Notas iniciais
Oh, perdoem-me pela demora! Vocês são uns anjos e eu aqui demorando! Eu ia postar segunda, mas eu precisava terminar de ler A Seleção! Então eu fui postar na terça, mas precisava ler A Elite! Agora que terminei ambos os livros... Capítulo novinho!
Eu o dividi em quatro partes. A parte Peeta e Katniss dedicada à Sasha Mellark, a parte Percy e Annabeth dedicada à Becky lady of moon, a parte Rony e Hermione dedicada à minha gêmea europeia, mariana watson. E a parte final, mesmo que pequena, dedicada à Lizzie!
Sim, QUATRO recomendações de uma vez. Estou tão, mas tãaao feliz com isso. Obrigada, pinguins. Agora... Enjoy o capítulo!

- A fogueira está quase apagando... Acho que precisamos de mais madeira – Peeta disse.

- Fogo – ela falou lentamente, com os olhos brilhantes.

- Medo agora. Porque você tá tão animada?

- Você já deu uma olhada nesse lugar? É lindo! – ela disse. – E eu estou aqui com você.

Ela sorriu e voltou a fitar o mar. Claro que disse isso na inocência, mas mesmo assim o coração de Peeta não pôde deixar de falhar uma batida ao ouvir aquilo e logo sua mente sonhadora já imaginava os milhares significados daquela simples frase.

Passaram o dia nadando, nem pareciam estar numa ilha deserta, longe da civilização e proteção. Longe de conforto e comida. Katniss estava adorando aquilo. Era uma espécie de férias tranquila.

- Você não está preocupada? – ele perguntou. – Digo... Kat, a comida vai acabar. Pode chover a qualquer hora... Sem falar nos milhares de bichos que deve ter aqui!

- Você já viu Madagascar? Podemos construir uma cabaninha igual aquela zebra! – ela sugeriu.

- Katniss, aquilo é um desenho animado!

- Mas vai ser divertido tentar... – ela disse.

- Você não vê a gravidade do problema? Estamos em uma ilha deserta, Katniss! A gente vai morrer...

- Vou morrer ao seu lado – ela sorriu animada.

- Katniss!

- O que foi? – ela perguntou, já perdendo a paciência. – Aprenda a aproveitar mais as oportunidades, Mellark.

- Que oportunidade? Estamos no fim do mundo!

- Olha pra esse lugar! – ela pediu abrindo os braços. – Olha esse mar azul e essa areia branca. Olha essas plantas... Olha esse céu! Cheio de estrelas...

- Desisto – ele declarou bufando.

- Do que, Peeta?

- Você está impossível, Kat! Você não enxerga a dimensão do...

- Peeta! – ela o interrompeu, a essa altura, a morena gritava. – Você quer brigar com a única pessoa que tem como companhia? Que droga! Quer que nos separemos e construímos nossos próprios abrigos, em? Quer que você tenha sede e eu, água, mas não te dê? Ou o contrário? Eu tenha fome e você, comida?

- Desculpa – ele pediu, de cabeça baixa.

- Você quer achar mais madeira? Vamos achar essa droga logo – ela ordenou. – Quer comida? Vamos procurar! Estava apenas tentando aliviar a tensão, mas é impossível!

- Desculpa, tá legal? – ele gritou e ela desviou os olhos.

Era horrível brigar com o primo. Depois dos 14, isso era um acontecimento raro, mas quando acontecia... Era horrível! Principalmente nos últimos dias... Parecia que brigar com o primo lhe tirava uma parte da alma. Um nó rapidamente se formava na garganta e a vontade de pedir desculpa percorria por todo o seu corpo, mas como era orgulhosa, ficava de bico fechado.

- É sério, Kat – ele insistiu. – Estou com medo e nervoso...

- Desculpa também. O que você quer primeiro? – ela perguntou. – Atear o fogo, achar comida ou abrigo?

- Podemos nos preocupar com isso amanhã – ele decidiu. – Sério. Você tem razão... Estamos num lugar lindo! Olhe essas estrelas...

Então ela olhou para cima. O vento batia em seu rosto e hora ou outra um fio castanho rebelde caía em seus olhos. Lá em cima, por detrás de algumas plantas verdes que pareciam estar em uma dança lenta, estava o céu. De um tom tão escuro que poderia facilmente ser confundido com preto. Nenhuma nuvem era vista e milhares de estrelas brilhavam ao redor da Lua, que parecia ofuscada com o brilho das companheiras. O vento era gelado, o único som ouvido era o crepitar do fogo e as ondas indo e vindo. Fora as plantas balançando, claro... Aquele som era facilmente ligado à tranquilidade.

- A noite está magnifica – ela elogiou. – Mesmo assim, ainda prefiro o céu da manhã. Lembra seus olhos...

- Eu prefiro os dias nublados – ele opinou. – Lembra seus olhos...

- E os de Annabeth – ela lembrou.

- O céu da manhã também lembra os de Rony – ele disse e ambos sentiram uma onda de preocupação. Onde os amigos haviam se metido?

- Acha que estão bem?

- Provavelmente – Peeta respondeu. – O que acha que deve ter acontecido?

- Falamos sobre isso mais cedo – ela recordou. – Assim que acordarmos precisamos nos situar, Peeta.

- O que você quer dizer?

- Quero dizer – iniciou Katniss. – Que precisamos achar materiais para construir um abrigo. Precisamos de comida. E água. Céus, como precisamos de água.

- Água potável – ele ressaltou.

- Isso – a morena concordou.

- Não estou com sono... – ele disse depois de um tempo. – Poderíamos já ir fazendo alguma coisa.

- Poderíamos ir planejando – ela falou. – A comida... Quanto ainda temos?

- Cinco barrinhas de chocolate e um pacote de salgadinho – ele disse.

- Estou com fome.

- Precisamos guardar.

- Quer saber? Precisamos esquecer isso! – Katniss falou. – Sério, Peeta. O celular ainda tem bateria, sabe o que podemos fazer?

- O que? – perguntou, curioso.

- Dançar – ela respondeu. – É, dançar. Tem músicas aqui! E você mesmo disse que só devemos nos preocupar com isso amanhã!

Ela levantou-se com rapidez e catou a mochila de Percy, atrás do celular. Enfim achou o pequeno e fino aparelho preto, com a capinha de gato e a tela rachada da morena. Ela pôs a senha e tratou de colocar uma música.

A primeira a tocar foi de Taylor Swift, 22. Katniss movimentava o corpo com rapidez, os cabelos agitando-se em frente aos seus olhos e toda vez que pulava, Peeta não podia deixar de observar que o moletom cinza subia alguns centímetros, deixando à mostra a ponta da calcinha vermelha e rendada.

Quando a lista prosseguiu, para Highway To Hell de ACDC, Peeta se rendeu e se levantou, fingindo estar com uma guitarra entre as mãos. Às vezes, havia baquetas também e ele tocava no ritmo da música a bateria imaginária. Enquanto isso, Katniss balançava a cabeça freneticamente, fingindo ser a vocalista da canção.

Duas músicas mais tarde, o modo aleatório colocou She Will Be Loved em uma versão cover, onde uma voz doce e feminina cantava baixinho e hesitante. Peeta segurou na cintura da prima e ela encostou a cabeça em seu ombro. Ambos estavam ofegantes, devido as músicas anteriores. Os corpos brilhavam do suor e o vento gelado deixava suas peles grudentas. Mas nenhum dos dois ligava. Apenas estavam naquela sincronia, ouvindo a voz frágil sair do pequeno aparelho jogado na areia. Às vezes Peeta a rodopiava e Katniss desatava a rir.

Então eles se separaram e sorriram um para o outro. Os olhos de Peeta brilhavam como nunca. Era bom tê-la nas mãos. Sua pele em contato com a dele, o calor irradiando do corpo. Porque ela não percebia o que ele sentia? Porque Peeta tinha que se declarar para que ela enxergasse um palmo abaixo do nariz? Porque essa coisa de amar era tão complicada?

Ele tinha certeza que Katniss não o amava. Claro que não. Como prima, sim. Mas desejo? Querer trocar carícias, querer beijá-lo? Peeta sabia que isso passava longe da cabeça dura da prima Everdeen.

Talvez ele não corresse atrás dela. Oh, é claro que ele não corria atrás. Ficava envergonhado sempre que estava na presença dela. Não tomava iniciativas e passara tempo demais ao lado de Katniss, Annabeth e Hermione para saber que mulheres gostam de homens com atitude. Era disso que ele precisava.

Estavam sozinhos naquela ilha. Não que ele fosse força-la a fazer alguma coisa, mas sim, ele estava disposto a flertar com ela.

Não, ele não faria isso. Não tinha coragem. Era um covarde, no fim das contas.

Na verdade, o loiro estava mais do que confuso.

Então a próxima música, I Want To Hold Your Hand, começou e seus pensamentos se dissiparam. Ele começou a se mexer como se estivesse nos anos 60, assim como Katniss. Mais ou menos na metade da música, eles começaram a gargalhar e caíram na areia. Assim, Katniss desligou o celular para poupar bateria e ficou de olhos fechados. Peeta se sustentou no cotovelo e passou a encara-la.

Os olhos da morena foram abertos, revelando olhos cinza brilhantes, que encaram o azul do loiro. Então seu olhar desceu, ao peito nu e suado do primo.

- Ai como meu primo é gostoso! – ela brincou e gargalhou. – Vem aqui, gostosão.

Então ele se aproximou e ela gargalhou ainda mais, antes de colocar a mão no ombro dele. E move-la até o pescoço. Então retira-la e deixar apenas seus dedos, roçando de leve na pele levemente bronzeada, mas ainda assim branca, de Peeta. Ela desceu para o peito esquerdo, depois no centro e foi deslizando até o umbigo. Então passou para a lateral e refez todo o caminho.

- Muito gostoso! – ela exclamou e tirou as mãos dali, deitando-se novamente de olhos fechados.

Então a morena sentiu algo roçando seu joelho e sorriu. O primo, hesitante, colocara mão ali. Então foi puxando a mão mais acima, até encostar na calcinha e depois desceu novamente, repousando na coxa e apertando de leve ali. Ela alargou o sorriso.

- Você também é gostosa – ele elogiou, vermelho. De onde ele tirara aquela coragem?

- Eu sei – ela disse e riu.

Então se levantou e mordeu o pescoço do primo. Beijou. Mordeu. Beijou. Então mordiscou novamente. Ele apenas aproveitava aquilo, com um sorriso contido nos lábios. Algo queimava dentro dele. Peeta estava gostando daquilo.

- Você está suado! – ela reclamou e riu.

- Katniss, vai dormir – ele pediu, empurrando-a de leve. – Desde criança você é assim: começa a agir feito uma bêbada quando tá com sono.

Ela simplesmente gargalhou. E alto. Ele tinha razão. Ela não raciocinava, seus reflexos estavam fracos. Qual o problema em fazer aquilo? Ela se aninhou à pele suada do primo, entre o corpo e o braço, e repousou a mão direita em seu peito. Fechou os olhos.

- Amanhã começamos a procurar abrigo – balbuciou.

- Claro – ele concordou. – Mas vá dormir.

- Conta uma história pra mim? – ela pediu.

- Que história?

- Hum... – ela pensou. – A Bela e a Fera, é minha favorita.

- Tem certeza? – ele perguntou, preguiçoso.

- Pelo menos faz cafuné?

- Tudo bem... – ele se rendeu.

Então em pouco tempo, Katniss dormia nos braços dele. E ele observava o perfeito céu escuro, cheio de estrelas, porém com os pensamentos longes. Será que um dia ele teria essa mesma coragem novamente?

--X—

Percy estava suado. Estava certo todas as vezes que havia imaginado Rachel sem roupa e sem impedimento. Ela era gostosa. Muito gostosa. Quando se despiu, seus cabelos ruivos e ondulados cobriram seus seios e isso não poderia ter deixado o moreno mais excitado. Seus olhos verdes ficaram negros e brilhavam de luxúria. Não demorou muito para que se atacassem ali mesmo, na sala da cabaninha onde eram reféns. Enquanto Annabeth e Madge morriam de nervosismo, afinal, a qualquer hora Snow e Umbridge poderia adentrar o local, o moreno e a ruiva gemiam e se entregavam ao prazer, esquecendo de todo o resto.

Falando em Annabeth, aquela trégua havia durado mais do que as outras já duraram. Incrivelmente, durante essas prováveis cinco longas horas, Percy e Annabeth estavam conversando simpaticamente. Ainda se provocando, é verdade. Mas sem malvadeza nas palavras. Bom, tem que considerar o fato que só ficaram juntos durante meia hora – a partir daí, Percy entrou na cabaninha com Rachel.

Saiu sorrindo e alargou ainda mais o sorriso ao ver duas loiras sentadas ao chão de pedra rindo e conversando. A loira dos cabelos lisos mexia a mão a cada palavra dita, como se enfatizasse as sentenças. Sua coluna impecavelmente ereta e queixo erguido sempre. Já ao seu lado, a loira dos cabelos cacheados apenas estava apoiada com as duas mãos no chão e sorrindo ao que quer que a outra estivesse falando.

Percy não pôde evitar sorrir ao ver a boca rosada da menina dos olhos cinzentos curvada pra cima. Raramente, era um sorriso verdadeiro e não um carregado de ironia que ela sempre tinha para oferecer ao moreno. Percy gostava dos momentos de paz entre os dois. Não podia negar que Annabeth era muito inteligente e boa de papo, diferentemente da maioria das garotas que haviam estado com ele durante uma ou duas semanas. Todas as vezes que haviam saído, as conversas morriam ou eram sobre coisas fúteis.

Então Annabeth encontrou o olhar de Percy e fez um leve aceno de cabeça. Observou seu rosto vermelho, os olhos ainda um pouco escuros e pele completamente suada, de modo que os cabelos estavam grudados na testa. Desceu o olhar e corou constatando que o zíper da calça dele estava aberto.

- Hum... Jackson – ela chamou constrangida. – Acho que você talvez deva... Levantar o zíper.

- Ah – ele disse corando. Ajeitou a calça e se sentou de frente a elas.

- Cadê a Rachel? – quis saber Madge.

- Você matou a garota, Jackson? – perguntou Annabeth, mas corou em seguida ao ver a intensidade da malicia que brilhava nos olhos verdes do moreno.

- Ela só está... Descansando. É normal que faça isso... Passamos quase quatro horas transando, eu acho.

- Não cansa não, Perseu? – ela perguntou.

- Estou exausto! – ele confessou.

- Imaginem a pobre da Rachel! – brincou Madge.

Ela estava um pouco mais calma do que algumas horas atrás. Quando ouviu o barulho da porta sendo trancada desesperou-se, pois achou que jamais sairia dali. Até que teve uma conversa com Annabeth e acabou deixando o medo se dissipar.

- Duvido que ela consiga andar... – apostou Percy.

- Eu vou ver como ela está – anunciou Madge e se levantou, deixando os inimigos em trégua sozinhos. Ele se deslocou para o lado de Annabeth para poder encostar-se ao muro. Ao chegar ali, logo a loira sentiu um cheiro estranho que estava impregnado no rapaz.

- Que silêncio – ele falou depois de um tempo.

- Estar em trégua com você é estranho, Jackson – ela falou. – Estou acostumada a te xingar.

- Me chama pelo meu nome – ele pediu depois de rir da última frase dita pela loira.

- Então, Perseu, quanto tempo mais acha que vamos ficar nessa brincadeira? – ela questionou enquanto desencostava um pouco da parede. – É tão estranho ficar sem te chamar de cabeça de alga.

- É estranho não te chamar de sabidinha irritada também – ele falou sorrindo.

- Eu te odeio – ela lembrou.

- Eu não te odeio – ele confessou, sem saber exatamente o motivo de ter feito isso, e desencostou da parede também.

- Conta outra! – ela disse rindo e ele também riu.

- Essa mentira não cola, né?

- Não.

- Porque a gente se odeia tanto?

- Porque você é o ser mais presunçoso, metido, mesquinho, arrogante, orgulhoso, idiota, lerdo, egocêntrico, egoí...

- Entendi – ele a interrompeu e riu. – Mas... Mesmo sendo tudo isso... Eu ainda sou amigo da Mione e da Kat. Como nosso ódio começou?

- Ah – ela falou e riu. – Foi quando você molhou meu livro.

- E você passou a me tratar completamente mal depois disso. Foi grossa e fria.

- Desculpa por isso, Perseu – ela pediu e ele fez uma careta. – O que foi?

- Não me chama de Perseu.

- Mas é seu nome – ela disse. – E pelo que eu me lembre você pediu pra eu te chamar pelo nome a alguns minutos atrás.

- Você entendeu o que eu quis dizer – o moreno falou.

- Desculpa por isso, Percy ­– ela repetiu, corrigindo o modo de tratamento para com o moreno.

- Repete meu nome – ele pediu. – Ele sai tão sexy da sua boca!

A primeira reação dela foi corar. Mas então percebeu que o moreno estava brincando e soltou uma risada fraca, bateu em seu ombro de leve e encostou-se novamente na parede cinza e fria.

- Sobre o que quer conversar nessas pequenas horas de trégua? – indagou a loira.

- Hum... – pensou Percy. – Sinto saudades do Peeta e do Rony. Eles são meus melhores amigos. Eu amo aqueles caras. O que foi?

- Isso foi tão... – ela começou segurando a risada. – Gay.

- Não foi – ele discordou. – Eles são meus amigos, Annabeth. Não é gay mostrar que se importa com eles.

- Mas o tom da sua voz foi gay.

- Foda-se – ele deu de ombros.

- Também estou sentindo falta da Kat e da Mione.

- Isso foi tão... – ele repetiu com uma voz afeminada. – Lésbico.

- Bobo – ela xingou dando um soquinho em seu braço.

- Ai – gemeu. – Isso doeu.

Ficaram um tempo em silêncio até que ele passou a observar ela. Os dourados fios de cabelo cacheados estavam cheios de nós, mas isso acabava dando um ar de menina rebelde à Annabeth, o que no fundo, o moreno sabia que era ela. Olhou então nos seus olhos, cinzas como um céu em dia de tempestade. Muitos não gostam desse cenário, mas Percy realmente amava o tempo fechado: era bom pra dormir e pensar. E o corpo da loira... Céus! Ela era tão gostosa quanto Rachel.

Ao perceber os olhos verdes em cima dela, ela corou. Ao ver as maçãs das bochechas da loira levemente coradas, o moreno tratou de sorrir e acabou soltando:

- Você é perfeita.

Ela arregalou os olhos diante de tal afirmação e ele também. Aquela frase saíra tão no automático que não tinha percebido o efeito que causaria.

- Não sou perfeita – ela rebatou.

- Pessoas normais agradeceriam o elogio.

- Tá me chamando de anormal, Jackson?

- Oh, não! A trégua tava tão boa... – ele choramingou. – Não estrague, por favor.

- Ah, claro, porque eu sou a culpada! – ela bufou.

- Não, eu não disse isso! Esqueça... – ele pediu e tentou fazê-la se acalmar: — Porque diz que não é perfeita?

Ela hesitou. Ele era seu maior inimigo. Mas estava ali com ela, correndo perigo de vida. E ele também havia ficado com ela quando o navio estava afundando. Talvez pudesse aproveitar a trégua e confiar nele. Mesmo não gostando do moreno, sabia que ele jamais usaria o quê quer que ela falasse contra a mesma.

— Porque eu sou problemática – ela respondeu e ele riu.

- O que a faz pensar assim?

- Eu tenho uma família problemática – ela murmurou. – Pai problemático, madrasta problemática, irmãos problemáticos...

- Você tem irmãos? – ele surpreendeu-se. De fato, não sabia nada sobre a loira.

- Mais novos – ela esclareceu.

- E sua mãe? – ele perguntou e Annabeth permaneceu em silêncio. – Aninha?

- Minha mãe... – ela tentou falar, mas parecia ter um caroço entalado em sua garganta.

- Ela... – ele deixou a frase morrer.

- É – ela confirmou. — Morreu.

- Meu pai também – ele disse. – Quer dizer, o filho da puta sumiu quando eu ainda era um bebê.

- Porque diz que seu pai morreu? – ela perguntou e ele ficou em silêncio. – Não precisa falar se não quiser, Percy.

- Pai é aquele que sempre está presente – ele falou. – É mais fácil dizer que ele está morto. Quando eu era criança e na escola tinha homenagem aos pais... Era mais fácil dizer que era órfão e ser paparicado por todo o corpo docente. Era melhor me sentir um coitado do que um rejeitado.

- Sinto muito pelo seu pai – Annabeth disse com sinceridade.

- Também sinto pela sua mãe.

- Vamos mudar de assunto! – ela propôs. – Não estamos em uma trégua para falar sobre assuntos tristes.

- Tem razão – ele concordou. – Conte alguma coisa sobre você que eu não sei!

- Jackson – ela começou, mas recebeu um olhar feio em troca. – Percy, você não sabe um quinto da minha vida.

- Geralmente a expressão é um terço – ele disse. – Um quinto é mais ou menos que isso?

- Como você terminou a escola? – ela questionou e ele sorriu.

- Peguei a filha da diretora.

- O que? – ela arregalou os olhos.

- É brincadeira, Annabeth.

- Claro que é.

- Um quinto é menos, não é?

- É – ela respondeu. – Deixe-me ver algo que você não sabe ao meu respeito... Eu já fugi de casa.

- Aninha vida louca – ele brincou. – Quando foi isso?

- Eu tinha sete anos – falou e ele ergueu as sobrancelhas, pedindo por mais. – Papai casou-se de novo. Eu não queria estar ali... Então passei duas noites no jardim da Kat, escondida. Ela não sabe disso até hoje.

- Nossa – ele murmurou.

- Fale você, agora? – ela pediu em tom de voz baixo, cada vez mais as vozes iam diminuindo o volume.

- Eu sou disléxico – ele confessou.

- O que? – ela murmurou, perplexa e ele teve que rir da expressão dela.

- Dislexia, sabe, as palavras saltando...?

- Eu sei o que é dislexia – ela esclareceu. – Eu quero saber como você escondeu isso de todos... Sabe, esses anos todos.

- Ah... Minha mãe lia os livros pra mim e fazia as tarefas comigo. Eu tentava ler algumas coisas, também. Mas nunca conseguia... Os professores sabiam disso. As provas... Eu fazia no final das aulas, com os professores, oralmente. Antes disso, eu só conseguia escrever meu nome e ficava rabiscando algumas coisas no papel até achar que já tinha dado o tempo de uma pessoa normal ter feito a prova. E quando a aula acabava... Fazia de verdade.

- Dislexia não faz uma pessoa anormal, Perseu – ela decretou dura.

- Que seja – ele deu de ombros e ficaram algum tempo em silêncio.

A culpa corroía o corpo de Annabeth. Quer dizer, todos esses anos o julgando como preguiçoso idiota, que não está nem aí para os estudos. Julgando ele por ser sempre o primeiro a entregar a prova, como se estivesse desinteressado. Julgando ele por não saber matemática. Oh, se ela soubesse. Sua língua formigava para dizer um “me desculpa”, mas ela continuava orgulhosa. Oh céus, como Annabeth Chase era orgulhosa! Não, nem em uma trégua ela daria o braço a torcer.

Essa era uma característica da loira. Ser extremamente orgulhosa. Bom, Annabeth quase nunca errava, mas quando o fazia, era praticamente impossível ela assumir o erro e desculpar-se. Sofria quando errava alguma coisa e brigava com os professores, sempre se achando a certa. Annabeth queria ser a dona da razão, queria ser perfeita. E quando não conseguia, simplesmente tentava se castigar. “Um mês sem refrigerante”, “Não acredito que errei isso na prova, não vou entrar no computador por duas semanas”, “a Katniss estava certa, sem cinema por dois meses”.

Isso se dava meio por culpa de seu pai. Primeiro, o jovem senhor quase nunca brigava com Annabeth, dizendo que ela estava errada. Como ele não fazia isso, ela sentia a necessidade de fazer por si só. Segundo, ela queria ser perfeita para ele, superar os irmãos, chama-lo atenção. Quanto tinha doze anos pensou nas possibilidades pra chamar atenção... Drogas? Cabelo rosa? Virar rebelde? Parar de comer? Praticar bulimia?

A melhor opção, a mais sensata, fora ser alguém brilhante. Que jeito melhor de chamar a atenção do pai com um carro na porta de casa, por ter passado em primeiro lugar no vestibular? Que jeito melhor do que receber pelo correio um certificado de aluna destaque? Sim, ela colocara aos doze anos que seria brilhante e conseguiu.

-... noite, não é, Annabeth?

- Oi? – ela sussurrou de volta, distraída. Estava afogada na culpa, ainda. Com os pensamentos voando longe...

- Eu disse que o céu está lindo está noite – ele sussurrou.

- Porque estamos sussurrando? – ela perguntou e ele riu.

- Acho que para manter a calma – respondeu o moreno. – Onde você acha que nossos amigos estão?

Ela passou um momento quieta, olhando as estrelas. Viu a constelação das três marias, viu o dragão, o escorpião... Havia vários pontinhos brilhando como diamantes no céu escuro daquela noite. O vento soprava os cabelos de ambos e o único barulho ouvido era de árvores balanço ao vento, fora os sussurros deles, é claro. A noite estava admirável.

- Não sei... – ela murmurou. – Mas pode ter certeza de uma coisa.

- O que?

- Onde quer que eles estejam... Com certeza estão vendo essas estrelas. A noite realmente está linda. Muito linda...

Ela encostou a cabeça no ombro dele e ficaram assim, apenas observando as estrelas.

--X—

Eles estavam sentados em um banco qualquer na Pont des Arts. A grade cheia de cadeados a sua frente; juntamente ao rio Sena, que estava cheio de chaves. Eles viam que na água escura as luzes da cidade do amor eram refletidas. O céu que os cobria parecia nublado, impedindo-os de ver com clareza as estrelas que brilhavam em suas cabeças.

- Pronto, já escureceu, pode me contar o meu passado, Hermione Granger – falou o ruivo.

- Seu nome é Ronald Bílius Weasley, 18 anos, aniversário no dia 1º de Março. Seus pais são Arthur Weasley e Molly Weasley. O Sr. Weasley é legal... Gosta muito de objetos simples como... Hum... Patinhos de borrachas. Ele tem uma coleção de “lixo”, que é como Molly se refere ao quarto cheio de ferramentas, jornais velhos, canetas, calculadoras, objetos decorativos, etc. Molly é uma excelente cozinheira e a mãe que todos gostariam de ter. Ela é meio coruja, eu acho...

- Tenho irmãos, certo?

- Gui, Carlinhos e Percy – ela respondeu. – Fred e Jorge, os gêmeos e Gina, a caçula. Gina namora Harry Potter, um grande amigo nosso. Ele já namorou Annabeth Chase, outra melhor amiga sua.

- Diga mais – ele pediu.

- Suas cores favoritas são o vermelho e amarelo e você tem medo de aranhas – ela contou. – É apaixonado por xadrez. Você é espontâneo, bem otimista e leal. Resumindo? Uma pessoa fácil de conviver. Você é bom fazendo comentários engraçados e às vezes até impróprios. Gosta de comer muito. E é engraçado que toda vez que come chocolate fica com o canto da boca melada...

- Sua voz é doce – ele elogiou. – Tem certeza que não é minha namorada?

- Oi?

- Digo, você parece tão perfeita! E é linda... É meio impossível eu não ter me apaixonado por você – ele disse e ela riu com nervosismo.

- Não, não somos namorados – ela esclareceu, o que não deixava de ser verdade. – Rony, você está dando em cima de mim?

- Foi mal – ele ergueu as mãos em sinal de rendição e sorriu ao vê-la gargalhar. – Já sei! Eu sou um pé no saco, então você se aproveitou da minha perda de memória para dizer que não é minha namorada! Um jeito fácil de romper, não?

- Viu o que eu disse? – ela perguntou rindo. – Bom fazendo comentários engraçados.

Passaram um tempo em silêncio e Hermione se lembrou do seu dia. Depois de saírem da praia na França, Hermione e Silena – as únicas que sabiam falar o Francês corretamente -, saíram perguntando de pessoa em pessoa se conheciam uma pensão por ali por perto. Todos as olhavam com as testas franzidas. Uns zangados por terem sido interrompidos por duas adolescentes cheirando a maresia, outros preocupados por as verem pedindo abrigo no estado que estavam – sujas de areia e com roupas úmidas.

Até que finalmente uma moça de provavelmente vinte e sete anos respondeu suas perguntas. Disse que morava com a irmã mais nova numa pensão e que poderiam hospedá-las. Então Hermione contou o que havia acontecido com eles e por isso precisavam de um abrigo, até se comunicar com a família. A mulher, que se apresentou como Daphne, disse que talvez a dona da pensão pudesse fazer um acordo com eles.

- Muito obrigada – agradeceu Silena.

- Por nada – disse Daphne. – Onde estão seus amigos?

Então caminharam até um café que tinha ali perto e o estômago de Hermione saltou. Qual fora a última vez que ela tinha visto uma comida?

Os meninos estavam sentados em uma mesa. Neville conversava com Rony; Draco possuía uma expressão de tédio na cara. Quando o loiro viu a mulher que acompanhava as meninas, a expressão de tédio foi substituída por surpresa, raiva e medo.

- Draco? – perguntou a loira Greengrass.

- Desde quando mora na França, Daphne? – ele perguntou com amargura.

- Vim estudar aqui – ela respondeu e completou baixinho: — Com a Astoria.

- Espera... Astoria está aqui? – ele perguntou. – Hermione, não me diga que você foi procurar ajuda justo com a Daphne...

- Calado, Malfoy – ela mandou. – Daphne foi muito legal em nos levar até a pensão que ela mora com a Astoria.

- Ou você gostaria de ficar na rua? – perguntou Silena. – Porque se for isso, fique, mas nós vamos com Daphne.

- Eu... – começou Neville.

- Calado – mandou Silena. Ela estava encontrando a voz para esquecer-se da recente perda do namorado.

- Draco, você não precisa ser meu inimigo, só porque a Astoria... – começou Daphne.

- Não comece – pediu o loiro Malfoy. – Tem noção do que sua irmã fez comigo?

- Eu sei – ela suspirou. – É um meio de se desculpar, não? Ande, Draco, você não vai querer ficar na rua sozinho, vai?

Ele bufou e começou a andar. Todos o seguiram. Chegaram a tal casa já no fim da tarde. Ela era enorme, uma verdadeira mansão. Havia um grande gramado na frente e um enorme terraço também, em formato de L. Na parede, havia um termômetro que marcava o ambiente com 25 graus. As paredes pareciam ser de madeira, com enormes janelas de vidro, de modo que dava para enxergar a enorme sala de estar do lado de fora. Era como um chalé, só que gigante e muito luxuosa.

O sofá era azul e o piso fazia barulho ao contato com o pé. Mais no fundo do cômodo havia a mesa das refeições. Sentada nela, um garoto pálido com cabelos negros estava sentado. Ele comia com mau humor o que parecia ser um lanche da McDonald’s e sua camisa preta estava molhada, provavelmente do refrigerante. Daphne sussurrou para o grupo que aquele era um dos donos da casa. A loira explicou que Bianca di Ângelo, tinha dezoito anos quando perdeu os padrinhos e a casa foi dada a ela e ao irmão, Nico; que era o rapaz sentado. Ambos viviam com o pai na Inglaterra, mas por conta de uma briga, vieram morar com a mãe, que era francesa. Logo a mãe morreu e eles ficaram com a casa. Não queriam ficar sozinhos, então começaram a alugar os quartos.

Uma menina vestindo preto apareceu com um prato e sentou-se ao lado de Nico. Ela tinha cabelos pretos e repicados e sua jaqueta possuía tachinhas. Ao erguer os olhos para o grupo novato, Hermione conseguiu perceber que eles eram tão azul quanto os de Rony. Talvez mais; eles eram elétricos.

- Não se intimidem por Thalia e Nico – ela disse. – Eles podem parecer fechados e assustadores, mas no fundo são pessoas legais. No fundo, Nico é tão frágil quanto qualquer pessoa e Thalia é tão leal quanto um cachorro.

- Essa comparação não foi legal – disse uma voz atrás de nós. – Quem são vocês?

- Bianca, eles sobreviveram ao naufrágio que estava passando na televisão – explicou Daphne.

- Espera... Passou na televisão? – perguntou Hermione. – Oh, meus pais! Eles devem estar loucos de preocupação e...

- Acalme-se primeiro – pediu Bianca, que era muito parecida com Nico, por sinal. A única diferença era que sua roupa era colorida e ela usava maquiagem. – Vieram pedir abrigo? Podem ficar aqui por um tempo, não cobrarei nada.

- Mas nós iremos pagar! – exclamou Silena. – Assim que falarmos com nossos pais e...

- Resolvemos isso depois – disse Bianca. – Acabei de chegar do trabalho, preciso descansar. Podem ficar o tempo que quiser. Vou pensar em que quarto podem ficar... Enquanto isso, vão tomar um banho e trocar de roupa. Oh, qual o nome de vocês?

- Esse é o Draco Malfoy – apresentou Daphne.

- O que a Astoria fica se lamentando por ter perdido?

- É, ele.

- O que? – perguntou Draco confuso.

- Nada – respondeu Daphne. – Então... As meninas são Hermione e Silena... E estes são Neville e Ronald.

- Acho que uma roupa minha cabe em Silena – refletiu Bianca. – Temos quase o mesmo tamanho, corpo...

- Uma roupa minha deve dar em Hermione – falou Daphne.

- Meninos... Importam-se de vestir preto? – perguntou Bianca sorrindo como o gato da madrasta da Cinderela.

Em uma hora, todos estavam de banhos tomados e com roupas limpas. Os meninos vestiam roupas de Nico, todas pretas, obviamente. Silena ficara com um vestido floral de Bianca e Hermione usava jeans e uma blusa de Daphne. Era bom sentir-se limpa novamente.

A castanha não parava de pensar em Rony. E quando ele cobrou seu passeio pelas ruas de Paris, ela não pôde evitar sentir seu estômago sendo revirado pelo nervosismo. Estaria com ele novamente. Não Rony, seu melhor amigo e namorado de Lilá; Rony, o ruivo dono de seu coração e solteiro.

Obviamente Hermione não contara a respeito da namorada do Weasley para ele. Tudo que a castanha queria era um recomeço e quem sabe, Rony poderia apaixonar-se novamente. Não poderia ter um obstáculo no caminho. Não, não, não. Havia feito a escolha certa, ocultando Lilá da linha do tempo de Rony.

Agora estavam ali, sentados nas ruas de Paris. Era engraçado vê-lo vestido de preto, com calças jeans claras e rasgadas, a blusa preta “Radiohead” e tênis all star preto. Não que ficasse feio, mas era... Diferente. Seus cabelos ruivos pareciam ainda mais flamejantes, devido a falta de cor das vestes.

- No que tanto pensa? – questionou Rony. – Passamos quase quinze minutos em silêncio... Você tá sorrindo?

- É engraçado te ver assim – ela confessou. – Sabe... Todo de preto!

- Por quê? – ele quis saber. Seus olhos brilhavam divertimento.

- Não combina com você – ela disse por fim, depois de refletir um pouco.

- O que combina comigo? – ele perguntou.

- Calças jeans normais e blusas legais – ela disse. – Serio, Rony, suas blusas são perfeitas. Digo, são no estilo t-shirt, mas... Há uma diversidade de cores! E cada uma com frases diferentes... Frases divertidas.

- Podemos fazer algumas compras amanhã – ele sugeriu.

- Ronald – ela disse seu nome prendendo o riso. – Estamos sem dinheiro. Acabamos de sofrer um acidente de navio.

- Falando nisso... O que causou o acidente?

- Não sei... – ela falou. – Daphne disse que passou na televisão, mas não chegou a explicar nada para mim. Provavelmente passará amanhã de novo...

Hermione então se calou e passou a observar o movimento do rio. Pensava nos amigos... Annabeth simplesmente amaria toda aquela arquitetura presente em Paris. Amaria a mansão em que estavam hospedados. Amaria tudo. Será que eles estavam em algum lugar daquela cidade? Será que estavam mortos? Será que corriam perigo? Estavam feridos? Toda aquela falta de informação deixava Hermione angustiada. Tão angustiada que sem perceber, uma quente lágrima escorria em sua face de porcelana.

- O que foi, Hermione? – Rony perguntou preocupado.

- Eu quero ir pra casa – ela respondeu. – Quero Annabeth e Katniss aqui. E os meninos também!

- Gostaria de poder entender sua dor – ele confessou. – Desculpa, minha linda, eu realmente gostaria entender. Queria compartilhar essa dor com você.

- Não é culpa sua, Ron – ela disse, mas ele não lhe deu ouvidos.

- Juro que estou tentando agir como se soubesse quem você é – prosseguiu. – Mas... É tão estranho!

- Por isso menti dizendo que não te conhecia – disse Hermione. – Eu não queria te ver passando por isso.

- Entendo – ele murmurou.

- Se você quiser, posso fingir que acabamos de nos conhecer – ela propôs.

- Eu adoraria. Prazer, Ronald Weasley.

- Prazer, Ronald. Meu nome é Hermione Granger.

- Então, bela moça – ele começou e a castanha corou com o elogio. – Porque estás com uma expressão tão triste?

- Porque não sei onde meus amigos estão – ela respondeu. – Sofremos um acidente, sabe?

- Mas não chore! – ele a confortou. – Olhe para o céu! As nuvens se foram...

Ela riu e olhou pra cima. Era verdade. Elas se foram. O céu escuro agora era marcado por milhares de pontinhos brilhantes. Uns juntos, outros sozinhos. Mas todos brilhavam intensamente ao redor da grande Lua. Hermione sorriu e passou a mão nos cabelos ruivos do amigo.

- Obrigada – ela agradeceu. – Por estar aqui comigo.

- Eu sempre vou estar com você – ele prometeu olhando em seus olhos.

- Isso não é coisa que alguém diz para um estranho – ela brincou.

Ele riu e olhou pra baixo: — Tá, a partir de agora somos estranhos.

- A partir de amanhã? – ela sugeriu. – Preciso do meu amigo agora.

- A partir de amanhã – ele concordou. – Agora... Vamos apenas olhar as estrelas, certo?

- Apenas olhar as estrelas...

Então eles deram as mãos e se levantaram, para em seguida apoiar-se no parapeito cheio de cadeados da ponte e observar as estrelas.

--X--

Nesse exato momento, Annabeth cochilava no ombro de Percy; o moreno ainda olhava as estrelas. Peeta e Katniss dormiam, com a fogueira aquecendo seus corpos e as estrelas brilhando em suas cabeças. Já Ronald e Hermione estavam espertos até demais, cada um perdido em conflitos internos.

Era impossível dizer quem estava mais ferrado. Peeta e Katniss, prestes a morrer desidratados numa ilha deserta? Rony Weasley que estava com o passado em branco e Hermione Granger, que não aguentava ver o ex-namorado confuso? Annabeth e Percy, presos, sem saber o que os aguardava?

Meu voto vai para Annabeth e Percy. Sinceramente, estar presa, correndo perigo de vida, junto com seu inimigo tarado não é o que podemos chamar de sorte.

Mas isso não importa agora. O que importa é que, por hora, nossos heróis estão em paz. Mesmo em lugares diferentes, seja uma ilha deserta no litoral europeu, seja a França ou Inglaterra; eles estão sob o mesmo céu. Sob as mesmas estrelas, desfrutando o mesmo brilho e mesmo sem querer, a mesma esperança.

Notas finais
Capítulo gigante, tô sabendo! Eu até tentei fazer menor, mas... Não deu ://
Sinceramente, eu achei a parte Peeta e Katniss QUENTE. E a de Percy e Annabeth diva. Ah, aproveitem a trégua porque próximo capítulo... Hm... Percy faz merda e Annabeth não é de aguentar calada.
Meus queridos, digam-me um personagem que vocês querem que entre na fic. Digam uma menina e um menino, de qualquer uma das três sagas. Os mais comentados entrarão! Esperando comentários ;)
Beijos, seus lindos *-*