Aventuras e Desventuras Do Amor
15 Magoada
Notas iniciais
Ronald Weasley
O consultório médico era um lugar chique. Era pequeno e a mulher que ficava atrás do balcão parecia ter meia idade. Ela o observava com uma expressão inferior, como se sentisse constantemente pena de si mesma por ser magra demais, possuir rugas e fios brancos dentre seus cachos ruivos.
Os acentos que Rony esperou com a Senhora Weasley eram confortáveis, tão confortáveis que um senhor barrigudo cochilava do outro lado da sala. Rony tamborilava os dedos no braço da cadeira, quando ouviu a mulher chamar o seu nome. Ele se levantou e caminhou sozinho até a porta.
O ambiente visto de dentro não era tão diferente da recepção. Era razoavelmente grande e com paredes de cor clara, com pouca decoração visível. Rony se sentou na cadeira ao lado do divã preto que estava embaixo de um quadro em preto e branco. O médico, um homem apenas alguns anos a mais que ele, estava observando algo em seu computador.
– Ronald Weasley, certo? – ele quis confirmar, se levantando para apertar a mão do ruivo. Embora ele falasse inglês, seu sotaque era bastante misturado com o sotaque da França.
– Certo – ele abriu um sorriso amarelo.
– Primeiro deixe-me checar sua cabeça – falou o médico e fez todos os procedimentos possíveis.
Enquanto esperava, Ronald não pôde deixar de pensar em Hermione e no momento em que quase transaram na cozinha dos Di Ângelo. Ela era fantástica! Linda como uma boneca e doce como um chocolate, perfeita em suas medidas.
– Do que se lembra? – perguntou o médico, indicado o divã para que Ronald deitasse ali.
– De tudo, praticamente. No momento em que bati a cabeça, não reconheci ninguém, mas aos poucos estou conseguindo me lembrar das coisas.
– Você parece aflito... Por acaso sua mãe sabe do que anda se lembrando?
– Não. – respondeu Rony. – Ninguém sabe.
– Sinta-se à vontade para contar, caso queira.
– Não sei se minha mãe contou que sobrevivi ao recente naufrágio...
– Contou.
– Bom, no navio havia uma mulher chamada Hermione Granger. Nós erámos melhores amigos, até que numa apresentação escolar acabamos nos beijando e começamos a namorar. Só que não deu certo, porque ela se irritava com muita facilidade, era ciumenta e possessiva.
– O pior tipo.
– É. E nós terminamos. Eu ainda gostava dela, muito, acho que ela foi a única garota que amei na minha vida, mas então eu estava namorando Lilá...
– Outra garota?
– Sim, que também estava no navio. A Mione, a primeira namorada, disse que ainda me amava, mas eu a rejeitei. E agora estamos nos ajustando... Pareceria bipolar... Pareceria errado... É errado o que estou fazendo.
– Você está usando a perda de memória como uma desculpa?
– Basicamente.
– E está mantendo isso para não magoá-la?
– É – concordou o ruivo, coçando a cabeça. – Se ela descobre que menti... Eu teria aproveitado a situação.
– E ela, como está?
– Também está se aproveitando. Digo, ela sabia que eu tinha namorada, mas não disse nada.
– E sua namorada?
– É um saco! Não completamente um saco, mas...
– Dizer que ela é um saco te faz sentir melhor, já que você não estaria traindo uma inocente?
– É por aí – ele concordou, sentindo-se culpado. – A Lilá é maluca. Ela é espalhafatosa e extrovertida, o oposto da Hermione, que é mais centrada, certinha e responsável. Lilá me mostra o mundo das festas enquanto a Mione faz um bolo comigo enquanto me beija. No dia do naufrágio, a Annabeth, uma amiga nossa, me disse que a Mione saiu magoada porque ela e a Katniss estavam conversando com a Lilá.
– Segundo o código das amigas, elas deveriam odiar a garota, Lilá, porque ela, Hermione, odeia.
Rony revirou os olhos.
– Hermione exagera – ele justificou. – Eu a amo, não me entenda mal, mas exagera muito.
– Então a Lilá não é uma vilã que roubou o homem da Hermione?
– Não necessariamente – respondeu ele, rindo pelo nariz. – A Lilá é gente boa. Meio, ou completamente, maluca, mas é gente boa.
– Eu deveria ter sido psicólogo em vez de médico da cabeça – disse o médico e riu, acompanhado de Rony. – Um conselho de amigo: falar agora que se lembra de tudo só vai estragar tudo com as duas garotas. Aproveite Paris, filho.
– Tem certeza?
– Não é o certo... – ele avisou. – Mas é o melhor a se fazer.
– E quanto a minha cabeça?
– Você já se lembrou de tudo?
– Algumas lembranças são meio nebulosas e sinto muita dor de cabeça às vezes, mas...
– Nesse caso, tome apenas um analgésico para a dor de cabeça e diga que tá lembrando aos poucos.
– Ok. Comprimidos e mentira. Anotei – brincou Rony.
– Até a próxima, garoto.
Rony saiu da sala com um sorriso amarelo e repetiu para a mãe o que o médico mandou que ele dissesse, sentindo as mãos soarem porque era quase sempre impossível mentir para a senhora Weasley.
Chegou à casa dos Di Ângelo já de noite. A noite estava barulhenta naquele dia; com poucas estrelas no céu e muito mais pessoas na rua, fazendo com que elas, as ruas, ficassem mais agitadas e mais quentes.
Ronald tomou um banho e vestiu sua nova calça jeans clara e uma blusa listrada de botões e manga comprida, a única blusa social comprada pelo ruivo. Ele ajeitou os cabelos e foi até o jardim, procurar uma flor que pudesse dar a Hermione.
Arrancou um lírio branco e a esperou sentado na sala. Clarisse e Daphne passaram por ali elogiando sua aparência, mas quando Silena se sentou ao seu lado, com um novo visual, loira com as pontas rosa e azul, estilo bem comum na Califórnia, ele sabia, ela criticou:
– Falta um perfume, Ronald.
– Eu não tenho.
– Peça um a Draco!
– Você não acha que isso poderia confundir Hermione?
– Como?
– Ela teve algo com Draco... – disse Ronald.
– Nesse caso... Eu já volto.
Ronald esperou pacientemente, batendo os pés no chão olhando constantemente para o mostrador de temperatura que tinha ali. O ar lá fora estava de vinte graus. Ele suspirou vendo Silena se sentar ao seu lado novamente e borrifar um perfume forte e masculino em seu pescoço.
– É do Cato – ela explicou. – Muito bom, não?
– Desde quando fala com o Cato?
– Ah, eu não falo. Só pedi porque ele está sempre cheiroso.
Rony se limitou a suspirar, já perdendo a paciência. Hermione não ficaria pronta nunca?
Ouvindo passos de salto alto, ele se levantou do sofá e olhou ansiosamente para o corredor, girando a flor em sua mão com nervosismo. Hermione apareceu de cabelos cortados na altura do ombro, cacheados e com alguns fios mais dourados. A maquiagem leve, nada que tampasse sua beleza natural ou algumas sardas das suas bochechas finas.
O batom vermelho combinava com seu vestido, o que tinham comprado na loja, e o salto a deixava na altura dele. Ela estava magnifica!
Rony estava tão apaixonado por aquela mulher só porque ela era tão... Ela. Única e especial. Ele não conseguiu simplesmente resistir, ela o deixava louco de paixão e o obrigava a fazer coisas que jamais tinha pensado em fazer, sem ao menos perceber o tamanho do efeito que causava.
Com certeza ele amava Hermione.
– Você está linda – ele elogiou, olhando fixamente nos olhos dela, que olhou para baixo envergonhada.
– Você gostou?
– Adorei.
Ao fundo, ele ouviu Silena suspirando, mas ele apenas ergueu as mãos oferecendo o lírio a Hermione, que aceitou com um sorriso tímido e gentil. Ela colocou a mão direita no braço dele e ele foi um completo cavalheiro, abrindo o portão para ela passar.
– Você não precisa fazer tudo isso, Ron... – ela disse, sorrindo com o canto da boca.
– Eu quero – ele a pegou pela cintura e beijou a pontinha do seu nariz. Ela suspirou e continuaram andando pelas ruas.
Pararam em um restaurante chamado L’Ambroisie, o restaurante mais caro que Rony conhecia em Paris. Ele ficava de frente a uma praça e a brisa balançava os cabelos do casal enquanto adentravam no ambiente.
As mesas eram postas com panos beges e detalhes roxos, iluminadas a luz de velas com um piano tocando ao fundo a música americana conhecida por Rony, Hey There Delilah.
Ele puxou a cadeira para que a castanha se sentasse e ela o fez, agradecendo-o sem olhar Rony nos olhos.
– Eu sei que você não se lembra da Annie... – começou Hermione, segurando as mãos dele. – Mas aquela ligação foi muito importante para mim. Obrigada.
– Não foi nada – ele perguntou, sentindo o estômago revirar. – Como ela está?
– Ela está com o Percy! – Hermione exclamou. – E pelo que parece, estão se dando bem, mas estão em uma situação crítica.
– Eu queria pode ajudar.
Hermione deu de ombros quando um garçom de óculos se aproximou. Ele perguntou se queriam algo para beber e Hermione traduziu a frase ao inglês para Rony. Rony respondeu que ele trouxesse um champanhe, então foi isso que Hermione disse em francês.
– Eu queria saber falar em francês – falou Rony. – Mas é horrível de aprender!
– De fato, é muito difícil, mas é uma língua tão bonita...
– Claro que é – disse Rony, olhando fundo nos olhos de chocolate de Hermione. – É a língua do amor.
O garçom apareceu e serviu as duas taças de vidro presentes na mesa.
– Vamos brindar? – propôs Rony e Hermione riu.
– Brindar o que, Ronald?
– Às coisas mágicas que podem acontecer na cidade do amor – ele respondeu, de prontidão.
– À cidade do amor, então – ela brindou, com os olhos brilhando.
Era a primeira vez que ela bebia champanhe, e Rony sabia disso, então a observou com divertimento inclinar a taça com cuidado em sua pequena boca.
– Você é o cúmulo de... Tudo que eu já vi.
Ela riu nervosa e repousou a taça na mesa.
– Explique-se.
– Você é linda – ele colocou uma mecha atrás da orelha dela. – Inteligente, delicada, amável, inteligente, altruísta.
– Falta falar dos meus defeitos – ela olhou para baixo, com uma expressão de culpa. – Eu não tenho sido muito verdadeira com você...
Rony sabia daquilo. Ele se lembrava. Mas decidiu esperar para ver o que ela falaria, olhando na sua direção com atenção e carinho.
– Excusez-moi – falou o garçom, e Rony nada entendia do que ele falava. – Je peux offrir le menu?
– Bien sûr! – respondeu Hermione. – Ou mieux, apporter à la suggestion de la tête.
– O que você disse a ele? – perguntou o ruivo quando o garçom se afastou.
– Pedi a sugestão do chefe. Tudo bem?
– Tudo bem – ele sorriu.
– Só espero que ele não me venha com peixe.
– Isso é uma grande besteira!
– Você se lembra?
– Lembro – ele respondeu, nervoso. Não tinha como voltar atrás agora.
– Então posso me defender! – ela se animou, ajeitando-se na cadeira. – Aquele peixe foi nojento.
– Você não pode decidir parar de comer peixe pelo resto da vida só porque abriu um no oitavo ano e achou nojento!
– Você estava lá, você viu a gosma preta que saiu do olho daquela coisa.
– Mas era um peixe morto! Nós não comemos a parte—
– Não quero saber – ela o cortou. – Peixe é a coisa mais repugnante do mundo.
– Fala a mulher que come baratas.
– Não são tão ruins!
– Não, elas só andam pelo esgoto – ele retrucou rindo.
– Pelo menos não sai gosma preta.
– Isso é racismo, Hermione – provocou Rony. – Só porque a gosma da barata é branca você come.
– Eca, Ron!
– Só disse verdades... – ele comentou.
– Então tá. Eu como peixe no dia que você vestir uma camisa laranja.
– Isso é completamente diferente – Rony se defendeu. – E sim, eu me lembro.
– Oh, Rony – Hermione cerrou os olhos na direção dele. – Não é tão diferente assim. Só porque tinha uma aranha na sua camisa laranja daquele acampamento que fomos uma vez.
– Foram duas aranhas, porque aconteceu duas vezes.
– Isso não quer dizer que toda camisa laranja vai ter uma aranha. E já tá bom de deixar esse medo. São só... Aranhas.
– São só... Peixes – ele disse e riu da cara de desconsolo que a castanha havia feito.
Ela bufou e se ajeitou na cadeira.
– Peixes são repugnantes.
– Aranhas são arte do diabo.
– Devem ser mesmo – ironizou Hermione, rindo.
O tempo passou rápido, e todo o assunto que os dois entravam, acabavam discutindo por possuírem opiniões diferentes. Uma discussão saudável, é verdade, mas ainda assim uma discussão, afinal... O que seria Rony e Hermione sem as discussões?
– Amanhã nós podemos visitar a catedral...
– É, podemos – concordou Hermione. – Ou... Nós podemos ir ao cinema e assistir um filme em inglês com legenda em francês. Seria divertido.
– Qualquer tempo gasto com você é bom, Mione – Rony colocou mais uma garfada da comida na boca. – Podemos fazer os dois. Estamos em Paris, com tempo livre de sobra...
Ele parou de falar e riu. As bochechas de Hermione estavam cheias de comida, fazendo-a parecer um esquilo. Ela corou e engoliu a comida.
– Para com isso – pediu envergonhada.
– Eu já disse que você é adorável?
– Já – ela riu. – E você não tem o direito de rir de mim, seu gordo que faz gordices.
– Que gordice estou fazendo agora?
– Pra começar, você está sujo – ela disse, limpando o canto da boca dele. –E na camisa também.
– Ah... – ele murmurou sem graça, tentando se limpar.
– Mas eu acho isso fofo.
Rony sorriu de um jeito tímido, um jeito que só Hermione fazia ele ficar, olhou fundo dos seus olhos de chocolate, lembrando-se do que ela quase lhe contara.
– Mione, o que você ia dizer sobre não estar sendo verdadeira?
Ela abaixou o olhar e Rony ainda a olhava admirado.
– Você é o cúmulo da honestidade – ele disse.
– Não, eu não sou – ela falou olhando pra ele. – Nós namoramos e o motivo do término foi que eu... Eu sou horrível, Rony!
Os olhos dela logo marejaram e Rony limpou uma lágrima que escorria por seu rosto. A maquiagem era à prova d’água, o ruivo imaginou, já que ela continuava fixa em seu lugar.
– Não parece horrível.
– Eu sou controladora – ela confessou. – Ciumenta, possessiva, histérica, dramática. Muito dramática. E você... Você não sentia o mesmo que eu sentia por você na noite do naufrágio, você quis manter as coisas como estavam.
Rony suspirou com a culpa deixando-o com dificuldade de respirar. Ela achava que ele estava sem memória, ela se achava uma pessoa horrível, e ele não tinha direito nenhum de fazer ela acreditar nisso só pra ficar bem.
– Hermione, preciso falar com você uma coisa também – ele entrelaçou seus dedos.
– Que coisa? – ela perguntou, chorosa.
– Uma coisa que anula... Anula toda a sua culpa – ele falou, e num suspiro, disse: — A minha memória voltou no dia seguinte ao acidente.
Annabeth Chase
As pestanas de Annabeth foram abrindo lentamente; sua pupila minúscula como a ponta de uma agulha – tudo bem, talvez maior que isso — e sua íris cinza brilhava intensamente, com um pouco de azul misturado.
Ela sentia as costas doendo devido a dormida no chão e seu braço direito estava dormente, como se milhares de formigas caminhassem com suas minúsculas patinhas na pele branca e gelada da garota. Ela esfregou a mão esquerda nos olhos, tirando algumas remelas que tinham se acumulado ali e olhou para o lado, procurando por Percy.
O cômodo estava vazio. O sofá velho e o centro de mesa velho continuavam lá, e a cozinha sem um rastro de alimento, apenas teias de aranha, também estavam, mas não Percy.
Ele suspirou de olhos fechados, massageando a própria clavícula enquanto se lembrava dos calorosos beijos que Percy havia deixado ali. Lembrou-se dos arrepios e do molhado em sua intimidade e suspirou novamente. Percy havia sido maravilhoso!
Annabeth riu com esse pensamento, tendo certeza que já havia pensado naquilo, e vestiu sua roupa novamente, prendendo os cabelos em seguida. Pulou a janela, logo após ter dado uma revistada no apartamento e garantido que Percy não se encontrava ali.
O Sol brilhava intensamente no céu azul, e luz refletia por todos os prédios da famosa Londres. Daquela altura, em pé na escada de incêndio do prédio, ela não conseguia enxergar nada da cidade, então subiu alguns degraus a mais, mesmo estando demasiadamente cansada, até chegar ao telhado do prédio. Dali sim, ela franziu a testa e cerrou os olhos, protegendo a pupila da intensa luz solar, e passou a enxergar as pessoas pequenininhas abaixo de si fazendo suas atividades comuns.
Uma mulher de aparência atlética e cabelos azuis comprava jornal na banca de Dionísio, bem abaixo de si. Um pouco mais adiante, ela foi capaz de enxergar a Camden Town, o bairro dos hippies. Era capaz de identificar o bairro por causa de sua arquitetura; todo o conjunto das obras construídas ali diferia da maneira clássica e londrina de viver.
Se ela estivesse em condições melhores, daria um passeio até Oxford a fim de passar na Oxford University, o sonho de estudo de qualquer futuro arquiteto. Ela queria estudar lá, aprendendo o sotaque britânico e trabalhando na livraria da esquina. Ter um amor de outro país, para por fim ter uma despedida dramática e um reencontro apaixonante nas ruas dos Estados Unidos.
Agora ela tinha Percy e outros planos. Não que ela estivesse mudando todo seu percurso de vida por causa de míseros olhos verdes e um bad boy style, mas as circunstâncias estavam diferentes de algumas semanas atrás.
Primeiro, morar em Londres seria sempre uma eterna lembrança dos momentos que passaram ali. De tudo de ruim que vivenciou e de bom também. Ela não queria carregar esse peso para o resto da vida. Segundo, ela havia sido aceita em Havard e Yale, duas universidades bastante famosas e caso escolhesse Havard, poderia estagiar por um mês no Brasil, que era outro país na lista de turismo de Annabeth Chase.
Terceiro, ela não queria mais viver esse romance de universidade. Ela não sabia o que tinha com Percy ou o que estava sentindo, mas não queria algo diferente daquilo por enquanto.
Olhando ainda mais adiante dali de cima, ela viu o London Eye, a roda gigante que permitia enxergar toda a cidade, e milhares de não só turistas, mas também casais apaixonados e londrinos que estavam ali para aproveitarem um momento a sós dos problemas cotidianos.
Mesmo sem perceber, o objetivo da loira de observar dali de cima toda a extensão da cidade era tentar adivinhar onde Percy se metera.
Ele havia se entregado na polícia? Arranjara outro lugar pra ficar, pois agora que tinha transado com Annabeth não precisava mais ficar aturando a garota? Estava se drogando por aí?
Se continuasse pensando naquilo, ela explodiria de fato. Sua cabeça em poucos minutos latejavam intensamente como se o público de um show do U2 dançasse em cima dela, pisoteando e esmagando cada um de seus neurônios.
Ela desceu as escadas rapidamente, soando no pescoço e embaixo do braço e foi até a banca do Dionísio; a moça de cabelo azul não estava mais lá.
– Bom dia, Sr. D.
– Bom dia, Annie Bell — ele cumprimentou de volta.
Ela soltou uma risadinha e o corrigiu:
– É Annabeth, senhor.
– Tanto faz.
– Como sabe meu nome?
– Conversei com aquele Peter Johnson mais cedo. Ele disse para que avisasse a você, caso procurasse por ele, que voltaria antes das quatro da tarde.
– É Percy Jackson.
– É, tanto faz. Não me importo com o nome de vocês.
– Faz muito tempo que ele saiu?
– Ele saiu há duas horas.
– E que horas são?
– Três da tarde, docinho.
– Obrigada.
Ela estava virando de costas para o senhor barrigudo quando sua voz preguiçosa atingiu-lhe os ouvidos:
– Recebi uma ligação pra você no meu celular.
– Recebeu?
– Sim, uma tal de Hernimione.
– Hermione, não?
– Sim, sim! — ele exclamou, fazendo Annabeth sorrir. – Hermione!
– O que ela queria?
– Falar com você. Sua voz estava chorosa e urgente... Você está se hospedando por aqui por perto? Não é britânica, é?
– Não, não sou.
– Mas essa sua amiga é. Por acaso está na casa dela?
– Ela não é britânica, só tem sotaque daqui.
– Está fugindo das minhas perguntas, senhorita — ele observou.
– Eu poderia falar com ela?
– Acho que se usar o meu celular por mais de uma vez me deve explicações...
– Explicarei o que o senhor quiser — ela prometeu. — Posso falar com minha amiga?
– O celular é todo seu.
Annabeth pegou o aparelho preto da mão gorducha e peluda do homem, e foi nos últimos números acessados, procurando por algum que atendesse os padrões de número telefônico da França. Então discou.
– Alô?
– Rony! — a voz de Annabeth se encheu de alegria.
– Oi, Annabeth.
– Como sabe que sou eu? Não tinha perdido a memória, ruivo?
– Como você está? – Annabeth percebeu que Rony fugiu da pergunta.
– Bem. E você?
– Com a cabeça oca.
– Isso você sempre teve — ela riu da própria piada e Rony a acompanhou.
– Eu preciso falar uma coisa a você. Não fique brava – ele pediu com cautela.
– Por que ficaria?
– Porque eu menti pra Mione...
– Que merda você fez, Ronald?
– E pra você também...
– Weasley...
– Eu não tô sem memória. Eu me lembro de tudo.
– Você enganou a Mione?
– Eu queria uma segunda chance e ela também e... Aconteceu. Não me culpe.
– Não te culpar? É sério que você tá pedindo isso? Ah, vá pra merda, Ronald.
E desligou furiosa.
Ela devolveu o celular a Dionísio, que exigiu explicações. Rapidamente, Annabeth as deu e o homem gordo a permitiu ligar para os amigos quantas vezes fosse necessário até saírem dali. Ele também prometeu um lugar para se hospedarem, e Annabeth ficou alegre com aquela situação, mas avisou que tinha que conversar com Percy antes.
Ele assentiu, e ela subiu até o quinto andar.
Nada de Percy. Onde ele havia se metido?
Ela entrou no chuveiro, certa de que a água não era mais encanada até ali, mas mesmo assim abriu o registro. A água começou a ser despejada dali e Annabeth sorriu, considerando aquilo como um milagre. Tirou a roupa e continuou ali.
Não tinha shampoo ou sabonete, mas a água era quente, o que a permitiu fechar os olhos e aproveitar aquele momento de luxo por alguns segundos, antes de ouvir um pigarreio vindo da porta do banheiro.
Ela virou e encontrou Percy, sorrindo de lado pra ela. Ela rapidamente vestiu a blusa, molhando-a por completo e partiu para o garoto.
– Para de me bater! — ele pediu.
– Onde você foi? — ela estava irritada.
– Continue o banho, estava linda com uma expressão tão serena.
Não amoleça, Annabeth, é isso que ele quer.
– Vá a merda você e esse seu...
– Me livrei das drogas. De todos os pacotes.
Aquilo desarmou Annabeth. Ela piscou algumas vezes e abriu um sorriso lentamente, vendo o progresso que tivera. Ele passou aquele tempo longe para fazer o que ela havia lhe pedido! Não aguentou, e pulou nos braços dele.
Um abraço tão apertado e alegre que ele riu, e a afastou segurando no pescoço dela. Mergulhando no cinza dos olhos da Chase, ele murmurou:
– Obrigado. Vai ser difícil... Meu corpo vai reagir à falta da droga...
– O primeiro passo é admitir que está viciado. O segundo é se livrar de tudo. Eu estou orgulhosa.
Ele abriu um sorriso retardado como o de uma criança que vê um pônei cor-de-rosa.
Ele a beijou e sorriu durante o beijo, o que a fez sorrir também.
– Percy... – ela o afastou delicadamente e sem olhá-lo.
– Não diga que não quer isso — ele pediu, aflito. — Você disse ontem... Não...
– Percy, para com isso — Annabeth riu docilmente. — Você parece um garoto de treze anos inseguro e apaixonado.
– Apaixonado? — ele ergueu as sobrancelhas em sinal de escárnio.
– Eu não quis dizer que... — ela corou. — Você... Desculpe.
– O que ia dizer antes? – ele perguntou, se divertindo com aquela situação.
– Que precisava terminar o banho.
– Bom... Termine – ele se encostou à parede do banheiro, cruzando os braços e mordendo o lábio inferior. – Você se importa se eu ficar aqui?
O coração da loira saltaria da boca a qualquer momento com tamanha adrenalina e tensão sexual contida naquele pequeno ambiente. Hesitante ela fez que não com a cabeça e entrou no chuveiro novamente, retirando a blusa que cobria seu corpo e sentindo a água batendo contra o mesmo.
Annabeth olhou de soslaio para Percy, que continuava na mesma posição que antes, mas agora parecia desarmado, acompanhando cada movimento que ela fazia. Olhou discretamente para baixo e viu um volume crescente na calça do moreno.
Aquela imagem estava deixando sua intimidade molhada e sua respiração entrecortada. Fechou os olhos, tentando controlar seus próprios desejos obscuros.
A água ainda batia em seus ombros quando ela sentiu Percy mordiscando sua orelha. Ela se assustou, fazendo-o soltar uma risada contida e continuar a mordiscar o seu corpo.
– Desculpe, eu não resisti – o moreno sussurrou no pé da orelha da loira, fazendo-a suspirar com sua voz rouca.
– Não tem problema – ela respondeu em mesma altura.
Annabeth se virou e rastejou a mão pelo corpo definido de Percy, atlético pelo fato de ter a natação como um hobby na época da escola. Chegou em seu pau, já duro, e o massageou. Olhou bem no fundo dos olhos do moreno e confessou:
– Eu realmente não me importo se você fizer isso mais vezes.
– Ótimo.
Ele foi bruto empurrando-a na parede gelada, mas isso não quer dizer especificamente que ela não tenha gostado do ato. Pressionou-a lá, segurando com firmeza seus dois pulsos e beijou seu pescoço. Annabeth não conteve um gemido baixo, o que fez Percy seguir adiante e morder o local.
Ela sentia sua intimidade cada vez mais molhada, enquanto o membro de Percy já roçava cada vez de modo mais evidente junto a sua perna.
– Eu tô doido pra sentir seu sabor – ele confessou.
Ela se sentia estúpida, mas mesmo assim perguntou como uma menininha inocente de bochechas vermelhas:
– Como assim?
Percy desceu as mãos até a intimidade de Annabeth, e ignorando toda a confusão da loira, ele penetrou sua vagina com um dedo. Ela urrou de prazer, buscando algum lugar para se apoiar enquanto Percy colocava um segundo dedo ali.
– Oh, Deus – ela arfava enquanto puxava os cabelos de Percy.
Sem tirar os dedos, ele começou a beijar sua região pélvica de maneira intensa, e explorar toda aquela área com a língua. Annabeth revirou os olhos quando sentiu jorrar um líquido por suas pernas.
Percy se ergueu, mostrando os dedos para a loira e os lambeu, um a um, enquanto ela mordia o lábio ainda tentando manter a respiração.
Ouvindo um antigo desejo reprimido, enquanto observava aquela visão, ela se aproximou e apertou sua bunda, arranhando-a com suas longas unhas. Subiu cravando as mesmas por suas costas até chegar nos ombros largos do moreno e o puxar para si, dando nele um longo beijo.
Ela pulou no colo dele e, segurando nas suas coxas fartas, Percy deu um jeito de encaixar suas intimidades, em um processo lento enquanto se beijavam. Ela mordeu o lábio inferior dele com força no momento em que sentiu o membro dele entrando em si.
Embora a água estivesse escorrendo por seus corpos, Annabeth sentia um enorme calor e suor lhe percorrendo o corpo, já que o moreno dos olhos verdes a torturava devagar, entrando e saindo com facilidade, mas mexendo pouco os quadris.
Annabeth saiu do seu colo e no mesmo instante ele a grudou na parede, beijando o vale entre seus seios e só então intensificando a velocidade da coisa. Ela se sentia esmagada naquele pequeno compartimento por onde a água escorria, mas sentia também um prazer dez vezes maior do que o da noite anterior.
Percy dessa vez também gemia enquanto lhe apalpava o peito, e não demorou para que ela sentisse o gozo dele em si. Ela suspirou e mordiscou o lóbulo da orelha dele.
Ele se afastou, mas Annabeth ainda podia perceber a luxúria insaciável em seu olhar.
– Me ajude a fazer isso – ela pediu e pôs as mãos no membro dele.
Annabeth tocou hesitante no membro do moreno, que pôs as mãos grandes de homem em cima das dela, e a ajudou com os movimentos até que novamente ele estava gozando.
– Já gastamos água demais – ele sussurrou. Annabeth se limitou a assentir.
Ele a abraçou por trás e beijou seu pescoço enquanto ela fechava o registro do chuveiro e suspirava. Percy a virou de frente e falou:
– Consegui roupas limpas. Eu vendi as drogas, então...
Annabeth sorriu e vestiu o short jeans e uma camiseta lilás, de decote profundo e um pouco pequena para ela.
– Eu sei que foi de propósito – ela disse.
– O que? – ele riu.
– A roupa.
– É claro que foi de propósito – ele revirou os olhos. – Você é muito gostosa, Annabeth. Tenho que aproveitar isso enquanto você não surta e começa a dizer para me manter longe.
– Não vou fazer isso.
– Ah, não? – ele debochou. – Nós dois sabemos que o fim disso que estamos tendo vai partir de você.
– Está partindo de você, agora.
– Apenas estou sendo realista.
– Eu não quero que acabe – ela suspirou enquanto se sentava no sofá. – Talvez eu esteja apaixonada por você.
– Isso se chama atração sexual, Chase. Você sabe que me odeia.
– Foi essa conclusão que você chegou?
– Ao meu respeito? – ele perguntou se sentando também e ela assentiu. – Foi.
– Então você não sente absolutamente nada por mim? E nada que tivemos significou para você?
Percy mordia o lábio inferior. Suspirou e olhou nos olhos dela, que estavam a ponto de marejar.
– Não, nada – ele respondeu.
– Ótimo – ela disse, forçando-se a sorrir. – Não teremos complicações quanto a isso. O que temos aqui é restritamente sexual, e nenhum de nós discorda disso.
– Com absoluta certeza.
Annabeth abriu ainda mais o sorriso, enquanto tentava entender o porquê de aquela conversa a ter magoado profundamente.
Katniss Everdeen
Já havia completado um dia do sumiço de Peeta.
Katniss estava completamente e extremamente assustada. Chovia sob a sua cabeça e Mark e – a vadia – Zoë estavam dentro da pequena gruta que encontraram por trás da cachoeira, mas ela continuava ali, correndo o risco de pegar uma gripe e chorando, preocupada demais com o primo para reagir.
Então era isso... Ele a amava. Os pensamentos dela estavam tão confusos quanto um bebê que passa nove meses numa placenta e então de repente tem que aprender a como respirar com seus próprios pulmões, e não parar de fazer isso pelo resto da vida.
– Katniss, entra ali com a gente – pediu Mark, sentando-se ao lado dela. – A chuva está muito forte e já fazem umas duas horas que você tá aqui. Conseguimos acender uma fogueira lá dentro.
– Não saio daqui até Peeta aparecer – ela mantinha o olhar fixo em um único ponto á sua frente.
– Se amanhecer novamente e ele não aparecer, eu vou com você procurá-lo de novo, ok? Só, por favor, entre.
Ela desviou o olhar do ponto e olhou para ele, que mantinha uma expressão preocupada no rosto. Ela assentiu de modo frágil e se levantou, com a ajuda dele, em direção a pequena gruta.
A fogueira crepitava ao fundo, formando uma luz bruxuleante, e a sombra de Zoë podia ser vista se aquecendo junto às chamas. Mark tirou a camisa ensopada que vestia e colocou no chão para secar, enquanto Katniss trocava sua própria roupa e se aconchegava mais próxima à fogueira, tentando roubar todo o calor que ela emanava.
Chegou a tremer de frio por um segundo e Zoë abriu a boca para comentar algo, mas bastou um olhar da morena mais velha para que suas palavras se limitassem a um suspiro.
Katniss também suspirou, irritada e frustrada, com muita vontade de arrancar o coração da mais nova com suas próprias mãos e vê-la sofrer com a necessidade de bombeamento no sangue nas veias, mas nenhum órgão para fazer esse serviço.
– Me desculpe, ok? – falou Zoë.
Ela continuou olhando para Zoë com um misto de ódio e desprezo, enquanto Cormarc terminava de cuidar das frutas. Ele colocou um cunhado de morango na frente de Katniss, que começou a comer sem abandonar a raiva nos olhos.
– Você sabe o que ela fez, Mark? – perguntou Katniss, depois de um tempo, com a voz exalando vingança. Ela parecia estar cantando. – Ela beijou o Peeta.
– Você fez o que? – perguntou Cormarc irritado.
Zoë apenas abaixou a cabeça.
– É uma pirralha de 14 anos beijando um homem de 18.
– São só quatro anos de diferença – ela se defendeu.
– Nem peito formado você tem, garota – Katniss retrucou com veneno de cobra esguichando.
– Olha aqui – Zoë se levantou. – Prefiro não ter peito a ter um peito que já foi tocado por todo mundo.
Katniss se encheu de raiva. Com as bochechas vermelhas, ela deu um tapa na cara da mais nova, e em seguida outro.
Zoë revidou, mas Katniss sentou em cima dela, com um joelho de cada lado de seu corpo, pronta para socar seu queixo quando Cormarc segurou seu punho cerrado. Sendo arrastada, ela ainda deu um chute ou dois na direção da Doce-Amarga, e se soltou.
– Não vou mais bater nela! – ela garantiu e foi solta. – Mas não fico mais um minuto aqui.
Ela reuniu rapidamente as coisas dela e de Peeta, pegou um pouco de comida e saiu. Antes de passar por ali, ouviu Zoë gritar:
– Por que não deixa as coisas do Peeta? Aposto que ele vai querer voltar pra cá.
Katniss trincou os dentes, mas mesmo assim saiu e andou por uns cinco minutos, até ter certeza de ter ouvido alguém chamar seu nome. Ela se alegrou, e teve a audição aguçada, mas depois reconheceu ser a voz de Cormarc.
– Eu também estou puto com ela – disse o loiro ao chegar até Katniss. – Mas está de noite, Katniss, por favor.
– Você não tem o dever de cuidar de mim.
– Mas Peeta virou meu brother. E eu prometi que se algo acontecesse, tomaria conta da garota dele.
– Quando você prometeu isso? – ela quis saber desconfiada, dando meia volta e acompanhando Cormarc até o Cou.
– Uns dois dias atrás, eu acho. Quando estávamos na mata. Ele te ama, cara. Talvez tenha sido a Zoë a beijar ele – ele disse, amargurado. – Eu estou surpreso com a mudança repentina de personalidade dela, mas...
Katniss balançou a cabeça, concordando, e passou a tentar entender algo que pudesse ter acontecido, mas nada ficou claro até chegarem novamente ao quente do fogo. Zoë agora dormia com o lado direito do seu rosto arranhado; parecia bem dolorida.
– Ciúmes – Katniss falou.
– Ciúmes? – perguntou Mark.
– Ela gosta de você – ela revelou. – E talvez estivesse com ciúmes, sabe... De nós dois. Desculpe, mas foi a coisa mais racional que conseguir pensar.
– Vai ver ela só é doida – ele murmurou. – Acho melhor dormirmos... Boa noite.
– Boa noite.
Embora em cerca de uma hora ela já ouvisse o ronco de Cormarc ecoando na gruta, ela não conseguiu pregar o olho, repetindo na cabeça a cena em que Peeta e Zoë trocavam um beijo naquele mesmo local. Ela estava confusa, sem saber em quem confiar. E mesmo se confiasse em Peeta, continuava confusa sem saber o que sentir.
– Katniss? – ouviu seu nome ser sussurrado por uma voz feminina. – Me desculpe.
Katniss não respondeu.
– Deixe seu orgulho de lado – Zoë pediu. – Você está certa. Foi ciúmes. Frustração, também, porque você tinha uma relação do tipo com seu primo... Eu não sei explicar. É tão ruim ser adolescente, principalmente catorze anos. Você acha que tem uma opinião formada, mas de repente tudo muda e depois... Só resta se sentir dramática. Desculpe. Não fique com raiva do Peeta, eu o beijei e assumo isso. Foi ridículo.
A mais velha suspirou, tentando absorver e compreender aquelas palavras.
– Só não encoste mais nele.
Zoë riu baixinho e Katniss abriu o mínimo dos sorrisos. Ainda estava chateada, mas menos tensa. Agora ela sabia que a culpa não tinha sido de Peeta, só não sabia o que fazer com essa informação.
Suas pálpebras só fecharam quando a fogueira já estava completamente gasta e a chuva havia parado. Seu sono foi leve; acordado pelo mínimo ruído e coberto de pesadelos. Ela estava suada quando acordou, talvez apenas depois de quatro horas de sono.
Decidiu ir andando sozinha até a praia. Tirou toda a roupa e mergulhou. Tentou abrir os olhos, mas o sal presente no mar a impediu de fazer isso. Nadou por alguns minutos, até se sentir bem novamente e se sentou na areia.
O dia estava triste. O Sol podia estar lá, iluminando a ilha, mas as nuvens teimavam em cobri-lo constantemente. A qualquer momento choveria, Katniss sabia disso pela corrente de ar intenso que balançava seus cabelos e as folhas dos coqueiros e bananeiras.
Ela voltou ao Cou depois de muito pensar em toda a situação que a envolvia, e encontrou Cormarc e Zoë calados, cada um em suas atividades. Se aproximou do garoto.
– Você me prometeu que ajudaria a encontrar o Peeta.
– Não precisa.
– Como não precisa? – ela perguntou com ansiedade estampada na voz. – Ele apareceu?
– Eu o encontrei – respondeu o garoto. – Ele está na gruta, mas...
– Mas?
Katniss estava aflita, qualquer um podia perceber isso. Ela se ajoelhou na frente de Cormarc, e repetiu:
– Mas...?
– Mas não está nada bem.
– O que isso quer dizer?
– Quer dizer que ou saímos dessa ilha logo, ou Peeta morre.
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