BAD GIRL: Selvagem
10 Olha o bicho!
– Você começa amanhã no Delta, junto com os garotos. Como é um ano mais nova eles irão cuidar de você e não ao contrário. — Antônia olhou sua neta firma em advertência a seu comportamento nada feminino e gracioso. — Espero que tenha me entendido. — Passou a geleia de abacaxi na torrada e levou até a boca quando Mariana respondeu.
– Agora eu virei uma princesa para ser protegida pelos primos príncipes cavalheiros? — Marina encarou sua vó não acreditando no que ela havia dito. — Vó, eu posso cuidar de mim mesma. Eu venho fazendo isso a vida toda.– E é por isso mesmo que você a partir de hoje vai agir passivamente. Você sabe que a primeira opção do seu era te mandar pra Escócia né? Naquele colégio interno com aquele amigo diretor estranho barbudo. Não confio naquele barbudo, por isso convenci seu pai a te deixar aqui, assim ele estaria mais perto de você também. — Ao terminar deu um gole na bebida cor de rosa. — Se você fosse mais prudente com seus nervos, ainda estaria no Rio de Janeiro. E não vou facilitar com você mocinha. Vai estudar dia e noite. Marina revirou os olhos inúmeras vezes enquanto sua avó ficava dando broncas sobre o comportamento dela. Sobre não atender o telefone quando ela liga. Sobre brigas na escola e com os primos. Antônia ficou quase uma hora dando broncas na neta. Que já estava explodindo de tanto comer bolo de chocolate.– Dante vai trazer o seu uniforme quando buscar os garotos. Se quiser ir com ele para experimentar... Ele saí ao meio dia. – Hum. — Murmurou Mar.– Vou me arrumar para o trabalho. — disse ela subindo as escadas, não demorando mais de meia hora a mulher desceu mais elegante do que estava naquela manhã. Outro conjunto de saia e blazer, dessa vez cinza drapeado com uma blusa de seda vinho e batom vermelho com um salto preto fechado com as solas vermelhas, somando ao conjunot de jóias caríssimas. – Wow, vó! Nem parece que tem a idade que tem. – Me respeita menina. — Disse ela num tom brincalhão. Aproximou-se e beijou a neta na testa que estava deitada no sofá vendo Bob Esponja. — Tchau querida.– Ah não vó! Minha testa. — Esfregou a testa com a mão até ter achado que a mancha havia saído. — Poxa! Antônia saíu porta a fora batendo os slatos no chão de porcelanato branco. Entrou na Range Rover e se foi. Seus primos chegaram uma e pouca da tarde, almoçaram e foram para o quarto estudar ou dormir. No final da tarde ela saiu pra correr. Conhecia bem a vizinhança do lugar, pelo fato de ter passado muitos férias escolares ali. Colocou o short de taktel preto e a regata preta solta com o sutiã preto esportivo. Marina havia levado quinze reais. Ali perto tinha um posto de gazolina e nele tinha um Subway. Ela foi correr no intuito de poder comer as delícias daquele lugar. Diferente das outras pessoas, Mar sempre odiou McDonald's, mas amava a comida do Subway. Mesmo quando era criança. Enquanto as crianças iam no McDonald's pra colecionar brinquedos ela ia no Subway pra comer. A não ser quando tinha alguma coisa dos Power Rangers ou algo sobre algum desenho de luta. Ela fazia birra para os pais a deixar comprar o brinquedo que não durava mais de duas semanas em sua mão. Marina se destrai olhando uma largta gigante no passeio do outro lado da rua, acabou pisando no cadarço e caiu no chão ferindo os dois joelhos. Uma garota viu a cena e foi ajudar Mar. Ela tinha olhos escuros, castanhos, cabelo tingido de loiro acinzentado e bem levemente bronzeada. Ela era pequena em relação à Mar, que tinha seus um metro e setenta e quatro, maior que muitos garotos da sua idade. Muitos promoters de agências já haviam parado ela na rua, dizendo que seria uma perfeita modelo. E ela sempre recusou. Ela queria ser imbatível. Como a Ronda. Ela sabia que era mais forte que muitos homens por aí e que tinha mais técnica do que muitos lutadores profissionais. Ela queria crescer mais. Não na altura, mas como uma futura profissional da luta. Sabia que essa carreira era curta, mas ela amava lutar. E correr ajudava com a luta, precisava aumentar o fôlego pra lutar bem, e não seria o caso se parasse de correr.– Você está bem? -Disse a pequena garota loira que usava um boné dos Yankees virado pra trás, um tanto preoucupada fanzinho o cenho oferecendo a mão direita para a garota de cabelos castanhos amarrados em um rabo bagunçado que acabara de cair desastosamente. – Tô -Disse Mar fazendo uma leve careta de dor, pegou na mão da garota loira que a ajudou se recompor. Seu joelho estava feio, saía bastante sangue. Ela se deu uma bronca mentalmente por não perceber o cadarço desamarrado. – Que queda! — Ela deu um leve sorriso com o cenho ainda franzido. Mar deu seu sorriso simpático para o comentário, já que uma bela e jovem e bela garota havia ajudado ela a se levantar. Normalente as pessoas tinham medo de falar com ela. E quando tinham coragem para tal, era unicamente para confrontá-la. Menos seus amigos de infância é claro. – Pois é! Culpo aquele bicho gigante ali do outro lado da rua. — Mar olhou em direção ao lagartão do outro lado da rua fazendo a loira olhar pro mesmo ponto em questão.– Ele é realmente grande. — A loira riu e Mar também, ela havia gostado da loira, apesar de sempre ter odiado as loiras, que na sua opinião eram todas esnobes. — A propósito, meu nome é Wendy. — Disse ela irradiando alegria estendendo a mão direita pela segunda vez para a estranha que havia acabado de cair. Mar sorriu também e apertou a mão da garota que tinha um nome inusitado. O nome da garota lhe fe recordar de seus devaneios de criança, sobre nunca querer crescer.
– O meu é Marina. Mas todos me chamam de Mar.– Devo te chamar de Marina ou Mar?– Mar. Me chamar de Marina é como chamar um estranho. Simplismente não vou olhar pra sua cara na primeira vez em que gritar Marina na rua. — Quase ninguém a chamava de Marina, e quando a chamavam, era bronca na certa, sempre seu pai, professores, supervisores, diretores, vice-diretores, ploiciais, juízes. Mas na maioria do tempo era sempre Mar. Seu pai só a chamava de Marina nas broncas mesmo. Era tão estranho ser chamada de Marina, quanto era estar vivendo em Brasília e só conhecer três pessoas. No entanto agora conhecia quatro.– Então... Quer que eu te ajude a limpar isso? — Eu moro ali em frente. Disse ela apontando o dedo para uma mansão a um quarteirão de distância de onde elas estavam, e menos de um de sua casa.– Não! Eu moro aqui perto, posso limpar isso sozinha.– Onde você mora?– A poucas distâncias da sua casa.– Já que mora tão perto assim, te acompanho até lá.– Sério. Não precisa.– Eu insisto.
Notas finais
E então gente...? Uma Mar desastrada, que tal?
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