BEYONDERS
1 Prelúdio: Brave
Condado de Chester, Inglaterra, 1640
O céu estava umbroso, astros e estrelas eram pouco visíveis naquela noite, contudo combinava com a descrição exigida para o sucesso da trama já discutida tantas e tantas vezes. Cruzando a floresta tenebrosa havia quatro figuras que estavam semi identificáveis devido ao breu resultado da combinação do céu sem estrelas e da mata fechada. Na verdade, as chamas das tochas que cada um levava, talvez fosse o que os revelava na obscuridade. Havia algo que realmente contrastava com toda aquela cena, a lua, estava belíssima, certamente garantiria uma boa iluminação para aquelas pessoas se não fosse bloqueada pela copa das grandes árvores. Durante a caminhada eles recebiam, vez ou outra, algumas tiras de luz advindas de raras falhas na cobertura que a mata fazia.
A pressa estava grande, eles estavam conscientes de que não teriam outra oportunidade, o plano estava em andamento e recuar estava fora de cogitação.
Apesar das chamas, não se dava para discriminar nenhuma característica física do grupo, todos vestiam longas capas e cobriam o rosto, mas havia um som esganiçado vindo da terceira pessoa da fila. Esta, por sinal, tinha algumas particularidades que se diferenciava do restante do grupo. A primeira era que demonstrava estar caminhando com enorme dificuldade, e a segunda, era que segurava não somente a tocha, mas no outro braço uma criança, um recém-nascido para ser preciso, e era esse que chorava estridentemente.
_ Calma, meu anjinho. Eu e seu pai vamos te proteger. – a mulher buscava consolar sem sucesso a criança.
_ Estamos quase lá. – anunciou uma voz feminina oriunda da primeira pessoa da fila – Já consigo ver a cratera.
E realmente era notável uma enorme cratera à uns 500 metros de onde eles estavam. Centralizada nessa cratera também se notava a presença de uma pedra bem grande com um formato semelhante à de uma pera. Ela estranhamente parecia reluzir sua coloração cinza-azulada. Outro fato estranho era que gradualmente a tal grande pedra parecia ficar com a coloração mais vívida à medida que o grupo com a criança se aproximava.
_ Chegando lá vocês já sabem o que cada um irá fazer, certo? – indagou agora a voz grave do segundo na fila.
_ Estamos prontos. – finalmente o ultimo integrante do grupo respondeu, ele também era o último da fila e constantemente olhava para trás. Suas atitudes mescladas com a avidez que o bando cortava a mata revelavam que estavam em fuga, mas do que seria?
O grupo finalmente parou. Chegaram em seu destino: a pedra no centro da cratera. Esta já não estava mais cinza-azulada, expunha um azul índigo. Então cada um fincou sua tocha no chão fazendo um semicírculo envolta da rocha.
O homem que tinha a voz mais grave deu alguns passos para frente e removeu seu capuz. Era careca e tinha uma barba bem grande que escondia praticamente todo o seu pescoço. Com a iluminação das tochas, da lua que agora brilhava sobre sua cabeça e da pedra que parecia cintilar azul atrás, era possível ver seus traços físicos. O homem era bem branco, o mais alto entre eles, teria facilmente 1,90 de altura, ombros perceptivelmente largos que não eram disfarçados pela longa capa preta que vestia.
Após dar uma boa olhada a mata a sua frente e respirar fundo, abriu os braços e fez um movimento para cima, simultaneamente as quatro chamas também expandiram de tamanho e se elevaram, agora parecendo grandes jatos de fogo que se dissipavam a uns 3 metros no ar.
_ Isso certamente vai atraí-los para cá. – ele alertou e parecia se concentrar para manter os quatro fogaréus – Annabeth você precisa agir rápido. – e deu uma olhadela para trás na direção da mãe.
_ Kristoff tem razão. Vamos meu amor, você precisa salvar nosso filho e nosso futuro. – o outro homem que agora se revelava pai da criança, informou e olhou para a mulher com muita esperança.
Annabeth concordou com suas expressões e repousou a criança que ainda chorava fronte a grande rocha que cintilava cada vez mais, posteriormente com ambas as mãos tocou nela, o que a fez além de brilhar mais intenso, agora também sibilar. Era como se de alguma forma a pedra reagisse a presença de todos ali e principalmente agora com o toque da mulher.
_ Perfeito! Agora só nos resta esperar. – a outra mulher assumiu posição do lado esquerdo de Kristoff agora também removendo seu capuz.
Seu cabelo era cumprido e extremamente loiro, ao ponto de parecer branco pela forte luz que recebia da pedra ao fundo. Kristoff sorriu para ela e se mantinha posturado assim como as tochas ao seu comando formando quatro colunas imponentes ao redor deles.
O pai da criança se aproximou de Annabeth e colocou a mão em seus ombros.
_ Você consegue, meu amor. Tenho certeza de que vai saber a hora de fazer o que tem que ser feito. – era realmente mágico como seu olhar expressava confiança para Annabeth.
_ Eu consigo. – ela que agora parecia estar com a pele brilhando, sorriu a ele. – Nem demos um nome a ele.
- Brave. – ele respondeu com muita sutileza e se afastou dela.
Annabeth manteve o sorriso e entendeu que a escolha do nome era mais pra reafirmar algo dentro dela, afinal eles não veriam o filho nunca mais. Randall sempre fora muito sábio e o nome “Brave” fortaleceu o coração de sua amada, que agora focava ainda mais em fazer o que estava fazendo com a pedra. Seja lá o que fosse, parecia que estava dando certo já que ela brilhou ainda mais azul.
Randall se inclinou deu um beijo em seu filho, que por ter a proximidade do pai finalmente parou de chorar.
_ Eu te amo, Brave. – e limpando uma lágrima teimosa se afastou do filho indo até a dupla de aliados a frente.
O homem finalmente retirou seu capuz revelando um cabelo longo e castanho e uma barba por fazer que cobria boa parte de sua face inferior. Ele posicionou a direita da dupla de aliados e desembainhou uma espada que refletiu o azul índigo intenso que se apossou do local.
E foram alguns minutos ali, todos permaneciam em suas posições silenciosos, sinceramente tudo estava quieto, inclusive Brave que parecia ter pegado no sono naquele momento, aquilo para o grupo era perturbador. Os únicos sons eram das chamas que ainda estavam no controle de Kristoff e a grande rocha que continuava a sibilar. Talvez algum membro descomprometido com a causa do grupo teria desistido de ficar vigilante como o trio estava no local, entrementes Kristoff, Randall e a mulher não eram assim.
Inopinadamente quatro corpos surgiram pela mata no mesmo local em que eles minutos antes vieram. Duas pessoas caminhavam, já outras duas tomaram a dianteira e vinham correndo.
_ Annabeth como está aí? – a mulher se virou para a companheira, após ver aqueles que certamente eram o motivo de estarem em posição de defesa se aproximando.
_ Estou tentando, mas ainda preciso de mais força da pedra. – Annabeth comunicou. – Me desculpa, Tanya.
_ Confiamos em você. – Tanya responde e depois olha para Kristoff e Randall – Prontos?
_ Prontos! – ambos respondem em uníssono.
Tanya assume a dianteira e com um movimento intenso simula dar uma martelada com o antebraço direito no chão. O solo reage ao ataque da mulher e parece se fender criando uma enorme erosão que tinha como trajeto os dois inimigos que corriam na direção do grupo. Um deles teve melhores reflexos e rolou para a direita evitando cair na enorme falha terrestre que se abria a sua frente, já o outro que tinha um físico sobre-humano (tão alto como Kristoff e tão musculoso como um rinoceronte) acabou despencando. Possivelmente por seu corpo ser dessa forma colossal foi que não teve tanta agilidade que seu associado que era um homem esguio.
Kristoff teve a rápida percepção de agir e após movimentar os braços fez com que as duas colunas de fogo a sua direita se mesclassem no ar e semelhante a uma serpente se deslocassem até atingir em cheio o inimigo que acabara de realizar seu feito furtivo. Dessa vez ele não teve sorte e foi lançado a metros para trás. O fogo posteriormente se recolheu e voltou a ser as duas colunas até então sobre o controle de Kristoff.
_ Excelente Kristoff. – Tanya se agachou e efetuou um movimento como se juntasse ambas as mãos para as fechar, o que foi exatamente o que a enorme fenda repetiu.
O chão tremia durante todo o tempo em que a cratera levou para se fechar até deixar o brutamontes apenas com ombros, pescoço e cabeça para fora da terra. Como Randall ainda não agira permaneceu atento a tudo, primeiro olhou para o adversário atingido pelo fogo que permanecia estirado ao chão, depois para o grandão enterrado pela aliada e por último e não menos importante para a dupla que ainda caminhava despreocupada.
Bom, graças a isso, Randall pode notar que um dos integrantes da dupla que ficara atrás fez uma reverencia para seu associado como se dissesse que o outro poderia ir na frente. Concordando com a proposta aquela silhueta que agora era facilmente identificável como feminina começou a acelerar seus passos. Do grupo inimigo era a única mulher.
_ Kristoff, aquela maldita está vindo. Rápido. – Randall pediu.
Kristoff ainda muito atento a batalha movimentou os braços coordenando um ataque direto a inimiga. As colunas de fogo pareceram expelir quatro enormes bolas de fogo, que cortaram o céu e iriam facilmente atingir aquela mulher se ela não fosse tão... Veloz. Sim, a adversária se esquivou de forma tão acelerada que parecia algo fantasmagórico, era praticamente imperceptível para a visão humana, já que os 3 apenas viram um vulto se deslocando e desviando dos quatro lançamentos de Kristoff. Subitamente, tão rápido quanto desviara, a mulher atravessou a distância que existia entre ela e Kristoff e lhe deu um chute que o lançou longe. O parceiro de Randall e Tanya não teve a mínima chance de se defender. Como se também sentissem o golpe levado pelo careca, as grandes colunas de fogo agora foram reduzidas as quatro pequenas chamas originais que estavam nas tochas fincadas ao chão.
Randall urrou vendo o amigo sendo atingido e investiu com sua espada na direção da mulher quando esta parou de se movimentar sem sua super velocidade. Esboçando um sorriso de profundo desprezo pela fúria do inimigo, a velocista desviou também de maneira célere a cada corte que cruzava seu corpo. Por fim, sem que Randall pudesse fazer algo a respeito ela segurou em seu braço que portava a espada, puxou Randall para si mesma e lhe deu uma forte cotovelada em seu nariz, o que atordoou o combatente. Randall deu passos para trás e reativamente colocou a mão livre no nariz já notando o sangramento.
A inimiga girou o corpo e daria mais um chute certeiro, todavia foi atingida por uma rocha e voou pelo menos uns 5 metros longe. Tanya percebendo mesmo com dificuldade toda a movimentação ao seu lado defendeu seu amigo. A terra parecia lhe obedecer na mesma medida que o fogo obedecia a Kristoff.
_ Muito obrigado. – Randall agradeceu.
_ Acho que é muito cedo para isso. – Tanya argumentou e iria falar mais alguma coisa, mas foi interrompida pelo troglodita ainda aprisionado na terra.
_ Me tira daqui, desgraçada!
Tanya o ignorou friamente e se dirigiu a Annabeth.
_ Como estão as coisas aí, Ann?
_ Estou quase forte o bastante. – Annabeth tinha um olhar corajoso e finalmente retirou as mãos da pedra que automaticamente não sibilava mais, apenas brilhava, apesar de ser em uma intensidade menor.
A mãe de Brave foi até Kristoff que tinha caído perto dela e o ajudou a levantar.
_ Essa não vai mais ser um problema para nós. – e indo até a velocista tocou em seu corpo caído.
Assustadoramente ao toque de Annabeth o corpo da adversária se distorceu como num redemoinho no ar e evaporou.
_ Para onde a mandou? – Kristoff questionou.
_ Não tenho ideia, bom, ela também não. – Annabeth respondeu.
_ Agora está na hora de mandar a pedra. – Tanya informou se agrupando com eles.
Aparentemente o plano do grupo estava dando certo. Mesmo com um aliado nocauteado, outro preso ao chão e uma que se esvaneceu com um simples toque de Annabeth, o último inimigo ainda mantinha a mesma calma e agora deveria estar a uns 10 metros da rocha e do quarteto.
_ Preciso de um pouco mais de tempo com essa aqui... – Annabeth notificou o bando e foi em direção da pedra e a tocou. Novamente a luz azul índigo intensa e sibilo oriundos da rocha.
_ Vamos lidar com ele. – Kristoff encarou o último inimigo que finalmente chegara na área em que o grupo permaneceu durante todo o embate.
_ Inútil. – o ultimo inimigo criticou com bastante aspereza ao passar pelo homem preso na terra, este não retrucou apenas rugiu de raiva e esboçou alguns movimentos como se tentasse se livrar de sua situação.
Kristoff movimentou os braços e imediatamente atraiu todo fogo ao redor para suas mãos e caminhou em direção ao oponente, que agora revelava sua face por estar perto do clarão do local, era um homem que aparentava estar na faixa dos 60 anos, era bonito e grisalho, sua barba também grisalha era bem-feita, suas expressões indicavam que de certa forma tinha toda a situação a seu controle. Sutilmente ele apenas esticou os dois braços a frente para se defender de Kristoff.
_ O que aconteceu? – Randall se intimidou ao ver que Kristoff estava completamente imóvel, até mesmo suas expressões faciais pareciam petrificadas.
Um novo movimento realizado pelo homem com os braços fez com que Kristoff se lançasse ao chão espatifado. As duas grandes chamas que empoderavam seus punhos se extinguiram com a queda.
_ Kristoff! – Tanya berrou e como resultado de sua raiva todo o ambiente começou a enfrentar um forte abalado sísmico – Libera ele!
O grisalho titubeou recebendo o tremor de Tanya, porém com muita perspicácia ele esticou uma das mãos na direção de Randall, enquanto abria bem a base de seus pés para pegar equilíbrio. Brave foi despertado de seu sono e voltou a chorar ininterruptamente.
Tanya levantou ambas as mãos e duas rochas que estavam ao redor começaram a flutuar no ar, evidentemente a mulher as usaria no adversário que poderia ter seu fim ali mesmo. Entrementes Randall se sentiu estranho, era como se perdesse o controle de cada músculo de seu corpo, então não conseguia ajudar Tanya no momento e para seu assombro com um simples gesto feito pelo grisalho, Randall começara a se mover sozinho na direção de Tanya. A guerreira estava tão concentrada em desestabilizar seu alvo com o terremoto e em mirar suas rochas que não percebeu a estranheza que acontecia com seu aliado.
_ Randall o que está fazendo?! – perguntou em alta voz Annabeth que por estar atrás conseguia notar as atitudes controversas de seu amado.
Percebendo que teria que ser rápido o homem fez um novo movimento e depois um segundo ligeiramente mais abrupto que o primeiro. Resultado: Randall ergueu sua espada e correu em direção de Tanya.
_ TANYA! – Randall e Annabeth berraram em uníssono, mas fora em vão.
A espada de Randall atravessou completamente o abdômen da mulher que ao sentir toda aquela dor perdeu o controle de suas habilidades com a terra, então com efeito o terremoto cessou e as duas rochas vieram ao chão gerando um forte estrondo. Kristoff ainda parecia pregado ao chão e Brave chorava ao fundo tornando todo aquele momento ainda mais desesperador.
_ Randall... – Foi a única coisa que Tanya conseguiu falar e colocou suas mãos abaixo do local de seu grande ferimento.
_ Tanya, não sou eu... Eu quero me mexer! – e trovejou num misto de espanto, tristeza e raiva.
_ O que você está fazendo com ele? – Annabeth desistiu de continuar interagindo com a pedra e olhava horrorizada para a cena brutal. Tanya naquele momento agonizava e não conseguia falar mais nada.
_ Não percebe? – o homem que parecia ter uma aspereza natural em sua fala inicia um diálogo com Annabeth e Randall – Eu o controlo.
O grisalho fez um movimento semelhante a um esgrimista e de forma mímica Randall reproduziu e retirou a espada do corpo de Tanya, que caiu ao chão visivelmente em seus últimos instantes com eles.
_ Tanya! – Annabeth simulou ir até a direção da amiga, mas teve que frear bruscamente e depois recuar uns 3 passos para trás.
_ Não se atreva. – e fez com que Randall apontasse a espada na direção dela.
_ Meu amor, me perdoe, eu estou tentando resistir, mas é impossível... – uma coisa que realmente era fato, Randall estava buscando se libertar com tanto esforço que sua testa e seu pescoço já apresentavam gostas de suor, fora as lágrimas que escorriam livremente por seu rosto.
_ Randall não se preocupe, eu sei que não nos machucaria. Tanya também. – Annabeth consolou seu amado e correu os olhos na direção de Tanya que naquele momento já estava morta.
_ AHHHH! – Kristoff urrou de forma ensurdecedora, resultando no aumento do choro de Brave.
_ Que indelicadeza a minha, quase me esqueci que estava aí. – o grisalho notificou.
Supostamente o fato de ter que dividir a atenção e uso de suas capacidades entre os presentes ali, fez com que o homem não estivesse exercendo a mesma influência do início em Kristoff e esse voltara a falar, apesar de infelizmente ainda estar estirado ao chão.
_ Pelo que entendi, você agora é descartável e não vai poder mais ajudar seus amigos. Não tem mais fogo por aqui.
Repentinamente ouviu-se um estampido e bem ao lado do grisalho um homem jovem com um sorriso diabólico surgiu, sua aparição súbita se assemelhou a desmaterialização que Annabeth causara na velocista mais cedo. O jovem estava muito bem-vestido diferente dos outros quatro inimigos anteriores que o bando de Randall enfrentara.
_ Então adeus. – ele proclamou e tirando uma faca de dentro da manga de seu sobretudo preto apunhalou Kristoff estirado ao chão.
Kristoff possivelmente foi atingido em seu coração, pois não teve a oportunidade de Tanya, pelo contrário gemeu baixo e não demorou muito a se entregar ao ferimento. Dessa vez ao invés de gritar, Annabeth cobriu o rosto.
_ O que está acontecendo?! Kristoff? – Randall interrogava, afinal estava de costas para a cena, seu corpo estava encarcerado a se manter de guarda diante da amada.
_ Taluf, achei que não viria. – o grisalho sorriu ao ver o novo aliado se encarregar de Kristoff.
_ Sabe que já não uso mais esse nome, Endros. – Taluf informou e depois se colocou de pé retirando a lâmina do corpo de sua vítima, limpando-a em seu sobretudo.
Energizada de uma mistura de coragem e desespero Annabeth não via outra escolha a não ser agir. O breve diálogo entre seus oponentes permitiu a ela a distração necessária para primeiro: esticar o braço na direção da espada de Randall que instantaneamente desapareceu assim como fizera antes com a mulher, e, segundo: correr em direção a pedra e se debruçar sobre ela. Endros reagiu, todavia a mãe já estava em seu destino, mesmo que ela assim como Randall ficou aprisionada naquela posição pelo poder de Endros, com muita força de vontade e um grito tão alto quanto o que Kristoff dera, a mulher conseguiu fazer pela terceira vez algo se contorcer em redemoinho no ar e sumir. Nesse caso, a grande rocha de brilho azul índigo.
_ MALDITA! O cometa! – Endros diferente de toda a sua trajetória até aqui esboçava uma reação genuína de derrota e muita fúria.
Um novo som seco, semelhante a um tiro se ouviu e Taluf sumira da posição em que estava e reaparecera ao lado de Annabeth e com um golpe rápido conseguira mais uma vítima para sua faca. Notando a derrota da mulher, Endros permitiu que esta voltasse a se mexer, diferente de Randall que permanecia petrificado como se ainda apontasse a espada para o ar. Annabeth sentido a dor se apoiou em Taluf para não cair e absurdamente riu.
Taluf retirou a lâmina de Annabeth e ouvindo o riso da mulher se indignou com tal atitude e não permitiu que ela continuasse a se apoiar nele, lançou-a violentamente ao chão.
_ MEU AMOR, NÃO! – Randall se desesperou e agora tinha todo o seu rosto molhado num conjunto de suor e lágrimas, seu pescoço também estava daquela forma e já se notava o molhar de sua roupa.
Era inimaginável toda a dor física que Tanya, Kristoff e agora Annabeth sentiram sendo friamente golpeados, mas a dor de Randall era diferente, era profunda, ele estava testemunhando a morte de todas aquelas pessoas e não conseguia fazer nada a respeito, ele mal podia se mexer, então começou a chorar incontrolavelmente e gemia de forma inexprimível.
_ O que é engraçado para você? – Taluf interroga olhando para a mulher.
_ Essa desgraçada está rindo porque conseguiu desaparecer com o cometa! – Endros avançou em direção a ela – Vou quebrar cada parte do corpo dela.
_ NÃO! DEIXEM ELA! – Randall intercedeu, afinal era o que conseguia fazer a respeito.
_ Não é necessário, Endros. Ela já está perdida. – Taluf interveio com certa elegância.
_ Não é exatamente o momento de se ter princípios, Taluf. – Endros criticou.
Annabeth aumentou o som de sua risada, era tão inesperado que ela estivesse achando cômico o desespero de seus inimigos. Depois ela olhou para seu filho Brave que ainda chorava à uma distância de um metro dela.
_ Vocês nunca mais encontraram essa pedra. – ela anunciou – Randall eu te amo e tenha bravura. – Annabeth clamou ao amado fazendo alusão ao nome escolhido para a criança e esperava que da mesma forma que ela se apropriara dessa palavra, o marido nos momentos seguintes fizesse o mesmo.
Randall entendeu perfeitamente que Annabeth finalizaria o plano e neste momento parou de chorar entendendo cada sacrifício feito ali.
Posteriormente, Annabeth que estava totalmente entregue ao chão, usou suas últimas forças e consciência para esticar a mão direita e tocar em seu filho Brave. O silêncio fruto de sua última ação indicara que Brave assim como o cometa, a espada e a velocista desaparecera daquela cratera.
_ Basta! – Endros que já perdera todo seu controle emocional fez um movimento abrupto com a mão esquerda olhando para Annabeth e instantaneamente o pescoço da mulher virou num giro de 180 graus. Annabeth estava morta.
Condado de Follow Rivers, Virginia colonial, Estados Unidos, 1640
_ Sarah! Espere por nós. – pediu uma mulher que estava elegantemente vestida para uma garota que aparentava ter uns seis anos de idade que corria a frente.
_ Querida, sabe que não se pode vagar pelas ruas assim. – insistiu agora o homem que acompanhava a mulher, também com roupa de gala.
_ Estou na calçada! – bradou a menina em teimosia.
_ Que petulância. – disse a mãe.
_ Sabe que ela herdou essa genialidade de sua família. – defendeu o pai.
_ Certamente não é só a genialidade da minha família que está deixando Sarah tão teimosa. – a mulher certamente criticava as atitudes do pai de sempre advogar os erros da filha.
A família cruzava uma rua que no momento estava pouco movimentada, a iluminação se dava por duas lamparinas que Sarah e seu pai seguravam no momento. O vilarejo de Follow Rivers ainda não era grande deveria ter no máximo umas 40 estruturas e era para casa que a família se deslocava.
_ O jantar na casa dos Fellows foi maravilhoso. Estou feliz que nossas famílias estejam se apoiando. – o pai resolveu mudar de assunto.
_ Se vai ajudar nos nossos negócios, eu tolero as falácias do velho Donovan. – a mulher revirou os olhos e foi abraçada pelo marido que riu.
_ Você é o amor da minha vida, obrigado por ser tão companheira.
_ Eu te amo, Frederic. Para sempre. – ela se declarou ainda abraçada a ele.
_ Eu também te amo, Catherine. – e afastou a lamparina para o lado, pois tinha a intenção de beijar a esposa.
Ela retribuiu e houve uma pausa na caminhada do casal.
Inesperadamente Sarah esganiçou logo a frente interrompendo o momento íntimo do casal. Frederic e Catherine não perceberam, mas algo havia surgido diante do caminho deles e era por isso que Sarah se adiantara durante o trajeto. Após investigar o que quer que fosse, Sarah estava assustada. Frederic correu até a filha e pode finalmente ver o que a estava deixando daquele jeito, o homem paralisou.
_ O que foi, Fred? Por que a Sarah gritou? – Catherine se aproximou do marido e da filha e abraçou-a. – Está tudo bem, minha princesa?
_ Catherine... – Frederic havia se abaixado e apanhado a causa de todo alvoroço.
Um neném embrulhado em um manto bem peludo que após o grito de Sarah começara a chorar.
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