Aventuras e Desventuras Do Amor

9 Loucura Tem Nome e É Um Nome Masculino


Notas iniciais
Pinguuuuuuins *-*
Estou morrendo de sono, com cólica e com fome. O número de reviews caiu e não tive nenhuma recomendação. É... Minha vida tá pior que a da Katniss '-'
PORÉEEEM, eu sou uma pessoa legal e estou aqui postando capítulo fresquinho pra vocês ;)
O casal que decidi escolher foi... Tambores, por favor!
Cormac McLaggen e Zoë Doce-Armarga. Beeem estranho, mas interessante em igual proporção.
Anyway, espero que gostem do capítulo ^^
Ah, e como não houve recomendações, e gosto de dedicar capítulos a leitores... Vou dedicar a Marii Weasley porque sim. Ela sabe porque.
E, falando nela, leiam a fic dela, é fantástica ;)

Nota mental: ficar dias e dias sem comer nem beber água novamente só para poder passar mal e ficar fraca e ter uma desculpa para ser carregada por Peeta; andar era extremamente cansativo.

Era isso que passava pela mente de Katniss enquanto o primo, com muito esforço, ia em direção ao barulho da água. Nenhum dos dois falava nada, pois era preciso extrema atenção para saber em que direção deveriam ir; a direção certa dessa vez, de preferência. O Sol ainda estava fraco, provavelmente eram oito e meia da manha; o vento estava estranhamente frio para àquela hora.

Quando o calor de “Oh, encontramos água nesse fim de mundo” passou, Katniss começou a lembrar de quando estava morrendo e de como sentia dor; lembrou-se também do beijo entre ela e o primo. Ele a beijara, mas ela quem apoiou os braços na nuca dele antes. Ela queria o beijo ou apenas correspondeu?

Na real, essa havia sido a coisa mais nojenta e estranha do mundo. O pior foi sentir a barriga se agitando, um frio a invadindo ao mesmo tempo em que o calor fazia o mesmo. Isso era ainda mais estranho. Katniss sabia o que isso significava e por isso, permanecia com uma careta de confusão estampada no rosto. Eles eram primos.

Na verdade, a morena nunca havia parado para pensar num universo alternativo onde eles eram apenas conhecidos. Mellark e Everdeen, vizinhos, sem nenhum laço de sangue envolvido. Peeta era gostoso, Katniss tinha plena consciência disso, mas será que se não fossem primos ela pegaria ele? Envolver-se-ia com ele? Amá-lo algum dia? Ela não conseguia pensar assim.

Só conseguia pensar no estranho arrepio que corria por seu corpo enquanto sentia sua respiração bater no pescoço do primo e voltar para o seu rosto. Aquela proximidade era boa e Katniss queria se bater. Ficara milhares de vezes tão próxima quanto, mas em nenhuma delas sentira um arrepio.

Isso tudo por causa de um beijo? Francamente, nem deve ter significado nada pra ele!

Interiormente, Katniss tinha uma teoria que Peeta era gay. Não era por nada, nem preconceito, mas ele era sempre tão fofo, tão compreensível, tão “príncipe encantado”... Porém, Katniss sabia muito bem que a era dos príncipes e meninos gentis havia acabado, sobrara apenas os gays. O pior: todos os gays que ela conhecia eram bonitos. Todos.

– Uau! – Peeta exclamou, ajudando Katniss a ir para o chão.

De imediato, a morena sentiu uma tontura, mas logo ela se dissipou, porque, por Deus, a beleza daquele lugar era incrível! Parecia um milagre no meio da selva.

As árvores haviam acabado, deixando um espaço circular livre das copas. A areia havia sumido, dando lugar apenas às folhas, com exceção da margem do lago. Ah, sim, bem no centro do círculo, um lago verde tão transparente quanto vidro recebia água de uma correnteza que saía por entre as rochas. Na margem, havia algumas flores avermelhadas e rosadas. Perto das pedras, havia uma macieira baixinha e um pé de morangos. Tudo ali era lindo, principalmente o fato – antes despercebido – de que ela era cercada por cipós, como uma cortina, isolando-a do resto da ilha.

– Isso aqui é a lagoa azul – brincou a morena, enquanto procurava sua calcinha dentro da mochila; ainda estava sem a peça, desde o dia que menstruara.

– Tirando o fato que a água é verde – ele disse rindo.

– Estou com tanta fome, será que...?

– Você ainda tá tonta? – Peeta colocou a mão na cintura da prima, equilibrando-a.

– Não, até esqueci que quase morri. Tem água. Tem comida. É lindo.

– Mas temos que ir pra praia... Digo, como vamos ser resgatados assim, Kat?

– Não, Peeta Mellark, eu quero comida, quero ficar nesse lugar lindo e quero... Adivinha?

– Tomar banho nesse lago – ele chutou, monotonamente.

– Isso aí! – ela concordou alegre e sua barriga roncou. – Preciso de comida.

Ela foi andando na frente e Peeta a observou, admirado com o fato de ela ter esquecido o beijo e a dor tão rapidamente. Ele também estava dividido entre lembrar-se dele (do beijo) e admirar aquilo ali. Era lindo. Katniss puxou uma maçã e mordeu, sentando ao pé da árvore e observando a água escorrendo até o lago. O som era maravilhoso de se ouvir. Porém havia algo mais. Além de alguns passarinhos e a cachoeira havia... Risadas?

Sim, risadas, e ficavam cada vez mais altas. Katniss afastou a maçã da boca e olhou para Peeta, assustada. Pela sua expressão, ele também as ouvia. Uma feminina e outra masculina, ambas um pouco infantis. A dela, era daquelas contagiosas, como a de um bebê e a dele, era alta, mas um pouco dolorosa de se ouvir, considerando o fato de que parecia que lhe faltava ar, o modo como fazia um barulho puxando o ar pela boca.

– Tem mais alguém aqui – ela falou, animada, mas sussurrando.

– Ava, Katniss. Jura? – ele debochou e ela estirou língua para ele.

– Quem será?

– Acha que estão vindo para cá? – perguntou Peeta e ela encolheu os ombros. – TEM ALGUÉM AQUI? Vamos rir escandalosamente também, vai ver eles escutam.

– Eu não sei fingir estar rindo.

– Então não finja – ele mandou, sorrindo diabolicamente.

Mesmo dizendo que não, Katniss ainda estava meio tonta, mas isso não a impediu de gargalhar quando Peeta fez cócegas nela. Isso era uma coisa que só ele sabia sobre ela. Podiam fazer cócegas no pescoço dela, debaixo do braço, na cintura, no pé... Ela não esboçaria nenhuma reação. Exceto no joelho. Peeta colocava o indicador e o dedão em cima de seu joelho e apertava. O grito que Katniss dava, misturado com a risada, doía os ouvidos, mas era gostoso de ouvir.

Foi exatamente esse grito que chamou a atenção do garoto e da garota. Eles atravessaram os cipós e gritaram “MEU DEUS”, fazendo com que os primos parassem de brincar e rir. Katniss observou o casal. Ela era obviamente mais nova que ele e tinha uma pele cor de cobre. Era alta e graciosa, olhos castanho-escuros e um nariz levemente arrebitado, possuindo um cabelo escuro e comprido. Katniss sentiu um pouco de inveja porque a) ela parecia uma princesa persa e b) ela estava de mãos dadas a um garoto completamente gostoso, embora mais novo que Katniss. Ele tinha os cabelos castanhos meio dourados. Um meio termo entre o preto e o loiro, como um mel. E era forte, muito forte.

– O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou Katniss e assim que falou, notou que foi uma pergunta meio estúpida. Convivência com Percy.

– Quem são vocês? – disparou o garoto.

– Peeta Mellark e Katniss Everdeen – o loiro apresentou-se. – Sobrevivemos ao naufrágio...

– É – cortou o garoto. – Nós também.

– Vocês estão tão bem! – comentou Katniss. – Como acharam comida?

– Quando soubemos que o navio ia afundar, pegamos algumas coisas – respondeu a princesa persa. – Viemos com uma mochila de costas, cada.

– Se não fossem essas mochilas estaríamos na Inglaterra agora! – reclamou o garoto.

– Se não fossem elas, teríamos morrido no primeiro dia aqui – retrucou a menina.

– E onde está a mochila? – perguntou Peeta.

– Jogamos no chão quando ouvimos a risada de vocês. Está por ali – apontou o castanho, com a mão esquerda.

Katniss olhou para a mão direita dele e viu que estava segurando a esquerda dela. Lembrou-se das risadas no meio do caminho e do modo como ele falava como se quisesse proteger a garota. Eles pareciam se amar muito.

– São namorados? – ela perguntou. Falta de sutileza: mais um sinal de convivência com Percy Jackson.

– O que? – ele respondeu, corando, mas depois riu: — Ela é lésbica.

– Isso é mentira! – ela negou, vendo que Katniss tinha dado um passo atrás.

– O que? O que diz a respeito de “Clube das Garotas Independentes – Odiamos Garotos”?

– Você andou me espionando? – ela berrou.

– Talvez – ele respondeu, sorrindo.

– De qualquer maneira – começou a garota, os olhos castanhos brilhando de fúria para o garoto e o olhar pareceu se dirigir a Peeta também. – É um clube de garotas que dispensam a presença inútil de um macho.

– Um macho – ele debochou. – Eu vi como dispensou minha presença agora pouco, rindo e segurando minha mão.

– Mas ora... – ela tentou argumentar, ficando vermelha e soltando rudemente a mão dele. Peeta decidiu interromper:

– Quem são vocês?

– Eu sou Cormarc McLaggen e essa...

– Eu sei me apresentar, obrigada – a garota o interrompeu, olhando amigavelmente para Katniss. – Zoë Doce-Amarga, prazer.

– Zoë Doce-Amarga lésbica – zombou Cormarc.

– Eu não sou lésbica – ela gritou. – Só porque sou feminista não quer dizer que gosto de mulheres.

– De homem você não gosta – ele retrucou.

– Vocês podem parar? – zangou-se Katniss. – Quantos anos vocês têm?

– 16 – respondeu Cormarc. – Ela tem 14.

– Era uma pergunta retórica, imbecil. Ela sugeriu que estamos parecendo duas crianças. E, de fato, estamos. Desculpe – a morena pediu para Katniss, ignorando a presença de Peeta.

– Eles me lembram Percy e Annabeth – comentou Peeta, rindo. Katniss abafou uma risada.

– Como vieram parar aqui? – perguntou Cormarc.

– Fomos procurar objetos para sobrevivência ao invés de procurar um barco... – respondeu Katniss, sentando-se no chão e sendo seguida por Cormarc. – Assim como vocês.

– Esse foi o nosso erro – refletiu Zoë.

– A ideia genial foi da lésbica aqui.

– Para de chamar ela de lésbica, cara – pediu Peeta, sentando-se ao lado da prima. – Já está ficando chato.

– Não pedi sua ajuda – falou Zoë para Peeta, duramente.

– Ui – brincou Katniss. – Qual é a do odiar garotos?

– Eles são uns imbecis.

– Concordo.

– Desleixados.

– Concordo.

– Burrinhos...

– Pois é.

– Machistas.

– É, mas você é feminista. Esse argumento não foi válido. Também sou assim, mas daí a odiar o sexo masculino...?

– São ridículos – ela rebatou e Peeta revirou os olhos; que garota insuportável.

– Ridícula é você e seu grupinho, priminha.

– Vocês são primos? – espantou-se Peeta, enquanto Katniss corava por ter achado que eram um casal.

– É, somos. Da pra acreditar? Eu, primo de uma lésbica.

– Chega! – gritou Zoë, com os olhos ardendo. – Não sou lésbica, Mark. O que eu preciso fazer para que você acredite?

– Me beije – ele ordenou e ela corou, com os olhos brilhando de fúria novamente.

Então Katniss percebeu. Zoë não era lésbica e Cormarc só implicava com ela porque ela provavelmente deve ter recusado ficar com ele, e ele deveria querer ficar com ela. Um minuto. Desde quando Katniss imaginava um primo querendo ficar com o outro? Droga de beijo. Estava deixando a morena confusa.

– Homens são nojentos! – Zoë disse, de dentes cerados; Peeta começava a ter medo dela.

– Você me recusou quatro vezes só nessa ilha. Como você quer que eu acredite que gosta de homens?

– Já tivemos essa conversa – ela lembrou, suspirando. – Para de encher meu saco. Além do fato de você ser chato, eu vou morrer virgem, odeio os meninos e nós somos primos.

– Qual o problema? A porcaria de um sangue? É isso? É incesto, beleza, mas...

– Sua situação tá pior que a minha... – murmurou Peeta.

– O que disse, Peeta? – perguntou Katniss.

– Nada – ele respondeu, os olhos arregalados.

– Eu ainda vou tirar esse ódio masculino da sua cabeça – jurou Cormarc. – Luto com isso desde os onze anos dela.

– Sinto pena de você – compadeceu Peeta e os olhos de Zoë faiscaram na direção dele; Katniss riu.

– E vocês, namoram? – perguntou Cormarc e Katniss corou até o último fio de cabelo.

– Somos primos – Peeta murmurou.

– Perguntei se namoram, não o grau de parentesco – falou Cormarc.

– Não. – Respondeu Katniss, nervosamente. Sua barriga roncou. – Ainda estou com fome! Peeta, pega uma maçã pra mim?

– Oh, temos comidas mais gostosas que isso – vangloriou-se Zoë quando Peeta fez menção a se levantar. – McLaggen, vai pegar as bolsas.

– Porque você não vai? – ele perguntou, zangado, e Peeta sentou-se novamente.

– Preguiça – ela respondeu. – Vai lá!

Ele bufou e se levantou. Peeta o acompanhou e começaram a conversar, Cormarc perguntando como era o terceiro ano do ensino médio. Katniss ficou ali, sentada, comparando a bunda dos dois garotos. Com certeza a do mais novo cresceria muito, mas por enquanto, o primo ganhava. Zoë sentou perto dela e perguntou:

– Vocês encontraram chuva ácida? – Katniss podia sentir o gosto de vinagre novamente.

– Sim, eu bebi.

– O Cormarc bebeu – contou Zoë. — Eu ri da cara dele.

– Coitado.

– Mas foi graças a ele que estamos aqui – ela confessou. – Não diga pra ele que eu disse isso.

– Pode deixar – prometeu Katniss, abismada com a conversa entre ela e uma garota de 14 anos.

– Enfim, se ele não tivesse bebido chuva ácida, jamais teria reparado nas nuvens e constelações. Eu estudo constelações e...

– Jura?

– Juro – ela confirmou. –Minha favorita é A Caçadora. Posso terminar? Obrigada. Eu estudo constelações desde os doze anos, astrologia, luas, sol, fenômenos naturais como chuva ácida... A chuva veio da ilha. Isso quer dizer que estávamos de costas para alguma indústria. É realmente complicado explicar isso a alguém, precisei de horas para explicar ao Cormarc.

– Então resuma – pediu Katniss.

– Irei resumir: olhei as estrelas, constelações na qual podemos nos guiar, e a Europa está pra lá – apontou Zoë; Katniss se virou, como se pudesse ver a Europa além das árvores. – Estávamos atravessando a ilha quando ouvimos risadas e o resto você já sabe. Eu posso confessar uma coisa? Não tenho irmã mais velha e você se parece comigo fisicamente!

– Pode... – permitiu Katniss, querendo sorrir. Zoë era extremamente madura para umas coisas, mas tinha apenas 14 anos.

– Eu gosto do Cormarc – ela sussurrou. – Desde o ano passado.

– E porque você não fica com ele? – perguntou Katniss, sussurrando. No mesmo momento, perguntou-se porque estava fazendo aquilo.

– Por causa do meu juramento de morrer virgem! – explicou a morena à morena.

– Mas beijar não quer dizer transar – retrucou Katniss e depois tampou a boca; a garota tinha 14 anos.

– Francamente, eu acho os adultos um bando de hipócritas – xingou Zoë. – Inclusive você. Só porque tem mais de dezoito anos acha que eu, só porque tenho 14, não sei o que é sexo? Responde: você sabe o que é sexo desde os onze de idade, não é?

– Bom, é, mas...

– Pronto – Zoë deu o assunto por encerrado.

– Mas você com esse pacto de virgindade... Achei que fosse mais pura do que eu na sua idade.

– Minha mente é turbulenta – disse Zoë com um sorrisinho malicioso. – Mas não deixo ninguém saber disso.

– Você é do tipo que fala que merda é palavrão, mas na cabeça xinga todo mundo de filho da puta?

– Principalmente o Cormarc – concordou ela.

– Minha melhor amiga, Annabeth, é assim. Ou era, não sei o que aconteceu com ela depois que o navio começou a afundar.

– Não sei o que aconteceu com meus pais e meus tios, os pais do Mark – falou Zoë, um tanto triste.

Foi então que pelos cipós dois seres masculinos passaram, segurando mochilas pretas de tamanho médio. Cormarc, querendo se exibir, abriu as bolsas. Logo, os primos Tonks também abriram a pequena mochila de Percy e juntaram as coisas.

Separaram em três categorias: as roupas, as comidas e os objetos extras. Por fim tinham um moletom, uma toalhinha de rosto, as antigas roupas de Peeta, um casaco laranja, um lençol preto, toalha, uma lingerie, uma cueca, uma blusa de ACDC de Cormarc e um short de Zoë. De comida e afins tinham duas garrafas d’água, uma vazia e outra cheia, pacotes de biscoito, barrinhas energéticas e um pacote de pipoca, tirando o pé de morango e maçã ali. Objetos extras tinham o celular descarregado de Katniss, um batom, um protetor solar, repelente, sabonete e um copo, fora um relógio rosa que pertencia a Zoë e a...

– Coloca a correntinha no meu pescoço? – Katniss pediu ao primo e assim ele o fez.

Era linda. Um coração de prata envolvendo um pinguim, o animal favorito da morena. Ela havia ganhando de Peeta nos quinze anos dela. Aqueles eram os únicos objetos que tinham e poderiam sobreviver com aquilo por um tempo. Essa foi a ideia de Katniss:

– Porque não montamos um acampamento aqui?

– A Europa está pra lá! – apontou Cormarc. – Temos que ir para o litoral e fazer um barco.

– Escutem – pediu a morena. – Vamos fazer isso, porém, porque não acampamos aqui? Eu e Zoë passamos o dia caçando, fazendo comida, arrumando as coisas e vocês vão fazendo o barco.

– A Kat teve uma ideia boa – aprovou Peeta. – Apoiado.

– Apoiado – concordou Zoë.

Todos olharam para Cormarc: um par de olhos azuis, um par cinza e um par castanho-escuro. Todos brilhavam de expectativa. Katniss esperava com todas as forças que ele dissesse sim, aquele lugar era lindo e ela precisava tomar um banho naquela água. Então, Cormarc abriu um sorriso e falou:

– Apoiado.

–-X—

Sedução. Se- du-ção. Substantivo feminino. Ato ou efeito de seduzir ou de ser seduzido. Qualidade do que seduz. Atração. Encanto. Tentação. Subornação.

Hermione Granger tinha certeza que sabia fazer tudo isso e tinha mais certeza ainda de como atingir os pontos fracos de certo ruivo.

Sabia que Ronald amava quando ela fazia cócegas nele, amava quando ela falava com sotaque britânico, embora ambos fossem americanos, amava quando ela ficava com cheiro de chocolate, amava beijar ela com os lábios sujos de chocolate. Amava quando ela se vestia de vermelho e colocava uma sapatilha. Rony adorava música indiana e ficava completamente excitado quando a castanha dançava pra ele. E Hermione sabia dançar.

O ruivo podia ter perdido a memória, mas com certeza certas coisas ainda lhe atraíam. Coisas essa que Lilá, por exemplo, não sabia. Porque eram coisas que somente ruivo e castanha, Weasley e Granger, poderiam compartilhar. Só os dois.

Hermione ainda não acreditava que estava fazendo aquilo. Subordinar-se a tal ato. Desesperar-se a tal ponto. Jogar de um modo tão baixo. Seduzir Ronald não era algo que estava no feitio de Hermione. Não mesmo. Mas era algo necessário. Porque no amor e na guerra vale tudo.

Clichê, todos sabemos.

O clima durante esse tempo em que ela estava presenciando em Paris havia esquentado um pouco com a chegada de Julho se aproximando. Na França, durante o verão era quente de matar, Astoria havia lhe contado. Porém, o suor que escorria pela testa da castanha, não tinha nada haver com o clima quente. A noite havia caído, portanto, nem quente de verdade estava. O suor estava diretamente relacionado com o fato de ela estar andando pelo inferno. Ou melhor, ao lado do capeta.

Depois de pagar os pedidos no Sturbucks, castanha, ruivo e loira (vulgo capeta em pessoa já citado no parágrafo anterior) passaram a caminhar pelas ruas de Paris. Hermione, com sua mão livre, agarrou a única mão disponível do ruivo, fazendo Lilá bufar.

Se o Weasley percebia que estava no meio de um campo de batalha entre duas mulheres enfurecidas, Hermione não saberia dizer. Mas que ele estava confuso, ah, sim, isto ele estava.

Lilá, vendo as mãos dadas deles, logo passou a tagarelar:

– Ron! Bem, obviamente você não se lembra de mim. Não se lembra, né?

– Não lembra, Lilá – disse Hermione, num suspiro cansado.

– Bom, compartilhamos o mesmo sonho de ser médicos.

– Medicina? – Rony fez uma careta e buscou, com o olhar perdido, por Hermione.

– Nós três, na verdade – a castanha deu de ombros.

– Que área da medicina?

– Vo... – começou Hermione, mas foi interrompida por Lilá.

– Eu gostaria de ser pediatra e você, também. Hermione queria nutrição.

– Na verdade, eu queria dermatologia – Hermione soltou a mão de Rony para ajeitar os cabelos num coque improvisado.

– Tanto faz – Lilá revirou os olhos, pegando o café na mão de Rony e transportou-o para a outra mão dele, pegando a mão livre em seguida.

Hermione bufou internamente.

– Porque não vamos para uma loja de chocolate? – Hermione propôs. – Gostaria tanto de me deliciar agora...

– Então – Lilá ignorou completamente a presença de Hermione. – Que lugar de Paris você mais gostou de visitar, Uon-Uon?

– Uon-Uon? – sussurrou Rony para castanha, sem que Lilá ouvisse.

– Eu sei – respondeu Hermione sorrindo em mesmo tom. – Detestável.

– Completamente – ele respondeu.

– Rony, não me ignore! – pediu Lilá, fazendo biquinho e pendurando-se no braço do ruivo. Hermione revirou os olhos. – Ah, não importa. Vamos na Pont Des Arts mais tarde? Aposto que não conhece ainda!

– Fui com a Mione alguns dias atrás. É lindo lá – ele respondeu.

– Ah... – ela ficou sem graça, embora por dentro, Hermione tivesse certeza que borbulhava de raiva. – Que tal o museu de artes aqui perto? Passamos por ele quando estávamos saindo do Starbucks...

– Fui lá ontem com a Mione e o Draco – ele respondeu, ficando constrangido.

Aquilo foi o bastante para deixar Lilá vermelha de ódio e Hermione soltou uma risadinha. Mal sabia a castanha que a reação seguinte de Lilá faria um tremendo mal em seus planos.

– Saiu para todos os lugares com a Granger? – ela perguntou, enfurecida. – Eu sou sua namorada, Ronald, não ela.

– Namo... Namorada? – ele gaguejou e Hermione arregalou os olhos, soltando as mãos do ruivo das dela.

– Ela não te contou? – perguntou a loira, com ódio. – Não contou a ele?! Como você não contou a ele? Ah, já sei, estava se aproveitando do Ronald! Escute o que lhe digo, Uon-Uon, ela está se aproveitando disso, da sua situação, para fazer você se apaixonar por ela. Não passa de uma puta. Ela por acaso lhe disse que já namoraram por um bom tempo?

Os olhos de Hermione se encheram de lágrimas. Aquilo não podia estar acontecendo. Ela jogou o Cappuccino no lixo e saiu correndo pelas ruas de Paris, parando um taxi minutos depois e refugiando-se na casa dos Di Ângelo.

Alheio àquilo que ocorria com os americanos, Draco Malfoy e Astoria Greengrass tinham uma conversa civilizada na cozinha. Ela estava com um rabo de cavalo preso no lado direito da cabeça e batom vermelho na boca. Draco ficava louco com o contraste que era olhar para Astoria. Cabelos negros, pele branca. Palidez, lábios chamativos. Ela era perfeita.

Ela estava cozinhando quando ele decidiu fazer um lanche e depois do “boa tarde”, mesmo tendo raivas e mágoas naquele meio, não conseguiram mais parar de trocar ideias e palavras.

– É, mas com pimenta é melhor – a morena opinou.

– Não, definitivamente não – Draco rebateu.

– É a melhor coisa que existe!

– Já tivemos essa discussão, Tori. Você colocou chocolate com pimenta em... – Astoria corou. — Oh, esqueça.

– Tudo bem – ela se virou para olhá-lo, mas em seguida voltou a concentrar-se na panela. – É inevitável não lembrarmos sobre coisas do passado.

Um silêncio se instalou no ambiente e Astoria estava pronta para falar. Falar que sentia muito pelo que fez a ele e nem de longe ela amava Cato. Falar que, enquanto isso acontecia, ela amou verdadeiramente Draco. Astoria gostaria de falar que sentia falta de Draco e que estava feliz por estarem conversando, ele chamando-a de Tori novamente. Também queria esclarecer que não deixaria Cato, a atração física que tinham era forte demais, porém, gostaria que Draco e ela voltassem a serem amigos.

Astoria realmente estava disposta a esclarecer tudo.

Se não fosse interrompida por alguém.

Hermione entrou na cozinha e sem se importar com nada, ela caiu no chão e desabou no choro.

– Mione, o que te aconteceu? – perguntou Draco, preocupado; ele largou o lanche e agachou-se em direção a amiga – Astoria, pega água pra ela.

A morena desligou o fogão e foi obedecer.

– Abraço – Hermione pediu e Draco o fez, apertando-a contra si. Ela apenas chorava.

– Eu vou deixar vocês a sós – anunciou Astoria, estendendo a mão para Draco. – Toma a água, Granger.

Hermione bebeu o líquido transparente, sentindo a água gelada descer por sua garganta enquanto água quente descia por seus olhos. Não podia estar acontecendo com ela. Ela precisava gritar, gostaria de explodir. Rony nunca mais olharia em sua cara!

– Mione – chamou Draco, alguns minutos depois. – O que aconteceu?

– Ela está aqui – explicou Hermione. – A namorada do Rony está aqui e... Ah, Draco...

Ela continuou a chorar. Ouviram do lado de fora risadas e Draco foi conferir quem era. Rony, acompanhado de uma garota nem um pouco mais bonita que Hermione, entrava no jardim. Lilá.

O loiro pegou Hermione pela cintura e a colocou de costas para a porta da cozinha – porta esta que era obrigatória passar caso passassem para a sala da TV -, fazendo com que o rosto inchado e vermelho da castanha não pudesse ser visto. E a beijou. Hermione correspondia o beijo, embora as mais dolorosas lágrimas caíssem em seu rosto. Draco abriu os olhos em algum momento e viu que Rony e Lilá passaram pela cozinha e espiaram o beijo deles; esse era o objetivo do loiro, não deixar que Hermione se humilhasse. Ele afastou delicadamente os lábios da castanha.

– Obrigada – ela sussurrou.

– Eles estão na sala de TV – avisou Draco. – Quer ir lá pra fora?

– Adoraria – ela respondeu, sinceramente.

Foram para o lado de fora da casa, sentando-se na grama verde do jardim. A noite havia caído e a Lua minguante iluminava o céu. O tempo estava frio. Hermione precisava ser forte, precisava parar de chorar. Deitou a cabeça no colo de Draco e adormeceu.

Ela estava presa em um quarto escuro, sem nenhum móvel visível. Sentia um cheiro enferrujado, cheiro de sangue. Sangue dela. Alguém havia ferido sua barriga, ela iria morrer. Hermione Granger estava morrendo e a única coisa que ouvia eram as risadas de Lavander Brown.

Acordou, sobressaltada, e percebeu que estava com o rosto enterrado no travesseiro. Tudo estava escuro, mas ela estava em sua cama, com Silena ao lado. Sorriu; Draco havia lhe levado até ali. Que sonho havia sido aquele? Precisava dormir de novo, mas não conseguia. As risadas da loira não saíam de sua cabeça.

Levantou, calmamente, com a intensão de ir dormir com Draco. O chão estava gelado; a noite, silenciosa. Provavelmente eram três horas da manhã.

Ao aproximar-se da porta do loiro, percebeu que havia alguém vendo televisão na sala. Curiosa, decidiu ir para ali e encontrou Rony, com os pés em cima do sofá, assistindo um episódio qualquer de Bob Esponja.

– Desculpe – pediu Mione, virando-se para sair.

– Espera – o ruivo mandou, desligando a televisão e indo se postar de frente para a castanha. – Podemos conversar?

– Estou com sono, Ronald.

– É rápido – ele assegurou.

Ela assentiu, nervosa. Ele diria o que? Que Lilá havia lhe despertado o amor novamente? Que não suportava mais olhar para o rosto de Hermione, uma mentirosa? Suas mãos suavam, mas mesmo assim a castanha se sentou no pé da escada, com Rony um degrau abaixo.

– É verdade? – ele perguntou depois de um tempo.

– O que?

– O que a Lilá disse – ele falou. – É verdade?

– Rony...

– Por favor.

– É – ela murmurou. – Digo, em partes. Ela é sua namorada, sim.

– E você? – ele quis saber. – Quero saber de você.

– Sou sua ex.

– Não acredito nas coisas que Lilá falou sobre você. De estar se aproveitando de mim.

– Porque eu não estava – ela explicou, num sussurro, sentindo os olhos arderem.

– Eu sei.

– Até ela aparecer... – ela murmurou, envergonhada. – Estava decidida a me aproveitar da situação. Eu não podia... Perder você duas vezes para ela era demais para mim. Era só isso, Rony? Posso ir dormir? Estou com sono!

– O que faz aqui a essa hora? – ele indagou.

– Tive um pesadelo. Ia dormir com o Draco.

– Você e ele voltaram?

– Eu já lhe disse que era fingimento para ciúmes na Astoria. Bom, não completamente. Eu curto ele, ele me curte. Meus sentimentos... – ela deixou a frase morrer.

– Seus sentimentos...? – ele incentivou diante da hesitação de Hermione.

– Estão mortos por um tempo – ela mentiu. – Ele virou um bom amigo.

– Mais do que eu era?

– Não.

– Porque não...? – ele também deixou a frase morrer.

– Não...?

– Nada. Fico feliz em saber que não é uma aproveitadora de mentes esquecidas – ele tentou brincar. – Boa noite, Mione.

Ele se levantou e beijou a testa dela, indo para o seu quarto. Sozinha, no escuro, sem saber se ficava triste ou aliviada, ela murmurou:

– Boa noite, Ron.

–-X--

Tudo o que ela sabia sobre Oxford era que no meio da cidade havia uma excelente universidade e sabia que a Oxford Street era perfeita para compras. Sabia que a cidade ficava na Inglaterra e que era desse país que os Beatles encantavam a todos com suas músicas. Oh, e ela sabia da magnifica arquitetura de Londres, que devia ser parecida com a de Oxford.

Porém, de tudo que ela sabia e não sabia, jamais imaginaria que ali era sede de uma máfia (o melhor título que ela conseguiu para denominar quem os aprisionava ali). Luna havia contado uma história para ela. Annabeth não fazia a mínima ideia de como a outra loira sabia disso, mas não duvidava da veridicidade de suas palavras.

Segundo Luna, Coriolanus Snow foi preso aos dezoito anos injustamente. A partir daí, entrou no mundo do crime para uma espécie de vingança. Se estou preso, quero estar preso com motivo, era o que ele pensava. Então, começou a traficar drogas. Depois, pessoas, órgãos e animais. Vendia bebida, roubava e vendia produtos. Era uma máfia escondida. Porém, como todo e qualquer homem, ele não estava imune ao amor.

Assim como ele mantinha Annabeth e o resto ali, em seus vinte e poucos anos ele manteve uma garota. Ela tinha cabelos encaracolados e castanhos. Não era muito bonita, nem tinha o corpo perfeito, mas ele a amou verdadeiramente. Era inevitável Dolores Umbridge não entrar no mundo mafioso depois disso. E ali estavam eles: velhos, barrigudos e criminosos. A gangue de Snow nunca foi pega e a rede de máfia dele chegava até na África do Sul.

Uma história de amor realmente interessante, embora nem um pouco linda e meiga. Era o oposto. Era cruel, era suja.

Enfim, no mesmo momento que Luna contava sobre isso, Madge espiava o lado de fora do muro, em cima do telhado da cabaninha. Caras sem camisa e jeans rasgados estavam postos nos muros. Uns dormiam, mas outros a encaravam com ferocidade, correspondendo o olhar azul da loira.

Enquanto isso, Percy Jackson continuava dentro da casinha e Annabeth não saberia dizer o que fazia. Porém, alguns minutos depois ele saiu de lá, completamente sóbrio e tentou falar com Annabeth. Obviamente, foi recebido com patadas.

Era meio da noite, quando Rachel tinha se drogado, mas Percy continuava intacto, apenas para ter o prazer de alfinetar Annabeth. Estava chovendo, mas nem o som das gotas de chuva batendo no duro concreto fazia com que o som dos gritos do moreno e da loira se abafassem.

Com os cabelos molhados, Annabeth estava deitada no colo de Madge, dentro da casinha. O chão estava molhado e a água no tapete fez um cheiro de mofo subir no local. Luna fazia uma trança nos cabelos de Rachel, que estava dormindo outra vez. Percy estava sentado ao lado de Madge, prestando atenção na conversa das duas loiras e intervindo em diversos momentos, para irritar Annabeth.

– Não foi Paul McCartney, foi John Lennon. Achei que tivesse mais cultura, Chase.

Hey Jude foi escrita por Paul McCartney! – rebateu a loira, com a voz irritada e levantando-se do colo da amiga. Um pingo de seu cabelo caiu no tapete vermelho e fedorento dali.

– John Lennon – o moreno dos olhos verdes retrucou.

– Paul.

– John.

– Paul.

– Paul.

– Você tá querendo me enganar com esse truque barato? – ela indagou, furiosa e levantando-se (ele também havia se posto de pé); faltava apenas a fumaça sair por suas narinas. – Achou mesmo que eu sou você? Burra o suficiente para falar John?

– Sinceramente? – ele perguntou, sorrindo. – Acho. Espera, eu não sou burro.

– Ah, não – ela ironizou, batendo palmas e um sorriso de escárnio brincando em seus lábios rosados. – Só falta a inteligência e esperteza. Estou dizendo, Paul compôs a música!

– Porra, Chase, não foi!

– Foi.

– Não foi.

– Isso está ficando infantil – ela observou, pondo as mãos na cintura. – Admita logo que Paul escreveu e cale a boca. Sua voz me irrita.

– Como se a sua voz fosse extremamente doce e delicada – Percy alfinetou, sentando-se no chão novamente e apoiando-se nos dois braços, relaxado.

– Estava delicada o bastante quando eu, feito uma idiota, estava tentando te ajudar a tomar banho.

– Ajuda que não foi bem-vinda! – ele se sentou, com a postura rígida; sinal de sua fúria crescendo.

– Não foi o que pareceu – ela gritou, curvando-se para que, de alguma maneira, ele escutasse melhor o que ela falava. – Qual é, Perseu, não aguenta ser rejeitado?

– Qual é, Chase, não aguenta ter quase me beijado? – ele perguntou em mesmo tom e a loira corou. – Admita, Annabeth, você queria.

Ela uivou e saiu de perto, sentando-se perto de Luna e Rachel. Agora, a ruiva parecia serena enquanto dormia e Luna estava distraída com o sapato dela. Annabeth mordeu a bochecha, com raiva, e fechou os olhos com força.

Ela não mentiria dizendo que não queria o beijo do Jackson, mas também era orgulhosa o bastante para não admitir. Raiva, ódio. Era só isso que a loira sentia. Queria socar as paredes cinzas, socar o rosto bonito de Percy Jackson, socar Rachel e seu cabelo ruivo irritante, queria socar tudo e todos. Como ela pôde quase ter beijado ele?

Pior: como ele podia estar certo? Ele não deveria estar certo, não deveria ter percebido que toda a raiva dela era por causa de um simples quase beijo. Ele deveria ser burro, deveria não ter usado a lógica. Que idiota. Só raiva. Era só raiva que ela sentia. Raiva, ódio, e um pouquinho de arrependimento, por ter quase caído na lábia de pescador do Jackson.

Talvez não, mas Annabeth o estava achando mais irritante que o normal. A voz rouca dele a irritava, a barba por fazer que crescia em seu rosto a irritava, os olhos verdes brilhantes a irritava, o corpo não musculoso, mas incrivelmente sexy, dele a irritava. Tudo isso a irritava porque em igual proporção que ela sentia nojo daquilo tudo, ela se sentia atraída por isso tudo. Era algo que também a irritava.

Um lado dela queria parar com isso. Queria não ser ignorante e mal educada, e desculpar-se com Percy. Um lado dela, o mais escondido que havia, gostaria muito de voltar no tempo e ter encostado seus lábios aos dele, apenas para ter sentido a sensação. Esse lado gostaria de parar as brigas; mas devemos lembrar que era apenas um lado.

O outro, alimentava um ódio tão grande pelo moreno que se essa coisa de magia existisse e se ela fosse dotada desse dom, seria capaz de colocar fogo em tudo apenas com o olhar. Cataclismo. E enquanto tudo pegava fogo, ela se deliciaria vendo o muro cinza sendo consumido pelas cinzas e casinha do fundo também. Depois das paredes terem sido derrubados, aquele maldito banheiro seria incendiado completamente, levando consigo a toalha azul e sabonete verde de ervas.

Talvez pudesse fugir dali, formando um buraco no muro com o incêndio. Era uma possibilidade, Annabeth imaginou. Embora seus pais fossem pagar por seu resgate, tinha Luna e Percy, que apodreceriam ali. Além de Annabeth duvidar da palavra de Snow; eles estariam mortos assim que o dinheiro de seus pais entrasse na conta bancária dele. Por isso, precisava fugir. Há quantos dias que ela não pensava em uma estratégia para fugir dali? Quantos dias se passaram desde que ela não tentava formar um anagrama em sua mente? Agora, até Annabeth Chase era impossível de gerar outra frase.

A loira estava ficando louca, esquecendo-se de como era.

O motivo de sua loucura, não era ninguém menos que Percy Jackson.

Depois do constrangedor momento que envolvia água, um banheiro e um garoto sem roupa, as brigas entre Annabeth e Percy estavam mais constantes. Com isso, quer-se dizer que a cada cinco minutos uma nova briga era iniciada (cortesia de Percy).

A chuva havia se dissipado e Annabeth foi a primeira a sair dali. Decidiu subir no telhado antes mesmo que Madge pensasse em sentar ali. Annabeth precisava pensar e, além disso, precisava lembrar que ainda existia um mundo além dos muros cinza de seu cativeiro.

Ao apoiar o pé numa caixa d’água azul ao lado da casa, pegou impulso e subiu ali, sentindo o vestido molhar, devido a recente chuva e as gostas de chuva que permaneciam ali. Annabeth nunca tinha ido lá em cima. Ouvira Madge comentar sobre a paisagem e sobre a sensação de liberdade, mas sentir aquilo na pele era esperançoso.

As telhas eram da cor normal de telhas e estavam postadas organizadamente, embora faltasse uma telha mais atrás, perto do muro. Se ficasse sentada, não conseguiria enxergar o lado de fora, por isso, subiu no muro e ficou ali em pé, observando.

Ao longe, ela via uma floresta. Árvores longas e um padrão posto, com as estrelas brilhando logo atrás. Se a loira virasse a cabeça um pouco, encontraria uma rua e do outro lado, mais floresta. Não havia os tão comentados caras que vigiavam os muros e ela poderia pular facilmente ali e escapar. Teria feito isso, se não ouvisse vozes dobrando a propriedade.

– ...pronto nessa rua – falou um e Annabeth se abaixou para que não a vissem.

– Snow está se arriscando demais mandando drogas para Londres. Ainda mais de nove horas da manhã – opinou o outro.

– Goyle, o dinheiro vem dele. Cale essa merda de boca.

– Lembrando: o caminhão vai estar aqui de nove horas, recebendo o empacotamento de drogas?

– Sim, e todos os nossos homens já foram para Londres para receber a encomenda.

– Mas então como...

Eles atingiram uma distância que Annabeth não conseguia mais ouvir. Porém, o importante ela havia escutado. Tinham uma chance de pular aquele muro e esconder-se dentro do caminhão. Então estariam em Londres e livres das garras de Snow, parecia um milagre.

Tremendo um pouco, Annabeth tentou pular do telhado direto pro chão, mas pisou em falso e ia caindo, se não fosse Percy ali, a segurando. O moreno a estava observando o tempo todo e reparou quando a ideia genial da Chase de pular de um telhado não ia dar certo.

Mesmo sem necessidade, ele permaneceu com as mãos na cintura dela. A proximidade entre eles ainda menor do que a que havia no banheiro. Annabeth sabia o que Percy tentaria fazer e do fundo do coração, uma raiva subiu em seu corpo.

Um beijo, era isso que aconteceria.

Se Annabeth não tivesse chutado as bolas do moreno.

– Cacete! – ele praguejou, se jogando no chão e colocando a mão entre as pernas. – Qual o seu problema, garota?

– Aproveitador! Idiota!

– Oi? Quem me chutou foi, ai, você.

– E mereceu o chute!

Ela saiu batendo os pés no chão. Essa história de quase se beijarem estava ficando repetitiva e enjoativa.

– Annabeth! – chamou Madge, sentada ao lado de Luna do outro lado.

– Vem aqui! – convidou Luna.

Annabeth suspirou e foi se juntar às outras loiras. Uma tão loira que parecia branco, uma loira cujo tom era puxado para o amarelo de modo artificial, e Annabeth. O loiro de Annabeth não havia descrição. Era apenas... Loiro.

– Oi – ela falou, sentando-se de frente para Luna.

– Nós vimos – confessou Madge, com um sorriso malicioso nos lábios. Annabeth corou.

– Todas as garotas são caidinhas por ele – ela sussurrou. – Não quero fazer parte disso. É retardado. Ele é retardado. Ele é um idiota! Eu o odeio. Ódio é a única coisa que sinto e parece que nos últimos dias ele arranjou um jeito de me deixar ainda mais irritada. Ele é... Idiota. Egocêntrico. Mesquinho. E... Idiota. E, é claro, não está ligado apenas ao fato que tenho ódio do modo como ele transa com garotas com mesma rapidez que troca de roupa. Beijar ele seria nojento porque vai contra todos os meus valores. Digo, eu já falei que ele é idiota e passamos a vida inteira brigando. Não seria certo agora, depois de anos, formar uma amizade. E ele é irritante.

Ao parar de falar, Annabeth percebeu que despejou aquilo tudo sem tomar fôlego uma única vez. Aquela era toda a sua raiva que crescia para com Percy. Ela precisava falar sobre isso com alguém e ali estavam suas confidentes: uma patricinha e uma lunática. Porém, embora fossem assim, eram amigas. Uma amizade recente, mas bastante verdadeira.

– Orgulhosa... – cantarolou Luna.

– Não consigo deixar o orgulho de lado – lamentou Annabeth.

– Vá por mim: na hora certa, você vai deixa-lo – assegurou Madge.

– Não quero deixá-lo se isso signifique o que penso que significa. Ele é idiota.

– Dá pra ver que ele não consegue mais se controlar perto de você. Ele é um idiota excitado! – Madge soltou uma risada estridente. – Daqui a pouco, você também vai estar assim, lindona. Você vai conseguir beijar Percy sem chutar as bolas dele.

As três gargalharam, virando os rostos para ver a figura de Percy sofrendo de dor mais atrás. Ele ainda mantinha as mãos entre as pernas.

– Oh, já ia me esquecendo! Eu descobri uma coisa – anunciou Annabeth. – E tenho um plano. Vamos fugir daqui, garotas?

Notas finais
*Hey Jude foi escrita pelos dois (Paul e John)
ENTÃAAAO, como deu pra perceber, eu não consigo escrever pouco. Perdão.
Lembram da fic do casamento de Percy e Annabeth? Por Atena, peço que leiam. Ela já está postada, guys ^^

http://fanfiction.com.br/historia/422383/Era_Uma_Vez/

Estou esperando vocês lá. A fic vai ser um conjunto de ones e ficaria tãaao feliz se aparacessem com comentários *o*
Ah, gostaria de perguntar uma coisa, também... O que acham de um capítulo "bônus"? Digo, com os casais secundários, pensamentos externos, etc...?

Beijão e a data do próximo cap no meu perfil ;)