Notas iniciais
Então... Eu escrevi minha opinião sobre MdM, quem quiser ler, lê. Quem não quiser, pula até a parte "Notas Iniciais do dia 22/08"

>Notas Iniciais escrita no dia 16/08 23:14
OH GODS, EU TO COMPLETAMENTE APAIXONADA POR MDM.
Então vamos ao meu comentário sobre o filme... PER-FEITO. Sério... Não tem mais palavras, não tem como descrever! Claro que houve algumas (muitas) coisas diferentes ao livro, mas Thor fez um excelente trabalho. Ele foi o mais fiel que conseguiu ser, tendo em vista que o primeiro foi uma merda e por isso ele não poderia fazer um filme 100% fiel, pois assim os posers não iriam entender bosta nenhuma.
Sabe aquelas pessoas que disseram que tá uma porcaria? Me dá raiva esse povo que gosta de reclamar. Que ao invés de ir pro cinema com os amigos e aproveitar a Annabeth loira, ficou guardando cada detalhe do filme para depois vim numa página do Facebook e criticar a adaptação.
Sim, eles inventaram a névoa em spray, mas foi simplesmente emocionante quando acaba o spray e Tyson fica triste, então Percy vai lá dar um de irmão mais velho e consola o grandão.
Sim, Annabeth tem um tablet, mas o filme é de 2013, mesmo semideuses e tecnologia não combinando, acho que foi um excelente meio de pesquisa.
Sim, a Silena apareceu no princesa Andrômeda, e daí? Pelo menos apareceu.
E daí que Cronos apareceu? E só pra deixar claro, contracorrente não foi a lamina maldita que matou Cronos, Quíron diz isso no final.
Fora que o Logan e o Jake tão gostosos ao quadrado nesse filme. Quadrado, não... Ao cubo.
Aí vieram falar que Annabeth tá burra. Aff... Claro que não! Confesso que como filha de Atena, eu não aprovava Alexandra no papel de Annabeth, mas nesse segundo filme? Sim, ela me convenceu.
Uma coisa que não gostei foi a ilha de Cece sem a Cece e sim com o Polifemo. E senti falta da parte do Ninguém.
Porém chorei muuuito na parte do Hermes falando sobre família. Chorei de soluçar (sim, eu sou besta) e chorei quando o Percy chama Tyson de irmão. Eles não podiam ser mais perfeitos.
Ah, e sobre a parte da Annabeth morrer... Aff, por favor, ela não morre, que filme bosta... Peço apenas que abram seus livros na página 228 ;)
Sobre o Tyson morrer? Eles mudaram o modo da "morte", mas no navio de Clarisse... Acontece algo com o Tyson e todos acham que ele morreu, não?
Então... Resumindo tudo isso aqui... Eu diria que a nota do filme é 9,5. Eu poderia até dizer que o filme foi perfeito, com todos os efeitos especiais e tal. Amei a Clarisse irônica, o Tyson retardado, o Grover medroso, o Percy lerdo e a Annabeth mais curiosa e... Sei lá, mais parecida comigo ou com a Annabeth do livro.
Só não digo que foi perfeito porque tenho quase 99,3% de certeza que eu tô misturando o filme em si com a gostosura do Jake. Oh, gods, eu quero aquele homem aqui no meu quarto agora!
Tentando ser racional, tentando tirar o lado filha de Aphrodite de mim, tentando ignorar a beleza dos atores (Douglas tava sexy demais com apenas um olho na testa, me seduziu, com certeza)... O filme foi excelente. Não perfeito, excelente. E é isso.

> Notas iniciais no dia 19/08:
Então, eu revi MdM e minha opinião mudou um pouco. Eu tava com "fogo no rabo" escrevendo o texto acima, admito. Agora, eu revi e notei falhas. Realmente, o filme não tem taanto sentido assim. Mas devemos admitir que foi um filme bom. Muitas coisas diferentes do livro, coisas de dar raiva. Tipo, o Cronos comer o Luke. WTF?! Mas mesmo assim, diria que foi um filme bom. Devemos considerar que esse não é um filme adaptado da continuação do livro Ladrão de Raios e sim a continuação do filme Ladrão de Raios.

>NOTAS INICIAIS DE HOJE, DIA 22:
Eu tentei escrever o capítulo o mais rápido possível pra minha "resenha" ficar próxima à estreia de MdM, e por causa disso eu abandonei minha leitura, abandonei minha vida social - mentira, ontem eu tava lá no cinema assistindo The Bling Ring com meu namorado. E isso também é mentira, eu fui com minha mãe porque meu namorado tava com preguiça. Ainda é mentira, eu não tenho namorado (leitores meninos: sim, eu tô solteira. Não? Okay. Parei). Pelo visto, eu não consegui vim rápido, mas ok.
Então é isso... Eu vou dedicar o capítulo a Luah Potter Jackson, que foi uma diva encontrada no twitter e recomendou minha fic, obrigada *-*

>> Clarisse e Cato entrando na parte de Rony e Hermione ;)
>> Prevejo fãs de Romione querendo me matar e os de Dramione querendo meu corpo nu (-qq)

– Acho que devemos voltar – ele disse, de repente.

– Estou morta de sono! – ela falou e começaram a caminhar de volta à casa dos Di Ângelo.

Rony estava confuso quanto àquela amizade. Ela era mesmo sua amiga? Ex-namorada? Inimiga? Uma vadia que dava em cima dele e tudo isso não passava de estratégia? Talvez se fosse uma vadia, diria que era sua namorada. Ou não. Ou sim. Isso o deixava com raiva e principalmente confuso. Tentava se lembrar, mas todas as lembranças eram borradas. Ele só se lembrava de água, água e mais água. E obviamente, dos acontecimentos recentes.

Ele sentia algo forte por Hermione e ficava frustrado por não saber quem ela era. Com certeza não era uma vadia, pois nas poucas horas que passara com ela havia percebido que ela era sincera. Ou uma bela atriz. Além disso, ela era bonita. Não uma beleza de capa de revista ou de atrizes hollywoodianas, mas uma beleza reservada, que só era possível de se enxergar olhando nos seus brilhantes olhos cor de chocolate. É, Ronald estava certo que ela não era uma vadia. E que ela era sim sua melhor amiga, pois quem conseguiria inventar um passado inteiro para uma pessoa?

Diante de todas essas afirmações, ele ficou aliviado quando ela propôs agirem como desconhecidos. Ele, obviamente, aceitou a proposta, por mais que soubesse que poderia ser difícil pra castanha tratar como estranho alguém que considera como um irmão. Fora que ela estava precisando dos amigos agora... Ele precisava lembrar-se de Peeta e Percy!

Segundo Hermione, um era loiro dos olhos azuis e o outro moreno dos olhos verdes, assim como seu cunhado, Harry Potter, namorado de Ginerva, sua irmã mais nova, que era filha de Molly e Arthur... Aquilo era demais para ele! Toda vez que tentava uma informação de seu passado, as coisas se misturavam e ele acabava com uma dor de cabeça incrível.

Hermione que o desculpasse, mas ele tinha que fingir que eram desconhecidos.

E se ele nunca recuperasse a memória? Como ele ficaria? Se ele finalmente fizesse amizades e Peeta e Percy aparecessem dizendo ser seus melhores amigos, como ele se sentiria? Aliviado por ver que Hermione falara a verdade ou culpado por não se lembrar deles? Porque, de tantas pessoas, justo ele havia perdido a memória?

Tentou afastar tais perguntas da cabeça. Ele e Hermione estavam caminhando pelas ruas geladas de Paris e sempre que se distraía, sua cabeça voltava com essas perguntas. Precisava ocupar a mente...

– Hermione? – ele a chamou.

– Oi, Ron.

– Poderia contar como ficamos amigos? – ele pediu. – Ou qualquer outra história sobre mim.

– Quer saber sobre seu medo de aranhas? – ela perguntou.

– Você é uma amiga incrível, sabia? – ele ironizou. – A pessoa tem a chance de esquecer um medo e você vai e trás ele de volta!

Ela gargalhou, enquanto ele soltou apenas um risinho, e disse:

– Perdoe-me, Ron. Quer saber a história?

– Estou ouvindo – ele afirmou.

– Bom, você e Annabeth têm esse medo – ela disse, virando-se pra ele animada.

– Vamos continuar andando – ele pediu e ela assentiu, virando-se novamente para frente e começando a andar.

– Por motivos diferentes – ela continuou. — Aninha nunca quis dizer o motivo disso tudo, mas o seu... Eu me lembro bem. Foi tudo culpa do Percy.

– Annabeth é a loira que odeia Percy, o loiro?

– Odeia Percy, o moreno – ela corrigiu. – Tínhamos 15 anos e estávamos acampando no jardim d’A Toca, sua casa. Eu, você, Gina, Harry, Annabeth e Percy. Devo ter comentado que antes de namorar sua irmã, Harry namorava Annabeth...?

– Comentou.

– Mas ele já tinha ficado com Gina – ela explicou. –Então... Percy estava lá porque era seu melhor amigo e vocês tinham brigado com o Peeta, Annabeth estava lá porque era minha melhor amiga e na época, não éramos muito chegadas a Katniss e ela só andava com a gente porque Peeta era seu melhor amigo e ela era prima dele. E Harry estava lá porque estava saindo com sua irmã, mas o verdadeiro motivo era que queria ficar junto de Annabeth.

– Que filho da mãe!

– Não me interrompa! – ela mandou. – Enfim, Gina e Harry saíram para se pegar, eu, você e Aninha estávamos montando a barraca e Percy tinha sumido. Só me lembro de vocês dois gritando. Eu estava tirando as barracas das sacolas, organizando a comida, o som... Enquanto vocês montavam tudo. Percy tinha trazido uma caixa cheia de aranhas e colocou-as dentro da caixa com as coisas necessárias para a barraca. Colocou-as dentro da barraca também e colocou uma no seu ombro. Você gritou tanto!

– Você tá rindo de mim! – ele acusou.

– Desculpe, Ron – ela pediu, gargalhando. – Mas foi uma cena cômica. Annabeth começou a chorar, por causa do seu trauma de infância, e você adquiriu um trauma de adolescência.

– Não curti esse Peter Jonhson!

– É Percy Jackson.

– Tanto faz – ele deu de ombros.

– Quer outra história? – ela ofereceu.

– Não vai dar tempo – ele disse, apontando para frente. – Já estamos chegando.

– Psiu!

Rony olhou para o lado, mas não tinha sido Hermione a emitir esse som. Estavam sozinhos na rua de pedras, com enormes mansões de ambos os lados e uma padaria na esquina. O som foi repetido e o ruivo identificou, por trás das árvores, uma silhueta preta. No instante seguinte, viu cabelos loiros platinados saindo dali, com calças pretas, blusa cinza e jaqueta preta – roupas de Nico.

– Posso conversar com você, Hermione? – pediu Draco.

– Não! – ela negou, com as mãos na cintura.

– Por favor – ele implorou, com os olhos baixos.

– Eu vou entrar – anunciou Rony.

– Adeus, amigo – ela se despediu.

– Adeus?

– Amanhã não vamos fingir que não nos conhecemos?

– Ah, é – ele lembrou. – Sendo assim, adeus, amiga.

Desajeitadamente, Rony abraçou Hermione e entrou. O calor do corpo frágil da castanha ainda estava nele enquanto caminhava em direção à mansão marrom dos Di Ângelo. Sob o sapato, percebeu que a grama estava escorregadia, molhada provavelmente. Entrou na casa e agradeceu aos céus por isso, pois o ambiente lá fora estava extremamente frio, enquanto a casa tinha um quente ar acolhedor.

Sentada na sala, com um notebook no colo, havia uma garota com cabelos incrivelmente negros, mais negros do que os de Nico ou Thalia. Ela estava de mãos dadas a um loiro e ao seu lado esquerdo, uma garota de cabelos castanhos observava e tela do computador. Rony se perguntou se eles não tinham sono, eram provavelmente quatro ou cinco horas da manhã. Sem falar com ninguém, ele apenas se dirigiu ao quarto designado a ele e deitou na cama.

Conseguiu dormir milagrosamente sem pensar no que estava acontecendo ao seu redor.

Enquanto isso, do lado de fora, três casas a esquerda, Draco contava sua ideia absurda a Hermione, e esta, estava pensativa, sem saber se devia confiar no loiro ou não.

– Ela entrou de mãos dadas com ele, Hermione – ele disse. – O padrinho. Por favor.

– Você tem noção do que está me pedindo?

– Eu achei que aguentaria firme, que não precisaria de nada disso, mas... Eu não estou preparado para esse reencontro!

– Você está bêbado! – ela acusou.

– Eu bebi – ele confessou. – Mas não estou bêbado. É sério. Por favor.

– Eu não vou te beijar! – ela declarou.

– Eu juro que é beijo técnico.

– Se você enfiar essa língua nojenta na minha boca... – ameaçou.

– Isso é um sim? – ele perguntou esperançoso.

– Droga – ela praguejou. – É um sim.

Então ele estendeu a fria e pálida mão para ela, que relutante, aceitou e caminharam juntos até a mansão dos Di Ângelo.

Depois dessa noite maravilhosa, Draco tinha que vim estragar tudo! Hermione não acreditava que estava aceitando fingir ser namorada de Draco só para ele mostrar que estava por cima para ex. Isso era tão baixo! Mas ele estava tão vulnerável... Ela ficou com pena do loiro Malfoy.

Então, diante da casa, ele a prensou no muro e disse:

– Desculpe, Hermione, mas você não sabe fingir satisfação.

– Como assim?

– Você não sabe fingir – ele disse. – Então... Eu vou te satisfazer de verdade.

Ele atacou o pescoço da morena e deu um chupão ali, coisa que com certeza deixaria marca, enquanto esfregava-se ao corpo dela. Hermione queria empurrá-lo, mas estava tão bom e fazia tempo que ninguém a tocava daquele jeito, desde Ronald. Fora que o ruivo queria fingir que não a conhecia, o que ela podia fazer? Tudo bem que a ideia fora dela, mas ela esperava que ele recusasse.

Mas ele não o fez.

E agora, ele era apenas um estranho. Tudo dava tão errado pra ela, porque não aproveitar um pouco a vida?

– Draco – ela o empurrou de leve. – Eu tenho um trato a propor.

– Que seria...?

– Você está me usando para fazer ciúmes à sua ex – ela disse.

– Não é para ciúmes... Estou acabado, preciso de uma distração ao mesmo tempo em que quero provar pra ela que ela não me destruiu.

– Então ambos queremos a mesma coisa: uma válvula de escape.

– Oi?

– Eu te satisfaço e você me satisfaz, simples. Eu não quero pensar no Rony ou na perda de memória dele, nem você quer pensar na Astoria e no novo namorado dela. Precisamos ocupar nossas mentes.

– Isso é uma amizade colorida?

– Se quiser rotular... – ela deu de ombros.

– Gata, me chama de silicone que eu preencho o vazio no teu peito! – ele a cantou e ela começou a gargalhar, ele a acompanhou com uma risada fraca. – Trato feito.

Ela fez que sim com a cabeça e ele voltou a pressiona-la na parede. Ambos saíam ganhando: ele, que a desejava desde que a vira pela primeira vez e ela, que há mais de um ano não saía com ninguém, não beijava ninguém. Fora que Draco era uma ótima válvula de escape.

Ele colocou a mão por dentro da blusa dela, tocando em sua barriga e ela sorriu, enquanto tirava ela de lá. Então ele beijou seu pescoço e colocou a mão na sua bunda. Sorrindo, ela tirou a mão dele de lá. Como ele era apressado! Ele tinha um fogo nunca encontrado em Rony.

Finalmente ele a beijou e um beijo de verdade, com língua. Hermione não saberia descrever aquele beijo. A língua do loiro explorava cada cantinho da sua boca, enquanto a dela fazia o mesmo. Eles haviam entrado em uma batalha em que ambos sentiam a necessidade de sair vencedores. Era um beijo voraz, que com certeza resultaria em algo mais se estivessem em um quarto, Hermione tinha certeza disso. Oh, céus, como Draco beijava bem! E mesmo Hermione nunca sendo fã de álcool, aqueles vestígios da bebida em sua boca a fez revirar os olhos. Então ela desejou também ter álcool na boca, de modo que não conseguiu desgrudar seus lábios do dele.

Aquilo não tinha nenhum sentimento, mas era extremamente prazeroso, de um jeito que Hermione julgava impossível. Draco era quase cinco anos mais velho, o que Hermione estava fazendo?

– Draco? – chamou uma voz feminina e ofegante, eles se separaram.

A castanha arregalou os olhos ao perceber que tinham chegado ao quintal da casa e nem haviam percebido. Com certeza Draco era uma excelente válvula de escape.

Então Hermione se permitiu olhar para a dona da voz, que provavelmente tinha visto tudo pela janela de vidro e viera abrir a porta, surpresa. Ela vestia calças jeans escuras, com botas de salto por cima e uma blusa vinho até a metade do braço que deixava o ombro esquerdo à mostra. Seus cabelos eram lisos até a orelha e depois não chegavam a ser cacheados, mas possuíam certa ondulação. Eles eram extremamente negros, da raiz até a ponta. Seus olhos azuis, marcados com uma maquiagem preta e azul perfeitamente delineada, tinham uma ponta de surpresa e raiva. Não precisou muito para Hermione comparar os traços dela com os da loira simpática que os havia ajudado de tarde. Aquela era Astoria Greengrass, ex-noiva de Draco.

– Vocês se conhecem? – atuou Hermione. – De onde exatamente vocês se conhecem?

– Ér... Astoria... Essa é Hermione Granger – ele apresentou, fingindo constrangimento. – Mione, essa é...

– A vagabunda da tua ex? – ela perguntou e Draco teve que segurar o riso, a atuação de Hermione estava hilária.

– Olha aqui, sua ratinha de laboratório, vagabunda é...

– Você – ela completou. – Ou vai dizer que quem dorme com outro homem não é vagabunda?

– Hermione! – ralhou Draco, de olhos arregalados. Puro fingimento.

– O que está acontecendo aqui? – perguntou um loiro se aproximando. – Oh, Draco.

– Cato – ele cumprimentou.

Um silêncio permaneceu no local. Draco sorrindo com deboche, Hermione se divertindo com a atuação, Astoria querendo matar Hermione e Cato sentindo-se culpado por Draco. Explosão de sentimentos. É isso aí.

– Que silêncio constrangedor – observou o loiro Malfoy.

– Draco, me desculpe por... – começou Cato.

– Poupe-me – ele pediu. – Eu já esqueci. Claro que fiquei magoado na época, mas... Eu nunca teria conhecido Hermione se... Nada disso tivesse acontecido. Então... Sem ressentimentos. O mesmo digo para você, Astoria. Peço desculpas pelo comportamento da minha namorada. Hermione...?

– Ah, droga – ela praguejou. – Desculpe, Astroria.

– É Astoria – ela corrigiu e Draco segurou a risada. – O que fazem por aqui?

– Comemorando aniversário de namoro – disse Draco. – Na verdade, estávamos comemorando naquele cruzeiro, mas...

– O da televisão?! – ela arregalou os olhos. – Meu Deus, Draco, você tá bem?

– Eu torci o pé, mas...

– Draco, o seu pé! – berrou Hermione, realmente preocupada. – Ai meu Deus, eu esqueci. Tá melhor? Meu Deus, Draco, me desculpa, precisa de ajuda?

Ele riu do desespero dela e respondeu:

– Não, Hermione, eu ia dizendo que meu pé estava melhor... Aprendi a aguentar a dor.

– Mas eu vou dormir com você hoje! – disse Hermione, novamente atuando. – Para o caso de acordar durante a noite com dor.

– Enfim – retomou Draco. – Amor, esse é Cato, um antigo amigo.

– Prazer – disse Hermione docilmente. – Estou com sono, Draquinho, vamos logo? Precisa de ajuda pra andar?

Ele fez que não e se despediram dos demais, entrando no quarto que o loiro dividia com o primo, Neville. Ele era pequeno, havia apenas duas camas e uma porta no canto, provavelmente para um banheiro. O lado direito do quarto era completamente coberto pela janela de vidro, de modo que qualquer um no terraço poderia observá-los se a cortina branca permanecesse aberta. Do lado esquerdo, havia uma prateleira de livros. Neville estava sentado com as pernas cruzadas na cama mais próxima a porta, de frente pra Silena, que também estava na mesma posição. Jogavam dominó.

– Ainda acordados? – perguntou Hermione, meigamente.

– Que horas são? – perguntou Silena. Sua voz estava rouca.

– Quase cinco horas – respondeu. – O jogo estava bom, em?

– Acho que vou dormir... – anunciou Silena. – Você vem, Hermione?

– Vou dormir com o Draco.

– Não precisa dormir aqui se não quiser – falou Draco, sentando-se na cama.

– Eu quero – ela afirmou.

– Desde quando...? – perguntou Neville.

– Ah, nós não... – começou Draco.

– Apenas algumas horas – interrompeu Hermione. – Se importa se eu ficar aqui, Neville? Draco pode acordar com alguma dor e quero estar por perto.

– Pode ficar – autorizou Neville.

– Bom, eu vou indo – disse Silena. – Boa noite.

– Boa – responderam Hermione e Draco.

– Eu vou com você – falou Neville. Antes de saírem, Hermione pôde ouvir ele sussurrar: — Eu jurava que ela era apaixonada pelo ruivo...

– Esqueceu-se do trato? – quis saber Hermione, sentando-se do lado do loiro na cama.

Ele não respondeu, apenas colocou as mãos no pescoço dela, afastando seus cabelos e lhe beijou, calmamente. Aquele era o jeito Draco de dizer obrigado. Ao se separarem, ela sorriu e ajudou-o a se deitar.

Hermione deu um selinho rápido nele, com vergonha, e espremeu-se do lado dele na cama. Por debaixo dos lençóis, tirou a calça para ficar mais a vontade e tirou os sapatos do loiro. Ajudou-o a tirar a blusa e finalmente, na mesma hora, ambos fecharam os olhos. Pegaram no sono logo em seguida.

–-X—

– Annabeth – chamou-a novamente. – Acorda, Annabeth.

A loira não se movia. Nunca pensou que ela fosse tão preguiçosa. Mas era. Fazia, pelo menos, meia hora que Percy Jackson tentava acordar a sua inimiga em trégua. Ela sempre falava algo sem noção e certa vez, quase consciente, deu um tapa no rosto do moreno e mandou ele deixar de ser chato. É claro que ele não iria deixar de ser chato. Por isso ele continuava cutucando ela.

– Sai daqui, Jackson – ela resmungou.

– Ainda estamos em trégua – ele cantarolou. – Levante logo, Annabeth.

– Se você não sair... – ela começou, mas voltou a dormir antes de terminar.

– Annabeth!

– Se você não deixar de ser chato, a trégua tem um fim aqui – ela ameaçou.

– Annabeth Chase! – ele a pegou pelos braços e a forçou a ficar sentada. – Rachel ainda está dormindo, assim como Madge.

– Ótimo! – ela deitou novamente. – Vai acordar ela... Só mais cinco minutinhos, Jackson, por favor.

– Abre a porra do olho logo – ele ordenou. – Vamos, Annabeth!

– Me deixa dormir!

– Como você é teimosa... – ele xingou. – Acorda!

– Não!

Ele bufou e passou a andar de um lado pro outro. Tentou acordar Rachel aos beijos, mas ela poderia achar que ele estava apaixonado, coisa que não era verdade. E ele já havia se aproveitado dela durante quatro horas, não queria mais. Pelo menos não por enquanto. Talvez mais tarde, depois de fazer isso com Madge...

Não é que ele fosse um idiota. Bom, ele era um idiota, sim, mas Percy tinha sido acostumado ao sexo. Desde que havia perdido a virgindade, pelo menos duas vezes por semana ele ia para cama com alguém. Não só pra cama, obviamente. Chuveiro, chão, mesa, piscina... Percy tinha sede de sexo e duvidava que conseguisse passar tanto tempo preso naquele lugar sem nada.

No entanto, não tinha a mínima vontade de fazer de novo com Rachel, afinal, figurinha repetida não completa álbum, mas ela era sua única opção. Ela, Madge e Annabeth.

Mas ele não faria nada com Annabeth. Primeiro, ele a odiava. Segundo, ela o odiava. Terceiro, mesmo que não quisesse admitir, ele respeitava a loira. Claro que às vezes pegava pesado nas ofensas, ou dava em cima dela e tal, mas falar só para deixa-la sem graça é uma coisa, fazer é outra completamente diferente. Fora que Annabeth era virgem e ele respeitava “primeiras vezes”. Queria que a da loira fosse com alguém que a respeitasse e, acima de tudo, que a amasse. Queria, de verdade, que a virgindade dela fosse perdida com amor.

Percy parou de andar subitamente, percebendo o rumo que seus pensamentos percorreram. Ele realmente estava ficando louco. Quando sairia daquele local? Quando poderia transar novamente?

Decidiu deixar isso de lado e ir atrás da loira. Ela continuava dormindo, em cima do braço esquerdo com os cabelos loiros jogados para trás e a boca aberta. Era uma cena engraçada.

– Annabeth – ele chamou novamente. – Acorda!

– Mais cinco minutos!

– Se passaram vinte, porra, levanta!

– Eu preciso dormir...

– Você já dormiu demais! – ele reclamou e ela continuou dormindo. – Por favor, acorda.

Ela levantou-se sonolenta. Fez que sim com a cabeça e encostou as costas no muro, para novamente fechar os olhos. Era mais forte que ela. Sabia que precisava acordar, mas queria tanto dormir...

– Annabeth! – Percy reclamou.

– Desculpa, desculpa – ela pediu, abrindo os olhos novamente. – Estou tentando acordar.

– Dentro da casinha tem um banheiro – Percy anunciou. – E eu achei uma toalha. Eu usei, é claro, mas... Hm... Se quiser usar...

– Eu não vou usar sua toalha, Jackson! – ela retrucou, um pouco mais desperta.

– Ainda estamos na trégua – retrucou-lhe o moreno. – E era só se você quisesse. Na hora que tomei banho, Rachel estava acordada. Não ofereci a toalha pra ela, imaginando que você fosse querer.

– Sério?

– Sério – mentiu. – Ela está estendida lá no banheiro.

Ela se levantou e foi em direção à pequena casinha. Percy a observava se afastar, alternando entre seus cabelos rebeldes e sua bunda. Annabeth podia não ser do tipo que agradava todos os homens, mas agradava a Percy. Ele odiava mulheres esqueléticas e odiava mais ainda as peitudas ou de quadris largos. Para ele, as proporções de corpo tinham que estar corretas. E as de Annabeth estavam. Barriga sequinha, coxas grossas, bunda empinada e peitos de tamanho médio, ajustados no lugar, provavelmente por um sutiã de bojo.

Parou de devanear com o corpo da loira quando ouviu um grito de dentro da casinha. Horrorizado, percebeu que esse grito vinha de Annabeth e num piscar de olhos, o moreno adentrava o local. Ele era sujo e pequeno. Havia uma sala e um corredor que dava para um quarto e um banheiro de frente para ele. Na sala havia apenas um sofá e um tapete empoeirado, com uma mesa no canto. Ele não chegou a entrar no quarto (ficara com Rachel na sala mesmo) e no banheiro havia apenas um chuveiro e a privada, sem pias ou espelhos.

Quando entrou no cubículo que tomara banho minutos atrás, encontrou Annabeth sentada no chão, de calcinha e sutiã, chorando e olhando com pânico para a privada. Ele seguiu seu olhar e percebeu a gigante aranha que andava por ali. Em outra situação ele riria, afinal, Annabeth estava com medo de uma coisa tão pequena, mas bastava olhar para os olhos dela para saber que não era só medo.

– Aninha, calma, eu vou matar ela, certo? – ele prometeu e ela concordou com a cabeça.

Então ele simplesmente levantou o pé e pisou. Nada de adrenalina, nada heroico. Por favor, era apenas uma aranha. Uma nojenta e asquerosa aranha. Com a própria mão, pegou o bichinho morto e jogou-o na privada. Então ofereceu a mão pra Annabeth e conduziu-a para o quarto, que ficava de frente ao banheiro.

O lugar era pequeno, tinha uma janela com madeiras tampando-a. Uma cama de casal sem lençol e caindo aos pedaços no canto. Uma cômoda de roupas vazia com um abajur em cima. A lâmpada estava queimada. O papel de parede era verde, mas no canto esquerdo havia sinais de mofo.

Ele se sentou na cama e colocou-a do seu lado. Escutou um barulho vindo da cama e podia jurar que ela ia desabar, mas isso não aconteceu. Foi mais para trás e encostou-se à parede, trazendo-a junto. Então passou a mão ao redor dos seus ombros e ficou fazendo carinho no seu braço esquerdo. Ela apenas chorava agarrada a sua camisa e ele não ligava para o fato de ela estar de calcinha e sutiã, não agora.

Mentira. Ele era Percy Jackson, é claro que ele ligava. Enquanto ela chorava, ele se permitiu olhar para o decote a mostra da loira. O sutiã era branco. Ele estava hipnotizado. Desceu o olhar para suas pernas... Era ainda melhor do que vê-la de biquíni, não sabia por quê. Talvez a renda lhe excitasse. Ainda comendo-a com os olhos, tratou de perguntar:

– Você está bem?

– É trauma de infância – ela explicou. – Oh, como eu sou ridícula!

– Não, não, não – ele discordou. – Você não é ridícula. É um medo normal, Annabeth. Quer dizer, é incomum, mas todo mundo tem medo de alguma coisa.

– Do que você tem medo? – ela perguntou, curiosa.

– Cavalos – ele respondeu. – Meu pai se dava bem com cavalos, então minha mãe tentou me fazer cavalgar. Eu quebrei a perna nas primeiras duas horas. Aqueles bichos não são de Deus.

Ela riu e disse:

– Nem as aranhas.

– Isso aí – ele concordou. – Annabeth... Você tem consciência que está praticamente me abraçando só de calcinha e sutiã?

– Seu idiota! – ela berrou antes de corar e se afastar. – Fecha o olho agora! AGORA!

– Mas é uma vista tão bela... – ele brincou e ela corou ainda mais, tentando se esconder.

– Vire a cabeça, Jackson! Oh, seu aproveitador! Seu idiota. Seu insuportável!

– Tava demorando...

– Demorando a que, em? A eu parar de fingir que você é uma companhia agradável? Você não é.

– Então você estava fingindo curtir minha companhia? – ele perguntou, debochado. – Oh, depois eu sou o falso.

– Como você é idiota, Jackson!

– E você é uma falsa! – ela retrucou. – Uma virgem retardada que tem medo de aranhas!

– E você é tão insuportável que nem seu pai quis ficar com você! – ela soltou e um silêncio permaneceu no quarto.

Mesmo não querendo, pela primeira vez na vida as palavras de Annabeth entraram em seus ouvidos e ficaram ecoando em sua mente. Isso era algo que ele nunca admitiria, mas ela estava certa. Percy queria chorar. Ele nunca demonstrava tristeza, exceto quando o assunto era o pai. Ele devia ser um pirralho horrível, que vivia chorando e doente. É claro que era um pirralho horrível. Então ele cresceu e virou um problemático disléxico. Poseidon não iria querer um filho assim. Por isso foi embora.

Por mais que tivesse raiva do pai, ouvir Annabeth falando aquilo, aquela verdade, com todas as letras o partiu o coração. Ela tinha razão.

– Percy... – ela começou, chocada. – Desculpe, eu não queria...

Mas ele não ouviu, saiu dali e bateu a porta ao passar. Contornou a casinha e ficou o mais distante de Rachel e Madge possível. Elas dormiam tranquilamente e enquanto isso, a cabeça dele estava mais agitada do que nunca.

O pai era um assunto delicado. Tudo que sabia sobre ele era que gostava muito de praia, de surfar e de cavalos. Sabia que ele tinha sido um amor de verão de sua mãe. Sabia que sua mãe ainda era apaixonada por ele e o pior: Percy sabia que ele herdara o jeito do pai. Irônico e festeiro. Sabia que seus olhos também eram semelhantes. A única foto que ele tinha visto do pai fora quando, escondido, ele procurava dinheiro nas coisas de Sally, sua mãe, para ir para uma festa e achou.

Na foto, eles dois estavam sentados no capô de um camaro verde água, em alguma praia da California. Poseidon sorria do tipo “tenho trinta e dois dentes” enquanto Sally oferecia um tímido sorriso. Ele estava sem camisa e ela usava um maiô respeitoso azul marinho, com óculos no topo da cabeça. Eles pareciam estar felizes, mas na hora que vira a foto, Percy só conseguia olhar o pai. Eles eram idênticos, exceto pela pele bronzeada do patriarca. Atrás da foto, com uma caneta preta tinha escrito uma declaração de amor, juramento de fidelidade, a data da foto e a assinatura desleixada de Poseidon.

Então era essa a história de seu pai: ele havia enchido a cabeça de sua mãe com juras de amor, havia comido ela e depois o ciclo se reiniciou, só que com outra mulher. Então, para juntar os cacos do coração partido, Sally se apoiou no primeiro cara que sabia falar palavras bonitas: Gabe. Mas ele era um drogado alcóolatra e morreu quatro anos depois, deixando contas para Sally pagar. E foi nessa época que os médicos diagnosticaram Percy com dislexia.

Na cabeça de Percy, um dia ele gostaria de se apaixonar por uma mulher igual a mãe dele. Uma mulher forte, determinada, trabalhadora. Uma guerreira, enfim. Que mesmo com todas as patadas na cara que havia recebido, continuava amável com todos.

Só que ao invés de ser mais uma patada na cara dessa mulher, ele queria ajuda-la a esquecer do passado. Ele queria ser diferente do que o pai fora um dia.

E tudo voltava ao filho da puta que na certidão de nascimento era registrado como seu pai.

Percy se recusava a chorar, de modo que engoliu o caroço que permanecia entalado na garganta. Beliscou algumas vezes na palma da mão e se recompôs. Depois disso, a raiva subiu. E não raiva do pai – essa raiva ele já tinha aprendido a conviver -, raiva era de Annabeth. Quer dizer que a loira era daquele tipo que finge ser amiga só pra conseguir pontos fracos dos inimigos? Ela ia pagar, ela era uma vadia. E Percy sentia nada mais que ódio por ela no momento.

Então ele se acalmou. Percebeu que não era ódio que sentia por Annabeth, era mágoa. Por algum motivo, o que o incomodou não foi o fato de ela ter jogado aquilo na cara dele e sim o fato de ela ter se aproximado dele apenas por isso. Ele percebeu que não queria aquilo, não queria mais brigar com ela. Não de verdade. Queria apenas provoca-la porque só Deus sabia o quanto era divertido vê-la com os olhos cintilando de raiva.

– Percy? – chamou Madge. – Você... Hm... Tava chorando?

– Como...?

– O nariz está vermelho – ela esclareceu. – Mas não vim falar disso. Annabeth tá tomando banho e eu e Rachel achamos uma coisa... Não sabemos o que fazer.

– O que acharam? – ele perguntou.

– Drogas.

– Fiquem longe disso! – ele ordenou.

– Eu sei, mas a Rachel... Ela está hesitante. Tenho certeza que uma hora ou outra ela vai... Você sabe.

Ele deu as costas à loira e andou até onde a ruiva estava: na lateral da casinha, de frente para uma caixa de papelão aberta.

– Parece que ficaram muito tempo aqui – ela comentou, assim que Percy chegou perto.

– Fique longe disso, Rachel – mandou Percy. – É sério, ruivinha.

– Eu sei, mas... Você nunca se perguntou como era? Assim, eu tenho total confiança que experimentaria apenas por experiência. Eu consigo me controlar.

– Não é questão de controle, Rachel! – falou Madge.

– Ela está certa – concordou Percy. – Esse troço deixa a pessoa fora de si.

– E não seria ótimo? – indagou. – Estamos presos aqui. Por quanto tempo? Não sabemos! Seria bom fugir um pouco da realidade.

– Rachel, fique longe dessa caixa... – pediu Madge. – Por favor.

– O que é isso? – perguntou Annabeth, que aparecera ali do nada.

Percy olhou pra ela. Ela vestia o mesmo vestido da noite do acidente, mas seus cabelos estavam molhados e ela usava um boné dos Yankees, provavelmente o havia achado jogado no quarto. Seu nariz estava vermelho e na visão do moreno, ela estava divina. Seus olhares encontraram-se por um breve momento e ele viu o quanto a loira estava arrependida.

– Drogas – respondeu Madge. – E a Rachel quer experimentar.

– Sem chances que vou dividir um lugar com uma viciada.

– Que outras opções você tem? – desafiou Percy.

– Você está de acordo com isso?

Percy demorou a responder. Não, ele não estava. Mas queria desafiar a loira, queria ver a raiva saltando da tempestade de seus olhos. Fora que em parte, Rachel tinha razão. A vida dele não podia ficar pior do que estava. Um dia ele sairia dali? Seria bom ter um escape.

– Estou – respondeu.

– O que? – surpreendeu-se Madge. – Até minutos atrás você...

– Mudei de ideia.

– Entendi o que você quer – murmurou Annabeth. – Percy, me desculpe, eu não queria...

– Cala a boca, sua vir...

– Percy! – reclamou Madge.

– Tudo bem – disse Annabeth. – Eu mereço. Anda, Percy, pode me xingar.

E aquilo fez a raiva voltar. Ela deveria estar com raiva dele! Porque não estava?

– Você não devia agir assim! – ele falou. – Você tá ridícula concordando comigo, Chase! A trégua acabou.

– Eu não ligo. Eu ainda estou em...

– Porque está se sentindo culpada? Não sinta, você só disse a verdade – ele disse.

– Percy, até entendo que esteja com raiva, mas me escute – ela pediu. – Eu volto a te xingar, se quiser. Eu deixo a minha culpa de lado. A culpa de ter jogado uma verdade na sua cara, a culpa de ter te julgado burro esses anos todos, quando na verdade você era um guerreiro, a culpa por...

– Cala a boca! – ele gritou e ela se encolheu. Percy começou a andar de um lado pro outro.

– Eu volto a ser sua inimiga, por mais que não queira – ela prometeu. – Mas por favor, não se envolva com as drogas. Isso não.

– Você não quer ser minha inimiga? – ele perguntou com deboche.

– Não mais.

– Isso porque a culpa tá te corroendo! – ele acusou e ela abaixou a cabeça. – Porque “Annabeth perfeitinha” não pode errar. Porque a única vez que você errou, foi quando achou que tinha errado. Por isso você quer meu perdão. Não é isso? Você não liga pra mim. Você só não quer esse erro no seu histórico.

Ela não respondeu e Percy viu as verdades em suas palavras. Então agora ele estava duas vezes magoado e com raiva por ela não ter reagido. Naquele momento, Percy tomou uma decisão... Ele precisava sim, de uma válvula de escape.

–-X—

Aos poucos, o casal de primos foi acordando devido ao calor recorrente do Sol. Quem mais sofria era Katniss, que vestia um quente moletom cinza. Antes que o primo acordasse, foi apenas de calcinha e sutiã para o mar. A água estava estranhamente gelada, levando em consideração o quente Sol que jazia em suas cabeças. Depois de se lavar, lavou brevemente a peça de roupa, estendeu-a sob um tronco e vestiu o vestido que usava na noite do acidente. Katniss tinha a impressão que ele tinha encolhido, mas era só impressão. Sua mente pregava peças.

Então o primo acordou e fez praticamente o mesmo ritual que ela, com a única diferença: ele tinha plateia em cada movimento dado. Depois de vestir novamente a bermuda por cima da cueca molhada – que deixava seu amigo mais do que à mostra -, ele e a prima comeram uma barrinha de chocolate, cada. Peeta acabou vomitando, pois seu estômago tinha desacostumado a comida. Era fato que ele precisava se alimentar direito e que logo a comida acabaria, assim como a água havia acabado. Não sabiam o que fazer, eram apenas dois adolescentes.

Bom, adolescentes de dezoito anos. Passaram metade da vida reclamando com os pais, falando que sabiam se cuidar, que saberiam como agir como um responsável, mas agora até a mãe de Katniss era uma boa opção para a morena. Uma excelente opção; ela precisava do apoio materno.

– Bom – iniciou a prima. – Precisamos de água.

Eles estavam apenas de roupa íntima, sentados à beira da água. As ondas batiam em seus umbigos e voltavam. Sempre com a mesma força e mesma temperatura. Katniss, enquanto conversava, acumulava areia molhada no joelho, fazendo uma espécie de castelinho e Peeta tentava escrever coisas na areia. Para ambas situação, toda vez que a onda vinha, suas obras eram destruídas.

– Eu sei, mas olhe para o céu.

Ela o fez. O Sol queimava em provavelmente seu ponto mais alto. Porém, mais adiante, no horizonte além das águas, a cor dos olhos de Katniss regia o céu. A chuva viria. Bastava achar uma folha que servisse como transferidor da água para a garrafa amarela guardada na bolsa de Perseu Jackson, um dos melhores amigos deles dois.

– Que ótimo! Então vamos procurar recursos para um abrigo – sugeriu a morena, vendo seu castelinho se desfazer novamente. – Então, futuro arquiteto, como pretende fazer o abrigo?

– Temporariamente precisamos de algo simples, apenas para nos protegermos da... Hm... – ele apontou para frente, onde o céu estava cinza. – Chuva.

– O que sugere? – ela perguntou, terminando o outro castelinho.

– Que achemos, inicialmente, dois troncos de madeira e um meio de arrancar uma folha da palmeira – ele opinou, enquanto escrevia nomes de cidades na areia. — Se conseguirmos isso, vamos procurando mais troncos para revestir o abrigo.

– E precisamos da folha para beber a água e transportá-la à garrafa – Katniss lembrou, observando o “Londres” escrito com a letra desleixada no primo na areia ser engolido pela onda.

– Não podemos nos afastar muito da praia – advertiu Peeta. – Mais ou menos daqui a... Uma hora nos encontramos aqui de novo?

– Uma hora – ela concordou.

Eles se lavaram, vestiram suas roupas e se separaram, loiro para diagonal esquerda, adentrando a floresta, Katniss no litoral direito, procurando algo útil na praia. Aproximadamente uma hora depois, estavam no mesmo local de antes, planejando tudo para fazer seus abrigos. Conseguiram coletar troncos de árvores jogados, galhos e folhas. O mais difícil foi conseguir a folha que viria servir de teto para o abrigo. Depois de muito suor e um machucado no braço esquerdo, Katniss conseguiu, com a ajuda de Peeta, arrancar a folha.

A brisa, antes quente, estava fria. De uma hora pra outra, como num piscar de olhos, o ar parado e quente da praia foi substituído por ventania. O Sol, que antes queimava a pele dos nossos jovens heróis, agora estava escondido por grossas nuvens cinza. Em pouco tempo, a chuva atingiria eles e poderiam beber água em paz.

A garganta de Katniss estava arranhando. Ela tinha mania de fazer uma espécie de sucção com a língua na entrada da garganta enquanto coçava o ouvido direito toda vez que tinha sede, muita sede. Podia contar pelo menos 27 vezes a repetição de tal movimento. Ela precisava muito de água. E de comida, mas sabia que tinha que guardar o alimento restante. Ela estava cansada, queria apenas deitar e dormir o resto da vida, até a morte lhe acolher, fazendo-lhe um favor. Porém ela não ia desistir, não com Peeta ali.

Imaginou-se numa vida ali com Peeta, para todo o sempre. Se nunca conseguissem resgate? Se não conseguissem fazer uma jangada ou algo do tipo? Será que conseguiriam sobreviver ali? Será que conseguiriam construir uma casa ou algo do tipo? Será que poderiam acabar tendo desejos sexuais um com o outro?

– Do que você tá rindo? – quis saber Peeta.

– Pensamentos – ela respondeu. – Meus insanos pensamentos.

– A respeito de...?

– De nada.

Permaneceram mais alguns minutos calados e aquele pensamento estava deixando Katniss inquieta. Enquanto finalizavam o abrigo, ela lembrou-se da besteira que havia feito com sono, beijando todo o corpo do primo. Seria essa a consequência de passar tanto tempo sem um namorado? Esse era um efeito colateral de se estar preso numa ilha? Ela já estava ficando louca, como a maioria daqueles filmes que passavam na velha televisão da cozinha, que sempre estava ligada no canal 7. Provavelmente era isso.

Seus pensamentos foram interrompidos por algo. Uma dor, um pouco acima do ventre. Ou seria um pouco abaixo? Ela sabia o que era isso e corou ao declarar para o primo:

– Eu tô com dor de barriga – ele sorriu diante do constrangimento dela. Katniss era incrível; falava tanta merda, mas tinha vergonha de uma coisa natural no metabolismo humano.

– Você fica tão fofa corada – ele elogiou. – Princesa, faz no meio do mato e depois se lava no mar.

– Eu não vou cagar no meio do mato.

– Cagar é uma palavra feia – ele a repreendeu, fazendo uma careta. – Mijar também.

– Eu sei, Peeta. Mas eu não vou fazer nada no mato.

– E o que você espera que eu faça?

– Eu tenho que fazer no mato, né? – ela perguntou, dando-se por vencida e ele assentiu.

Ao se levantar, sentiu um pingo na mão. E outro. Voltou para o abrigo e observou a paisagem. Esqueceu-se dar dor de barriga, pois finalmente a água caía do céu. O abrigo improvisado os protegia, mesmo que não completamente, de modo que alguns pingos penetravam a cabana. O cheiro de areia molhada atingiu as narinas de Katniss e o barulho da forte chuva no mar deixava os primos quase incapacitados de ouvir alguma coisa. Katniss posicionou a planta do lado de fora do abrigo, com uma das pontas na boca da garrafa e esperou.

De início, nada foi enchido. A chuva estava fraca demais para que pudesse se concentrar ali, naquele transportador tão cheio de falhas. Mas com o tempo, a água transparente foi se acumulando. Katniss ofereceu a garrafa amarela para Peeta que negou e disse:

– Primeiro as damas.

Então Katniss levou a garrafa à boca. Sentia cheiro de planta e era agradável aquilo. A morena não percebera que estava com tanta sede até pôr uma gota d’água na boca. Seus lábios estavam rachados, uma pele estava descascando. Porém, mesmo com toda a sede, Katniss sentiu um gosto estranho. De início, bem fraquinho, mas depois começou a arder e ela foi obrigada a cuspir toda a água, derramar o resto na areia e ter uma crise de tosses.

– Isso... – ela ofegou. – Está ardendo!

– O que? – perguntou Peeta.

– Eu quero ir pra casa – choramingou a prima. – Minha boca tá ardendo!

– Calma...

– Ai – ela gemeu. A cada minuto ia ardendo mais. – Aiiii, Peeta, eu preciso ir pra casa, isso não é pra mim.

– Tem gosto de vinagre? – ele indagou, com uma ideia na cabeça.

– Tem – ela disse começando a chorar e Peeta ficou desesperado, pois nunca sabia o que fazer quando ela chorava. – Peeta, me prometa que vai ficar do meu lado... Peeta... Tá ardendo.

– Vem aqui – ele convidou, tomando-a nos braços. – Eu sempre vou ficar do seu lado.

Os próximos minutos foram silenciosos, exceto pelos soluços de Katniss e o consolo de Peeta. O mar agitado e a chuva em encontro com a areia também emitiam som. Era um conjunto, uma orquestra, nada agradável. Era agoniante, na verdade.

Katniss estava tentando ser forte. Estava tentando manter a mente ocupada, mas não era nada, nada, fácil. Ela com certeza atingiria a loucura. Toda a sede, o calor e a fome. A falta de namorado. Ora ela pensava sobre um assunto, ora sobre outro. Às vezes sobre nenhum, pois a língua começava a latejar e ela era obrigada a tossir. Katniss vomitou duas vezes. Às vezes, ela pensava sobre tudo e isso a deixava com dor de cabeça, de modo que acabou dormindo.

O cochilo foi rápido e sem sonhos. Talvez ela apenas não se lembrasse do sonho. Talvez tivesse cansada o bastante para não sonhar com nada. Katniss não saberia responder, mas quando Peeta perguntou se ela estava bem, não mentiu ao responder:

– Nada bem – sua voz estava rouca e ela abraçava os joelhos.

– Kat... – ele tentou começar, mas não sabia direito como contar no que estava pensando nas últimas horas. Passou as mãos nos cabelos. – Se tinha gosto de vinagre... Aquilo era chuva ácida.

– E daí? – ela perguntou, roendo a unha; um velho hábito.

– Sabe como chuvas ácidas são formadas?

– Queima excessiva de combustíveis fósseis – ela respondeu. – Eu me lembro da aula de geografia.

– Combustíveis do tipo petróleo e carvão – ele continuou sua linha de raciocínio. – Onde queimam essas coisas?

– Nas indústrias. Aonde você quer chegar?

– Sem criar falsas esperanças, mas... Como as chuvas ácidas se formariam no meio do mar?

– Você tá querendo dizer o que eu acho que tá querendo dizer? – ela esticou a coluna e tirou a mão da boca, com os olhos brilhando de esperança.

– Provavelmente – ele respondeu.

– Oh, Deus – Katniss exclamou. – Preciso tentar uma coisa.

Ela se sentou e procurou o celular. A chuva havia parado, porém o tempo continuava fechado e o vento gelado. Mesmo assim, algo estava queimando dentro de Katniss: esperança. Todo o seu medo se dissipou, dando lugar à esperança. Sim, seria difícil, mas eles conseguiriam.

– O que você quer fazer? – Peeta perguntou.

Katniss não o respondeu. Dificilmente chegou a ouvi-lo. Colocou a senha “9449” e entrou no WhatsApp. Ela definitivamente estava ficando louca, mas mesmo assim digitou para Prim: “Estou com Peeta, numa ilha, no litoral da Europa, provavelmente. Aqui perto tem indústrias. Beijos, Kat”. Mandou uma mensagem também, sem ser pelo aplicativo e torceu os dedos para que fosse enviada.

Fazia sentido a teoria de Peeta. Para que as chuvas ácidas chegassem pelo litoral, deveriam estar de frente para a Europa, do lado leste da ilha. E se estivessem mesmo perto, talvez conseguissem algum sinal de internet ou a mensagem fosse enviada. Katniss tinha que se apoiar nisso, tinha que se apoiar em alguma coisa.

Ela estava com a esperança novamente. Oh, sim, ela estava. Aquele era um ótimo meio de esquecer tudo que estava acontecendo. Esperança seria sua válvula de escape naquela ilha. A esperança e Peeta. Quando os pensamentos começassem a sufoca-la, ela começaria a se imaginar com Peeta voltando pra casa.

Se imaginar voltando de helicóptero e nele, seu pai estaria aguardando-os. Imaginou-se fugindo da ilha com um pirata no navio. Imaginou então o reencontro com os amigos. Imaginou Annabeth de cabelo curto e o cabelo da Mione quase na bunda. Acabou imaginando Rony gordo e Percy de barba. Ela sentia falta dos amigos. Mas iriam se reencontrar, ela tinha esperança.

– E se... – Peeta deixou a frase morrer, era assustador demais.

– Oi? – ela estimulou-o a continuar.

– Se a indústria estiver na ilha?

– Peeta, a chuva veio do mar – ela discordou. – E a ilha está abandonada.

– Era uma opção – ele se defendeu. – Você tá com medo?

– A esperança é a única coisa mais forte que o medo – disse ela para Peeta. – Eu vi isso em algum lugar. É verdade.

– Você tem esperança de voltarmos?

– Sim – ela respondeu. – Precisamos de esperança, Peeta. Quando a perdermos, pode ter certeza que tudo estará perdido. Eu quase a perdi, mas ela continua aqui, vibrando em mim.

– Vibrando? – ele maliciou com as sobrancelhas erguidas. – Oh, eu tô passando tempo demais com você!

– Fazer o que, né? – ela brincou.

– Sério, Kat, você é a pessoa mais poluída que eu já vi na vida.

– Assim você me ofende, loiro – ela disse e deitou-se na areia, encarando o céu. – Culpe o Percy.

– Devo culpar ele pela sua lerdeza também?

– Claro – ela disse, divertida, e riu. – Achei que Percy fosse mais poluído que eu.

– Talvez.

– Sabe porque eu gosto dele? Sabe porque eu gosto de vocês três? – ela perguntou e ele fez que não, antes de se deitar ao lado dela. – Porque vocês não falam merda... Digo, é claro que provavelmente já visitaram aqueles sites impróprios e tal, claro que já se...

– Eu entendi.

– E mesmo assim, vocês nos respeitam. Sabe, eu, a Mione e a Aninha. Vocês não falam sacanagem na nossa frente, não esfregam na nossa cara o que fazem.

– Isso é questão de educação, Katniss, é claro que a gente não vai esfregar na cara de vocês o que fazemos – Peeta falou.

– Vocês são verdadeiros príncipes.

– Até o Percy?

– Até o Percy – ela concordou. – Qual é, Peeta, ele é tarado e tal, mas alguma vez você já viu ele se gabando por ter transado com alguém? Ou você já viu ele dando em cima de mim? Ele sabe respeitar as pessoas.

– Eu entendo o que você quer dizer – ele disse e se virou de lado, para encarar a morena. – Vocês são garotas. Mesmo que você seja uma garota muito podre, ainda é uma garota. Uma mulher, na verdade.

– Ninguém nunca se referiu a mim como mulher – ela contou, virando-se de lado também. Os olhos de Peeta eram lindos.

– Mas você tem dezoito anos.

– É, mas eu sou imatura demais – ela falou.

– Ou não – ele discordou. – De qualquer maneira, você já é uma mulher, sim.

– Eu sei. Eu tenho peitos – ela disse e gargalhou, mas Peeta acabou tendo que conferir se era verdade o que ela disse e acabou rindo junto.

– É, Kat, você tem peitos.

– Sabe quem tinha uns peitões?

– Cho Chang, do primeiro ano – ele lembrou.

– Olhava pro peito dela, Peeta? – ela brincou.

– Não!

– Viu o que eu disse? Você respeita.

– Eu poderia ter respondido “claro, quem não olhou?”, mas seria contra meu cavalheirismo.

– É isso aí – ela concordou.

– Você sabia que é linda? – ele perguntou.

– Sabia – ela respondeu, rindo, e deitou-se novamente de frente. – É da família, sabe? Todos dela são extremamente lindos.

– Eu sou fabuloso – ele disse em tom falsete.

– É claro que é, amiga.

– Kat, que... Ti... Tipo de homem... Te... Inte... Interessa?

– Gaguejando, Mellark? – ela brincou. – Porque quer saber?

– Pra sair do tédio – ele respondeu apressadamente.

– Hum... Eu já namorei o... Ethan Nakamura, lembra? E o Cedrico Diggory... Teve o Gloss.

– Ele sofria bullying – comentou Peeta, rindo. – Que tipo de mãe coloca o nome de um material de maquiagem feminino no filho?

– Ele era legal! – defendeu Katniss.

– É claro que ela – Peeta bufou.

– Ciúmes?

– E se for? – ele desafiou.

– Peeta, você é mais legal que todos eles – ela confessou. – Eu te amo, sabia?

– Como primo – ele murmurou, baixo o suficiente para que ela não ouvisse.

– O que disse?

– Claro que sabia – ele respondeu em voz alta e ela riu, fechando os olhos. – Você é a melhor prima do mundo. A melhor amiga, na verdade.

– Tenho a impressão que Prim não vai gostar de saber disso – ela comentou.

– Ela sempre soube.

Passaram o resto das horas conversando. Era incrível como se esqueciam de tudo quando estavam na presença do outro. Katniss esqueceu-se do ardor na boca, Peeta esqueceu-se da cede. Um era a válvula de escape do outro, enfim. Enquanto tivessem um ao outro, estariam bem.

Mal sabiam eles que isso estava prestes a mudar...

Notas finais
E novamente o capítulo saiu grande... Eu juro, JURO, que tô tentando escrever menos, mas... O próximo eu vou tentar ter no máximo 5 mil palavras, é meu limite.
Por favor, pinguins, falem comigo, eu sou uma pessoa muito, MUITO, carente. E recomendem, eu preciso de felicidade, sabia? Beijão!
E para você que tá reclamando de MdM, eu quero só ver em 2015 você reclamando que não tem a Maldição do Titã, porque é ÓBVIO que a fox tá vendo as críticas. E é mais óbvio ainda que eles não irão fazer um outro filme sabendo que não renderá.