Azul, a cor mais quente!
3 Capitulo III
Notas iniciais
Capitulo III
Um vento morno alvejava meu rosto. Um circulo quente e possessivo estava em torno da minha cintura e havia, literalmente falando, uma perna entre as minhas. Um retumbar compassado se fazia presente abaixo do meu ouvido.
Eu não queria acordar! Pelo menos, não depois da noite anterior!
Passei a noite mais incrível da minha vida. (tá... estou ciente de que já tinha dito isso antes, mas... podem crê, dessa vez, é diferente). Eu podia jurar que meu corpo estava bem marcado (bem mais que da outra vez, eu posso garantir).
Sentir-me dolorido, nunca foi tão prazeroso. Ao menos que eu me lembre.
Abri os olhos devagar. Os braços de Ikki prendiam-me de forma possessiva. O retumbar vinha do coração dele. A face serena e os lábios entreabertos denominava seu sono tranquilo.
Levantei um pouco a cabeça e mirei seu rosto adormecido. Totalmente diferente da criança que era antigamente, Ikki havia se tornado um homem bonito, másculo. E mesmo sob a face serena, podia-se notar o quanto ele era quente.
Deitei novamente minha cabeça em seu peito. Queria voltar a escutar as batidas de seu coração.
— Não vai me beijar? – A voz meio rouca e sonolenta chegou aos meus ouvidos.
— Agora não estou com vontade! – Retruquei. Eu tinha o direito de fazer um pouco de manha, não tinha?
Tão rápido quanto o raio que corta o céu em dia de chuva, Ikki mudou nossas posições. Prensou-me na cama e penetrou-me com aquele olhar... Lindo e irresistivelmente azul!
— Pois eu estou com uma baita vontade de te beijar! – Volveu ele, beijando-me logo de seguida.
Amando-me mais uma vez. Marcando-me... Possuindo-me como se eu fosse um vicio que precisasse ser saciado a cada segundo. Tocando-me como se eu fosse algo precioso e em extinção.
Depois da nossa pequena brincadeira matinal, fomos tomar banho. Tomamos banhos separadamente, ou nunca iriamos deixar aquele quarto. Enquanto eu me lavava, Ikki disse que prepararia algo para comermos.
Assim sendo, tomei meu banho sossegado. Sai do banheiro com uma toalha envolvendo minha cintura e me enxugando com outra. Sorri bobo, estava tudo caminhando perfeitamente bem, pelo menos até eu me deparar com um problema enorme.
Ikki Amamiya tinha detonado, totalmente, minhas roupas... E as outras estavam na mala e a mesma estava na sala.
“E agora? O que vou vestir?”— Me vi perguntando. Eu não podia simplesmente andar só de toalha pelo o apartamento, Shun também morava ali.
Tá certo que ele já me viu sem roupa e tudo mais... No entanto, não achei apropriado dar-lhe, mais uma vez, motivo para magoas. Entretanto, eu tinha que vestir alguma coisa, né?
Logo a solução me foi apresentada através do guarda-roupa do “destruidor de roupas” (hehe, convenhamos que eu o ajudei).
Minutos depois eu apareci na cozinha trajando uma regata preta e um calção cinza.
Os irmãos Amamiya me olharam assustados. Acho que não pela minha presença, mas por minha ousadia em vestir uma roupa do mais velho deles, sem o consentimento do mesmo.
— Ótimo! Agora só falta dizer que vão casar! – Retrucou Shun levando uma xicara aos lábios.
Senti-me incomodado com aquele comentário. Quer dizer... Eu acho que, pelo menos, não teríamos o consentimento dele caso nós resolvêssemos “casar”?
— S-Sh... – Tentei chamar.
— Se isso vier a acontecer Shun, tenho certeza de que você não poderá impedir. – Ikki foi mais rápido que eu. Mais ríspido também.
Shun abriu a boca, mas antes que ele pudesse falar eu fui ao seu socorro. Eu lhe devia essa.
— Ikki, também não precisa falar assim com ele.
Shun me olhou. Seus olhos vítreos maculados pela tristeza apunhalaram meu peito.
— Eu não preciso que me defenda Hyoga! – O virginiano levantou zangado – eu posso fazer isso sozinho! – Ele saiu deixando a xicara suja na mesa.
— Shun... Volte aqui! – Gritou o Amamiya mais velho. Manei a mão, pedindo para que não desse importância a essa pequena malcriação. Shun tinha todo o direito de estar zangado, na verdade, até que ele estava levado a situação como um adulto.
Não que ele não fosse um adulto, eu digo. Quer dizer, Shun aparentava ter menos idade do que realmente tinha, mas aquilo não vinha ao caso.
— Hyoga, ele tem que entender que não importa se ele vai ficar com ciúmes ou não. Eu simplesmente vou ficar com você! – O olhar incisivo e azulado me transpassava de forma aquecedora.
— C-ciúmes? – indaguei meio desnorteado. Quer dizer... Será que Ikki tinha noção do que estava falando? Será que ele sabia ou pelo menos tinha uma ideia da minha situação com o Shunny?
— Hyoga, me poupe! Você acha que eu não conheço essa historia? – Ele indagou, me fazendo gelar – Shun está com ciúmes, pois não aceita me dividir com você! Mas, pode ter certeza de que vou falar com ele. – Ok. Parei de respirar quando ele disse “Você acha que eu não conheço essa historia?”. Seria melhor eu contar logo e me livrar dessa culpa?
Tomei café com Ikki e conversei com ele sobre alguns assuntos, minha separação com Eire, por exemplo. Não tive coragem para dizer-lhe que eu e Shun éramos amantes. Deixei para outro momento. De preferencia, um momento ao qual eu possa mudar o rumo da conversa ao meu favor.
— Quando você vai voltar ao Japão? – Ikki perguntou.
— Hoje à tarde. – Informei soltando uma baforada pesada – Amanhã Eire estará dando entrada no hospital.
— Sei! – Ele levantou com a cara emburrada – E quando pretende volta?
— Depois que eu acertar tudo e puder viajar com o bebê
— Com o bebê?
— É! Eire vai ceder a guarda para mim!
— Ela vai mesmo fazer isso?
— Acho que sim! – Informei levando a xicara até a pia e lavando-a.
Depois de lavarmos as coisas do café, Ikki e eu passamos o dia juntos. (e quando eu digo juntos, é juntos mesmo!). Saímos. Compramos algumas coisas, lanchamos a tarde e ao fim da mesma, os irmãos Amamiya estavam me levando ao aeroporto.
— Se você não voltar até sexta que vem, vou te buscar! – Ameaçou Ikki bem próximo ao meu ouvido. Eu dei um sorriso amarelo. Não imaginei que ele fosse tão possessivo...
Olhei para meu cunhado/ex-amante e pedi-o para trocar umas duas palavrinhas com ele. Meio a contra gosto e de forma birrenta ele se afastou comigo.
Ikki olhou-nos torto. Ciúmes?! Talvez, eu não tenho muita certeza. O importante é que eu tinha que falar com Shun antes voltar para o Japão. Ao menos a ele eu devia uma explicação e já que eu tinha algum tempo, por que não aproveitar?
— E então o que quer? – Ele foi direto. Seus grandes e esmeraldinos olhos me fitaram cheios de magoa. Eu engoli seco e comecei.
— Sei que não tenho o direito de te pedi, mas...
— Poupe-me! – Ele disse de forma abrutada.
— Como? – Eu indaguei meio que sem entender. Ate então eu não havia dito nada.
— Quero que poupe-me do seu discurso! Eu já te disse anteriormente não foi? Não estou zangado ou com raiva.
Arregalei meus olhos. O pequeno Amamiya estava muito diferente, mas decidido, mais firme...
— Shun...
— Minha magoa vai passar, assim como meu amor por você algum dia também vai se esvair – Ele disse com seus grandes olhos brilhante. Copado de lagrimas, prestes a transbordar – Só peço que faça-o feliz, pois meu irmão é a coisa mais preciosa pra mim! Também peço que não conte a ele o que se passou entre a gente. Eu não quero que ele saiba. Será nosso segredo, ok?
— Ok. – Concordei.
Eu não queria ter aquele tipo de segredo com ele. Eu queria ser verdadeiro com o Ikki, mas eu entendi o que Shun queria dizer... Preservar. Acho que seria difícil ter uma convivência solida entre os irmãos se eu contasse a Ikki que Shun e eu tínhamos uma relacionamento. Então decidi que era melhor ficar calado. Já que Shun não contaria, eu também não o faria.
Voltamos assim que ouvi o anuncio do meu voo. Enfim, estava na hora de partir.
Baguncei os cabelos de Shun e beijei os lábios de Ikki. Embarquei no avião e retornei para o Japão... Fui presencia o nascimento do meu filho...
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Dois anos depois...
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— Vamos Ikki ou vamos nós atrasarmos – Gritei da porta de saída.
— Calma Hyoga o buffet não vai sair do lugar – Ele retrucou, caminhando em minha direção, tentando inutilmente ajeitar a gravata borboleta.
Sorri divertido. Eu era o pai, e ainda assim, Ikki queria aparecer mais.
— Já disse que não precisa disso, afinal, vamos á um aniversario.
— Não é somente um aniversario – Ele retrucou
Eu revirei os olhos. Aquilo já era previsto. O leonino era mais protetor que eu.
— Depois eu é que sou o maníaco – Retruquei, arrancando uma expressão de desagrado dele.
Depois que eu consegui fazer o belo moreno ficar mais apresentável do que já era, nós saímos. Fomos até o estacionamento do prédio, pegamos o carro e seguimos em direção ao buffet.
O local já estava lotado quando chegamos lá.
— Achei que não viriam. Que haviam esquecido que hoje essa princesinha está fazendo dois aninhos – Um loiro sorridente e brincalhão veio com uma pequena menina sobre os ombros.
— Milo, cuidado para não derrubá-la – Eu ralhei. Ele a tinha trazido na frente, enquanto Ikki e eu nos arrumávamos.
Milo era o melhor amigo de Ikki. Foi com ele que Shun havia trocado o apartamento. Na época, Camus, o namorado dele, teve que se mudar para o Japão á trabalho, e o loiro o acompanhou. Eu soube algum tempo depois que foi através de Milo que Ikki tornou-se professor de literatura.
— Confie em mim Hyoga, não vou derrubar essa coisinha linda – Ele disse, dando pinotes, arrancando risos de Alluka. E eu sorri com a felicidade da minha filha.
Alluka foi o presente que Eire me deu. Uma menina linda e doce...
Um dia depois que eu voltei para o Japão, Eire deu entrada no hospital. Depois foram quase duas horas de espera até que o medico dissesse que eu era pai de uma bela menina.
Dei a ela o nome de Alluka. Eire não fez nenhuma objeção quanto a isso!
Uma vez que Eire tinha assinado à guarda, me dando minha filha, preparei tudo dentro de uma semana para sair com ela do país. Trouxe-a para morar aqui, na Grécia, comigo e com Ikki. E com Shun também. Mas, para minha surpresa, Shun não moraria com a gente!
Somente depois que eu voltei do Japão foi que Ikki me disse que Shun tinha partido, dizendo que ele e eu formaríamos uma família e que nessa família não havia espaço para ele. Fiquei triste com isso. Quer dizer... Eu estava todo feliz, enquanto que alguém (no caso Shun) estava “triste” com minha felicidade. Não era bem triste a palavra, estava mais para “incomodado” ou “perdido”. Mas acho que isso não importa agora, né?
— Olha só o monte de presentes que ela ganhou – Kiki, sobrinho de um dos alunos de Ikki, apontou para o local cheio de pacotes coloridos.
Pacotes grandes, pacotes pequenos. Enfeitados ou em papel simples. Havia vários, e minha princesa sorria bastante, enquanto mordia um, tentando arranca o laço azul que tinha nele.
Ikki e eu olhávamos tudo, recostado a um balcão.
— Para minha felicidade estar completa, somente meu irmão estando aqui agora – O moreno murmurou ao meu lado.
Eu senti uma pontada no peito. Fazia dois anos que Shun tinha ido embora e só se comunicava através de cartões e ligação.
— Tenho absoluta certeza de que se ele pudesse, ele estaria aqui! – Disse. Acomodando seus ombros em meu peito, passando o indicado em sua face.
— Eu mandei um convite para ele – Disse em tom chamuscado.
— Pode ser que ele esteja longe – Tentei amenizar minha própria culpa. Ikki e Shun estavam separados por minha causa.
— Milo e Camus moram no Japão e ainda sim vieram – Ralhou ele.
Eu suspirei. Aquilo com certeza não iria ter fim.
— Ikki... – Chamei-o, tentando me desculpa por Shun. Eu sabia de seus sentimentos. Sabia exatamente o porquê dele não estar ali.
— Quantas vezes eu vou ter que te dizer que não precisa me defender Hyoga?! – uma voz carregada e ao mesmo tempo lívida veio de encontro aos meus ouvidos.
Não somente aos meus, claro, todos olharam boquiaberto para a figura franzina parada na entrada.
Meu olhar arregalou. Confesso, não imaginei que ele visse.
— Shun... – Ikki murmurou, indo de encontro ao menor e o abraçando forte.
— Olá, Ikki – Shun falou, dispensando um sorriso para o irmão.
— Por onde você esteve? – Indagou o leonino. Os olhos brilhando... “lagrimas?” pensei ao ver o brilho reluzir em seus olhos.
— Oh, Deuses... Ikki Amamiya está com o olhar lacrimoso – Milo ditou alto, fazendo muitos perderem a respiração. (até eu fiz isso. Prendi a respiração, eu digo.).
— Cala a boca, Milo! – Ralhou o ruivo ao lado dele.
— Mas Camus, se eu não fizer nota para todos escutarem, ele vai dizer que foi um cisco que caiu no olho dele – Falou o grego, arrancando risadas dos presentes.
— E o que te faz pensar que não vou dizer isso agora? – Perguntou o moreno, zangado.
— Ora Ikki, não pode simplesmente ter caído cisco em seus dois olhos, né? – O loiro maluco alfinetou, estralando a língua.
Eu sabia... Uma discursão sem sentido iria começar. No entanto, como se algum soberano divino daquele lugar tivesse escutando a prece que eu fazia internamente, ou talvez não, algo aconteceu...
— Que festa animada – Alguém falou. Alguém que eu não conhecia. Ikki também não. Mas que estava ali.
Um homem de cabelos ruivos desbotados, quase alaranjados. O olhar âmbar e incisivo. A pele levemente amorenada. Um sorriso neutro adornava a face do jovem.
— Quem é você? – Ikki indagou para o homem com o olha mordaz.
— Ikki... – Shun o chamou. A face levemente rosada – Este é Mime, meu namorado! – Exclamou o mais jovem. E então, sem pressa alguma, uma discursão boba começou.
Eu sorri e balancei negativamente a cabeça, tendo em mente que... Se alguém... Um conhecido talvez, me perguntar agora: como você se sente Hyoga? Eu talvez vá responder: pare de me fazer perguntas bestas! Não pode simplesmente tirar suas próprias conclusões? Sim, porque eu não teria, ou melhor, não tenho motivos para ficar triste, irritado ou zangado...
Ikki está feliz (brigando talvez, mas feliz). Minha filha está sorrindo e fazendo aniversario hoje. Estamos rodeados de amigos e meu cunhado/ex-amante, já não me olhar magoado e, até uma vez e ou outra, me lança sorrisos gentis. Então, sim! Eu posso responder.
Eu sou, ou melhor, eu me sinto feliz!
— Ikki... – Chamei-o, no meio daquela baderna toda – É hora de cantar parabéns!
Fim!
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