B.K, Game Over!
1 Novato
Notas iniciais
Capítulo gigantesco.
— E meu lanchinho? O que você fará quanto a isso? — perguntou, calçando o tênis. — A gente compra em uma vending machine lá. Deve ter alguma. — respondi mostrando uns dólares. — Cabeceira né? — perguntou. Peguei a mochila, abri a porta e esperei. Vi Mika virando o café. Mika estava nervoso. Dava pra ver nos olhos dele e nas mãos que tremiam bastante. — Nervoso? — perguntei já sabendo a resposta, enquanto caminhávamos até a entrada da escola. Passamos pelo portão e algo mudou. As pessoas que estavam lá. Ficou tudo diferente. Parei. — Mas que diabos…- escapou da minha boca. — Que porra é essa? — Mika perguntou abismado. Tirei o headphone. Fiquei parado como uma estátua olhando para o teto da escola. — Bem vindos! São os novos alunos do 1 — C, correto? — disse uma mulher loira, que usava roupa social e sorria. Não respondi. Nem Mika. Estávamos simplesmente perplexos com o que acontecia em nossa frente. Estava boquiaberto. Parecia que ela não entendia nossa perplexidade. — Isso é sempre um choque aos novatos. Pois b- — Que porra é essa? Sério, o que está acontecendo? — Mika disse. — Isso é uma escola, hm… especial, diria. Esse linguajar rude não é tolerado em nossas dependências. Por favor, apressem-se, a aula já começou. Tomem este bilhete. — Primeiro dia e já acontece essa cagad,... encrenca. — É apenas uma autorização. Vamos, vamos. — disse meio que nos empurrando pra escola. Nós tivemos que obedecer, já que não queríamos visitar o diretor no primeiro dia e porque eu não muito com a cara de diretores escolares. Começamos a correr em direção à nossa sala. Era uma escola gigantesca. Era a sexta maior propriedade de toda a cidade, e achar nossa sala foi difícil. Paramos em frente à porta. — Tu entra primeiro. — Mika disse me empurrando. — Eu não! — respondi agressivamente, me esquivando do empurrão. Começamos um tumulto, só pra decidir quem entraria primeiro na sala de aula. A porta abriu. Uma professora de rosto amigável, usando uma camisa dos Rolling Stones e segurando um caderno contra o corpo. Observamos, e a primeira coisa que pensei foi “Que gostosa…”. Ela nos pegou pelo colarinho, com uma mão só, nos puxou pra dentro da sala e nos arremessou pro fundo da sala. — PARA DE BRIGAR NO CORREDOR SEUS- — QUE MERD- balbuciei antes de bater na parede. Levantei imediatamente. Todos da sala olhavam pra gente. Alguns tinham cauda. Rabos. Olhos de gato. Eram umas coisas esquisitas. Eu tava perto deles, acho que fui meio preconceituoso para com eles. Eles pareciam aberrações, mas eram normais. Mika levantou e se sentou. — Nomes… seus nomes, por favor. — perguntou a professora, enfurecida. Me sentei, com todos nos olhando. Ouvi uns sussurros sobre nós dois principalmente. Coloquei a mochila em cima da mesa e coloquei os braços atrás da cabeça, cruzados. — … Dayaro. — disse. — Mikabon. — riram. A professora nos encarou. Principalmente a mim. Ela ficou assim por alguns segundos, e eu fiquei com uma cara de dúvida. — Porque você está mentindo, “Dayaro”? — apontou pra mim. — … Me levantei. Entrei no meu modo interrogador. — Como você arremessou 110 quilos usando um braço só? — perguntei calmamente, encarando-a. Ela continuou me encarando. — Relaxa professora, são apenas novatos. A vida é dura pra quem é mole. — alguém disse, com certo ar de zoação. — É… ok, vamos começar a aula. — disse, suspirando. A aula começou e era de matemática. Ninguém mais tocou no assunto. No decorrer da aula, todos ficavam sussurrando sobre mim, e a maioria da sala ficava me olhando. Parecia que eu era um inimigo aos olhos da turma. Era perceptível a maioria de garotas. Eu contei 31 pessoas, umas 19 eram garotas. ... O sinal toca. Suspiro. Pego o iPod. — Ei. Alguém falando comigo. Coloco o headphone e escolho Experts. Quando me toco, já tem um aglomerado de gente me cercando. — Ah não… — Instakid não é? — alguém pergunta. Como sabem desse nome? Pensei que fosse só uma zuera minha e do meu primo… — Não, é ele. — aponto pra Mika. — Ah. Desculpe. As pessoas continuavam a me cercar. Já estava ficando puto. Me levantei e fui até a mesa de Mika. Tinha (olha só!) uma multidão ao redor dele também.
— Vem cá. — chamei. Fomos pra fora da sala. Queria um refri, então caminhamos até as vending machines. Coloquei a nota e peguei uma Coca. — Cara, que merda é essa? Tem umas minas com caudas. A professora é superforte, eu fico escutando o menor dos sussurros… isso parece aqueles animes de escolas de magia e poderes… isso é tudo tão clichê… — disse desanimado. — Tão me chamando de Instakid. Como eles sabem disso? — Mika estava inconformado. — Acho que temos que traçar umas estratégias. Tipo um sistema de cobertura, entende? A gente se protege. Acho que a gente vai morrer aqui se vacilarmos. — sentei na escada, brincando com a situação. Mika concordou com o que eu disse. — Então, o que a gente faz por enquanto? — perguntou, pegando um refri também. — Vou falar com a diretora. Quero saber que raio de lugar é esse primeiro. — Pois não? — ela perguntou. Era aquela mulher loira lá da entrada... Quando que ela chegou? — QUE PORR- Mika cuspiu o refrigerante. Limpou a boca. — TU TELEPORTA POR ALGUM ACASO? — Eu apareço quando precisam de mim. Não sou a original, apenas um clone. Porém tenho as informações e respostas que necessitam. — Tá, tá… então… clone, onde estamos? — perguntei. — Na InsPro. Significa “Instituto Projektdens”. — respondeu calmamente. — “Instituto Projektdens”... então somos os “Projektdens”, correto? — interpretei. — Correto… — confirmou. — ...ok… então… o que exatamente é um Projektden? — Mika perguntou no meu lugar enquanto eu dava um gole no refri.- Vocês são Projektdens. São alunos especiais. Sabe os seus déjà-vu que você tem a noite? Isso é capacidade de premonição… não é exatamente comum isso. Os seus déjà-vu são diferentes de todos, sabe porquê? Porque você tem déjà-vu que preveem 2, 3 anos… e você percebe isso antes deles acontecerem. Isso o difere da maioria.- Então eu sou especial porque percebo o que previ antes de acontecer? Que eu saiba, os déjà-vu são formas de memórias comuns a várias pessoas... — perguntei de forma sarcástica.- Nos déjà-vu comuns a pessoa só percebe no ato de previsão. Você percebe antes. — ela respondeu. Fazia sentido…- Ok… então os outros alunos também são seres com habilidades “especiais”. Menciono “seres” porque vi “pessoas” com caudas e rabos. Não acredito que sejam “humanos”, mas sim… hm, híbridos. — deduzi.- Você está absolutamente correto. Existem alienígenas também. É o meu caso.Mika cuspiu novamente o refri de forma violenta dessa vez. O sinal toca. Hora de voltar pra sala.- Aula. AGORA. — ordenou. O clone desapareceu.Encarei o chão.- Isso tá me deixando assustado… quase caguei nas calças quando ela brotou do NADA.Levantamos e entramos em sala. Que atmosfera diferente, todos lá dentro nos encaravam, mas não de um jeito ameaçador, mas sim de um modo “quem é ele?”. Sentei e o professor entrou. Era um cara de cabelo grande, gigantesco, parecia o The Rock de corpo.- Meu nome é Schmetzer, serei seu pior professor. Só que não. Dou aulas de várias coisas, mas este ano estarei lecionando geografia. Peguem os livros na página 21, por favor.Abri a mochila e encontrei um envelope feito a mão. Abri e li de forma que o professor não visse. Estava escrito: “23:00 em frente ao D. das garotas”. Olhei para Mika. Ele também recebeu um.- …As aulas prosseguiram “normalmente”, mas apesar dos alunos e dos professores serem aberrações, não houveram grandes tumultos.Ficamos lá até às 2, quando as aulas acabaram. Chegamos em casa e não havia nenhum dever de casa.- Cara… depois dessa… — Mika suspirou deitando no sofá.- Álcool. Preciso de birita. — afirmei. Mika ficou pensativo. — Ei cara, você vai lá? — perguntou, encarando o chão. — Onde? — respondi, servindo-me um whiskey. — Às onze, no dormitório. Eu vou. — Tarado. — encarei com cara de safado. — Nem respondo. As horas passaram… a tarde foi monótona… e chegou. 22:55, estava pronto pra ir lá. — Tô pronto. — disse no corredor pra ele. A porta do quarto dele estava fechada. Ele abriu e disse “bora”. Chegamos no portão. Estávamos bem vestidos (eu acho que estava; não me importo muito com roupas) e chegamos lá. Tava vazio. Nada na frente. — Miseráveis… — Mika enfureceu-se. — Ei, aqui. — alguém nos chamou, sussurrando alto. Estavam do lado do dormitório, que era gigantesco também. Fomos até a pessoa que nos chamou. Estava escuro, então não deu pra saber quem era. Nem se era uma menina. Ou se era humano. Seguimos a voz até uma luz que estava no chão. — Me dêem os braços. — ela disse, alegre. Ela estava pilhada pra qualquer coisa que fosse acontecer. — Tipo par duplo? Quadrilha? — perguntei, sem saber exatamente o que dizer. — O que é quadrilha? — perguntou alegremente, pegando meu braço. - É uma danç- Entramos na luz. Fechei os olhos e, quando abri, vi uma festinha. Com umas 300 pessoas. Festinha… acho melhor dizer “rave”. Música eletrônica, escuro, luzes ofuscantes e MUITA gente. Era agitação total… — Caralho, PAREM COM ESSES TELEPORTES! — berrei pra menina que nos “guiou”. — QUÊ?! — ela perguntou. Num deve ter ouvido nada. Não era uma grande surpresa, o som estava absurdamente alto. Fiquei encarando ela, ela procurava alguém ou alguma coisa. Ela não soltou meu braço. — Ali, vamos ! — disse-nos sorrindo. Passamos pela multidão até chegarmos em uma pequena sala com uma mesa retangular ao centro, e todos estavam reunidos ao redor dela, e lá tinham umas 15 pessoas, acho. Entramos. — A gente tava esperando vocês… — disse um garoto à minha esquerda. — Eles estavam perdidos. Vamos boys, sentem-se. — informou, nos soltando. Encarei , procurando algum lugar. — … onde? — Mika perguntou antes de eu fazê-lo. — Ora, em qualquer lugar! Somos todos amiguinhos aqui… fecha a porta Sayama-kun. — novamente com aquele sorrisinho. Parei pra notar o que os outros faziam. Antes de chegarmos eram apenas conversas, mas quando chegamos começaram a nos encarar daquele modo não hostil. Mas depois o povo começou a conversar de novo. Fui pela direita, e tinham algumas garotas. — Posso sentar? — perguntei às garotas que conversavam. — Só no meio de nós duas. — uma determinou com uma carinha de safada. Nem vi quem foi. — Certo… — fiquei meio puto, porque tudo aqui é levado no erotismo. Só pode. — Qual seu nome? O de verdade? — perguntou rapidamente a da direita. Acho que ela estava lá na sala de aula. Tinha um cabelo verde grande e olhos azuis. Verde e azul em uma pessoa só. Cada uma que me aparece… — Hm… do que vocês querem me chamar? — perguntei meio envergonhado. — Diz seu nome… — disse a outra, a do lado esquerdo. — … e qual é o de vocês? — quis mudar a vantagem. — Sou Konayama e ela é Karia. — disse a da esquerda , aproximando-se dos meus ouvidos. — E como vocês querem me chamar? — perguntei olhando pra frente. Já estava ficando vermelho. — Oooh? Tá ficando… excitado? — Konayama disse sensualmente aproximando-se de mim e levando as mãos até você-sabe-onde. Ela tinha um cabelo longo prateado e olhos amarelos. Olhos AMARELOS. — Vamos parar de erotismo aqui. — afastei as duas de mim. — Meu nome é… — parei. Não queria dizer meu nome real. Queria um … — … Nemite. QUE MERDA DE NOME FOI ESSE QUE EU INVENTEI?! — … Nemite? Ok… nome estranho, nunca ouvi antes. Nem em Radskujallai. — Comentou Karia, pensativa. “Radiscujalai? Que droga é essa?”, pensei. E a festa continuou, onde aquele “povo da sala estranha” continuava nos assediando, em específico as garotas taradas. Nunca vi isso, tanto assédio em uma noite só. COMIGO. Mas se bem que tinha uma garota do outro lado que nem conversava com todo mundo, era bem tímida. Acho que era a mais normal de todos nós. — Ah caras, eu vou pra casa. — decidi. Olhei pra Mika e perguntei com os olhos se ele iria. Ele negou, fazendo um gesto com a mão. — Ué, porque tu num vai? — perguntei meio alto para que ele escutasse. Ele estava no meio da sala no outro lado, e eu estava no fim, bem no finzinho dela. — Me chamaram pra dormir aqui pô, e eu não quero decepcionar minhas novas amiguinhas. — respondeu com aquela cara de sem vergonha. Fiquei meio puto, ele em uma noite já tinha se dado bem. Do jeito dele. — Que seja. — levantei-me e abri a porta da sala, após chegar nela com certa dificuldade, falando um monte de vezes “licença”. — Espera. Alguém me segurou pelo final da manga da camisa, bem perto da mão. Me virei e era uma garota que estava lá dentro. “Onde que eu já vi ela…” Pensei.
— … Era ela que tava do outro lado da mesa. Não tinha ninguém falando com ela, acho. Nem o Mika. — Você não sabe sair né? — perguntou já sabendo a resposta. — Eu… te ajudo. — Tudo bem. Valeu. — respondi, tentando sorrir sinceramente. Ela pegou na minha mão, falou alguma coisa inaudível e teleportamos até onde estava aquela luz de quando entramos. — Urgh… — fiz sons de vômito. — Você tá bem?! — ela perguntou com certo desespero. — De boa, é que não acostumei com esses teleportes. — respondi, querendo não passar preocupações. “Ufa…” ouvi ela suspirar. Não contive o sorrisinho que fiz. — Obrigado. — agradeci colocando a mão no ombro dela. Eu acho que ela considerou isso como um ataque mortal de periculosidade máxima, porque ela pegou meu braço e deu um golpe de judô que me fez bater na parede do dormitório. — MA QUE DIAB- — Tarado! — gritou baixo. — Legal, — disse me levantando. — umas são ninfomaníacas e outras são tsunderes ao extremo. Tô indo pra casa, acordar desse sonho que se chama Instituto Projektdens. — reclamei. Saí da escola e me virei. “Coisa escrota”, pensei. Vi a silhueta de alguém próximo à entrada. Era aquela garota? Ela tava me seguindo? Continuei caminhando tentando prestar atenção nos sons de passos dela. Ela realmente estava me seguindo. PORQUE, ME PERGUNTO. OH, DÚVIDA CRUEL. Coloco a chave na fechadura. Me viro pra tentar surpreendê-la, mas ela... sumiu? Acho que era apenas minha imaginação. Cheguei, até que enfim. Fui dormir pensando no que tinha acontecido, e se realmente estava acontecendo. Pensei por alguns instantes, olhei as horas no celular. — Já?! — me surpreendi ao ver que eram 03:16 da manhã. — Saco. Tentei dormir, mas não consegui. Acho que foi muito chocante o que aconteceu nesse dia. Tenho que me preparar melhor pro que vier, porque hoje foi só a ponta do iceberg… eu acho. Bateram na porta. — Se o Mika tiver esquecido a chave de novo ele vai ficar fora de casa. — resmunguei. Abri a porta e não havia ninguém. Enquanto a fechava, algo a barrou. Abri de novo e era ela. Sério, qual o problema dessas pessoas? Caramba... — Só quero saber o que você tá fazendo aqui. — afrontei-a. — Hm, eu… hã...é… — ela gaguejava. Legal. Uma garota gaga. — …? Você…? — perguntei, querendo saber o que ela tentava transmitir como mensagem. Ela se abraçou. — F-frio… — disse com calafrios. Vendo a situação, resolvi agir. Saí da frente da porta e a abri totalmente. — Entra. — convidei. Ela ficou vermelha e com raiva. — Tarado! — exatamente igual no lado do dormitório. Lembrei do que meu irmão disse da última vez que nos vimos. “Existem 5 tipos de seres vivos: humanos, animais, plantas, ETs e mulheres”, acho que é a colocação perfeita da situação agora. E eu não acreditava na parte dos ETs. — Você me seguiu até aqui pra falar que sou tarado? Nem precisava ter saído da escola então. — afirmei tendo certeza de minha lógica 100% funcional. Resolvi agir e puxei-a gentilmente pra dentro de casa. — Ta- — Nem vem. — impedi-a de profanar a palavra malévola. Pedi pra que se sentasse e perguntei calmamente o que ela fazia ali, em casa. Ela tinha uma grande desconfiança sobre mim. Não posso culpá-la, acho que ela não viria até aqui sem ter um motivo que fizesse sentido. Enquanto buscava a razão dela estar comigo, comecei a fazer um chocolate quente. — Era pra eu ter ido pra casa só que fiquei bêbada. — disse, quase batendo os dentes do frio. Caramba, começou a chover. Nem vi. — Espera. — pedi. Voltei com um cobertor e servi-a a caneca de chocolate quente. — Obrigada. — agradeceu vermelha, mas não de raiva dessa vez, acho. Acho que era da bebedeira. Eu espero que seja bebedeira. — Ok. Respostas, por favor. Isso aqui tá esquisito demais, do nível “existem aliens, que estudam aqui do lado” e “tem uma mina que me chama de tarado mas que me persegue”. — tentei fazer ela perceber o que estava acontecendo, e que eu estava surpreso por tudo isso. — Você disse que ficou bêbada, mas não parece ter bebido uma gota de álcool hoje. — É que sou uma alien. Meu metabolismo é acelerado, então eu fico bêbada por poucos instantes. Pelas desgraças do destino eu fiquei lelé quando eu tinha que ter voltado pra casa, mas se eu voltar agora meus pais ficarão muito putos comigo. — UMA ALIENÍGENA NA MINHA CASA. — escapou. — ...você está me ofendendo? — ela perguntou me encarando depois de dar um gole na bebida. — …agora eu preciso de bebida. — disse indo em direção ao “depósito”. Peguei um Green, me servi, e virei. Olhei pro sofá e ela ainda tava lá. Ela fez uma cara de dúvida. — ? — É, tá acontecendo mesmo, de verdade. Não é imaginação. — disse rapidamente. Olhei pra ela por alguns instantes, ela percebeu isso e novamente ficou vermelha, vergonha talvez. — Que foi? — perguntou. — Porque você não dorme no dormitório então? — perguntei, com cara de “eu-tenho-a-resposta-pros-seus-problemas!”. — O seu primo tirou isso de mim. Antes de ficar bêbada, eu já tinha concordado que ele iria pra lá e que eu iria embora mais cedo. Mas… deu o que deu. — E ele vai dormir exatamente no quarto que você dorme. Porque você não pediu pra dormir com alguma garota que tava lá na festa?! — perguntei nervoso. — Eu… não conheço ninguém… — disse tímida. — E VOCÊ ME CONHECE POR ACASO?! — estava nervoso e fui sarcástico. Mas ela tinha que me entender também né, é a base de qualquer relação humana ou de aliens. Ou de ambos, tanto faz. — D...d...d-desculpa… — tímida de novo. Mas, fazer o quê…. — Já sei o que você faz aqui. — elucidei o crime. “Sou um Sherlock”, primeira coisa que pensei. Me imaginei com um cachimbo, um chapéu inglês da Scotland Yard e um paletó marrom característico daquela terra. — Não é isso!! É que, hããã… bem, eu… como posso dizer… ai, ai… — tentou negar, confirmando minhas expectativas. Me deu a caneca. Relampejou. — AH!! — gritou baixo, fechando os olhos. Parecia que tava sugando-os. — Tem medo de raios? — perguntei. — Tenho… — se cobriu, deixando apenas os olhos à vista. Não posso dizer pra ela que no quarto do Mika tem uma janela gigantesca em forma paisagem. — Então dorme no meu quarto. Eu vou pro do Mika, já que na dele tem uma janela grandona que não será agradável pra você. Outro raio. Bem alto dessa vez, e com um flash cegante. — HHMMMM!! — mordeu o cobertor. — Vamos. — levantei. — Tô cansado. Ela concordou e começou a me seguir. — Este aí. — apontei.- Nossa…- ela disse baixinho, com certa surpresa enquanto observava. — Grande… organizado… — concluiu. Fiquei vermelho. Tava sendo elogiado por uma garota sobre meu quarto. Ela deitou na cama. — Se precisar de alguma coisa avisa. Banheiro é na última porta à esquerda, meu quarto é o daqui da frente. — informei. — Tá… — disse olhando pra janela. Acho que ela estava ansiosa por causa dos raios. Não… ela realmente estava ansiosa por causa dos raios. Observei ela por um instante. Tive o pensamento de ter uma esposa ou namorada assim, com medo dessas coisas que considero toscas. — … boa noite. — desejei. Fechei a porta e fui dormir. Deitei e demorei um pouco pra dormir, mas acho que consegui começar a ter algum sonho. ... Acordo. Olho o celular. 05:33. Ela tá gritando no outro quarto, dá pra ouvir daqui. — Não brinca comigo… — me sentei na cama, com os pés no chão. Levantei e pensei se eu REALMENTE deveria ir lá. — Ah, eu vou. — disse baixinho, contrariando o meus pensamentos. Abri a porta. Outro raio. Parei e pensei: ”Esse foi dos grandes”. Prestei atenção no som e ela gritou. Abri a porta rapidamente e ela estava na cama, suando frio, de olhos fechados e encolhida, coberta parcialmente pelo cobertor, com as mãos nos ouvidos. — Cacete! — fui até ela e carreguei-a pro corredor. Deitei-a meio encostada na parede e fui no meu quarto e peguei o headphone e o iPod. Coloquei nos ouvidos dela e dei play nos meus melhores dubsteps. — Acorda, acorda, acorda, acorda. — fiquei dando tapinhas, mas ela não parava de gritar. Esses raios não davam uma trégua também. Acordou. Seus olhos brilhavam pelas lágrimas. Estava desesperada, chorando. Ela, em um gesto repentino e inesperado, faz algo que eu esperaria de TODO O UNIVERSO, menos dela. — ...abraço? — eu me perguntei, sussurrando pra mim mesmo (que coisa estranha), ajoelhado, ali, em frente dela. Me abraçou tão forte, primeira coisa que pensei foi que ela não queria que eu escapasse. Acho que era aquele troço de mãe e filha, um laço eterno e, nesse caso, só pude abraçá-la também. — Relaxa, relaxa… — pedi calmamente. Foi a única coisa que eu consegui pensar em dizer também, dada a ocasião e minha total inaptidão nessas horas. Mas eu pensei frio, e fiz o que considerei certo. Ficamos um tempo abraçados, mas ela finalmente pegou no sono. Carreguei-a de volta até a cama. Decidi deixá-la dormindo ouvindo as músicas. — Cara, o que foi isso… — me perguntei após fechar a porta. Não consegui dormir. Não parei de pensar nos gritos dela. No choro dela... que agonia. Amanheci deitado no sofá, vendo TV. Fui acordá-la pra que fosse à escola, mas no meio do caminho pensei que ela não estivesse passando bem, então não fiz isso. Melhor deixá-la descansar. Eu também não fui. Assisti TV até a hora de preparar o almoço. Fiz sashimi com um salmão que comprei no comércio, porque não queria comer coisas pesadas. “Acordo ela?”, dúvida desgraçada. Comecei a almoçar. Quem aparece? — … bom dia. — ela disse, coçando os olhos e olhando pro meu almoço. — Bom dia. — me levantei, entregando-lhe um prato raso de madeira. — Sirva-se. Apesar disso ela recusou. Disse que não estava passando bem. Ela se sentou no sofá e começou a assistir a televisão. — Ei, você tá bem? Os raios e tal? — perguntei mesmo ela dizendo que não estava bem. Mas eu quero ter garantias, sou assim. — Estou… — respondeu. Fez um gesto com as mãos apontando o indicador pros pulsos. Olhei pro relógio de cozinha. — 13:23. — informei. Ela não comeu. Mika chegou algum tempo depois.- Foi liberado mais cedo? — perguntei pegando um sashimi. — Que isso hein bro? — Mika disse mudando de assunto. Infelizmente eu entendi o que ele disse. Ele me chamou. — Quem é ela? — Nem sei. — respondi, enquanto lavava as louças e vendo ela ver TV. — Ei, qual teu nome? — perguntei. — Saraya — respondeu. — Engraçado que todo mundo lá tem nomes japoneses. — pensei alto. Ela concordou e me explicou. — É porque o Japão tem o maior exoporto do mundo. — Exoporto? Exo = fora, então... seria um aeroporto de extraterrestres? — conclui. Mika fez uma cara de “nossa hein, você sabe tudo”. — Exatamente. — afirmou. — E quando você vai embora? — terminei com a louça. Limpei as mãos. — Agora. Eu estava esperando ele. — disse se referindo a Mika. — Ah é, foi mal. Fala para a Tandy que o beliscão dela doeu? Por favor, por favor… — Mika pediu. — Ok… — ela foi até meu quarto. — Teu quarto? QUE ISSO HEIN GARANHÃO! — disse batendo o cotovelo em mim, com aquela típica cara de safado. — Não é o que você tá pensando. — tentei consertar o pensamento já corroído dele. Ela voltou, me sentei no sofá, com minha característica pose de colocar os braços cruzados atrás da cabeça. Ela parou na minha frente. Mika entendeu errado provavelmente e disse que ia no banheiro. — Que foi? — perguntei. Ela tirou algo do braço. Um bracelete. Um belo bracelete, feito de um aço negro que nunca vi antes, cheio de entalhes fodas, e uma pedra azul linda na frente, tendo várias pedras vermelhas em volta, dando uma volta ao redor do bracelete. — Me dê seu braço. — pediu. — Esquerdo ou direito? — perguntei, sem saber o que fazer. Acho que eu vou aceitar o presente… se isso for um presente. — Qualquer um. O que você escreve. Estendi o direito. Ela colocou o bracelete, pressionou com dois dedos e disse algumas coisas que eu não entendi. Depois do “ritual”, perguntei o porque dela ter me dado o bracelete. — Na escola você vai entender. — respondeu, sem dar pistas do real significado. — Certo… tchau então? — isso foi uma pergunta? Que merda de pergunta foi essa se isso foi uma? Ela abriu a porta e foi embora. Mika apareceu. — E? O que ela disse? O pós sexo é sempre importante cara. — perguntou afobado. — Cara, a gente NÃO dormiu junto. — respondi com um eufemismo. — Ela só me deu esse bracelete. Mostrei. — CARALHO. — Mika disse, espantado. — Que foi velho? — perguntei assustado. — Espera. — ele pegou o celular e ligou pra alguém. — Tamiris, eu vou ligar a videoconferência. — ligou e apontou a câmera pra mim. — Este é seu primo. — disse Tamiris. — Oi, primo do Mika.
— Oi… — respondi. — … do primo do Mika. — Tamiris, olha pro braço dele. — disse alto, pra que ela pudesse ouvir. — Mostra o braço aê champz. Mostrei. — NÃO ACREDITO. CARALEO, POVO, APARECE AQUI. — ela disse pro “povo”, que não estava visível. Ela parecia estar na cama. — Que foi? — disseram alguns. — Galera, olhem o braço dele. — Mika pediu. — É falso. Só pode. — disse um. — Esse cara não pode ter uma Foyoli. — Hã, o que diabos é uma Foiole, pra minha informação? — perguntei sem saber do que falavam. — Tá vendo a joia azul do bracelete? — disse um garoto loiro. — Tô, o que tem? — perguntei admirando a pedra. Era maravilhosa. Simplesmente maravilhosa. — Essa joia… — continuou. — … é a joia mais rara que existe. — Mais rara? Legal… ela deve valer vários milhões aqui na Terra, aposto. — Cara, essa não é mais rara do “mundo”. É a mais rara do Universo. — afirmou. — QUÊ?! — gritei. — MAIS RARA DO UNIVERSO? EITA PORRA! — olhei pro bracelete assustado. Ele estava brilhando. Não estava assim antes, quando eu recebi. — Então… — tentei tirar o bracelete. — …ué? Não tô conseguindo tirar. — Não dá pra tirar. — afirmou o loiro. — Essa joia é perpétua. É uma de intensificação, ela intensifica seus poderes. Mas… eu não sei dos seus poderes. Acho que se você for no Enciclo ele te diz. — sugeriu o garoto. Eu ainda estava tentando tirar a droga do bracelete. — Desiste velho. Não vai sair. — PORRA! Eu deixo ela dormir em casa e ela faz isso comigo? Puta que pariu! — disse pra mim mesmo. — Ela quem? — perguntou Tamiris. — Ah, é que ele dormiu com uma mina aqui hoj... — interrompi tampando a boca dele. — E como ela era? Era bonitinha? Você é safadinho, Dayaro-kun... — perguntou outra pessoa que estava com Tamiris. Cadê o loiro? Sumiu… — Af, já que você espalhou, é melhor falar a verdade. Não adianta mais tentar mentir. — respirei. — Uma alien veio aqui ontem de noite porque num tinha onde dormir. Aí eu dei meu quarto pra ela e dormi no dele. — me referi a Mika. — Só isso. — … quem era? — perguntou a loirinha do lado de Tamiris. — O nome dela é Saraya. — respondi. — Sabe quem chegou agora? A Saraya! — disse Tamiris. Tomei o celular da mão dele e desliguei a videoconferência. — Já sabem mais do que o necessário. — bufei. — Aliás, como tu sabe desse bracelete? — isso soou mais como uma ameaça do que uma pergunta. — Eu também tava querendo te falar uma coisa. — Mika estava sério. Ele mudou de assunto. Tinha algo errado. MUITO errado. — Eu apliquei pra ter um quarto lá no dormitório. — Tá, mas… e daí? — perguntei sarcasticamente. — …eu fui aceito. Moro lá a partir de hoje. Que notícia. — Então vai arrumar tuas coisas. Casca fora daqui. — disse, ligando a TV novamente. A tarde foi chata. Meu jogo chegou dos correios. Era o mais novo Battle of Duty. Joguei a tarde inteira, enquanto Mika ia embora. Nem prestei atenção quando ele realmente tinha ido. Parei pra pensar. Observei o teto e cruzei os braços atrás da cabeça. Dei uma olhada geral na casa: tão vazia, tão sem vida… “Sozinho, hm…”, pensei. Acho que isso é bom, mas… — Eu detesto ficar sozinho. — Pra quê esse dramalhão? Mas que diabos?! — ...hã? — olhei pra sacada. Um cara de cabelo azul muito escuro, quase preto, usando headphones esquisitos. Ele vestia o uniforme da escola. Tava sentado no corrimão da sacada. — Deixa eu adivinhar: tu veio me matar. — deduzi, assustado. Acho que foi uma bela dedução. — Já sabe? — subiu um pouco o queixo, com um sorriso maléfico. “Que clichê…”, pensei. — Que nada! Você subiu aí sem fazer UM ruído e tá armado com uma espada. Tu quer que eu pense o quê? Falando nisso, o que tu quer? — ironizei. — … a joia. Eu quero a joia. — disse, apontando a espada pra ela. Uma espada roxa. ROXA. Quem tem espada roxa? — Não vou te dar. — fiquei sério. — Me dê a joia senão eu te mato. — ele estava mais sério que eu. Ele realmente vai tentar me matar? Que… que… que saco. Mas enfim, ergui os punhos, em posição de luta. — Cai dentro. — provoquei. … EU CHAMEI UM CARA QUE AMEAÇOU ME MATAR COM UMA ESPADA PRA LUTAR? Eu realmente sou muito burro. — ...kh… — o quê? Ele tava na minha frente, próximo. O braço estava estendido. O da espada. Meu peito… — Tu é… rápid… — caí. Ele me matou? Ele cravou a espada no pulmão, coração, sei lá… mas com certeza eu tava morrendo. — Droga. — ouvi. Não estava doendo. Acho que a morte não dói. Mas, fazer o quê… minha vida nem foi tãããão emocionante. Ninguém vai sentir falta… não, acho que as tias da cantina vão sentir. Só eu como o folhado de frango com catupiry delas. — Ei, espadachim. — disse me referindo ao cara que me enfiou uma espada em uma velocidade imprecisa. Levantei a cabeça, e seriamente quis saber. — Porque eu não tô morto? — É a joia. — respondeu olhando pra mim. Logo após ele ergueu a cabeça e olhou em direção à cozinha. — Você não explicou a ele? — Hã? — ele estava olhando pra alguém na cozinha. Me virei. — SARAYA? QUE MERDA VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI?! — berrei. — ...eu vim te proteger. — respondeu uma bela menininha que usava saia. — Saraya… — disse me levantando. — Você pode… — ...posso...? — perguntou. — ...pode… — estou em pé. Estou me virando para vê-la. — ...PODE ME PERGUNTAR SE EU PRECISO DA TUA AJUDA?! COMO TU VEIO PARAR AQUI?! — ...você precisa da minha ajuda? — perguntou sarcasticamente olhando pra minha camisa ensanguentada. Anoiteceu. — ...hã… preciso. — me toquei da idiotice que tinha dito. — Ah, esperem vocês dois, tenho que acender as luzes. Acendi as luzes da sala. Fui na geladeira, peguei um refri e comecei a tomar. — Sentem. Os dois. — apontei pra mesa. Ela se sentou e ele não. Esse cara é muito esquisito; primeiro ele aparece em casa do nada. Aí tenta me matar por causa da joia. Qualé cara, que coisa estranha. — Antes que isso se pareça com uma light novel horrorosa, eu quero saber das coisas. — disse, tentando me acalmar. — Senta aí, cara. Sério. Desconfiadamente, ele se sentou. No sofá. — ...enfim. Tenho 3 perguntas bem simples. A primeira é: como a Saraya chegou aqui. — Eu fui invocada. Acho que posso dizer invocada, já que você odeia “teleportes”. — respondeu, encarando o espadachim. — Ok. — me virei pro cara de cabelo azul. — Segunda: Quem diabos é você e o que você quer. — Meu nome é Eleventy. — Eleventy. Um nome não japonês. Legal. — E o que você quer? — lembrei da outra parte da questão. Me lembrei dele mencionar que iria pegar a joia. — Certo. A terceira e última… Me levantei. Enchi meu pulmão com todo o ar possível. — COMO É QUE EU ESTOU VIVO?!? — berrei o mais alto que pude. Alguns instantes de silêncio. Olhei pra ambos várias vezes na esperança de que algum dos dois pudesse me responder. Eleventy disse que era a joia. Saraya negou a suposição dele, então ele falou que não sabia. — Foi a joia. — disse Saraya, contrariando o que ela mesma tinha dito. — A Foyoli te salvou. Eu não sei como. — Certo, certo… Saraya, você tem algum contato com um cara chamado Enciclo? — mudei o assunto. — Sim… ele é um conhecido meu... Porque? — uma pergunta tão inocente… — Quero saber quais são meus poderes. — VOCÊ NÃO SABE? — Eleventy exaltou-se. — ...não. Desde quando você tá tão amigável? Não vai tentar me matar e et cetera? Ironizei a situação. — Se você vai ficar vivo quando eu perfuro teu coração, porque eu faria de novo? — bela resposta. Foi uma pergunta, mas também uma resposta. — Faz sentido. Então Saraya, eu preciso ver esse cara. Tem como tu dar uma ajuda? — perguntei. — A gente pode ir amanhã, depois da aula. — sugeriu. — Ok. Ei, Eleventy, você vai? — perguntei. Ele ficou me encarando. Acho que ainda não ia muito com a minha cara. — Esse é seu plano pra me eliminar? Me convidar inocentemente pra ir consultar um Oráculo e então me matar? — perguntou com uma certa certeza de que eu realmente faria isso. — … — me levantei. Coloquei os dois braços no ar. — Você tá me vendo com algum tipo de arma letal? — perguntei calmamente, querendo fazê-lo ver que foi uma pergunta estúpida. Comecei a me aproximar dele. Fiquei em cima da minha poça de sangue. Ele estava desconfiado, e já estava sacando a espada de novo. — Eu não quero que você seja meu inimigo. Não tenho nada contra você, tirando o fato de que você enfiou uma espada no meu corpo. — ri. Acho que ele riu também. Saraya não parava de encarar o Eleventy. — Agora, vocês dois; casquem fora. Quero dormir. — tava cedo, mas eu estava com sono. Cansaço, fadiga, sei lá. Quero beijar meu travesseiro. Saraya saiu. Nem disse boa noite, aquela vaca. Eleventy foi até a sacada. Subiu no corrimão. Ficou contra a lua. — Nos veremos novamente. — disse, pulando dali. Fui até a sacada. Me segurei no corrimão. Puxei o ar. — QUE COISA MAIS CLICHÊÊÊÊÊÊÊÊ — berrei. Entrei e tranquei a janela por garantia. Pisei em alguma coisa. Meu sangue. MUITO SANGUE. Começou a sair fogo dos meus olhos, e uma aura vermelha da morte começou a ser emanada de mim. — Os desgraçados foram embora e nem vão me ajudar na limpeza… — é nessas horas que eu tenho que tenho que socar algo. O problema é que a parede é de concreto e o hospital é a alguns quilômetros daqui. Após xingar a mãe deles em silêncio por alguns minutos, resolvi limpar, porque ia começar a feder e não gosto de coisas fedidas. Logo após a limpeza eu tomei um banho e fui dormir. 20:44. “É muita loucura em apenas dois dias… apanho de professor, vou estudar numa escola de aberrações, meu primo se muda na nossa primeira semana aqui, sou “morto” mas não morro, ganho uma coisa valiosíssima… QUE DIABOS, VELHO.”, pensei. Dadas as circunstâncias, não seria surpreendente se eu tivesse insônia pelo resto da vida.“Porque você tem insônia?”, perguntariam, “Porque quando eu tava no primeiro ano do colegial eu fui morto mas não morri.”, eu responderia com um sorriso bem feliz na cara. Liguei o ar condicionado. Fechei os olhos e apaguei. ...PÉN PÉN PÉN PÉN P- desgraça de despertador. São sete e meia, acho que dormi umas boas horas pra compensar a insônia da noite passada. Mas enfim… Café. Não tomo um faz um tempo, e acho que é o que preciso por ora. Tão quentinho… caramba, 07:50. Melhor ir pra escola. Vesti o uniforme e escovei os dentes. Tranquei a porta. — O iPod! — lembrei. Não fico sem ele. Entrei e o achei na cabeceira. Tinha um tanto de bateria, acho que aguentaria até o fim da aula. Agora sim, tranquei a porta, e tive certeza de não esquecer nada. É só sair de casa que as desgraças começam. — Hey — disse uma garota de cabelo médio vermelho. — Saraya… — suspirei. — O quê? — ...para de me seguiiiiir… — desanimei, trancando o portãozinho. — Não tô te seguindo. — afirmou. — Cara, tem, tipo, umas QUATRO coisas erradas nessa sentença. — encarei-a. Ela riu. Acho que no fundo ela era uma pessoa boa, alegre, feliz. Acho que minhas primeiras impressões sempre são erradas. — Então, o que você tá fazendo aqui? — perguntei. — Você é meu único amigo, e eu nunca fui pra escola com um amigo antes… — respondeu tímida. — … -, meus olhos esbugalharam. Apesar de estar de headphones eu a ouvia perfeitamente. Virei-me pra ela enquanto saíamos do condomínio. — Quem te disse que eu sou seu amigo? -, se eu pensasse melhor, ela não fez nada por mim. Só uma joia que me fez ser morto por um cara. — E outra, porquê diabos você tá vermelha e com esse sorrisinho? Ela surpreendeu-se. — Do que você tá falando? Eu só tô quente. — cara, eu só entendi besteira nessa última frase. “Tá quente, hm?”, meu pensamento de esgoto nunca acaba. Caramba… Melhor deixar isso pra lá. O assunto morreu ali, e ela não saía da vermelhidão. Depois de algum tempo sem conversa, chegamos em sala. Mika estava lá, conversando com um monte de gente. Acho que ele já formou o grupinho dele. — Yo! — nos cumprimentou alegremente. Konayama e Karia conversavam, e o Eleventy tava lá, jogando no videogame portátil. Me sentei e Saraya fez uma dupla comigo. Konayama e Karia também vieram e fizemos um grupo. — Karia! — essa voz é nova. Karia se virou e vi que era um cara alto até, usava óculos, loiro… acho que era o namorado dela. — Fala. — disse. — Ah, pera, esse é o Nêmesis — disse apontando pra mim. — Nemite. — corrigi. — ...é, foi o que eu disse. Ah, Nemite, essse é o Dan. — me apresentou. Estendi a mão e o cumprimentei. “Será que ele é humano? Ele parece ser…”, indaguei. Fiz um gesto que lembrava a continência com dois dedos. — Hoje é sexta né? Porque as aulas começaram quarta? — Karia puxou assunto. Chamei Eleventy e Dan pra juntarem-se a nós. Fizemos 3 duplas com mesas bem próximas. Eleventy e Dan já se conheciam, disse Konayama depois que eu perguntei como eles se davam tão bem no início do ano. O professor Schnauzer (acho que esse é o nome dele) entrou na sala. Ele escreveu o nome no quadro e era Schmetzer. Ahn… As aulas correram e eu conversava com Saraya um pouco mais, tentando descobrir quem era ela. Na hora do almoço fizemos um grupo e conversamos sobre várias coisas. Nós éramos nada mais que um grupo de amigos… as características que nos diferenciavam eram apenas físicas. Percebi que eu era igual a eles, só que terráqueo. Dan era alienígena também. Era um cara relaxado, calmo, que pensava antes de fazer as coisas, e me passava a sensação de ser um daqueles gênios de escola que sabem tudo. E sim, era o namorado da Karia. Eleventy era um cara estranho ou muito reservado, porque ele só comeu e não falou com ninguém. Deixei ele quieto, vai que dessa vez ele corta minha cabeça fora. As aulas prosseguiram normalmente, como em uma escola comum da Terra. Acho que finalmente entendi o que é preconceito. Eu tive isso quando cheguei aqui e tentei evitá-los, mas percebi que são melhores que eu, porque entre os aliens não existe essa coisa de um ser melhor que os outros. Todos são excelentes. Bondosos, gentis… tirando o Eleventy, ele é um babaca. Ele tentou me matar. Mas ele tem motivos pra isso, não foi porque simplesmente “não vai com minha cara”, como muitos humanos fazem. As aulas acabaram. Agora é a hora. — Vamos. — estava ansioso. Não é todo dia que tu descobre que tem poderes. — Relaxa cara, quando eu fui descobrir o meu eu tava com essa ânsia toda e não era nada demais. — CARAMBA, o Eleventy falou uma frase hoje. E ele estava nos acompanhando porque…? Ei, porque tá todo mundo me acompanhando!? Ah, deixa pra lá. — E qual seria seu poder? — perguntei, seguindo Saraya. — Eu materializo metais de qualquer tipo. — respondeu, fazendo uma demonstração. Acontece que a demonstração dele era uma faca. Vermelha. Meu braço tava formigando, e a joia tava brilhando. Troço chato. — Aqui. Chegamos. — Saraya apontou pra uma porta, enquanto parava na frente dela. Entramos e era uma sala com um velho lá dentro, sentado, meditando, o cara parecia o Gandalf. Sério. Todos se sentaram no chão, menos eu, porque eu não entendia nada. — Vá até ele e pergunta seus poderes. — sussurrou Konayama. — Hã?... ok. — disse despreocupado. Caminhei até ele. — Ei, tio, quais são meus poderes? Eu ainda não sei… — Você me chamou de “tio”? — perguntou calmamente, porém de forma séria e ameaçadora. Ele ainda meditava, e estava de olhos fechados. Cara, que ocasião estranha. O cara é um Oráculo e a gente simplesmente entra na sala dele enquanto ele medita pra perguntar o meu poder. Aliás, o que diabos é um Oráculo? — ...o senhor poderia dizer-me meus poderes? — perguntei meio esquisito, por causa do medo. E também porque detesto falar “senhor”. — ...pode me chamar de tio. — disse sorrindo. Ele estendeu a mão. DESGRAÇADO, SE EU POSSO TE CHAMAR DE “TIO” PORQUE TU FEZ UMA PERGUNTA SOBRE O PORQUÊ DE TE CHAMAR ASSIM?! EU QUASE ME CAGUEI, SEU MISERÁVEL !! Segurei a mão dele, acho que era isso que ele queria. Algum tempo depois, na calma e silêncio, vi que todos olhavam pra mim com ânsia. “Eles devem estar pensando “Qual será o poder dele?””, pensei. Me virei de volta e o velho ria. — Conseguiram… — disse baixinho, com um sorriso. — Conseguiram o quê? — perguntei. Ele se levantou. Era um cara alto. Mais alto que o Dan, e realmente era igual ao Gandalf. — É antigo, e só trouxe desgraças. Mas você voltou, e pelo visto foi pelo bem. — disse, soltando minha mão. — ...quê? — perguntei, sem obter sequer UMA resposta. Ele voltou pro modo meditação. Não soltou mais nenhum pio. Fizeram reverências e saímos de lá. — Eu vim pra cá pra obter respostas, mas saí com mais perguntas. — ironizei, enquanto ia pra casa. — O que ele disse? Qual que é? — perguntou Konayama, pilhada. — Disse que era antigo e que só trouxe desgraças mas que voltou e pelo visto foi pelo bem. — respondi relaxado. — Hã… tá… — disse meio confusa. Peguei o iPod e comecei a procurar. — Supersonic, Supersonic… aqui. — disse em silêncio. Botei os headphones e comecei a ouvir. Cara… que som bom. Falando em som, eu nunca vi o Eleventy sem o headphone dele. Ele tá sempre usando aquilo. O que será que ele ouve?
Parei. Só percebi uma coisa agora. Os outros me encararam em dúvida. — Que foi? — perguntou Saraya. Comecei a ficar pensativo. Levei minha mão pro queixo e fiquei sério. — Quem é a Konayama e quem é a Karia? — perguntei dando um sorriso bobo. — SEU IMBECIL! — disse Konayama(?) me dando um carrinho de futebol. — Eu, a de cabelo prata e olhos amarelos, KONAYAMA. — respondeu séria a outra, que tava em pé e não tinha saído do lugar. — Então a Karia é a de cabelo verde com olho azul. — conclui. Nossa, como sou um gênio. Caraca, eu tô on c — Isso aí, detetive. — concluiu Konayama. — Karia. — me levantei. Ela estava em posição de luta na minha frente, bem raivosa. — Quê? — PRA QUÊ O CARRINHO, DEMÔNIOS?! — é nessas horas que eu preciso socar algo, só que a parede é de material alien desconhecido e o hospital é a alguns quilômetros daqui. — Ah! Foi mal — disse desajeitada. Andei até Konayama. Apontei pra ela. — Konayama. — Me virei pra Karia, e apontei pra ela também. — Karia. Elas não entenderam, mas tudo bem. Saímos da escola e me despedi de 4 pessoas. Cheguei em casa, abri a porta e joguei a mochila no meu quarto. Deitei na cama e relaxei por alguns momentos, com os olhos fechados, e ouvindo meu som… “Peraí, 4?”, pensei. Abri os olhos assustado e quem tava lá? — KONAYAMA?!?! QUE DIABOS VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI?! — perguntei exaltadão pra ela, que tava ali, suave na nave sentada na minha cama me encarando, com um rosto inocente. — … é mesmo. Que eu tô fazendo aqui? — se perguntou, levando o indicador até o queixo. Que mina tapada. — Ih, foi mal. Errei a casa. — QUEM QUE ERRA A CASA?! CARALHO! — berrei.Foi nesse dia que eu descobri que ela era minha vizinha. Quando fechei a porta eu fiquei tipo “WTF” de tão estranha que foi a situação.
Notas finais
Segunda fic que eu posto aqui (a primeira eu deletei xD). Então comentem, façam sugestões... Valeu o/
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