Bônus Club
2 Estopim da Trama
Notas iniciais
O Sol de meio-dia ofuscou o telhado vítreo da cúpula. A esfera brilhava no auge de uma extensa torre, que brotava nos primeiros andares e se alinhava, ao longo de pilastras e postos avançados. A decoração, cheia de adereços dourados e listras esverdeadas, mantinha-se do lado de fora: internamente, o edifício caracterizava um fórum político.
A cúpula em si, refletia o formato do senado, dentro dela. Dez cadeiras encaravam um tablado horizontal, anterior aos degraus de cimento; as escadarias, redondas, se encerravam numa plateia, submersa em sombras. O grupo de políticos tomou seus assentos, e um deles, pigarreando, iniciou seu discurso.
- Irmãos e irmãs. Hoje, o conselho regente de vossa pátria, vem, por intermédio desta reunião, agraciá-los com a mais nova aquisição de nossos cofres – disse ele, sua voz soando pela tribuna. – Em meio a tanta festa, temos a felicidade de possuirmos, definitivamente, o documento que nos dá o direito a portar e utilizar, contanto que conscientemente, as Dez Moedas Santas.
Uma salva de palmas ecoou pela câmara.
- Entretanto, gostaríamos de realizar uma notificação. Embora tal acontecimento esteja sob controle, pedimos a colaboração de nossos afiliados, de modo a não induzir o pânico nos cidadãos de vossa pátria.
Rodeado por silêncio, ele confirmou o que todos mais temiam.
- Uma das Moedas Santas foi roubada.
A algazarra se formou. O público, no negrume, se manifestou negativamente, reclamando e urrando, enquanto homens fardados pediam por calma e desciam as escadas. Não havia como se acalmar: as moedas eram cruciais.
- Acalmem-se! Por favor! Não tememos o uso indevido do artefato, apenas o pânico que essa informação pode gerar! Senadora Carla, poderia esclarecer a situação?! – requisitou o representante.
Os holofotes acima do tablado se acenderam, e as dez silhuetas se projetaram sobre a arquibancada, local no qual os espectadores se enfureciam. Uma senhora, de terno rosa, coque e óculos, catou o microfone, se desfazendo de seu copo d’água.
- O intento do ladrão não era, de forma alguma, pegar as moedas. Ele invadiu meu escritório tendo outro propósito em mente, roubar exclusivamente joias e objetos de valor – fazendo-se de vítima, Carla subtraiu a atenção da multidão. – Como já sabemos, as Moedas Santas possuem uma propriedade única: alterar a sorte. Se tratarmos esse ladrão como um criminoso qualquer, tenho a certeza de que podemos recuperar a moeda e o orgulho do conselho. Esse pobre sujeito não sabe a consequência de seus atos. Por isso, conto com a cooperação da polícia, e principalmente, com a dos agentes federais.
Sobre o tablado, nove caixinhas de veludo foram iluminadas. Nove moedas sagradas, intocadas, que quando atiradas para cima, podem mudar o destino, concedendo azar ou sorte ao seu usuário. E agora, o golpista Miguel Villa teria de correr por sua vida, depois de adquirir, por acaso, um dos itens mais cobiçados...
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