Tirávamos sorrisos cansados de meus familiares, eu sabia que ficar dançando para eles irritava e eu me achava nojenta por isso. Anos depois cortei relações com a dita cuja, dando graças por esse feito.

Na escola sempre fui à aluna exemplar, no ensino fundamental mais propriamente dito as minhas notas começaram a decair, como sempre e era lei me isolava dos outros alunos por eu ser um pouco diferente dos demais, era miudinha, magra – muito magra -, pálida e com uma olheira evidente deixando claro os meus respectivos apelidos (Defunta, Morticia, Wednesday, Olívia Palito, achava que Popeye poderia correr atrás de uma mulher menos irritante mas considerar-me como ela, inaceitável), achava que os professores não aceitavam as minhas ideias por tanto as notas tomaram o rumo do precipício.

Deixando de lado os bullyings que sofria, na minha pré-adolescência apaixonei pela primeira vez, era um rapaz descendente de japonês lindo que arrancava suspiros de qualquer uma que o via e tinham contato com ele. Quem não gostava de poesias passou a gostar depois de saber que o mesmo escrevia e fazia questão de entregar para cada garota que lhe interessava. Primeira paixonite, não correspondida.

Ignorei esse amor depois de receber o primeiro beijo, sempre imaginava que seria algo nojento, porém não sabia que seria tanto. Horrível para não dizer outra coisa de baixo escalão, além de ter sido roubado o rapaz era feio, tadinho, me deixou com traumas por um bom tempo.

Fui desenvolvendo uma raiva fulminante pelas pessoas tanto mulheres como homens, nada melhor ser sozinha que estar ao lado de seres escandalosos que se divertiam por poucas coisas. Um exemplo disso: Jogar água nos semelhantes (Tem diversão mais idiota do que essa?), era o que eu pensava. Os apelidos passaram de médio para pior, a afastada se tornou “A medonha”, quem me via sentia medo um tipo de repulsa que nem eu mesma sabia explicar, poucas amizades eu consegui manter sem perdê-las devido às fofocas alheias, estes eram iguais a mim, senão piores. Deixei de ser assim depois que comecei a namorar sério um rapaz do mesmo colégio, não o amava e prolonguei o namoro até que o sentimento da parte dele se tornasse “doentio”. Recebi várias ameaças e por sete meses consegui dar um fim ao sofrimento, nunca mais o vi e realmente não aguentaria mais um estorvo em minha vida.

Todo o vestígio de esperança que eu tinha em relação ao amor, evaporou como a água da chuva depois de um dia de sol. Terminei o colegial e dei início a Faculdade, alegria de muitos depois de um incansável esforço para realizar esse mérito. Pratiquei meio amor, não dava para dizer que era algo sério por que não duravam muito tempo, todos os pequenos relacionamentos eu levava como brincadeira – Um divertimento –, meu “Eu” não aguentava por muito tempo, então foquei nos estudos.

No ano de 2012, passei por uma cansativa mudança, estava feliz por que não aguentava morar longe de tudo, do comércio, farmácia e etc. Mudei-me para uma casinha simples, porém confortável, os estudo em grande parte me comiam o tempo e no começo foi difícil até acostumar com a localidade, todavia depois de alguns meses estava adaptada com os vizinhos e a comodidade da pequena cidade.

Sentia-me madura o suficiente para não se entregar a nenhum romance passageiro e nem permitir que meu coração se enganasse com qualquer ilusão provisória.

Que tola, eu Sophia Sanxeis enganada novamente com o destino, apenas um olhar bastou para saber que tudo em minha vida iria cair átona, mudando completamente as teorias em relação ao amor.

Notas finais
Ai ai, parece muita drama para pouca estória q
Na verdade a parte boa virá no decorrer da estória, espero que tenham apreciado. Comentem, críticas, elogios serão sempre bem-vindos.
Obs: Grande parte dos adolescentes de 20 anos ou menos conhecem a série ou até o mesmo filme A Família Addams, os apelidos que eram dados para Sophia, inclui a Morticia ( mãe) e Wednesday (filha) ambas personagens da série que comentei logo acima.
Olívia Palito pertence ao desenho do Marinheiro Popeye, muito famoso que eu tenho a leve impressão que todos conhecem.
O filme de terror Chucky foi produzido no ano de 1988 e tem como principal personagem um boneco assassino.
Até o próximo capítulo.