B De Black
16 Cuidado com o que deseja
Notas iniciais
Eu tentei até entrar escondido,mas não deu muito certo.
Bom, sem mais demoras, aí está o capítulo.
Kisses, Nina.
Cuidado com o que deseja
Olhei-o novamente, já havia tomado uma decisão.
Todos me encaravam nervosamente, esperando por uma resposta. O Al parecia mais pálido do que o normal.
Peguei o buquê, sem dizer uma palavra, admirei as flores por um instante e voltei a olhá-lo.
– Se você acha que me trazer uma dúzia de rosas, e cantar um musiquinha, me fará perdoá-lo, está totalmente... Certo. — dei um sorrisinho irônico e me virei para a mesa dos professores — Belo plano!
Sirius e Remo riram como duas crianças, o que eles são na verdade.
Olhei novamente para Alvo e percebi que ele sorria. Aquele mesmo sorriso que me fazia flutuar, que me tirava o fôlego. Sorri de volta.
– Isso é um sim? — perguntou meio incerto.
– Depende... Sim para o quê? — era obvio que eu sabia do que ele estava falando, mas queria ouvir da sua boca.
Ele gargalhou nervosamente, passando as mãos pelos cabelos, os fazendo ficar ainda mais despenteados. Potter ’s, pensei. E num gesto inesperado, ajoelhou-se na minha frente fazendo todas as garotas suspirarem. Todas menos eu, que corei pra caramba.
– Lynx Marie Blair Berner, você aceita namorar comigo? — o último sobrenome que ele disse tinha uma pitada de ironia.
Revirei os olhos e meus amigos sufocaram risinhos.
– Levanta daí garoto! – exclamei puxando para cima.
– Então responde! – ele estava com um sorrisinho de lado e aguardava a resposta impacientemente.
– Sim! – falei baixinho.
– O quê? Não ouvi! – ele provocou.
O Fuzilei com o olhar.
– Nem bem começou o namoro e já quer terminar! – murmurei para mim, mas devido à proximidade tenho certeza que ele ouviu. – Eu disse sim! – dessa vez berrei bem alto.
As mesas da Grifinória, da Lufa-lufa e da Corvinal explodiram em vivas. A da Sonserina já havia saído do salão há muito tempo, não que eu me importasse.
Tudo que me importava no momento era ele. Aproximei-me e joguei meus braços ao redor de seu pescoço.
– Sabe, eu sempre tive uma quedinha por você! – ele riu pelo nariz e pôs os braços na minha cintura, colando ainda mais nossos corpos.
– Sério?! – ele perguntou divertido. Balancei a cabeça afirmando.
– Ou como a Rose dizia: um precipício. – dessa vez nos dois rimos.
Juntei nossos lábios num beijo rápido, que logo se aprofundou.
Ao fundo ouvi as vozes dos nossos amigos fazendo piadinhas sem graça. Mas ouvi também uma voz rígida tentando controlar a balburdia. Sem dúvidas: Minerva.
Separamos-nos e ele acariciou meu rosto.
– Sinto falta dela, da Rose! – falei baixinho.
Ele suspirou.
– Também sinto. Dela e do Scorpius. Queria que eles estivessem aqui. – respondeu no mesmo tom.
– Eu também queria! – exclamei.
Suspiramos juntos. Ela sempre apoiou esse “romance”. Dizia sempre que formávamos um lindo casal e devíamos ficar juntos. Certa vez, quando o Alvo estava namorando uma tal de Gisele, ela infernizou a vida da menina até que a mesma desistiu do Al. Ele, por outro lado, ficou furioso e brigou seriamente com ela que apenas lhe disse: “Um dia você irá me agradecer”. Não sei ele, mas eu agradeci...
Foi quando eu me dei conta que não queria que ela estivesse aqui, eu precisava. Precisava da minha ruivinha, da sabe-tudo, Mione mirim... Eu precisava da minha amiga, da minha irmã, minha conselheira, minha comadre...
Fechei os olhos tentando controlar as lágrimas, e senti Alvo apertar minhas mãos. Agora eu conseguia enxergar alguns sacrifícios que fiz quando aceitei a missão. De início, os achei pequenos, mas na verdade eram enormes. Minhas amizades nunca seriam a mesma coisa, afinal eu sumiria três anos, não três dias. Isso, se eu voltasse...
Agora as lágrimas caíam com força e eu não fiz o mínimo esforço para impedi-las. Do dia mais feliz da minha vida, este acabou se tornando um dos piores. Ele me abraçou cauteloso, e começou a acariciar meus cabelos murmurando que tudo ficaria bem.
A essa altura todos já haviam se retirado, cada um para suas salas. Bem, na verdade a Minerva os expulsou, e teria me expulsado se eu não tivesse começado uma crise de choro. Dos professores só restavam Sirius e Remo, que nos encaravam com notável preocupação. Nossos amigos estavam mais atrás tentando entender o que havia acontecido. Gina e Harry abraçados com Hermione e Rony ao lado.
Forcei-me a parar. Não era hora para isso. Aceitei uma missão muito nobre e tinha que cumprir. Respirei fundo e sequei minha lágrimas.
Num momento eu já estava me acalmando e no outro uma forte dor me atingiu fazendo-me gritar. O mais estranho é que o Alvo também sentiu e gritou.
Pus as mãos em volta do colar. Parecia estar em fogo, queimava, ardia, machucava... Caí de joelhos tentando inutilmente tirá-lo. Al também caiu. Nossos amigos tentavam se aproximar, mas havia uma espécie de barreira impedindo.
Eu estava desesperada, a dor era quase insuportável. Quando pensei que não fosse mais aguentar, ela parou e em seu lugar uma forte tontura e uma sensação de fraqueza se apoderaram de mim.
Ouvi um baque surdo e constatei que Alvo havia desmaiado.
Olhei para os meus amigos suplicando ajuda, mas ninguém se mexeu. Pareciam extremamente chocados com algo.
Senti meu corpo amolecer e os meus olhos começaram a se fechar. Antes de apagar, vi uma figura totalmente embaçada.
– Lynx! – chamou e então tudo escureceu.
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