BEYONDERS

3 Capítulo Dois: O Cometa


Notas iniciais
Capítulo gigante, mas precisava ser épico, pois agora tudo irá mudar para os Beyonders. Divirtam-se :)

A noite estava indescritivelmente fabulosa naquele domingo, parecia realmente que havia uma conspiração do universo para fazer da atmosfera da Terra o palco do astro que todos estavam aguardando: o cometa Tunner. Essa mobilização planetária estava ganhando forma ali na praça de Follow Rivers. O evento deu início às 19h com brinquedos para entretenimento de todas as idades, todos apresentavam a temática espacial: a roda gigante, por exemplo, parecia um cometa com seu rastro fazendo um loop, a montanha russa tinha seus carrinhos em formato da mini foguetes, havia um grande disco voador que na verdade forçava as pessoas a manterem o equilibro em cima dele, este brinquedo contava com uma boa plateia que se divertia com os tombos e esbarrões de seus participantes, dois carrosséis exibiam miniaturas de planetas que estavam pendurados no teto e luzes que simulavam milhares de estrelas, as crianças se sentiam flutuando pelo espaço sideral quando estavam lá e tinha também o Rocket, nome dado a nave de viagem 6D que atraia pessoas de todas as idades.

Os vendedores de balões também embarcaram na temática, você podia comprar para o seu filho um balão de Júpiter, outro da lua minguante, mas também tinha o cabeça de extraterrestre o mais procurado pelos pequenos. Uma sacada genial foi de um vendedor que decidiu vender espadas inspiradas em Star Wars, resultado: muitos locais da praça eram palco de batalhas intergaláticas da imaginação de meninos e meninas. A família de Alex era excelente na arte da confeitaria e não poderiam perder a oportunidade de ter uma banca na praça oferendo doces de chocolate, ganache, creme de avelã, leite ninho, frutas e cítricos seguindo a temática do evento. Um dos preferidos da noite até então era o “buraco negro”, um doce feito de chocolate 70% cacau servido num copinho de plástico em espiral, como se realmente fosse a famosa fissura no espaço que tudo suga.

Existia por todos os lados pontos temáticos onde as pessoas podiam tirar fotos, sendo eles: o homem chega à lua, os anéis de Saturno, a estação espacial, o disco voador e seus ETs, mas talvez o mais procurado para tais registros era o epicentro de toda a festa, a grande miniatura de gesso em formato real do cometa Tunner. E era exatamente neste lugar que Erin fazia o registro de uma foto da mãe.

_ Como eu fico, Erin? – a mulher parecia ter dúvidas sobre qual pose fazer.

_ Mãe essa pose está boa, apenas sorria. – Erin parecia um pouco desconfortável.

Na verdade, Daphne evitou tocar no assunto do que acontecera mais cedo na casa delas, a mãe até tentou, mas encontrou um bloqueio da filha e agiu sabiamente em não insistir. Erin por outro lado estava falhando em parecer que estava tudo normal.

_ Quer que eu tire uma foto sua, meu amor? – Daphne sugeriu.

_ Acho que mais tarde, mãe. Ainda não vi nenhuma das meninas, você viu alguém? – Erin decidiu trocar uma preocupação pela outra para que fosse mais genuíno o que estava sentindo.

_ Não vi ninguém ainda. – Daphne se aproxima dela. – Mas você tem um time bem focado e responsável, logo logo estarão por aí.

Erin olhou em várias direções diferentes e, apesar de ter se referido as meninas, procurava outra pessoa.

_ Daphne, Erin... – cumprimentou um homem de calça jeans, camiseta lisa branca e jaqueta num jeans bem vivo.

_ Boa noite diretor Evans. – Erin sorri a ele.

_ Boa noite, diretor. – Daphne também o cumprimenta.

_ Por favor, meninas, aqui sou apenas Marco. – ele sorria tentando quebrar a formalidade.

_ Acho difícil para mim, afinal amanhã vou te ver na escola. – Erin refuta.

Não era tão perceptível, contudo a garota ainda estava chateada com o fato do diretor ter unido um grupo tão consolidado como as cheerleaders do McKinley com a bandinha de Jared.

_ Ansiosa para a apresentação de Erin? – Marco pergunta a Daphne.

Outro fato não muito perceptível, talvez não para Daphne, mas Erin já tinha notado há meses, era que o diretor Marco estava caidinho por sua mãe. Tudo começou no dia em que por coincidência estavam na fila quilométrica do lançamento de uma comédia romântica no cinema local. Daphne e Marco tinham se visto algumas vezes, afinal Daphne sempre foi ativa nas decisões abertas aos pais pelo colégio e dos jogos em que a filha performava, mas naquele dia específico por estarem numa fila gigante, tiverem muito tempo para conversarem. Erin se lembra muito bem o quão tempo ficaram ali compartilhando seus gêneros de filmes favoritos e para infelicidade da líder de torcida naquele dia, eram todos iguais. Desde então, sempre que se esbarravam trocavam algumas palavrinhas do tipo: “Você viu aquele lançamento do Jake Gylenhaal e da Jennifer Aniston?”, “Já assistiu aquela comédia nova da Netlfix?”, “Detestei o final de Dexter”.

Erin não queria ser ciumenta, no entanto devido ao que ambas tinham passado ela percebia que seu instinto era defesa. Todas as vezes que cruzavam com Marco parecia que a frase: “Qualquer dia podíamos ir ao cinema juntos”, surgiria e isso gerava uma verdadeira repulsa na jovem.

_ Muito, sei o quanto minha filha se dedicou, as meninas também. Vai ser um sucesso como tudo o que elas vêm fazendo.

_ Concordo. Erin quando assumiu a liderança da equipe trouxe muita coisa nova, estou pensando seriamente em mandar elas para o campeonato estadual de cheerleanding este ano. – Marco revela.

Instantaneamente toda aquela armadura de Erin se desfez, foi genuinamente muito satisfatório ouvir aquilo. Erin viu seu cérebro borbulhar com a ideia de participar com as outras garotas de uma competição tão importante.

_ Sério?! Diretor Evans... Quero dizer... Marco, isso... Isso é maravilhoso! – Erin celebra.

_ Já conversei com todo o corpo docente e parece algo muito coerente. McKinley é um colégio de muitos talentos e o grupo de cheer tem sido negligenciado por nós, não mais.

Sem pensar muito sobre o que estava fazendo a garota vai até o diretor e o abraça. Marco se surpreende com a atitude dela e retribui o abraço olhando para Daphne. A mãe estava radiante com o que acabara de ouvir, sempre escutava em casa os murmúrios da filha a respeito do fato da equipe ser tão talentosa e nunca ter participado de uma competição.

_ Me desculpa, diretor... – ela se afasta dele. – É que, bem... Nossa eu preciso anunciar isso para as meninas. – Erin se empolga. – Muito, muito obrigada!

_ Vocês merecem, Erin, e por favor, ganhem! – Marco incentiva.

_ Claro! Iremos fazer isso!

_ Parabéns meu amor. – Daphne se aproxima da filha e a abraça.

Erin abraça a mãe emocionada e pelo menos naquele momento esquece de toda a preocupação a respeito daquele que a intimidara mais cedo com as mensagens e fotos anônimas.


Amanda animadamente tirava fotos de algumas pessoas no cometa Tunner de gesso. Ela dava sugestões de poses, buscava deixar as pessoas mais introvertidas à vontade, a moça tinha muito talento, era notável que 98% das pessoas que conferiam as fotos ficavam admiradas com a qualidade e com os ângulos favoráveis que a garota conseguia.

_ Ficou linda, Amanda! – Piper enalteceu a foto tirada dela com suas amigas Blair e Emma (todas do time de cheerleader).

_ Que talento incrível você tem. – Blair reconhece e Emma concorda com a cabeça.

_ E faço um preço super bacana.

_ Não perde a oportunidade, né, Amanda? – Beverly fala por detrás da amiga, estava de mãos dadas com Lucca.

_ E quando errei? – Amanda reconhece a voz de Bev e se vira rindo para ela, depois ambas se abraçam.

Blair, Emma e Piper também riem da audácia dela.

_ Podemos combinar um ensaio qualquer dia desses. – Emma propõe, quando Bev e Amanda encerram o abraço.

_ Claro, gata, estou à disposição. – Amanda pisca para Emma.

_ Onde compramos nossa foto? – Piper pergunta.

_ Ali. – Amanda indica uma barraca na parte leste da praça.

_ Vamos lá então precisamos encontrar a Erin, ela deve estar desesperada. – Emma notifica as cheers.

_ Erin Logan? – Amanda indaga e recebe um aceno positivo do trio. – Está do outro lado dessa pedra gigantesca. – a cacheada sinaliza o com dedo demonstrando que elas teriam que dar a volta. – Boa sorte... Vão demorar 3 dias pra dar a volta nisso.

_ Hey! Não critica a pedra da minha mãe. – Lucca intervém.

_ Me perdoa, mas num tinha um modelo menor, não? – Amanda balança a cabeça negativamente e o pessoal ali acaba rindo.

_ Vamos indo pessoal, obrigado Amanda. – Blair se despede deles e vai saindo.

_ Vibrem bastante no fim da nossa apresentação. – Piper pede também indo com as amigas.

_ Pode deixar, meninas. – Beverly responde.

_ E cadê seu namoradinho, Amanda? – Lucca questiona logo depois que as meninas saem do local.

_ Namora o quê? É de comer ou de passar? – Amanda ironiza recebendo uma revirada de olhos de Beverly.

_ Depende muito do ponto de vista. – Lucca devolve de maneira polêmica.

_ Eca! – Beverly simula um enjoo.

– Está perguntando do Alexander? – Amanda se mostra inabalável.

_ BINGO! – Lucca mantém a provocação.

Como estava namorando Beverly a 4 meses, Lucca se aproximou bastante de Amanda e de Alex que eram muito amigos da moça. A dupla de fotógrafos e o namoro com Lucca foram primordiais para que Beverly superasse a morte de seu avô John, ela acha maravilhoso que essas três pessoas que tanto amava tinham criado um bom relacionamento, tanto que Amanda e Lucca adoravam ficar se alfinetando, eram extremamente parecidos.

_ O meu amigo brother no qual eu não nutro nenhum sentimento romântico e me dá nos nervos aqueles que sugerem tal barbaridade, está no disco voador tirando fotos hilárias das pessoas caindo. – Amanda encara Lucca se aproximando dele.

_ O seu amigo colorido que certamente tem sonhos eróticos com você e inegavelmente finge assim como você que não está nem aí, deve estar mais rindo do que tirando fotos. – Lucca mantém o olhar de desafio iniciado por Amanda.

_ Tá aí uma coisa que concordo com você. Preciso averiguar a qualidade daquelas fotos devem estar todas tremidas. – Amanda sorri.

_ Dá para as crianças pararem? – Beverly entra no meio deles e abre as mãos como se encerrasse um embate épico.

_ Seu namorado sabe que tem que me agradar para continuar com você, não, é? – Amanda indaga e arqueia uma sobrancelha para Lucca.

_ Não fui avisado.

_ Falha minha, perdoa ele, Amanda. – Bev ri.

_ Juro que estou me esforçando, mas ele dificulta muito. – Amanda também ri. – Mas para deixar bem claro, estou interessada em um outro alguém.

_ Quem!? – Beverly fica surpresa.

Amanda apesar de ser toda desbocada e extremamente social não era de se envolver muito romanticamente, não por esperar algum elo emocional como Beverly, por exemplo, mas pelo simples fato de não achar ninguém digno. Sim, a moça era autoconfiante, inteligente e sonhadora não era qualquer corpo bonito que iria possui-la. Apesar de estar atraída por Connor naquele momento, Amanda demoraria muito para fazer algo com a atração que sentia ou permitir algo da parte de Connor se ele tentasse.

_ Conta tudo, amiga! – Lucca satiriza.

_ Lucca... – Beverly repreende.

_ Desculpa, não resisti.

_ Enfim, estou de olho nele. – ela aponta na direção sul da onde eles estavam.

Quando Beverly e Lucca olham na direção indicada por Amanda conseguem ver um rapaz alto e forte vestido de farda de segurança. Ele estava próximo a entrada da montanha russa e mantinha postura para se fosse necessário intimidar quem agisse de maneira suspeita. Connor a pedido da mãe tinha se voluntariado para ajudar no evento e como tinha um excelente físico, foi escalado para a segurança e estava cumprindo muito bem seu papel, pois olhando para ele daquele jeito não tinha como não achar que era um policial de verdade.

Beverly queria ter disfarçado melhor, mas ficou encantada pelo rapaz, ele era bastante charmoso.

_ Gato, né? – Amanda cochicha colocando o rosto perto do ombro da amiga.

_ Achei com cara de velho. – Lucca comenta e olha para Bev. – Que isso, Beverly?

_ Ai Lucca... – ela fica um pouco desconsertada. – Desculpa, mas achei ele bonito sim. – ela responde Amanda.

_ Cara de homem. – Amanda faz careta para Lucca. – Ele é um fofo, é novo na cidade, vai na escola amanhã.

_ Ainda estuda? – Lucca se surpreende. – Já reprovou uns cinco anos.

_ Sinto cheiro de conflito de ego. – Amanda tira sarro de Lucca. – Ele não tem culpa de ter uma barba completa diferente de Lucca que só tem esse cavanhaque e um bigode que parece feito de caneta hidrogel.

_ Amanda... – Beverly se interpõe.

_ Abusada você. – Lucca ri da provocação dela.

Entrementes, talvez Amanda não estivesse completamente enganada, era algo quase como inconsciente rejeitar a ideia de um cara boa pinta assim como ele. Fora que Bev tinha demorado um bocado analisando-o.

_ Por favor, não me diga que você vai chamar ele para vir para cá? – pressentiu Lucca.

_ Se não fosse tão tapado, acreditaria no possível desenvolvimento de uma telepatia em você. – Amanda debocha e posteriormente levanta uma das mãos. – Hey Connor!

Beverly fica sem saber o que fazer, só realmente fica considerando se era uma boa ideia. Lucca era muito vaidoso e uma possível rivalidade masculina não era algo que Bev queria naquele momento.

Connor não tinha notado nas duas primeiras vezes em que Amanda o chamara, porém como ela sacudia a mão no ar isso chamou sua atenção no terceiro chamado, o rapaz abriu um belo sorriso ao vê-la e seguiu em direção a ela e seus amigos próximos ao cometa Tunner no centro da praça.

Beverly segura na mão de Lucca e junto a ele olham o rapaz que vinha bastante amistoso. “Lucca Martin você vai gostar desse cara, você vai gostar desse cara, você vai...”, o moreno repetia essas palavras de afirmação como um mantra em sua cabeça.

_ Amanda... – ele ameaça abraçá-la, mas a moça o impede.

_ Espera... Faz uma pose. – ela propõe.

_ Sério? Agora? – ele fica constrangido, mas acaba concordando colocando uma mão no bolso e a outra pegando na ponta do boné que usava, um olhar sério e pronto.

_ Perfeito, sr. Segurança. – Amanda ri e indo até ele o abraça. – Não me disse que trabalharia como segurança hoje.

_ Foi algo de última hora, gostou? – ele indaga arqueando uma sobrancelha.

“Com certeza ela gostou. Oi? Beverly?”, a filha dos Brave pisca algumas vezes na tentativa de refrear seu pensamento.

_ Amei. – Amanda pisca. – Bom, quero que você conheça um casal de amigos. Esta é a Beverly minha melhor amiga e esse é o Lucca, namorado dela e filho da atual prefeita. E amigos, esse é o Connor.

_ Muito prazer pessoal. – Connor sorri para eles e estende a mão para cumprimentar Lucca.

_ Prazer. – Beverly acena para ele.

_ Prazer, Connor. – Lucca cumprimenta ele.

_ Gostei dos brincos. – Connor elogia, pra falar a verdade tinha achado Lucca bastante estiloso.

_ Valeu. Parece um cara forte. Joga alguma coisa? – “Basquete, não, basquete, não”, Lucca torcia mentalmente.

_ Basquete e nado bem também. – Connor informa.

_ Olha só, uma excelente ajuda para o time, Lucca. Com certeza vão ganhar o campeonato esse ano. – Amanda comenta sem disfarçar muito o leve tom provocativo.

Beverly ao ver que Amanda olha em sua direção revira os olhos para ela.

_ Se eu conseguir entrar no time, espero poder ajudar vocês. – Connor olha para ele.

_ Vai ter seleção de novos jogadores essa semana, se inscreve lá e se você tiver um bom desempenho você entra no time. – Lucca resume.

_ Amanda disse que você é novo aqui... – Beverly resolve mudar o assunto.

_ Sim! Vim de Owensboro lá era bem pacato comparado com aqui. – Connor olha ao redor admirando toda a estrutura do evento.

Era verdadeiramente um salto absurdo nas proporções dos eventos de Owensboro para o único que agora participara em Follow Rivers.

_ A mãe de Lucca é faraônica! Eu adoro isso nela. – Amanda ressalta.

_ Sim, Andrea Martin é bastante extravagante quando quer. A pergunta que me faço a 17 anos é quando ela não quer? – Lucca ri.

_ Estou achando ela fantástica. – Connor continua olhando ao redor.

Indiscutivelmente ter elogiado Andrea deu a Connor um ponto extra com relação ao instinto primitivo que permeava o filho da prefeita, Lucca não queria, mas baixou a guarda naquele momento.

_ Ela é... – Lucca também olha ao redor e correndo os olhos um pouco enxergou a mãe indo até o palco do evento com Lia a tira colo.

A mulher estava deslumbrante num vestido acinturado laranja abóbora, já Lia se conteve num preto básico brilhoso, era interessante o contraste entre as duas companheiras, mas isso não as distanciava, pelo contrário as completava.

_ Falando nela, acho que vai discursar. – Lucca aponta para o palco.

_ LINDA! EXEMPLO! – Amanda era uma verdadeira tiete de Andrea, mas a prefeita fazia por merecer.

Lucca assovia fortemente forçando Bev a tapar os ouvidos e depois todos prestam atenção quando a sra. Martin pega o microfone num pedestal no centro do palco.

_ Boa noite amada Follow! – ela saúda e levanta as mãos recebendo uma forte ovação de todo o público que demorou pelo menos uns três minutos. – Vocês não sabem como alegra o meu coração ver todos vocês aqui, pais, filhos, amigos, cooperadores, vereadores... Todos felizes. É uma honra estar a seis anos na administração da nossa cidade. Hoje aqui na praça, apesar de ter a proporção de um aniversário de Follow... – há uma pausa, pois boa parte da multidão riu como se admitissem a megalomania da mulher. – Estamos apenas celebrando o fato épico de podermos ver um visitante intergalático a olho nu que daqui algumas horinhas riscará o céu estrelado de nosso lar.

Nesse momento alguns fogos explodem e iluminam o céu sobre toda a praça, habitantes e visitantes ficam estonteados pelo jogo de luzes cintilantes.

_ Para alguns isso pode parecer uma besteira, mas eu enxergo como uma oportunidade perfeita de criarmos momentos épicos também com nossos entes queridos. Por que não tirar uma aliança do bolso e entregar a sua amada? Hein? – mais um momento de aclamação, pode se notar que dessa vez em sua maioria por mulheres. – Elas sabem o que estou falando...

Lucca sente um arrepio ao ouvir isso e instintivamente coloca a mão no bolso apertando a aliança de compromisso que daria a Beverly.

_ Ou porque não se reconciliar diante das estrelas, perdoar e pedir perdão, reafirmar seu amor enquanto o universo ilumina nossa bela cidade.

_ Como minha mãe está romântica. – Lucca arqueia uma sobrancelha. – Devo me preocupar?

_ Para com isso, Lucca, está lindo. – Beverly reconhece.

_ Então pessoal eu deixo essa escolha com vocês... Uma noite comum, o que acho difícil, afinal temos um cometa em miniatura no meio da nossa praça... – gargalhadas ecoam. – Ou realmente abraçar a ideia de que esse dia é épico. Logo mais teremos apresentações dos nossos talentos locais e por último o show da banda OneRepublic. Aproveitem a noite, Follow! – Andrea acena e mais uma vez é aclamada.

_ Você arrasou, Andrea. – Lia elogia quando ambas vão descendo do palco.

_ E por acaso eu erro, Lia. – Andrea pisca para ela.

_ Prefeita Martin, desculpa incomodá-la, mas os meninos da banda OneRepublic estão em seus camarins seria interessante que fosse lá cumprimentá-los. – uma mulher de cabelos escuros e curtos que parecia estar esperando elas descerem do palco, sinaliza.

_ E você é?

_ Andrea essa é a Miranda Hastings, a nova secretária. – Lia apresenta.

_ Prefeita, me desculpe, não quis ser invasiva... – Miranda se constrange por pensar que Andrea tinha reprovado sua atitude.

_ Você não precisa se desculpar, está atenta a detalhes, não perde tempo em fazer o que tem que ser feito, preciso de pessoas assim do meu lado. Gostei. – Andrea sorri a ela e depois olha para Lia sabendo que a assessora tinha papel decisivo nessa contratação.

_ Oh muito obrigada. – Miranda continua constrangida, porém agora de maneira positiva.

_ E onde posso encontrar esses meninos? – Andrea pergunta.

_ Vou te levar lá. – Lia avisa. – Miranda poderia verificar como está a banda de abertura?

_ Claro. Se me dão licença, foi um prazer sra...

_ Andrea. – a prefeita interrompe. – Pode me chamar de Andrea, Miranda.

_ Andrea. – Miranda maneia a cabeça e vai saindo dali.

_ A garota parece ser boa. – Andrea comenta com Lia.

_ E eu erro, Andrea Martin? – Lia devolve a frase da amiga e ambas gargalham rumo ao camarim da atração principal da noite.



_ Fecharam um grupinho sem mim, traíras. – Alex fala por detrás dos quatro amigos.

_ Pelo jeito não deu certo já que você apareceu aqui mesmo assim. – Amanda comenta acidamente e se vira para ele assim como Beverly, Lucca e Connor.

_ Alex, que bom te ver. – Connor sorri ao se virar pra ele.

_ Caramba, seu tira, as drogas são do Lucca. – Alex brinca com eles ao ver Connor de segurança.

_ E eu que sou o traíra, Valkonen. – o moreno ri e cumprimenta o amigo.

_ Que horror, meninos, o que o Connor vai pensar de nós? – Beverly fica vermelha e olha para o novato.

_ Até o momento só coisas boas. – Connor sorri ao grupo e acaba notando que sua mãe Miranda passa por eles um pouco apressada, portanto não percebe sua presença. – Pessoal, vejo vocês mais tarde, vou ver como minha mãe está. – ele acompanha ela com o olhar e consequentemente o grupo também faz o mesmo.

_ Tudo bem, então, nos vemos depois. – Amanda sorri a ele.

O restante acena quando ele se retira dali indo atrás da mãe.

_ Que gata. – Alex se impressiona.

_ Não é atoa que ele é tão lindo, olha a genética da minha sogra. – Amanda brinca.

_ Você está impossível, Amanda, mas ela é muito bonita. – Beverly confirma. – E o pai? Connor falou sobre o pai?

_ Ainda não... Ele apenas disse que moravam em Owensboro e que algumas coisas complicadas aconteceram e ele e a mãe vieram para cá, pois tinha uma oferta de emprego para ela. – Alex resume a conversa que tiveram na Follow Up.

_ Estranho, não é? – Beverly olha para eles.

_ Talvez, mas quem liga? – Lucca dá de ombros. – Amanda queremos uma foto de casal. – e vai puxando Beverly para fazerem alguma pose na frente do cometa de gesso.

_ Demoraram a pedir, casal. – Amanda já se posiciona de frente para eles para poder registrar o momento.

Lucca abraça Beverly por trás e sorri lindamente para as lentes de Amanda, a namorada também faz uma cara de apaixonada e, sinceramente, não era preciso muita coisa pra foto ficar linda. Beverly tinha traços que mesclavam o marcante com o delicado e seus cabelos muito negros formavam lindas ondas até a altura de seus seios, seus lábios estavam realçados num batom cor marsala. Já Lucca tinha aqueles belos dentes branquíssimos, o estilo irretocável e charme muito charme.

_ Como são lindos... – Alex exalta ao fitar a sequência de fotos que Amanda estava tirando.


Jared estaciona o carro na vaga que já estava destinada para a banda e desliga o rádio que tocava um sucesso da banda Iron Maiden. Esse estacionamento privativo ficava atrás do palco e sua entrada era guardada por quatro seguranças e para que o carro pudesse entrar o número da placa e os documentos do motorista precisavam estar cadastrados (uma sugestão de Miranda muito bem aceita por Lia que logo colocou em prática). Até o exato momento estava tudo ocorrendo conforme o planejado.

O carro de Jared e o de Theo (baixista da banda) que chegara um pouco após, estavam devidamente cadastrados e para eles foi algo bom, afinal não precisariam cruzar toda aquela multidão com os instrumentos e toda a aparelhagem. Os rapazes tinham se dividido em dois carros: Jared e Mason com guitarra, baixo, peças da bateria e alguns outros equipamentos maiores. Theo, Donny e Carter com teclado, sintetizadores e coisas menores.

_ Nervoso? – Jared olha para Mason.

_ Bastante. Mas confio na nossa banda. – Mason maneia a cabeça positivamente.

_ E em mim?

_ Não é o momento, cara. – Mason rejeita.

_ Desculpa mesmo, Mason. Vou me acertar com vocês hoje. – Jared abre a porta do carro.

_ Estou contando com isso. – Mason também abre a porta do carro.

_ Vamos meninas, depois vocês discutem a relação de vocês. – Donny escarnece da dupla de amigos, já que apesar de terem chegado depois, estavam com boa parte do equipamento que trouxeram para fora do carro.

_ Seria muito bacana se vocês nos ajudassem. – Mason retruca abrindo a porta traseira direita e retirando o baixo que estava numa capa preta.

Do outro lado, Jared havia feito o mesmo, mas tinha em suas mãos um dos pratos da bateria.

_ Eu concordo, estamos com os brinquedinhos dos lindos. – e levanta a parte da bateria em sua mão direita.

_ Pega meu bebê com cuidado. – Carter pede e fecha o porta-malas do carro de Theo.

Theo que já estava livre foi até o carro de Jared e abriu o porta-malas do amigo onde estavam todas as outras partes da bateria de Carter e alguns fios enrolados.

_ Nem sei por onde começar. – ele confessa notando como tudo estava empilhado lá.

_ Precisam de ajuda, meninos? – a banda conseguir ouvir uma voz feminina.

Tratava-se de Miranda que estava no alto da rampa que ligava o estacionamento exclusivo ao fundo do palco, naquele momento tocava-se um playlist de músicas, mas não demoraria muito para que não só a banda Unfollow, mas também OneRepublic embalasse a noite dos habitantes de Follow.

_ Seria muito bom. – Donny expõe sinceramente.

_ Donny, ela é uma mulher... Muito gata por sinal. – Carter critica o fato de Donny querer que uma mulher carregasse as coisas pesadas na mesma intensidade que fica hipnotizado pela mãe de Connor.

_ Vou chamar um grupo de seguranças. Volto já, meninos. – tão ligeiramente como apareceu, Miranda desaparece.

_ Não vai, não, fica... – Carter clama sem ser ouvido.

_ Vocês são um bando de idiotas mesmo. – Mason ofende. – Vem nos ajudar.

Carter e Donny riem e se achegam ao carro de Jared organizando as coisas ao chão.

Miranda sai pelo lado esquerdo do fundo do palco e procura pela multidão algum dos seguranças para que pudesse junto a outros ajudar os meninos da Unfollow, assim eles teriam alguns minutos para instalarem suas coisas e logo após iniciarem a abertura do show do OneRepublic.

_ Está procurando por mim? – Connor pergunta se aproximando da mãe. – Você passou por mim em disparada, estou te seguindo desde então.

_ Eu estava correndo riscos e nem sabia. – ela ri colocando uma das mãos na testa.

_ Sim, uma mulher bonita como você não pode andar assim tão desatenta.

_ Tem tanta coisa pra eu resolver aqui, estou ficando doida. – Miranda respira e sorri sem graça para o filho.

_ Mas agora você pode ter um tempinho com seu filho, certo?

_ Claro, vamos começar de novo... – ela pausa. — Oi meu lindo. — Miranda vai até ele e o abraça. – Já te falaram que você fica um homão nessa roupa de segurança?

_ Já, mas mãe não vale. – Connor ri e encerra o abraço com ela. – O que te preocupa, Miranda Hastings?

_ Foi bom te ver, filho. Não só pelo fato de que ainda não tinha te visto nessa loucura que está hoje, mas porque preciso da sua ajuda.

_ O que é? – Connor olha para ela.

_ Na verdade, o pessoal da banda. Eles chegaram e tem bastante equipamentos para transportarem até o palco. – Miranda avisa.

_ Claro, mãe. – Connor pega o rádio em seu bolso e comunica. – Hastings, chamando dois seguranças para o estacionamento exclusivo.

_ A caminho, Hastings.

_ A caminho. – fala uma segunda voz diferente da primeira no rádio.

_ Muito obrigada, filho. – Miranda olha para ele e ajeita seu boné. – Gostando da cidade?

_ Estou sim, mãe. E você? – ele devolve a pergunta.

_ Estou. Parece que a prefeita Martin gostou de mim.

_ Tola seria se não gostasse, mãe. Você é esforçada, efetiva e tem um coração gigante, merece ser feliz.

_ Queria que seu pai tivesse considerado isso... – Miranda coloca a mão na boca instintivamente. – Me desculpe.

Havia um combinado entre Miranda e Connor. Não falar do pai do rapaz. Apesar das grandes mágoas que havia no coração dos dois em relação ao homem, o grande intuito do combinado que fora ideia de Connor era que a mãe se permitisse ser curada do trauma. Connor cria que o fato de Miranda ficar remoendo e revivendo memórias, frustrações ou qualquer suposição que fosse gerava uma carga emocional tão grande que mantinha a mulher presa no dia em que o ex-marido desapareceu sem um motivo ou justificativa.

_ Mãe... Sabe que ficar se lamentando não vai mudar o fato de que ele não está mais aqui. E mesmo se ele voltasse... Qual seria a justificativa? Como ele explicaria? – Connor abaixa a cabeça.

_ Me perdoa, meu filho. Eu sei que não deveria, mas acho que todas essas coisas estão tão atreladas a mim que acabando escapando. – ela segura nos braços de Connor.

_ Não precisa se desculpar... Não quero ser duro com você em relação a isso, mas... Na verdade, talvez eu esteja tão machucado como você. – Connor sente seus olhos marejarem.

_ Meu filho, você tem sido tão forte, sólido, tenho até dificuldade de lembrar dos momentos em que chorou depois que Tyler desapareceu.

_ Talvez eu nem tenha, mãe. E não dá pra ser agora. – Connor indica os dois seguranças vindo em meio à multidão.

_ Te respeito, meu filho. Mas quando decidir que quer sentir tudo o que está reprimindo...

_ Você será a primeira a saber, com certeza. – ele coloca a mão no ombro dela.

_ Eu te amo. – ela segura na mão dele que estava sobre seu ombro e se emociona.

_ Eu também te amo. Deixa que eu cuido da banda, pode ir resolver outras coisas. – ele pisca para ela.

_ Fico tranquila agora. – ela sorri a ele e dá um beijo em sua bochecha. – Até depois.

_ Até, mãe. — Connor sorri enquanto ela se afasta.

_ Hastings? – um dos guardas que tinha uma tatuagem de um tigre no pescoço questiona.

_ Isso. A banda Unfollow está precisando de ajuda para transportar as coisas deles para o palco. – Connor explana e já vai caminhando na direção dos fundos do palco.

_ Certo. A população está tranquila são muitas atrações para pensarem em conflitos. – o tatuado comenta enquanto segue a liderança de Connor.

_ Eu esperava apartar pelo menos uma briga. – o outro segurança é quem fala.

_ Stoakes está entendiado. – o tatuado comunica.

_ Tem experiência com segurança? – Connor olha para eles.

_ Sempre ajudo nos eventos da cidade. – Stoakes responde.

_ É minha primeira vez, na verdade me ofereci porque estou em uma espécie de missão.

_ Missão? – Connor olha para ele detendo-se na caminhada.

_ Sim, Hastings. – o tatuado também para e depois o segurança Stoakes.

_ Que tipo de missão? – Connor investiga.

_ Digamos que sei de um certo alguém muito mal-intencionado que estaria aqui nessa noite, então ter me oferecido para segurança talvez seja a forma de pará-lo.

_ Não me falou isso, Davenport. – Stoakes olha para o companheiro.

Stoakes e Davenport não eram amigos, mas estavam guardando o mesmo setor, então acabaram se enturmando, pelo menos o bastante para saberem o nome um do outro.

A segurança do evento estava muito bem-organizada, a praça tinha sido dividida em vários setores que eram protegidos por uma dupla de seguranças e existiam também guardas flutuantes (que era o caso de Connor). Os flutuantes deveriam circular entre os setores atentos as movimentações do público, todos tinham cacetetes para proteção e rádio para se comunicarem por meio de seus sobrenomes. As duplas eram formadas por um segurança experiente e um calouro, exatamente como Stoakes e Davenport.

_ Não queria alarmar ninguém. Mas como estamos nos aproximando do show acho que seria um bom momento para aumentar o campo de visão, se é que me entendem? – Davenport olha para ambos de maneira firme.

_ Sim. Quando o show começar vou estar alerta. – Stoakes sugere.

_ Estou com vocês. – Connor acena positivamente com a cabeça.

Os três tornam a caminhar e não demora muito para alcançarem a rampa e testemunharem os cinco integrantes da banda falhando miseravelmente na sua quinta tentativa de subir com toda aparelhagem dividida entre eles.

_ O socorro chegou, meninas. – Davenport comunica e acaba rindo quando Theo deixa um dos pratos da bateria cair.

_ Vai ralar meu bebê, Theo. – Carter condena o amigo.

_ Deixa comigo. – o segurança Stoakes que estava mais próximo já se prontificou a levar algumas coisas que estavam com Theo e Carter também.

_ Obrigado pessoal. – Mason agradece quando Davenport se propõe a também dividir seu fardo.

_ Ajuda? – Connor pergunta a Jared.

_ Por favor... – Jared entrega para Connor o baixo e uma mochila que deveria estar pesando uns 12 quilos.

_ Caraca! – Connor reclama sentindo o peso do que carregara. – Me admira vocês quererem levar tudo sozinho até o palco.

_ O show não pode acabar! Na verdade, tem que começar! – Jared sorri confiante.

_ Teríamos conseguido com certeza, se não fosse essa maldita rampa. – Donny critica, enquanto sobe assim como todos os homens ali com certa dificuldade.

_ Fala isso porque você está levando só o seu teclado, Donny. – Mason incrimina e todos acabam rindo.

Jared e Connor tinham ficado um pouco para trás na fila que era liderada por Davenport. O filho de Miranda pareceu se afeiçoar pela banda, tinha aquela energia de que eles estavam vivendo um sonho e isso deixou Connor, mesmo que ainda não os conhecesse, feliz por eles.

_ É um sonho. – Jared revela. – Por isso subiríamos a rampa com tudo não importa quantas vezes nós ficássemos ali tentando.

_ Eu percebi isso. Quantos anos vocês têm de banda?

_ Começamos no começo do ano passado, quando Carter mudou para cá, ele já tinha uma banda em outra cidade e ficou comentando isso durante às aulas. – Jared principia. – Mason e eu já tínhamos intenção de procurar membros para uma banda, então ouvir aquilo acendeu o nosso sentimento.

_ Fizeram algum tipo de teste?

_ Nem foi preciso e tenho certeza de que ninguém apareceria. – Jared ri.

_ São tão ruins assim. – Connor encara ele.

_ Pior que não, somos muito bons! Mas naquela época ninguém botava muita fé e queríamos gente realmente talentosa. Acabamos encontrando um a um durante aquela mesma semana.

_ Parabéns pela banda e pelo sonho. – Connor diz a ele enquanto sobem as escadas que davam acesso ao palco.

_ Obrigado... – há uma breve pausa, Jared estava tentando se lembrar do nome do segurança, mas ele ainda não havia dito.

_ Connor.

_ Obrigado, Connor. – Jared sorri a ele.

Já podia se ouvir alguma agitação da parte do público que perceberam a movimentação no palco. Davenport e Stoakes ajudavam Theo, Mason, Carter e Donny a organizar os instrumentos onde cada musicista iria ficar. Carter que tinha a missão mais demorada da equipe já começara a instalar sua bateria e contava com o apoio de Donny que já tinha colocado seu teclado no devido lugar e ligado ele a mesa de comando do palco. No palco Unfollow teve que se agrupar mais no centro, pois ao fundo estavam os instrumentos já instalados da OneRepublic. A equipe de suporte da banda já havia feito toda a instalação e os músicos fizeram uma breve passagem de som no fim da tarde para deixar tudo regulado para a apresentação da noite.

_ Não vejo a hora de chegar nesse patamar. – Theo maneia a cabeça em direção dos instrumentos todos organizados e instalados.

_ Depois de hoje estaremos um passo mais perto de termos uma equipe de suporte. – Jared informa passando ao lado de Theo junto a Connor.

_ Excelente Osborn! – Theo concordou entusiasmado. – Obrigado por trazer minhas coisas. – ele agradece a Connor já apanhando a mochila pesada que ele carregou até ali.

_ Foi um prazer.

_ Seja sincero, não foi. – Jared satiriza.

_ Pela mochila, não. – Connor sorri.

Era visível que Jared e Connor estavam mutuamente se apreciando, algo que a gentileza de Connor e a espontaneidade de Jared facilitava muito acontecer.

_ O kit orgasmo de Theo acaba vindo junto nos shows por isso o peso. – Jared caçoa do companheiro de banda.

_ Emprestei da sua mãe. – Theo devolve.

_ Meninas, o combinado é não falar das mães. – Mason que parecia muito ser o mais centrado do grupo corrige.



Erin tentava não olhar na direção da mãe, que desde o momento em que as meninas do grupo de cheer chegara até elas, tinha ido até a barraca de doces da família Valkonen aos risos com o diretor Evans. Entretanto, a jovem estava falhando em sua missão e com isso acabou não se atentando que Alex estava tirando a segunda foto do grupo. Mais uma vez, Erin não estava olhando para foto.

_ Erin, o que você tanto olha? – Blair indaga após conferir a foto com Alex.

_ Eu não acredito que vamos ter que tirar outra foto. – Piper reclama.

_ Erin você precisa focar, essa foto com certeza vai sair no jornal. – Maryan avisa e aproveita para ajeitar o cabelo para mais uma tentativa.

_ Me perdoem, meninas. – Erin se envergonha. – Vamos tentar mais uma vez. – ela também se arruma e para não chatear o grupo e finalmente evita olhar na direção da mãe.

_ Pronto! – Alex vibra. – Ficou excelente! Todas ficaram lindas. – o rapaz elogia com um belo sorriso para elas.

_ O fotógrafo é ótimo também. – Blair pisca para ele, após novamente se prontificar a olhar a foto na tela da câmera.

_ Faço o meu melhor. – ele capta as mensagens que estavam nas entrelinhas das atitudes de Blair. – Mas em todos os ângulos você ficaria linda. – o rapaz flerta.

_ Uou! – Gwen se assusta. – Ainda estamos aqui.

_ Ops, eu fiz de novo? – Blair coloca a mão na boca.

_ Você fez, Blair. – Piper gargalha.

_ Ignora ela, Alex. – Maryan balança a cabeça negativamente. – Blair adora flertar.

_ Tarde demais. – Alex sorri maliciosamente para Blair.

Talvez por estar incomodada com ambas as coisas: o constrangimento que Blair estava causando e o fato de sua mãe estar bastante entretida no assunto com Marco, Erin ao ver a movimentação da Unfollow no palco decide dar um basta nas conversas ali.

_ Meninas! Osborn está no palco com os meninos! Está chegando a hora. – Erin começa a caminhar em direção ao palco.

_ Vamos lá! – Piper convoca o restante do time e sai saltitando atrás de Erin sendo seguida por Emma, Gwen, Julia e Josie.

_ Vamos Blair... – Maryan vai puxando a amiga que ainda estava naquele clima de tensão sexual com Alex. – Tchau Alex e obrigada pela foto.

_ Tchau gatinho. – Blair manda um beijo para ele e se deixa ser levada por Maryan.

Alex acena para ela e mantém o sorriso misto de satisfação e malícia.

_ “O fotógrafo é ótimo” ... – Alex reconhece a voz de Amanda mesmo que ela estivesse tentando imitar a voz de Blair exagerando no agudo da voz. – “Em todos os ângulos você fica linda” ... – agora a imitação era de Alex com exagero no grave.

Alex fica tão desconsertado com a palhaçada de Amanda que cai na gargalhada, a moça também. Ele se vira para ela e reconhece o poder que Amanda tinha de o fazer rir.

_ Até você percebe o tanto que é ridículo. – Amanda declara gerando mais um momento de gargalhada entre eles.


Marco por sugestão de Daphne experimentava o doce que estava famoso durante o evento: buraco negro. E pelas expressões estava se deliciando com ele.

_ É muito bom, muito bom mesmo. – ele quase deixa o recheio cair.

_ Eu te disse. – Daphne ri dele e ao notar que tinha um excesso de recheio de chocolate no canto esquerdo da boca de Marco ameaça ir limpar, mas se detém constrangida. – Desculpe... Está sujo aqui.

_ Onde? – Marco passa o dedo no canto errado da boca.

_ Aqui. – Daphne acaba por fim limpando o canto do lábio dele.

Marco sente um arrepio assim como Daphne, os dois ficam se olhando e instintivamente começam a sentir seus rostos corarem.

_ Ham... Daphne... Será que no cinema você iria gostar... Quero dizer... No cinema assistir você comigo... – Marco estava tão nervoso que seu cérebro começou a pregar uma peça nele.

_ Eu aceito! – Daphne ri. – Vai lançar uma comédia romântica com a Sandra Bullock e o Chris Pine na quinta, podemos ir.

_ Perfeito para mim! – Marco sorri ainda corado. – Olha a Erin com as meninas... – Marco indica ao vê-las cruzando por eles.

_ Erin! – Daphne exclama. – Já estão indo para o palco?

_ Sim, mãe, nos deseje sorte. – Erin manda um beijo para a mãe não detendo sua caminhada até o palco.

_ Claro, meu amor. Boa sorte meninas! – Daphne acena para elas.

_ Muito obrigado, tia Daph! – Julia e Josie acenam de volta assim como as outras meninas que vinham logo atrás.

_ Obrigado tia. – Blair agradece encerrando a fila junto a Maryan.

Erin já enxergava os primeiros degraus da escada lateral que dava para o palco, as meninas informam aos seguranças que já queriam subir para junto com a Unfollow dar início ao show. Havia um posicionamento dentro da capitã de cheer: assim que pisasse o primeiro degrau da escada Erin abandonaria o incômodo de ver a mãe junto ao diretor e principalmente toda aflição que carregava desde a foto recebida quando estava no colégio McKinley. E isso realmente aconteceu, assim pisou o primeiro degrau, Erin já se sentia mais leve e pronta para entregar tudo de si junto a seu grupo. O sentimento crescia a cada degrau e certamente continuaria em progressão, todavia ao levantar seu olhar para o topo da escada, Erin congelou, seu corpo se enrijeceu e até Emma que vinha logo atrás acabou se assustando freando bruscamente.

_ Erin o que foi? – Emma questionou sem ser respondida.

As outras garotas acabaram parando também sem entender o que acontecia acima. O motivo da paralisia parecia ser a dupla de seguranças que surgiram no topo da escada e agora desciam em oposição as meninas. Stoakes e Davenport se aproximam e Erin fecha seus olhos se sentindo completamente coagida.

_ Boa noite, meninas. – Davenport cumprimenta passando primeiramente por Erin que ainda permanecia estagnada e com os olhos fechados.

_ Boa noite. – Stoakes também passa pela líder e continua seu trajeto.

_ Boa noite. – as outras integrantes respondem, exceto Erin e Emma que sentiu um calafrio sem entender o porquê.

Erin se atenta ao som dos coturnos que ambos usavam, quando ela percebe que eles terminaram a descida pela escada, finalmente abre seus olhos e segue caminho.

_ Erin o que foi? – Emma insiste.

_ Não é nada. – Erin responde e demonstra uma falsa calma, pois a líder sentiu suas emoções se descontrolarem.

Alguma coisa foi determinante naquele encontro na escada para forçar toda a estratégia de inteligência emocional de Erin vir ao chão. Ela alcançou o fim da escada e gostaria de estar mais feliz por estar em cima do palco que seria muito em breve contagiado pela incrível coreografia elaborada com as cheers, mas a sensação era de estar completamente perdida, tanto que ela nem percebeu que Jared estava abaixado plugando alguns cabos de energia em caixas de retorno bem a sua frente. Semelhante a um dejavú, a dupla de rivais acaba se trombando novamente.

_ Não olha por onde... – Jared se levanta e ao notar de quem se tratara reformulou sua frase. – Você de novo?

_ Claro que sou eu. Vou me apresentar nesse palco, Osborn! – fascinante como Jared irritava Erin ao ponto de ela esquecer completamente de qualquer outra perturbação.

_ Corrigindo! Nós vamos nos apresentar e vocês vão ser nossas dançarinas. – Jared alfineta.

_ Até parece, você já olhou meu time? Todas somos lindas e talentosas, não tenho dúvidas de que todo mundo estará de olho em nós e não em você e nos seus amigos.

_ Hey! Não precisa ofender! – Donny censura e depois ri.

_ Ela tem razão, Donny. Se depender da aparência não vamos ter público, já viu o tamanho do nariz do Mason. – Theo escarnece.

_ Cala a boca, Theo! – Mason esbraveja e torna a afinar sua guitarra.

_ Temos nosso charme, capitã. – Jared pisca para Erin.

_ Vamos ver daqui a pouco. – Erin desafia. – Já está tudo certo por aqui, não, é?

_ Sim, senhora. – Carter responde manobrando uma das baquetas na mão direita.

_ Último cabo instalado! – Connor informa vindo de trás de uma das caixas grandes de som apontadas na direção do público. – Podem começar o show!

O grupo de cheerleaders se espalha pelo palco assumindo as posições pré-definidas durante toda a semana e aguardam o início da banda Unfollow.

_ Já posso anunciá-los, pessoal? – Lia indaga ao chegar no palco pela escada.

_ Unfollow está pronta! – Jared anuncia olhando para cada um dos amigos.

Neste exato momento todos se entreolhavam sentindo fortes pulsações em seus peitos, o grande momento tinha chegado para os cinco jovens e parecia que cada molécula do corpo deles estava eriçada, pronta para liberar energia. Theo procura por Alex na plateia e ao identificá-lo o rapaz aponta o dedo para ele, dizendo para o sexto integrante da banda que aquela seria para ele. Os outros companheiros demonstram semelhante empatia e apontam seus dedos para Alex, o finlandês se emociona com o carinho dos amigos, afinal só não estava lá por conta de ter sido contratado para algo que amava igualmente fazer. Alex levantou uma das mãos e depois colocou em seu coração recebendo o gesto dos Unfollowers.

_ Bom show galera! Boa apresentação meninas! – Connor encorajou todos ali recebendo sorrisos de gratidão.

_ Muito obrigado, irmão. Você ajudou muito. – Jared estende a mão e eles se cumprimentam, depois Connor desce do palco.

_ Meninas? Prontas? – Lia olha para Erin.

_ Já faz dias, né, meninas? – Erin olha animadamente para suas parceiras de time.

_ Vamos logo! – Julia exclama.

_ É isso aí! – Emma concorda animada.

_ Não serei eu a retardá-los. – Lia vai até o microfone que estava no centro do palco. – VOCÊS ESTÃO PREPARADOS?! – Lia brada retirando o microfone do pedestal e indo até a beirada do palco.

A resposta é uma onda de aclamação da plateia ali reunida.

_ Vamos de novo... VOCÊS ESTÃO PRONTOS? – Lia berra de maneira ensurdecedora. Apesar de ser totalmente o oposto de sua personalidade a assessora de Andrea conseguiu deixar a população enérgica e desesperada para o início do show.

_ Excelente! Com vocês Jared Osborn e a banda Unfollow! – Lia sinaliza que o rapaz deveria assumir o microfone e vai se retirando do palco. “Boa sorte”, ela sibila quando cruza pelo vocalista.

Atentas as meninas já travam na posição inicial da coreografia e esperam pelos acordes iniciais. Erin estava mais centralizada, um pouco a esquerda de onde Jared agora assumira o microfone, Donny já fez uso do pad e preencheu o ambiente com o tom da música escolhida pelos performers.

- Boa noite amada Follow Rivers, é uma honra para todos nós estarmos aqui nesse palco. – Jared saúda a multidão e recebe gritos e muitos assobios, o rapaz ri com a recepção, ele estava em êxtase. – Eu queria que vocês também aplaudissem o time de cheerleaders do colégio McKinley que aceitou dividir esse número conosco. – Jared surpreende todas as meninas que estavam atônitas aguardando a música, em especial Erin que não disfarça a expressão de estranhamento.

A multidão submerge as garotas em um volumoso reconhecimento e elas ficam emocionadas, Emma deixa até algumas lágrimas rolarem por seu rosto, todas acenam para a multidão. Erin após interagir com o público encara Jared e possivelmente lança para ele o primeiro sorriso que não vinha envelopado em muito sarcasmo e deboche. Jared dá uma piscada para a garota e sorri. Apesar de todas as desavenças e de terem egos colossais, Jared cedeu, o fato de estar vivendo seu sonho não deveria anular o fato de que as meninas também estavam vivendo o delas e ele queria que elas compartilhassem da forte emoção que sentia.

Jared dá um sinal para Carter e ele levanta as baquetas para cima, três batidas ditando o tempo da música e todos os instrumentos iniciam acordes e melodias. A música escolhida para iniciar a noite era o sucesso recente do cantor Benson Boone, Beautiful Things. Simultaneamente aos instrumentos as meninas iniciam a performance com movimentos elaborados e sincronizados.

_ For a while there, it was rough. But lately, I've been doin' better than the last four cold... Decembers, I recall... – Jared principia a canção após encaixar o microfone no pedestal, ele estava um pouco comedido nesse início como a música pedia, talvez misterioso definisse-o melhor.

O timbre de voz de Jared era belíssimo, tinha uma ligeira rouquidão nas notas mais graves e isso fez com que a multidão fixasse na canção, outra coisa que chamava atenção era os riffs escolhidos por Mason para compor Beautiful Things. E o que comentar da equipe de Erin, as garotas capricharam na maquiagem e figurino que junto a desenvoltura, beleza, sincronia e sensualidade dos passos escolhidos para a apresentação deixava tudo estonteante. Todos ali se distanciavam absurdamente do amadorismo.

_ And I see my family every month, I found a girl my parents love, she'll come and stay the night and I think I might have it all... – Jared buscava olhares na multidão para poder encará-los.

Algumas meninas se derreteram com o olhar fixo do vocalista, em outro momento ele sorriu e trocou corações feito com as mãos com algumas. Mason, Theo também tentavam interagir com a multidão por estarem mais próximos, já Donny e Carter talvez pela distância, talvez pela exigência de seus instrumentos apenas se conectavam com a energia da música e com toda aquela ambiência.

_ Cara! Como eles são bons! – Beverly exclama para que os amigos escutassem.

_ Viu, Amanda? Deveria parar de desmerecer a minha banda! – Alex aconselha se fazendo ser ouvido pela fotógrafa.

_ Não é o momento, finlandês! Temos que tirar boas fotos! – Amanda puxa o braço de Alexander e vai atravessando a multidão para encontrarem um lugar com ângulo favorável.

Lucca olha para Bev como se questionasse o motivo deles terem saído dali e Bev simula uma câmera com os dedos, a expressão de Lucca após isso faz a namorada acreditar que ele entendera.

Connor detinha os olhos fixos na multidão e permanecia de costas para o palco, afinal não havia esquecido do alerta dado por Davenport mais cedo. Por motivos que Connor desconhecia naquele momento, o outro segurança sabia de alguém que poderia atrapalhar toda a positividade daquele evento. Connor estava pronto para proteger quem quer que fosse. Ele teorizou um pouco em seus pensamentos: “Seria algo contra a prefeita?”.

Andrea Martin, Lia e algumas famílias da prefeitura estavam em um palanque na esquerda do palco, uma área vip guardada por três seguranças (era exatamente desse lugar que Lucca fugira de estar). A prefeita não era elitista, até foi contra a princípio ao palanque, mas Lia a convencera de que era o melhor para conforto e também segurança dela e das famílias de seus associados. Connor olhou exatamente para aquele palanque. “Quem seria doido de tentar algo ali...”, repentinamente um pensamento intrusivo explode na mente de Connor e ativa o alerta do rapaz em níveis que ele não consegue mais ficar parado ali. “Se eu fosse um dos três guardas faria tranquilamente o que gostaria de fazer”. O filho de Miranda sai em disparada para a direção do palanque da prefeitura.

Erin estava totalmente entregue a sua apresentação até o momento, ela estava num misto de emoções positivas e quanto mais a música se encaminhava para seu refrão que era explosivo, a garota se sentia de maneira igual, como se fosse explodir em euforia.

_ Oh, I hope I don't lose you... Mm... – aquela mudança de perspectiva da música aconteceu e a voz de Jared continuava afinada e ainda com ligeiras rouquidões. — Please stay, I want you, I need you, oh God... Don't take... – em perfeita sincronia, coreografia, instrumentos e vocal, atacam assim como a canção. — These beautiful things that I've got... Please stay, I want you, I need you, oh God don't take these beautiful things that I've got... – Jared demonstra alcance gigantesco porque a maioria das notas altas são feitas com voz de peito e voz mista.

Erin e as meninas estavam em êxtase em seus passos de dança, no refrão abusaram de jogadas de cabelo e movimentos de quadril, rebolavam e até um espacate perfeito foi feito pela líder que estava no centro. Entrementes, num sutil momento, a imagem de seu algoz veio a sua mente e Erin se perdeu na coreografia. Felizmente, uma ideia veio à mente da garota e acabou salvando seu deslize: fazer um espontâneo com o vocalista.

Certamente a Erin de quinze minutos atrás chamaria a Erin atual de louca ou faria uma chacota com o que pensara em fazer, mas a loira só conseguia pensar que de alguma forma o fato de Jared ter reconhecido o potencial do grupo deu a ela confiança e segurança, fora que a trouxe corpo e mente para o palco. Por que não tentar isso com ele? Funcionara uma vez, funcionaria de novo. Decidida, Erin desliza pelo palco e se aproxima de Jared pegando na nuca do rapaz e trazendo ele para perto de si. Osborn, os meninos da banda, mas principalmente as garotas do time ficam surpresos com a atitude de Erin, mas decidem agir como se tudo fosse parte do número.

Jared quase semitona com a puxada de Erin, ele sorri de maneira indecente pra ela, Erin poderia dar uma revirada de olhos, mas sua estratégia tinha funcionado, estar ali dançando junto a Jared, que continua a cantar a música, estava prendendo totalmente sua atenção. Jared aproveita da situação e coloca a mão livre na perna de Erin, a jovem corresponde rebolando o que desperta uma certa tensão sexual entre eles. Tanto Jared como Erin se olhavam fixamente e através disso Erin percebeu pela primeira vez como o rival tinha um olhar sedutor, a garota sentiu uma leve excitação em sua região íntima. “Que isso, Erin?”

A capitã do time de torcida resolve se afastar, mas é impedida por Jared que segura em sua mão.

_ Ooh, please stay I want you, I need you, oh God I need these beautiful things that I've got... – Jared parecia que estava cantando para ela.

Erin se entregando ao personagem recuou e voltou até ele, ambos encerraram a música com os rostos colados, um sentindo a respiração ofegante do outro. E ficaram ali parados ainda sentindo seus corpos liberarem muita energia. A plateia definitivamente estava entregue ao espetáculo feito por todos ali e ovacionaram os dois grupos por intensos minutos.

_ Faria isso de novo com você quantas vezes quisesse. – Jared cochicha no ouvido dela.

_ Prefiro enfiar alfinetes nos meus olhos. – Erin o rejeita e se afasta jogando o cabelo.

Jared acompanha ela com os olhos sorrindo, posteriormente se volta para a plateia.

_ Follow Rivers essas foram as meninas do McKinley! – Jared estende o braço na direção das nove garotas que agora estavam juntas atrás deles.

Elas se reclinam e são novamente muito aplaudidas e aclamadas.

_ Foi uma honra dividir esse sonho com vocês... Agora seguindo as sugestões românticas da nossa prefeita Martin vamos criar um clima para nossos casais. – Jared acena para Andrea que estava a sua esquerda no palanque. – Mais uma para vocês...

Erin e as meninas saem do palco e começam a descer as escadas.

_ FOI INCRÍVEL! – Piper abraça Erin e Emma por trás enquanto descem.

_ Foi a melhor apresentação da minha vida! – Emma revela.

_ E você viu como eles nos aplaudiram? – Julia comenta vindo logo atrás com Josie.

_ Era tudo o que eu precisava hoje... Aplausos, reconhecimento, cinco minutos de fama. – Blair expõe descendo com Maryan no final da fila de garotas.

_ Todas sabemos, Blair. – Maryan debocha e as amigas riem.

_ Erin o que foi aquele final espontâneo com o Osborn? – Gwen indaga quando as meninas encerram o lance de escadas.

_ Eu me perdi na coreografia, me perdoem meninas, quase estraguei tudo...- Erin parecia decepcionada ao lembrar desse detalhe.

_ Você tá brincando? – Piper pergunta. – Foi a melhor parte! – ela vibra e as outras sete garotas reunidas ao redor de Erin concordam aplaudindo ou dando gritinhos de euforia.

_ Tinha uma energia sexual em vocês... Socorro... – Blair se abana ao mencionar isso.

_ Energia sexual, Blair?! – Erin se ofende. – Um esquilo teria mais energia sexual comigo.

_ Eca! – Josie faz uma careta.

_ Não é o que parecia Erin Logan... – Blair insiste.

_ Vou ter que concordar com a Blair, Erin, desculpe... – Julia cruza os braços e encara Erin.

Erin procura nas amigas alguém que discordasse da insinuação, mas todas estavam com aquela malícia em suas expressões e olhares.

_ Todas estão loucas, todas. – Erin revira os olhos. – Vou ir ver minha mãe, nos vemos depois.

_ Claro, foge mesmo. – Blair provoca fazendo com que Erin mostre a língua para ela e saia dali para procurar Daphne.

Erin não sabia muito bem o que pensar, mesmo que tivesse se deixado abalar no meio da apresentação, o fim da música, aquele momento com Jared fora intenso e elevara a performance. Inegavelmente, Erin sentiu sim, ainda que involuntariamente uma forte tensão sexual quando estava próxima ao vocalista da Unfollow, outra coisa que passou pela mente da garota foi o olhar dele para ela, a proximidade de seus rostos no término da música, a respiração contra sua pele. Erin sentiu um arrepio e confusa com essas sensações decidiu balançar a cabeça como se espanasse todos os pensamentos intrusivos envolvendo Jared. Talvez teria funcionado se o rapaz não tivesse iniciado a segunda canção naquele exato momento.

_ I'm going under and this time I fear there's no one to save me, this all or nothing really got a way of driving me crazy... – Jared iniciou a letra de Someone You Loved, Lewis Capaldi.

A voz do vocalista com aquela rouquidão penetrou os ouvidos de Erin e ela tinha dificuldades de admitir, mas estava gostando de ouvi-la.

Por estar encontrando muitas dificuldades de localizar a mãe com todo aquele alvoroço, afinal a população se aglomerou bem mais ali próximo ao palco, Erin pegou o celular para tentar ligar para mãe. No entanto ao abrir seu iphone... Mais uma paralisia, mais uma mensagem de seu antagonista, “Me encontre no fundo do palco, estacionamento vip... Ou vou ter que descobrir o que o diretor da escola quer com sua mãe”.

_ Droga! – Erin reclama e decide obedecer a seu algoz indo na direção esquerda ao palco.


Não muito longe dali Connor alcançara a entrada para subir ao palanque, temia que uma iminente tragédia poderia acontecer, afinal nada tirava de sua cabeça que se alguém corria o risco de ser atacado seria a prefeita da cidade. Seguindo a uma forte hipótese de que um dos seguranças da estrutura poderia ser o autor do ato violento, o rapaz mostrou seu crachá aos dois homens que guardavam a entrada e sua subida foi permitida.

Ao chegar no topo do palanque Connor pode perceber que todos estavam muito envolvidos no show da Unfollow, alguns casais dançavam agarradinhos, outros se apoiavam no corrimão vidrados no belo timbre de Jared, algumas cantavam junto já demonstrando um grau de alcoolismo. Não foi difícil localizar Andrea ali, seu vestido laranja abóbora se destaca naquele grupo de pessoas. Então, crente de que estaria protegendo a importante mulher, Connor foi até ela.

_ Prefeita Martin, você precisa me acompanhar. – pela expressão que Andrea fez quando percebeu sua presença, Connor pensou que poderia ter feito uma abordagem melhor.

_ O que é isso, garoto? – Andrea perguntou desconfortável.

_ Me desculpe... – ele decide recomeçar. – Me chamo Connor Hastings, sou filho da sua nova secretária, me voluntariei pra trabalhar na segurança do evento.

_ Muito prazer, Connor. Obrigado por melhorar sua abordagem. Mas porque eu deveria te acompanhar? – ela encara-o.

_ Estou ciente de uma trama... – Connor estava tão convicto de sua hipótese que foi nesse exato momento ao tentar explicá-la para prefeita que ele percebeu que estava sendo de certa forma ingênuo.

Estava confiando e agindo segundo palavras de alguém que acabara de conhecer, quais as garantias de que Davenport estava sendo sincero, ou melhor, como saber se a índole do homem era boa. Foi ali considerando aquelas coisas que Connor enxergou algo no meio da multidão que fez com que ele desaparecesse dali. Seja lá o que vira ou descobrira o fez mudar de ideia quanto ao perigo de Andrea. A prefeita por sua vez ficou sem entender nada e escolheu voltar sua atenção ao show.

Lucca e Beverly dançavam bem juntinhos desfrutando da bela música interpretada pela Unfollow, estavam experimentando de uma fase excelente de suas vidas juntos. O relacionamento estava os fazendo amadurecer, superar traumas e serem felizes. Lucca segurava na cintura dela e a conduzia no meio da multidão segundo o ritmo calmo da música, havia inúmeros casais tanto ao redor deles como em toda a concentração de pessoas diante do palco, dançando juntos compartilhando daquele clima romântico instaurado ali.

_ Poderia ficar aqui por dias. – Lucca comenta com ela.

_ Está muito apaixonado, Lucca Martin? – Beverly olha para o namorado arqueando uma sobrancelha.

_ E você não está? – Lucca retribui a pergunta e o olhar.

_ Com certeza estou. – Beverly responde sorrindo.

_ Eu estava pensando hoje enquanto estava tomando para vir para cá...

_ Pensando em mim? – Beverly olha para ela maliciosamente. – Eu sabia que não saia da sua cabeça...

_ Convencida de mais, misericórdia. – Lucca revira os olhos. – Mas sério... Pensando em nós enquanto tomava banho hoje. Percebi que de certa forma, valeu a pena o tempo em que ficamos distantes, acho que não estávamos prontos um para o outro como estamos agora.

_ Anda muito sábio. – Beverly caçoa dele.

_ E bem gostoso. – ele faz marra.

_ Inquestionavelmente. – Beverly aperta o bumbum dele.

Lucca dá um leve saltito se surpreendendo com a atitude dela e depois ambos riem.

_ Seguindo o que eu estava dizendo... E é por muito perceber que estamos prontos um para o outro que estou decidido. – ele se afasta um pouco dela e olha firme mudando totalmente o tom da conversa.

Beverly opta por esperar ele terminar tudo o que tinha por falar ao perceber que ele estava mais sério naquele momento.

_ Beverly Brave... Eu quero oficializar nossa união, nosso compromisso e quero que isso dure até o fim. Eu te amo e amo que depois de tantas idas e vindas estamos tendo a oportunidade de ficarmos juntos. Por isso você aceita namorar comigo? – ele se ajoelha e mostra a caixinha que estava em seu bolso, posteriormente abre-a revelando uma excelente aliança de prata pura com cristais.

_ Eu aceito e aceitaria todas as vezes em que me pedisse. – Beverly sorri apaixonadamente para o namorado e avança até ele, abraçando-o.

Lucca se envolve no abraço dela e por dentro estava eufórico por estar vivendo aquele momento junto a ela, algumas pessoas que estavam ao redor deles começaram a aplaudir o casal ao notarem a cena, talvez pensassem que fosse um pedido de casamento. Apesar de não ser um pedido de casamento e sim apenas a oficialização de um namoro, para Lucca era como se fosse, já que era com Bev em que se via no futuro.

O casal ao notar os aplausos para eles, se viram para as pessoas e riem de maneira constrangida.

_ Beijo! Beijo! – eles aclamavam em uníssono.

Bev e Lucca se beijaram apaixonadamente.

_ And you pulled the rug, I was getting kinda used to being someone you loved... – Jared finda a música ao fundo.

Unfollow novamente recebe de maneira avassaladora o carinho de todo o público, o qual Bev e Lucca se juntam ao encerrarem seu beijo de celebração a oficialização de seu namoro. Era incrível como parecia que tanto Andrea com seu discurso como Matthew que mais cedo insinuara sobre a falta de oficialização do namoro, pareciam ter adivinhado que hoje seria o dia escolhido por Lucca para dar um passo adiante na relação deles.

_ Pessoal nós queremos agradecer a honra de estarmos nos apresentando para vocês! Obrigado amada Follow! – Jared agradece. – Bom, com vocês agora OneRepublic! – o vocalista anuncia e aponta para o segundo grupo que já estava no fundo do palco.

Jared vai saindo do palco com sua banda. A orientação era que somente após o show do OneRepublic a banda Unfollow recolhesse sua aparelhagem, pois o fato de permanecerem no palco não iria atrapalhar o show principal. Enquanto Unfollow saía do palco os integrantes da banda OneRepublic esboçavam muita camaradagem cumprimentando e tecendo inúmeros elogios ao grupo amador.

_ Vocês arrebentaram! – enalteceu Ryan Tedder vocalista da OneRepublic para o vocalista da Unfollow quando se cruzaram.

_ Vocês são uma inspiração para nós! – Jared reconhece dando um belo sorriso a Ryan e depois acompanha os amigos até o topo das escadarias.

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_ Os caras da OneRepublic elogiando nossa apresentação. Isso é sensacional. – Donny exclama eufórico.

_ Vamos ficar por aqui para acompanhar o show deles? – Carter sugere.

_ Por mim tudo bem. – Theo concorda e vai até a sacada do alto da escada encostando no corrimão.

Como a visão que eles tinham dali era privilegiada, todos decidiram acompanhar a performance da banda principal daquele local mesmo. Ryan Tedder (OneRepublic) já saudava a multidão e após interagir um pouco com eles, anunciou a primeira canção da noite. “Não podia ser outra...”, Ryan mencionou segundos antes de seus músicos entregarem os acordes e melodia de Couting Stars.

_ Sabia que seria essa! – Donny vibra.

_ Uma das melhores! – Mason afirma ainda extasiado por todas as oportunidades que a noite de hoje estava dando a eles.


Erin chega ao local indicado pelo o stalker e como era de se imaginar, o local era guardado por uma dupla de seguranças, os quais encararam Erin desconfiados quando ela se aproximou.

_ Boa noite, o que deseja por aqui? – o mais parrudinho perguntou a ela quando parou na frente deles.

_ Boa noite, queria pegar minha bolsa no carro para uma troca de roupa. – mentiu Erin, que tinha o carro no estacionamento convencional.

_ Claro, documentação e placa do veículo, por favor. – o outro oficial pediu. – Preciso conferir nos nossos cadastros. – e liga seu tablet para consulta.

Erin se apavora, não esperava esse tipo de empecilho para ir ao local indicado pelas mensagens.

_ Não há necessidade. – Davenport informa aos guardas colocando a mão no ombro de Erin. – A garota está comigo. Lia me pediu que a acompanhasse.

A garota ao perceber que seu perseguidor estava ali e tocando em sua pele sentiu um calafrio profundo, uma vontade de sair correndo em desespero também, mas ela se manteve fiel ao personagem e ficou imóvel.

_ Claro. – o parrudo respondeu e liberou passagem para eles.

Davenport começou a caminhar e Erin o acompanhou com a cabeça baixa evitando olhar para os outros agentes, logo que se o fizesse talvez não se conteria e pediria socorro. Era tudo o que Erin queria fazer gritar e correr, mas ela se sentia impotente, em síntese a vida de sua mãe estava em risco.

_ Porque você não supera as coisas e desaparece, Cole? – Erin interroga ainda sem olhar para ele, enquanto agora ambos começam a descer a rampa do estacionamento.

_ Porque estou apaixonado por você. – Cole faz com que ela se vire e olhe para ele.

_ Que nojo! Você não sente um pingo de estranheza ao falar isso? – Erin finalmente olha para ele com extremo desprezo.

_ E por que deveria?

_ Porque você era o namorado da minha mãe, seu ridículo! – Erin sente uma forte repulsa.

Cole Davenport e Daphne Logan se conheceram há uns 8 meses no boliche, Daphne tinha ido com amigas do trabalho e Cole estava com alguns colegas. O rapaz era atraente e talvez pelas tatuagens e olhos verdes, não demorou muito para chamar atenção do grupo de mulheres. Após alguns flertes da parte dele para Daphne e alguns outros da parte dela e os dois já se atarracaram no fim da noite de jogos. Dois defeitos gigantes de Daphne: ingenuidade e carência. Erin vivia dando conselhos amorosos para a mãe que depois do divórcio com o pai de Erin não conseguia permanecer sozinha. Provavelmente era por isso que nesse exato momento estava lá com o diretor Evans.

Erin jamais vai se esquecer da primeira vez que Cole foi convidado para jantar na casa delas, o olhar de Cole para a capitã do time de torcida denunciou fielmente o que estava acontecendo nessa justa ocasião. Erin lembra-se de se condenar por cogitar que o namorado de sua mãe estava lançando olhares de desejo para ela, a jovem não queria, porém estava certa. Sempre esteve.

Como a primeira impressão sempre é a que fica, após esse jantar, Erin se fechou totalmente para qualquer tipo de relação ou comunicação com o tatuado. Daphne apesar de nunca ter sido rude, cobrava um esforço da filha, Erin sempre tentou, mas algo naquele homem a deixava coagida, amedrontada, repulsiva. E foram exatos cinco meses assim, até que no último mês, cansado de ser completamente ignorado pela filha de Daphne, Cole resolveu demonstrar o lado que Erin já percebera. Ardilosa e sorrateiramente Cole começou a dar indícios de suas intenções, ele começou a deixar a mão boba, começou a parar numa posição bem próxima do corpo de Erin, os olhares se intensificaram, até que... Um dia o homem apareceu no treino de Erin com as cheers, alegando que estava tentando falar com Daphne e não tinha êxito. A garota não conseguiu se segurar e esbravejou, colocou tudo o que desconfiava ou na verdade já tinha total certeza para fora. Sua resposta foi um sorriso diabólico e um “até a noite no jantar”.

Naquele dia no jantar no primeiro indício de gracinha da parte do suposto padrasto, Erin colocou tudo na mesa. Sua mãe sabiamente decidiu terminar o namoro, Daphne gostava de Cole e como gostava, ele era divertido, inteligente, atraente e a satisfazia sexualmente, entrementes nada, nem ninguém superava o amor e confiança na filha. Então, se Erin estava tão angustiada com a presença do homem, Daphne não permitiria mais a sua aproximação.

Todavia quando Erin achou que tinha se livrado do seu algoz, foi exatamente aí que as coisas pioraram. Dois meses, precisos dois meses, foi o período de paz para a cheer, posteriormente Davenport começou com todas as mensagens, fotos, ameaças e chantagens emocionais. E para privar a mãe de tudo o que aquele monstro representava Erin aceitava ter alguns momentos com ele, ainda que nunca o tenha permitido ter nenhuma liberdade afetiva e sexual, mas a grande pergunta que sufocava e reprimia Erin era: até quando?

_ O que te faz ter tanto desprezo por mim... Eu não sei explicar o que aconteceu, mas aconteceu...

_ Você estava com minha mãe e ficava flertando comigo, se esfregando... ARGH! – ela chega no limite de seu asco e empurra ele.

_ Calma... Calma... Sei que minhas atitudes foram torpes, mas meus sentimentos não são. Eu realmente me apaixonei por sua mãe, eu só não imaginava que a filha dela fosse despertar algo ainda mais forte em mim. – ele sorri para ela.

_ Então fosse sincero com minha mãe, terminasse com ela. – Erin percebe um risinho nele e já imagina o que pensou. — Claro que isso não significaria que ficaríamos juntos... Já que seria melhor eu tomar banho numa cachoeira de canivetes.

_ Você é muito autêntica, admiro isso. – ele engradece a amada.

_ E você um grande escroto! – Erin mostra o dedo do meio para ele. – Já me viu, já conversamos, tchau! – ela ameaça sair dali, mas o homem a impede abraçando-a por trás.

_ ME LARGA! – Erin berra em fúria.

_ Hoje você só vai poder ir se me der um beijo. – Davenport fala firme, seu tom de voz fica assustador.

_ ME LAR-GA! – Erin morde o braço dele com muita força, o que faz o adversário urrar de dor e liberá-la.

Erin ao perceber-se livre empurra ele para trás e começa a correr.

_ Eu gravei toda a nossa conversa, vou apresentar para a polícia e estaremos livres de você. – a garota levanta o celular para cima enquanto atravessa um corredor de carros indo em direção da rampa de saída.

_ Você tá ferrada, Erin! – Cole se recupera e corre atrás de sua vítima.

Surpreendendo Cole e até mesmo Erin, vindo de encontro a toda a trama, Connor surge correndo com um olhar firme na direção do abusador.

_ Por favor, me ajuda! – Erin fala ao ver Connor.

_ Foge daqui... – ele cruza com ela e acelera sua passada avançando em Cole com um soco.

Cole recebe o soco e vem ao chão com tamanha força imposta pelo segurança.

_ Eu demorei para notar, mas quando vi você se movimentando de maneira suspeita pela multidão entendi que estava se referindo a você mesmo. – Connor agarra o inimigo e fazendo ele ficar em pé da mais um soco no estômago de Cole.

Erin se sentindo mais segura com a presença de Connor para de correr e assiste o embate entre eles.

_ Muito perspicaz. – Cole cospe um pouco de sangue. – Mas muito lento. – ele investe não um, mas uma sequência de três socos no rapaz.

Connor até consegue desviar do primeiro, mas é infeliz nos outros dois e acaba ficando um pouco atordoado, além de receber um corte na testa. Cole o agarra e usando o peso do corpo de Connor contra ele, o arremessa contra um carro. O filho de Miranda colide com a lateral do veículo e cai sentado ao chão sem reação.

Cole aproveitando o quase nocaute do oponente se abaixa próximo a ele e começa a distribuir socos intercalando entre punho direito e esquerdo no rosto do herói. Erin se atemoriza e dispara um grito ensurdecedor buscando proteger a integridade de Connor. Tal grito faz com que Cole que praticamente tinha se esquecido da presença da garota retome o foco nela.

O sorriso de satisfação que Cole lança a Erin quando percebe que ela ainda estava por ali é tão horripilante que fez a jovem se arrepiar, assustada ela decide correr novamente. Cole se levanta e desembesta a correr atrás de seu alvo. Julgando a força de aceleração de ambos, era fácil notar que Cole conseguiria agarrar Erin até o fim do percurso para a rampa, contudo algo cai em cima do abusador e possivelmente pela imprevisibilidade e força da queda, Cole é nocauteado.

O grande triunfo veio através de Jared, que da sacada de onde estava ouviu o berro de Erin e percebendo o perigo da jovem saltou de lá impulsivamente mirando no meliante.

_ JARED!? – Theo e Mason berraram lá de cima, ainda atônitos pela cena que testemunharam após o grito de Erin e principalmente pelo salto do amigo.

_ Osborn? – Erin indaga se aproximando dos dois corpos ali caídos ao chão.

_ Oi capitã... – Jared levanta a cabeça e sorri para ela. – Qual a sensação de estar me devendo uma? – ele implica.

De maneira sobrenatural desta vez Erin não se irritou com o sarcasmo de seu rival, na verdade Jared tirou o segundo sorriso sincero dela. Aquilo fez o risco que Jared tivera, valer a pena.

_ Ele... Ele... – Erin não encontrava palavras para se expressar naquele momento, tudo fora tão rápido.

_ Apagado. – Jared com muita dificuldade se coloca de pé, após mexer no corpo inerte de Davenport.

_ Monstro! – Erin vai até o inimigo e o chuta. – Eu gravei todas as atrocidades que ele me falou, vou apresentar tudo na delegacia.

_ Posso ser sua testemunha. – Jared se oferece.

_ Eu... Eu... – Erin estava conhecendo um lado tão diferente de Jared que realmente não sabia o que dizer.

_ Nós também. – ouve-se a voz de Carter vinda da sacada.

_ Rapazes! – Jared olha para eles.

_ Você está bem? – Mason pergunta.

_ Seu herói está inteiro, pronto para o próximo salto, que tal da cachoeira? – Jared brinca com eles.

_ Você é maluco! – Erin exclama rindo para ele.

_ Precisei pular de 8 metros para você finalmente me achar engraçado? – Jared arqueia uma sobrancelha.

_ Já estou pensando em reconsiderar... – a capitã revira os olhos.

Um gemido ao fundo interrompe o diálogo entre eles. Tratava-se de Connor que riu da conversa entre eles.

_ O segurança! – Erin correu até ele. – Como você está? Muito obrigada! – Erin agradece e ao tocar em um dos ferimentos dele gera uma reação de dor. – Desculpe...

_ Tá tudo bem... Que bom que está bem. – ele se encosta no carro e pega um rádio de seu bolso. – Hastings... Hastings pedindo reforços no estacionamento exclusivo.

_ Você me salvou. – Erin afirma olhando para ele com muito carinho e gratidão. – Você também, Osborn. – ela reconhece quando ele pigarreia ao fundo.

_ Você vai ficar bem, Connor? – Jared pergunta.

_ Vou sim, a ajuda está a caminho, fica de olho nele. – Connor maneia a cabeça em direção a Davenport ainda estirado ao chão.

_ Estamos indo aí! – Theo informa e sai correndo da sacada com os amigos.

Deslumbrantemente uma luz prateada tão mais intensa que o luar chama a atenção dos três jovens no estacionamento, que lançam seus olhares para o céu estrelado de Follow Rivers. O prateado reluzia sobre todos eles como se um canhão de luz advindo do espaço estivesse apontado para a praça de Follow naquela hora. Tratava-se do cometa Tunner. Para Erin, Connor e Jared, tudo o que eles tinham passado a poucos minutos atrás tinha removido completamente qualquer recordação do propósito daquela noite, daquele evento, de todos estarem ali. O cometa.

Mas justamente ao testemunharem o astro cruzar o céu daquela noite semelhante a velocidade de um avião, os fez entender o quão espetaculoso aquilo era. Até que subitamente tanto Erin como Jared veem ao chão desacordados, Connor se assusta, porém logo após suas vistas desaparecem. O jovem recosta sua cabeça na lataria do carro igualmente desmaiado.

Não muito longe dali toda a população de Follow (inclusive a banda OneRepublic) interromperam tudo o que estavam fazendo e ficavam atônitos olhando aquela rocha colossal riscar a atmosfera.

O casal Lucca e Beverly também admiravam toda aquela exibição intergalática. Lucca agradeceu por ter escolhido aquele dia para legitimar o namoro com Bev. A praça, os shows, o cometa, Beverly ali com ele, Lucca ressignificou o sentido da palavra “épico”. Até que tudo ficou terrivelmente escuro e vazio, um verdadeiro limbo. Lucca apagou. Segundos depois Beverly também veio ao chão assustando as pessoas que estavam ao derredor.

_ É a coisa mais linda que já vi. – alguns metros dali, Alex comentou com Amanda que estava estupefata olhando para o alto.

_ Era tudo o que eu precisava ver. – Amanda desabafa e pegando sua câmera aponta na direção do cometa, mas é o último movimento que faz. A garota também despenca.

Alex tem a reação instintiva de agarrá-la impedindo que colidisse de maneira prejudicial com o chão.

_ AMANDA? AMANDA?! – o finlandês se desespera sacudindo a amiga que estava completamente esmorecida.

Notas finais
O que aconteceu? Todo mundo apagou do nada? Mais informações no capítulo três! Até breve <3