Notas iniciais
Voltei... Primeiramente, peço desculpas pela demora, prometi que postaria na semana seguinte, mas não deu. Segundo: Eu disse que só teria dois capitulo, mas vou ter que fazer um terceiro, pois o capitulo ficou enorme e achei melhor dividir em dois. Desejo boa leitura todos!

Capitulo II

Meu apartamento estava no mais completo breu quando cheguei. O dia estava quase amanhecendo do lado de fora. Eire não estava em casa. Confesso que fiquei aliviado. Não queria encontrar com ela naquele momento. Mesmo assim, um suspiro pesado irrompeu pelos meus pulmões.

Aonde ela tinha ido eu não sabia, mas sabia que ela voltaria. Ela era igual a mim. Não sei se saia com os mesmo propósitos, mas... Sempre voltava!

Entrei no quarto que dividia com ela e fui direto para o banheiro. Precisava de um banho. Precisava tirar o cansaço do corpo, precisava retirar também os vestígios de minha “conduta inadimplente”. Sorri irônico por não conseguir entender por que estava me importando com aquilo.

Não era primeira vez que eu o fazia, sabe? Fugir... Transar com alguém que não era a Eire. Quando tínhamos crises aquela era minha necessidade mais primitiva e, de alguma forma, eu sempre precisava saciá-la.

Eu precisava extravasar. Liberar a tensão que eu acumulava em ter Eire como esposa. Não que ela fosse uma esposa ruim ou mesmo uma péssima amante. O problema era comigo, sabe? Eu não suportava estar preso a ela...

Como eu já havia dito, eu sempre fugi da Eire. Fugia e retornava algumas horas mais tarde. No entanto, naquela noite, as coisas tinham acontecido de forma diferente. Não que eu não tivesse fugido, transado com um amigo (que era o que eu sempre fazia quando brigava com a Eire) e voltado. O problema era a forma, o jeito como as coisas tinham sido conduzidas naquela noite.

Eu havia transado com um homem que eu não via há décadas (como ele mesmo havia dito), mas que ainda permanecia gostoso. Que dizer... Só posso afirmar isso na aparecia, sabe? Não que eu não o tenha achado gostoso, pois isso ele é. E é demais. Era só que aquela foi a primeira e a ultima vez que eu tinha ido pra cama com ele.

Particularmente, eu e Ikki não éramos muito chegados um ao outro. O jeito de Badboy dele aterrorizava e afastava todos e isso, de certo modo, me afetava também. Não que eu tivesse medo dele. Mesmo por que Ikki só aterrorizava quem mexia com o Shun. O que não era o meu caso.

Shun e eu sempre fomos amigos...

Entrei no box no banheiro, a agua morna passou a beija minha pele. A escorrer, sem ressalva ou pudor, pelo meu corpo. Levando embora todo o cheiro dele. O cheiro que havia ficado impregnado em mim.

Os cabelos que outrora eram puxados com força, agora estavam molhados e um tanto pesados. O estranho era que, por mais que eu tivesse tomando banho com aquele proposito – de me livrar dos vestígios da transa e do Ikki – de alguma forma, eu ainda me sentia sujo! Sim, sujo... Repito, mas uma vez, não achei ruim o que aconteceu entre mim e Ikki, era só que, naquele momento, eu estava me achando... Um puto!

Eu tinha agido de maneira vil, cruel e de forma bem canalha...

Passei o caminho todo de volta pensando nisso e ainda não tinha conseguido entender o que diabos tinha dado em mim para agir daquela maneira. Trai a Eire, enganei o Ikki, pois não contei a ele que transava com irmão mais novo dele e ainda menosprezei as atitudes de Shun... Sim, por que algo dentro de mim me dizia que eu tinha uma parcela de culpa com o fato de ele ter ido embora.

Sai do box com gotículas escorrendo pelo meu corpo. O espelho que tinha em meu banheiro mostrou-me as marcas que Ikki havia deixado em mim. Evidenciou-me o que eu não podia e, por mais louco que parece, não queria esconder.

Terminei de me enxugar, vesti apenas uma box preta e deitei-me. Estava cansado e queria que aquele dia acabasse. Em outra época eu não tinha me sentido daquela maneira, apenas voltava para casa, voltava para Eire. Sem culpa ou ressentimento. No entanto, naquele dia, ou melhor, naquele fim de noite tudo o que eu queria era estar no lugar onde eu estava anteriormente (no apartamento de Shun Amamiya, nos braços do irmão mais velho dele).

—000o000—

Acordei na manhã seguinte com barulhos decorrendo dentro do quarto. Alguma coisa estava sendo arrastada. Zíperes estavam sendo fechados. Abri os olhos devagar e vi Eire fechando um bagageiro de mão.

Levantei de sobressalto.

— O que esta fazendo? – Perguntei, ainda sonolento.

— Não parece obvio? – Ela retrucou. Sua voz saiu em um tom magoado.

— Bom, a menos que esteja levando as malas para passear, o que particularmente acho improvável, você está... Indo embora?! Sem se despedir?!

Ela olhou pra mim e eu pude comprovar que ela estava magoada e que tinha acabado chorar. Seus olhos e nariz estavam vermelhos e seu rosto afogueado.

— Bom saber que a historia dos loiros serem burros é mito! – Ela ditou irônica. Caminhou em direção à porta do quarto puxando uma mala em das mãos e o bagageiro em outra.

— Eire espera! – Pedi me levantando.

Meu corpo estava coberto somente pela cueca e ela podia ver todas as marcas que residiam na minha pele.

— Espera o quê, Hyoga? – Ela exasperou olhando para mim. Seus olhos novamente encheram-se d’água – Ontem você não quis me escutar e agora, depois que vadiou bastante, quer que eu espere você dar uma desculpa que dessa vez não dá para engolir.

— Você nunca se importou antes! – Falei. Ela mordeu o lábio inferior sibilando um sorriso suspirado e disse:

— Você nunca tinha voltado assim antes!

Olhei na direção que ela apontou com o movimento de cabeça. Só então notei que eu não tinha vestido nada mais que uma cueca box e que ela tinha uma visão privilegiada do meu corpo.

O corpo que tinha sido marcado de forma intensa e que agora exibia marcas arroxeadas e vergões de unhas.

— Eu posso explicar... – Falei bagunçando um pouco meus próprios cabelos.

— Não precisa! Dessa vez a vadia fez o trabalho bem feito, até eu posso ver.

Eu também podia... Podia ver que ela estava se segurando para não desabar ali, na minha frente.

— Eire, vamos conversar. – Tentei aguçar a razão dela. Ela estava gravida, não estava? Não podíamos nos separar, podíamos? Por alguma razão meus sentidos também não estavam perfeitos – Não precisa terminar assim! – Falei, desesperado.

Naquele instante percebi porquê eu sempre fiquei em “cima do muro”. Indeciso com minhas escolhas. Não era que eu não quisesse deixá-la, era somente por que em uma luta entre mim e ela pela guarda da criança que estava no ventre dela, estava obvio quem ganharia.

Eu não amava Eire e já havia confirmado aquilo por nós dois. Tudo que tenha como base a precipitação só tende ao fracasso! Mas eu esperava poder levar do meu jeito, até que aquela criança pudesse entender o motivo de uma separação.

Ela sorriu nervosa.

— Você é muito sínico Hyoga. Agora você quer conversar?

— Eire você está nervosa!

— Olha, na boa, eu não quero mais Hyoga. Tudo o que aconteceu entre a gente foi um erro. Essa criança foi um erro – Ela tremulou ao dizer aquilo.

— Não diga isso! – Formulei. Ela olhou para mim e deu um sorriso triste.

— Eu cedo para você!

— O-o quê?

— A guarda... Eu cedo para você!

— Não pode está falando serio!

— Estou sim! – Ela limpou a gotícula solitária que teimou em rolar pelo seu rosto — Entenda Hyoga, não posso ser mãe solteira. Além do mais, já tenho planos para depois dessa gestação.

— Você saber o que está falando Eire?

— Sei! Eu não queria fazer sabe? Deixar nosso filho, mesmo que seja com você. Eu queria poder levá-lo aonde quer que eu fosse. Mas eu precisaria estar constantemente te pedido autorização para tudo. Sem contar que eu quero cortar laços com você.

— Você fala como se essa criança fosse um empecilho para que certas coisas acontecessem em sua vida Eire.

— Mas é isso mesmo. – Ela mordeu o lábio. – Não estou negligenciando a vida que vou colocar no mundo. Apenas, para onde eu vou não tem espaço para ela. Entende?

— Eire...

— Eu acho que já chega Hyoga. Agradeço os momentos bons e ruins que tivemos juntos, mas eu não mereço isso. Não mereço a vida que você quer me dar.

Ela tinha razão. Iriamos acabar nos machucando ainda mais.

— Tem certeza disso?

— Sim! – Ela ditou firme. – Minha cirurgia está marcada para o fim da próxima semana. Ligarei para você quando eu estiver dando entrada no hospital.

— Já estava tudo planejado não é? Era isso que você queria falar comigo.

— Era. Na verdade, iria lhe fazer uma proposta, mas, como você não quis me ouvir, então tomei essa decisão. Acho que vamos ser mais felizes assim...

Eu não entendia por que ela estava falando daquela maneira. Era obvio que ela não ficaria feliz. Enquanto falava, ela engolia o choro para que o mesmo não saísse de forma desesperada.

Escutei-a soluçar e sua mão foi em direção aos seus lábios.

— Entendo! – Formulei cansado. Estávamos cansados daquele relacionamento. Eu não a amava e não fazia questão de fazer aquilo dar certo. Aquele relacionamento sempre esteve fadado ao fracasso, pois foi um casamento sem amor. E o pior de tudo era que tínhamos envolvidos pessoas inocentes em nossas redes — Você já deu entrada no pedido de divorcio?

— Já! – Ela respondeu pesado.

— Também agradeço pelos momentos! – Vi-a arregalar o olhar como se estivesse surpresa por eu estar dizendo aquilo.

— Adeus Hyoga! – Ela disse após virar-se de supetão.

— Ainda não é cedo pra dizer adeus Eire.

— Não! Não é!

Ela saiu do quarto. Joguei-me novamente na cama quando ouvi a porta da frente bater.

Ela tinha-se ido!

—ooo0ooo—

O nascimento do meu filho (ou filha) havia sido marcado para o sábado seguinte e, mesmo ainda sendo terça, eu já arrumava algumas coisas.

Quando Eire me disse que estava gravida, nos decidimos manter o sexo do bebê em segredo até o dia do nascimento e para não termos problemas, compramos tudo em tom amarelo e branco.

Arrumamos um quarto só para ele/ela em tom neutro. De algum modo essa criança nos trouxe um laço e, me arrisco a dizer que, se não fosse por ela esse casamento já tinha acabado há muito tempo.

Me ver colocando peças tão pequenas de roupas dentro de uma bolsa infantil, me fez pensar: Como vou cuidar dessa criança, sozinho?

Não que isso fosse o problema em si, afinal, eu já ouvira muitos relatos no qual citavam pais e mães solteiros. O problema era que eu não me sentia seguro para aquele proposito. Eu queria sim, e muito, ficar com meu bebê, no entanto, eu não tinha confiança de que poderia ser o certo para criança.

Eu ainda estava desnorteado. Fazia alguns dias que Eire tinha saído de casa, e por mais que aquilo parece estranho, eu me sentia como se ela tivesse levado embora todos os meus problemas. Todo o “peso” que me consumia. Tudo aquilo que me fazia mal. No entanto, um vazio sombrio havia ficado no lugar.

Depois da noite quente que dividi com Ikki, não tive mais noticias dele. Quer dizer... Fiz por onde não ter mais noticias dele. Sai de lá sem me despedir ou dizer qualquer outra coisa. No dia seguinte, e nos dois depois deste, desliguei meu celular (não que eu tivesse esperanças de que ele fosse ligar, na verdade, nem sei se ele sabe meu numero). Não passei por perto do apartamento do Shunny (esse era o apelido carinhoso do meu ex-amante, irmão do Ikki), enfim... Fiz das palavras do Ikki “será somente sexo” minha prece preciosa para esquecer aquela loucura que eu havia feito.

É serio, porque estou me martirizando tanto?

Não sei... De algum modo me senti mal por aquilo. Sabe aquela sensação de nostalgia que se instala em você quando faz uma coisa e depois se arrepende profundamente disso? Ou quando você come bastante pudim e fica enjoado? Pois era exatamente assim que eu me sentia. Como se eu tivesse comido muito doce e agora pagava o preço pela gula.

Certo, acho que estou exagerando, na verdade camuflando! A quem eu estou querendo enganar? Sim, por que, se eu pudesse voltar atrás, eu não teria saído daquele apartamento sem antes falar com Ikki. Tipo, poderia até parecer loucura para ele, para o Ikki, eu digo, (na boa, até eu não estou acreditando nisso) mas, acho que me apaixonei por ele. Quer dizer... Isso se a nostalgia e a falta que estou sentindo dele servir de indicação.

Serio, eu não via o cara há onze anos. Transava com o irmão mais novo dele (esse pequeno por menor está me deixando cada vez mais frustrado) e logo de cara quando o reencontro, simplesmente transo com o cara. Tudo bem que foi “a transa” mais aquilo, de algum modo, estava me deixando... sei lá, meio que, melhor, totalmente...

Sorri suspirando. Nem sabia, exatamente, qual era a palavra. O importante era que aquele sentimento estava me sufocando!

Resolvi sai. Da uma volta. Espairecer a mente!

Deixei a bolsa que eu estava arrumando em cima da cama e sai.

O dia estava quente e sem nenhuma nuvem no céu!

O céu... Ao ver aquela extensão azulada, a imagem dele veio a minha mente. Um azul claro e diferente do azul anil dos cabelos dele, mesmo assim, aquela cor fez-me sentir quente. Tão quente como quando os olhos dele me cintilavam.

Sorri meio bobo quando notei onde eu estava. Claro que ele não estaria mais ali. Da ultima vez que estive lá, tudo estava praticamente dentro do avião, afinal, era só lacrar as caixas. Mesmo assim, subi até o andar que eu costumava subir sempre. Quarto andar, apartamento 402. Nem vou dizer que aquele numero me trouxe lembranças bastante prazerosas. Também acho que é totalmente desnecessário falar sobre as reações do meu corpo.

Suspirei frustrado...

“Seu eu pudesse voltar ao passado!” — Pensei.

Estendi minha mão para tocar na maçaneta, pesando que, talvez assim, eu pudesse chegar mais perto dele. No entanto, o giro no trinco da porta me fez recuar. Meu coração passou a bater acelerado.

Ikki ou Shun? Qual dos dois sairia dessa vez?

Meus olhos arregalaram quando um homem loiro e de sorriso fácil abriu a porta. Seus olhos azuis me penetraram com violência. (não pensem mal. Não foi nesse sentindo. Além do mais ele estava vestido!) quer dizer... Azul ultimamente está sendo a minha cor preferida e está em tudo o que estou vendo, mas, acho que dessa vez estou alucinando. Quer dizer... Eu tô vendo azul em tudo que é lugar.

Só que os olhos do homem a minha frente era realmente azul! Um azul esverdeado, tão límpido que pareciam dois lagos ladeados.

— Posso ajudar? – Indagou o homem de sorriso fácil e olhar penetrante.

— P-pode... – Gaguejei um pouco. Aquele homem tinha jeito de malandro. De gente que se dar bem em tudo o que faz – O antigo proprietário desse apartamento é meu amigo e não deu tempo de vir aqui me despedir dele e pegar seu atual endereço. Então eu pensei em vir aqui e...

— Perguntar se o atual proprietário do apartamento saberia onde você poderia encontrar um dos irmãos Amamiya? – Ele completou em tom malicioso.

Eu sorri sem jeito. Aquele homem tinha um jeito bem peculiar de falar. Tinha malicia nas mais singelas palavras.

— Por ai...

Ele me olhou dos pês a cabeça e mais um sorrisinho fácil, porem malicioso, aflorou nos lábios dele.

— A resposta é sim! Eu sei onde os irmãos estão morando.

— Será que teria como você me dar o endereço?

— Claro, entre – O homem respondeu e me deu passagem. Adentrei ao apartamento meio desconfiado. Afinal, que tipo de criatura convida um desconhecido para entrar em seu apartamento, sim, porque eu não conhecia aquele homem – De onde você conhece o Amamiya júnior? – Ele me perguntou curioso. Pegou papel e caneta em cima da mesinha de centro.

As coisas ainda não estavam cem por cento arrumadas. Ainda tinham algumas caixas espalhadas apesar de algumas coisas já residirem em seu lugar.

— Amamiya júnior? – Ergui uma sobrancelha.

— Não é o Shun a quem você procura? – Nos olhamos de forma analítica.

Eu estava intrigado com aquele homem. Ele não perguntou quem eu era ou de onde vinha. Muito despreocupadamente me convidou a entrar e agora, tão repentinamente, parecia estar preocupado com alguma coisa.

— Somos amigos desde pequenos – Informei. – Sou amigo dos dois! – aquela afirmação fez-me senti-me estranho.

Amizade não era bem a tênue que existia entre a gente. Entre mim e os irmão Amamiya.

— Sei... – Ele pareceu não acreditar muito. Mesmo assim, me deu o endereço e com um olhar intrigante me advertiu – Cuidado com o que vai fazer!

— O-o que...? – Indaguei meio absorto.

— Nada! – Ele me olhou com seus olhos reluzentes. Eu senti um arrepio percorrer minha espinha – Apenas estou dizendo para tomar cuidado com o que vai fazer.

Tá ok, era definitivo, aquela criatura era completamente maluca (foi o que pensei na hora).

Como eu já estava com o endereço em mãos, resolvi ir-me. Na saída encontrei com outro homem, esse, porém, totalmente diferente do primeiro, tinha uma expressão seria. Um olhar âmbar (não era azul) bem peculiar.

Ergueu uma sobrancelha em minha direção como se perguntasse, quem é você? Senti um calafrio no estomago.

— O-oi... – Delimitei-me.

— Que bom que voltou Camy – A criatura loira falou atrás de mim. Foi em direção ao recém-chegado e o abraçou. Eu aproveitei essa deixa e sai...

—ooo0ooo—

Se alguém... Um conhecido talvez, me perguntar agora: O que você está fazendo? Eu talvez vá responder: Confirmando que sou louco! Sim, porque só pode ser isso... Somente estando louco para ser motivado daquele jeito. Ir para Grécia quando meu filho (ou filha) está bem próximo de nascer.

Foi difícil conseguir um voo para Grécia àquela altura do campeonato, mas, posso dizer que sou um cara de sorte (ou muito insistente).

Depois que consegui o endereço, voltei em casa, arrumei uma pequena mala e me direcionei ao aeroporto. Vocês nem imaginam a cena que eu fiz para consegui uma passagem!

O importante é que deu certo! E agora, algumas horas depois, eu estava desembarcando em solo grego. Entrei em um taxi e entreguei ao motorista o endereço que o novo proprietário do apartamento que pertencia ao meu ex-amante me deu.

Atenas é uma cidade bem grande! Bem bonita também.

Em pouco tempo o taxista chegou ao endereço. Deixou-me em frente a um prédio grande. Bem vistoso. De aparência renomada. Fachada de cores neutras e portão branco. Não combinava em nada com o Shun ou Ikki. Não que os irmãos não tivessem dinheiro para bancar um lugar como aqueles. O problema era que, o prédio era muito chamativo e sem vida ao mesmo tempo.

Aproximei-me do portão e perguntei pelos irmãos Amamiya. O porteiro, que era um homem alto e com cara de Pitbull, me olhou analítico e indagou.

— Quem deseja?

— Diga que é um velho amigo.

— Nome senhor? – Ele falou meio rabugento – Se eu disser ao senhor Ikki que é um velho amigo ele certamente me perguntara se o senhor não tem nome. Ainda mais se eu levar em conta que, depois da viagem que fez ao Japão, ele voltou bem menos amistoso.

Eu sorri amarelo. O homem tinha lá suas razões. Ikki não era uma pessoa fácil de lidar.

— Hyoga! – Ele ergueu uma sobrancelha – Diga a ele que Alexei Hyoga está aqui e que deseja vê-lo.

O homem abriu a boca para fala, no entanto, tudo o que ouvimos foi um timbre melindrado e ao mesmo tempo surpreso se fazendo presente, chamando minha atenção e a do porteiro.

— Quarto andar, apartamento 402.

Engoli seco e olhei em direção ao som. Encontrei duas belas esmeraldas cintilantes. Meu peito doeu ao ver magoas nelas. Tremi, senti que tinha participação naquilo.

— S-Shun... – Minha voz saiu falha.

— Senhor Shun! – O porteiro o chamou.

Shun olhou-o e com um pequeno sorriso falou: — Pode deixa-lo entrar!

— Sim senhor!

O porteiro recolheu-se em seu posto e manteve o portão aberto.

— Shun espere...

Pedi. Ele, que já tinha me dado às costas e caminhava lentamente pela calçada, parou.

— Acho que não é comigo que quer falar Hyoga – Ditou contido.

— Como pode ter certeza? – Indaguei cruzando os braços.

Ele estava certo. Não era com ele que eu queria falar, mas... Ver magoa nos olhos dele me deixou despedaçado. Eu queria lhe explicar coisas que provavelmente ele já soubesse, mas que eu precisava dar-lhe minha versão.

Vi seu corpo tremular como se ele soltasse o sorriso dificultosamente pesado.

— Não seja sínico Hyoga, nem me trate como criança – Eu tremi quando ele me olhou. Seu olhar estava diferente. Firme, ameaçador – E só para você saber, meu irmão e eu não guardamos segredos um do outro, mas eu escondi dele o que você também não falou.

Recuei um passo e senti uma gotícula escorrer pela latera da minha face. Então Shun sabia. No entanto sua gentileza não o permitia agir de outra forma comigo, que não fosse de forma indiferente.

— C-como assim? O que esta querendo dizer?

— Não estou querendo dizer, estou afirmando que sei o que aconteceu entre você e meu irmão no Japão!

Arregalei os olhos e enfiei minhas mãos nos bolsos da minha calça.

— Shun eu...

— Não precisa se explicar Hyoga. Nós, Eire e eu, nunca conseguimos te alcançar... — Seus olhos brilharam – Não se preocupe, não estou com raiva.

— Mas está magoado, não é?

— Eu te amei Hyoga, na verdade ainda te amo, mas... – Vi ele fecha os olhos e suspirar — Vou supera! Vou sobreviver!

— Perdoe-me Shun.

— Não há nada para ser perdoado. Boa sorte, ele não está de bom humor!

Shun novamente deu-me as costas e voltou a caminhar. Olhei novamente para o prédio e ponderei se aquilo era realmente o certo a se fazer...

—ooo0ooo—

Senti um arrepio percorrer minha espinha. Eu estava em um —. Embora prédio e país fossem diferentes, o local tinha o mesmo andar e a mesma numeração de apartamento.

Senti o nervosismo e a excitação subir por minhas pernas. Engoli seco e toquei a campainha...

— Estou indo... – Escutei o timbre rouco tilintar do outro lado da porta. Imediatamente meu corpo reagiu ao som daquela voz.

A ansiedade me abateu com violência, mas uma vez, senti minha garganta rasgar com a saliva. Minhas pernas tremeram ao ouvi o trinco da porta ser desfeito. Meu coração retumbava de forma frenética e galopante. Meus sentidos se aguçaram ainda mais.

Era a primeira vez que experimentava aquele tipo de sensação. Eu sei que, anteriormente, há alguns dias atrás, eu estava meio deprimido. Batendo no apartamento do Amamiya mais novo e desejando que ele me atendesse, mas, aquele sentimento não era nada comparado ao que estou sentindo agora.

Mesmo não demorando muito para abrir a porta, para mim pareceu uma eternidade ter que esperar até que a mesma (a porta) desse a minha visão a imagem de Ikki para contempla.

E lá estava ele novamente, parado na entrada da porta. Com aquele ar arrogante e olhar compenetrado. Novamente veio me atender só de bermuda semiaberta, a cueca dessa vez (para o meu tormento) era azul!

Tô começando a achar que azul é a cor mais quente!

Sua sobrancelha se curvaram na alto da testa franzida. Logo depois seus lábios se contraíram em um sorriso sacana e cheio de malicia (será que não dá para disfarçar?)

Ikki cruzou os braços e encostou-se ao umbral.

— O que está fazendo aqui Hyoga?

— Vim falar com você! – Disse firme.

— Sei... – Ele manteve o sorriso sacana, franziu o cenho e disse – Entra ai...

O apartamento era grande e bem organizado. As coisas estavam estrategicamente colocadas. Igual ao apartamento anterior. Sofás, estante – com alguns livros – televisão, som e etc... Tudo arrumado exatamente igual.

— Então... O que você queria falar comigo? – Ele sentou de forma despojada em um dos sofás.

Eu mordi o lábio inferior. Aquela visão, por mais simples que fosse, era simplesmente excitante.

— Não vai me oferece uma bebida dessa vez?

Ele me olhou de forma felina.

— Depende... Você quer? – E novamente, para o meu entendimento, as falas dele estavam saindo de forma dúbia.

— Quero! – Murmurei anasalado.

Ele se levantou e caminhou em minha direção. Eu recuei passadas, logo bati minhas costas à porta. Prendi a respiração quando ele ficou a milímetros de mim. Nossos rostos bem próximos. Eu sentia a respiração quente dele beijar minha pele. Suas mãos ladeavam meu rosto.

— Que tipo de bebida você quer Hyoga? – Ele perguntou sensual.

Seu timbre rouco penetrou meus tímpanos e me arrepiou por completo. Seus olhos azuis me desnudavam. Abocanhavam minha alma e fazia-me pegar fogo

— Uma de cor azulada – Respondi no mesmo tom. Ele não entendeu.

Nossos olhos se cintilaram. Minha boca ficou seca. Fechei meus olhos. Minha pele recordou os toques de suas mãos fortes, do prazer surpreendente que me foi proporcionado. Meu corpo reagiu à lembrança e senti uma ereção se formar entre minhas pernas.

Um sorriso malicioso e divertido iluminou o rosto moreno dele. Senti meu pescoço ser alvo de seu nariz. Seus dentes encontraram a ponta da minha orelha.

— Não é exatamente uma bebida que você quer, é? – A voz dele se fez presente e bem próximo aos meus tímpanos. Senti minhas pernas amolecerem. As mãos dele, que ainda ladeavam minha face, dirigiram-se a minha cintura. Nossos olhos se conectaram novamente.

— Se eu disse que não? – Indaguei dificultoso.

O toque das mãos dele, mesmo sobre o tecido, me trouxe sensações violentas.

— Vou dizer que já sabia. – Ele ditou antes de tomar meus lábios em um beijo violentamente selvagem. E acho que nem preciso dizer que retribui na mesma intensidade...

Senti-o tremer... Ouvi-o gemer e ofegar junto comigo. Ambos mergulhamos naquele beijo como alguém que estava se afogando e precisava de ar. Ikki afastou-se um pouco, mordiscou meu lábio inferior e retornou a afundar sua boca na minha. Encostou o corpo dele ao meu. Passou uma perna entre as minhas. Senti a ereção dele pressionar minha coxa e, tenho certeza que, ele também sentiu a minha pressionar na dele. Eu o queria, e podia senti que ele também me queria.

Podia até ser impressão minha, mas, pareceu (ao menos eu senti) que Ikki também sentiu minha falta. Ele me beijava com mais volúpia e elevava as sensações do meu corpo.

Ikki deixou meus lábios e passou a língua pela curva do meu pescoço, descendo até meu ombro, marcando-o devagarinho (quando ele tirou minha blusa? Nem me lembro, ou melhor, nem sentir. Na verdade, só fui descobrir bem depois que, em meio ao seu aperreio, Ikki Amamiya destruiu minha camisa. Arrancou fora todos os botões). Ikki alternava beijos e mordidas por minha pele. O desejo de me entregar era tão grande que deixei escapar, não só um, mas vários gemidos baixo.

Senti o zíper da minha calça ser descido e a mão grande penetrar dentro da minha cueca e colher a carne quente que despontava ali. Arqueei minhas costas e um êxtase quase incontrolável irrompeu pelo meu corpo. Minha boca abriu em busca de ar. Um murmúrio de satisfação escapou-me quando Ikki passou a massagear meu sexo, deixando-o ainda mais rijo e pulsante do que já estava.

Os dedos grandes, embora tenham me tocado somente uma única vez, sabiam como mexer na minha intimidade e tirar o melhor dela... Meus gemidos de deleite!

Em pouco tempo, o líquido morno da excitação começou a escapar do pequeno orifício residente em minha glande. Minha calça foi descida junto com minha cueca. De forma brutal e possessiva meu corpo foi levado novamente rente à porta. Minhas pernas foram minuciosamente afastadas e o corpo grande e quente acomodou-se entre ela.

Pulsante, quente e entumecido. O falo encoberto pela cueca azul finalmente liberto procurava caminho pelo espaço entre minhas nádegas. Senti a força das minhas pernas se esvair quando a penetração foi concluída sem muito esforço. Era incrível a forma que nos encaixávamos! Era como se fossemos peças principais de um quebra-cabeça inquebrável.

— Ikki... – Murmurei quando ele me suspendeu do chão e passou a estocar-me.

Era agoniante a forma como ele estava fazendo aquilo, e para o meu desespero estava só começando.

O sexo com Ikki pra mim tinha que ser diferente. Eu havia enlouquecido pelo jeito urgente e potente que ele exibiu. E era dessa maneira que eu o queria.

— Depressa! – Ordenei enfiando minhas unhas no ombro dele.

Ele riu de forma sacana, aproximou os lábios de meu ouvido e ditou.

— Você é quem manda! – Um arranhar de dente veio depois disso. Um gemido rouco e gutural escapou da minha garganta.

Ikki abriu um pouco mais minhas pernas, desceu mais meu corpo de encontro ao dele e passou a impregnar força, firmeza e precisão no ato.

Eu sentia meu corpo ser levantado e descido. Sentia Ikki me penetrar fundo em cada decida que meu corpo dava (ou era forçado a dar). Eu também tinha certeza de que quem passasse pelo corredor podia ouvir claramente as batidas que meu corpo dava contra a porta. Mesmo assim, eu queria, novamente, ser consumido pelo fogo azulado que se acendeu no momento em que aquela porta, ao qual eu era praticamente arremessado diversas vezes, tinha se aberto.

A intensidade das estocadas ficou cada vez maior, cada vez mais selvagem e intensa. Minha próstata era acertada com força e precisão. Pequenas gotas de suor brotavam em nossas testa e escorria per entre nossos corpos deixando-os reluzentes.

As mãos grandes de Ikki apertavam meus quadris com força, enquanto continuava em movimentos ida e vinda. Gemidos e ofegos ruidosos se misturavam e ecoavam pela sala daquele apartamento.

Eu estava sendo empurrado contra a porta a cada investida de Ikki (serio, eu estava vendo a hora aquela porta ir abaixo, no entanto, não estava me importando nem um pouco com essa ideia). Minhas unhas se cravaram no braço musculoso, e uma agonia sufocante e desesperada se alastrava. A sensação era quase enlouquecedora de tão prazerosa.

Senti a ereção de Ikki pulsar dentro de mim. Mais uma vez, a sensação de algo subido por entre elas, por entre as veias pulsantes se aproximava denunciando que o limite do meu amante estava chegando.

Meus quadris foram erguidos, a carne latejante foi retirada quase que por completo de dentro de mim e lançada novamente, uma ultima estocada, acertou-me em cheio na próstata, arrancando do meu peito um gemido tépido.

Meu corpo, assim como o do Ikki, foi assolado pelo tremor sem controle que o orgasmo desencadeia. Meu sêmen derramou-se no abdome dele. No mesmo instante, senti uma golfada quente dentro de mim e ouvi a voz dele dizer meu nome junto a um ruído gutural diante do êxtase.

Ele... Eu... Ao mesmo tempo! – Sorri faceiro com isso.

Ikki deixou meu corpo escorregar por entre seus braços até nosso corpo ficarem rentes. Abraçou-me com força e afundou seu rosto em meu pescoço. Passamos algum tempo desse jeito. Apenas nos sentindo...

Senti a respiração dele contra a pele do meu pescoço. Parecia aliviada, serena, tranquila. Não sei, talvez seja apenas impressão minha, não sei explicar, mas... Pareceu que Ikki também sentiu minha falta! Não que eu tivesse demonstrado a ele assim que o vi (tá legal, confesso, nos atacamos!). E isso foi a melhor coisa que aconteceu.

— Acho que não existe bebida mais gostosa! – Sussurrei em seu ouvido. Ele sorriu.

— Era a única que eu tinha na cor azul. – Ele murmurou de volta. Olhou-me com aquele olhar tipo “estava te esperando” tocou meu rosto e me deu um selinho – Quer tomar banho comigo?

— Agora? – Indaguei meio mole. Ele sorriu. Pegou-me no colo e me levou cômodo adentro.

— Pode ser depois – Respondeu voltando a beijar-me intensamente.

Ainda comigo no colo, abriu a porta de um dos cômodos. Um cheiro quente e cítrico chegou até minhas narinas. Fui colocado em algo macio (a cama dele) e seu peso depositado sobre meu corpo.

— Queria permanece assim para sempre! – Ele falou. Meu olho arregalou.

— O que está querendo dizer? – Perguntei. Minha sobrancelha ergueu.

Ele me olhou analitico. Seus olhos capturando cada gesto meu – Gosto de você! – Disse. – Da outra vez, quando fui ao Japão, fui somente por que Shun disse que tinha contato com você e eu queria te ver. Dizer que...

— Ikki espera... – Pedi calmo, mesmo que por dentro eu estivesse a mil e meu coração estivesse em tempo de sair pela boca, eu precisava falar com ele. Deixar certas coisas claras – eu...

Ele pôs o indicador em meus lábios.

— Eu sei que você é casado e que vai ser pai. Sei que sua vida está virada de ponta cabeça. Eu também tenho problemas, mas eu quero que saiba que quero passar todos ele com você.

Meus olhos se arregalaram ainda mais. Era o Ikki mesmo que estava ali? Era o mesmo Ikki que estava me dizendo àquelas coisas? Ele estava muito diferente da pessoa que eu conhecia. No entanto, eu estava amando aquele novo Ikki.

— Eu também quero que você fique na minha vida!

Vi-o sorrir com ternura e senti-o beijar-me com doçura (ternura, doçura e Ikki na mesma frase, era algo raro de escutar). Eu tinha muitas coisas a explicar e outras a ouvir, entretanto, naquele momento, tudo o que eu mais queria estava ali, nos meus braços. Beijando minha boca, a dali á alguns instantes, me amando novamente...

Continua...

Notas finais
E ai gostaram? Espero que sim! Beijão a todos e espero conseguir postar o próximo rápido!