BPM - Batidas pelo Multiverso
17 Uma Merceer
Notas iniciais
PS, esse era o nome daquele que descera da nave, mas em que esse fato ajudava? Todos estavam ali, por um triz de começarem a guerrear, e, no entanto a voz amigável que se tinha apresentado fazia parecer que tudo era apenas um reencontro de velhos amigos.
Mas estava bem longe de ser o que realmente parecia, o garoto caminhou até o meio da rampa –dando um ar de superioridade já que esta estava mais elevada em comparação com a planície que os outros estavam – um sorriso e um levantar de sobrancelha antecederam suas palavras.
—Nunca pensei que veria o grupo todo reunido, -seu olhar percorreu pelos integrantes como que procurando alguém- bem, quase todo reunido.
Os integrantes –exceto Pedro- olharam em volta, era verdade, Taína-chan e Larissa não estavam ali. Mas como ele poderia saber da existência delas para dizer que o grupo não estava reunido? Apesar da confusão, Pedro não parecia se surpreender.
—Eu esperava que o capitão viesse com novos recrutamentos, -Pedro fez uma pausa analisando PS- mas não imaginava que escolheria logo você.
PS riu, satisfeito por ser uma surpresa.
—Só me juntei por um motivo, Pedro. E você sabe qual é.
Pedro suspirou.
—Eu deveria apresentar meus alunos?
Carla se aproximou devagar de Ingrid, desejando sua atitude ter passado despercebida ao tripulante da nave.
—Você sabe do que eles estão falando? –Carla sussurrou cautelosa-
—A cada dia tudo passa a ter menos sentido que antes. –Ingrid respondeu procurando ser o mais discreta possível-
PS sorriu confiante.
—Apresente –disse ele sorrindo com um tom interessado na voz- estou muito interessado em conhecer meus amigos e inimigos, embora eu ache que tenha alguns integrantes a mais aqui.
Pedro ficou de lado apontando para cada integrante enquanto mencionava seu nome.
—Esse de braços cruzados é Luciano.
—Luciano... –PS adotou uma expressão não tão confiante quanto antes- Ele é... Um dos... –Ele teve que fechar os olhos e se concentrar- Herdeiros?
—Então você se lembra.
—É difícil esquecer quem são os herdeiros, ainda mais um dos mais importantes.
Luciano soltou os braços, dessa vez confuso com o rumo da conversa.
—Herdeiro? –ele perguntou enquanto se aproximava de Ingrid e Carla-
—Então ele não sabe? –PS sorriu com satisfação- Sempre foi de ter muitos segredos, Pedro, mas não imaginava que fosse esconder algo tão crucial.
Pedro pareceu ignorar.
—Esse de cabelos ondulados é Eric.
PS ficou pensativo.
—Eric? –ele repetiu devagar- Mas porque o Eric estaria do lado deles? Não me diga que também não contou que...
—Em partes, -Pedro interrompeu- não havia a necessidade de contar tudo.
—Isso está ficando cada vez mais interessante.
Eric se juntou ao pequeno grupo que estava se formando com Luciano, Ingrid e Carla.
—Algum dia –começou Eric- será que você vai esclarecer tudo, Pedro?
Pedro sorriu com aquele olhar despreocupado de sempre.
—É sempre bom deixar alguns mistérios. –ele piscou para Eric-. Esse de olhar curioso e um topete encantador é Jeferson.
—Obrigado, -disse Jeferson- mas poupe elogios, não sou curioso.
PS fechou os olhos e se esforçou para lembrar-se de algo. Abriu os olhos sem atingir o objetivo.
—Quem é ele? –PS perguntou com certo interesse-
—É nosso comedor de bolinhos! –disse Pedro em um sorriso largo- Por falar em bolinhos, aceita alguns? Deve estar com fome! Vou até o prédio! –Pedro apertou em seu teletransporte e desapareceu-.
PS tentou falar algo, mas era tarde, Pedro já tinha sumido.
—QUÊ?! –gritou Ingrid- ELE NOS DEIXOU SOZINHOS PARA BUSCAR BOLINHOS?!
—Que mal tem isso? –Jeferson tentou defender-
—Estamos aqui com um psicopata que veio nos atacar! E o Pedro foi buscar bolinhos!
—Acho mais provável que ele tenha ido fazê-los. –disse Carla-
PS estalou os dedos chamando a atenção para si.
—Ainda não terminaram de se apresentar.
Jeferson tomou a frente.
—Essa de óculos é a Ingrid! –disse ele em um tom animado, certamente porque estava prestes a comer bolinhos- E essa com o cabelo bem comprido é a Carla!
—Nomes humanos... –murmurou PS para si mesmo em um tom inaudível- Não ajuda muito saber quem é quem... O nome original ajudaria. Talvez se... –ele fitou as duas garotas-.
Um arrepio lhe percorrera, colocando cada músculo de seu corpo em defesa, como se estivesse deparado com um perigo enorme.
Ele agora fitava a garota de cabelo comprido, com um degradê de cores que ia do castanho escuro até chegar ao castanho claro nas pontas. Mas não era no cabelo que ele prestava atenção, era nos olhos, uma mistura exótica de castanho-esverdeado com um leve toque de âmbar. Isso o fez enrijecer.
—Uma... –ele falava com desprezo- Merceer!
—Então... –disse Carla desconfortável por estar sendo observada, em especial por alguém que parecia prestes a atacá-la como se ela fosse um alvo e ele um atirador de dardos- Er... PS, vai ficar encarando muito? Não é muito educado que se encare alguém desse jeito.
Educado, como se os lados opostos de uma batalha fossem educados entre si, como se o rei preto de um tabuleiro de xadrez fosse gentil com uma rainha branca. Estava fora de cogitação.
—Como se precisasse agir educadamente com uma Merceer! –ele se contorceu- O pior é que está lado a lado com uma Crooser!
Dessa vez ele falava da garota de óculos. O cabelo incrivelmente preto, tendo um tom azulado ao refletir a luz do sol. Embora de óculos, era possível ver seus olhos, um castanho-mel protegido por seus longos cílios.
—Como vossa magnitude pode estar ao lado de uma Merceer? –ele se contorcia cada vez que pronunciava a palavra Merceer- Conversando entre si! Como se fosse algo normal!
—Ei! –protestou Carla- Está me menosprezando? –ela encarou os olhos negros vindos de PS, tão negros a ponto de esconder sua pupila-.
Ele olhava a proximidade das duas garotas com um olhar fulminante, como se quisesse que um enorme muro de titânio as separasse.
—Não devo satisfações a uma Merceer! –parecia realmente que ele fazia um enorme esforço para pronunciar- Agora... Er... Ingrid? Esse é o seu nome humano?
Ingrid respondeu em um tom baixo, geralmente seu tom era assim, quando não a deixavam irritada...
—Sim... –ela disse tentando não o encarar-
—Foi muita sorte que eu a tenha encontrado logo aqui! Pedro foi de utilidade afinal.
—Espera! –Carla interrompeu com certa raiva no olhar- Quer dizer que uma Crooser é sorte, e uma Merceer é o pior azar que uma pessoa pode ter? –ela destacou bem a palavra “Merceer”-
—É pior do que isso. –PS olhava com repúdio- Ainda mais sabendo de quem especialmente você é.
—Você nem me conhece! –disse ela cruzando os braços ainda o encarando- Do nada ficou estranho me ofendendo! Que mal que eu te fiz, hein?
—Argh. –ele estava claramente se irritando- Não tenho tempo para discutir com você, –deixando claro que ele teria tempo para discutir com outras pessoas- só tenho que passar Eric e –ele cuidou ao mencionar o nome- Ingrid para esse lado.
Eric até então observando se pronunciou.
—E por que teríamos que nos juntar a você? –seu olhar era determinado, ignorando as trevas que pareciam sair dos olhos de PS-.
PS encarou Eric, os cabelos ondulados e cheios se esvoaçavam com o vento da tempestade. Seus olhos eram também de um imenso castanho-mel coberto por cílios volumosos. Comparando pelos olhos, Eric e Ingrid poderiam ser irmãos.
—Fico admirado com sua hesitação, -disse PS ainda fulminando com o canto dos olhos a garota Merceer- sou um aliado, Eric.
—Você está ofendendo minha amiga, -rebateu Eric ainda o encarando- como pode ser um aliado?
A palavra “amiga” causou um desconforto em sua expressão.
—Isso que não entendo! –ele falava com raiva- Fica perto de uma Merceer, mas se recusa a ficar com seu aliado! –ele olhou para todos os integrantes- Como podem ficar juntos como se fossem uma família?
—Você está incomodado com mais alguém? –perguntou Luciano sem medo do olhar sombrio de PS, seus olhos frios e castanhos não pareciam se abalar com nada-
—Apenas estou me perguntando o que ela está fazendo aí. –ele ainda fulminava Carla com os olhos- Já é incomum que permaneçam juntos, agora junto com uma... Uma...
—Merceer. –Carla falava enquanto fechava as mãos tentando se acalmar-
—Posso ver nos olhos dela sua origem repugnante. –acrescentou ele- A cor âmbar denuncia muita coisa.
Carla não agüentou mais permanecer em seu tom de voz normal.
—E o que você é afinal para me desprezar tanto? –ela agora andava decidida em direção a rampa da nave-
—Carla, eu não acho que seja uma boa ideia... –Eric alertou-
PS sorria andando na direção dela também.
—Eu sou um Crooser. –falou ele por fim já próximo de Carla-
—Ingrid também é uma Crooser e mesmo assim é minha melhor amiga!
—Caso soubessem o que são realmente não ficariam próximas assim! –PS quase rosnava – Pedro deveria ter explicado tudo logo!
—Então explique você! –Carla já levantava uma das mãos com a intenção de atacar-
Um clarão foi emitido entre os dois, fazendo-os se afastarem e protegerem seus olhos da intensidade da luz. Aos poucos a luz foi ganhando forma e logo foi possível ver Pedro com o corpo impedindo a proximidade dos dois.
—Querem bolinhos? –Pedro segurava uma bandeja cheia deles-
—Francamente, Pedro! –Carla deu meia volta e saiu de perto de PS e Pedro, voltando ao grupo de seus amigos-
—O que você pensava em fazer? –disse Eric repreendendo- Está maluca? E se Pedro não tivesse aparecido?
—Eu não ia deixar barato o que aquele Crooser estava falando! –ela olhou para Ingrid- Sem ofensas, Ingrid.
—Ele só não encrencou comigo porque meu topete o encantou. –disse Jeferson se gabando- Quero bolinhos por essa façanha.
PS ainda olhava Carla de longe preparado caso tivesse que atacar.
—Vamos, PS, não precisamos disso! –disse Pedro oferecendo a bandeja para ele- Podemos ser pacíficos!
PS rejeitou os bolinhos, olhando sério para Pedro.
—Tem razão, podemos resolver tudo pacificamente, é só me entregar a Ingrid e o Eric!
—Eu?! –disse Eric prestando atenção- Nem um Crooser eu sou!
—Você é um Al1en, aliado dos Ali3ns Croosers. –PS não parecia ter nenhuma dificuldade em pronunciar esses nomes- Sabe sequer o motivo da sua vinda a Terra?
Eric esperou um pouco, tentando se lembrar das breves palavras de Pedro quando o grupo tinha vindo no prédio subterrâneo no início.
—Não exatamente... –disse Eric confuso-
—Pois eu mesmo vou explicar então!
Pedro, calmo, olhou para PS.
—Não acho que seja boa hora. –disse ele pacientemente-
—Não vou permitir que eles continuem não sabendo o que é estar envolvido com uma Mer...
Outro ser pareceu sair daquela imensa nave. Era pequeno, a altura dos joelhos de PS, sua aparência poderia ser considerada humana, exceto o fato de sua cor ser esverdeada e de seus olhos serem de um intenso azul fora do normal que até o céu sentiria inveja.
—Senhor PS! O senhor demorou! Está havendo algo aqui?
PS fez uma careta, irritado por ser interrompido.
—Flerp, -seus olhos sombrios agora tentavam desmontar com os olhos o pequeno ser esverdeado que ali se encontrava- eu avisei para não sair da nave a não ser que eu chamasse.
—D-desculpe, senhor... Mas é que demorou tanto... Eu pensei que...
—Aceita bolinhos? –Pedro lançou um olhar generoso ao pequeno carinha verde-
—Bolinhos! –Flerp mudou sua expressão de terror completamente- Claro! Eu aceit...
—Não estamos interessados. –interrompeu PS enquanto repreendia Flerp com os olhos-
Jeferson pareceu saltar de seu lugar para frente.
—Eu quero! –disse Jeferson- Eu, aqui!
Pedro atirou um bolinho para Jeferson, este o pegou agradecido.
—S-senhor... –Flerp se dirigia a PS evitando o contato direto com os olhos- O capitão não é tão calmo...
—Cale a boca! –PS deu um peteleco o qual levou Flerp uns 6 metros de distância- Vou dizer mais uma vez, Pedro. Podemos resolver tudo isso pacificamente, eu só quero o Al1en e a Crooser. Já foi um erro eles terem virado amigos dessa aberração por tanto tempo.
—Não me chame de aberração! –Carla tentou se aproximar, mas foi impedida por Eric e Ingrid-
—Não me obrigue a iniciar uma guerra! –PS falava com Pedro ao mesmo tempo que olhava Carla de longe-
—Eles não estão prontos o suficiente para ir ao planeta deles, -disse Pedro- temos que prepará-los para isso.
—Não vou deixar vocês terem tempo para fugir!
—Não iremos a lugar algum, -Pedro sorriu- você mesmo pode ficar aqui e ajudá-los no preparo.
PS parou, isso parece ter o pegado de surpresa.
—Eu... Ficar?!
—Não é uma boa proposta? –Pedro mantinha seu sorriso- Afinal você vive naquele planeta, será bom ter você aqui para ajudar.
PS hesitou por um instante, como que se avaliasse as jogadas igual a um jogo de xadrez.
—Flerp e o capitão virão comigo, -disse PS se garantindo de não estar sozinho em um ataque- e a nave continuará aqui!
—Senhor, -Flerp se aproximava de PS- mas o capitão não pode deixar a nave...
—Ele aceitaria ir para qualquer lugar que tivesse garotas, basta mencionar isso a ele.
—Acordo fechado? –Pedro estendeu a mão-
—Fechado. –PS apertou a mão de Pedro, ainda o encarando desconfiado-.
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