BEYONDERS

2 Capítulo Um: Follow Rivers


Notas iniciais
Agora estamos oficialmente embarcando na aventura. Conheça nossos Beyonders. Boa leitura! :)

Follow Rivers, Vírginia, 2025


Havia um alvoroço gigantesco na praça central da bela Follow Rivers. Moradores andavam para lá e para cá, carregando caixas, varais de lâmpadas, artigos decorativos, muitos deles eram funcionários da prefeitura local, outros apenas voluntários que compraram a ideia proposta de fazer um grande evento, afinal não era todo dia em que se conseguia ver a olho nu um dos mais belos exemplares galáticos cruzar o céu noturno: o cometa Tunner.

Eliott Tunner fora o astrônomo responsável por descobrir o cometa e um dos que calcularam sua trajetória. Não era a primeira vez que a rocha incandescente desenhava a órbita terrestre. Tunner descobriu que em 1640 o cometa também cruzou nosso planeta e, pelos cálculos feitos por toda a sua equipe e revisados por outros grandes cientistas, matemáticos e astrônomos, a cada 385 anos a Terra receberia o viajante espacial. Hoje especialmente seria às 22 horas.

Toda cena de mobilização na praça era entusiasmadamente assistida por duas mulheres, uma vestia uma saia vermelha e um casaco igualmente vermelho, tinha a pele negra e os cabelos pendiam em cachos volumosos em seus ombros, já a outra era esguia, tinha o cabelo castanho curto e usava roupas características de secretária: calça social preta, camisa branca, sapato fechado de salto e com um tablet na mão. Elas estavam na escadaria da frente de um prédio cor de gelo que ficava ao norte da praça. Por conta das bandeiras penduradas nele com certeza era a prefeitura.

_ Prefeita Martin esse evento será fantástico. – a possível secretária ressaltou.

_ E você tem dúvidas, Lia. – a prefeita olhou para a jovem e exibia um sorriso orgulhoso. – Quando anunciaram nas mídias sociais sobre esse cometa, eu que amo um evento não poderia perder a oportunidade de fazer algo aqui em Follow.

_ Talvez tenha exagerado um pouco... – Lia sugere balançando a cabeça negativamente.

_ Talvez. Como pedir para confeccionarem uma miniatura do cometa em gesso e agora estarem precisando o colocar no centro da praça com um guindaste. – reconhece, enquanto ambas testemunham a cena descrita por ela. – Mas afinal, sou conhecida como “mãe dos eventos” pela oposição, não, é?

_ Você é terrível, Andrea. – Lia ri do sarcasmo de sua chefe.

Pelo jeito a relação entre elas era bastante amigável. Lia era a assessora de Andrea que já estava no seu segundo mandato em Follow Rivers, a tal “mãe de eventos” parecia agradar bastante a população, pois muitas pessoas se voluntariaram a ajudar no evento de hoje.

_ Só quero ver Follow Rivers feliz. – Andrea fala e seus olhos brilharam em admirar novamente toda a agitação local.

_ E você tem feito, Andrea, certamente.

_ Eu discordo. – uma voz masculina fala por de trás de Andrea, como ambas estavam admirando a praça não perceberam a aproximação de quem quer que fosse.

_ Lucca... – a voz de recriminação era perceptível em Andrea que se virou e balançou a cabeça negativamente para o filho.

_ Estou falando sério, eu não estou feliz. – ele sorria para mãe. – Preciso mesmo ficar ao seu lado durante todo o evento?

_ E você acha que eu fico feliz pelo fato de você me trocar pela filha dos Brave, Lucca Martin? – Andrea desdenha. Pelo jeito mãe e filho compartilhavam do mesmo humor.

_ É um princípio bíblico, mãe. O homem deve deixar pai e mãe e se unir a sua... Sua namorada. – Lucca fala todo presunçoso com o sorriso bem largo.

_ Esse sorriso é terrível, seu pai também tinha tudo o que queria quando sorria assim pra mim. – Andrea confessa e admira a beleza do filho, era tão semelhante ao seu falecido marido. Sim, Andrea é viúva.

_ Isso quer dizer que posso deixar o mood filho da prefeita a noite? – Lucca cruza os braços satisfeito.

_ Como é chantagista. – Lia condena e sorri para eles.

_ Filho da prefeita, sim, filho da Andrea Martin, não. Espero que tenha juízo com a garota. Use a cabeça de cima, Lucca. – Andrea coloca o indicador em sua têmpora acreditando que ele entenderia sua mensagem.

_ Desnecessário, prefeita. – Lucca revira os olhos.

Lia deu um riso constrangido, afinal achava o jovem Martin um rapaz atraente. E ele realmente era. Alto, corpo malhado, cabelo em corte militar, brincos nas orelhas, sua pele era negra como a da mãe, seu maior charme era o sorriso. Então interrompendo o diálogo os três ali perceberam a aproximação de um homem que vinha com uma prancheta em mãos.

_ Lia! Os brinquedos para as crianças chegaram! – informou ele, estava uniformizado e com um boné com a logo da empresa em que trabalhava.

_ Os brinquedos da Gear, preciso conferir e indicar onde devem ficar. – Lia notificou Andrea.

_ Vou com você, querida, faço questão de recepcionar nosso parceiro. – Andrea se prontificou e posteriormente olhou para o filho. – Eu te amo.

_ Também te amo. – ele mandou um beijo a ela.

Andrea, Lia e o funcionário da Gear desceram a escadaria e praticamente desapareceram no meio de toda a aquela movimentação.

Lucca se sentou na escada e pegando do bolso de sua calça jeans o celular tratou de comunicar a namorada sobre os planos para a noite.

_ Oi gata. Como você tá? – ele disse quando ela atendeu sua ligação.

_ Hey, eu estou bem, tirando o fato que estou dedicando minha tarde em organizar meu quarto e não pra ir tomar um sundae com meu namorado. – Beverly responde.

_ Olha pra organizar tudo isso aí tenho certeza de que não será preciso somente o período da tarde.

_ Que ridículo. – Beverly retruca, contudo olhando ao seu redor, talvez deveria começar a considerar o comentário de Lucca.

_ Agora falando sério, você precisa terminar isso até às 20h. Se não vou invadir seu quarto pela janela. – Lucca ameaça.

_ Vou fazer uma barreira de roupas na janela, aposto que não vai conseguir entrar. – Beverly brinca com ele.

_ Você tem um ponto. – ele concorda e depois ri.

Beverly se senta na cama e começa a enrolar o cabelo com o dedo, enquanto escutava a risada do namorado.

Lucca e Beverly estavam entrando no seu quarto mês de relacionamento, eles já haviam tentado três anos antes, mas devido ao fato de Beverly se considerar muito nova para aquilo eles terminaram, mas durante todo esse período vez ou outra eles tinham momentos de intimidade. Lucca sempre foi apaixonado por ela e nunca negou isso, apesar de que sempre se permitir experimentar outras garotas, coisa que Bev era muito discrepante, poucos rapazes conseguiram algo com ela.

_ Te espero às 20h. – ela anuncia.

_ Às 20h.

_ Tchau, gatinho. – ela reproduz o som de um beijo e depois encerra a ligação.

Beverly se joga para trás na cama e suspira, realmente estava muito feliz em seu relacionamento com Lucca. O rapaz era bastante carinhoso, atencioso, carismático, era muito sedutor e beijava super bem, porventura Bev se sentia intimidada por conta das outras garotas, afinal de contas o fato dele ser o filho da prefeita parecia atrair outro tipo interesse para ele. Algo que nunca passou pela cabeça de Bev. Lucca para ela, era realmente alguém que despertava sentimentos intensos.

“Vamos Bev, seu guarda-roupa ainda está um caos”.

_ Bev, querida. – uma voz doce fala ao abrir a porta do quarto. – Jesus! O cometa se adiantou e passou pela sua janela? – ela exagera ao presenciar todas aquelas roupas espalhadas pelo chão, gavetas retiradas do guarda-roupa, livros e caixas de acessórios sobre a cama.

_ Mãe! – Beverly se constrange e depois se senta na cama. – Juro que no final você vai se orgulhar.

_ Precisa se desfazer de algumas dessas coisas. – a mãe sugere.

_ Tenho essa intenção também. Posso enviar ao St. Amos.

_ Excelente!

St. Amos era um abrigo para adolescentes que ficava na cidade vizinha, Rachel mãe de Beverly já havia trabalho lá tempos atrás.

_ Podemos mandar junto com as coisas do seu avô. – Rachel dá uma longa respirada denunciando um certo desconforto em citá-lo. – Tem roupas dele que com certeza vão servir em garotos de lá.

_ Ainda é difícil, não, é? – Bev se levanta da cama e se aproxima um pouco da mãe olhando para ela.

_ Muito. Ontem fui lá na casa dele, apanhei todas as roupas e tirei algumas fotos dos móveis. Vou colocar algumas coisas a venda. Seu tio pediu algumas coisas também... – Rachel força um sorriso.

O pai de Rachel, John Brave infelizmente morreu há três meses e acabou levando muito da alegria da família. John era muito presente na vida dos filhos e conseguia também ser na vida dos netos, mesmo que só tivesse 3: Beverly e seus dois primos que moravam na cidade de Oklahoma. A avó de Rachel também falecera anos antes.

_ Sinto muita falta dele. Quando penso nele sempre lembro do cheiro dos ensopados que fazia pra gente. – Beverly se emociona com a lembrança, e era verídico, conseguia mesmo sentir aquele cheiro da mistura de temperos que o avô usava quando estava cozinhando para a família.

_ Eu achava que ele viveria para sempre. – Rachel se expressa – Papai sempre teve uma saúde irretocável, muito jovem, amava te levar para subir ao monte Carlisle (um dos muitos locais turísticos de Follow Rivers).

_ Talvez algo que eu não sinta tanta saudade... – Beverly ri e sua mãe acaba rindo também.

Há um breve silêncio depois que mãe e filha param de rir, Beverly sempre muito empática decide ir até Rachel e abraçá-la. Rachel retribui e deixa algumas lágrimas teimosas escorrerem nos ombros da filha. Subitamente, após alguns minutos ali, as duas notam que mais duas mãos as envolvem. Tratava-se de Matthew, o pai de Bev.

_ Eu amo vocês. – Beverly fala enlaçada aos pais.

_ Também amo vocês. – Matthew olha para elas. – Pedi para vir um pouco mais cedo hoje, quero te levar para jantar em um lugar diferente. – Matthew olha para a esposa.

_ Ah, meu amor. – Rachel se surpreende. – É algo que me deixaria muito feliz. – ela limpa as lágrimas e se vira para ele encantada.

_ Então vamos tomar banho e nos arrumar.

_ Já? – ela se espanta.

_ Dã... Não é em Follow Rivers. – Beverly debocha.

Matthew faz sinal positivo com a cabeça e isso dispara uma onda de ansiedade na esposa.

_ Estou indo para o banheiro agora. – Rachel dá um beijo na testa da filha, na boca do marido e depois sai dali apressada.

_ Daqui a pouco eu entro lá. – Matt avisa com um sorriso malicioso. – Mandei bem, né? – Matt olha para a filha pomposo.

_ Demais! Você é maravilhoso, pai. – Beverly se empolga.

_ Ela teve que lidar com as coisas de John, então imaginei que estivesse fragilizada hoje. E você? Vai ficar na praça com a Amanda? – Matt pergunta arqueando uma das sobrancelhas.

_ Pode parar por aí, Matthew Brave... – Beverly recrimina sabendo exatamente onde o pai queria chegar. – Vou sim, passar um tempo com a Amanda, se bem que ela vai estar ocupada tirando todas as fotos possíveis do evento, e bom, também vou estar com o Lucca.

_ Pode parar por aí, Beverly Brave. – Matt retribui satirizando. – O fato de não estarmos por aqui não vai te dar toda a liberdade do universo pra curtir o namoradão.

_ Pai! Me respeita! – ela gargalha. – Você sabe que tenho juízo, não confia mais em mim?

_ Você totalmente, ele não.

_ Pois pode ficar tranquilo, Matt. Enquanto Lucca não avançar no compromisso dele comigo terá minha entrega limitada.

_ Excelente, Beverly! – Matthew pisca para ela.

Nas entrelinhas do diálogo de pai e filha estava implícito o fato de que Lucca ainda não dera uma aliança para Bev, o que na mente de Matt, Rachel e até de Bev, oficializaria em ultimato o namoro.

_ Agora podemos encerrar esse diálogo bizarro e você pode ir aproveitar sua mulher. – Beverly com o dedo indicador aponta para a porta do banheiro.

_ Excelente mais uma vez, Beverly. – ele sai satisfeito.

A relação de Matthew e Beverly sempre fora assim, era a maneira como os dois se entendiam e funcionava muito bem. Após encerrar a conversa com o pai, Beverly entrou em seu quarto e encarando novamente a bagunça, bufa.

“Péssima ideia para hoje, Beverly, péssima”.


_ Ainda não consigo acreditar que recebemos esse convite da prefeita para registrarmos todo o evento. – uma garota que tinha os cabelos castanhos cor de mel e todo cacheado disse, enquanto colocava mais algumas batatas fritas na boca.

_ Ela é maluca. – um rapaz que tinha uma aparência finlandesa argumentou (muito branco, loiro e de olhos num azul extremamente claro).

_ E você um babaca, Alex. – ela dá um tapinha na testa dele.

Alex ri e pega algumas das fritas que estavam distribuídas num prato na frente deles. Os dois estavam em uma lanchonete bastante aconchegante, a mesa que escolheram ficava ao lado de uma das vidraças que davam um vislumbre perfeito da correria na praça de Follow Rivers. A cor principal dos móveis e bancadas da lanchonete era vermelha, cor que Alex uma vez explicou que induzia a ter fome. Amanda não refutava esse conceito, afinal todas as vezes que passava em frente ao Follow Up sentia uma fome incontrolável.

_ Vai comer tudo sozinha, gulosa.

_ Vai ser um insuportável? – Amanda revira os olhos. – E outra, estou celebrando nosso convite da noite.

_ Eu sei, também estou contente, é uma chance de termos nosso trabalho reconhecido, estou cansado de cobrir apenas aniversários infantis e algumas festas flopadas.

_ Exato! Já estou pronta para ficar responsável por nossa agenda. – Amanda tinha muita confiança em seus lindos olhos verdes.

_ Gostei. – Alex se orgulha – Trocou a lente da sua câmera?

_ Logo após a ligação da assessora da prefeita. Alex, meu nome é pronta. – Amanda debocha e pega mais batata mergulhando algumas no ketchup.

Amanda estava sentada de frente para a porta de entrada do Follow Up e por estar nessa posição foi surpreendida quando um rapaz que ela nunca tinha visto por ali adentrou a porta. Follow Rivers não era uma cidade tão pequena, na verdade ela tinha um turismo muito forte, então certamente Amanda não conhecia todo mundo, mas era uma frequentadora fiel do Follow Up, logo ela se julgava capaz de reconhecer um frequentador novo do local.

Inconscientemente, ou simplesmente porque o moço era muito bonito, Amanda o acompanhou com o olhar até ele chegar ao balcão. Alex percebeu que a amiga tinha a atenção presa em algo e conferiu o que se tratava.

_ Quem é? – ela indagou.

_ Nunca vi... – Alex pareceu não se importar.

_ Que lindo, ulalá. – Amanda simulou abanar-se.

_ Sério, Amanda? – Alex ridicularizou. – Eu não sou nada para você?

_ Alex, por favor. Sabe que nossa relação é estritamente profissional. – Amanda revirou os olhos,

_ Nem ferrando. – ele molho o dedo no ketchup e passou no nariz dela.

Ela abriu a boca e arregalou os olhos surpresa.

_ O quê? Você mereceu. – Alex deu de ombros.

Amanda limpou o nariz e voltou a analisar o rapaz novo. Ele vestia calça jeans com lavagem clara com rasgos discretos, camiseta preta bem colada ao corpo, que certamente era bem definido, pois era notável mesmo na camiseta as costas e ombros bem desenvolvidos, também estava usando um boné azul marinho. Outro detalhe que Amanda notou melhor enquanto o jovem falava com a atendente: barba. E muito bem-feita por sinal, algo que Amanda amava.

_ Eu vou embora. – Alex chantageia incomodado.

_ Alex você sabe que um dia nos casaremos, mas não é agora, então sossegue. – Amanda brinca com ele.

O loiro era verdadeiramente uma incógnita. Definitivamente ele não era gay e muito menos aquele tipo de amigo que ficaria numa friendzone, na verdade ele sempre soltava algumas frases que davam uma forte conotação de que gostava de Amanda, ou tinha ciúmes dela. Todavia, ele contava de todas as garotas que saia para a amiga, então Amanda criou essa barreira psíquica para qualquer sentimento amoroso com ele. Amanda dizia para si mesma que ela era o brother de Alex e que eles quebravam aquele tabu de que um homem e uma mulher não podiam ser só amigos.

_ Ele está vindo para cá, disfarça.

Alex ri das atitudes dela e balança a cabeça negativamente.

_ Hey, você é novo por aqui, não?

Alex para a surpresa/vergonha de Amanda abordara o jovem quando ele passou ao lado da mesa dos dois. Amanda sentiu seu rosto queimar e decidiu beber seu copo de refrigerante para que tanto Alex como o barbudinho não percebem seu constrangimento.

_ Hey... Sim, eu sou, denuncio tanto assim? – a voz dele era muito grave e lhe concedeu um ar muito adulto.

_ Relaxa, é porque somos praticamente sócios do Follow Up e eu nunca tinha te visto por aqui, não é, Amanda? – Alex insere a amiga na conversa e exibia um sorriso provocante.

Amanda deu uma ligeira engasgada no refri e finalmente olhou para o novato.

_ Sim, realmente... – Amanda sorriu para e depois olhou para Alex fuzilando-o.

_ Me mudei para cá na sexta feira, amanhã será meio primeiro dia de aula aqui. Estou bem perdido. – ele coçou o cabelo, talvez um pouco desconsertado.

_ Prazer, me chamo Alex e essa é a Amanda.

_ Connor Hastings. – Connor estende a mão para Alex e ambos se cumprimentam. – Prazer Amanda. – ele sorri para ela.

_ Muito prazer, Connor. – Amanda retribui o sorriso dele e se esforça pra não ficar ali olhando para Connor.

_ Senta aqui com a gente. – Alex convida e recebe um chute de Amanda por debaixo da mesa, o rapaz resisti a vontade de expressar a dor que sentiu.

_ Claro. – Connor aceita e depois se senta no espaço que Alex cedeu para ele.

_ Conta sua história. – Alex principia.

_ Bom, eu e minha mãe morávamos em Owensboro no Kentucky algumas coisas complicadas aconteceram e ficar lá parecia estar fazendo muito mal a minha mãe. Então consegui uma oferta de trabalho para ela aqui. E é isso. – Connor simplifica.

_ Você agiu bem. – Amanda elogia. – Faria de tudo para ajudar minha mãe no seu lugar.

_ Você deve ter abandonado muitas coisas para poder vir pra cá. – Alex reconheceu.

_ Infelizmente... Amigos, um emprego bacana e uma namorada. – Connor expõe.

_ Caramba! Sinto muito. – era difícil para Alex admitir, mas estava gostando de Connor.

_ Tá tudo bem... – Connor respira fundo.

_ Namorada? – Amanda não se contém e dessa vez Alex retribui o pontapé. – Ai!

_ Oi? – Connor estranha.

_ Bati meu joelho no pé da mesa. – Amanda inventa.

_ Sim, eu tinha uma namorada lá, mas senti que não deveria prendê-la a mim, por isso decidi terminar. Ela é uma pessoa incrível, queria que ela encontrasse alguém mais disponível. Ela não entendeu o término e me excluiu da vida dela, enfim... – Connor sorri.

_ Deve estar sendo difícil pra você. – Amanda olha para ele.

_ Está, mas algo dentro de mim me diz que fiz a escolha certa e isso tem me confortado. – ele os tranquiliza.

O trio é interrompido pela garçonete que trás em sua bandeja uma taça com milk shake, provavelmente o pedido de Connor. Ela repousa a taça na frente do rapaz e sorri a eles.

_ Se precisarem de mais alguma coisa é só me chamar.

_ Claro, muito obrigado. – Connor agradece.

_ Obrigado, Vic. – Amanda sorri para ela.

Vic se afasta deles e vai para a mesa aonde um casal que havia acabado de chegar se sentou. Connor bebe um pouco do seu milk shake e decide retribuir a pergunta que Alex o fez para poder conhecer os dois um pouco mais.

_ E vocês, o que me contam?

_ Eu... – Alex como em toda a conversa até aqui achou que teria que tomar a dianteira, mas abismou com Amanda que o cortou.

_ Amanda Capstall, moro aqui desde quando nasci, estou no último ano e faço parte do jornal da escola, na verdade minha paixão é fotografia. – a garota tenta não falar demais para não assustar o paquera.

_ E é cliente fiel do Follow Up. – Connor acrescenta.

_ Isso! – era visível que Amanda estava mais à vontade na conversa, possivelmente por isso já se adiantou em responder Connor.

_ Eu sou Alexander Valkonen, mais conhecido como Alex. Meus avós paternos eram finlandeses por isso o sobrenome diferente e o platinado natural. – ele se vangloria – Também estou no jornal da escola e amo fotografia, sou parte do time de vôlei da escola e também faço parte de uma banda.

_ Você é bem eclético. – Connor faz uma expressão de “nada mal”.

_ Até hoje não consigo definir exatamente o que Alex é. – Amanda caçoa do amigo. – Não é totalmente nerd, não é totalmente atleta, nem totalmente artista...

_ Nem americano. – Connor argumenta com Amanda e os três começam a rir.

_ Vai vir na festa? – Amanda questiona e indica com a cabeça em direção a janela para que ele reparasse em toda aquela agitação.

_ Com certeza, eu e minha mãe estamos ajudando, bom... Ela está trabalhando na prefeitura mesmo e eu me voluntariei, vim aqui dar uma pausa. – ele explana.

_ Está melhor que nós que somos moradores. – Alex expõe.

_ Trabalharemos muito a noite, Alex. – Amanda se defende.

_ Sério, com o quê? – o novato indaga e toma mais um pouco do seu milk shake.

_ Fomos chamados para fotografar o evento. – Alex se orgulha.

_ Sim, a pedido da própria Andrea Martin. – Amanda enaltece.

_ Na verdade foi um e-mail da assessora, Amanda.

_ Evidente, Alex. Se eu fosse ela também faria igual. Teria as melhores ideias e depois iria ficar delegando funções mesmo. – Amanda não se abala.

_ Vocês são um casal? – Connor acha cedo perguntar, mas parecia algo perceptível ali.

_ Não! – os dois respondem em uníssono.

Connor ri das reações deles. “Talvez não agora”, ele pensa e finaliza seu milk shake.

_ Bom, acho que vou indo pessoal, deve ainda ter muita coisa para se fazer ali. – Connor sorri a eles.

_ Claro, nós entendemos.

_ Entendemos tanto que vamos lá ajudar também, não é, Alexander? – Amanda fala inquisidora.

_ Seria maravilhoso. – Connor se anima e olha para eles.

_ Ah claro! – Alex concorda, mas não deixa de lançar um olhar de estranhamento para Amanda.

Todos se levantam, Amanda e Alex já tinham acertado a batata e começaram a sair do estabelecimento.

_ Me esperem lá fora, vou acertar e pegar um sorvete para minha mãe. – Connor pede a dupla e recua indo para o balcão.

Amanda e Alex saem do Follow Up e aproveitando que não tinham naquele momento a companhia de Connor decidem quase simultaneamente falar sobre o tempo que passaram com ele.

_ Um fofo, né? Até sorvete para mãe ele se importa em levar. – Amanda inicia.

_ Você vai pagar a conta na próxima vez que nós viermos aqui. – Alex atribui. – Nem adianta reclamar, eu promovi toda essa conversa.

_ Já te ajudei a sair com muitas garotas e nem cobrei nada. Alguma iluminação divina veio sobre você para me ajudar hoje. – ela recrimina.

_ Vou deixar essa passar por que gostei dele. Sabe que eu tenho que aprovar, né?

_ Continue agindo assim... Vou começar a rejeitar a ideia de que num futuro semi apocalíptico nós estaremos nos casando. – Amanda revira os olhos.

_ Eu já sei que o seu fim é comigo, então por que não te irritar durante todo o percurso até lá. – Alex sorri maliciosamente.

_ Alexander, Alexander já estou calculando a rota do chute que quero te dar. – ela fuzila ele.

_ Eu amo você, Amanda. – Alex mantém o sorriso a ela.

_ Vamos? – Connor fala ao sair do Follow Up não com um, mas três picolés na mão. – Um pra você e outro pra você. Peguei de limão pra não errar, tá muito quente hoje.

Amanda pega o dela e faz cara de apaixonada debochando para Alex, este apanha o seu picolé dado por Connor e ri das expressões da amiga. Ambos agradecem o novato e se juntam a ele rumo a praça do outro lado da rua.


_ 5, 6, 7, 8... – contou uma moça loira que estava de frente para outras oito garotas.

As jovens estavam distribuídas de maneira simétrica e após a contagem começaram a performar, a loira as avaliava e parecia satisfeita com a sincronia, energia e dedicação do grupo, contudo uma careta evidenciou que algo saiu fora do planejado então ela fez sinal para que as meninas parassem.

_ Gwen e Blair, vocês precisam botar mais energia quando fizerem aquela jogada de cabelo... – ela corrigiu. – Assim, olha... – E reproduziu o passo de forma que elas visualizassem seu desejo de melhoria.

_ Entendi, Erin. – Gwen concordou.

_ Está maravilhoso meninas... – Erin elogiou. – Vocês pegaram bem a coreografia e olha que recebemos o convite no começo da semana.

_ Eles poderiam ter mandado antes, né? – uma das jovens comenta.

_ Sim, Emma, mas pensa comigo... O fato de termos recebido o convite uma semana antes do evento e já termos a coreografia pronta mostra que não somos só um grupo de líderes de torcida, somos profissionais. – Erin enaltece o grupo.

_ Graças a você, Erin. – Blair puxa algumas palmas que são acompanhadas.

_ Somos um time, vocês também merecem muitos aplausos. – Erin também aplaude. – E bem, pensando nisso, como é nosso último ensaio antes da apresentação de hoje queria dar algo pra cada uma de vocês.

As meninas se agrupam e ficam animadas ao ver Erin se afastar e ir até sua bolsa que estava num banco de madeira no canto da sala onde estavam. As garotas estavam no colégio McKinley, Erin no início da semana havia conversado com o diretor a respeito do evento e ele liberou o horário noturno durante a semana e o fim de semana todo para que as meninas pudessem ensaiar. As cheers estavam numa sala bem ampla, toda espelhada, o solo era como se fosse todo um tatame o que permitia que as meninas do cheerleading tivessem uma outra opção para os ensaios além do campo. McKinley era um colégio destaque na área esportiva, tinham excelentes equipes de vôlei, natação, basquete e futebol americano e a equipe de cheer era assídua em todos os jogos. Erin se tornara capitão no ano passado, após a formatura da antiga líder. Para a equipe o que já era bom ficou ainda melhor, já que Erin além de ter um intenso espírito de liderança era bastante compreensível e buscava ser um exemplo no que fazia.

Erin retorna até onde elas estavam e trazia uma pequena caixa de MDF em mãos dentro dela dava pra se ver vários chaveiros personalizados de várias meninas segurando pompons nas mãos, uma representação clara do grupo de cheerleading.

_ Erin! Eles são lindos! – exclamou uma das cheers.

_ E eles vem com os nomes e características físicas de vocês. – Erin sorri lindamente olhando para o grupo. – Bom, vou distribuir.

_ Piper... Amber... Emma, Gwen... Maryan, Blair e Julia... E por fim, Josie.

_ Muito obrigado, Erin. Você arrasou no presente, a minha tem até os cachinhos. – Piper elogia.

_ A minha também. – Josie fala e levanta seu chaveiro para cima.

_ E a minha é bem ruivinha, até as sardinhas ela tem. – Amber sorri olhando para o chaveiro.

_ Fico feliz que tenham gostado. – Erin estava satisfeita com a reação positiva delas. – Bom, agora vamos passar mais uma vez? – ela arqueia uma das sobrancelhas e olha para o grupo.

_ Sim, senhora. – Piper faz uma continência e já assume sua posição na coreografia sendo acompanhada pelas restantes.

Erin desta vez assume seu lugar no centro do grupo e pede para que Blair apertasse o play no notebook que também estava posicionado em cima do banco de madeira na lateral da sala. Blair toca na tela e a música escolhida para a apresentação começa a tocar e assim as nove garotas repassam a coreografia.

Minutos mais tarde elas se banham no vestiário e vão despedindo confiantes que a apresentação seria um sucesso.

_ Vamos, Erin? – Blair questiona sendo a última do grupo ainda ali no vestiário.

_ Pode ir, Blair. Vou conversa com o Osborn e a turma dele. – Erin revira os olhos.

Blair entende perfeitamente o recado. Jared Osborn era o líder de uma banda da escola chamada Unfollow, Erin cria piamente que o nome era uma maneira de expressar certo desprezo pela cidade, afinal era a antítese de Follow. Talvez alguma crítica por coisas que aquela cabeça rebelde e presunçosa achava importante. E ele era exatamente assim, descolado, rebelde, presunçoso, um ego enorme que competia com o dela.

_ Boa sorte. Fala pra eles não errarem o ritmo e nem desafinarem.

_ Não sei o que o sr. Evans estava na cabeça quando nos uniu a eles. – Erin censura o diretor. – “Vocês precisam trabalhar as diferenças entre vocês e produzir algo grandioso com isso”. – Erin reproduz perfeitamente as falas do homem.

Uma das capacidades não muito conhecidas de Erin era que ela conseguia imitar muito bem as vozes das outras pessoas e o diretor Evans estava em seu portifólio.

_ Igualzinho! Erin você não existe. – Blair ri dela. – Nos vemos mais tarde então.

_ Beijos Blair, depois mando no grupo o que nossos amigos me falarem e os horários.

Blair acena para ela e vai saindo dali. Erin apanha sua mochila coloca em suas costas e pegando seu celular caminha na direção oposta a Blair indo até o estúdio de música da escola. Era o local onde o diretor tinha cedido para Unfollow ensaiar. Durante o percurso entre a sala de dança e o estúdio de música do colégio, Erin recebeu uma mensagem em celular e como ela estava com ele em mãos vendo um dos vídeos do ensaio, rapidamente ela foi conferir do que se tratava.

A mensagem vinha acompanhada de uma foto e pelo ângulo da mesma, Erin reconheceu sua mãe. A foto parecia ter sido tirada de uma das janelas da casa onde elas moravam e mostrava a mãe da jovem lavando louças na cozinha. “Vim fazer uma surpresa para ela”, dizia o texto da mensagem abaixo da foto enviada.

Quando seu cérebro compreendeu todo o significado que aquela mensagem tinha, a garota instintivamente disparou dali e talvez por ser parcialmente uma atleta ela não demorou muito pra atravessar todo o corredor em que estava. Ela acabou passando pelo estúdio e conseguiu ouvir os instrumentos e arranjos da banda, mas teria que ignorar completamente sua vontade de dar pitacos no ensaio da banda. Uma curva para direita e mais um corredor largo que funcionava como um enorme hall de entrada para a escola, separavam Erin da saída da escola para que pudesse pegar o carro no estacionamento.

Então quando dobrou o corredor para a direita, colidiu em alguém e com a força do impacto ambos, que estavam correndo, vieram ao chão.

_ Hey! Não olha por onde anda?! – Erin reclama e apanha suas coisas no chão tentando se recompor.

_ É que eu não esperava que em pleno domingo iria me deparar com a equipe de atletismo fazendo o treino dentro dos corredores do colégio. – a pessoa tinha uma voz familiar para Erin.

_ Osborn! – ela fuzila o rapaz.

Jared ri da expressão que ela faz e fica pensando se a cara que ela estava fazendo era pelo seu sarcasmo, pela colisão que tiveram ou simplesmente por ele ser ele. Já fazia alguns meses que Jared e Erin tinham esse clima de aversão mútua, Jared sempre levava para o lado esportivo e utilizava de todo seu sarcasmo e deboche, já Erin ficava extremamente irritada e lançava sua acidez.

_ Pra que toda essa correria? – ele indaga após se levantar e dar uma ajeitada em seu cabelo.

Jared tinha uma altura boa, ombros largos, tinha um porte físico bacana, nem magricela, nem musculoso demais, tinha olhos bem marcantes de cor de mel e talvez seu maior charme era o cabelo todo rebelde, o qual o rapaz sempre ficava ajeitando ao passar as mãos. Já Erin era totalmente curvilínea, cabelos loiros que escorriam por seus ombros, Erin também compartilha de olhos castanhos marcantes que contrastavam com os traços delicados de seu rosto.

_ Não devo satisfações a você sobre como decidi me locomover.

Jared mantém o sorriso ao ouvi-la, gostava da maneira de como Erin sempre tinha boas respostas. E percebendo que uma pulseira dela ainda estava no chão ele se agacha e a apanha.

_ Obrigada. – a cheerleader fala de maneira educada quando ele entrega a ela. – E você? Por que essa pressa?

_ Perdi o horário do ensaio. – ele se expõe.

_ É um irresponsável. – Erin reprova. – Meu grupo já ensaiou umas quinze vezes, sua banda também está no estúdio. Não percebe que essa sua insistência em ser um babaca pode prejudicar todos nós.

_ Já vou receber um sermão bem grande da minha banda, o seu eu passo. Nos vemos a noite. – Jared da um beijo na bochecha dela inesperadamente e sai correndo em direção ao estúdio.

_ Babaca! – Erin bufa enquanto vê ele virar o corredor em direção ao estúdio. “Perdeu muito tempo aqui, Erin. Sua mãe precisa de você”.

Jared escuta o som dos instrumentos e já sente seu coração acelerar, estava bastante atrasado e seria muito recriminado, na verdade já era o terceiro ensaio seguido em que chegava após o horário combinado com a Unfollow. Sua justificativa também não era muito boa... Jared estava saindo com uma garota que trabalhava na Follow Up e nos últimos três ensaios os horários coincidiram com sua atividade íntima com a garota, logo a justificativa de Jared era que precisava concluir o que já tinha começado com a moça.

Talvez pelo fato de ser músico, cantor e ter uma banda muito boa, dava a Jared uma vantagem com as garotas da cidade. Ele também era muito bonito, mas para a infelicidade de suas ficantes, Jared tinha muita dificuldade em se envolver romanticamente.

Finalmente chegando ao seu destino, Jared abre a porta do estúdio.

_ Será que vocês ainda precisam de um vocalista? – ele interrompe os amigos.

Os músicos param de tocar e encaram ele numa mistura de raiva e indignação. A banda era composta por seis jovens: dois guitarristas, um baixista, um baterista, um tecladista que também usava sintetizadores e Jared que era o vocalista e em algumas apresentações tocava violão.

Alex amigo de Amanda era um dos guitarristas e também fazia segunda voz, mas por conta da proposta de tirar fotos do evento teria que se ausentar da banda na noite de hoje. Inclusive era o único, fora Jared até o momento, que não estava no estúdio.

_ Quem é a garota da vez? – o baterista olha firme para Jared.

_ Pessoal, realmente me perdoem, sei que tenho sido um babaca com vocês, mas eu vou mudar isso, irei dar mais prioridade para a banda. – Jared faz sinal de juramento com as mãos.

_ Sabe, Jared não é muito sobre sua irresponsabilidade, mas caramba... Esse é seu sonho, você formou essa banda, você nos chamou pra viver isso com você. Agora estamos vendo isso se perder. É mais do que revoltante, é... – o guitarrista não consegue concluir seu desabafo.

_ Eu sei Mason, você tem roda a razão, eu não estou aqui pra me justificar e acho que nem pra prometer mais nada... Estou aqui pra fazer o que tem que ser feito. – Jared fala firmemente.

_ Eu nem sei se acreditamos... – Mason parecia ainda inconformado.

_ Vocês nem precisam. Só realmente vamos fazer o que sabemos fazer. – Jared se posiciona.

_ Ele tem razão, Mason. Temos um show pra fazer e iremos fazer. – o baixista também se posiciona.

_ Pega o microfone, imbecíl. – Mason cede.

_ Obrigado pessoal. – Jared pega o microfone que estava ao lado do teclado. – Donny. – Jared cumprimenta o tecladista com um aceno de cabeça.

_ Hey Osborn, chega de mancadas. — Donny cobra dele.

Jared concorda com a fala de Donny e depois vai até o centro do estúdio e segurando bem o microfone dá um sinal para o baterista. Este marca o ritmo com as baquetas e todos os músicos se preparam para iniciar os acordes. Mason que era o mais chegado de Jared ainda mantinha uma postura de chateação, porém o restante do pessoal no decorrer do ensaio ia se soltando e vez ou outra elogiava suas escolhas de interpretação e suas técnicas vocais. Afinal, mesmo estando em dívida com o pessoal, era talentoso e tinha uma voz com um alcance muito grande, então ele compensou seus erros recentes entregando muito de si e agindo como se realmente fosse mais que um ensaio. Tal atitude fez com que finalmente após um belo falsete executado, Mason sorrisse para ele como se dissesse “nada mal”.


Erin estaciona o carro em frente de sua casa e corre ainda com todo aquele sentimento de urgência e perigo. O trajeto do McKinley até sua casa era relativamente perto, no entanto pareceu interminável devido ao seu abalo emocional. Quando ela chega na varanda da entrada de sua casa decide averiguar possíveis esconderijos para o autor da foto, mas estava tudo tão normal. Erin abre a porta e já procura pela mãe.

_ Mãe? – o primeiro chamado não obtém nenhuma resposta. – Mãe? – ela chama novamente, enquanto caminhava lentamente pela sala.

O silêncio na casa para Erin estava extremamente perturbador, ela já começou a analisar qualquer sinal de violência ou desordem enquanto atravessa o corredor até a cozinha.

_ Daphne Logan! Onde você está? – Erin passando pelo porta facas no balcão ilha na parte esquerda do cômodo, apanha uma das facas ainda suspeitando de um ataque.

_ MÂE!? – Erin berra já sentindo seus olhos lacrimejarem.

_ Credo, Erin. O que é isso? – Daphne contesta aparecendo no corredor atrás de Erin.

_ MÂE! – Erin se alivia ao se virar e ver a mãe em perfeito estado, em seguida a jovem lança a faca ao chão e corre até a mãe.

Daphne recebe o abraço da filha, mas mantém a expressão de estranheza no olhar. Enquanto estava abraçada a mãe, o celular de Erin vibra e ela o apanha.

“Pra que a faca? Nos vemos a noite”.

Notas finais
Gostaram? Quem será o stalker misterioso? Comentem! Vejo vocês no próximo <3