BPM - Batidas pelo Multiverso
18 Conhecendo o capitão da nave
Notas iniciais
Estou conseguindo fazer capítulos cada vez mais elaborados *--*/ me digam o que vocês estão achando desse novo estilo de escrita!
A tensão parecia ter se aliviado, mesmo com a desconfiança de PS. Pedro soltou a mão dele após fechar o acordo e o encarou com calma durante um tempo. Era incrível o fato de que, com tudo o que tinha acabado de acontecer, Pedro em nenhum momento sequer abandonou sua expressão amigável. Diferente de PS que, até mesmo quando sorria, mantinha sua atmosfera trevosa.
Há algumas pessoas que parecem nos deixar ver a sua alma através dos olhos, mas, com PS, parecia que ao invés de revelar, escondia. Ele ainda não conseguia deixar de ter raiva ao olhar a Merceer tão próxima da menina de cabelos pretos, nem conseguia deixar de ficar confuso com o fato de um herdeiro se juntar à equipe de Pedro, mas nada disso era perceptível, os olhos negros de PS escondiam qualquer emoção que ele não quisesse demonstrar. Luciano, embora permanecesse frio em seus atos, não conseguia esconder certa dúvida em seu olhar. O fato de PS ter mencionado que ele era um herdeiro o deixara confuso, afinal, a única coisa que sabia era que fora um experimento em um buraco negro. E era exatamente um buraco negro que estava parecendo se formar nos olhos de PS, ele estava impaciente.—Por que você ainda não foi chamar o capitão, Flerp? –PS o encarava com ar trevoso.—Eu estava pensando se eu não poderia comer um bolinho... Automaticamente, Jeferson puxou a bandeja para perto de si a escondendo.—Suma já daqui! –PS avançou um passo na direção de Flerp. Flerp, com medo do buraco negro nos olhos de PS, foi correndo para dentro da nave em meio a alguns tropeços. Ele sabia o que acontecia quando os olhos de PS ficavam assim. Jeferson pareceu suspirar quando viu a bandeja de bolinhos a salvo. Eric ajeitou seu cabelo encaracolado, “Seja lá como esse capitão for... É bom nos mantermos apresentáveis.”. E não seria fácil ficar apresentável com Jeferson lambuzando todo o rosto de bolinhos. Então os tirou de Jeferson –cuidando para não ser morto por cometer tal ato- e entregou a Pedro. Com seus óculos, Ingrid escaneou a nave. Era importante, para uma integrante com a função de defender, escanear para ver se poderia haver algum perigo. Felizmente, não encontrou nada que pudesse ameaçá-los no momento, mas teria de avisar Eric de algum jeito que os inimigos tinham muitas armas caso quisessem atacar. PS percebeu que Ingrid estava inquieta.—Gostaria de falar algo? –seu tom de voz era gentil. Ela o fitou meio assustada.—Não... “Não com você” seria a resposta mais exata. Com os braços cruzados, Carla encarou PS com uma expressão séria. Como ele podia ser tão rude com uma pessoa e tão gentil com outra?—Perdeu alguma coisa em mim? –ele a desafiou.—Minha paciência.—Imagine então a partir de agora, vou conviver com vocês nos próximos dias. –sua voz apresentava desconforto. Carla soltou um breve rosnado enquanto desviava o olhar.—Sinceramente, -PS continuou- o máximo de tempo que me permiti ficar com sua raça foi o tempo que levava eu dar uma volta na masmorra. Ela pareceu confusa.—Há Merceers na masmorra dos Croosers? Mas eles não deveriam estar na masmorra dos Merceers?—Prendemos qualquer Merceer repugnante que encontramos. O leve tom de âmbar nos olhos dela pareceu se ressaltar—Vocês são loucos?! E se eles forem inocentes? Ele pareceu rir com a mudança de tonalidade no olho dela.—Inocência ou culpa não é um critério pra você e sua raça! São como pragas, devemos exterminar.—E-exterminar?—Claro, ou você acha que os deixamos ocupando espaço na masmorra? Ah, esqueci que seu cérebro de Merceer não a deixa pensar muito.—Escuta aqui, -ela elevou seu tom de voz- caso você continue me tratando como se eu fosse uma barata ou algo assim, não respondo por mim!—Há! –ele sorriu com desprezo- Como se sua raça pudesse fazer algo contra mim!—Seu... Flerp saiu da nave com a mesma velocidade que entrou, ele tentava expandir a pequena distância que suas pernas o deixavam percorrer. Carla e PS olharam para ele.—O Capitão está vindo! –seus olhos azuis estavam arregalados- O Capitão está vindo! O Capitão est... PS o parou, acertando a mão na cabeça de Flerp.—Nós já entendemos! –disse enquanto limpava sua mão. Carla ficou perplexa—Não precisava fazer isso com o pobrezinho! –falava nervosa- Olha só como ficou a cabeça dele!—Não se preocupe, meus ferimentos se curam rápido. Veja! –Flerp apontou para seus olhos. Como se fossem grandes lanternas azuis, seus olhos se acenderam por breves segundos e, ao voltarem ao normal, seu leve ferimento havia sumido. Até Luciano, que não demonstrara muito interesse antes, aproximou-se para ver melhor. Como a equipe estava toda concentrada em Flerp, Ingrid aproveitou para falar com Eric.—Eric, -sussurrou- escaneei a nave antes.—Nossa, eu estava pensando agora mesmo em pedir pra você fazer isso! Já que todos estão concentrados no Flerp.—Não há com o que se preocupar por enquanto, mas... Ouviu-se alguém falar alto, interrompendo o raciocínio dos dois.—Idiota! –PS deu um soco na cabeça de Flerp o fazendo ir para baixo- Agora sabem sobre você!
—Mas s-senhor, eu só queria mostrar para a garota que não precisava se preocupar... PS suspirou enquanto balançava a cabeça negativamente.—Tem noção do que essa garota é? Uma Merceer! E você sabe como eles são?—Eu estudei nos livros de história, mas...—Olhe só pra ela! Dá de perceber que é perigosa apenas pela cara!—Espera aí, -Carla mostrou os dentes com raiva- O que você quis dizer com isso? Eric e Ingrid aproveitaram a distração novamente para continuar a conversa.—Eles têm muitas armas, -ela falou quase murmurando- estão muito bem preparados! Será que Pedro tem tantas armas quanto eles?—Não sei... Mas se os outros tripulantes forem que nem Flerp, do que adiantará atacar? Ele se cura incrivelmente rápido! Um barulho ensurdecedor calou a todos. Vinha da nave, pareciam passos de algum gigante andando pelo interior dela. Eric e Ingrid se encolheram.—O que está aí dentro? –Eric perguntou à Ingrid.—Eu... Eu não sei... Algo parece distorcer meu escaneamento.—É o capitão... –Flerp se encolheu. Eles tinham um gigante como capitão? Isso poderia explicar o tamanho da nave. Os passos eram realmente estrondosos, dava até a impressão de que o comandante estava batendo os pés no chão de propósito. Os únicos que não estavam encolhidos ali eram PS, Flerp e Pedro. Talvez por estarem acostumados com o comandante. Jeferson colocava o bolinho na frente do rosto para se proteger. Então eles viram. O comandante saiu da nave, parando antes de descer na rampa. Ele parecia...—Uma criança de doze anos?! –exclamou Eric. Luciano se endireitou.—E eu aqui me assustando à toa! Não acredito que o capitão de vocês é uma criança! Era verdade, ele mais parecia ser uma criança com o rosto e olhos arredondados. Sua cor era de um tom mais escuro do que o restante da equipe, seus olhos eram cinzentos e esboçavam certa frieza, mas ainda parecia ter a inocência de uma criança. O capitão arrumou uma mecha de cabelo que insistia em ficar na frente de seu olho.—Alguém tem que arrumar essas botas! –ele disse desconfortável- Além de serem apertadas, são barulhentas! A equipe parecia deixar o queixo cair no chão.—Eu não acredito... –Ingrid murmurou- Ele parece ser mais uma espécie de Pedro da vida. PS foi rapidamente na direção de Ingrid, assustando-a com tamanha espontaneidade.—Acredite, -ele disse- Pedro não é tão irritante quanto o Capitão. Carla puxou Ingrid pelo braço para ficar mais perto dela, ignorando o olhar trevoso de PS. O capitão escorava seu rosto em sua mão enquanto fazia uma expressão de tédio.—Vocês não vão falar nada? –ele perguntou- Onde estão as garotas que o Flerp me prometeu? Carla e Ingrid fulminaram Flerp.—Você nos prometeu?! –Carla fez o mesmo olhar de PS para ele.—N-não nesse sentido...—Que bom que seus ferimentos se curam rápido, –Ingrid completou- vai precisar. O capitão começou a andar pela rampa, fazendo voltar o barulho estrondoso de antes. Até que, em certo ponto, ele tirou suas botas e as jogou para longe.—Não agüento mais esse barulho em todo lugar que eu ando. Ele se aproximou de Pedro. PS e Flerp ficaram atrás do capitão.—Quanto tempo, Kakõgan! —Você não mudou nada. –Pedro sorriu. Jeferson ficou confuso.—Espera... Kakõgan?—É meu sobrenome! –Pedro sorriu novamente—Então quer que fiquemos aqui para preparar seus alunos, hein? –o capitão sorria com o canto dos lábios- Espero que não seja uma armadilha, porque se for...—E se for? –Luciano o desafiou- Vai fazer o quê?—Luciano... –disse Eric sussurrando- Seja amigável...—Amigável, claro. –Luciano sorriu como um psicopata. O capitão olhou para ele sorrindo.—Um herdeiro! Mas que honra!—De novo esse negócio de herdeiro? Alguém, por favor, quer me explicar o que é isso?! O capitão pareceu surpreso.—Então ele não sabe? Ele não sabe! –o capitão riu.—Quer parar de rir? Já entendi que eu não sei, mas rir não vai explicar!—Isso cabe ao Kakõgan lhe explicar, meu caro. –e riu outra vez. “E se ele estiver armado?” pensou Ingrid por um instante enquanto tentava o escanear, mas novamente algo distorcia.—Eric, -sussurrou- ainda não consigo escanear. O capitão desviou sua atenção para a menina dos cabelos escuros.—Ora, ora! –ele falava com aprovação- Flerp não exagerou ao dizer que havia garotas bonitas por aqui.—Capitão, -PS chamou a atenção- não vá se precipitando com essa. O capitão deu um passo para trás para observá-la melhor.—Oh, então essa é a Crooser! Não se preocupe, PS, não farei nada de mais com ela... Apenas... Algumas coisinhas... –ele sorriu malicioso. Carla não gostou da atitude do capitão com sua amiga.—Você não fará NADA com ela! Nem de mais, nem de menos! Ele a olhou surpreso.—Você está a defendendo? Isso é uma surpresa.—Sim, sou uma Merceer e ela uma Crooser, e daí? Isso não muda nada na nossa amizade!—Bonita e decidida... –o capitão sorriu- PS, importaria se eu fizesse algo com essa? PS revirou os olhos.—Francamente, Capitão! Não acredito que pode ter atração por uma Merceer—Ah, meu caro amigo, não sou nenhum Crooser para não gostar dela. Carla protestou.—Espera aí! Você é só uma criança! Como pode ter pensamentos assim?! Essas crianças de hoje em dia estão me surpreendendo cada vez mais.—Não se engane pela minha aparência, senhorita Merceer. A propósito, qual é o seu nome?—Carla. –ela desviou o olhar. O capitão foi se aproximando dela com passos curtos enquanto sorria. Cada vez mais. Mais perto... Perto...—O QUE VOCÊ VAI FAZER COMIGO, SEU PANGUÁ? –ela pulou para trás em posição de defesa. Ele começou a rir.—Eu só ia me apresentar... E talvez mais alguma coisa...—TÁ AMARRADO! –ela fazia sinal de cruz com os dedos. Pedro disfarçou seu riso com tosse a fim de poder acalmá-la.—Calma, Carla... –ele falou tentando se acalmar também- Ele só vai...—ANDAR NA MINHA DIREÇÃO COMO SE FOSSE UM PERVERTIDO! AGORA SEI COMO A INGRID SE SENTE!—Obrigada pela compreensão. –disse Ingrid. O capitão mordeu os lábios para não rir.—Como pode me achar um pervertido? – fingia falar inocentemente- Sou apenas uma ingênua criança...—SE APRESENTE DAÍ MESMO!—Tudo bem... Estou profundamente magoado com sua impressão sobre mim... –ele falava sorrindo.—POUCO ME IMPORTA! PS ria também, era sempre divertido ver alguma garota recusar o Capitão.—Meu nome é Capitão, -ele fez uma reverência- estou honrado de conhecer garotas tão formosas...—Ah, faça-me o favor Capitão! Só há uma garota formosa aqui! –PS falou. Ingrid corou percebendo que ele falava dela.—O nome dele é Capitão?! –perguntou Jeferson surpreso- Então ele não é o capitão da nave? Só o nome dele é Capitão?!—Não é isso, caro jovem do topete encantador. -disse Capitão- Eu sou o capitão da nave e meu nome também é Capitão. Pedro pareceu se distrair com seu GPS por uns segundos, logo após falou:—Já é tarde, hora de comer!—FINALMENTEEEEEE!!! –Jeferson pulou- Eu não como há dias!—Mas você estava comendo bolinhos agora mesmo! –disse Luciano.—Tem provas concretas disso? PS sussurrou algo para Capitão.—Certo! –o capitão disse- Vamos ir agora! Quanto mais cedo irmos, mais cedo os prepararemos para o planeta!—Dêem as mãos. –Pedro disse por fim....—Você está se sentindo melhor? –disse Larissa enquanto tirava alguns panos da testa de Taína-chan.—Estou só... Com um pouco de dor de cabeça. Taína-chan se encontrava em um quarto que se assemelhava muito ao de um hospital. Larissa ficara cuidando dela enquanto Pedro e os integrantes da equipe estavam recepcionando o ataque, desde então, com a ajuda de alguns robôs, ela mantinha Taína-chan em estado de observação.—É normal nas primeiras visões você se sentir fraca. –Larissa colocava mais panos úmidos na testa de Taína-chan.—Visões?! –exclamou- Não foi tudo um sonho?—Calma, não se exalte tanto, vai piorar sua dor de cabeça. Taína-chan suspirou. Não era muito comum ver Larissa demonstrando algo, mas naquele momento ela se mostrava muito atenciosa com Taína-chan. Larissa era a última pessoa que ela esperava ter do lado a cuidando. Uma ferroada a atingiu na cabeça, causando dor na parte da frente da mesma.—Ai!—O que foi? Taína-chan queria responder, mas não conseguia. Sua visão se distorcia e ela via lampejos de outra imagem em sua cabeça. A dor continuava.—Faz isso parar! Larissa colocou dois dedos no centro da testa de Taína-chan. Ela estremeceu, a pele de Larissa era fria, pelo menos comparada à temperatura da febre de Taína-chan.
—Está... Melhorando... Larissa deu a ela um copo d’água.—Sua visão foi bem interessante.—Hein? –falou enquanto bebia.—Pelo o que você viu, Pedro e a equipe não vão voltar sozinhos aqui. Taína-chan a olhava perplexa.—Você viu minha visão?!—Sim. Você se incomoda? Se ela se incomodava? Não era incômodo! Era só a dúvida de COMO ela conseguiu fazer isso.—Eu consegui ver sua visão quando toquei sua testa. –Larissa mostrava os dois dedos que usou- Ao fazer isso, o peso de sua visão compartilhou comigo, isso diminuiu a dor. “Ótimo, agora ela consegue ler pensamentos”. Larissa riu.—Essa é a primeira vez que vejo você rir. —Sua expressão foi engraçada. –Larissa ainda sorria. Mas logo seu sorriso se desfez ao checar seu GPS. Ela suspirou.—É. Sua visão estava certa.—O quê?!—Tente relaxar e não ter outra visão, está bem? Vou recepcionar nossos novos “amigos”.
Notas finais
E agora? O que será que vai acontecer com PS, Capitão e Flerp morando junto com a equipe? Isso você descobre no próx cap!
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